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    RIO — Sócrates, Jesus, Joana D’Arc, Tiradentes, Flaubert e Olga Benário são alguns dos protagonistas de “Os grandes julgamentos da história”, livro em que o advogado José Roberto de Castro Neves convida juristas para escrever sobre casos históricos. O ministro do STF Luís Roberto Barroso, por exemplo, escreve sobre Madison vs. Marbury, de 1803, em que a Suprema Corte dos EUA estabeleceu autoridade sobre a constituição.

    Gilberto Giusti, que fez mestrado na Califórnia, escolheu um caso de Los Angeles, o julgamento de O.J. Simpson. E, como você vê no trecho abaixo, analisou a ação civil — em que, ao contrário da ação penal, O.J. foi condenado. info - primeira mão julgamentos


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    Tons pastéis, planos gerais, muita simetria: diga o que quiser de Wes Anderson, mas o diretor tem estilo. E, quando você o reconhece, passa a vê-lo em todo lugar. É o caso do publicitário Wally Koval, morador de Nova York que ano passado criou no Instagram o perfil “Accidentally Wes Anderson”, onde reúne fotos que poderiam ser de “Rushmore” e “O Grande Hotel Budapeste”. Logo Koval passou a receber contribuições de todo o mundo (veja abaixo), com direito a alentadas descrições dos locais — ele tem hoje 500 mil seguidores.

    Em julho, o perfil publicou, com antecedência, fotos do último filme de Anderson, “Ilha dos Cachorros”.

    — Foi uma honra, um contato direto da equipe dele — diz Koval. — Nossos seguidores brincam que Wes tem uma conta secreta e nos acompanha, mas não foi comprovado.

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    RIO — "Sócrates", filme de Alex Moratto protagonizado por um adolescente gay de periferia, ganhou três indicações ao Independent Spirit Awards, considerado o Oscar do cinema independente. O longa brasileiro disputa nas categorias John Cassavetes (melhor filme com orçamento inferior a US$ 500 mil), diretor revelação e melhor ator, para Christian Malheiros.

    Na última, o novato Malheiros vai enfrentar atores celebrados, como Joaquin Phoenix ("Você nunca esteve realmente aqui") e Ethan Hawke ("First reformed") — John Cho ("Buscando...") e Daveed Diggs ("Ponto cego") completam a lista. Links sócrates

    Divulgada nesta sexta-feira, a lista de indicados ao Spirit tem como principal destaque o documentário "We the animals", que disputa em cinco categorias. "Oitava série", "First reformed" e "Você nunca esteve realmente aqui" aparecem logo em seguida, com quatro.

    Na semana passada, "Sócrates" venceu o prêmio Felix, láurea do Festival do Rio dedicado a obras com temática LGBT. O filme é uma produção de jovens da ONG Instituto Querô, de Santos (SP), e já foi exibido em festivais da Grécia, do Canadá e dos Estados Unidos. SOCRATES trailer | 2018 LA Film Festival - Sept 20-28

    Veja a lista de indicados nas principais categorias do Spirit Awards:

    Melhor filme

    "Oitava série"

    "First reformed"

    "Se a rua Beale falasse"

    "Não deixe rastros"

    "Você nunca esteve realmente aqui"

    Melhor filme de estreia

    "Hereditário"

    "Sorry to bother you"

    "O conto"

    "We the animals"

    "Vida selvagem"

    John Cassavetes (melhor filme com orçamento inferior a US$ 500 mil)

    "A bread factory"

    "En el séptimo día"

    "Never goin' back"

    "Sócrates"

    "Thunder road"

    Melhor diretor

    Debra Granik ("Não deixe rastros")

    Barry Jenkins ("Se a rua Beale falasse")

    Tamara Jenkins ("Mais uma chance")

    Lynne Ramsay ("Você nunca esteve realmente aqui")

    Paul Schrader ("First reformed")

    Melhor roteiro

    "Colette" (Richard Glatzer, Rebecca Lenkiewicz e Wash Westmoreland)

    "Poderia me perdoar?" (Nicole Holofcener e Jeff Whitty)

    "Mais uma chance" (Tamara Jenkins)

    "Sorry to bother you" (Boots Riley)

    "First reformed" (Paul Schrader)

    Melhor atriz

    Glenn Close ("A esposa")

    Toni Collette ("Hereditário)

    Elsie Fisher ("Oitava série")

    Regina Hall ("Support the girls")

    Helena Howard ("Madeline's Madeline")

    Carey Mulligan ("Vida selvagem")

    Melhor ator

    Joaquin Phoenix ("Você nunca esteve realmente aqui")

    Christian Malheiros ("Sócrates")

    Ethan Hawke ("First reformed")

    John Cho ("Buscando...")

    Daveed Diggs ("Ponto cego")

    Diretor revelação

    Alex Moratto ("Sócrates")

    Ioana Uricaru ("Lemonade")

    Jeremiah Zagar ("We the animals")


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    RIO - O cinema brasileiro tem uma nova estrela. Cria do teatro, a dramaturga e atriz mineira Grace Passô já venceu os principais prêmios das artes cênicas: Shell, APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Cesgranrio, só para citar alguns. No ano passado, estreou como protagonista de cinema em “Praça Paris” (2017), de Lúcia Murat, que lhe rendeu outro troféu, o de melhor atriz no Festival do Rio. Neste ano, o feito se repetiu no Festival de Brasília, com “Temporada” (2018), de André Novais Oliveira, diretor que, entre 21 e 28 de novembro, ganha retrospectiva na 10ª Semana de Cinema, novo nome da antiga Semana dos Realizadores.

    Com estreia prevista para 17 de janeiro, “Temporada” acompanha Juliana (Grace), que se muda para a cidade de Contagem, Minas Gerais, para trabalhar como agente de combate à dengue e outras endemias. Retraída e ainda se recuperando de um trauma, a protagonista descobre um novo olhar sobre a vida a partir de relações afetivas com colegas e moradores que conhece graças ao trabalho.

    Na entrevista a seguir, a atriz, de 38 anos, conta como começou a fazer cinema e defende a sua busca por histórias que vençam estereótipos.Temporada__Thiago Macêdo Correia 1ok.jpg

    Seu primeiro grande papel no cinema aconteceu só recentemente. Por quê?

