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    Em 2003, Britney Spears “intoxicava” o mundo com seu refrão “I’m addicted to you/ Don’t you know that you’re toxic?”. Na música “Toxic”, ela comparava a paixão pelo amante ao vício em um tóxico, uma droga. Quinze anos depois, um jovem desavisado poderia interpretar o hit pop de outro modo: o sofrimento causado a uma mulher pela masculinidade tóxica do amado. Pelo menos, em 2018, foi esse um dos sentidos mais atribuídos ao termo eleito pelo dicionário Oxford como a palavra do ano.

    palavras do anoDe questões ambientais até o combate ao machismo do #MeToo,a expressão “Toxic” assumiu protagonismo no debate público. Segundo o anúncio da instituição inglesa, as buscas pelo adjetivo no site do dicionário aumentaram 45%. O termo apareceu ligado a outros como “química”, “masculinidade”, “relacionamento” e “cultura”. No ano passado a palavra eleita foi “youthquake” (mudanças culturais protagonizadas por jovens).

    E não foi só o Oxford que usou “Toxic” para traduzir 2018. O aplicativo de idiomas Babbel fez uma pesquisa com funcionários de 50 países e também elegeu o vocábulo como um dos termos do momento (ao lado de homofobia e machismo, entre outros).

    — Vejo as palavras do ano de 2018 apontando para desenvolvimentos sociopolíticos recentes que atingem cada vez mais pessoas — diz o linguista e gerente de Projetos Didáticos da Babbel, Vitor Shereiber.

    Outra instituição a resumir 2018 numa só palavra foi o dicionário online Dictionary. com. A escolhida foi “misinformation” (“informação errada”), em referência às fake news. O Collins Dictionary também publicou sua escolha: “single-use” (uso único), expressão da moda para o caráter descartável de produtos e relações humanas.

    Por aqui, o Google divulgou: o termo que os brasileiros mais pesquisaram, para saber o significado, foi... “Fascismo”. Para o diretor do Instituto da Palavra, Deonísio da Silva, a explicação desse repentino interesse é mistério:

    — Trata-se de um sintoma. Como chegar ao médico com febre. Ele vai pesquisar o que nosso organismo está querendo dizer. Se estamos procurando muito fascismo, temos que nos perguntar o porquê: é ânsia de conhecimento, ou, Deus nos livre, interesse em adotá-lo?

    Além do zeitgeist, que faz cada ano poder ter uma palavra para chamar de sua, é preciso prestar atenção às camadas de sentido que elas ganham com o tempo. Em seu berço, “fascismo” designava um feixe de varas que, unidas , não se quebravam. Após Mussolini, virou sinônimo de totalitarismo. “Toxic”, em 2018, também não é mais a mesma de Britney.

    Para o gramático e imortal da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, a questão é especialmente importante porque “a linguagem é o reflexo do homem, da mulher, da criança, do erudito...”.

    — Ela é a vida que corre.


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    RIO - O projeto de fazer da praia de Ramos a “Copacabana do Subúrbio” na década de 1940; os ensaios da Vila Isabel no Boulevard 28 de Setembro, que fazia às vezes da sede que não existia (“Nossa sede é nossa sede/ De que o apartheid se destrua”, cantou a escola em 1988, ao ser campeã, com “Kizomba, a festa da raça”); a roda de samba do Cacique de Ramos surgida em 1977 como complemento às peladas de quarta-feira; o método Mário Mascarenhas de acordeom, febre entre as crianças nos anos 1940 e 1950; o povoamento do Rio linha do trem adentro a partir das políticas que expulsaram do Centro a população pobre ou de classe média baixa.

    As situações listadas acima parecem saídas de um livro sobre a história do Rio — impressão ao mesmo tempo errada e correta. Errada porque eles aparecem em “Princípio do infinito — Um perfil de Luiz Carlos da Vila” (Numa), obra de Luiz Antonio Simas e Diogo Cunha que tem como foco a vida do compositor de “Doce refúgio” e “O show tem que continuar” (com Arlindo Cruz e Sombrinha). A impressão é correta, porém, porque os autores iluminam seu personagem a partir da cidade que permitiu que dela brotasse um Luiz Carlos da Vila. 80269710_SC 12-12-2018 Livro Princípio do infinito - Um perfil de Luiz Carlos da Vila. Praia de Ramo.jpg

    — É uma cidade não oficial — define Simas. — Ela surge como consequência de um projeto que queria eliminar isso tudo. Porque esse subúrbio, que inclui a Leopoldina que gerou Luiz Carlos Baptista, nasce das reformas higienizantes que mandaram as pessoas para longe do Centro.

