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    RIO — O filme "Contramaré", lançado pelo GLOBO em março deste ano, foi agraciado com o prêmio de melhor documentário do São Paulo Film Festival. Dirigido por Daniel Marenco, fotojornalista da casa, o curta-metragem de 28 minutos mostra o dia a dia da Orquestra Maré do Amanhã, fundada por Carlos Eduardo Prazeres no Complexo da Maré, conjunto de favelas na Zona Norte do Rio. Crianças, adolescentes e jovens aprendem música clássica no projeto, que existe há 8 anos.

    Orquestra — A importância de receber esse prêmio é mostrar a história dos moleques. Como o projeto mudou as vidas desses jovens — afirmou Marenco. — A primeira coisa que fiz quando recebemos o prêmio foi ligar para o pessoal da orquestra e postar nos grupos que temos. Eles ficaram radiantes com essa conquista.

    No documentário, alunos e professores falam das dificuldades de se ministrar e frequentar as aulas do projeto quando acontecem confrontos na favela. Apesar dos empecilhos, a orquestra alça voos cada vez maiores, como tocar na festa da virada na praia de Copacabana, no Theatro Municipal e até no Vaticano, com a presença do Papa Francisco.

    — Desde o começo, nós tínhamos em mente fazer um documentário. Queríamos algo aprofundado. Sabíamos que a história da orquestra merecia ser contada dessa forma, com cuidado — disse Marenco, que passou nove meses na concepção e execução do curta.

    ContraMaré - Um documentário sobre a superação pela música

    O projeto possui uma orquestra principal, composta por 36 jovens, e duas orquestras mirins, com cerca de 400 crianças e adolescentes, além de outros 3 mil alunos de creches e Espaços de Educação Infantil (EDIs) da comunidade. Alunos mais velhos são capacitados para virarem professores dos mais novos e recebem uma bolsa-auxílio no valor de um salário mínimo.

    Além do São Paulo Film Festival, "Contramaré" esteve nas seleções do 5º Festival Brasil de Cinema Internacional, no Museu de Arte Moderna (MAM), e do Cityflix Internacional Film Festival, de Toronto, no Canadá. "A guerra do Brasil", outro documentário produzido pelo GLOBO, venceu o troféu de melhor vídeo nos Prêmios ÑH e foi exibido no festival Anima Mundi deste ano. Com direção e ilustrações de Alessandro Alvim, o curta traz dados sobre a violência no país.

    — Nosso objetivo é sempre passar adiante informações, com jornalismo. Para isso, tentamos incorporar outras linguagens e imaginar outros formatos. A partir daí temos feito documentários que tratem de temas relevantes para nossos "leitores-espectadores" — acredita André Miranda, editor de videojornalismo do jornal. — Isso pode ser feito com técnicas de cinema, como foram os casos de "A Guerra do Brasil" e o "Contramaré", ou até com um tanto de comédia, como foi o "Tutorial dos Candidatos" apresentado pelo Marcelo Adnet.


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    SÃO PAULO — Desde sua fugaz aparição em "Batman vs Superman: A origem da Justiça" (2016), o Aquaman encarnado por Jason Momoa vinha alimentando a expectativa dos fãs de filmes de super-heróis. A espera acaba nesta quinta-feira, quando entra em cartaz o longa do personagem dos quadrinhos que até muito recentemente era parodiado e ridicularizado em séries de animação como "Robot Chicken" e "Bob Esponja". Quem não se lembra do decrépito Homem-Sereia, que vivia aparecendo na Fenda do Biquíni?

    Links AquamanCoproduzido por Zack Snyder e dirigido pelo prodigioso James Wan, "Aquaman" traz a origem do herói aquático que, ao ser criado, em 1941, ostentava cachos loiros e curtos, a cara lavada e o insuspeito poder de se comunicar com os seres marinhos por meio de telepatia — assim, fica mais fácil explicar a inclinação ao ridículo.

    Com a tez morena, os cabelos compridos e a barba revolta, a versão do imponente Momoa (1,93m) para o personagem no cinema está a anos-luz de distância do modelo de feições arianas idealizado originalmente por Paul Norris e Mort Weisinger.

    Além da forma, há também mudanças no comportamento. O novo Aquaman não tem nada de altivo ou nobre. É sarcástico, rebelde, briguento e beberrão. Nesse sentido, Momoa não se faz de rogado quando lista aquilo que o aproxima do personagem.

    — Não sou assim tão angustiado como ele — brinca o ator, conhecido como o Khal Drogo, de "Game of Thrones", e o Conan na versão de 2011. — Mas as sacadas, as tiradas engraçadas e aquele gosto pela cerveja...

    80284665_LOS ANGELES CA - DECEMBER 12 L-R Nicole Kidman Jason Momoa and Amber Heard arrive at th.jpgA angústia vem do fato de Aquaman nunca ter conhecido sua mãe, Atlanna (Nicole Kidman), rainha de Atlantis. Meio humano, meio ser dos mares, o jovem Arhur Curry cresce e desenvolve poderes superespeciais. Mas, quando uma revolta nos sete reinos ameaça o equilíbrio natural entre esses dois mundos, ele é chamado a disputar com o meio irmão, Orm (Patrick Wilson), o direito pelo trono.

    — Gosto do fato de ele ser de dois lugares, porque é mais ou menos como eu cresci — diz Momoa, nascido em Honolulu, no Havaí, mas criado pela mãe no Iowa — São mundos muito diferentes, mas eu gosto dos dois. Tem também o fato dele ter a pele escura, o que até pouco tempo atrás não era muito comum. Acho que isso é um posicionamento em relação à diversidade.

    80282459_HOLLYWOOD CALIFORNIA - DECEMBER 12 Patrick Wilson L and James Wan attend the premiere o.jpgDiretor de grandes sucessos de público como "Jogos mortais" (2005), "Invocação do mal" (2013) e "Velozes & furiosos 7" (2015), James Wan foi chamado para assumir "Aquaman" com o projeto já em andamento. Wan conta que tinha duas opções de escolha, o herói marinho e o Flash.

    — Há quatro anos, Aquaman parecia ser a melhor escolha — explica o jovem de 30 e poucos anos com os cabelos pontilhados por luzes vermelhas e muita energia. — Queria fazer algo diferente e ninguém, na época, parecia dar muita importância para ele. Mas parece que as coisas foram crescendo e hoje estamos aqui, com todos esses holofotes.

    Quando diz que queria fazer algo diferente, Wan não está economizando na definição. "Aquaman" realmente se distancia do modelo clássico de adaptação de super-heróis para o cinema, com personagens atormentados em mundos sombrios — um tom que foi estabelecido principalmente pelos filmes da Marvel e seguido, ate o momento, no Universo Estendido da DC. O seu primeiro filme de super-herói tem seus momentos de seriedade, mas é um festival de luz e alívios cômicos involuntários especialmente quando vai para debaixo d'água.

    — Não queria me demorar muito no mundo real — diz o agitado diretor, rindo sempre e procurando vídeos dos testes de filmagem para mostrar aos jornalistas como os efeitos de suspensão na água haviam sido captados. — Queria que fosse algo único, com um colorido e uma dinâmica própria. Foi complicado filmar aquilo tudo, mas o resultado me deixou muito feliz porque acho que consegui aquele efeito de encantamento quando se vê algo diferente, como em "Avatar" ou "O senhor dos anéis".