    Porque meu amigo e diretor Ricardo Alves Jr. me chamou para fazer uma participação em “Elon não acredita na morte” (2016), e gostei da experiência. Quando nossos desejos se tornam mais claros, passamos a traçar nosso caminho pelo mundo. Atuo há 22 anos e percebi que tudo é atuação, só que com naturezas distintas.

    Qual seu prognóstico para o futuro do cinema brasileiro?

    Já estamos vivendo um sucateamento da arte brasileira e uma demonização do trabalho artístico. Há um grande descaso do Estado com o meio. O que vimos nas eleições foi uma série de discursos que não só negaram, como também se silenciaram em relação à importância da arte numa sociedade. Isso é resultado de uma visão conservadora. Em hipótese alguma essa imposição pode estar em consonância com uma produção artística próspera, porque arte é um mergulho reflexivo na normatividade, no comum e na realidade. Não é uma ficção suspensa, nem superficial. É ação. A perspectiva retrógrada do conservadorismo demoniza o corpo, não aceita opiniões diferentes e não entende o que é alteridade, um princípio da arte. Estou com medo e não é do futuro, é do presente que se anuncia. Estou num dos piores momentos políticos de toda a minha existência.

    “Praça Paris” fala sobre violência no Rio e é considerado um filme engajado. Já “Temporada” foca em relações humanas. Mesmo assim, você também considera político esse trabalho. Por quê?

    Porque um filme não é político apenas por causa das temáticas abordadas. Tem a ver, também, com olhares e linguagens. Em nenhum momento “Temporada” fala diretamente de questões políticas, mas o filme em si é uma resposta à nossa realidade e ao cinema brasileiro. Trata-se de um olhar de quem está dentro do território (André Novais Oliveira nasceu em Contagem). É uma visão poética elaborada por quem conhece aquela realidade, em oposição a uma pessoa folclorizando um espaço. E isso é uma atitude política, às vezes até mais radical do que outras. Sobretudo quando pensamos que o cinema brasileiro é tão elitizado. As narrativas, em sua maioria, vêm do mesmo lugar, são hegemônicas e colonizadoras. É o outro que fala da periferia, e é por isso que há tanta folclorização dos corpos negros ou de quem está à margem. O fato de “Temporada” ter uma poética inscrita e realizada por quem é de lá é, por si só, política pura e arte em sua essência. É uma resposta artística ao modo de enxergar a periferia. Me interessa ler personagens que consigam vencer estereótipos.

    Foi isso o que te levou a fazer o filme?

    Meu interesse tem a ver com o título. É um recorte temporal sobre a vida de uma mulher num momento de transformação e transição que não está na ordem do espetacular ou incomum. Ao contrário: são reconhecíveis. Também me interessou a dinâmica do trabalho dos agentes de combate a endemias. Eles entram na casa das pessoas e há uma disrupção da formalidade. Entram na intimidade alheia. É a mesma lógica de pesquisadores e empregadas domésticas. As relações para além da formalidade profissional me interessam.


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    Descobertas musicais da juventude podem ter impacto não só sobre nosso gosto, mas também sobre nossa personalidade. Uma pesquisa do serviço de streaming Deezer — com 5 mil entrevistados no Brasil, no Reino Unido, nos EUA, na Alemanha e na França — repete o refrão. Em média, aos 27 anos e 11 meses nós paramos de descobrir novas músicas.

    Os resultados da pesquisa no Brasil são ainda mais contundentes: os brasileiros definem seu gosto musical, em média, até os 23 anos e 2 meses. Logo antes, aos 22 anos, momento mais intenso da busca por novidade, 81,5% dos brasileiros conhecem pelo menos seis novos artistas por mês. Depois disso, quase metade declara que às vezes se sente preso a uma rotina musical, ouvindo apenas faixas que já conhece.

    — Quando jovens, vamos atrás do que todos estão ouvindo. Com o passar do tempo, formamos nosso gosto — diz Bruno Vieira , diretor geral da Deezer no Brasil.

    Neurologistas, neuropsicólogos, antropólogos e consultores de tendências tentam explicar como a nostalgia opera na nossa sociedade hoje e ajuda a definir nossos gostos e atitudes. Leia a matéria completa aqui.


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    RIO - Após dois meses de intensa competição e muitas canções, chegou a hora de escolher o vencedor. Os seis finalistas de “PopStar”, Malu Rodrigues, Jeniffer Nascimento, João Côrtes, Renata Capucci, Sergio Guizé e Mouhamed Harfouch se enfrentam hoje, às 12h45m, no último programa da temporada. Candidatos com trajetórias diferentes, mas com um objetivo comum: levar o prêmio de R$ 250 mil e um carro zero. Ansiosos pela grande final, eles fazem planos e avaliam o que mudou na sua vida com o programa.

    A disputa se dará em três etapas. A primeira elimina dois dos seis finalistas; na segunda, os dois participantes com as maiores notas passam adiante; na derradeira etapa, o artista que tiver a maior pontuação ganha o sonhado título.

    — Nunca achei que o público fosse me abraçar, e o programa veio como uma resposta. Estou me descobrindo e quero cantar cada vez mais — avalia Jeniffer, favorita ao título desde o início da competição. — Ganhando ou não o “PopStar”, cogito gravar um EP e fazer shows. Tenho algumas canções próprias, mas não sei se estou madura o suficiente para compor com uma pegada comercial. Por isso, procuro compositores que tenham músicas a ver comigo. Gosto do pop com referências no R&B.

    A aposta em Jeniffer, 25 anos, veio por seu currículo. Ela estourou na TV como Sol, a aspirante a cantora em “Malhação”. Já fez quatro grandes musicais e integrou a banda Girls, após vencer um reality do Multishow. Mas com o programa ganhou uma nova visibilidade: 120 mil novos seguidores no Instagram. Para a final, já decidiu:

    — Vão ser três músicas, num resumão de tudo o que apresentei até aqui. Vai ter performance, agudos, emoção.