    Classe média suburbana

    Mais do que isso, Simas explica, o livro — que terá lançamento amanhã, na Livraria Folha Seca, com roda de samba — trafega pela história não contada de certa classe média carioca, suburbana. Ou seja, pessoas que têm, de um lado, ambições culturais, intelectuais e de consumo, e, de outro, a vivência suburbana, a experiência da rua, de encontros permeados por outro tipo de sociabilidade.

    — A classe média suburbana é esquecida quando se pensa o Rio dentro dessa dicotomia morro/asfalto — diz Simas. — E Luiz Carlos da Vila é filho desse ambiente. Ele passa longe da ideia do poeta primitivo, naïf. Estudou em colégios particulares do subúrbio (o livro conta que, por volta dos 10 anos, ele ganhou um concurso escolar de poesia com versos sobre Santos Dumont), aprendeu um instrumento, concluiu o ensino médio, entrou para a universidade.

    A trajetória de Luiz Carlos da Vila no livro começa, portanto, antes dele, com o processo de formação do subúrbio da Leopoldina, mais especialmente Ramos, onde nasceu — e para onde voltou quando passou a frequentar as rodas de samba do Cacique, para o qual compôs “Doce refúgio”, que se tornou hino informal do espaço.

    Da Vila da Penha (origem do apelido) à Vila Isabel (onde Luiz Carlos se consagrou como autor do samba-enredo de 1988), passando pela dinâmica comunitária das vilas suburbanas (síntese dessa vivência da Zona Norte), o livro traça um retrato daquele que Nei Lopes chamou de “Luiz Carlos das Vilas”.

    Os encontros, como o próprio pagode do Cacique de Ramos ou o Caldos e Canjas (evento que Luiz Carlos realizava em sua casa com a mulher, Jane), marcam o caminho do compositor.

    — Simas colocou no livro a visão da cidade, eu entrei com essa parte dos encontros — conta Diogo Cunha. — Com Martinho, Beth, Candeia, a Vila Isabel...

    Em meio ao contexto social, se desenrola a história particular do compositor, desde a infância tranquila (“Dona Esmerilda, a mãe do garoto, diz taxativamente, em depoimento aos autores, que ele só começou a dar trabalho quando foi para o samba”, conta o livro) até a morte em 2008, provocada por um câncer no intestino (episódio brevemente mencionado porque, os autores afirmam, não interessava a eles entrar em pormenores da doença).

    — A morte dele aparece no livro como drible — nota Cunha, lembrando a referência nas últimas páginas à canção “A cigarra e o samba”, que Luiz Carlos identificava com sua situação (“Se é pra morrer/ Morrerá com melodia”).

    Entre as pontas de “Princípio do infinito”, há histórias saborosas, como o sumiço de Luiz Carlos aos 15 anos, por timidez, depois de ter sido “buzinado” como calouro no programa de rádio de Chacrinha. Só foi encontrado dias depois, com interferência de um caboclo que incorporava em sua avó.

    Caju e catumbi

    Mais que a história de um compositor, portanto, o que se conta ali é um projeto de cidade (e país) que é derrotado continuamente — as belas praias que iam do Caju até a Penha derrotadas pela construção da Avenida Brasil, a memória do Catumbi derrotada pela construção do Túnel Santa Bárbara e do viaduto 31 de Março. E continuamente segue driblando a derrota, como a cigarra que morre com melodia — algo reafirmado a cada vez que se ergue o refrão de “O show tem que continuar” numa roda de samba.

    “Princípio do infinito — Um perfil de Luiz Carlos da Vila”

    Autores: Luiz Antonio Simas e Diogo Cunha.

    Editora: Numa.

    Páginas: 144.

    Preço: R$ 30.

    Lançamento: Sábado 15/12, às 14h, na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor 37, Centro).