    Uma sequência de "Aquaman" vai depender da performance do filme nas bilheterias. Mas a perspectiva, de acordo com Wan e Momoa, é boa. Além do mais, como se sabe, o herói é um potencial rei.

    — Olha aquilo — diz Momoa, apontando para um cartaz, na sala, em que Aquaman veste seu uniforme e empunha o tridente real. — Ele é o rei. Tem que continuar contando sua história.

    aquaman2.jpg


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    RIO — Para Keith Richards, os tempos de boemia ficaram para trás. Conhecido por beber sem moderação, o lendário guitarrista do Rolling Stones afirmou ter parado de ingerir bebidas alcoólicas "há cerca de um ano".

    "Dei um fim nisso. Fiquei farto", contou Richards à revista "Rolling Stone", quase homônima do grupo de que faz parte. "Estava na hora de parar."

    Keith RichardsComo ninguém é de ferro, Richards admite que toma "uma taça de vinho ocasionalmente e uma cerveja". Para evitar recaídas, o música conta com o apoio de um veterano na luta contra o vício em álcool: Ron Wood, também guitarrista dos Stones.

    "Ele está muito mais maduro. Está aberto a mais ideias, enquanto antes eu meio que cerrava os dentes e dizia 'Ele vai brigar comigo por dizer isso'. Agora ele diz 'Beleza, cara"", relata Wood, sóbrio há oito anos.

    A novidade teve impacto até nas apresentações ao vivo da banda:

    "Foi interessante tocar sóbrio", assinala Richards.

    Wood concorda com o parceiro:

    "Nós estamos entrelaçando (as partes de guitarra) muito mais conscientemente agora. Estamos muito mais cientes dos intervalos e dos espaços entre elas. Temos mais de 70 anos, mas ainda estamos tocando como se tivéssemos 40, sabe?"


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    RIO — Uma câmera de reconhecimento facial foi usada pela produção do show de Taylor Swift para identificar possíveis perseguidores da cantora. A história, revelada só agora pela revista "Rolling Stone", aconteceu em maio deste ano.

    Os fas que foram ao Los Angeles Rose Bowl nem imaginavam, mas, quando a cantora se apresentou no local, quem entrou num quiosque especial para ver clipes de ensaios foi filmado pelo equipamento, escondido na estrutura. As imagens foram cruzadas com outras, de centenas de perseguidores conhecidos de Swift, que estão armazenadas num banco de dados em Nashville.

    Mike Downing, diretor de segurança do Oak View Group, um conselho consultivo para locais como o Madison Square Garden e o LA's Forum, disse à revista: "Todo mundo que passava parava e olhava, e o software começava a funcionar". Ele foi convidado para testemunhar uma demonstração do sistema como convidado de seus fabricantes.

    Swift tem vários perseguidores (stalkers) conhecidos. Em setembro, ela conseguiu uma ordem judicial contra Eric Swarbrick, que a vinha assediando em cartas com ameaças de estupro e homicídio desde setembro de 2016. Em abril, Julius Sandrock foi preso em frente à sua casa, em Beverly Hills. Ele, que estava usando uma máscara e tinha uma faca no carro, contou à polícia que havia dirigido do Colorado para visitá-la. Swift conseguiu na Justiça uma ordem de restrição contra ele em maio.

    No mesmo mês, Mohammed Jaffar foi condenado a seis meses de prisão e cinco anos de liberdade condicional por roubo depois de ter aparecido na casa de Swift, em Nova York, cinco vezes em dois meses.

    De acordo com o jornal "The Guardian", alguns espectadores do show levantaram preocupações com a privacidade em relação à propriedade e ao armazenamento das imagens. Ainda assim, como os shows são eventos tecnicamente privados, a cantora não teria obrigação de notificar os titulares de ingressos de que eles podem ser vigiados.

    O uso de software de reconhecimento facial está aumentando em eventos públicos no exterior. A Ticketmaster investiu na startup Blink Identity, que tem como objetivo acompanhar o movimento dos fãs nos eventos. A empresa de inteligência artificial israelense AnyVision disse que está trabalhando com uma arena londrina (de nome não revelado) para reduzir os gargalos nas catracas.

    Em abril, a polícia chinesa usou a tecnologia para prender um homem que estava em um show de Jacky Cheung em Nanchang. Procurado por “crimes econômicos”, ele foi localizado em meio a uma multidão de 60 mil pessoas.

    Um relatório recente da ONU criticou o uso de reconhecimento facial pela polícia no sul de Gales, durante uma manifestação pacífica, como "desproporcional e desnecessária".


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    SÃO PAULO — José Olympio da Veiga Pereira, de 56 anos, eleito presidente da Fundação Bienal de São Paulo nesta terça-feira (11), é engenheiro civil formado pela PUC-Rio e presidente do Credit Suisse no Brasil. Herdou da avó, Vera Pacheco Jordão, o gosto pelas artes. Vera era crítica de artes plásticas e manteve uma coluna no GLOBO. Do avô, herdou o nome. Ele é neto do José Olympio Pereira Filho, fundador da editora que hoje é parte do Grupo Editorial Record. Foi José Olympio, o avô, quem convenceu Graciliano Ramos a batizar seu livro “Vidas secas” em vez de “Um mundo coberto de penas”.

    – Eu cresci muito próximo ao meio artístico e intelectual. Minha avó era crítica de arte, meu avô era editor – disse Veiga Pereira ao GLOBO. – Sempre tive uma paixão visceral pelas artes, uma coisa que vem de dentro mesmo.

    Veiga Pereira é um dos principais colecionadores de arte do país, dono de um acervo de mais de 2 mil obras – 95% delas são brasileiras. Ele não quis se estender muito sobre o “José Olympio pessoa”, mas confessou que tem preferência pelo abstracionismo geométrico, que combina com sua “cabeça racional de engenheiro”.

    Veiga Pereira participa do Conselho de Administração da Bienal desde 2009, quando toda a governança da Fundação foi renovada para superar uma crise financeira. Ele liderou a criação e presidiu o Conselho Consultivo Internacional, que tem membros do mercado de artes de todo o mundo e tem inspiração em boas práticas de outros países.

    Ele também participa dos conselhos do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e do Tate Modern, em Londres, e do Board of Trustees do New Museum, também em Nova York. Integra também o Comitê de Aquisições da Foundation Cartier, em Paris. No Brasil, faz parte do conselhos dos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.

    Veiga Pereira se diz “muito animado e honrado” com a missão de liderar os esforços da Bienal e disposto a trabalhar para ajudá-la a cumprir seu “papel histórico de promover o intercâmbio entre a arte brasileira e arte global”. Ele tomará posso no dia 2 de janeiro de 2019. O mandato dura dois anos e pode haver reeleição.

    – Diferentemente de outras bienais, de outros países, a Bienal de São Paulo atente a um público não especializado em arte, pois a entrada é franca. A última edição (a 33ª, que terminou no domingo, dia 9), recebeu mais de 750 mil visitantes – disse. – Meus principais planos são contribuir para unir a todos em torno das artes, mostrando que os diferentes podem conviver, especialmente em tempos como os que vivemos.

    Nos últimos tempos, os museus estiveram sob ataque conservador de parcelas da população que exigiram o fechamento de exposições, como a “Queermuseum” e associaram performances artísticas a pedofilia, como a “La Bête”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Para evitar conflitos como esse e assegurar a liberdade artística, Olympio propõe que os museus reforcem a classificação indicativa, alertando os frequentadores sobre “obras fortes e sensíveis”.

