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    RIO — Espectadores do filme "Longa jornada noite adentro", que estreou na China na segunda-feira (dia 31/12) estão enfurecidos (o filme foi exibido no Festival do Rio de 2018 e entra em cartaz em março no Brasil). As plateias reclamam que pagaram para ver um drama romântico e acabaram tendo que assistir a um filme pretensioso e elitista.

    O primeiro dia de exibição do longa, dia 31/12 — com sessões especiais, agendadas para terminar à meia-noite, bem no início do novo ano —, quebrou o recorde de maior estreia de um filme chinês dentro do país. Os US$ 37,9 milhões das bilheterias incluem mais de US $ 15 milhões em pré-vendas. Mas o filme arrecadou apenas US$ 1,5 milhão em seu segundo dia (terça-feira) de exibição, segundo a plataforma que compila essas informações, a Maoyan. No início desta quarta-feira, "Longa jornada..." já havia caído para o sexto lugar nas bilheterias, diz reportagem no site da revista "Variety".

    Isso porque comentários na internet de gente de todo o país descreviam espectadores dormindo nos primeiros 20 minutos da história ou deixando, em massa, as salas de cinema. Mais de 75% de todos os usuários do Maoyan avaliaram o filme com notas 1 ou 2, numa escala até 10, deixando uma desanimadora média de 2,8. “O pior filme da história! Malandros, ladrões! Estou indignado, é uma bomba total, o pior lixo de todo lixo!", escreveu um usuário, enquanto a hashtag "Can’t Understand ‘Long Day’s Journey Into Night" (em português, "não entendi 'Longa jornada noite adentro'") só crescia nas redes sociais.

    No entanto, com US$ 40,2 milhões já arrecadados em três dias, o filme já superou de longe outros filmes chineses recentes. "Amor até as cinzas", de Jia Zhang-ke (que estreia no Brasil em abril), arrecadou apenas US$ 10 milhões em setembro e até mesmo o thriller popular de 2014 "Black coal, thin ice", que levou o urso de ouro no Festival e Berlim faturou apenas US$ 15,2 milhões.

    Longa tem cena única de 59 minutos

    O filme estreou em Cannes em maio (assim como “Amor até as cinzas”) e é o segundo longa-metragem do jovem cineasta de 29 anos. A produção conta a história de um homem que volta para casa depois de mais de uma década e procura se reconectar com um antigo amor. O filme também muda de 2D para 3D no meio da história, antes de terminar em uma sequência de sonho ambiciosa de 59 minutos, filmada em uma única cena.

    O primeiro filme de Bi, "Kaili Blues", rendeu elogios e muito menos barulho em casa, onde passou apenas alguns dias nos cinemas e fez apenas US$ 942 mil.

    O sucesso desta segunda incursão de Bi pelas telonas se deu graças a uma campanha de marketing viral que classificou o filme como um romance destinado aos casais. Fazendo uma brincadeira com o título em mandarim, "A última noite na Terra", as sessões da estreia foram programadas para começar às 21h50min da noite do dia 31/12 para que o último minuto do filme, quando os atores Tang Wei e Huang Jue dessem um beijo, caísse no começo de 2019. As sessões foram vendidas como sendo o programa perfeito para o Ano Novo, com casais incentivados a participar e compartilhar seu próprio “beijo da virada do ano”.

    “Você sabe que tipo de papo doce você vai usar para convidar alguém para o último filme de 2018, 'A última noite na Terra'"?, dizia um dos textos de divulgação.

    A campanha se espalhou por semanas pelas redes sociais, e até pela emissora estatal oficial CGTN. A divulgação foi inclusive muito bem no app de vídeo Douyin, que na China tende a ser acessado por um público geralmente mais afeiçoado a filmes tipo “Transformers”.

    Assim, as sessões para a noite de abertura na virada do ano esgotaram por todo o país já na pré-venda, mesmo com ingressos saindo a US$ 44 (o par) em algumas cidades.

    Usuários de Douyin, considerados telespectadores “medianos”, protestaram contra o público-alvo mais sofisticado do filme.

    “É tão difícil ser uma pessoa comum: você gasta seu dinheiro suado para ir ao filme, e quando ele te faz dormir, o jovem hipster ainda te repreende, dizendo: 'Esse tipo de história nunca foi feita para vocês, usuários da Douyin'”, escreveu um comentarista no Weibo, espécie de Twitter chinês. Outro diz sem rodeios: "Para aqueles que dizem que o filme tinha significados artísticos que nós apenas somos incapazes de entender, por favor, vão comer m..."

    Diretor respondeu às críticas: 'Algo diferente'

    Em um evento do filme no mês passado, o diretor respondeu a críticas de que sua equipe de divulgação teria enganado os espectadores dizendo que eles simplesmente deram a um novo grupo de pessoas a oportunidade de escolher algo diferente.

    “Meus colegas do marketing não roubaram nem enganaram ninguém. Eles apenas usaram suas próprias habilidades e conhecimentos para realizar suas tarefas. Não acho que eles tenham feito nada de errado ”, disse Bi Gan. “Eu mesmo sou de uma cidade de quarta e quinta camada. Você está dizendo que as pessoas deveriam assistir a esses tipos de filmes? Eu nunca acreditei nisso, embora eu não ache necessariamente que eles gostem do meu filme. ”


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    RIO - Mulher, negra, brasileira, estrela da TV e do cinema, 51 anos ininterruptos de carreira e, não bastasse tudo isso, um dos poucos artistas que conseguem se equilibrar com respeito nos campos da atuação e da canção popular. Essa é Zezé Motta, que aos 74 anos ganha a sua segunda biografia (“Zezé Motta: Um canto de luta e resistência”, de Cacau Hygino) e que segue divulgando o CD “O samba mandou me chamar”, primeiro que dedicou exclusivamente ao gênero, lançado em junho pela Coqueiro Verde. No dia 16, Zezé autografa o livro a partir das 18h30m, na livraria Martins Fontes em São Paulo. E permanece na cidade até o dia 18, quando faz show no Teatro J. Safra.

    — Eu faço arte porque nasci com esse dom. Mas não sei como dou conta, porque vivo no mundo da lua. Sou canceriana, regida pela lua — conta ela, em Ipanema, numa tarde quente e preguiçosa de sexta-feira. — Teve uma época em que isso me incomodava, mas descobri que esse estar no mundo da lua me relaxa. É uma forma de dar conta do recado. Faço 200 coisas ao mesmo tempo. Canto, represento, sou mestre de cerimônias, dona de casa, mãe, militante... e quando estou amando sou uma mulher muito dedicada, uma gueixa.capazeze.jpg

    No novo livro (ela já tinha sido perfilada em 2005 por Rodrigo Murat em “Zezé Motta: Muito prazer”), passam em desfile o nascimento em Usina Barcelos, no interior do estado do Rio, a infância na capital e os primeiros e difíceis passos na carreira artística, até a explosão em 1976 como protagonista do filme “Xica da Silva”, de Cacá Diegues. Foi o trabalho que a pôs nos trilhos de uma carreira cinematográfica que ela percorreu dos longas estrelados por Xuxa aos dirigidos pelo incisivo Sergio Bianchi (“Cronicamente inviável”, “Quanto vale ou é por quilo?”), passando por clássicos como “Tudo bem” (Arnaldo Jabor) e “Vai trabalhar vagabundo” (Hugo Carvana) e trabalhos na Venezuela e em Cabo Verde.

    — Se eu não vivesse no Brasil, só com o sucesso de “Xica da Silva” eu poderia ter parado de trabalhar. Minha mãe até hoje me cobra o fato de não estar rica — diverte-se Zezé, cuja progenitora, a costureira Maria Elazy Motta, está com 94 anos.59282389_2205.1981 - ARQUIVO - SC - ZEZÉ MOTTA COMO XICA DA SILVA DE CARLOS DIEGUES.jpg

    O papel da escrava que após seduzir um comendador torna-se dama da sociedade de Diamantina foi um desafio.

