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    VENEZA — Único dos 21 títulos concorrentes ao Leão de Ouro do 75º Festival de Veneza dirigido por uma mulher, o violento drama “The nightingale”, da australiana Jennifer Kent, inspirou reações consideradas sexistas em sua primeira projeção antecipada para a imprensa, na noite desta quarta-feira (5). O filme, que ganhará sessão de gala na noite de quinta, se passa em 1825, nas selvas da região hoje conhecida como Tasmânia, e descreve a sanguinolenta vingança de uma jovem irlandesa contra o oficial britânico que destruiu sua família.

    LEIA TAMBÉM: 'Capri-revolution' conta história de comunidade alternativa pré-1ª guerra

    Durante a concorrida sessão para jornalistas e profissionais do mercado, no auge da trajetória de matanças da trama, a plateia aplaudiu a morte de um dos vilões e, na sequência, a de um aborígene. No final da projeção, ainda durante os créditos, um blogueiro italiano gritou a palavra "prostituta" para se referir à diretora quando seu nome surgiu na tela. Mais tarde, ele foi identificado e teve sua credencial suspensa, segundo a organização do festival.

    Ao ser informada sobre o ocorrido na tarde desta quinta-feira (6), durante a coletiva de imprensa com a equipe do filme, a realizadora reagiu com tranquilidade ao episódio.

    – Acho absolutamente importante reagir com compaixão e amor diante da ignorância. Não há outra forma de se comportar diante disso – disse Jennifer, sem alterar a voz, ladeada pelos atores e os produtores do longa. – O filme fala claramente sobre isso. Tenho orgulho dele e da equipe que o fez, por ousar contar uma história que precisa ser contada. Amor, compaixão e bondade são a nossa salvação como seres humanos e, se não os utilizá-los, tudo vai para o ralo.

    “The nightingale” é centrado na figura de Clare (Aisling Franciosi), uma das muitas cidadãs britânicas enviadas para uma das colônias penais do império, à espera de receber autorização para voltar para casa. Mas isso parece não estar nos planos de Hawkins (Sam Claflin, de franquia “Jogos vorazes”), o oficial responsável pelo posto, e que que costuma usá-la como objeto sexual.

    – Não acho importante que as pessoas assistam a cenas de violência gratuita, mas a violência, nesse caso, me parecia tão abominável que optei mostrar o que Clare realmente estava passando. Somos idiotizados e entorpecidos pela violência, podemos ver um filme em que 50 pessoas morrem e não sentimos nada. Para mim, isso é desagradável. Queria mostra o custo humano desta violência – justificou a realizadora, que comentou a polêmica de ser a uma mulher a disputar o prêmio máximo de Veneza este ano. – Isso só me dá alegria. É uma posição difícil para mim, porque gostaria de ter outras irmãs diretoras aqui. É importante avançarmos na questão da paridade de gêneros. O cinema reflete o mundo e se ele só representa 50% dele, não está cumprindo sua função direito.

    * Especial para O GLOBO


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    RIO — Depois de movimentar a indústria com o anúncio de um Oscar voltado para filmes populares, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood recuou e decidiu adiar a novidade. Com isso, a estreia da nova categoria não será mais em 2019, na 91ª edição da festa do cinema.

    Segundo a "Variety", a Academia afirmou que, "embora permaneça comprometida a celebrar um amplo espectro de filmes", reconhece que a implementação de um novo prêmio no nono mês do ano "cria desafios para os filmes que já foram lançados".

    LEIA MAIS: E o Oscar de melhor 'filme popular' iria para... Veja os votos dos Bonequinhos

    Nove dos 22 filmes brasileiros que tentam o Oscar são de mulheres

    "Houve uma ampla gama de reações à introdução de um novo prêmio e reconhecemos a necessidade de mais discussões com nossos membros", afirmou o CEO da Academia, Dawn Hudson. "Nós fazemos mudanças no Oscar ao longo dos anos e continuaremos a evoluir, respeitando também o incrível legado criado nesses 90 anos".

    O anúncio sobre a criação da categoria de "Oscar popular" foi feita no início de agosto, e causou polêmica. A carta do Conselho aos votantes da Academia não dava detalhes sobre a nova categoria. A ideia era trazer longas-metragens de maior apelo, como sucessos da franquia “Star Wars” ou as adaptações de super-heróis como “Pantera Negra”, para os principais prêmios artísticos.

    A reação dos veículos especializados na cobertura do mercado de audiovisual americano, como “Variety” e “The Hollywood Reporter”, foi imediata — e unânime. “A Academia está desesperada”, decretou o jornalista Kristopher Tapley, da coluna especializada em premiações In Contention, publicada pela “Variety”. O crítico Owen Gleiberman, no mesmo veículo, escreveu um artigo intitulado: “A categoria de melhor filme popular vai contra tudo que o Oscar deveria ser”.

    Ainda de acordo com a "Variety", as demais mudanças planejadas para o Oscar de 2019 serão mantidas, incluindo a reestruturação e encurtamento da cerimônia para três horas. A partir de agora, entre seis e oito categorias passarão a ser apresentadas no Dolby Theatre durante os intervalos da transmissão ao vivo. As categorias selecionadas mudarão a cada ano, em acordo entre os produtores da transmissão e a Academia.

    A 91ª edição do Oscar está marcada para o dia 24 de fevereiro, em Los Angeles.


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    RIO — Trinta e cinco anos depois de publicado pela primeira vez, em 1983, "O menino que espiava pra dentro", da escritora e imortal da ABL Ana Maria Machado, está gerando polêmica na internet, como adiantou Ancelmo Gois, em sua coluna, no GLOBO.

    Nesta quinta-feira, uma mulher do Recife publicou em uma rede social que seu filho perguntou a ela "se era verdade que se engasgasse com uma maçã e ficasse sem respirar, ele conseguiria ir até o encontro do seu mundo da imaginação". Até peguei o livro para reler, pensando que pudesse ter alguma frase infeliz. Mas que nada. É apenas a história de um menino cheio de imaginação que precisava de um amigo

    "Ele me disse que o menino do livro que estava lendo tem um amiguinho imaginário que mandou ele fazer isso, ou seja, que se ele engasgasse com uma maçã, ele acabaria com todos os problemas! Faço um apelo aos pais que conversem, monitorem e protejam seus filhos dessas estimulações perigosas que estão por toda parte...", escreveu a mãe, gerando uma avalanche de compartilhamentos e comentários de que a obra incitaria o suicídio entre as crianças.

    — Estou chocada! Foi como se uma bigorna caísse na minha cabeça — disse a autora, ao tomar conhecimento da polêmica. — Até peguei o livro para reler, pensando que pudesse ter alguma frase infeliz. Mas que nada. É apenas a história de um menino cheio de imaginação que precisava de um amigo, e acaba ganhando um cachorro.

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    Ana Maria Machado dá depoimento no Museu da Imagem e do Som11021678.jpg

    "O menino que espiava pra dentro" conta a história de Lucas, que gosta de sonhar e que, com a imaginação, aprende a criar um mundo melhor, onde tudo é liberdade. Na página 23, há um trecho em que o menino come uma maçã para ingressar no mundo dos sonhos, "um processo poético para a criança entrar no mundo da imaginação", explica a Global Editora, que nesta sexta-feira, após receber mensagens de pais preocupados e de escolas que adotaram o livro como leitura paradidática em todo o Brasil, emitiu nota em apoio à escritora.

    "Esclarecemos que as referências à maçã e ao fuso são alusões às histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida e constituem parte integrante do universo da história, sustentando o argumento de que imaginar pode ser muito bom, mas a realidade externa se impõe. Conversar com os outros (como a mãe) é fundamental, e a afetividade que nos faz felizes está ligada a seres vivos e reais", diz a nota.

    Isso porque Lucas, na tentativa de dormir mais (para passar mais tempo no mundo na imaginação), recorre aos recursos das outras histórias infantis, como comer a maçã para sonhar até ser despertado por uma princesa ou furar o dedo numa roca para dormir por cem anos.

    A Global lembra que Ana Maria Machado é considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos. "O seu carinho e cuidado com a educação de nossas crianças e a formação de leitores sempre foi sua prioridade. Portanto, em momento algum, escreveria algo que pudesse prejudicá-las", segue a nota. "Todo o nosso apoio e carinho à Ana Maria Machado!", conclui.