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    O primeiro vídeo oficial com imagens do filme de "Downton Abbey" foi divulgado nesta sexta-feira. Num teaser sem diálogos, as imagens mostram cenas internas e externas da propriedade da família Crawley. Ainda sem sinopse divulgada, o longa tem previsão de estreia para setembro de 2019.

    'Downton Abbey' teaser

    A produção, dirigida por Michael Engler (de séries como "The affair" e "Sex and the city") traz membros do elenco original da série, como Allen Leech (Tom Branson), Michelle Dockery (Lady Mary), Maggie Smith (Violet Crawley) e Elizabeth McGovern (Cora Crawley). Imelda Staunton, Geraldine James, Simon Jones e David Haig também estão escalados para atuar.

    No ar entre 2010 e 2015, durante seis temporadas, a série de TV britânica — que narrou as alegrias e desventuras da família Crawley, esmiuçando a vida privada do clã e as relações de classe da Inglaterra do início do século XX — venceu três estatuetas do Globo de Ouro e 15 do Emmy.


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    RIO — Morreu nesta tarde, aos 56 anos, Arthur Maia, uma das referências do baixo elétrico no Brasil. O músico sofreu uma parada cardíaca e foi levado para UPA Mário Monteiro, em Niterói, mas não resistiu.

    Sobrinho do lendário Luizão Maia, com quem aprendeu as primeiras técnicas no baixo, Arthur acompanhou, ao vivo ou em estúdio, alguns dos nomes centrais da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Djavan, Gal Costa, Ney Matogrosso e Ivan Lins. Também integrou grupos como a Banda Black Rio, Egotrip e o quarteto instrumental Cama de Gato. Álbum 'O tempo e a música'

    Primo de Arthur, o também baixista Zé Luís Maia disse ter sido pego de surpresa pala notícia:

    — Foi uma parada cardíaca fulminante, tentaram reanimá-lo, mas não conseguiram. Ele era fantástico, a melhor pessoa e músico que conheci, ele e meu pai, o Luizão. E ambos faleceram com 56 anos.


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  • 12/15/18--13:26: O curandeiro de Abadiânia
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    RIO — Em dezembro de 2012, o imortal Lêdo Ivo aproveitava uma viagem de trem para Sevilha, na Espanha, para falar com o filho, o pintor Gonçalo Ivo, sobre uma série de poemas inéditos que pensava publicar. O título provisório, “Um navio ancorado na laguna”, intrigou Gonçalo, uma vez que seus livros anteriores, como “Plenilúnio” (2004) e “Réquiem” (2008), tinham títulos mais sintéticos. O poeta aquiesceu e lembrou de “Relâmpago”, palavra presente em um dos novos poemas. Dois dias depois, o ocupante da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras sofreu um infarto e morreu, aos 88 anos, deixando ao filho a incumbência de publicar os últimos poemas.

    Na volta ao Brasil, Gonçalo encontrou entre as coisas do pai um envelope timbrado da ABL com o título provisório grafado a caneta, com os 13 poemas inéditos, manuscritos ou datilografados e corrigidos a mão. Seis anos depois, o pintor finaliza em seu ateliê próximo a Teresópolis, na Região Serrana do Rio, uma edição limitada de oito caixas de madeira, em técnicas como óleo, têmpera e aplicação de folhas de ouro, que acompanharão uma edição do livro e fac-símiles dos originais.

    Adquiridas por colecionadores (os valores não foram revelados), as obras viabilizaram a edição de “Relâmpago” no Brasil, prevista para março de 2019, pela editora Contracapa — na Espanha, a obra foi lançada em 2015, com tradução de Martín López-Vega. Para acompanhar os poemas na versão que chega às livrarias, Gonçalo pintou 48 aquarelas, que serão reproduzidas quase na escala original.

    — Como falamos sobre os poemas, quando achei os originais já sabia o que era. Talvez, se não tivéssemos conversado, demoraria mais para encontrá-los — imagina o pintor de 60 anos. — Fiquei surpreso ao ver que os poemas estavam assinados e numerados, uma coisa que ele nunca havia feito. Talvez isso já evidenciasse uma negociação com o futuro.

    79999139_SC Teresópilis RJ 23-11-2018 Artista plástico Gonçalo Ivo lança caixa com suas pinturas e p.jpgAo desenvolver as imagens para a obra, Gonçalo novamente se deparou com o desafio da criação diante da perda: o pintor também assinou as ilustrações de “Réquiem”, um longo poema escrito pelo pai após a morte de sua mulher, Maria Lêda, em 2004.