    – Queremos assegurar a liberdade de expressão e evitar o risco de, inadvertidamente, agredir alguém. Podemos exibir obras fortes e sensíveis, mas, para que elas não agridam ninguém involuntariamente, podemos avisar os visitantes que se trata de material sensível para ele decida se quer se expor, ou expor seus filhos, a ele. A decisão é do público – explicou. — É como no cinema e na televisão, com aqueles avisos sobre cenas de nudez ou violência. A liberdade de expressão e a não agressão ao espectador são compatíveis.

    Veiga Pereira considera a Lei Rouanet, que também esteve sob ataque recentemente, “fundamental para o suporte de todas as instituições culturais brasileiras”, mas sustenta que ela pode ser aperfeiçoada. Ele lembra que menos da metade dos recursos da Bienal provém dos incentivos fiscais da Lei Rounet. O restante vem de doações privadas, patrocínio internacional e outras fontes.

    Quando às políticas culturais do próximo governo, ele está ansioso para saber quem será nomeado pelo presidente eleitor Jair Bolsonaro secretário da Cultura, que integrará o Ministério da Cidadania.

    – Faço votos de que o presidente escolha uma pessoa com experiência e capacidade – disse. – O fato de a Cultura ter perdido status de ministério não quer dizer que ela vai perder relevância. Ela pode ser valorizada como secretaria. Depende do cuidado que o governo dedicar a ela e da competência dos gestores.


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    RIO — Uma câmera de reconhecimento facial foi usada pela produção do show de Taylor Swift para identificar possíveis perseguidores da cantora. A história, revelada só agora pela revista "Rolling Stone", aconteceu em maio deste ano.

    Links Taylor SwiftOs fãs que foram ao Los Angeles Rose Bowl nem imaginavam, mas, quando a cantora se apresentou no local, quem entrou num quiosque especial para ver clipes de ensaios foi filmado pelo equipamento, escondido na estrutura. As imagens foram cruzadas com outras, de centenas de perseguidores conhecidos de Swift, que estão armazenadas num banco de dados em Nashville.

    Mike Downing, diretor de segurança do Oak View Group, um conselho consultivo para locais como o Madison Square Garden e o LA's Forum, disse à revista: "Todo mundo que passava parava e olhava, e o software começava a funcionar". Ele foi convidado para testemunhar uma demonstração do sistema como convidado de seus fabricantes.

    Swift tem vários perseguidores (stalkers) conhecidos. Em setembro, ela conseguiu uma ordem judicial contra Eric Swarbrick, que a vinha assediando em cartas com ameaças de estupro e homicídio desde setembro de 2016. Em abril, Julius Sandrock foi preso em frente à sua casa, em Beverly Hills. Ele, que estava usando uma máscara e tinha uma faca no carro, contou à polícia que havia dirigido do Colorado para visitá-la. Swift conseguiu na Justiça uma ordem de restrição contra ele em maio.

    No mesmo mês, Mohammed Jaffar foi condenado a seis meses de prisão e cinco anos de liberdade condicional por roubo depois de ter aparecido na casa de Swift, em Nova York, cinco vezes em dois meses.

    De acordo com o jornal "The Guardian", alguns espectadores do show levantaram preocupações com a privacidade em relação à propriedade e ao armazenamento das imagens. Ainda assim, como os shows são eventos tecnicamente privados, a cantora não teria obrigação de notificar os titulares de ingressos de que eles podem ser vigiados.

    O uso de software de reconhecimento facial está aumentando em eventos públicos no exterior. A Ticketmaster investiu na startup Blink Identity, que tem como objetivo acompanhar o movimento dos fãs nos eventos. A empresa de inteligência artificial israelense AnyVision disse que está trabalhando com uma arena londrina (de nome não revelado) para reduzir os gargalos nas catracas.

    Em abril, a polícia chinesa usou a tecnologia para prender um homem que estava num show de Jacky Cheung em Nanchang. Procurado por “crimes econômicos”, ele foi localizado em meio a uma multidão de 60 mil pessoas.

    Um relatório recente da ONU criticou o uso de reconhecimento facial pela polícia no sul de Gales, durante uma manifestação pacífica. Foi "desproporcional e desnecessário", segundo a organização.


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    RIO - Morreu no Rio, aos 89 anos, no último dia 28, de diabetes, o violonista e arranjador paranaense Waltel Branco, anunciou sua família nesta quinta-feira. Cultuado artista, ele foi arranjador de gravações antológicas do cinema (como a da trilha de "A pantera cor-de-rosa", de Henry Mancini) e da MPB (como o "Azul da cor do mar" de Tim Maia, o "Bastidores" de Cauby Peixoto e o "Faz parte do meu show", de Cazuza).

    Waltel também ficou conhecido como autor dos arranjos (e às vezes, também dos temas) de trilhas sonoras de novelas da Globo nos anos 1970 ("O bofe", "Selva de Pedra", "Escrava Isaura", "Irmãos Coragem"), além de compositor e intérprete de peças para violão.

    Natural da cidade de Paranaguá, Waltel veio de uma família musical — mas, quando criança, o violão ainda era tido em casa como coisa de vagabundo. Para dobrar o pai, ele aceitou estudar os clássicos. Ainda jovem, veio para o Rio de Janeiro, para gravar com o acordeonista italiano Claudio Todisco. No estúdio, o arranjador Radamés Gnatalli ficou intrigado com aquele violonista que sabia ler partituras — e imediatamente ofereceu emprego. Era tudo o que Waltel queria: a chance de trabalhar e de estudar no Rio.

    Mas o rapaz não ficaria na cidade por muito tempo. Em turnê pelo Brasil, a cantora cubana Lia Ray garfou o violonista para a sua banda. Ele seguiu com Lia pela América Latina, parou em Cuba e acabou morando lá durante dois anos, durante os quais mergulhou na música de Perez Prado e Mongo Santamaría. A parada seguinte de Waltel foi nos Estados Unidos, onde estudou jazz e deu aulas de violão clássico.

    Quando desembarcou de volta no Rio, ele estava pronto para cair na cena da bossa nova, onde conheceu João Gilberto e participou, como músico e arranjador, de discos de Flora Purim, Dom Um Romão, J.T. Meirelles e os Copa 5, Orlandivo, Luiz Carlos Vinhas, entre outros.

    No começo dos anos 1960, o nome de Waltel enfim saiu das fichas técnicas e foi para a capa, com o lançamento, pela gravadora Musidisc, de "Guitarras em fogo", um disco de sambalanço à la Ed Lincoln. "Quem fez o violão base do LP foi um aluno meu, o Baden Powell", revelou o arranjador, em entrevista ao GLOBO em 2012.

    Na onda da pantera

    Já em 1963, Waltel foi trabalhar com Henry Mancini como um dos arranjadores da trilha do filme "A Pantera Cor de Rosa". Ele retribuiria a honra com um LP, "Mancini também é samba", lançado em 1966 pelo selo Mocambo e relançado, mais de 30 anos depois, pelos americanos da Whatmusic.