    LEIA O POST DA MÃE:

    "Meu filho acabou de me perguntar se era verdade que se ele engasgasse com uma maçã e ficasse sem respirar, ele conseguiria ir até o encontro do seu mundo da imaginação... Eu de imediato falei que não e expliquei que ele correria grande perigo e provavelmente morreria sem ar, deixando todos que o amavam muito tristes. E perguntei: mas por que você está me perguntando isso, filho? Ele me disse que o menino do livro que estava lendo tem um amiguinho imaginário que mandou ele fazer isso, ou seja, que se ele engasgasse com uma maçã, ele acabaria com todos os problemas! Faço um apelo aos pais que conversem, monitorem e protejam seus filhos dessas estimulações perigosas que estão por toda parte..."

    CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DA GLOBAL EDITORA:

    "A Global Editora tem recebido algumas manifestações sobre a obra "O menino que espiava pra dentro", de Ana Maria Machado. As mensagens acusam o livro de incitar o suicídio entre as crianças. Precisamente, trata-se do texto da página 23, em que o menino come uma maçã para ingressar no mundo dos sonhos – um processo poético para a criança entrar no mundo da imaginação.

    Esclarecemos que as referências à maçã e ao fuso são alusões às histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida e constituem parte integrante do universo da história, sustentando o argumento de que imaginar pode ser muito bom, mas a realidade externa se impõe. Conversar com os outros (como a mãe) é fundamental, e a afetividade que nos faz felizes está ligada a seres vivos e reais.

    O livro foi publicado em 1983 e até o momento não havia despertado nada de negativo nessa área. Inclusive, trata-se de uma obra adotada em diversas escolas brasileiras.

    Ana Maria Machado é considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos. O seu carinho e cuidado com a educação de nossas crianças e a formação de leitores sempre foi sua prioridade. Portanto, em momento algum, escreveria algo que pudesse prejudicá-las.

    Todo o nosso apoio e carinho à Ana Maria Machado!"


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    BRUMADINHO — A réplica de um estádio em que o público parece se ampliar infinitamente. Uma estrutura prestes a cair sustentada temporariamente por vigas de madeira. As duas obras, do americano Paul Pfeiffer e do argentino David Lamelas, respectivamente, integram as novas exposições temporárias inauguradas nesta quinta-feira em Inhotim. Resta saber qual delas vai servir de metáfora para a instituição — desde que o seu fundador e maior patrono, Bernardo Paz, se viu envolvido em uma série de questões legais, ela busca provar ao mundo que segue em pleno funcionamento.

    — As questões legais do Bernardo foram emocionalmente desafiadoras para todos nós. Mas a maioria dos nossos patronos consegue diferenciar as questões específicas dele da instituição em si. Apesar de todos os problemas, estamos num momento muito bom. Essa é uma das exposições mais interessantes que já apresentamos e uma das nossas maiores conquistas — defende o curador e diretor artístico de Inhotim, Allan Schwartzman.

    LEIA MAIS: Nove meses após afastamento de criador, museu diz ter contas no azul

    Obras de Inhotim são transferidas para governo de MG

    Convidado por Paz para trabalhar na concepção artística de Inhotim antes mesmo de sua fundação, Schwartzman, que é americano, se divide entre os EUA e Brumadinho e assumiu a função de diretor artístico no ano passado. As exposições inauguradas nesta quinta são as primeiras que ele realiza no local (antes disso, inaugurou mostra da instituição na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington).

    As obras apresentadas agora são de artistas veteranos e reconhecidos na arte contemporânea: além de Pfeiffer e Lamelas, há também criações do americano Robert Irwin e da japonesa Yayoi Kusama, além da mostra “Para ver o tempo passar”, que reúne projetos audiovisuais de diversos artistas, como o brasileiro Marcellvs L. 78726577_SC - Inhotim Galeria Lago FALLING WALL de David Lamelas..jpg

    AGORA, TRÊS DIAS PASSAM A SER NECESSÁRIOS PRA VISITA

    Temos provavelmente uma dúzia de trabalhos permanentes para expor, ou possuímos o projeto para sua implantação. A maior prioridade nos próximos anos são esses trabalhos.As exposições temporárias, que permanecerão em Inhotim até 2020, antecipam dois outros grandes projetos para os próximos anos: a construção de uma escultura ao ar livre de Irwin e uma galeria permanente para Kusama. Segundo Schwartzman, as adições farão aumentar para três dias o tempo necessário para conhecer o museu por completo.

    — Temos provavelmente uma dúzia de trabalhos permanentes para expor, ou possuímos o projeto para sua implantação. A maior prioridade nos próximos anos são esses trabalhos.

    Schwartzman diz que os desafios de sustentabilidade a longo prazo não são exclusivos de Inhotim ou do Brasil.

    — Como outros institutos que não visam lucro, quando estávamos caminhando para a autossuficiência a crise econômica nos afetou. O Brasil tem leis avançadas quando se fala em doações empresariais, na possibilidade de converter impostos em doações. Mas qualquer instituição no mundo sofre com arrecadação.78726589_SC - Inhotim Galeria Lago LIMITE DE UNA PROYECCION Foto Daniela Paoliello 1..jpg

    Presente para a abertura da sua exposição, que conta com quatro obras produzidas em diferentes períodos da sua carreira, o argentino David Lamelas afirmou que a exibição de seus trabalhos em Inhotim sela uma relação de 50 anos com o Brasil.

    — Tenho uma grande aventura no Brasil, representei a Argentina na Bienal de São Paulo de 1967 e fui premiado naquele ano.

    O argentino ainda comentou o significado de “Falling wall”, a mais impactante obra do conjunto. Criada em 1992, apenas três anos após a queda do muro de Berlim, a peça adquiriu novos significados com a chegada de Donald Trump ao poder.

    — Uma coisa de que Trump não se dá conta é de que os muros nunca funcionaram. “Falling wall” ganhou uma função explicativa para Trump de que os muros, eventualmente, caem — defende Lamelas.

    *Luiza Barros viajou a convite do instituto.


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    VENEZA — A polêmica em torno da projeção de “The nightingale”, único candidato ao Leão de Ouro desse ano dirigido por uma mulher, esquentou o caminho para “Capri-revolution”. O filme também é centrado em uma figura feminina, mas é dirigido por um homem. Exibido para a imprensa na manhã desta quinta-feira, o novo trabalho do veterano Mario Martone descreve a libertação pessoal de uma jovem pastora de cabras de Capri após o contato com uma comunidade de artistas e pensadores que se instalou na ilha, às vésperas da Primeira Guerra.

    A história é baseada no caso real de um grupo fundado na ilha do litoral italiano, no início do século passado, pelo pintor alemão Karl Willem Diefenbach. Recebido com aplausos respeitosos pelos jornalistas, tem trama contada do ponto de vista de Lucia (Marianna Fontana), jovem analfabeta maltratada pelos irmãos. Eles planejam casá-la com um homem rico, mas ela desabrocha intelectualmente quando conhece o pintor Seybu (Reinout Sholten van Aschat), um dos líderes da comunidade.

    – A ilha é um mundo em si, uma metáfora para a ideia de que o mundo é uma ilha, e só poderemos conviver bem dentro dela se pudermos conversar, trocar ideias, juntos. É inútil pensar em levantar muros hoje em dia – disse o veterano realizador, autor de filmes como “O jovem fabuloso” (2014). – Lucia é analfabeta, não sabe de nada mas descobre tudo e, acima de tudo, não tem medo do outro.

    Para além do laboratório sobre a criação de cabras, Mariana Fontana contou com Martone e a corroteirista Ippolita di Majo os elementos para criar Lucia – e a se reconhecer nela:

    – Mario me contou sobre o que aconteceu em Capri, na época, e depois fui estudar a história da ilha naquelas primeiras décadas do século XX. Lucia rebela-se contra a opressão da família, e com os papéis impostos à mulher na sociedade da época – contou a atriz, que diz não ter se incomodado com as sequências de nudez, em que sua personagem dança com os integrantes da comunidade alternativa. – Eu me abri de corpo e alma para a nudez. Eu me identifiquei muito com Lucia, em sua abertura para o mundo.