    — O Lêdo brincava, em referência ao “Réquiem”: “Vê se não vai levar outros dois anos para terminar as ilustrações”. Na época, foi um processo difícil, estava muito impactado pela perda da minha mãe, demorei para finalizar — recorda Gonçalo. — Desta vez foi mais rápido. Entrei no mundo daqueles poemas, que falam de astros, raios, elementos que o acompanhavam desde a infância em Maceió. Não tem nada figurativo, mas ao mesmo tempo fica uma marca telúrica.

    Entre Paris, Madri e Rio

    Na Serra, Gonçalo trabalha literalmente cercado não apenas da obra do pai, mas de milhares de livros da biblioteca herdada e de seu próprio acervo. Na propriedade, o pintor construiu três ateliês, um deles com um pé direito de dez metros, calculado a partir das dimensões das telas da série “Lamento”, exibida em 2012, na galeria Anita Schwartz. O espaço de trabalho é dividido com estantes repletas de livros, obras de arte de sua autoria e de amigos, além de um quarto que o pintor usa quando não quer interromper o ritmo de trabalho — em geral, ele acorda entre 3h e 4h da manhã para pintar.

    A imersão multiplica o número de obras espalhadas no espaço: no momento, além das caixas de “Relâmpago”, o pintor trabalha em obras para um livro de arte da UQ! Editions, editora editora do jornalista e curador Leonel Kaz e da designer Lucia Bertazzo.

    O segredo_Gonçalo Ivo.jpg— Estamos em pleno processo, fizemos alguns encontros mas essas publicações levam tempo , nunca menos de dois anos. Pode ser que saia entre o final do ano que vem e 2020 — comenta Kaz. — A princípio, a tiragem deverá ser de 40 unidades,acompanhadas de uma têmpera e um objeto. A ideia é que cada livro seja realmente único.

    Residindo em Paris desde o fim dos anos 1990, Gonçalo passou a dividir as temporadas no Brasil com períodos na Espanha, onde mantém, há cinco anos, uma apartamento com ateliê em Madri. Quando está no Brasil o pintor permanece na Serra, descendo ao Rio de forma cada vez mais esporádica. Gonçalo acredita que a reclusão ajude a explicar o hiato de mostras na cidade — desde “Lamento” ele não voltou às galerias cariocas e, em instituições, sua última individual foi em 2008, no Museu Nacional de Belas Artes:

    — Prefiro receber os amigos, não vou a eventos, vernissages só de artistas realmente próximos. Claro que gostaria de trazer ao Rio uma individual como a que tive ano passado em Curitiba (“A pele da pintura”, no Museu Oscar Niemeyer). Mas não tenho mais idade para bater na porta de ninguém, melhor ficar em casa trabalhando. Costumo dizer que sou um animal pictórico, vivo a pintura intensamente.


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    Muitos americanos esperam que ela, uma mulher de 60 anos, dance com desconhecidos o tempo inteiro.

    — Às vezes estou tirando uma selfie e ouço: “Você não está dançando” — diz Ellen DeGeneres em seu escritório na Warner Bros, na Califórnia. — É evidente que não estou dançando. Só estou caminhando na rua.

    Enquanto se prepara para lançar seu primeiro especial de comédia em 15 anos, Ellen flerta com a possibilidade de uma mudança gigante: aposentar-se do programa que carrega seu nome. Ela vem recebendo conselhos conflitantes de sua mulher, a atriz Portia de Rossi, e de seu irmão mais velho, o humorista Vance DeGeneres. E já mudou de ideia mais de uma vez.

    Neste momento em que sua carreira passa por uma transição, ela topou dar uma série de entrevistas ao longo de dois dias. Dentro do possível, herdou o cetro de Oprah Winfrey como a rainha dos talk-shows matutinos, oferecendo um oásis de positividade e humor escapista numa cultura carente de ambos. Mas com esse status solar vêm certos fardos e constrangimentos, como a já citada expectativa de que ela dance — prática que há dois anos deixou de lado em seu programa.