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    Jeniffer, porém, não é a única participante com background musical. Com 14 musicais na carreira, Malu Rodrigues poderia tirar de letra o nervosismo das apresentações. Mas ela garante que o reality é uma das coisas mais difíceis que já fez.

    — É diferente porque sempre fiquei escondida atrás dos personagens. Agora estou dando a cara a tapa.

    Arriscar tem valido a pena. Primeira finalista da temporada do “PopStar”, Malu conquistou o público.

    — Entrei sem pretensão nenhuma de ganhar o programa. Estou muito feliz com o reconhecimento.

    Para quem entrou aos 45 minutos do segundo tempo, sendo escalado só depois que Fábio Lago desistiu de participar da atração, disputar o prêmio de R$ 250 mil já é uma vitória para o ator João Côrtes. Feliz por ter conseguido mostrar um lado desconhecido do público, ele adianta: uma das três músicas que apresentará hoje é de Ray Charles, bem no estilo jazz/blues que vem apresentando. Ele também prepara um álbum, que já tem até nome: ““Elevador gourmet”.

    — Foi uma correria e tanto. Estou ansioso e, ao mesmo tempo, muito feliz. O “PopStar” é um divisor de águas na minha carreira — diz Côrtes, que já faz planos com o dinheiro: — Quero ir a Los Angeles (EUA) estudar roteiro, investir num longa que escrevi e no meu CD.

    De todos os 14 candidatos que iniciaram a competição, a jornalista Renata Capucci talvez fosse a que tinha menos expectativa quanto à vitória. Dedicada a apurar reportagens, nunca havia cantado antes. Nem aula de canto havia feito. Por isso, a surpresa — e satisfação — de estar na final.

    — A expectativa continua nenhuma, entrei para me divertir e vou continuar assim — diz Renata. — Nunca imaginei que fosse tão longe. Quando fui convidada, aceitei porque é um programa que fala de coisa boa, para a família. Mas todo mundo sabe que não sou cantora, sou jornalista.

    E, apesar da boa recepção do público e dos jurados à sua voz, ela pretende continuar apenas com o jornalismo.

    — Um produtor falou em gravar um single e achei graça — brinca. — Até hoje, isso nunca passou pela minha cabeça. Meu barato é contar histórias, cantar é só um hobby.


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    RIO - Para tudo há uma primeira vez. Uma atriz, aos 43 anos de carreira, finalmente estrela um monólogo, adaptado de um livro escrito por uma cantora, que por sua fez conta sua saga com um filho portador de uma doença rara. Na última quinta-feira, no Teatro Sesi, os astros se alinharam, e Louise Cardoso, Olivia Byington e João Byington de Faria protagonizaram uma estreia coletiva. “O que é que ele tem” é sobre uma mãe e seu filho nascido com a raríssima síndrome de Apert, causada por uma mutação genética que gera acrocefalia (desenvolvimento anormal do crânio) e sindactilia (pés e mãos fundidos total ou parcialmente).

    — Sempre houve intolerância, mas estrear esta peça neste momento tão apropriado é uma questão de sincronicidade. Eu acho importante falar sobre isso agora — defende Louise, valendo-se de um conceito junguiano que Olivia, filha de psicanalista, cita em seu texto. — Eu sei que é a história dela, mas ao mesmo tempo é a de muitas mulheres pelo mundo. Pensei nisso durante o espetáculo para poder ficar mais calma. Afinal, meus personagens estavam ali, vivos. Nunca tinha vivido isso, nem acho que se repetirá. 79896797_SC EXCLUSIVO Rio de Janeiro RJ 15-11-2018 Olivia Byington e seu filho Joao assistem a peca (1).jpg

    Por sincronicidade ou sincronia, ou mesmo coincidência, Olivia faz referência ao mesmo conceito:

    — A estreia da peça neste momento vem reforçar convicções muito fortes de que o caminho da exclusão e da intolerância nos prejudica demais. A peça reforça este pedido de tolerância, e a inclusão é uma porta que precisa ficar aberta. O “Você não está só” que ouvi de minha psicanalista quando o João nasceu tem a ver com o “ninguém larga a mão de ninguém” de hoje.

    A cantora tinha 22 anos quando João nasceu, em 1981. De lá para cá, foram mais de vinte cirurgias e muitas cicatrizes no duro processo de ver seu filho, hoje apto a trabalhar e namorando uma moça com a mesma síndrome, aceito. A história deste amor incondicional fez Louise mudar seus planos. Ela se preparava para encenar um outro texto quando leu o livro de Olivia, lançado em 2016. Na ocasião, buscava fora do Brasil uma peça para finalizar uma trilogia acidental sobre a maternidade, depois de encenar o épico “Mãe Coragem e seus filhos” (2007), de Bertolt Brecht, e a comédia “Velha é a mãe” (2010), de Fábio Porchat.

    — Eu nunca quis fazer um monólogo, que, aliás, prefiro chamar de “solo”. Achava que era o primo pobre do teatro, tinha preconceito mesmo. Mas comecei a assistir aos monólogos dirigidos pelo Fernando (Philbert, diretor da peça) e a perceber como eles têm uma força especial. E, quando li o livro da Olivia, fiquei louca com a força daquela menina de 22 anos. Pensei: “Para tudo! Não vou fazer peça de francês nenhum”.

    O texto foi adaptado pela dramaturga Renata Mizrahi, vencedora do Prêmio Shell em 2014 por “Galápagos”, para pouco mais de uma hora de espetáculo. E o que à primeira vista pode soar como um drama pesado é leve e às vezes até engraçado, como no original, de cerca de 200 páginas. Afinal, como explica a cantora, trata-se de um relato sem lamentações ou autopiedade. Ainda segundo ela, o fato de Louise ser uma grande comediante (“e, portanto, uma grande atriz dramática”) garantiu a leveza do texto.