    — Enquanto a personagem era escrava, para mim era mamão com açúcar, uma experiência que eu já tinha vivido. Mas e quando ela virasse rainha? Eu morria de medo de não estar à altura daquela virada. Tinha dificuldades em pôr a minha agressividade para fora — conta Zezé, que passou a viver sob a sombra da personagem, sob forte assédio masculino. — Todo mundo queria transar com a Xica. Foi um problema para mim, tive que levar para minha análise. Eu não podia decepcionar os meus parceiros e acabava esquecendo do meu próprio prazer. Eu ficava fazendo teatro na cama! Mas só passei por uma ocasião agressiva, quando quase foi sequestrada por um taxista. Eu estava com uma minissaia, ele começou a passar a mão na minha coxa e a furar todos os sinais. Mas vi um guarda consegui abrir a porta e me mandei.

    Depois de Xica, Zezé também passou a ser perseguida por outro estigma: o da nudez nos filmes.

    — Domingos Oliveira dizia que mesmo quando eu estava vestida, ele tinha a sensação de que eu estava nua. Tinha sempre uma alça caindo pelo ombro, uma transparência... Eu adorava sair com uma combinação de lingerie para ir ao teatro ou jantar. Eu tinha seios muito pequenos, passei a vida inteira sem usar sutiã. Ficava aquele biquinho assanhado aparecendo — diz ela, com a mesma leveza com a qual comenta sobre a vida sexual aos 74 anos. — Faço reposição hormonal, cuido da saúde na medida do possível para ter disposição.38914657_2502.2004 - Divulgação - E mail - ZI - Tudo bemLegenda da foto TUDO BEM de Arnaldo Jabor.jpg

    Se havia o sexismo, mais pesada, porém era a questão do racismo, mesmo que velado. Foram várias as empregadas que Zezé interpretou até que fosse escalada, em 1995, para fazer parte de família negra na novela “A próxima vítima”, de Silvio de Abreu.

    — Sou do tempo em que os personagens negros não tinham família, eles viviam a reboque dos outros, geralmente brancos — ataca. — E quando tinha um espaço para mim, a não ser que o assunto fosse escravidão, não tinha para a Neusa Borges. Quando tinha para a Chica Xavier, não tinha para a Ruth de Souza. Quando as pessoas perguntam se as coisas melhoraram, digo que sim, mas que ainda temos muita luta pela frente. O que me anima é perceber hoje que a maioria dos negros brasileiros têm o orgulho de ser negro, andam de cabeça erguida e não aceitam discriminação.

    No começo da carreira, Zezé teve uma revelação quando visitou o Harlem, bairro negro de Nova York.

    — Na adolescência, eu me sentia rejeitada. Comecei a alisar o cabelo, pensei em fazer plástica no nariz e cheguei a ver se havia alguma cirurgia para diminuir o bumbum. Eu não só alisava o cabelo, como comprei uma peruca Chanel, que era a última moda. E lá fui eu para os Estados Unidos fazer “Arena conta Zumbi” e “Arena conta Bolívar”— recorda-se. —Numa Universidade no Harlem me viram de Chanel e perguntaram o que aquela mulher alienada estava fazendo lá. Fiquei morrendo de vergonha. Quando cheguei ao hotel, tirei a peruca, pus a cabeça no chuveiro e meu cabelo voltou ao natural. Aquilo me fez muito bem. Nada contra os negros que preferem o cabelo liso, a gente não está aqui para ficar patrulhando. Mas o meu caso era grave, porque era um processo de embranquecimento mesmo. Aquela chuveirada foi um batismo, de assumir a minha negritude.

    Apanhar, Zezé Motta veio apanhando — literalmente — desde que estreou na carreira artística, em 1968, na peça “Roda viva”, de Chico Buarque, dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa. Em São Paulo, o Comando de Caça aos Comunistas foi atrás dos atores.

    — Eu só me lembro de estar indo para o meu camarim, e quando eu olho para trás vejo uns brutamontes com cassetetes. Cassetetes da Aeronáutica, socos ingleses. No primeiro camarim que eu vi aberto, entrei. Era do Rodrigo Santiago, o protagonista. Só que não tinha como trancar e nós ficamos segurando a porta, eles abriram um extintor de incêndio, nós perdemos as forças, saí correndo e levei umas cacetadas nos braços. A dor demorou a passar, mas a gente não parou e não saiu de cartaz. Um com perna quebrada, outro com o braço engessado, mas não parou. Estudantes foram como voluntários para nos proteger. Foi uma barra muito pesada — relata ela, sem resistir a fazer um paralelo com o Brasil de 2018. — Não dá para fazer rodeios, estamos vivendo um momento de retrocesso, infelizmente. Batuque de Angola - Zezé Motta

    Cantora que estreou em disco em 1975, com um LP dividido com o ex-Secos & Molhados Gerson Conrad (e que, três anos depois, lançou um primeiro solo bem pop, com músicas feitas para ela por Rita Lee, Luiz Melodia, Moraes Moreira e Caetano Veloso), Zezé enfim se rende ao samba, em um disco com participações de Arlindo Cruz e Xande de Pilares e canções de novos talentos do samba, como “Batuque de Angola” (André Karta Markada e Juninho Mangueira), “Poeira varrida” (Carlinhos da Ceasa e Darcy Maravilha) e “Já pode chegar” (Christiano Moreno, Paulinho Carvalho e Fabio Siri).

    — No começo, eu não queria ser rotulada. Se optasse pelo samba, eu não iria cantar Milton Nascimento, Djavan, Gonzaguinha? — argumenta ela, que acabou recolhendo mais de 400 sambas, há cerca de uma década, numa feijoada no Teatro Rival, e que veio de lá para cá fazendo o disco com calma.

    Apesar de papéis na televisão (na novela “O outro lado do paraíso” e na série “Sob pressão”), o cinema continua a ser a menina dos olhos de Zezé Motta. Este ano, ela volta às telas com “M8 — Quando a morte socorre a vida”, de Jeferson De, “um filme de denúncia muito forte”, em que interpreta a funcionária do arquivo de um hospital público.

    —Por enquanto, não penso em aposentadoria, mas vai ter uma hora em que eu vou querer sombra e água fresca! Zezé Motta Samba


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    Novo episódio da popular série de ficção científica “Black mirror”, o telefilme chamado “Bandersnastch”, que foi lançado no fim do ano diretamente na Netflix, tem uma boa ideia, um bom argumento e um indicativo de caminhos pelos quais a indústria audiovisual pode se embrenhar num futuro bastante próximo. Mas, falando do presente, é decepcionante.

    O marketing de “Bandersnastch” — e, no marketing, a Netflix é imbatível — é permitir que o espectador deixe sua posição passiva e participe do desenrolar da história. Funciona assim: em algumas situações, aparece um retângulo inferior na tela com opções clicáveis com o mouse ou o controle da smart TV (há dúzias de relatos de mau funcionamento em alguns aparelhos), e também uma barra indicando o tempo que se tem para sair de cima do muro. Há escolhas extremamente simples, como qual fita cassete ouvir no ônibus, e outras mais definitivas, que envolvem mortes. Quando se adota um lado, obrigatoriamente deve-se seguir aquela linha de narrativa até o fim, antes que se possa voltar para tomar outro percurso.

    A premissa é divertida, mas não é nova. Os mais velhos lembram dos livrinhos em que o leitor escolhia o final (algo na linha “se você quer enfrentar o monstro, vá para a página 34; se quer sair correndo, página 52”). Os mais novos não precisam lembrar de nada porque “Bandersnastch” tem a mesmíssima estrutura gráfica de muitos games contemporâneos com narrativas robustas.