    Pessoalmente, ela é mais brusca, introspectiva e interessante do que no programa. Expressa certa irritação que poderia parecer fora de tom diante de milhões de espectadores. Também explora cantos sombrios de sua psique, arrependimentos, dúvidas e ansiedades. Ellen é honesta em relação às tensões de sua carreira, entre oferecer um ambiente cultural seguro e entregar risadas. Diz ter aprendido a se preocupar menos com aprovação.

    Parodiando a sua imagem acessível, o surpreendente especial “Relatable”, disponível na Netflix a partir de amanhã, não só revela uma versão irreverente de Ellen DeGeneres como também oferece um vislumbre do seu estado de espírito.

    Em contraste com sua imagem de “amiga da galera” e de boa ouvinte, ela se apresenta de forma irônica, caricata e indiferente, como se estivesse presa numa bolha de privilégio, fazendo várias piadas sobre sua própria fortuna (segundo a “Forbes”, ela ganhou US$ 85,5 milhões este ano, tornando-se a 15ª celebridade mais bem paga do mundo). Quando começa a falar dos assentos de um avião, admite que a parte de trás da aeronave é um completo mistério para ela.

    É um humor arriscado para uma apresentadora famosa por ser boazinha. Mesmo assim, as melhores piadas envolvem justamente a subversão da sua reputação. A comediante Tig Notaro considera esse stand-up “uma recompensa que demorou décadas”, completando: “Ellen é uma pessoa real, com uma boca suja”.

    Tig, que codirigiu o especial junto com Joel Gallen, diz que as piadas estão enraizadas na sinceridade.

    — De fato ela está num mundo em que as pessoas esperam que dance e seja boazinha o tempo inteiro — diz Tig, por telefone, acrescentando que Ellen, claro, é extremamente grata por tudo. — Com certeza algumas pessoas acham que ela não tem dias ruins. Mas tem.

    — Ela apresentou um programa por 16 anos. Mas existe uma segunda natureza. Ela quis se libertar não de uma rotina, mas de um padrão — diz Vance DeGeneres, ex-correspondente do programa “The Daily Show” e criador de esquetes para o “Saturday night live”.

    Ellen responde de outro jeito, enfatizando o tipo de expressão que o formato do stand-up permite.

    — Quis mostrar tudo de mim — diz ela. — No talk-show sou eu mesma, e ao mesmo tempo uma personagem. Há uma diferença sutil.

    Como os talk-shows diurnos atraem menos atenção do que os noturnos, Ellen é frequentemente ignorada nas discussões sobre os apresentadores mais importantes da TV. Mas não se engane: nenhuma outra apresentadora dessa faixa de horário é ou foi mais bem-sucedida ou celebrada. Entre sua vasta coleção de prêmios está a Medalha Presidencial da Liberdade, o Prêmio Mark Twain de Humor Americano e 32 Emmys. Tirando Conan O’Brien, ninguém iguala sua longevidade televisiva. Ellen já fazia brincadeiras com convidados anos antes de Jimmy Fallon transformá-las em prática rotineira no “ Tonight Show”.

    Em outubro, durante as gravações, chamou atenção o contraste entre o carisma minimalista de Ellen e a energia caótica da plateia. O público é encorajado a levantar e dançar, mas nem precisa da ordem. Já está pronto para se divertir, ao mesmo tempo em que ela projeta uma mistura aparentemente paradoxal de discrição e postura calorosa, acenando para as pessoas, ouvindo os convidados de maneira intensa, sem jamais forçar a barra. Trailer do especial "Relatable", de Ellen DeGeneres, na Netflix

    Com a confiança suprema de uma profissional que já viu de tudo, ela sai de um monólogo recheado de piadas pontuais para uma entrevista com um chef vítima de um câncer terminal. Em um segundo, está brincando com Sean Haynes (o Jack de “Will & Grace”); no outro, conversando com uma pessoa que protagonizou um vídeo viral. Ellen claramente se diverte, mas a energia permanece estável.

    Depois do programa — sem maquiagem, mas ainda parecendo uma década mais jovem, os olhos azuis saltando —, ela senta em seu escritório elegante e arejado, rodeada de pinturas. Analisa sua performance, ponto por ponto, com a autoridade de um médico explicando os resultados de um exame.