    — É uma história com muitos momentos solares — resume Philbert, chamando a atenção para o cenário enxuto, de Natália Lana, com bancos de assento irregular, e uma mesa assimétrica, assim como as peças de cerâmica usadas na decoração. — Os tapetes estão desencontrados. Tudo está fora do eixo, para mostrar a beleza da diferença. O João é uma peça assimétrica que foi toda montada com muito amor e cuidado.79896844_SC EXCLUSIVO Rio de Janeiro RJ 15-11-2018 Olivia Byington e seu filho Joao assistem a peca.jpg

    Uma das peças da decoração é providencial: uma caixa de lenços de papel, usada muitas vezes entre uma cena e outra, para enxugar as lágrimas da atriz.

    — Foi uma marca pensada pelo diretor para a plateia ver, mesmo. Não tenho a obrigação de chorar, mas eu sempre me emociono em cenas como a do Dumbo (que mostra um vídeo assistido por Olivia em Nova York, em que a mãe do personagem da Disney defende o filho recém-entregue pela cegonha das amigas que caçoavam de suas orelhas grandes demais) e a do nascimento de João — conta Louise, que assina a produção.

    Olivia também foi só emoção. Ainda mais quando se deu conta de que também estava na trilha sonora da peça, assinada por Marcelo Alonso Neves.

    — Quando entrou a primeira vinheta, de uma velha trova cubana que gravei há mais de 30 anos, sobre uma pérola escondida dentro de corais, eu pensei: “eles foram mesmo a fundo!”

    João também deu seu aval:

    — Não colocaria nem tiraria nada.


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    RIO - Antonio Prata conta que ele e a mulher, Julia, concluíram que nunca mais seriam felizes depois que Olivia, 5 anos, e Daniel, 3, nasceram. Afinal, quando os filhos estão com eles, é preciso lidar o tempo todo com “pequenas urgências”. E, quando os filhos estão longe, o casal morre de saudade deles.

    Foi pensando nessa complexidade de sentimentos que o escritor criou “Pais de primeira”, série que estreia na TV Globo no próximo domingo (25). Pela primeira vez, Prata assina a redação-final de uma produção para a TV, junto com Chico Mattoso, Thiago Dottori, Bruna Paixão e Tati Bernardi. Os protagonistas são a workaholic Taís (Renata Gaspar) e o músico Pedro (George Sauma), que se descobrem “grávidos” logo após Pedro pedir demissão do trabalho para ir atrás do sonho de montar uma banda. Antes mesmo da estreia, a série tem segunda temporada garantida.

    — Eu e o Chico (Mattoso) começamos a pensar em uma série sobre um casal, em 2012, que ia discutir temas contemporâneos. No meio do caminho, nós dois viramos pais. Quando você tem filho, ele passa a ser seu único assunto. Então demos um bebê ao casal — explica Prata, que espera tocar em outros temas além da paternidade na série.

    Entrevista com o roteirista Antonio Prata Foto Leo Ma.jpg

    Ele lembra que um filho é “desculpa para falar de tudo”, já que demanda resposta para quase todas as questões atuais. E exemplifica:

    — Você é um ecologista a ponto de lavar fralda ou vai aderir ao sistema, usar fraldas descartáveis e dane-se o aquecimento global? Vai dar Barbie ou brinquedo educativo? Furar a orelha ou não? Tudo o que estamos discutindo hoje é encarado quando você está educando uma criança.

    Autor de mais de cem crônicas sobre a paternidade, publicadas na “Folha de S.Paulo”, Prata acredita que o amor pelos filhos não é imediato:

    — O instinto materno é uma ficção. Quando o bebê nasce, os pais não o amam. É a pessoa mais próxima de você, mas mais desconhecida. Quando olhei para minha filha e pensei que não a amava, achei que eu era um homem mau, que meu coração tinha congelado como o da “Frozen”. Mas, quanto mais coisa chata você faz com esse bebê, mais você se apaixona por ele. A relação é abusiva: ele faz xixi na sua cara, cocô na sua mão, e cada vez que piora sua vida, você o ama mais. E depois começa a ser rejeitado, muito rapidamente. Dia desses falei “eu te amo” para a Olivia, e ela respondeu: “Papai, você fala isso todo dia” — ri.

    Outra dinâmica a ser abordada é a relação com os avós. Em “Pais de primeira”, Augusto (Daniel Dantas) e Rosa (Marisa Orth) são avós paternos que não querem desgrudar do neto e chegam a alugar um apartamento próximo, enquanto Sílvia (Heloisa Périssé) e Luis Fernando (Nelson Freitas), os avós maternos, são mais ausentes.

    Algumas situações vividas pelos roteiristas serviram de inspiração para a comédia, como quando a personagem de Heloisa Perrisé resolve tatuar na pele “Marina”, o nome da futura neta, sem saber que Taís havia mudado de ideia ao descobrir que a namorada do pai tinha o mesmo nome. Conheça os personagens de 'Pais de primeira', nova série da Globo

    Outra presença é a irmã de Taís, Patrícia (Monique Alfradique), que faz as vezes de mãe “perfeita”, sempre comparando-se com a protagonista. É a deixa para discutir as pressões sociais sobre as mães, mais responsabilizadas pelo comportamento dos filhos do que os pais.

    — Só quando tem filho é que você percebe que vai lutar nas trincheiras da maternidade em pé de igualdade — diz Prata. — Quando acordava com o choro da minha filha, pensava: por que não nasci na época do Don Draper (personagem de “Mad men”, série de TV passada nos anos 1960), quando o mundo era horroroso? (risos) Sou da primeira geração em que se espera que se divida 50% das tarefas, e isso é ótimo para a comédia.

    A diferença entre expectativa e realidade também vai aparecer na série. Prata lembra que a maneira como os pais imaginam que serão dificilmente corresponde ao que eles acabam sendo.

    — No projeto ideal, minha filha nunca ia usar iPad. Um ano depois, ela está chorando na ponte aérea e eu só penso “pelo amor de Deus, engole esse iPad e para de chorar”.

    Apesar do foco em mostrar o “mundo real” da experiência da paternidade, Prata explica que uma preocupação da equipe foi não perder a ternura. Para isso, os roteiristas criaram um “ternurômetro”, para balancear a doçura com as situações tragicômicas.

    — O risco da comédia é queimar o objeto que você toca. Às vezes a comédia tem mesmo que ser cáustica, mas estamos falando de um tema muito amoroso. Ter filho é difícil, você não dorme, dói, às vezes o casal se separa, mas você ama aquele bebê.