    Trailer de "Black mirror: Bandersnatch"

    Os produtores de “Bandersnastch” assumiram as referências na história. A trama é centrada num jovem desenvolvedor de videogames que tenta adaptar um daqueles livros de “você escolhe o final” para um jogo que pode revolucionar a indústria. Aos poucos, independentemente de quais opções forem feitas, o personagem começa a desconfiar que há alguma força desconhecida por trás de alguns acontecimentos e começa a pirar.

    Daí a gente percebe as dúzias de referências que a série oferece, do ano (1984) em que se passa a história (Orwell) à escolha de se poder tomar uma pílula para revelar a verdade (“Matrix”). O que falta a “Bandersnastch”, contudo, é roteiro. Tanto as escolhas quanto seu desenrolar são pobres, sem graça e definitivamente estão longe de criar as sensações provocadas pelos antigos livros e pelos novos games.

    O que fica da experiência é imaginar uma forma de entretenimento com interações (talvez coletivas) entre um filme e o usuário. Mas não adianta nada ter a tecnologia mais avançada do mundo se não houver uma boa história por trás.


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    Novo episódio da popular série de ficção científica “Black mirror”, o telefilme chamado “Bandersnatch”, que foi lançado no fim do ano diretamente na Netflix, tem uma boa ideia, um bom argumento e um indicativo de caminhos pelos quais a indústria audiovisual pode se embrenhar num futuro bastante próximo. Mas, falando do presente, é decepcionante.

    Links Black MirrorO marketing de “Bandersnatch” — e, no marketing, a Netflix é imbatível — é permitir que o espectador deixe sua posição passiva e participe do desenrolar da história. Funciona assim: em algumas situações, aparece um retângulo inferior na tela com opções clicáveis com o mouse ou o controle da smart TV (há dúzias de relatos de mau funcionamento em alguns aparelhos), e também uma barra indicando o tempo que se tem para sair de cima do muro. Há escolhas extremamente simples, como qual fita cassete ouvir no ônibus, e outras mais definitivas, que envolvem mortes. Quando se adota um lado, obrigatoriamente deve-se seguir aquela linha de narrativa até o fim, antes que se possa voltar para tomar outro percurso.

    A premissa é divertida, mas não é nova. Os mais velhos lembram dos livrinhos em que o leitor escolhia o final (algo na linha “se você quer enfrentar o monstro, vá para a página 34; se quer sair correndo, página 52”). Os mais novos não precisam lembrar de nada porque “Bandersnatch” tem a mesmíssima estrutura gráfica de muitos games contemporâneos com narrativas robustas.

    Trailer de "Black mirror: Bandersnatch"

    Os produtores de “Bandersnatch” assumiram as referências na história. A trama é centrada num jovem desenvolvedor de videogames que tenta adaptar um daqueles livros de “você escolhe o final” para um jogo que pode revolucionar a indústria. Aos poucos, independentemente de quais opções forem feitas, o personagem começa a desconfiar que há alguma força desconhecida por trás de alguns acontecimentos e começa a pirar.

    Daí a gente percebe as dúzias de referências que a série oferece, do ano (1984) em que se passa a história (Orwell) à escolha de se poder tomar uma pílula para revelar a verdade (“Matrix”). O que falta a “Bandersnatch”, contudo, é roteiro. Tanto as escolhas quanto seu desenrolar são pobres, sem graça e definitivamente estão longe de criar as sensações provocadas pelos antigos livros e pelos novos games.

    O que fica da experiência é imaginar uma forma de entretenimento com interações (talvez coletivas) entre um filme e o usuário. Mas não adianta nada ter a tecnologia mais avançada do mundo se não houver uma boa história por trás.


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    RIO — A temporada de premiações de Hollywood começa a partir deste domingo (6/1), com a exibição do Globo de Ouro, considerado um "esquenta" para o Oscar. Eventos como o SAG Awards e o Critics' Choice Awards também servem de termomêtro para a grande disputa pelo Oscar, que acontece dia 24 de fevereiro. Confira quando e onde assistir às cerimônias.

    GLOBO DE OURO

    O que é: realizada desde 1944, o Golden Globes, ou, em bom português, Globo de Ouro, é a premiação mais importante que antecede o Oscar. O prêmio é concedido a produções do cinema e da TV (confira aqui os indicados deste ano) por integrantes da Hollywood Foreign Press Association, composta de correspondentes estrangeiros especializados na indústria americana.

    Quando: Domingo, 6 de janeiro

    Onde assistir: TNT, a partir das 22h. O E! transmite o tapete vermelho ao vivo a partir das 21h e retorna com o "after party" às 2h.

    CRITICS' CHOICE AWARDS

    O que é: concedido pela Broadcast Film Critics Association (BFCA), é o prêmio da crítica especializada em cinema em Hollywood.

    Quando: Domingo, 13 de janeiro

    Onde assistir: TNT, a partir das 22h

    INDICADOS AO OSCAR

    O que é: o breve evento vai revelar quais filmes e profissionais estão no páreo na disputa pelo Oscar.

    Quando: Terça-feira, 22 de janeiro

    Onde assistir: a confirmar

    SAG AWARDS

    O que é: concedido pelo sindicato dos atores dos Estados Unidos, o SAG reconhece as melhores atuações do ano na TV e no cinema.

    Quando: Domingo, 27 de janeiro

    Onde assistir: TNT, a partir das 22h

    BAFTA

    O que é: conhecida como o "Oscar britânico", a premiação reconhece o melhor do cinema no Reino Unido e no mundo.

    Quando: 10 de fevereiro

    Onde assistir: não é transmitido na TV brasileira. Mais informações no site oficial.

    WRITERS GUILD OF AMERICA AWARD

    O que é: concedido pelo sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos, este prêmio reconhece os melhores roteiros no cinema, televisão, rádio e videogame.

    Quando: Domingo, 17 de fevereiro

    Onde assistir: não é transmitido na TV brasileira. Mais informações no site oficial.

    OSCAR

    O que é: realizado desde 1929, o Academy Awards, mais conhecido como Oscars, é a mais famosa e tradicional premiação de cinema de Hollywood.

    Quando: Domingo, 24 de fevereiro

    Onde assistir: Globo ou TNT, a partir das 22h. No E!, a contagem regressiva começa às 15h, com transmissão do tapete vermelho a partir das 19h.

    E no mundo da música...

    Grammy 2019

    O que é: além das premiações do cinema e da TV, o maior evento da música americana também acontece no começo do ano.

    Quando: Domingo, 10 de fevereiro

    Onde assistir: O TNT transmite a cerimônia a partir das 23h. No E!, a cobertura começa às 18h30, com transmissão ao vivo do tapete vermelho às 20h30 e "after party" às 2h.


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    O significado de “pop” pode mudar, dependo do ângulo pelo qual se olha. Ele pode ser um indicador do tamanho de um público, sugerindo que algo é popular, ou pode ser um rótulo, especificando um tipo de som. No entanto, na maior parte das três últimas décadas, as duas definições foram uma só.

    Todo mundo sabe: o colorido de Katy Perry, as melodias leves de Justin Timberlake, o teatro extremo de Lady Gaga, os truques honestos de Taylor Swift. Música que busca brilho, êxtase, espetáculo. Muitas vezes uma expressão de brancura, também. Uma solução única para todos. Houve um momento, nos anos 1980, em que esse tipo de música pop — pense em Michael Jackson e Madonna — era de fato uma monocultura, o que explica por que os dois significados de pop eram tão difíceis de separar.

    Nos últimos anos, no entanto, esse cenário foi quase completamente desmontado, muito por causa do advento do streaming. O que antes eram apenas subgêneros do pop — K-pop, trap latino, hip-hop melódico e outros — hoje estão no centro das conversas.