    Na manhã seguinte, usando roupas casuais, ela está em sua casa de praia. Um chef particular traz uma bebida. Ela diz que passou um ano tentando encontrar um tema para fazer piadas.

    — Eu costumava falar sobre comida de avião. Mas e agora? — pergunta.

    De repente, ela atende o telefone e fica em pânico. Desliga e explica que Portia de Rossi caiu do cavalo, teve uma concussão e foi levada ao hospital.

    — É o meu maior medo — ela afirma, ainda abalada. — Eu me preocupo com ela o tempo todo.

    O clima pesa e a entrevista de repente perde a importância. Mas, assim como faz em seu programa, Ellen muda a marcha de maneira natural, pede ao chef para trazer um chá gelado e explica como sua mulher ajudou no seu especial de comédia, indo a todas as apresentações, dando opiniões e até aparecendo no palco. Mais tarde, Portia chega em casa, machucada, mas bem.

    Recentemente, Ellen escolheu estender o contrato até o verão americano de 2020. Mas quase recusou. Ela muda de ideia o tempo inteiro. Seu irmão sugere que permaneça, argumentando que o país precisa de sua energia na era Trump.

    — Ela detesta quando meu irmão diz que eu não posso parar — diz Ellen, olhando para Portia.

    — Só acho que ela é uma atriz e comediante incrível. Há outras coisas que ela pode fazer — defende-se Portia.

    Ellen, que já fez várias dublagens, sendo a de Dory (de “Procurando Nemo”) a mais famosa, diz que adoraria fazer outro filme e interpretar “alguém desagradável”. Sua mulher menciona a possibilidade de trabalhar com rádio ou podcast.

    — Não vejo o fim do programa como o fim da carreira dela — defende Portia.

    Ellen sorri e reflete sobre o comentário. Então deixa de lado a resposta educada e vai direto para a piada:

    — Você tem uma concussão. Não sabe de nada.


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    RIO - O sucesso da cantora norueguesa Aurora Aksnes surpreendeu a crítica desde seu primeiro álbum, quando tinha só 19 anos. A voz firme e uma presença dançante fizeram o nome de Aurora deixar de ser um produto norueguês para se tornar fenômeno mundial. O brasileiro foi um dos públicos que mais abraçaram a proposta da artista: letras cheias de melancolia misturadas com a pujança da batida eletrônica.

    Links Toca no Telhado (29/11)Hoje, a cidade de São Paulo é o terceiro lugar em que ela é mais ouvida no Spotify, perdendo somente para Oslo e Londres. Em 2017, Aurora foi convidada para gravar a música de abertura da novela “Deus salve o rei”, da TV Globo. Voltaria para sua apresentação no Lollapalooza 2018, e já tem retorno marcado em 2019, quando vai se apresentar em cinco estados durante a turnê de seu segundo álbum, “Infections of a different kind (Step I)”.

    Aurora preencheu o estúdio do GLOBO com seu 1,60 metro de altura, ao gravar uma versão exclusiva de “Forgotten love”.

    — Tento cantar com meu corpo todo, mãos, dedos e expressões faciais. Posso contar histórias com eles.

    Além da dança, ela aposta em outras formas autorais de expressão, como uma linguagem imaginária que, aos poucos, vem sendo incluída nos álbuns. Os primeiros versos compostos nesse idioma estão no segundo refrão de “Forgotten love”.

    O pop norueguês da cantora Aurora

    Língua própria

    Os fãs imaginaram que os versos da música fossem em norueguês: “Hun går ferilisseræna féressu / Hun går férilisserana irsser”...

    — Comecei a construir a minha própria língua quando ainda era pequena. Era o que eu usava para falar com meus amigos imaginários. Acabei guardando isso comigo e, agora, quero incluir mais na minha música. As palavras têm um sentido, têm até um alfabeto. Vocês vão entender isso melhor no futuro. Por enquanto, é segredo.

    Aurora veio ao Brasil semana passada para participar da Comic Con Experience 2018, onde fez parte do painel da Disney. Ela esteve na produção de “Dumbo”, live-action com direção de Tim Burton e estreia mundial prevista para março. Os fãs tiveram a chance de ouvi-la cantar a faixa “Baby mine”, da trilha original da animação original (1941), conhecida na voz de Betty Notes.