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    RIO - As sequências iniciais de “2001: Uma odisseia no espaço” contêm a elipse temporal mais radical da história do cinema: depois de inventar o primeiro aparato técnico da história da Humanidade, um pedaço de osso que usa para esmagar a cabeça de um macaco de outra tribo, o mítico “macaco-primeiro homem”, em júbilo, lança o osso para cima. Um corte inesperado transforma essa arcaica arma mortífera em uma estação espacial hipermoderna que dança no espaço intergaláctico ao som de uma valsa de Strauss.

    “Galáxias I: Todo esse céu é um deserto de corações pulverizados”, peça com direção de Luiz Felipe Reis e dramaturgia original do próprio diretor construída a partir de um diálogo com a obra do escritor argentino J. P. Zooey, começa com uma sugestão parecida: duas televisões dispostas nas laterais do palco mostram antigas imagens em preto e branco de um ritual indígena e, na sequência, num corte seco à la “2001”, o lançamento de um foguete que explode, ao vivo e a cores, ainda antes de sair da atmosfera.

    Trata-se, para Kubrick e para Reis, de entender como o progresso científico, em vez de criar na Terra o paraíso tecnológico sonhado pelos primeiros iluministas, acabou produzindo catástrofes naturais e humanas sem precedentes, que em breve podem precipitar o fim do mundo.

    A peça, de inequívocas tintas apocalípticas, acompanha o modo como seus três protagonistas leem, na realidade que os circunda, os sinais do fim do mundo e tentam, de algum modo, reagir a ele.

    A narrativa estrutura-se em torno das palestras filmadas e das cartas que um velho professor (vivido com carisma por Leo Wainer) escreve para sua irmã ausente. Em uma inversão de meios cenograficamente instigante, as cartas são encenadas como videoconferências, com o ator se filmando ao fundo do palco e sua imagem sendo duplicada em primeiro plano por duas grandes telas quase transparentes. Já as videoconferências são encenadas ao vivo, com o ator endereçando-se diretamente à plateia, como em um Ted-Talk.

    A tese mais interessante defendida pelo professor é a de que os seres humanos não teriam vindo dos macacos, mas dos pássaros, e de que a nossa tarefa seria aprender a ouvir o canto das aves, o canto da Terra e da Natureza, aí incluídos os planetas do sistema solar. Segundo o professor, esses planetas teriam uma mensagem a nos transmitir, uma mensagem que poderia talvez impedir o fim do mundo. Mas essa mensagem seria praticamente impossível de decodificar em meio aos ruídos caóticos da assim chamada civilização.

    Com o suicídio do velho professor, seus dois vizinhos, um escritor (Ciro Sales) e uma atriz (Julia Lund) herdam seu arquivo e sua obsessão por encontrar um sentido menos desértico para seus corações pulverizados, condenados ao tédio e à apatia da vida moderna.

    “Galáxias” não fornece respostas nem aos delírios metafísicos do velho professor nem à angústia burguesa dos dois artistas, mas convida-nos a ouvir a voz das pessoas para quem o fim do mundo não é nenhum fim do mundo, para quem o fim do mundo é todo dia.


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    RIO — Eram os loucos anos 1920. Calvin Coolidge estava na Casa Branca, os New York Yankees eram os campeões de beisebol e Mickey Mouse fez a sua estreia nas telas.

    Neste domingo, Mickey Mouse — a criação do ilustrador Walt Disney, o roedor que se tornaria a marca de um império global de entretenimento — completa 90 anos.

    O icônico roedor, cuja silhueta consiste simplesmente de um grande círculo e dois círculos menores que servem como orelhas, lançou a sua carreira com "O vapor Willie", em Nova York, em 18 de novembro de 1928. Mickey Mouse

    No desenho em preto e branco de oito minutos, Mickey pilota um barco a vapor e diverte a passageira Minnie Mouse ao usar os animais a bordo como instrumentos musicais.

    "Não é o primeiro desenho animado a ser sincronizado com música, mas é o primeiro a atrair atenção positiva", escreveu a revista "Variety" em sua resenha para a obra. "Esse filme representa a ingenuidade do desenho, combinada de maneira inteligente com efeitos sonoros. A união traz risos galopantes. As risadas vieram tão rapidamente no cinema que as pessoas estavam tropeçando umas nas outras."

    De lá para cá, o personagem passou por tantas transformações que chega a causar espanto vê-lo em seus primeiros filmes , quando ainda não tinha pupilas, suas mãos estavam livres de luvas, o corpo era reto de tão magro e os sapatos pareciam dois pequenos tijolos.

    Mickey Mouse, chamado pela Walt Disney de seu embaixador global, também estrelou o filme animado "Fantasia" (1942), aclamado pela crítica. Ele lançaria a série de TV "O clube do Mickey" nos anos 1950. Mickey Mouse 90 anos

    Para marcar o aniversário, a Disney abriu a exposição "Mickey: The true original exhibition", em Manhattan, com arte original, cenários para fotos e, claro, produtos comemorativos. A exibição vai até 10 de fevereiro. Paralelamente, instalações pop-up serão montadas em diversos pontos dos Estados Unidos por artistas plásticos convidados. Outros países também planejam comemorar a data.


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    RIO - Uma história de superação em meio à adversidade e dados assombrosos sobre violência no país. Os dois assuntos projetaram os documentários “Contramaré” e “A guerra do Brasil”, ambos produzidos pelo GLOBO, a patamares internacionais.

    Dirigido pelo documentarista Daniel Marenco, “Contramaré” está na seleção do 5º Festival Brasil de Cinema Internacional, que começa nesta segunda-feira e vai até sábado, no Museu de Arte Moderna (MAM), e na do São Paulo Film Festival, cuja cerimônia de premiação acontece em 11 de dezembro, na Caixa Belas Artes. Está ainda na programação do CityflixInternacional Film Festival (30 de novembro a 2 de dezembro), em Toronto.