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    20141128-145244.jpgRIO — Ícone do cinema e da televisão dos EUA — e símbolo sexual dos anos 1970 e 80 —, o ator Burt Reynolds morreu nesta quinta-feira, aos 82 anos, na Flórida, em decorrência de um ataque cardíaco. A informação foi confirmada pelo agente do artista.

    Um de seus quase 200 trabalhos foi o filme "Boogie nights: prazer sem limites" (1997), de Paul Thomas Anderson, que lhe rendeu um Globo de Ouro e sua primeira e única indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. O longa ajudou a tornar seu rosto conhecido entre uma geração mais jovem de cinéfilos. Mas, apesar do sucesso, Reynolds declarou em entrevistas não ter gostado do filme.

    O seu carisma, bigode e voz profunda ficaram famosos ao longo da carreira, iniciada em faroestes para a TV ainda nos anos 1960.

    Após estrelar vários filmes do gênero, ele viu a fama disparar graças à atuação em "Amargo pesadelo" (1972), de John Boorman, e "Agarra-me se puderes" (1977), com Sally Field e Jerry Reed. Este segundo arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas.

    Ele também dirigiu alguns longas, como "Caçada em Atlanta" (1981), no qual ofereceu uma performance elogiada. Mas a carreira entrou em declínio após projetos como "O imbatível" (1983), "Um homem destemido" (1985) e "Paternidade" (1981), que não chegaram a ser exatamente um grande sucesso entre o público.

    Ele experimentou uma renaissance ao voltar para a televisão. Atuou nas séries "B.L. Stryker" (1989) e "Evening shade" (1990), pela qual venceu um Emmy.

    O sucesso na TV permitiu que ele voltasse a fazer papéis fortes no cinema. A cerja do bolo foi o papel de um político bêbado em "Striptease" (1996), de Andrew Bergman. No ano seguinte foi a vez de "Boogie nights", no qual viveu um manipulador diretor de filmes pornôs.

    Ele foi convidado para atuar em “Once upon a time in Hollywood”, novo filme de Quentin Tarantino, sobre o assassinato da atriz Sharon Tate pelas mãos da Família Manson, a seita liderada por Charles Manson. Mas Reynolds não chegou a filmar suas cenas.

    Em sua autobiografia "But enough about me", de 2015, ele não demonstrou arrependimento pelas decisões feitas durante sua carreira, marcada por altos e baixos.

    "Sempre quis experimentar de tudo. Até agora, tudo certo. Sei que estou velho, mas sinto-me jovem. E só há uma coisa que ninguém pode tomar de mim: o fato de eu ter me divertido como ninguém", escreveu ele nos parágrafos finais.

    Burt Reynolds deixa um filho, Quinton.


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    wilson_jfbqlAX.jpgRIO - Morreu na noite desta quinta-feira, aos 81 anos, o sambista Wilson Moreira, vítima de um câncer no rim.

    Wilson Moreira nasceu em 12 de dezembro de 1936 e foi criado no bairro de Realengo. O samba era a sua grande paixão. Com 12 anos já observava atentamente o batuque das escolas de samba. Passou a compor e logo seria diretor de alas e um dos primeiros integrantes da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel onde integrava a ala dos compositores e a bateria (começou oficialmente na Mocidade aos 15 anos).

    FB Wilson Moreira

    Seu primeiro samba-enredo, "Bahia", parceria com Ivan Pereira, foi um sucesso. Outro famoso samba-enredo seu, "As Minas Gerais", foi muito elogiado pelo mestre Ary Barroso Aos 29 anos gravou o seu primeiro compacto, passando a ser gravado por grandes intérpretes da MPB. Em19 68 transferiu-se para a Portela onde encontraria grandes parceiros e amigos como Paulinho da Viola, Candeia, Natal e muitos outros.

    Integrou também conjuntos como Cinco Só, Turma do Ganzá e Partido em Cinco. Grande partideiro, entre seus maiores sucessos estão "Mel e Mamão com Açúcar" e "Senhora Liberdade", ambos de parceria com o sambista Nei Lopes. A parceria foi uma das mais bem sucedidas da história do samba, rendendo dois discos antológicos. O primeiro, "A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes", lançado em 80, contém clássicos como "Goiabada Cascão" e "Gostoso Veneno". O segundo, "O Partido (Muito) Alto de Wilson Moreira e Nei Lopes", de 1985, traz "Fidelidade Partidária” e “Eu Já Pedi”, entre muitos outros.

    Teve suas músicas gravadas por várias estrelas da música brasileira como Clara Nunes, Elizete Cardoso, Candeia, Alcione, Beth Carvalho, Jair Rodrigues, Emílio Santiago, Martinho da Vila, D. Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Zélia Duncan, Djavan, Sandra de Sá, Dudu Nobre, Leny Andrade, Elza Soares, Moacir Luz e Jorge Aragão.

    Em 1997 Wilson Moreira sofreu um derrame que o deixou parcialmente imobilizado. Diversos shows foram realizados pelos colegas sambistas, com objetivo de arrecadar fundos para o tratamento do cantor e compositor.

    Por causa da idade e da dificuldade de locomoção, o sambista preferia cantar apenas pelo Rio. Mas em janeiro deste ano, Wilson foi à Brasília se apresentar no Musicar, festival dedicado às crianças, onde fez o pré-lançamento do seu CD "Tá com medo, Tabaréu?', com músicas inspiradas em sua infância.


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    AnaMariaMachado.jpgRIO — Trinta e cinco anos depois de publicado pela primeira vez, em 1983, "O menino que espiava pra dentro", da escritora e imortal da ABL Ana Maria Machado, está gerando polêmica na internet, como adiantou Ancelmo Gois, em sua coluna, no GLOBO.

    Nesta quinta-feira, uma mulher do Recife publicou em uma rede social que seu filho perguntou a ela "se era verdade que se engasgasse com uma maçã e ficasse sem respirar, ele conseguiria ir até o encontro do seu mundo da imaginação".

    "Ele me disse que o menino do livro que estava lendo tem um amiguinho imaginário que mandou ele fazer isso, ou seja, que se ele engasgasse com uma maçã, ele acabaria com todos os problemas! Faço um apelo aos pais que conversem, monitorem e protejam seus filhos dessas estimulações perigosas que estão por toda parte...", escreveu a mãe, gerando uma avalanche de compartilhamentos e comentários de que a obra incitaria o suicídio entre as crianças.

    — Estou chocada! Foi como se uma bigorna caísse na minha cabeça — disse a autora, ao tomar conhecimento da polêmica. — Até peguei o livro para reler, pensando que pudesse ter alguma frase infeliz. Mas que nada. É apenas a história de um menino cheio de imaginação que precisava de um amigo, e acaba ganhando um cachorro.

    LEIA MAIS:

    Não quero que meu livro seja visto como ofensivo', diz autora de 'Peppa', obra infantil recolhida

    Ana Maria Machado e Ruth Rocha: um encontro de amigas

    Ana Maria Machado dá depoimento no Museu da Imagem e do Som11021678.jpg

    "O menino que espiava pra dentro" conta a história de Lucas, que gosta de sonhar e que, com a imaginação, aprende a criar um mundo melhor, onde tudo é liberdade. Na página 23, há um trecho em que o menino come uma maçã para ingressar no mundo dos sonhos, "um processo poético para a criança entrar no mundo da imaginação", explica a Global Editora, que nesta sexta-feira, após receber mensagens de pais preocupados e de escolas que adotaram o livro como leitura paradidática em todo o Brasil, emitiu nota em apoio à escritora.

    "Esclarecemos que as referências à maçã e ao fuso são alusões às histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida e constituem parte integrante do universo da história, sustentando o argumento de que imaginar pode ser muito bom, mas a realidade externa se impõe. Conversar com os outros (como a mãe) é fundamental, e a afetividade que nos faz felizes está ligada a seres vivos e reais", diz a nota.

    Isso porque Lucas, na tentativa de dormir mais (para passar mais tempo no mundo na imaginação), recorre aos recursos das outras histórias infantis, como comer a maçã para sonhar até ser despertado por uma princesa ou furar o dedo numa roca para dormir por cem anos.