    A virada da vida de Waltel foi em 1965, com a inauguração da TV Globo. Convidado por Roberto Marinho, ele foi cuidar das trilhas das novelas. Às vezes, compunha os temas (caso de "Assim na Terra como no Céu", de 1971, cujo "Tema da zorra" foi regravado em 2003 no disco "Sincerely hot", do Domenico + 2), mas, na maior parte das vezes, era o arranjador das canções. Um dos seus trabalhos mais notáveis é o de "Retirantes", de Dorival Caymmi, que abria a novela "Escrava Isaura" (1976). "Ela tinha uma parte cantada que eu achei melhor que ficasse sem letra. E acabou que aquele 'lerê-lerê' fez o maior sucesso", lembrou o músico em 2012. Waltel Branco ‎– Meu Balanco (Full Album) 1975

    Em 1975, Waltel Branco lançou um curioso LP instrumental: "Meu balanço", um combinado de funk (exercitado por ele em trabalhos com Tim Maia, Cassiano e Toni Tornado), samba, jazz e lounge. O disco passou em brancas nuvens na época, mas virou sensação na Inglaterra, 20 anos depois, na badalada cena do acid jazz. "Eu estava fazendo arranjos para um disco do Roberto Carlos e havia umas horas de estúdio sobrando. Escrevi os arranjos em uma hora, e gravamos o disco com a banda em duas", contou ele ao GLOBO.

    19249789_Rio de Janeiro RJ 07-11-1978 Waltel Branco maestro e violonista - Eliminatória do concur.jpgOutra passagem reveladora de Waltel nos anos 1970 foi quando ouviu as canções e a voz de um jovem alagoano e resolveu convencer a Som Livre a gravar um disco com ele. Era ninguém menos que Djavan, que estrearia em LP em 1976 com "A voz, o violão, a música de Djavan".

    Em 2012, o paranaense foi homenageado com o lançamento do CD "O violão plural de Waltel Branco", em que composições suas foram gravadas por violonistas de renome como Guinga, Marco Pereira, Paulo Bellinati e Ulisses Rocha.


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    O ano contou com safra variada de destaques nacionais e estrangeiros, com direito a obras de poesia, contos, romances históricos e quadrinhos. Os livros foram selecionados com votos de Afonso Borges (blogs.oglobo.globo.com/afonso-borges), Bolívar Torres, Cora Rónai (colunista), Emiliano Urbim, Jan Niklas e Ruan de Sousa Gabriel.

    Links melhores do ano

    Os principais livros de ficcção de 2018

    ‘O coração pronto para o roubo’

    Manuel António Pina_Crédito_Alfredo Cunha_SPA.jpgJustiça tardia ao grande poeta português Manuel Antonio Pina (1943-2012), que ganhou sua primeira antologia poética no Brasil. Os pouco mais de 80 poemas selecionados pelo professor de literatura Leonardo Gandolfi mostram o lado melancólico e debochado do autor.

    'O romance luminoso'

    76436904_Mario Levrero Companhia das Letras Divulgação O romance luminoso Copy Eduardo Abel Gimenez.jpgUm escritor conhecido em seu país ganha uma bolsa para terminar um romance. Só que, com bloqueio criativo, abandona seu projeto e começa a registrar a sua própria ociosidade. Em uma espécie de hino à procrastinação, Mario Levrero se coloca a nu e mergulha fundo em suas neuroses.

    ‘O crime do Cais do Valongo’

    77078428_SC Rio de Janeiro RJ 31-05-2018 Resenha do livro O crime do cais do Valongo Escritora.jpgExplorando os códigos de uma clássica história policial, que mistura figuras reais do Rio de Dom João VI e personagens inventados, Eliana Alves Cruz revisita os traumas da diáspora africana. Pitadas de elementos sobrenaturais temperam uma reconstrução histórica vigorosa da cidade.

    ‘Nuvens’

    hilda_machado.jpgSegredo bem guardado da nossa literatura, Hilda Machado (1951-2007) ganhou sua primeira publicação mais de dez anos após sua morte. Com vocação para invisibilidade, seus versos discretos revelam uma poeta com dicção própria, repleta de autoironia e frustração com a própria arte.

    ‘O sol na cabeça’

    76955609_SC Rio de Janeiro RJ 24-05-2018 - O escritor Geovani Martins novo colunista do Segundo Cade.jpgCriado em Bangu, na Rocinha e no Vidigal, Geovani Martins vendeu os direitos de seu livro para nove países. Mas seus contos passam longe do clichê “favela para gringo ver”. Reproduzindo a oralidade local (como no já famoso “Rolezim”), o autor estreante apresenta uma periferia complexa e multifacetada.

    ‘Alguns humanos’

    MZL-4147.jpgUm pigmeu africano é exposto como um animal ao público novaiorquino. Uma mulher com uma doença que a faz parecer um macaco é comprada para se apresentar em espetáculos. Os fatos reais serviram de ponto de partida para os contos da elogiada estreia de Gustavo Pacheco.

    ‘Caderno de memórias coloniais’

    isabela figueiredo.jpegDestaque da Flip 2018, a portuguesa Isabela Figueiredo fez de suas memórias um acerto de contas com o passado de seu país. Os relatos de sua infância em Moçambique denunciam o racismo dos brancos radicados nas colônias, a partir de um ponto de vista íntimo e familiar.

    ‘A biblioteca elementar’

    57415433_SC Rio de Janeiro RJ 28-04-2016 - O escritor Alberto Mussa lanca seus %27Contos Completos.jpgCom o opus final do “Compêndio mítico do Rio de Janeiro”, sua monumental arqueologia literária do Rio, Alberto Mussa volta a resgatar mitologia e o folclore da cidade. No quinto volume da série, a trama ocorre numa comunidade de ciganos que viveu na Rua do Egito, atual da Carioca, em 1733.

    ‘Sem volta’

    Em um ano morno para os quadrinhos, o lançamento, em um só volume, da trilogia de Charles Burns, foi um alento. Um dos mais prestigiados quadrinistas da atualidade viaja pelos caminhos incertos e escorregadios da memória, perdendo-se com júbilo em cenários surrealistas.

    ‘As luas de Júpiter’

    34369876_FILE -- Alice Munro a Canadian short-story writer in Clinton Ontario Canada June 23 2013 Mu.jpgOs onze contos do livro de Alice Munro, Nobel de Literatura em 2013, têm ao menos uma característica em comum: são todos narrados ou protagonizados por mulheres. A obra da canadense esmiúça os sentimentos femininos e as dificuldades das relações humanas.

    Os principais livros de nao ficcção de 2018

    ‘Valsa brasileira’

    laura-carvalho.jpgUm livro de economia nas listas de mais vendidos? Sim, a professora-doutora da USP Laura Carvalho provou que é possível. Com linguagem acessível, analisa os erros que levaram a derrocada econômica no governo Dilma e Temer, após anos de prosperidade, e analisa a ligação entre as decisões políticas e a economia.

    ‘Como as democracias morrem’

    74887655_Steven Levitsky (1).jpgEm um ano de eleições turbulentas e polarização política, o livro de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt serviu como um farol para muitos leitores inquietos com os rumos da democracia. Os dois conceituados professores de Harvard explicam o fenômeno do ressurgimento do autoritarismo, comparando as ascensões do nazi-fascismo nos anos 1930 e os movimentos populistas de extrema-direita dos dias de hoje.

    ‘Um ano depois’

    40351140_PROJETO 2000 - CENA DO FILME A CHENESA - NO ELENCO ANNE WIAZEMSKY E JEAN-PIERRE LÉAUD.jpgAs turbulências de Maio de 68 na França pelo olhar privilegiado de Anne Wiazemsky. A atriz e escritora viveu os eventos de forma intensa, com algumas das principais figuras da época, incluindo Jean-Luc Godard, então seu marido. Um relato da vida de uma jovem mulher no fim dos anos 1960.