    Este é o pop 2.0: música que vem de várias direções mas funciona com regras próprias. É a primeira vez em décadas em que o manual de normas para o sucesso no mundo pop ganha uma revisão.

    Antes quando se dizia que artistas do hip-hop, do country ou do hard rock estavam navegando rumo ao pop, isso significava que eles estavam sacrificando algo essencial em troca de elementos artificiais e transitórios. Ser pop era amolecer, transigir.

    Agora, graças à internet e à forma como a “Billboard” monta suas paradas de sucesso — levando em conta os dados do streaming, além das vendas e da execução em rádio —, esses gêneros nadam de braçada. O streaming é amplamente dominado pelo hip-hop. O trap latino e o reggeaton sobram no YouTube. O K-pop, rolo compressor vindo da jovem Coreia do Sul, é sucesso nos shows e absurdamente popular na web. Tudo isso dá às paradas da “Billboard” uma cara muito diferente daquela de uma década atrás.

    75720257_2017 Billboard Music Awards – Arrivals - Las Vegas Nevada US 21-05-2017 - Boy band BTS Bang.jpg

    A última semana de agosto de 2018, por exemplo, é um bom exemplo. “Love yourself: answer”, do grupo de K-pop BTS, estreou no primeiro lugar; a segunda maior estreia foi a de “Aura’, de Ozuna, o superastro de voz doce do pós-reggaeton, artista mais visto no YouTube no ano. O resto do Top 10 foi ocupado por vertentes diversas do hip-hop: Drake, o garoto de ouro da geração, a bagunça de Travis Scott; o rap-folk de Post Malone; o encontro de emo e rap de XXXTentacion e Juice WRLD; e o hip-hop com cara de meme de Cardi B.

    Embora tenham vindo de cenas diferentes, esses artistas usam, em muitos casos, um vocabulário parecido. Todos fazem rap e cantam, intercalando ou fundindo os dois. As produções pegam emprestados elementos do trap, o rap pesadão do Sul americano, consagrado na década passada. Em alguns casos, são bilíngues (e outros pegam ideias musicais de vários cantos do mundo). São artistas que participam das músicas uns dos outros, além de apresentar suas próprias. E são, acima de tudo, cantores com muito talento para se vender nas mídias sociais — eles, afinal, se inventaram online tanto quanto no estúdio. <SW>Chegou a hora de pensar na música pop — aquela de Katy Perry, Justin Timberlake, Britney Spears — como apenas um subgênero. Até o Grammy já entendeu isso, não indicando nenhum nome da “velha guarda” a disco do ano.

    Se existe um ponta de lança do Pop 2.0, este é Drake. Quase todos os astros e inovações do gênero na última década têm alguma relação com ele — direta ou indiretamente, em citações ou mesmo em oposição. Ele de fato refez o hip-hop à sua imagem e semelhança. É fácil vê-lo em artistas mais jovens, que unem rap e melodia sem esforço. Sua impressão digital está em Migos, Fetty Wap, French Montana e muitos outros. "God's plan", de Drake

    Astros mais jovens do pop “puro”, como Shawn Mendes e Ariana Grande, são, na verdade, parte de um nicho. E os “velhos” popstars do Pop 1.0 como Katy Perry e Justin Timberlake deixaram de ser relevantes: eles podem ainda empreender turnês de sucesso e conseguir bons contratos publicitários, mas estão capitalizando sobre o passado. Logo perderão seus lugares nessas prateleiras também. Outros superstars são de fato de outros planetas: Adele existe em seu próprio ecossistema, mal dialogando com o resto do pop; Bruno Mars está tão concentrado em homenagear seus ídolos à perfeição que acaba também ocupando um espaço próprio. Existe, claro, bastante Pop 2.0 em Rihanna, a mais moderna de todas. Ela é fluida: canta, faz rap e toast com o mesmo conforto com que canta baladas r’n’b, bate-estacas do EDM e rebola ao som de dancehall. A poderosa Beyoncé também é flexível.

    E o arrasa-quarteirão Ed Sheran, autor de melodias grudentas e despretensiosas? De longe, parece integrante da velha guarda, um cantor de folk tradicional. Mas a história não é exatamente assim: ele também dá suas deslizadas pelo rap, e colabora com nomes do gênero. E músicos africanos contemporâneos.E, possivelmente, como deu a entender recentemente, com o BTS. Ed estava feliz com o velho manual, mas também sabe usar o novo. Um sobrevivente, enquanto seus colegas seguem rumo à extinção.


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    RIO — Entre uma tuitada polêmica e outra, Marcelo D2 marcou 2018 com o lançamento de seu décimo álbum de estúdio, “Amar é para os fortes”, em que se obrigou a fazer diferente. A começar pela origem: um projeto transmídia em que as músicas servissem como áudio e base do roteiro de um filme homônimo, que marcou a estreia do carioca de 51 anos na direção.

    Eleito o artista do ano na música pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), ele prepara agora o próximo capítulo dessa história: o show de estreia no Morro da Urca no domingo (6), em evento que contará ainda com DJs, exposição e diversas exibições do filme estrelado pelo filho de D2, Stephan Peixoto.

    Como foi 2018 para você?

    Individualmente, foi um bom ano. Escrevi, produzi, dirigi, fiz roteiro, lancei um filme, abri um novo campo de criatividade. Conforme eu envelheço, mais sinto a necessidade de criar. E o Planet Hemp voltou a tocar com vontade mesmo, a ser uma banda, teve esse prêmio... Fora o peso político todo. Nesse sentido, é um ano que não vamos esquecer tão cedo. Links Marcelo D2

    Você transformou uma frase que leu, “Amar é para os fortes”, no conceito que gerou um disco e um filme.

    São duas histórias que se juntaram. A mãe de uma amiga minha foi assassinada na Gávea, num assalto. Estávamos todos muito chocados, e nesse mesmo dia o cara que atropelou o Rafa, filho da Cissa (Guimarães) e irmão do João (Velho, ator) foi julgado e condenado a serviços comunitários. João escreveu essa frase num texto no Facebook. Na hora em que eu li, o disco entrou em mim. Eu sabia qual era o mote, o que eu tinha que falar. Falo de amor, mas de amor próprio, amor pelo próximo, não aquele de fazer coraçãozinho.

    Como fazer o roteiro do filme e o álbum em si fluírem de maneira natural, sem forçar para nenhum dos lados?

    Fui fazendo os dois juntos. A ideia era fazer o filme como eu faço um disco, sampleando, usando referências de outras coisas. Tem “Cidade de Deus”, “O poderoso chefão”, “Kids”, Kubrick, campanha da Dolce & Gabbana... Minha maior preocupação era que as obras conseguissem viver isoladas, principalmente o disco longe do filme. Foi o maior desafio da minha carreira, mais até do que o primeiro disco do Planet, quando eu não sabia porra nenhuma de música. Quero continuar estudando para fazer mais trabalhos no audiovisual. Marcelo D2 - AMAR é para os FORTES - Trailer}

    Por que a opção por compor o elenco do filme com seu filho e os amigos, e não com atores profissionais?

    Tem duas coisas nessa balança. Pode rolar um certo receio meu de trabalhar com atores, de me sentir um pouco intimidade por dirigir gente mais experiente que eu. Mas o desafio de trabalhar com não atores foi interessante. Eu li uma crítica que dizia que o filme era uma carta de amor ao meu filho e a essas moleques, saca? E eu concordo muito com isso. Eles se sentiam importantes por estarem participando daquilo. E, quando eu tinha 20 e poucos anos, tudo o que eu queria era me sentir importante. “Amar é para os fortes” fala sobre isso, sobre sentir que o mundo é seu também, que você faz parte de alguma coisa.