    A Global lembra que Ana Maria Machado é considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos. "O seu carinho e cuidado com a educação de nossas crianças e a formação de leitores sempre foi sua prioridade. Portanto, em momento algum, escreveria algo que pudesse prejudicá-las", segue a nota. "Todo o nosso apoio e carinho à Ana Maria Machado!", conclui.

    LEIA O POST DA MÃE:

    "Meu filho acabou de me perguntar se era verdade que se ele engasgasse com uma maçã e ficasse sem respirar, ele conseguiria ir até o encontro do seu mundo da imaginação... Eu de imediato falei que não e expliquei que ele correria grande perigo e provavelmente morreria sem ar, deixando todos que o amavam muito tristes. E perguntei: mas por que você está me perguntando isso, filho? Ele me disse que o menino do livro que estava lendo tem um amiguinho imaginário que mandou ele fazer isso, ou seja, que se ele engasgasse com uma maçã, ele acabaria com todos os problemas! Faço um apelo aos pais que conversem, monitorem e protejam seus filhos dessas estimulações perigosas que estão por toda parte..."

    CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DA GLOBAL EDITORA:

    "A Global Editora tem recebido algumas manifestações sobre a obra "O menino que espiava pra dentro", de Ana Maria Machado. As mensagens acusam o livro de incitar o suicídio entre as crianças. Precisamente, trata-se do texto da página 23, em que o menino come uma maçã para ingressar no mundo dos sonhos – um processo poético para a criança entrar no mundo da imaginação.

    Esclarecemos que as referências à maçã e ao fuso são alusões às histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida e constituem parte integrante do universo da história, sustentando o argumento de que imaginar pode ser muito bom, mas a realidade externa se impõe. Conversar com os outros (como a mãe) é fundamental, e a afetividade que nos faz felizes está ligada a seres vivos e reais.

    O livro foi publicado em 1983 e até o momento não havia despertado nada de negativo nessa área. Inclusive, trata-se de uma obra adotada em diversas escolas brasileiras.

    Ana Maria Machado é considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos. O seu carinho e cuidado com a educação de nossas crianças e a formação de leitores sempre foi sua prioridade. Portanto, em momento algum, escreveria algo que pudesse prejudicá-las.

    Todo o nosso apoio e carinho à Ana Maria Machado!"


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    VENEZA — Meditação sobre a natureza violenta do homem encenada no universo dos antigos samurais japoneses, “Zan” (“Killing”, no título internacional), do cultuado cineasta e ator Shinya Tsukamoto, fechou a competição do 75º Festival de Veneza nesta sexta-feira (7). Os vencedores da edição deste ano da mostra italiana serão conhecidos em cerimônia a ser realizada na noite de sábado (8), seguida da projeção do thriller “Driven”, do irlandês Nick Hamm, o título de encerramento, fora de concurso.

    “Zan” se passa em meados do século XIX, numa época em que os tradicionais guerreiros japoneses já haviam perdido seu poder e utilidade para o império, e os remanescentes da classe viviam em condições precárias. Assim como vários outros samurais da época, Mokunoshi Tsuzuki (Sousuke Ikematsu) abandonou seus mestres, tornando-se um ronin, soldado sem laços e códigos de lealdade, que peregrina pelo mundo em troca de uma refeição ou um lugar para continuar praticando a sua arte.

    Para manter suas habilidades com a espada, Tsuzuki exercita-se quase que diariamente com Ichisuke, o jovem filho do dono da fazenda onde passa uma temporada. Os treinos são acompanhados com curiosidade por Yu (Yu Aoi), a irmã mais nova de Ichisuke, por quem Tsuzuki demonstra grande atração. Quando os rumores de uma guerra civil chegam à região, junto com um grupo de ronins renegados e um guerreiro de meia idade de instintos belicosos, a relação entre os personagens muda drasticamente.

    – Em “Nobi” (“Fires on the plain”, 2014), meu filme anterior como realizador, usei a Segunda Guerra para mostrar o absurdo e a crueldade da guerra. Neste novo filme expresso minha rejeição à violência – explica Tsukamoto, nome quente da cena independente do Japão, que atuou em “Silêncio” (2016), de Martin Scorsese. – Com “Zan” eu queria mostrar a possibilidade de uma rejeição à truculência, até mesmo por parte de um ronin. Não estava interessado em gestos heróicos. Queria destacar o ceticismo e as dúvidas do protagonista.

    Tsukamoto diz que fez “Zan” inspirado por um sentimento de urgência.

    – Por sorte, o Japão está atravessando um longo período de paz. Mas as pessoas que viveram os horrores da última guerra mundial, há 70 anos, estão desaparecendo. É preciso continuar lembrando às novas gerações a ideia de conflitos com aquele são perigosos e deixam cicatrizes profundas – observa o diretor. – O filme é resultado de um grito interior contra a guerra, que estava contido há muito tempo.

    Em muitos sentidos, o filme de Tsukamoto se alinha ao conjunto da mostra competitiva deste ano, marcada por filmes de gênero e histórias que usam o passado para tratar de problemas contemporâneos. O drama de época “Peterloo”, de Mike Lee, por exemplo, reconta o massacre de civis ocorrido em Manchester no início do século XIX para falar sobre ataques à democracia. O húngaro László Nemes retorna a Budapeste pré-Primeira Guerra para lembrar o momento em que a civilização ocidental tomou um rumo obscuro.

    E nem é preciso ir muito longe na história: em “22 july”, o irlandês Paul Greengrass relembra o ataque de um supremacista branco a uma colônia de férias no litoral da Noruega, em 2011, que resultou na morte de 77 pessoas, como um alerta contra a ascensão das idelogias de extrema esquerda. Já o americano Rick Alverson foi buscar inspiração no trabalho de um pioneiro da lobotomia, nos anos 1950, para fazer “The mountain”, metáfora a manipulação da opinião pública e a eliminação de comportamentos ou estilos de vida considerados desviantes.

    A representatividade feminina foi outro tema que esquentou os bastidores da mostra italiana. Alberto Barbera, diretor artístico do festival, foi duramente criticado por ter selecionado apenas uma diretora, a australiana Jennifer Kent, de “The nightingale”, para a competição oficial, composta por 21 títulos – nas demais seções, havia mais seis cineastas. O curador justificou que o baixo número é proporcional ao percentual de filmes inscritos, 21%.

    A pressão fez com que a Bienal de Veneza, entidade por trás da organização do festival de cinema e eventos de arquitetura, música e dança, se comprometeu a assinar o protocolo da organização 50x50x2020, que estabelece parâmetros para buscar a igudade de gêneros. Outros festivias, como Cannes, Locarno e Sarajevo, já havia assinado o acordo.

    * O repórter está hospedado a convite do festival


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    RIO — A cerimônia do Emmy acontecerá em Los Angeles no próximo dia 17. O canal TNT transmitirá a festa ao vivo. Quer acompanhar e torcer, mas acha que precisa se atualizar? Essa seleção contemplou alguns dos concorrentes. Corre que ainda dá tempo;

    MAIS DICAS DA KOGUT: Séries para fazer maratona no fim de semana

    Está sem tempo? Confira opções de séries enxutas

    Séries baseadas em histórias reais

    Se você gosta de drama:

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    "The Handmaid's tale", cuja segunda temporada acaba de chegar ao Brasil pelo canal Paramount, teve 20 indicações incluindo a de melhor série dramática. A trama é ambientada em Gilead, um país imaginário situado onde um dia existiram os EUA. Lá, acompanhamos o drama de June (Elisabeth Moss), prisioneira numa sociedade totalitária onde as mulheres férteis são escravas obrigadas a gerar os filhos para as famílias de uma classe dominante

    Cotação: Ótima

    Onde? Paramount

    Para sonhar:

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    Maior recordista da premiação - já faturou 38 estatuetas - "Game of thrones" volta ao páreo do Emmy depois de ter ficado de fora da edição de 2017 (ela foi lançada após o período de inscrição). Baseada nos romances de George R. R. Martin, a produção mostra uma guerra sem fim entre as diversas famílias que disputam o trono de Westeros após a morte do seu rei. Há aventura, batalhas épicas, efeitos sensacionais e romance.