    ‘Medo: Trump na Casa Branca’

    78697960_FILES This combination of file photos created September 4 2018 show Associate Editor of the.jpgMais um livro bombástico de Bob Woodward, repórter que cobriu o escândalo Watergate nos anos 1970. Agora o alvo é o atual presidente americano, Donald Trump. Woodward teve acesso a documentos e entrevistas que expõem o ambiente disfuncional da Casa Branca.

    ‘Ser republicano no Brasil Colônia’

    78610306_SC Rio de Janeiro RJ 30-08-2018 - Heloisa Starling historiadora lanca livro Ser Republi.jpgA historiadora Heloisa Starling faz um raio-x das diversas conjurações brasileiras para entender o sentido republicano no Brasil Colônia. A autora mostra que, mesmo antes da República instituída pelo golpe militar de 1889, um profundo republicanismo já fazia sonhar corações e mentes.

    ‘O elogio do vira-lata e outros ensaios’

    O economista Eduardo Giannetti inverte o sentido de uma expressão de Nelson Rodrigues para pensar o estado de espírito atual do país. O complexo de vira-latas seria, na verdade, o que temos de melhor: nossa miscigenação, nossa alegria e nossa capacidade de resiliência.

    ‘O papel mata-moscas e outros textos’

    Robert Musil é mais citado do que lido. Esta miscelânea de ensaios facilita o acesso ao austríaco, que aqui reflete tanto sobre o nazismo quanto sobre os descompassos da aristocracia de seu país.

    ‘Notícias em três linhas’

    74948155_Felix Fénéon editor jornalista e crítico de arte francês.jpgFélix Fénéon precisava de apenas três linhas para contar os mais sangrentos fait divers da Paris da Belle Époque nas páginas de jornal. Mas o que na pena de outros jornalistas eram simples notícias, na de Fénéon rendiam narrações perturbadoras — quase haicais jornalísticos — que até hoje assombram por ser humor corrosivo e seu poder de síntese.

    ‘Tudo em volta está deserto’

    Três momentos da produção literária e musical do Brasil: o romance “Quarup”, de Antonio Callado, o espetáculo “Gal a todo vapor” e os escritos de Ana Cristina Cesar. Eduardo Jardim percorre três décadas tentando medir a influência dessas obras na formação dos jovens brasileiros.

    Os principais fatos do universo literário em 2018

    O vexame do Nobel

    A entrega do Prêmio Nobel de Literatura deste ano foi adiada para 2019 após a revelação do escândalo sexual envolvendo Jean-Claude Arnault, figura influente e marido da integrante da Academia sueca Katarina Frostenso (ambos na foto). Ele foi denunciado por assédio por 18 mulheres e acabou condenado à prisão por estupro.

    Conceição mobiliza por ABL

    Uma mobilização para eleger Conceição Evaristo para a ABL reuniu mais de 25 mil assinaturas na web, levando a escritora a formalizar sua candidatura. Mas não foi desta vez que a casa passou a contar com a primeira mulher negra de seu quadro de imortais. O escolhido foi Cacá Diegues. O jurista Joaquim Falcão também se tornou membro este ano.

    Escrita até o Ponto final

    Links política culturalÍcone da literatura americana (e sempre cotado ao Nobel), Philip Roth morreu aos 85 anos deixando uma obra com mais de 30 livros. O ano foi marcado ainda pela morte prematura de Victor Heringer, aos 29 anos, além do adeus a outros gigantes como Carlos Heitor Cony (foto), Tom Wolfe e V.S Naipaul.

    Crise das livrarias

    Os pedidos de recuperação judicial da Saraiva e da Cultura acenderam um alerta no mercado editorial. Em desabafo sobre a crise, o editor Luiz Schwarcz convocou leitores a mostrar seu amor pelos livros, e livreiros do Brasil se uniram na campanha #VemPraLivraria.

    Sucesso como nunca

    Com suas pílulas postadas em redes sociais, instapoetas como Rupi Kaur e João Doederlein fizeram da poesia um fenômeno de vendas no ano. Já a obra distópica de Margaret Atwood (foto) foi catapultada pelo sucesso da série “The handmaid’s tale: O conto da Aia”. A autora anunciou inclusive uma continuação.


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    NOVA YORK — Quando entra na sala de um hotel no coração de Nova York para começar mais uma rodada de entrevistas sobre "Aquaman", Amber Heard traz preso à camisa de seda que está vestindo um chamativo laço laranja. Loira e de cabelo em coque, a atriz de 32 anos, que interpreta a ruiva princesa Mera no filme de origem do herói marinho da DC, explica o significado do adereço:

    Links Aquaman— Obrigado por perguntarem sobre isso — diz ela, acompanhada de Jason Momoa, o gigante havaiano que interpreta o personagem-título e que também pode ser visto em "Game of Thrones". — Trata-se de uma campanha das Nações Unidas para conscientização das pessoas em relação à violência contra as mulheres.

    Desde que acusou Johnny Depp de agredi-la, em 2016, quando os atores ainda estavam casados, Amber se engajou no feminismo, na luta contra a violência doméstica e também na campanha por uma maior e mais justa representatividade das mulheres nos filmes. Segundo ela, foi exatamente por isso que demorou a aceitar o papel da princesa marinha que sai do fundo do mar para convencer um relutante Arthur Curry, identidade humana de Aquaman, a voltar para Atlantis e lutar pelo trono do reino.

    — Ela é muito mais representativa do que são as verdadeiras mulheres. É uma super-humana, o que é ótimo. Mas parte do que nos faz gostar de super-heróis é o que compartilhamos de humanidade com eles. No caso de Mera, ela assume um papel importante em relação ao Aquaman e o ajuda a cumprir o seu destino. Acho que, nesse sentido, fala muito sobre o que estamos vivendo e responde a um tipo de demanda por uma representatividade mais diversa e menos estereotipada das mulheres nos filmes.

    Links Johnny DeppA atriz vai além, dizendo que não é só na construção de Mera que o filme se afasta dos estereótipos. E aponta para Momoa, sentado ao seu lado:

    — Eis aqui o Jason - brinca ela com o ator sentado ao seu lado. - Apesar desse jeitão super hiper blaster masculinizado dele, no filme ele presta atenção em Mera, no seu estado emocional, é sensível. Ele tem as suas inseguranças no começo, está relutante. E ela o ajuda a colocar o que ele tem dentro dele para fora. Isso também é desafiador diante dos padrões de gênero vigentes.

    * O repórter viajou para Nova York a convite da Warner


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    RIO — O ano está quase chegando ao fim, mas ainda dá tempo de conferir as suas melhores atrações da TV. Vale apenas uma ressalva: a ausência de "The americans" nesta lista será sentida. É uma das minhas séries favoritas, mas não está mais disponível no Brasil (alô, alô, Fox). Uma pena. Aqui vai uma seleção do que mais foi imperdível.

    Links melhores do ano

    Talk-shows brasileiros

    Tatá Werneck divertiu na atual temporada do "Lady night", que chega ao fim nesta sexta-feira (14) no Multishow. Com seu humor afiado, ela arrancou gargalhadas do público ao receber Caetano Veloso, Miguel Falabella, Angélica, Juliana Paes, Susana Vieira entre outros convidados. "Conversa com Bial" também merece a sua atenção.