    “A guerra do Brasil”, com direção e ilustrações de Alessandro Alvim, venceu o troféu de melhor vídeo nos Prêmios ÑH, no qual também foi premiado na categoria best of show. O ÑH é uma premiação dedicada a celebrar a diagramação de jornais de Portugal, Espanha e toda a América Latina.

    Documentário mostra vidas e desafios da Orquestra Maré do AmanhãPublicado no site do GLOBO em março deste ano, “Contramaré” acompanha a rotina da Orquestra Maré do Amanhã, no Complexo da Maré. O projeto, idealizado por Carlos Eduardo Prazeres, ensina música clássica a crianças, adolescentes e jovens numa área vulnerável. Só em 2017, o conjunto de favelas registrou 42 mortos em confrontos, segundo dados da ONG Redes da Maré. O filme traz imagens belíssimas de aspirantes a violinistas, flautistas, contrabaixista, entre outros.

    — O reconhecimento é muito legal, mas o mais incrível é a oportunidade de mais pessoas conhecerem a história dos jovens da orquestra que vivem num contexto de muita dificuldade. Conversei com eles e estão todos felizes — diz Marenco, que acompanhou a rotina do grupo durante nove meses para produzir o filme. — O projeto musical é uma resposta à violência do lugar onde vivem.

    Os dados da violência são tema de “A guerra do Brasil”, um curta-metragem de animação com duração de 14 minutos narrado pelo ator Lázaro Ramos. O documentário revela informações estarrecedores sobre a nossa realidade, como a que o Brasil teve 786 mil homicídios em 15 anos — um número maior que o de mortos nas guerras da Síria e do Iraque. Desde a sua publicação, em 11 de dezembro de 2017, “Guerra do Brasil” foi notícia em jornais e rádios de pelo menos onze países. Entre as publicações, o “El País”, da Espanha; “La Nación” e “Clarín”, da Argentina; “El Universal”, do México, “El Comercio”, do Peru; e “El País”, do Uruguai.

    — Isso nos enche de orgulho porque “A guerra do Brasil” é um projeto multidisciplinar, mas que foi um desafio de fazer — explica o editor-assistente de arte Alessandro Alvim. — É uma linguagem documental de animação, mas que usa base de dados para dimensionar como a violência é assustadora. Foi uma obra feita para mostrar a dura realidade e levantar debate. Por isso o reconhecimento é essencial.


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    RIO - De espiões infiltrados a chefes de família que escondem segredos, a noção de vida dupla sempre rendeu para a ficção. Mas em “Ilha de ferro”, série da Globo que estreia nesta segunda-feira no “Tela Quente Especial” e já está inteiramente disponível no Globoplay, há um outro olhar sobre os protagonistas que vivem entre dois mundos. Aqui, Dante (Cauã Reymond) e Júlia (Maria Casadevall) vivem embarcados em uma plataforma de petróleo, onde trabalham períodos de 15 dias em uma jornada de trabalho complexa e estressante, para em seguida retornar à terra firme, onde devem lidar com seus dramas pessoais.

    — Nossa ideia é mostrar como o ambiente de trabalho na plataforma é o que molda a personalidade. Por isso, todos eles estão sempre à flor da pele, com um senso de urgência muito grande — explica a escritora Adriana Lunardi, que criou a série ao lado do marido Max Mallmann, morto em decorrência de um câncer em 2016, durante o desenvolvimento do projeto.

    “Ilha de ferro” começa com Dante sendo preterido por Júlia para o posto de gerente da plataforma PLT-137. Enquanto lida com a frustração profissional, ele ainda descobre que a sua mulher, Leona (Sophie Charlotte) está tendo um caso com seu irmão caçula, Bruno (Klebber Toledo), piloto da plataforma.

    Logo no primeiro episódio, o temperamento mercurial de Dante cria consequências graves. Mas Cauã resiste em definir o personagem como mais um anti-herói da televisão.

    — Dante tem um aspecto sombrio, é cheio de conflitos internos. Ele tem densidade, pois vive constantemente sob a pressão do trabalho pesado. Além disso, a relação com a namorada é conflituosa. Mas consigo ver um heroísmo nele. É um guerreiro — defende Cauã.

    Poder feminino

    Enquanto Dante lida com seus demônios, a determinada Júlia representa as mulheres que precisam lutar por respeito no trabalho.

    — Júlia tem que se impor para garantir um espaço que ela já conquistou. É a luta cotidiana das mulheres. Ela me fez refletir sobre a minha realidade, pois também sou uma mulher em um set majoritariamente masculino. Antes do espaço da Júlia, precisei garantir o da Maria — defende Casadevall.

    Além de enfrentar o machismo dos colegas, ela precisa superar o estigma de ser filha do Ministro de Minas e Energia, Horácio (Herbert Richers Jr.), que pretende implementar um projeto liberal no setor, e neta do presidente do Sindicato dos Petroleiros, João Bravo (Osmar Prado). O embate de gerações também dá dimensão política à trama, que não deixa de discutir como a commodity do petróleo compõe a identidade nacional. Adriana explica que o projeto inicial de “Ilha de ferro” surgiu em 2007, durante um momento de entusiasmo com a descoberta do pré-sal.

    — Quando o projeto virou série de TV, em 2013, o Brasil já era outro, e tom da trama que era de ação e aventura ganhou uma dimensão trágica — revela.

    Uma das maiores apostas da Globo para este ano, “Ilha de ferro” já estreia com a segunda temporada em produção e uma terceira confirmada. O investimento pode ser visto nas cenas de ação, como uma queda de helicóptero no mar, ou mesmo na reconstrução virtual da plataforma de petróleo. A equipe de efeitos visuais trabalhou vários meses na criação desse modelo, segundo o diretor Afonso Poyart. Há ainda uma réplica física da plataforma com 3 mil metros quadrados. Até a Marinha brasileira entrou em jogo, firmando um acordo com a produção para ceder navios e helicópteros, entre outros equipamentos.

    — Depois dessa série, o Brasil sobe um patamar nas produção de séries de TV. Gravamos em locais hostis, onde tudo podia dar errado — afirma Klebber Toledo.

    Para Sophie, a estratégia de lançamento no streaming também abre portas para diferentes experiências de consumo no audiovisual.