    Sua discografia é marcada pela junção das referências do hip-hop com o samba. É difícil fazer algo novo em cima disso?

    Esse é o meu décimo disco. Queria fazer diferente ou não queria fazer. Se fosse há uns três anos, eu não estava mais a fim de fazer disco, queria parar. Mas agora era um filme também, e isso me obrigava a inovar, a criar climas diferentes. Decidi usar mais banda, mais músicos tocando do que samplear. Só tem uma música, a faixa-título, em que uso sample. São tipo 38 músicos tocando no disco (entre eles nomes como Gilberto Gil, Seu Jorge, Kassin, Rodrigo Amarante e Marcelo Jeneci), gravei em 12 estúdios. Ao mesmo tempo, tive a sorte, talento ou perseverança de achar uma parada que fosse minha. Quando alguém faz parecido, falam “pô, parece Marcelo D2”. Essa fórmula me levou a 27 países. Não quero fugir disso, mas sempre fazer algo novo. Eu estou muito mais para fazer do que para acontecer. Não tenho saco de ser número 1, quero fazer algo relevante e deixar uma obra maneira. Olhando para trás na minha carreira, já tive tanta luta que não dá para amolecer agora. Tô querendo envelhecer com dignidade. Marcelo D2 - FEBRE DO RATO}

    Como levar todo esse trabalho, que envolveu quase 40 músicos, para um show? Foi por isso que demorou tanto para a estreia?

    Não, eu queria deixar a galera ouvir o disco. Estou indo no meu tempo, esse tempo da indústria não me pega mais. Não quero ser o cara que vai brigar por view no YouTube. Queria fazer de um jeito que fosse legal, que fizesse sentido. Show novo, com banda nova e coisa nova. Eu escrevi um outro roteiro, próprio para o show. Para contar a mesma história com uma visão diferente. Percebi que músicas antigas cabem na história do filme, como “1967”, “Mantenha o respeito”, “Desabafo”, “Qual é”... Talvez seja um dos meus shows mais longos, com 20 minutos, 1h30m. Para mim, o show tem que ser o intervalo entre uma mijada e outra. Mija antes e consegue segurar até depois (risos).

    Como você vê o D2 com 70 anos?

    Quero estar fumando maconha, lendo livro e fazendo um show por mês (risos). Tô brincando. Não sei se vou conseguir parar de criar. Tenho 51 anos e sou muito workaholic. Passei a virada em Los Angeles, e no dia 31 trabalhei com o Mario (Caldato Jr., que produziu o disco ao lado de Nave e D2) até às 20h. Na verdade, sou o Marcelo D2 que vive o Marcelo Peixoto, não vice-versa. Espero estar fazendo coisas relevantes, como fazem Caetano, Gil e Chico com 70 e pouco. Vou morrer jovem, sem ser aquele tiozinho comédia de quem as pessoas riem.

    Em 2018 você se tornou especialmente ativo no Twitter, batendo boca frequentemente com eleitores de Bolsonaro. Por que decidiu botar a cara?

    Eu não usava o Twitter há uns dois ou três anos. Percebi que o Bolsonaro era ativo para caralho lá, e eu estava com muita coisa engasgada. Pela minha história, por tudo o que eu fiz. Quase abandonei a divulgação do meu disco para fazer isso. Foi interessante para mim, aprendi muito, tomei umas porradas, dei outras. Ativou de novo aquela gana que eu sempre tive de luta, me deixou, de uma certa maneira, jovem. Tem uma galera que precisa de voz, a maioria do país não votou nesse cara, então eles querem alguém que fale. Me senti nessa obrigação. Marcelo D2 - RESISTÊNCIA CULTURAL} part. Gilberto Gil

    Serviço

    “Amar é para os fortes”

    Onde: Morro da Urca: Praça General Tibúrcio.

    Quando: Domingo (6), a partir das 16h.

    Quanto: R$ 170 (bondinho incluído).

    Classificação: 18 anos.


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    RIO — Lançada no mês passado, a biografia “Planet Hemp: Mantenha o respeito” (Belas Letras) tem causado controvérsia entre os envolvidos. Contando com colaboração e divulgação de integrantes do grupo, o autor Pedro de Luna fez uma obra de cerca de 500 páginas. Após a chegada nas livrarias, porém, começaram as reclamações. Tudo começou no último dia 28, quando um texto publicado nas redes sociais do Planet Hemp para criticar o livro chamava-o de “colcha de retalhos de inverdades” — a publicação foi apagada no mesmo dia.

    Nesta quarta-feira, em conversa com o GLOBO, o empresário do grupo, Marcello Lobatto, reiterou a reclamação: Links Marcelo D2

    — Quem comprou o livro está lendo uma história mentirosa. Jogou dinheiro fora. Colaboramos da melhor forma para que ficasse o mais parecido com a realidade. Só que, ao longo do processo, foram chegando histórias que eram mentiras, como o dia em que teriam botado fogo na Na Moral (produtora de Lobatto), o que nunca aconteceu. Foi feito às pressas, faltou cuidado.

    Lobatto disse ainda que “pediu para ser entrevistado no começo e no fim, para dar alguns contrapontos”, mas que só teria sido ouvido pelo autor por 15 minutos.

    — Muitos dos envolvidos que deram entrevistas estão reclamando comigo.

    O rapper BNegão, integrante do grupo desde o disco “Usuário” (1994), não é um deles, visto que ele sequer foi ouvido. Já Marcelo D2, fundador do Planet Hemp e autor de 45 das 46 canções já lançadas pela banda, alega que deu apenas uma entrevista, “de duas ou três horas”.

    mantenha o respeito.jpg— O livro não me atinge de jeito nenhum, gosto do Pedro, mas tem coisas que não são verdade. Parece que é contado pela visão de quem foi carregado, e não por quem fez a história do Planet Hemp. Se alguém pode contar essa história, sou eu. Como o cara me ouviu só duas ou três horas para um livro de 500 páginas? É pouco — critica D2, que leu o livro “até a página 200, porque estava ficando de saco cheio”.

    Integrante da banda entre 1994 e 2001, o produtor Zé Gonzales também mostrou insatisfação com o que leu:

    — Não acho que houve má intenção, mas tem coisas não tão importantes que são mais valorizadas do que outras, fundamentais para a história. E há uma disposição de usar todas as frases que pudessem gerar algum tipo de polêmica, tanto nas minhas falas quanto nas do Lobatto. Por exemplo, o livro diz que eu carreguei “A invasão do sagaz Homem Fumaça” (terceiro e último disco da banda, de 2000) nas costas. Mas eu nunca falei isso, nem que era autor das músicas. Coautor e autor são coisas diferentes. Isso pode magoar outras pessoas.

    O outro lado

    O autor, Pedro de Luna, respondeu às críticas ao livro. Ele afirma ter procurado BNegão, mas diz que, após um contato inicial, ele lia e não respondia as mensagens.

    — Depois de várias tentativas, num determinado ponto julguei que já tinha material o suficiente, inclusive de outras entrevistas dadas por ele à imprensa, e decidi fechar o livro sem o seu depoimento — justifica Pedro, que garante ainda ter feito duas entrevistas na casa de D2 em setembro de 2017. — Vale frisar que esta é a biografia da banda, e não a do Marcelo D2, portanto ele era superimportante, sim, mas não era o único personagem a ser ouvido.

    Quanto às acusações de Lobatto, o escritor afirma que o encontro entre eles “foi interrompido pelo próprio empresário antes do tempo que eu julgava ideal”:

    — Respeito o ponto de vista do Lobatto, que também teve e ainda tem um papel superimportante no Planet, mas por outro lado houve uma falta de compromisso dele com o livro, e uma supervalorização dele também, de achar que eu não concluiria a biografia sem que ele fosse entrevistado como queria. As coisas não funcionam assim.