    Cotação: Ótima

    Onde? HBO Go

    MAIS DICAS DA KOGUT: Opções de programas sob medida para o seu ritmo

    O melhor da política na ficção

    Perfeito para os fãs de drama familiar:

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    Com a terceira temporada prevista para estrear no fim do mês nos Estados Unidos, "This is us" estará no Emmy em importantes categorias como a de melhor série dramática e de melhor ator (Milo Ventimiglia e Sterling K. Brown). A trama acompanha um casal e seus trigêmeos em várias cronologias. É emoção garantida.

    Cotação: Ótima

    Onde? Fox App

    Uma chance de ouro para quem gosta de História reencenada:

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    Esta será a última oportunidade de Claire Foy levar para a casa a estatueta de melhor atriz por sua atuação como a rainha Elizabeth II de "The crown". É que, na terceira temporada, a trama avançará e o papel caberá a atriz Olivia Colman. A produção da Netflix também concorre como série dramática e melhor ator coadjuvante (Matt Smith, o príncipe Philip).

    Cotação: Ótima

    Onde: Netflix

    Para quem quer uma série sobre a CIA, FBI e antiterrorismo:

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    The looming tower", do catálogo da Amazon Prime Video, retrata as disputas entre o FBI e a CIA no período que precedeu os ataques de 11 de Setembro. Jeff Daniels interpreta John O’Neill, agente encarregado de contraterrorismo. Ele concorre ao Emmy na categoria de melhor ator em minissérie ou telefilme. Se ganhar, será sua segunda estatueta: em 2013, foi vencedor com "The newsroom".

    Cotação: Ótima

    Onde: Amazon Prime Video


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    TORONTO — "Eu sou contra a esperança. O tempo da esperança, de Barack Obama, passou. Eu acredito é na força da Geração Ação, da garotada que quer mudar o sistema de verdade, arregaçando as mãos", afirmou, nesta quinta-feira, o documentarista Michael Moore na estreia mundial de seu documentário “Fahrenheit 11/9" (9 de Novembro, já que os americanos colocam o mês à frente do dia), atração mais concorrida do primeiro dia do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF, na sigla em inglês).

    Após a apresentação — aberta ao público, que formou filas de virar três quarteirões horas antes — Moore subiu ao palco com alunos militantes da Escola Secundária Stoneman Douglas, de Parkland, Flórida, palco de um dos maiores massacres por arma de fogo nos EUA; e de uma funcionária pública que denunciou a corrupção política por trás do escândalo de contaminação por chumbo nas águas de Flint, cidade natal do diretor.

    Espécie de “continuação espiritual” de seu “Fahrenheit 9/11” (2004), que bateu duro em George W. Bush e se tornou o mais lucrativo documentário de todos os tempos, o novo filme, ainda sem previsão de estreia no Brasil, tem como personagem principal Donald Trump. A data é uma referência ao dia em que o republicano foi anunciado oficialmente vencedor da disputa contra Hillary Clinton.

    FAHRENHEIT 11/9 Official Trailer

    Emtre as sequências mais polêmicas estão uma comparação de Trump a Adolf Hitler (há uma montagem com imagens originais de um discurso do nazista com a voz de Trump e os maneirismos similares causaram desconforto na plateia) e a forma como Moore trata da proximidade entre o atual morador da Casa Branca e sua filha Ivanka Trump. Bem ao seu estilo e de forma nada sutil ele insinua uma relação incestuosa.

    Quando Trump descobriu que Stefani ganhava mais do que ele na NBC, decidiu fazer uma diatribe e lançar uma candidatura de mentirinha à presidênciaApós tratar rapidamente do Russiangate (com algumas imagens engraçadas do presidente americano ao lado do russo Vladimir Putin), em tirada mais leve, Moore também lança a tese de que, “em última instância, a culpa pela administração Trump” é da pop star Gwen Stefani. O humor, marca registrada do diretor, é tão presente no novo filme quanto as cenas repletas de forte emoção e simbolismo, cerzidas para fazer o espectador molhar os olhos.

    — Quando Trump descobriu que Stefani ganhava mais do que ele na NBC, decidiu fazer uma diatribe e lançar uma candidatura de mentirinha à presidência. Falou os maiores absurdos, foi dispensado pela rede de TV, mas percebeu que havia agradado uma parcela politicamente militante na direita e decidiu seguir a brincadeira. Deu no que deu — disse Moore.

    O filme também bate duro em Bill e Hillary Clinton, na liderança do Partido Democrata, e oferece como heróis da vez os principais representantes da resistência mais explícita a Trump, entre eles Bernie Sanders e a esquerda do Partido Democrata; os professores do estado da Virgínia Ocidental que iniciaram uma greve vitoriosa mesmo com a oposição do sindicato dirigido por pelegos; os meninos da Stoneman Douglas que iniciaram uma campanha nacional contra o porte indiscriminado de armas nos EUA; e as mulheres (chamadas de “As vingadoras” no filme) e líderes comunitários candidatos às eleições de renovação do Congresso este ano no país.

    Na parte final do filme, o Brasil dá as caras, mas de modo vexaminoso. Quando mostra a imagem de uma mulher jovem tratando da ameaça falsa de míssil balístico indo em direção ao Havaí, um nativo escreve, frente ao desespero da mulher: “fica peladinha”.

    O filme termina com um chamamento de Moore aos cidadãos americanos do lado sul da fronteira para se juntarem ao que ele mesmo qualificou, para aplausos gerais, de “nova Resistência francesa”.

    O paralelo do nazismo com a atual Casa Branca é explicitado por entrevistas com historiadores e um procurador americano de origem judaica presente nos Julgamentos de Nuremberg. É dele um dos momentos mais impressionantes do filme, quando estabelece uma ponte entre o comportamento de um governo que arquiteta o Holocausto com outro que força e promove a separação de pais e filhos imigrantes não-documentados.

    O diretor, que não se avexa em mostrar de que lado está e faz propaganda política de alta qualidade técnica, é antigo parceiro do TIFF. Foi aqui que ele lançou “Roger e eu”, seu primeiro filme, que teve sua estreia mundial há 29 anos. Ele também mostrou pela primeira vez no festival da cidade canadense “Tiros em Columbine” (2002) e “O invasor americano” (2015).

    * Eduardo Graça se hospeda a convite do TIFF


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    RIO — O recital da Orquestra Filarmônica de Dresden, regida por Michael Sanderling na última quarta (5/9), foi uma excelente oportunidade de revisitar dois compositores que não são exatamente famosos por suas sutilezas orquestrais — uma tremenda injustiça com ambos.

    Tome-se o Beethoven orquestral, das sinfonias mais famosas que as sonatas e os quartetos, por exemplo. Num caso de biografia cristalizada numa série de livros e filmes, o gênio de Bonn é, no imaginário coletivo do Ocidente, o gênio irascível, o rebelde antiaristocratas, o homem cruelmente surdo, que invoca as forças do destino nas quatro pancadas da Quinta Sinfonia, no coral da Nona, e que, no Concerto nº 5 Para piano e Orquestra, dito "Imperador", concilia dois discursos. Há um caráter marcial e aristocrático nas páginas da orquestra, enquanto o pianista extrai um colorido lúdico em escalas, gerando humanidade. Tudo isso vai se encontrar no terceiro movimento, uma peça tão dançante que já fez o solista austríaco Friedrich Gulda bailar entre uma cadência e outra.

    No Rio, Filarmônica vai além do 'som de Dresden'

    Ouvir isto com a Filarmônica de Dresden na Série de Concertos "O Globo/Dell'Arte", com o solista Herbert Schuch, permitiu reavaliar essas verdadeiras traições que a memória coletiva imprime. Diante de uma plateia que insistia muito em tossir nos pianíssimos da orquestra (sobretudo do lado par), o pianista romeno enfrentou o "Imperador" com refinamento, velocidade nas vertiginosas escalas do primeiro movimento e maciez sem afetações no movimento lento. Dramático, Schuch regia com a mão esquerda seu digitar com a direita quando lhe era possível, num efeito teatral que não incomodou, transformando o movimento central numa espécie de corte à orquestra, a qual finalmente levou para dançar no rondó. Tudo isso sob a vigilância de Sanderling, que conduziu a carruagem de Dresden quase como uma orquestra de instrumentos de época. Em vez do bombástico, o maestro berlinense trouxe uma leitura sob o signo do que é modernidade na execução de Beethoven: econômica e transparente. Se não foi o melhor "Imperador" que já ouvimos, foi no mínimo um workshop de como interpretá-lo, respeitando os melhores estatutos e distribuindo sorrisos.