    — Cada um pode ver a hora que quiser, no ritmo que quiser, seja em partes ou em uma maratona. A experiência fica mais pessoal.


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    Em uma noite agradável de terça-feira, um homem de terno preto e cabelos grisalhos entrou no River Café, no Brooklyn, e sentou-se em um piano Steinway. Parcialmente escondido pelas folhas de uma palmeira, começou a tocar os standards usuais. Alguns balançavam a cabeça, mas ninguém parecia perceber que o homem atrás do piano não era outro senão Dom Salvador, uma das figuras mais influentes, ainda que menosprezada, da história da música brasileira. (Leia a reportagem original, em inglês, no "The New York Times")

    Houve uma época em que os ouvintes se reuniam para ver Salvador. Na década de 1950, o menino prodígio ia além da sua hora de dormir nos dancings; na década de 1960, o jovem ajudou a criar o samba-jazz nos mais renomados palcos do Rio de Janeiro; e no início dos anos 70, tornara-se um dos mentores do samba-soul, dando um toque brasileiro no funk e soul americanos.

    Mas aí ele se afastou de tudo. Em 1973, mudou-se para Nova York com a intenção de se tornar músico de jazz, ganhando uma posição cobiçada como diretor musical de Harry Belafonte. Mas também se afastou disso. Em 1977, começou a tocar piano cinco noites por semana em um novo restaurante no East River, em uma área desolada perto da ponte do Brooklyn.

    E está lá desde então, nos últimos 41 anos. É provavelmente a mais longa residência na história de Nova York. (Um competidor, Salvador certamente venceu: Bobby Short, o cantor de cabaré que se manteve no Café Carlyle por períodos seguidos de seis meses. Ele durou apenas 36 anos).

    É um estilo de vida que combina com Salvador, um homem prático, de poucas palavras, que aprecia a segurança do trabalho. No entanto, quem conhece seu passado acha difícil imaginar como — ou por que — ele acabou em relativa obscuridade. “Se ele fosse tão famoso quanto ele realmente merece ser, as pessoas estariam lotando esse lugar”, diz o DJ Greg Caz, especialista em música brasileira.

    Apesar de Salvador não se arrepender, aos 80 anos, ele também está ciente de que o tempo está se esgotando para deixar sua marca no mundo do jazz de Nova York. No último ano, ele disse a pessoas próximas que está, finalmente, pronto para uma mudança.

    Em 1938, Salvador da Silva nasceu em uma família musical, na pequena cidade brasileira de Rio Claro, no estado de São Paulo. O mais novo de 11 filhos, ele praticava dedilhado em folhas de papel que seu professor havia desenhado, porque sua família não tinha um piano.

    No início, Salvador estudou música clássica, mas estava recebendo uma formação diferente da rádio, que tocava Pixinguinha, considerado o Louis Armstrong brasileiro, junto com o swing americano de Glenn Miller, Duke Ellington, Count Basie e Benny Goodman.

    Vídeo Dom Salvador

    Salvador queria se tornar músico de jazz. Quando tinha 14 anos, tocava piano em uma conhecida banda de baile conhecida, a Excelsior. Em 1961, como a bossa nova estava decolando internacionalmente, Salvador foi para São Paulo, e de lá para o Rio. Logo se tornou um músico de destaque no Beco das Garrafas, onde conheceu o baterista Edison Machado e o baixista Sérgio Barrozo. Os três formaram o Rio 65 Trio, gravando dois álbuns de samba-jazz, que mesclavam a energia improvisadora do bebop com ritmos brasileiros.

    Trabalhando como músico de estúdio no Rio, ele tinha um contrato com a gravadora Odeon, mas era freelancer na CBS e em outras empresas. De acordo com suas próprias contas, Salvador tocou em mais de mil discos (a maioria sem créditos), trabalhando com compositores como Antônio Carlos Jobim.

    Em 1969, seu produtor na CBS trouxe de uma viagem aos Estados Unidos uma pilha de LPs de Kool & the Gang, Sly & the Family Stone e James Brown. A ideia era que Salvador fizesse algo parecido, mas ele se irritou com a ideia: “Gostei do que ouvi, mas disse a ele: ‘Não vou copiar, vou fazer à minha maneira!’”

    A associação ao funk rendeu o grupo Dom Salvador e Abolição, um precursor do movimento Black Rio. Mas o astro, mais uma vez, não teve paciência com os músicos mais jovens e, também motivado pela perseguição aos músicos pela ditadura militar, foi tentar a vida em Nova York.

    O resultado, que marcou seu afastamento do jazz, acabou se tornando uma gravação seminal da alma brasileira, na qual Salvador colocou o funk americano através de um prisma de samba. A capa do álbum mostrava uma fotografia de Salvador, olhando severamente para a câmera em uma jaqueta de couro, o braço esticado sobre uma mesa diante dele e o punho cerrado em um gesto sutil de desafio. Ele chamou o álbum “Dom Salvador” (“Dom” significa “Senhor”). O apelido ficou.

    Em seguida, Salvador iniciou uma banda de samba-soul, Dom Salvador e Abolição, ou Abolição. Ele e seus colegas de banda usavam afros, calças boca-de-sino e camisas brilhantes de gola longa bem antes do movimento soul brasileiro, conhecido como Black Rio, decolar no final dos anos 1970.

    “Ele é um pioneiro não apenas na música, mas uma nova compreensão da negritude no Brasil e a usou como uma forma de poder cultural”, conta Bryan McCann, historiador da Universidade de Georgetown que escreveu extensivamente sobre a música brasileira.

    Salvador reluta em comentar sobre esse período de sua vida — mesmo agora que a eleição de Jair Bolsonaro, o presidente de extrema-direita do Brasil, ecoe a antiga ditadura — e parece desconfortável em levar algum crédito por qualquer tipo de conscientização no Brasil. “Para mim, é música”, diz.

    Os dias de samba-soul foram um momento particularmente decepcionante para Salvador em termos criativos. Um líder exigente, ele era cerca de uma década mais velho que a maioria de seus companheiros de banda na Abolição, não usava drogas nem bebia. “Coloquei muita energia nessa banda”, disse Salvador, com um suspiro, em sua atual casa na cidade suburbana de Long Island em Port Washington, enquanto relembrava de tudo em sua mesa de jantar sob uma foto emoldurada de seu ídolo, Thelonious Monk. “Fiquei muito frustrado.”