    Onde: Globo e Multishow

    Cotação: Ótimos

    Ação

    body.pngIndicada ao Globo de Ouro como melhor série de drama, "Segurança em jogo" ("Bodyguard") é daqueles thrillers eletrizantes. Conhecemos a história de David Budd, policial que faz a segurança de Julia Montague (Keeley Hawes), a Secretária do Estado britânica. A ação corre ágil e cheia de viradas sensacionais.

    Onde: Netflix

    Cotação: Ótima

    Drama italiano

    a-amiga-genial.jpgA HBO exibirá na segunda-feira, 17, o último episódio de "Amiga genial". A série baseada no best-seller de Elena Ferrante mostra a aventura das amigas Lenu (Elisa Del Genio/Margherita Mazzucco) e Lila (Ludovica Nasti/Gaia Girace). Na primeira temporada (uma segunda já está garantida), somos transportados para a Nápoles dos anos 1950. Acompanhamos as meninas em seus primeiros anos na escola e parte da adolescência delas. Merece a sua atenção. É candidata a série do ano. Onde: HBO Cotação: Ótima

    Disputa familiar

    "Succession”, da HBO, é uma das melhores novidades desta temporada. Seguimos os conflitos da família de Logan Roy (Brian Cox), um poderoso executivo. Seus filhos disputam o poder nas empresas do pai, um conglomerado de mídia. Kieran Culkin, que faz um dos herdeiros, foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante em série limitada do Globo de Ouro.

    Onde: HBO

    Cotação: Ótima

    Documental

    77191638_SC - O líder espiritual Osho em cenas do documentário Wild Wild Country.jpg"Wild wild country", série documental da Netflix, fez barulho. A história gira em torno do guru Bhagwan Shree Rajneesh, conhecido como Osho, e de seus seguidores. São muitas as reviravoltas nessa história real que mais parece ficção.

    Onde: Netflix

    Cotação: Ótima

    Links Kogut


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    NOVA YORK — "Trolls", "As Tartarugas Ninja: Fora das sombras", "Moana", "Divertida Mente". "Mulher Maravilha". Todos eses filmes foram sucessos de bilheteria globais com mulheres em papéis principais. E eles parecem fazer parte de uma tendência mais ampla, de acordo com um estudo feito pela Creative Artists Agency e pela shift7, uma empresa aberta por Megan Smith, ex-diretora de tecnologia do governo americano.

    Links mulheresO trabalho demonstra que os principais filmes de 2014 a 2017 estrelados por mulheres renderam mais do que aqueles com homens nos papeis principais. Isso tanto para produções de até US$ 10 milhões quanto para aquelas com orçamentos superiores a US$ 100 milhões.

    A pesquisa também descobriu que os filmes aprovados no teste de Bechdel — que mede se duas personagens femininas conversam sobre assuntos que não sejam apenas algum homem — superaram os reprovados.

    — A percepção de que não é um bom negócio ter protagonistas femininas não é verdadeira — diz Christy Haubegger, agente da CAA que fazia parte da equipe de pesquisa. — Elas são um ativo de marketing.

    Lançar mulheres em papéis de liderança é mais uma exceção do que a regra em Hollywood. As mulheres representaram cerca de um quarto dos protagonistas dos principais filmes de 2017 e interpretaram aproximadamente um terço dos personagens principais, de acordo com uma pesquisa da San Diego State University.

    O novo relatório da CAA, uma agência de talentos líder de mercado, faz parte de um esforço para pressionar Hollywood a colocar mais mulheres e afro-americanos na tela e noa bastidores, sob o argumento de que uma maior diversidade teria efeitos positivos.

    Em 2017, a agência divulgou um relatório indicando que filmes com elencos multiétnicos tiveram melhor desempenho nos finais de semana de abertura do que aqueles com elencos mais homogêneos. O novo estudo foi criado em conjunto com um grupo de trabalho da Time's Up, a organização criada para combater o assédio sexual no trabalho.

    A questão agora é se a indústria vai dar atenção. O estudo da Universidade Estadual de San Diego também descobriu que o número de mulheres protagonistas com falas nos principais filmes caiu em 2017 em relação ao ano anterior. As novas estatísticas da CAA sugerem que os produtores desses filmes podem estar prejudicando seus lucros.

    — Muitas vezes, em nossos negócios, há muito preconceito disfarçado de conhecimento — diz Haubegger.Como o estudo foi feitoO relatório da CAA e do shift7 analisou os principais filmes nas bilheterias globais de 2014 a 2017, usando informações da Gracenote, um provedor de dados e tecnologia de propriedade da Nielsen. (O período de tempo foi baseado em um banco de dados criado pela CAA para seu estudo de diversidade.)

    O "ator principal” foi determinado pelo artista listado primeiro no Gracenote. Isso significa que tanto “Star Wars: O Despertar da Força” quanto “Star Wars: Os Últimos Jedi” foram designados como filmes masculinos: a Gracenote lista Harrison Ford e Mark Hamill como protagonistas de cada um, em vez de Daisy Ridley. "As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras" traz Megan Fox como atriz principal e "Trolls", Anna Kendrick.

    A análise foi baseada em 350 filmes com orçamentos listados no Gracenote. Destes, 105 foram liderados por mulheres e 245 por homens. Os dados foram ainda subdivididos pelo orçamento, considerando que filmes feitos com mais de US$ 100 milhões são uma parte fundamental do negócio dos estúdios e os autores do estudo decidiram criar uma categoria própria para eles. (Nessa categoria, foram 75 filmes protagonizados por homens e 19 por mulheres.)

    As outras categorias tratavam dos filmes feitos com menos de US $ 10 milhões, de US$ 10 milhões a US $ 30 milhões, de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões e de US$ 50 milhões a US$ 100 milhões.

    Em cada faixa, a bilheteria média dos filmes protagonizados por mulheres superou a dos masculinos. O valor mediano, muitas vezes considerado estatisticamente mais significativo por reduzir o impacto de extremos, produziu os mesmos resultados, com uma exceção: na categoria de US$ 30 milhões a US $ 50 milhões, a média para filmes liderados por homens foi de US$ 104 milhões, contra US$ 102 milhões dos femininos.

    O estudo também extraiu informações do Bechdeltest.com, que aplicou o teste a 319 dos filmes analisados no relatório da CAA. Desses, 60% passaram. Os pesquisadores descobriram que nenhum filme entre 2014 e 2017 faturou US$ 1 bilhão sem passar no teste de Bechdel.

    Enquanto as mulheres respondem por cerca de metade dos ingressos de cinema vendidos, Haubegger disse acreditar que o maior sucesso dos filmes estrelados por elas pode ser atribuído a uma sede por novos enredos.

    — Você tem fãs de super-heróis que não viram inovação nesses filmes em 36 anos — argumenta.

    Para Haubegger, a percepção de que esses filmes são arriscados significa um maior escrutínio no estúdio desde o início.

    — Acho que eles são menos propensos a apostar — sugere. — E esses filmes acabam indo tão bem quanto ou melhor que os outros.


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    NOVA YORK — Em março de 2017, Eliza Dushku, uma atriz conhecida por seu trabalho em "Buffy, a Caça-Vampiros", assinou contrato para desempenhar um papel importante em três episódios do drama "Bull" no horário nobre da CBS. Havia planos para torná-la parte do elenco em tempo integral.

    Seu tempo no set começou de forma promissora. A estrela do show, Michael Weatherly — um dos pilares da programação no horário nobre da CBS por 15 anos — parecia amigável. E um produtor e roteirista de “Bull”, Glenn Gordon Caron, disse a Dushku que ela seria mais do que um interesse amoroso.