    ORQUESTRA FILARMÔNICA DE DRESDEN © Renato Mangolin_ALTA 173.jpgNo bis, Schuch mostrou a que veio. Trouxe nas mangas a adaptação que Ferenc Liszt fez do tema da "Campanella" ("campainha", ou melhor dizendo "sininho", em italiano), extraído do Concerto para Violino e Orquestra nº 2, de Niccolò Paganini. Sozinho, o romeno de 39 anos martelou a região aguda do piano com uma concentração absurda, extraindo de cada nota os tilintares que aquela dupla de rockstars do romantismo pretendia. Entretenimento puro, eletrizante até para os craques do piano presentes ao Teatro Municipal. Ainda ouviremos falar muito de Schuch, sobretudo naquilo que o repertório de piano tem de mais feérico.

    Em seguida, veio a Terceira Sinfonia em Ré Menor do austríaco Anton Bruckner, na versão de 1889. O primeiro contraste se revela cedo: a Filarmônica de Dresden percorreu os oitenta anos de diferença de ambas as obras sabendo diferenciar as embalagens — é quando surge o tal "som de Dresden". Neste Bruckner que mira em Wagner, o organista de origem cria seu sinfonismo através de grandes nacos melódicos, que a orquestra recheia em tuttis maciços como os monstros de tubo de uma grande catedral. Fazer este Bruckner "funcionar", qualquer um faz, por ser naturalmente energizante; o risco de aborrecimento com o excesso de barulho, no entanto, permanece. O maestro romeno Sergiu Celibidache foi genial ao pôr freios nas suas gravações de Bruckner, arrancando-lhe belezas panorâmicas. Só que em programas duplos, com o metrô fechando antes de 1h da manhã, essa experiência se torna impossível.

    Com a orquestra encorpada, soando completamente diferente do Beethoven quase camerístico, Sanderling fez uma condução robusta do primeiro movimento, em que os nacos sinfônicos troaram pela acústica imprecisa do Municipal com violência disciplinada, graças a um naipe de metais superior a todos que se ouvem no Brasil. É de pensar como isso teria soado na Sala Cecília Meireles, com os harmônicos ecoando a cada silêncio entre um tema e outro.

    ORQUESTRA FILARMÔNICA DE DRESDEN © Renato Mangolin_ALTA 163.jpgO refresco veio no segundo movimento ("Adagio, bewegt quasi andante"). Esplendorosos, os adágios de Bruckner são capazes de revelar o que uma grande orquestra tem de melhor em termos de concisão e sutileza. É nesse contraste que se entende o programa como um todo: a capacidade de uma orquestra de achar melancolia e reconciliação depois de 20 minutos ininterruptos de fúria, à maneira germânica. Sanderling nos trouxe o wagnerismo do segundo movimento em ondas sublimes, onde que as flautas se destacaram especialmente, até um desfecho seguido um longo silêncio da plateia. A catedral bruckneriana impôs seu maravilhamento.

    Depois, Dresden engrenou uma quinta marcha no terceiro movimento e uma sexta no "Allegro" final, que retoma o tema do mistério do primeiro movimento lembrando-nos de que Bruckner derrubaria um prédio só com suas trompas, trombones e tímpanos. Na cidade em que os museus morrem e as temporadas líricas surgem natimortas, o Bruckner de Dresden reanimou os corações em meio ao apocalipse da cultura. Uma injeção de música vigorosa, executada por uma orquestra que traz no sangue o pulso dos bombardeios da Segunda Guerra e perfeita para sobreviver ao horror.

    Cotação: ótimo


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    RIO — Nascida no Cabula, centro de Salvador, a cantora e compositora Luedji Luna se considera o “projeto político de dois jovens negros” — seu pai, historiador, e sua mãe, economista. Foi a partir dos estudos da história do movimento negro, inclusive, que eles encontraram o nome com que batizaram a filha: Lueji era uma rainha africana, considerada a mãe de Angola.

    A história é contada pelo escritor angolano Pepetela no livro “Lueji — O nascimento de um império”. A obra, publicada em 1989 e que só ganhou edição brasileira em 2015, se passa em dois momentos. O primeiro é o início do século XVII, quando Lueji enfrenta seus irmãos e mantém o legado do pai no Reino da Lunda. O segundo, já no fim do século XX, quando a bailarina Lu ressuscita o mito da rainha em um espetáculo de dança.

    O livro gira em torno de memórias e atualidade, assim como “Um corpo no mundo” (2017), álbum de estreia da baiana de 31 anos. Tendo a diáspora africana como norte temático, o trabalho fala também da força da mulher negra e da saída de uma Bahia quase lúdica que causa saudades. Há três anos ela se mudou para São Paulo, visando alavancar a carreira. “Cada rua dessa cidade cinza sou eu/ Olhares brancos me fitam/ Há perigo nas esquinas/ E eu falo mais de três línguas”, entoa, com timbre sereno, na faixa-título. Luedji Luna - Um Corpo no Mundo

    — No disco, canto uma saudade ancestral, que é própria dos corpos da diáspora. De não saber com exatidão sua essência, de onde veio seu bisavô — explica a cantora. — É um trabalho que só fez sentido porque eu saí da minha terra e vim para São Paulo, uma cidade na qual a solidão surge como sentimento forte, não só por estar longe de amigos e parentes, mas por não me enxergar nela. Mas aqui eu me encontro com a migração africana, que também ressoa no disco.

    ESTREIA MARCANTE NO CIRCO VOADOR

    A mudança vem gerando frutos para a carreira de Luedji. Dez meses após “Um corpo no mundo” ser lançado, ela tem sido vista como uma das novidades mais celebradas da música brasileiro em 2018. No próximo dia 25, por exemplo, disputa a categoria revelação do Prêmio Multishow com o conterrâneo Baco Exu do Blues e com os paulistas Maria Beraldo e Edgar. Assim, vai conquistando festivais e palcos tradicionais do país. Em agosto, por exemplo, ela esgotou os ingressos de sua apresentação no Teatro Castro Alves, ponto histórico de Salvador. A luta não precisa da força bruta o tempo todo. A água tem muita força também. Busco ser fluida, ser leve e ao mesmo tempo categórica no que digo. A força bruta machuca não só quem apanha, mas também quem bate

    Na sexta-feira retrasada (31), Luedji protagonizou uma daquelas noites únicas no Circo Voador. Escalada para abrir a programação, por volta das 23h, se deparou com um público numeroso, que chegou cedo para ouvi-la, algo raro para uma atração que estreava no tradicional palco da Lapa. Era apenas seu segundo show no Rio — ela volta à cidade hoje, como atração do festival Sai da Rede, na área externa do Centro Cultural Banco do Brasil —, mas a relação com aquelas centenas de pessoas parecia de longa data, tamanha a comunhão.

    Com uma banda multiétnica (baixista cubano, guitarrista queniano, percussionista sueco, violonista filho de congoleses...) cuja sonoridade minimalista transita entre MPB, batuque, reggae, afoxé e batá cubano, ela cantava os versos de “Um corpo no mundo” junto a um coro manso do público, que parecia mais querer ouvir do que acompanhar.

    O show tem toda uma carga política, seja nas letras ou nos discursos empoderados, ambos exaltando debates e ícones da luta negra, principalmente feminina — no Circo, a escritora Conceição Evaristo foi lembrada algumas vezes. Mas passa longe de ser panfletário: Luedji, toda vestida de branco, transmite serenidade, cantando e dançando numa espécie de transe.

    — A luta não precisa da força bruta o tempo todo. A água tem muita força também. Busco ser fluida, ser leve e ao mesmo tempo categórica no que digo. A força bruta machuca não só quem apanha, mas também quem bate — destaca. — A música está num lugar irracional para mim. Quando eu estou lá em cima (no palco), não sei o que estou fazendo. Essa naturalidade acaba transparecendo e as pessoas ficam impressionadas. A arte me dá sentido de existência, me dá um lugar no mundo.