    — Na minha primeira tour pelo Brasil, em 2017, percebi como as pessoas se envolvem com a música. Cheguei muito cansada em Curitiba, pousamos tarde da noite. Estava pronta para dormir quando ouvi um barulho, abri a janela e havia pessoas cantando minhas músicas lá embaixo, o álbum inteiro, em coro. Foi muito especial — contou a cantora em uma entrevista à televisão norueguesa.

    O sucesso com a novela impulsionou o nome de Aurora no Brasil, ao lado de eu show no Lollapalooza 2018. Ela atribui a boa recepção dos brasileiros à tentativa de encontrar conforto nos sentimentos negativos, transformando sensações ruins em dança, luz e ritmo:

    — Nós expressamos emoções de jeitos diferentes, mas no fundo sentimos o mesmo. Eu gosto de escrever coisas que alguém, em algum lugar, vai se sentir melhor ouvindo. As pessoas ficam muito solitárias, mesmo quando não estão sozinhas. Eu me sinto atraída por esses sentimentos que não deveríamos ter, é de onde vem a minha inspiração.

    Influências

    Influenciada pela suavidade de Leonard Cohen, pelo folk de Bob Dylan e pelo new age da irlandesa Enya a jovem Auroa constrói seu espaço. Nascida em 1996, na cidade de Stavanger, conheceu o piano aos 6 anos e começou a compor aos 9.

    — Eu pensava muito quando era criança, foi bom ter um lugar para descarregar isso. Não queria que ninguém ouvisse, era só para mim. Não acho que meus pais sabiam que eu cantava até os meus 15 anos— contou ao GLOBO. — Levou tempo até que eu mostrasse a alguém. Não queria ser artista. Minha mãe insistiu, achava que eu precisava dividir isso com as pessoas.

    Links Toca noTelhado 2Pegando carona na vibe eletrônica, hoje popular nos países nórdicos, Aurora lançou seu primeiro single em 2012, seguido por outros trabalhos, até o lançamento de seu EP de estreia, “Running with the wolves” de 2015. No ano seguinte veio “All my demons greeting me as a friend”, seu primeiro álbum de estúdio, aos 19 anos. No segundo semestre de 2018, “Infections” a consolidou como um fenômeno dentro e fora da Noruega.

    Misturando a textura eletrônica com um toque grave e seus vocais agudos e emotivos, Aurora trabalha em uma cena pop atormentada, semelhante à de artistas como Lykke Li e Lorde. Ela também foi ouvida em covers como “Half the world away”, do Oasis, e “Life on Mars?”, de David Bowie, presente na trilha sonora da série “Girls” (HBO).


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    RIO — Roger Waters está liderando a lista de turnês mais lucrativas do momento segundo publicou a "Billboard". Com seus dois shows em Buenos Aires, na Argentina, ele faturou US$ 5,3 milhões e vendeu 80.693 ingressos nos dias 6 e 10 de novembro. Somando a arrecadação de sua passagem pelo Brasil, a turnê sul-americana "Us + Them" chega ao montante de US$ 29,6 milhões em 10 shows, tendo alcançado 416.759 fãs.

    Enquanto o faturamento de US $ 5,3 milhões na Argentina é suficiente para ele chegar ao topo do ranking da Hot Tours, a maior bilheteria de Waters na América do Sul este ano ( e em toda a história da turnê "Us + Them") foram as duas noites no Allianz Parque em São Paulo. Links Roger Waters

    Nos dias 9 e 10 de outubro, ele arrecadou US $ 6,5 milhões. As duas apresentações foram também as com maior público: 81.545 ingressos, uma diferença de apenas 852 para as últimas em Buenos Aires.

    As apresentações do co-fundador do Pink Floyd no Brasil foram marcados pela manifestação contra a então candidatura do presidente eleito Jair Bolsonaro, além de homenagens à Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em março deste ano.


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    RIO — Já chegou o natal. Bom, na verdade, ainda falta um pouco até a celebração do dia 25. Mas, para uma lista recheada de músicos o clima natalino já está no ar. A temporada de álbuns especiais da data já está aberta e selecionamos uma lista dos destaques para ir se preparando para a ceia.