    Depois veio uma série de comentários que deixaram Dushku desconfortável. Na frente do elenco e da equipe, Weatherly comentou sobre sua aparência, fez uma piada sobre estupro e um comentário sobre sexo a três. Pouco depois de Dushku confrontar a estrela sobre seu comportamento, ela foi excluída do programa. Ela acredita que seu tempo em "Bull" chegou a um fim repentino, como resultado de retaliação.

    Depois que ela passou pela mediação com a CBS, a empresa fez um acordo confidencial que lhe pagaria US$ 9,5 milhões, aproximadamente o equivalente ao que Dushku teria ganho se ela tivesse permanecido como membro do elenco por quatro temporadas.

    Detalhes das experiências de Dushku em "Bull" e do acordo confidencial com a empresa, surgiram durante uma investigação que começou em agosto, quando o conselho da CBS contratou os escritórios de advocacia Covington & Burling e Debevoise & Plimpton para examinar as acusações de má conduta sexual feita por várias mulheres contra Leslie Moonves, ex-diretor executivo da empresa. O conselho também instruiu os advogados externos a investigarem “questões culturais em todos os níveis da CBS”.

    Em um relatório de investigação acessado pelo New York Times, os advogados disseram que o tratamento dado pela empresa às reclamações de Dushku foi equivocado e emblemático de problemas maiores na CBS. Quando confrontado com casos de irregularidades, a empresa tinha uma tendência a se proteger, às custas das vítimas, segundo os investigadores.

    Dushku se recusou a comentar. Em um comunicado na quarta-feira, a CBS confirmou o acordo e prometeu melhorar as condições de trabalho.


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  • 12/14/18--12:00: Jesus num pé de goiaba
  • Damares Alves, a mulher que Jair Bolsonaro escolheu para ministra dos Direitos Humanos, Mulher e Família, afirma ter visto Jesus Cristo subindo um pé de goiaba. Isso enquanto ela mesma se preparava para tomar veneno em cima da goiabeira: “Vi Jesus em cima de um pé de goiaba e foi incrível!”

    O que Damares disse a Jesus, quando o viu avançando, lindo e loiro, para a goiabeira? Ela disse: “Não sobe, Jesus, você não sabe subir em pé de goiaba.”

    Todavia, para grande espanto de Damares, Jesus subiu. Conclui então a futura ministra: “Jesus é tão poderoso, tão poderoso, que conseguiu subir no pé de goiaba!”

    O que mais espantou Damares, portanto, não foi Jesus ter-se revelado a ela em toda a sua infinita loireza. Foi conseguir subir o pé de goiaba. Achei as declarações da futura ministra um pouco estranhas. Primeiro: até pessoas como eu, que passaram as aulas de religião e moral a lerem gibis às escondidas, sabem que anjos, santos e divindades, particularmente as cristãs, sempre demostraram grande talento para subir em árvores. Um dos casos mais notórios é o de Nossa Senhora de Fátima, que gostava de aparecer aos pastorinhos em cima de uma azinheira.

    Em segundo lugar, goiabeira é muito fácil de subir. Difícil é trepar em um eucalipto, por exemplo. Ou em um baobá. Isso sim, queria ver Jesus subir um baobá.

    No quintal da minha casa também havia um pé de goiaba. Aos seis anos, eu já subia a goiabeira até aos ramos mais altos. Nunca encontrei Jesus por lá. Logo, deixei a goiabeira e comecei a escalar os abacateiros, árvores muito mais altas, com galhos distantes do solo, cuja escalada exige alguma coragem e um mínimo de destreza. Infelizmente, também não encontrei, entre a folhagem densa, nem Jesus, nem Nossa Senhora, nem sequer algum pequeno arcanjo extraviado. Acho que teria ficado satisfeito com o arcanjinho. No nosso quintal, os abacateiros só davam mesmo abacates. Em todo o caso, bons abacates.

    Voltando à revelação de Damares Alves, também não consigo entender por que diabo uma pessoa que quer tomar veneno escala um pé de goiaba: para morrer mais pertinho do céu? Na esperança de que não morrendo do veneno, possa morrer da queda? Talvez a eficácia do veneno cresça à medida que o envenado vá subindo num pé de goiaba. Não sei.

    Quanto a mim, comecei por escalar a goiabeira pelo mesmo motivo por que Sir Edmund Hillary decidiu escalar o Everest — “porque estava lá”. E também para comer goiabas. Mais tarde, a caminho da adolescência, passei a galgar o abacateiro para ver a vizinha, no quintal ao lado, tomando banhos de sol. Nas manhãs de domingo, a vizinha, uma jovem viúva, sem filhos, estendia uma toalha branca sobre a grama e deitava-se nela, nua e magnífica — a mulher mais linda do mundo. Era assim a minha missa.

    Hoje, compro goiabas e deixo-as dissolvendo-se em perfume, na fruteira, para que me devolvam a memória daquelas manhãs de domingo. É certo que não vi Jesus. Mas palavra de honra que nunca senti a falta — cada qual escolhe os milagres que lhe fazem melhor.


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    SÃO PAULO — Estudo inédito da Fundação Getúlio Vargas divulgado nesta sexta-feira mostrou que a Lei Rouanet teve impacto econômico de R$ 49,8 bilhões na sociedade brasileira de 1993 para cá. Os dados foram apresentados pelo economista Luiz Gustavo Barbosa no Fórum Cultura e Economia Criativa, realizado pela revista “Exame”, em São Paulo.

    Nos 27 anos de existência da lei — criada em 1991, ela começou a apresentar resultados em 1993 —, o valor total incentivado foi cerca de R$ 17 bilhões (R$ 31 bi, em valores corrigidos).

    Os cerca de R$ 50 bilhões movimentados dizem respeito, de acordo com a pesquisa, à soma do impacto econômico direto (R$ 31,2 bilhões foi o patrocínio total captado no período, valor corrigido pela inflação) e do impacto indireto (R$ 18,5 bilhões, referentes à cadeia produtiva movimentada pelos projetos). Links rouanet

    O levantamento mostra ainda que, ao longo desses 27 anos, a cada R$ 1 investido por patrocinadores em 53.368 projetos culturais, pelo menos R$ 1,59 retornou para a sociedade.

    Para chegar a estas conclusões, a equipe de Barbosa se debruçou sobre as seis áreas culturais contempladas pela Rouanet separadamente. As que geram maior impacto econômico são as de Patrimônio Cultural (museus e memória), com R$ 12 bilhões), Artes Cênicas (R$ 11,9 bilhões) e Música (R$ 10,4 bilhões). As três restantes — artes visuais, audiovisual e humanidades (setor editorial) — chegaram a cerca de R$ 5 bilhões cada.

    Barbosa explicou ainda que o impacto da cultura pode ser ainda maior do que foi possível mensurar no estudo. Afinal, não se levou em conta recursos vindos de outras fontes geradas pelos espetáculos culturais, como os gastos do público com alimentação e transporte.

    Para o pesquisador, o estudo ajuda a desconstruir as fake news que afirmam que só grandes produtores se beneficiam da Lei Rouanet. O levantamento se debruçou ainda sobre os desembolsos dos produtores culturais desde janeiro de 2017 até outubro deste ano. E analisou dados dos processos de 1993 até 2016 por amostragem, já que neste período os registros ainda não tinham sido digitalizados. A conclusão foi de que 90% dos gastos foram inferiores a R$ 100 mil. E de que 66,3% destes foram menores que R$ 25 mil reais.