    Sai da Rede, com Luedji Luna, Almério e Plutão Já Foi Planeta

    Onde: CCBB — Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Quando: Sábado, a partir das 21h. Quanto: R$ 30. Classificação: 18 anos.


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    RIO - Das chamas que consumiram o Museu Nacional parecia se erguer — palpável como os fragmentos de documentos incinerados que também se erguiam dali — a confirmação do fracasso do Brasil em gerir sua memória. Como se o crepitar do fogo chiasse a frase que, de tão repetida, se tornou um traço incontestável de nossa personalidade: somos um país sem memória. Mas, para além do lugar-comum, o que significa essa afirmação? Como nos tornamos uma Nação que deixa sua História queimar, quando não voluntariamente a demole em nome da construção de algo mais moderno, seguindo a benção-maldição de sermos “o país do futuro”, outra definição possível do Brasil?

    LEIA MAIS: Na tragédia do Museu Nacional, o suicídio de um país

    Seria importante que o pensamento filosófico euopeu tivesse o mesmo valor do pensamento mítico iorubá ou tupinambá.O GLOBO conversou com pessoas que lidam com o tema e o pensam de diferentes formas. No desdobramento que elas fazem da frase “o Brasil é um um país sem memória” se desenha a consciência de que há, aqui, muitos países e muitas memórias. Ou, como acredita o escritor Alberto Mussa, há país de menos para dar conta de suas memórias.

    — O Brasil não formou ainda uma noção de nacionalidade. Com o fim da escravidão, uma espécie de esboço de nação começou a surgir, uma sociedade que pôde gerar um Machado de Assis ou mesmo um Noel Rosa — afirma Mussa. — Mas então veio um projeto estatal de enbranquecimento do Brasil, com estímulo tremendo a importação de pessoas sobretudo da Europa. A imigração não é um problema. Mas essas pessoas foram beneficiadas pelo sistema e em duas gerações se tornaram a elite do Brasil, uma elite que não se identifica com o país.

    'Apostamos na ignorância'

    Mussa ressalta que não defende ingenuamente a recuperação do mito da cordialidade ou da democracia racial, mas sim que uma nação é formada pela contribuição de diversos povos:

    — Seria importante que o pensamento filosófico euopeu tivesse o mesmo valor do pensamento mítico iorubá ou tupinambá. Assim que se constitui uma nação. Quando para você um cesto indigena não significa nada, ou um tambor apreendido num terreiro de candomble no início do século XX, você não tem como cuidar dessa memória. Para se ter uma ideia, não temos nem um gentílico que nos designe. Porque brasileiro, originalmente, é o português que veio aqui para pegar pau brasil e vender lá. É uma atividade. Isso é muito simbólico do que o país passa.

    Estudioso da História da presença africana no Brasil, o escritor e músico Spirito Santo ataca o mesmo ponto e se refere a uma elite desenraizada que se comporta “como europeus de segunda classe, ressentidos de sua suposta condição de asilados, degredados, piratas sem navio para fugir de uma ilha estranha, já saqueada”. Ele faz questão de diferenciar brasis quando reflete sobre como o país lida com sua memória:

    Apostamos na ignorância. Nada que não tenha a ver com algo prático, como ganhar dinheiro ou dar tiro em bandido, atrai atenção.— A grande maioria dos brasileiros cuida de forma exemplar de nossa memória por meio de inúmeras manifestações culturais, disponíveis à atenção das instituições destinadas a organizá-los e conservá-los, como as universidades, os museus. Mas o que fazer quando essas instituições assumem a condição de espaços exclusivos de ascensão social para uma certa casta que se sente estrangeira e que exerce poder por meio de arcaicos mecanismos de exclusão social de parte majoritária de nossa população?

    Sob outra perspectiva, a desvalorização da memória no âmbito institucional seria reflexo da própria forma como o país lida com a cultura e a pesquisa. É o que pensa o antropólogo Roberto DaMatta, que trabalhou por cerca de 30 anos no Museu Nacional.

    — O Brasil não tem lugar para pessoas que fazem pesquisa, investigação e trabalho intelectual. Essas pessoas existem, mas ninguém se interessa. Tanto que temos o ditado: “quem sabe faz, quem não sabe ensina”. Educar no Brasil é tarefa de quem não sabe — define DaMatta. — Apostamos na ignorância. Nada que não tenha a ver com algo prático, como ganhar dinheiro ou dar tiro em bandido, atrai atenção.

    Homero não é grego, assim como Jorge Amado não é brasileiro. A cultura é um patrimônio universal.Autor de “A utilidade do inútil”, o filósofo italiano Nuccio Ordine lembra que na mitologia greco-romana, a deusa da memória (Mnemosyne) era tida como a mãe de todas as artes e de todos os saberes:

    — Perder a memória significa abrir mão de interrogar o passado para compreender o presente e pre-ver o futuro — diz o filósofo, que marca a diferença entre memória e raízes. — A memória nos ajuda a conhecer os grandes valores que unem toda a humanidade. Em contrapartida, as raízes são instrumentalizadas para construir uma perigosa narrativa da História fundada sobre uma ideia estática de “identidade”, como os nacionalismos europeus que estão gerando formas perigosas de racismo. Homero não é grego, assim como Jorge Amado não é brasileiro. A cultura é um patrimônio universal.

    Na Grécia clássica, conta a antropóloga Regina Abreu (professora da pós-graduação em Memória Social na UNIRIO), praticavam-se longos exercícios de memorização, de declamação, de repetição de fatos considerados importantes.

    Nossas elites econômicas, infelizmente, não estão interessadas em memória nacional. Preferem viajar para a Disney ou visitar o Museu do Louvre em Paris. Como dizia Euclides da Cunha, elas continuam 'cegas aos quadros reais das nossas vidas'.— Memória é trabalho. Ela não se faz espontaneamente. É preciso convocar uma vontade de memória — afirma a antropóloga, que defende que apenas o Estado pode assumir essa responsabilidade em instituições como o Museu Nacional. — O trabalho ali empreendido é invisível, envolve muitos anos em pesquisa. Tudo isso não traz visibilidade. Quem pode financiar este trabalho? O poder público. Nossas elites econômicas, infelizmente, não estão interessadas em memória nacional. Preferem viajar para a Disney ou visitar o Museu do Louvre em Paris. Como dizia Euclides da Cunha, elas continuam “cegas aos quadros reais das nossas vidas”.

    Disputa simbólica

    A memória, muitos dos entrevistados notam, é um espaço importante de disputa simbólica. É sintomático, por exemplo, que uma das primeiras declarações oficiais após o incêndio fizesse referência à “lembrança da família imperial” (e não às pesquisas ou ao acervo do Museu Nacional).

    — É na memória que definimos o que é mais importante e o que é menos. Ela não abarca tudo, é uma ilha de edição — afirma, citando Waly Salomão, a historiadora Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa. — Quem está editando? É um poder imenso, porque isso influencia todos os valores do país. O Museu da Pessoa nasce dessa consciência, ao se afirmar como um museu no qual toda e qualquer pessoa pode integrar essa memória coletiva.

    Como dizia George Orwell, quem controla o passado controla o presente, e quem controla o presente controla o futuro.Ruy Castro, autor de biografias de personagens como Garrincha e Carmem Miranda, também chama a atenção para esse “poder imenso”:

    — Há várias passagens na história cultural do Brasil que foram “reescritas” 20 ou 30 anos depois de acontecidas, e foi essa versão que passou a prevalecer. Como dizia George Orwell, quem controla o passado controla o presente, e quem controla o presente controla o futuro.



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    RIO — Famoso por hits como "Self care", "Ladders" e "Hurt feelings", o rapper americano Mac Miller foi encontrado morto pela polícia de Los Angeles, em sua casa em San Fernando Valley. De acordo com o site TMZ, as autoridades foram acionadas após uma ligação feita da própria casa, e Miller foi declarado no local. Veja vídeo de 'Self care', de Mac Miller

    Ex-namorado da cantora Ariana Grande, o rapper tinha histórico de uso de drogas e foi preso em maio deste ano por dirigir alcoolizado e fugir do local, logo após o término com a cantora. Há suspeitas que Miller possa ter sido vítima de uma overdose.