    Eric Clapton, 'Happy Xmas'

    A lenda da guitarra faz sua estreia no ramo natalino trazendo seu blues-rock aos clássicos de fim de ano. E chega em grande estilo com canções inéditas como ‘For Love On Christmas Day’, além de releituras de “White Christmas” e do clássico de Charles Brown “Merry Christmas Baby”. Eric clapton musica

    Gwen Stefani, 'You make it feel like christmas'

    O álbum da ex-vocalista do No Doubt tem um cover de "Feliz Navidad", que conta com participação estrela latina Mon Laferte. O disco tem ainda duas músicas originais, além de outras releituras de clássicos. Musica gwen

    John Legend, 'A legendary christmas'

    Outro estreante na seara musical natalina, Legend chega com todo seu soul para animar a festa. Um dos destaques do disco é versão "What Christmas Means to Me", de Stevie Wonder, com uma participação especial do próprio homem. John Legend

    Nat King Cole, 'The christmas song'

    Originalmente lançado como "The Magic Of Christmas" em 1960, o clássico álbum de Cole ganha versão digital com cinco faixas bônus, entre elas o dueto da canção que dá título ao trabalho com Natalie Cole. Nat disco

    Pentatonix, 'Christmas is here'

    O disco é o terceiro set de natal do grupo a cappella americano. "Making Christmas" e "Valsa das fllores" de Tchaikovsky são alguns dos temas vocalizados pela banda. Pentatomix musica

    Jessie J, 'This christmas day'

    A britânica sensação do pop gravou seu primeiro álbum com temas natalinos. Com covers jazzísticos, ela fez releituras de músicas da época do papai noel como "Winter Wonderland" e "Silent Night". Musica Jessie j


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    RIO - Uma crise de gestão é a principal causa do fim da ProArte — instituição cultural que mantém uma escola de música com 61 anos de tradição e que hoje oferece 26 cursos. O encerramento de suas atividades foi noticiado no último dia 14 por Ancelmo Gois. O diretor Rodrigo Bastos, à frente da instituição há 10 anos, conta que anunciou sua saída no fim de seu mandado, em junho de 2019, e ninguém se dispôs a se candidatar à sucessão. O estatuto da ProArte determina que o corpo diretor seja formado por professores da escola.

    — A ProArte vem passando há mt tempo por problemas financeiros, pela diminuição do número de alunos, como noticiou Ancelmo. Perdemos nos últimos anos o patrocínio da Petrobras à nossa Orquestra de Sopros, além de editais da Prefeitura que respondiam por parte da nosa verba — conta Bastos. — Apesar desses contratempos, a ProArte não fechou. Fizemos adequações, conseguimos trabalhar com o mínimo. Mas com minha saída, ninguém quis continuar com a direção da escola. Decidimos então encerrar as atividades.

    Ideia é que escola reabra no futuro

    Bastos informa que a ProArte não tem dívidas — e a ideia de fechar tem relação com o desejo de que ela se mantenha assim. Até porque, acredita o diretor, o fechamento da instituição pode ser a melhor forma de garantir sua sobrevivência. Segundo ele, o estatuto (que é o mesmo desde 1957) engessa a administração, obrigando que a gestão seja feita por professores, de maneira não remunerada:

    — Encerrando a escola, encerro os passivos. Quem quiser se dispor a assumir começa do zero — diz Bastos, que lamenta que nenhum sucessor tenha se apresentado. — Isso é do comprometimento de cada um. Pra mim é decepcionante, mas é como está acontecendo. Esse nosso último passo, fechar a ProArte, pode permitir que se costurem parcerias, para que a escola volte a funcionar noutro contexto, de forma mais moderna. Atualmente ela é uma escola de música administrada por músicos que não entendem de administração, como eu. Fazemos o melhor que podemos, mas está longe de ser o melhor possível. Temos tradição, mas não temos marketing, administração. A escola tem que se adaptar ao mercado de hoje.

    A localização da escola — na Rua Alice, em Laranjeiras ("ficamos escondidos, numa área cada vez mais perigosa, os pais dos alunos ficam preocupados") — também é um problema, explica Bastos. Uma parceria com o Castelinho do Flamengo está sendo estruturada, para ajudar na manutenção sobretudo de grupos de excelência formados na escola, como a Orquestra de Sopros e o Coro de Câmera.

    — Esses grupos devem continuar — acredita Bastos.


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