    Sobre as críticas de Zé Gonzales, De Luna afirma que “o Planet Hemp é uma banda polêmica, e as respostas dos entrevistados não poderiam ser diferentes”.

    —Aproveitei quase tudo o que foi gravado em sua entrevista, mas se ele entende que só entraram as “aspas polêmicas”. Outras pessoas podem pensar de forma diferente.


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    ‘Deus, o que você fazia no escuro, antes de criar o mundo, se é que foi você que o criou? E por que criou?”

    Provocação, iconoclastia, sarcasmo, ironia, fábulas, humor, suspense, enigma, mistério: cabe tudo isto e muito mais em “Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela”, 45º livro de Ignácio de Loyola Brandão — “o mais louco” que escreveu, segundo ele próprio —, um dos lançamentos mais ousados e desafiadores da atual temporada literária.

    Trata-se de um romance épico-distópico centrado numa história de amor, a partir do seu rompimento, cuja trama se desenvolve num cenário futurista nada cor-de-rosa. E que fecha uma trilogia iniciada com “Zero”, lançado primeiro na Itália, em 1974, aqui proibido pela ditadura militar no mesmo ano de sua publicação (1975), hoje contabilizando a espantosa marca de 35 edições, além de várias traduções mundo afora, vindo a ser seguido por “Não verás país nenhum”,de 1981, já com mais de 20 edições, e premiado pelo Instituto Ítalo-Americano.

    A terra do título em pauta aqui é esta mesma em que vivemos, num tempo incerto, quando estaríamos no sexto século e seríamos trezentos milhões de habitantes, com o país tendo atingido a marca de 1.080 partidos e passado por 113 impeachments — um negócio altamente lucrativo; os políticos, chamados de astutos, quase não aparecem em público e chegam a medir 22 centímetros, pois vão diminuindo de tamanho à medida que recebem propina. Os magistrados superiores vivem isolados em um bunker. Ninguém conhece os seus rostos.

    Nesse dantesco Brasil novo, a capital federal mudou tantas vezes que ninguém sabe mais onde fica. O governo aboliu as escolas, porque acredita que cada um tem o direito de se educar como quiser. Além do Ministério de Educação, deixaram de existir os do Meio Ambiente e de Direitos Humanos, da Cultura e da Saúde. As epidemias surgem avassaladoramente, a autoeutanásia é legalizada para idosos, comboios de mortos horrorizam os vivos, escancarando o estado assombroso da nação. Tornozeleiras eletrônicas são acopladas nos indivíduos logo ao nascerem, celulares implantados em seus corpos, chips embutidos nas paredes. Todos têm as suas ações, e até os pensamentos, sob controle absoluto. Os costumes estão subjugados à força das Ligas Íntimas da Pureza Sexual, enquanto o brasileiro se torna o povo que tem as percepções mais equivocadas da própria realidade.

    Ufa!

    Falemos de amor.

    Nesta terra arrasada, Loyola pinta com cores fortíssimas as aventuras e desventuras de Clara e Felipe que, ao ser descartado pela sua bem-amada — entenda, Felipe, acabou! —, passa a persegui-la, ora com fúria assassina, ora com uma ternura adolescente. A trajetória de ambos vira um jogo de gato e rato, numa busca de um reencontro que acaba por resultar em fuga de si mesmos, levando-os a cruzarem com uma variedade de situações, tipos humanos e lugares surpreendentes, como a Montanha das Palavras Extintas.

    Não foi sem motivo que um mestre indiscutível da crítica literária brasileira, Antônio Cândido, definiu Ignácio de Loyola Brandão como “dono de um realismo feroz”. E de uma imaginação prodigiosa, acrescentemos. Em “Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela”, Loyola dá largas asas à fantasia, e esbanja um domínio técnico — na estruturação da narrativa, construção dos diálogos, sequenciamento das ações, pintura dos personagens — adquirido em mais de meio século de batente: no conto, crônica, reportagem, biografia, teatro, história para crianças etc. E que, aos 82 anos, continua com o fôlego do admirável romancista de longo curso de sempre. O que não é pouco.

    Antonio Torres é escritor e membro da ABL

    'Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela'

    Autor: Ignácio de Loyola Brandão.

    Editora: Global.

    Páginas: 376.

    Preço: R$ 59.


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    RIO - Em quase três décadas de carreira, Jeff Tweedy se consolidou como uma das grandes vozes da música americana, tanto pelo seu timbre aveludado e caloroso, como um velho e familiar trovador de tempos esquecidos, quanto por sua verve lírica sensível e afiada.

    Líder do Wilco desde 1995, o artista, que antes havia gravado quatro álbuns com o Uncle Tupelo, lançou no fim do ano seu segundo disco solo, “WARM”, o primeiro de inéditas, na esteira da publicação do livro de memórias “Let’s go (so we can get back)”.

    Em 11 faixas de roupagem folk, entre George Harrison e Neil Young, na zona de conforto do próprio Wilco, Tweedy condensa a mais variada gama de sentimentos: rancor (“Some birds”), dúvidas existenciais (“Let’s go rain”), compaixão (“I know what’s like”) e a combinação explosiva entre amor e dependência (“The red brick”).

    Nestes tempos de diálogo cada vez mais escasso, em que parte da sociedade não respeita a liberdade de escolha de quem pensa diferente, e no qual muitos músicos surfam na onda oportunista do discurso lacrador, o cantor e compositor de Illinois mergulha ainda mais fundo no que talvez seja o cerne da sua poesia: a empatia.

    'Some birds', Jeff Tweedy

    Mesmo quando há raiva, como em “Some birds” — que traz uma frase de guitarra que remete a “And you bird can sing”, dos Beatles —, há também ternura: “Eu adoraria te derrubar / e te deixar ali... / oh, os tempos são duros / e se eu me lembro / isto não é nada fácil”.

    Aos 51 anos, Tweedy escreveu um disco sobre as reflexões de um homem sensível de meia-idade, que já criou família, enfrentou a dependência química e agora leva uma rotina de estabilidade, que traz conforto e, simultaneamente, tempo para refletir sobre seu passado e sua própria mortalidade.

    É assim em faixas doces e perturbadoras como “Don’t forget” (“Todos nós pensamos sobre morrer / não deixe isso te matar”) e “From far away”, nas quais a morte é encarada com acidez e bom humor. Tweedy compõe com seriedade, mas sem se levar a sério. É um amigo que não dá conselhos, mas que mostra que está lá, que entende como são as vicissitudes da vida.

    Jeff Tweedy

    Numa época em que se colocar no lugar do outro é algo fora de moda, “WARM” mostra que não estamos sozinhos. Ao não apontar dedos e encarar suas próprias fraquezas, Tweedy não solta a mão de ninguém, com músicas sem julgamentos ou lições de moral.

    Mestre na arte da canção, o frontman do Wilco reforça em “WARM” seu maior mérito, que é ser um grande autor de belas melodias e canções redondas e sinceras, seguindo a escola da música popular americana de onde saíram Bob Dylan e Bruce Springsteen, rol no qual não é exagero nenhum situá-lo.

    Cotação: Ótimo.


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    RIO — Além dos youtubers que fazem sucesso entre o público infantil, como os irmãos Felipe e Luccas Neto, os canais feitos pelas próprias crianças vem ganhando cada vez mais popularidade. Com milhões de inscritos e números de visualizações que batem a marca dos bilhões, os vídeos estrelados pelos pequenos vem se estabelecendo como um nicho, além de gerarem debates sobre publicidade infantil e segurança na internet.

    Conheça alguns dos canais de youtubers mirins mais populares na internet no Brasil.