    Tweet de Emicida sobre Mac MillerMiller, que se apresentou no Lollapalooza Brasil deste ano, lançou seu quinto álbum, "Swimming", em agosto, e tinha uma série de shows marcados nos EUA, até 13 de novembro.

    LEIA MAIS: Com vendas fracas, Rio vê shows internacionais mudarem de palco ou serem cancelados

    Pastor acusado de assediar Ariana Grande pede desculpas

    Nas redes sociais, nomes como a cantora MissyElliott, o rapper e produtor J. Cole, Jaden Smith (ator, rapper e filho de Will Smith) e a socialite Paris Hilton lamentaram a morte de Miller. No Brasil, o americano foi lembrado por Emicida.


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    RIO - Quando suas irmãs mais velhas ganharam um certo reality show chamado “Keeping up with the Kardashians” em 2007, Kylie Jenner tinha acabado de completar dez anos de idade. Por lentes mais conservadoras, a meia-irmã caçula de Kim Kardashian tinha tudo para ser uma nota de rodapé na história do entretenimento. No entanto, mais de dez anos depois da estreia do reality show, o cenário é o seguinte: aos 21 anos, Kylie Jenner se aproxima do seu primeiro bilhão. Ao invés de ocupar espaço nos tabloides, é capa de revistas prestigiadas como a “Forbes” e a “Vogue Australia”. Nas duas, o assunto é o sua ascensão como jovem empresária e uma das maiores influenciadoras do mundo. Responsável por catapultar sua fama, “Keeping up with the Kardashians”, ou KUWTK, para os íntimos, segue em pleno funcionamento: a 15ª temporada estreia no Brasil no canal E! na terça-feira, às 22h.

    Famosas por serem famosas, as irmãs Kardashians recebem — há mais de dez anos — tantas críticas quanto atenção. Mas se antes a fama insistente da família era vista apenas como diversão para uns e motivo de irritação para outros, a ascensão de Kylie ao protagonismo elevou a família a um patamar que extrapola o mundinho das celebridades. Um episódio em fevereiro comprovou isso de forma dramática: enfadada, Kylie perguntou no Twitter (onde conta com 25,4 milhões de seguidores) se alguém mais abria o Snapchat (a rede social popular entre adolescentes que ela mesma ajudou a popularizar). Com menos de 140 caracteres, a mensagem fez a empresa perder US$ 1,3 bilhão no valor de suas ações no mercado. Ou seja, ame ou odeie Kylie, quem não quer perder dinheiro tem que ficar de olho no que ela diz.

    Enquanto derruba o valor de mercado de companhias alheias com simples comentários, Kylie constrói o seu próprio império de forma estratégica. Fundada em 2015, sua companhia, a Kylie Cosmetics foi avaliada pela Forbes em US$ 800 milhões. O primeiro lançamento foi um kit para os lábios com efeito mate que esgotou no mesmo dia. A presença da única proprietária nas redes sociais faz com que os gastos em propaganda sejam desnecessários. Com 114 milhões de seguidores no Instagram, basta um post de Kylie para a marca alcançar um público que custaria milhões nos canais tradicionais.

    Kylie Jenner em números

    Como Kylie ainda fatura com parcerias com outras empresas e sua participação em programas de TV como KUWTK e seu próprio reality, “The life of Kylie”, a “Forbes” estima que a fortuna total da jovem esteja por volta dos US$ 900 milhões. Isso não faz ela apenas a mais rica da sua família, mas também a mulher mais jovem a entrar no ranking da revista de mulheres que fizeram fortuna ao invés de herdá-la. Se os kits labiais continuarem vendendo como água, ela pode ser a pessoa mais jovem do mundo a se tornar bilionária, superando um recorde alcançado por Mark Zuckerberg quando o fundador do Facebook tinha 23 anos. E tem gente disposta a fazer isso acontecer mais rápido ainda: depois que a “Forbes” revelou suas estimativas em julho, fãs iniciaram uma vaquinha on-line para ajudar a empreendedora a chegar aos dez dígitos na conta bancária.

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    Kylie Jenner entra na lista da Forbes mas ainda não é bilionária. Vaquinha tenta resolver isso

    Para entender como a moça chegou tão longe, é preciso saber como funciona a família Kardashian. Todas as irmãs são filhas da socialite Kris Jenner. Kourtney, Kim, Khloé e Rob são os filhos do primeiro casamento, com o advogado Robert Kardashian (famoso por ter defendido o jogador de de futebol americano O. J. Simpson). Já Kendall e Kylie são frutos de uma segunda união com a ex-atleta Caitlyn Jenner (na época, Bruce Jenner, que depois do divórcio se assumiu como uma mulher trans).

    Na época em que a patricinha Paris Hilton era a rainha da frivolidade, Kim ficou razoavelmente conhecida por ser uma de suas melhores amigas. O vazamento de uma sex tape com o namorado em 2007, no entanto, foi o que fez o seu nome virar notícia sites de fofoca. A fama tinha tudo para ser temporária, mas logo a família fechou um contrato para o reality show. Empresária dos filhos, Kris soube encontrar a “vocação” de cada um: as irmãs mais velhas já lançaram de bronzeadores a roupas para crianças. Mais discreta e esguia, Kendall, de 22 anos, ficou com a missão de dar um verniz mais sofisticado à família, e converteu-se em uma modelo com participações em desfiles da Chanel, Givenchy e Balmain. Faltava decidir o que Kylie seria.

    Com 1,68 m, Kylie dificilmente conseguiria estourar como top model que nem a irmã. Na verdade, criada em uma casa cheia de mulheres exuberantes, a caçula cresceu cercada em inseguranças em relação à aparência. A maior delas era justamente a boca fina. Depois de muito negar, ela admitiu que fez preenchimento labial. Foi o suficiente não só para popularizar o procedimento, mas para levar adolescentes a tentarem engrossar os lábios até por meio da sucção em copos e garrafas (uma péssima ideia que ela condenou). De toda forma, estava provada a capacidade da garota de promover tendências de beleza. Meses depois, a Kylie Cosmetics foi lançada.

    Em julho, Kylie revelou que retirou o preenchimento dos lábios. Mas a decisão está longe de afetar a popularidade da empresária: quem a acompanha já está acostumado a ver mudanças na sua aparência ao longo do tempo. Cores e cortes de cabelo são substituídos em velocidade recorde; a maquiagem, sempre carregada, torna difícil saber o que é real ou não no rosto de Kylie. Para os fãs, pouco importa, desde que sempre existam novidades, prontas para serem copiadas e consumidas.

    Por alguns meses, no entanto, Kylie preferiu não usar a si mesma como commodity. Foi durante a gravidez que, com sucesso, conseguiu esconder dos fãs.

    “Eu entendo que vocês estão acostumados a acompanhar todas as minhas jornadas. Minha gravidez foi uma que eu escolhi não fazer na frente do mundo. (...) Não houve nenhuma pegadinha, nenhuma revelação paga. Eu sabia que meu bebê sentiria todo o estresse e toda emção então decidi fazer assim pela nossa felicidade”, explicou a mãe de Stormi Webster, fruto do relacionamento com o rapper Travis Scott em um comunicado publicado no Instagram. Dois dias depois, ela publicou uma foto com a mãozinha da filha, que se tornou a mais popular da história da rede social.

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    Evidentemente, nem só de “likes” vive Kylie. A jovem também coleciona processos: um dos mais famosos foi contra a xará Kylie Minogue na disputa do uso do nome “Kylie” como marca registrada. A cantora australiana, famosa há mais tempo, saiu ganhando. Há também artistas e maquiadores que acusam Jenner de ter roubado suas ideias. E entra dia, sai dia, Kylie é acusada de “apropriação cultural” por usar adereços ou penteados associados a minorias nos Estados Unidos.

    Mesmo o fato dela ter sido considerada pela “Forbes” uma self made woman despertou ira — afinal, é nítido que ela não “chegou lá” sozinha. Mas pouco importa — enquanto continuar sendo assunto, é Kylie que sai ganhando.


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