    — A discussão costuma ser muito rasa. Apesar de você ter proponentes que fazem grandes espetáculos, os prestadores de serviços são basicamente pequenos produtores locais. O discurso de que somente os grandes ganham é completamente equivocado. A cultura fomenta uma cadeia produtiva que impacta nos 68 setores da economia — afirmou Barbosa.

    No mesmo evento, o ministro Sérgio Sá Leitão atribuiu a alguns de seus antecessores a tentativa de “destruição da Lei Rouanet”:

    — Demoramos 27 anos para fazer um estudo como este. Tivemos alguns ministros que fizeram de tudo pra acabar com a lei. Eles têm responsabilidade sim. Graças a Deus não conseguiram. Se trata de investimento com alto potencial de retorno. Não é só gasto.

    Sá Leitão ainda defendeu que os fomentos à cultura sejam tratados do mesmo modo que os incentivos a outros setores da economia:

    — A indústria automotiva vai receber R$ 7, 2 bilhões de incentivos fiscais e vai gerar 200 mil empregos neste ano. Nós geramos 1 milhão de empregos, e a cultura vai receber R$ 1,6 bilhões em incentivo — comparou.


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  • 12/14/18--13:26: Jesus num pé de goiaba
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    RIO - Formado por dez ilhas localizadas a cerca de 570 quilômetros da costa africana do Atlântico, Cabo Verde é, nas palavras do cantor, compositor e escritor Mário Lúcio, “um país muito aberto às aberturas”. E esse é um ponto que ele tenta provar, musicalmente, com “Funanight”, álbum lançado ano passado no arquipélago e que agora ganha edição brasileira. Contração de funaná — um dos vários estilos musicais cabo-verdianos que parecem não caber em tão pouco país — com o inglês “night”, de noite e festa, esse é um disco de muitas misturas e dança que o ex-ministro da Cultura de Cabo Verde planeja mostrar no Brasil, em maio, com a sua banda.

    Afinal, o que é o funaná?

    Em termos antropológicos, o funaná é o terceiro gênero musical a surgir na história de Cabo Verde. Ele veio com os marinheiros que tinham ido para a pesca da baleia e compraram o acordeom. E esse acordeom veio trazendo valsa, marcha, polca e o zulu, que é a música da África do Sul. O gaiteiro sabia tocar todas essas coisas e era isso que a gente dançava no Cabo Verde. De lá, o funaná veio para o Brasil, entrando via Nordeste com os escravos. O que quero mostrar para o Brasil é que somos mais do que primos. Somos irmãos, temos os mesmos pais.

    Existe uma via de mão dupla entre Cabo Verde e Brasil?

    Sim, a primeira mão foi a dos escravos cabo-verdianos que chegaram à Bahia, trazendo uma música que era de várias etnias africanas, associada à música europeia. Isso ajudou a moldar muito a música no Brasil, influenciando diretamente o afoxé, o ijexá e mesmo o samba, no fim do século XIX. O engraçado é que o Brasil pega tudo isso e leva de volta para Cabo Verde nos anos 1960, com os marinheiros. Foram eles que substituíram o nosso banjo pelo cavaquinho. A força com que a música brasileira chegou influenciou diretamente a morna, o choro e praticamente impulsionou a criação de um novo gênero, a coladeira. Mario Lucio - Tema DI Minis Funaná (Vídeo Oficial)

    Qual é a presença da música brasileira em Cabo Verde?

    Quando uma pessoa vai começar a tocar, ela aprende os acordes tradicionais e depois passa para uma outra fase, a dos acordes dissonantes, e aí entra toda a música brasileira. É a desconstrução. Aos 14 anos, quando eu comecei a tocar, nos bailes, o repertório tinha sempre Luiz Gonzaga (que era escutado em Cabo Verde como se fosse cabo-verdiano), Teixeirinha e Benito de Paula. Para nós, em Cabo Verde, o Benito foi uma novidade, ele trouxe o piano para a frente da composição e da execução e quebrou um pouco a fórmula pura que a gente conhecia do samba.

    Você gravou parte de “Funanight” no Brasil. O que foi feito aqui?

    Eu fiz todo o acordeom aqui com o Rafael Meninão, um nordestino, porque queria encontrar uma reminiscência de quando o acordeom diatônico chegou ao Brasil vindo de Cabo Verde. Gravei também algumas percussões, porque queria uma pegada invertida. É muito engraçado, porque todos os ritmos que vieram de Cabo Verde, como a tabanca que virou ijexá e o caso mesmo do forró, que era badju di gaita, todos tiveram os seus toques invertidos. A influência europeia ficou mais forte, e eles foram para outro lado. E tem uma música inteira que eu gravei aqui, a versão do Bob Marley para o crioulo, língua tradicional de Cabo Verde (“Who the cap fit” virou “Kem ki karapuça sirbi”).

    Tem Cabo Verde na música da Jamaica também?

    O funaná e o reggae têm uma proximidade muito grande, que não existe com as outras músicas crioulas do Caribe: o suingue do baixo. O baixo do reggae não fica o tempo todo marcando. Ele deixa o bumbo e todo mundo ir e vem de vez em quando dizer: “Eu tô aqui!” Ele é o Guardião dos Graves, e é isso que mexe com o coração. O funaná tem o mesmo espírito do reggae. Se você colar o baixo com o bumbo, a música se afoga e ninguém consegue dançar. O baixo faz desenhos. Essa leitura vem muito dos tambores africanos. Os graves são os anciãos, os sábios da comunidade, eles falam pouco, de vez em quando, serenos e profundos. Funanight - Mário Lúcio

    “Funanight” tem letras em crioulo, mas também em português e até inglês. O quanto isso tem a ver com a diversidade linguística de Cabo Verde?

    Nós tivemos várias discussões sobre o que é ter uma língua materna. É a língua da sua mãe ou é a primeira língua que você aprende? Para vários cabo-verdianos, a língua materna é o francês. Para outros, o inglês. Para muitos, o português. Para a maioria, o crioulo. E, como somos uma nação diasporizada, é muito boa essa abertura. Há cabo-verdianos que só conseguem dizer uma coisa para você se misturarem quatro línguas! E hoje tem um movimento grande de jovens compositores que passam de uma língua para outra sem problemas. Isso é muito bom porque tira o complexo dos cabo-verdianos que nasceram fora do país e querem fazer música. Eles ficam com medo de escrever letra na língua materna.

    + Mário Lúcio

    1 — Música-chave do disco só surgiu na última hora

    “Eu estava no Rio, fechando as gravações, e de repente senti uma energia descendo. Pedi ao técnico para botar um microfone e fiz, de uma vez só, o ‘Tema de minis’.”

    2 — Artista quer juntar tradições pelo mundo

    “Essa coisa de viver no gueto não faz sentido. Minha música é cada vez mais tradicional quanto mais a minha tradição se comunica com a tradição do outro.”

    3 — E como faz para o poder não subir à cabeça?

    “Quando aceitei o convite, a primeira coisa que fiz foi mentalizar que ia prestar um serviço público e que tinha que me fiscalizar para não ser tentado pelo poder.”

    4 — Assim nasceu um inusitado trovador em Cabo Verde

    “Gosto muito de ir para o inusitado. Fui o primeiro cabo-verdiano a gravar um disco de voz e violão. A trova ainda não existia para nós, a música era toda coletiva.”


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