    Planeta das Gêmeas

    Gêmeas youtubeAs gêmeas Larissa e Nicole postam vídeos com brincadeiras variadas, desafios e historinhas. O material é gravado pela mãe das meninas que produz e interage com as pequenas youtubers durante as filmagens. Com mais de 9,5 milhões de inscritos, as gêmeas são as estrelas de um dos canais mirins com maior número de seguidores. Com o sucesso elas lançaram o livro "Planeta das Gêmeas - entre risadas e brincadeiras", abriram uma loja online e uma física de moda infantil.

    Bela Bagunça

    Vídeo Bela BagunçaIsabela Castro cria vídeos para meninas e meninos, com historinhas, novelas, desafios e situações engraçadas. O canal conta com mais de 8,3 milhões de inscritos e 1 bilhão e 700 milhões de visualizações.

    Juliana Baltar

    Vídeo Juliana BaltarA youtuber de 11 anos posta vídeos desde 2015 para seu séquito de mais de 8 milhões de fãs inscritos em que cria desafios, novelinhas e mostra cuidados especiais com suas bonecas além de experiências do seu cotidiano.

    Fran Nina e Bel para meninas

    Vídeo Fran Nina e Bel para meninasMãe e filha compartilham experiências da vida em família, com participações da irmãzinha Nina e produção do pai. Com o bordão "O que importa é ser feliz!" elas apresentam brincadeiras, teatros e novelinhas que passam mensagens de felicidade para seus mais de 6,7 milhões de inscritos.

    Isaac do VINE

    Vídeo Isaac do VINEO baianinho de 8 anos se tornou um fenômeno na web com seus vídeos humorísticos em formatos de esquetes e paródias. A fama nas redes o levou a ser convidado para a sexta temporada do programa “Vai que cola” da Multishow. Seu canal no Youtube já alcançou a marca de 5,9 milhões de inscritos e sua página no Instagram possui 1,9 milhões de seguidores.

    Julia Silva

    Vídeo Julia SilvaA garota de 13 anos é conhecida por postar lançamentos e novidades do mundo dos brinquedos, além compartilhar a rotina de sua vida e de viagens. Devido a divulgação de ações de marcas de brinquedo em seu canal, o Ministério Público do Estado de São Paulo entrou com uma ação civil pública para que o Google retire do ar alguns de seus vídeos que fariam propaganda velada de produtos infantis para seus 4,2 milhões de seguidores.

    Crescendo com Luluca

    Vídeo Crescendo com LulucaA menina de 9 anos cria novelinhas, desafios e conta seu cotidiano em vídeos editados por sua mãe, Marcele. Seu canal possui mais de 4,3 milhões de inscritos.

    Canal da Lelê

    Vídeo Canal da LelêA menina Letícia de 10 anos também encontrou na mãe Fabiana a parceira ideal para editar seus vídeos produzidos desde 2014. O canal ultrapassou a marca de 4 milhões de inscritos com histórias sobre o cotidiano da menina, além de brincadeiras, passeios e música.


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  • 01/04/19--11:06: Primeiro perdemos as abelhas
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  • 01/04/19--11:13: Obrigado, Machado
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    De Simply Red, Seal e Shania Twain para Jack Nicholson, Batman e minions. Há 20 anos, o músico brasileiro Heitor Teixeira Pereira, mais conhecido com Heitor TP, trocou colaborações com popstars por trilhas de Hollywood. Nestas duas décadas, o compositor de 58 anos criou acordes para comédias como “Melhor é impossível”, aventuras como “O cavaleiro das trevas” e animações como “Meu malvado favorito”. Agora, em 2019, chegam às telas (mais precisamente, aos alto-falantes do cinema) suas composições para “Angry Birds 2” e “Playmobil”, inspirado nos clássicos bonequinhos.

    Nascido em Rio Grande (RS) e criado em Niterói (RJ), Heitor estará de volta ao Brasil para o Rio2C, maior evento da indústria criativa na América Latina, que acontece em abril na Cidade das Artes. Além de apresentar peças suas com a Orquestra Petrobras Sinfônica, ele pretende aproveitar o evento para “conhecer gente e desmistificar tabus”, com conta a seguir, com leve sotaque, direto de seu estúdio em Los Angeles.

    O que espera do Rio2C?

    É um barato participar de um festival assim, onde artistas podem encontrar profissionais de vários setores. Acho sensacional um evento em que um cara fazendo um game sobre, sei lá, palitos de fósforos encontra um cara de marketing, outro que quer fazer a trilha. No fim, tudo isso é para chegar ao público. Pessoalmente, quero conhecer gente e desmistificar tabus.

    Quais tabus?

    Da indústria criativa. Antigamente você precisava ser descoberto por alguma entidade superior que iria dizer se o seu projeto era viável ou não. Os estúdios eram caríssimos, as fontes de informação eram para privilegiados. Hoje, graças a Deus, isso acabou. Você tem uma ideia, convida umas pessoas, faz um financiamento coletivo, e a coisa se torna real. Não precisa nem estar todo mundo no mesmo lugar. A corporação, se quiser, pode participar depois.

    Heitor TP fala sobre a criação da música para o filme "Minions"

    Parcerias são fundamentais?

    Não sei trabalhar de outro jeito. É com as opiniões dos outros, e não com a minhas, que descubro algo em que eu nunca tinha pensado. Enquanto trabalhava com o Pharrell (Williams, compositor e produtor) em “Meu malvado favorito”, mostrei para ele uma ideia de que ele gostou, mas achou melhor deixar para o próximo filme. Eu brinquei: “E já sabe o que fazer no próximo? Se quiser, posso ir pensando nisso.” Ele não só levou na boa como disse para eu ir pensando mesmo. Trabalhamos assim no filme 2, no 3, em “Minions” e já estamos trocando ideias para “Minions 2”, que chega só em 2020.

    Você vai mostrar peças inéditas no concerto do Rio?

    Vou tocar coisas do “Angry Birds 2”, que sai neste ano, e coisas praticamente inéditas. Explico: quando essas melodias nascem, eu escrevo peças longas, de 10 minutos, que entram aos pedaços no filme: 10 segundos em uma cena, 1 minuto em outra. Os espectadores ouvem os filhotinhos, mas a peça-mãe só é apresentada nessas ocasiões especiais. Mas eu adapto, encurto, não quero botar as pessoas para dormir. (Risos.)

    E trilhas sonoras se sustentam sem um filme?

    A música também conta uma história. Pegue um personagem que evolui ao longo da narrativa. Se a música deu certo, você consegue reconhecer essa evolução através de notas musicais, de emoções que a música emana. Cada vez mais eu tento me aprofundar no significado emocional das notas. Se elas me fazem triste, feliz, vou dividir esse sentimento com meus conterrâneos espirituais ao redor do mundo.

    Você sempre busca fazer uma música universal?

    É entretenimento para o mundo inteiro. Mas não fico preso ao padrão ocidental. Uma vez, para uma cena em Nova York, chamei um músico que tocava kora. O arpejo dessa harpa africana foi preciso para aquela sequência urbana e frenética.

    E como você encontra essas pessoas?

    Esse sujeito da kora eu já conhecia, mas no “Minions” chamei um cara que conheci no YouTube. “Oi, tudo bom? Vi você fazendo beatbox com flauta, fiz uma partitura inspirado no seu rimo para flauta e contratempo da bateria, gostaria que você tocasse no filme que eu estou fazendo. Vamos nessa?” Eu gostava de tocar em banda, mas fazendo trilhas sonoras dessa maneira, coletiva, eu me sinto tocando na maior banda do mundo.

    Você lançou três discos solo. Pensa em fazer outro?

    Vou compondo, mas estou em um momento coletivo mesmo. Se estou aqui é por causa do (baixista) Arthur Maia, meu compadre que faleceu em dezembro. É por causa do (compositor de trilhas) Hans Zimmer, que sempre me deu crédito, nunca me escondeu. O que eu celebro na minha música é que ela não é só minha.


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    NOVA YORK — Se você vai reproduzir um meme em casa, a Netflix gostaria que você tivesse cuidado. Você deve ter ouvido falar sobre o filme de terror que o serviço de streaming lançou no mês passado chamado “Bird Box”, uma adaptação de um romance de Josh Malerman. O filme, estrelado por Sandra Bullock, centra-se em uma entidade desconhecida que obriga qualquer um que ponha os olhos nela a se matar. Assim, os sobreviventes devem vendar a si mesmos quando forem se aventurar ao ar livre.

    As críticas ao filme foram mistas, mas isso não impediu que ele se tornasse uma sensação cultural e, portanto, um veículo para viralização de memes. O #BirdBoxChallenge explodiu na semana passada, com pessoas postando vídeos de si mesmas fazendo tarefas cotidianas com os olhos vendados.

    Embora não tenha havido relatos de ferimentos graves, a Netflix considerou que o meme estava se espalhando amplamente o suficiente para emitir um alerta no Twitter na quarta-feira. Aviso Netflix Bird

    "Não posso acreditar que tenho que dizer isso, mas: POR FAVOR, não se machuque com o Bird Box Challenge", publicou a companhia em sua conta oficial. "Nós não sabemos como isso começou, e apreciamos o amor, mas Boy e Girl têm apenas um desejo para 2019 e é que você não acabe no hospital devido a memes." (Menino e menina se referem a duas crianças no filme.)

    Os vídeos variam em seus fatores de risco. Um deles, publicado na véspera de Natal, mostrava o que parecia ser um adulto, uma criança maior e outra menor — todos vendados — andando freneticamente pelo interior de uma casa, fazendo uma paródia do filme. Em um ponto, a criança menor bate contra uma parede. Bird família

    Outros são mais mundanos. Um postado na quarta-feira no Twitter mostra um homem vendado fazendo agachamentos com pesos pesados. Bird academia

    Outro da véspera de Ano Novo simplesmente mostrava um homem vestindo um blazer, uma venda e grandes fones de ouvido enquanto outros dois homens vestindo trajes semelhantes passeavam na frente da câmera.

    Um vídeo postado pela estrela do Youtube Morgan Adams intitulado "24 Hour Bird Box Challenge", no qual Adams e um amigo passam um dia inteiro de olhos vendados quando estão ao ar livre, teve mais de 1,7 milhão de visualizações. Bird morgan adams

    O Bird Box Challenge é o tipo de desafio que se tornou comum nos últimos anos. Um dos mais famosos foi por uma boa causa: o “Desafio do balde de gelo”, que envolveu despejar água fria em si mesmo para conscientizar sobre a esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como doença de Lou Gehrig. Houve muitos outros: o desafio do manequim, "Level Up" (imitar um passo de dança), entre outros.

    Alguns podem causar danos. No ano passado, o executivo-chefe da Procter & Gamble, fabricante de sabão em pó Tide, implorou aos pais que impedissem os filhos de comerem o Tide Pods (cápsula de detergente), que rapidamente se tornou um fenômeno da internet. Houve o Desafio Kylie Jenner de 2015, em que mulheres jovens estavam colocando seus lábios em copos e depois sugando o ar na tentativa de ter lábios mais parecidos com os de Jenner.

    Mas, para que ninguém ponha a culpa nas redes sociais e o desejo de fama instantânea, isenções de responsabilidade como "não tente fazer isso em casa" são muito anteriores à era dos memes. A World Wrestling Entertainment, por exemplo, emitiu anúncios de serviço público no passado, pedindo que seus fãs destreinados evitem imitar movimentos de wrestling profissional.


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    ‘Parque das ruínas”, o último livro da poeta Marília Garcia, foi impresso com uma pequena tiragem de 300 exemplares. O meu exemplar é o 29º. Está marcado, à caneta, na última página: 029/300. Pode parecer um mero detalhe, mas a informação talvez tenha a sua importância. Primeiro porque a marcação é um gesto único, que não se repete, e me leva a uma conexão íntima com a obra. Segundo porque, na poesia da carioca de 39 anos, vencedora do Prêmio Oceanos em 2018 pelo livro “Câmera lenta”, nenhum pormenor é insignificante. Questionar o olhar, entender melhor o que se viu e, principalmente, o que ainda não se tinha visto. Voltar os olhos outra vez e encontrar o detalhe que se perdeu. Repetir os passos, repetir os gestos, repetir as imagens, repetir as palavras, compará-las, passar tudo numa lupa, num obturador ou em um microscópio — enfim, entender melhor o que se vê. Ou o que ver significa.

    Como fez a artista americana Rose-Lynn Fischer, que registrou uma espécie de “atlas temporário” de suas próprias lágrimas ao colocá-las em um microscópio. Como também fizeram o poeta americano Louis Zukofksy, que publicou uma espécie de “teste de poesia”, no qual comparava várias traduções de um mesmo texto procurando lê-los de outros modos; e o poeta francês Emmanuel Hocquard, que se isolou do mundo para observá-lo pelo viés da solidão.

    São alguns dos autores cujas práticas poéticas e anseios existenciais Marília menciona ao longo de um texto recheado de fotos e imagens, que pode ser lido tanto como um caderno de anotações quanto um poema-aula, ou ainda como um “poema no tubo de ensaio”. Outra possibilidade seria vê-lo como um poema-performance, já que foi originalmente escrito para ser apresentado em voz alta, junto com projeções de 240 slides, em performances públicas pelo Brasil.

    Como lidar com o lugar?

    Ao mesmo tempo em que dialoga com seus pares, a poeta testa as suas próprias experiências. “se a gente começa a escrever anotar/ e nomear o que acontece/será que consegue fazer as coisas/ existirem de outro modo?”, ela se pergunta. Durante uma residência na França, em 2015, produz um diário em torno de uma única pergunta (“como lidar com o lugar?”) e de uma única regra. Todos os dias, durante meses, uma fotografia tirada no mesmo lugar e na mesma hora — a Ponte Marie, em Paris, às 10h. É uma busca pelo “infraordinário”: o que se passa todos os dias e volta todos os dias, o banal e o cotidiano, que preenche nossas vidas sem percebermos.

    Marília também revisita cartas de amor de um tio-avô que lutou na Segunda Guerra, e vai atrás de velhos cartões postais em um antiquário parisiense. “pergunto se há cartões da ‘época da guerra’/ o funcionário me responde com uma pergunta:/ ‘qual guerra?’/ ‘há muitas’, diz ele ‘a grande guerra?’”. A poeta compara ruínas do passado e do presente e, na última página, confronta a imagem do Museu Nacional inteiro, na litografia de Debret, com a do destruído pelo incêndio de 2018.

    No fim, o ponto de partida é o mesmo da chegada: Marília reproduz a mensagem de uma francesa exilada no Rio pela guerra, que nos chega através de um velho postal comprado no antiquário parisiense. “Estou triste mas cheia de confiança e coragem”, diz a fugitiva aos parentes na Europa. Ecos da nossa própria realidade, entre o desespero e a quimera de um Rio devastado pela crise.

    Importante lembrar que o livro fica ainda melhor se lido em voz alta, tentando reproduzir o estilo de Marília, uma dicção poética única por aqui. Digressiva e divertida, sem medo de se apoiar em seus labirintos, ela soa às vezes como uma criança atrapalhada, que não se desculpa por pensar demais. E, como toda a criança que habita em nossas profundezas, enxerga a complexidade que o adulto sempre deixa passar.

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    PARQUE DAS RUÍNAS

    Autora: Marília Garcia

    Editora:Luna Parque

    Páginas:120

    Preço: R$ 35

    Cotação: Bom


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