    No final dos anos 1960, o governo começou a reprimir estudantes, artistas e ativistas. Gilberto Gil e Caetano Veloso, os fundadores do movimento tropicalista, foram presos e depois exilados. Não ficou claro se o regime tomaria medidas contra Salvador.

    “A polícia estava definitivamente monitorando e mantendo arquivos sobre músicos negros e essas festas que eles estavam fazendo, nas quais eles tocavam James Brown e outras coisas”, disse Marc Hertzman, historiador da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, e autor de “Making Samba: A New History of Race and Music in Brazil”. Mas o maior medo dos militares, acrescentou Hertzman, parecia ser da agitação marxista.

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    Salvador ficou frustrado com a indústria da música e com sua banda. Tudo isso gerou uma decisão definidora de vida quando, quase por capricho, ele deixou o grupo. “Comecei a ter cabelos grisalhos”, conta. Alguns dos seus músicos acabaram formando, na década seguinte, a Banda Black Rio, a reverenciado grupo funk considerado um Earth, Wind & Fire brasileiro. Daí, provavelmente, veio o apelido "Dom".

    Mas em meados dos anos 1970, Salvador tinha deixado a cena por completo. Ele estava em Nova York, tentando fazer carreira no jazz.

    “Quando cheguei a este país, tive que começar tudo de novo”, diz Salvador. No Rio, ele tinha dois apartamentos. Em Nova York, viveu, a princípio, com um colega de quarto no Queens, lutando para aprender inglês. Um contrato de gravação com a CBS caiu, “e os clubes não pagavam o suficiente”. A mulher, Maria, veio seis meses depois, e os filhos, que ficaram no Brasil com as primas da sua esposa, um ano e meio depois disso.

    Então, um dia, Harry Belafonte ligou e pediu que ele fosse trabalhar como seu arranjador. Salvador tocou no álbum de sucesso de Belafonte, “Turn the world around”, e viajou pela Europa em 1977, tocando para o Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth II na Inglaterra.

    “Tudo mudou muito, financeiramente. Eu poderia cuidar melhor da minha família”, diz Salvador. Ainda assim, ele era muito cioso de suas ideias musicais — afinal, era um líder no Brasil — e havia algumas disputas criativas entre ele e Belafonte, embora nada muito sério. Acima de tudo, ele se sentiu culpado deixando a família para trás novamente, e achou que as turnês estavam sendo exaustivas.

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    Em 1977, largou o emprego com Belafonte para um emprego tocando piano em um novo restaurante no Brooklyn.

    “Fiquei muito feliz por tê-lo por um período que foi curto, mas muito produtivo”, disse Belafonte, que participou do 50º aniversário de casamento de Salvador, há três anos. “Acho que ele era qualificado demais para o que eu queria que fizesse, mas isso reverteu a meu favor, porque foi muito saboroso o que ele trouxe. Acho que ele é um excelente pianista no mundo da cultura pop e do jazz. Ele é um troféu”.

    Salvador não imaginava que o trabalho no River Café duraria tanto tempo, e há algumas especulações sobre por que sua carreira não decolou nos Estados Unidos. Alguns dizem que é porque ele nunca teve um bom empresário ou assessor de imprensa, enquanto outros se acreditam que foi porque ele era muito recluso. Seria fácil ver a carreira de Salvador como uma série de oportunidades perdidas, mas com o dinheiro que ganhou no River Café, ele conseguiu colocar seus dois filhos na faculdade e leva uma vida relativamente confortável.

    “Seu ego às vezes atrapalha as coisas", diz Marcelo da Silva, filho de Salvador de 52 anos, é psicólogo. “Meu pai sempre se preocupou com a música, deixe-me dizer isso.” Marcelo disse que seu relacionamento com o pai sempre foi um pouco tenso, mas credita Salvador por sempre cuidar da família: “Ele era um provedor.”

    E, no entanto, o show no River Café não parece ser uma alternativa tão libertadora, uma chance de melhorar seu ofício noite após noite. Esse trabalho o manteve em forma, e ele aprecia o desafio de tocar novas músicas solicitadas pelos clientes. (Ele tem cerca de quatro mil músicas no repertório, e a lista está sempre crescendo).

    Ele já se apresentou para um grande número de celebridades, como Paul Newman, Joe Namath e Elizabeth Taylor. Os que lembra mais vividamente são os músicos: Tony Bennett, Frank Sinatra, McCoy Tyner, Herbie Hancock, George Benson e John Denver. Certa vez, ele convenceu o pianista Tommy Flanagan a sentar-se em seu banco e tocar “Autumn in New York”. Billy Joel, observando-o uma noite, disse-lhe que tinha “o diabo de uma mão esquerda”, recordou.

    Recentemente, porém, as coisas foram difíceis para Salvador, que completou 80 anos em meados de setembro. Enquanto goza de boa saúde, Maria, que tem 82, sofre de demência. Salvador é seu principal cuidador, o que é difícil de administrar, devido à agenda cheia.

    Cerca de seis dias por semana, ele pega um trem da tarde para a Penn Station, toma um metrô para o Brooklyn, toca no River Café e geralmente volta da mesma maneira, às vezes chegando em casa por volta das 2h da manhã.

    No restaurante, há não muito tempo, Salvador estava tocando “I know why (e so you)”, popularizada em 1941 por Glenn Miller. Ele parou por um momento e ergueu os olhos do teclado.

    — Aprendi essa em Rio Claro — disse, enquanto as balsas ocorriam no rio e o horizonte de Manhattan brilhava à distância.

    Ultimamente, Salvador, que se tornou cidadão americano em 2000, disse a amigos e conhecidos que quer se concentrar novamente em seu primeiro amor — o jazz. Ele gostaria de se apresentar no Village Vanguard. Seu novo grupo, o Dom Salvador Sextet, lançou um álbum, “The Art of Samba Jazz”, em 2010, e ocasionalmente se apresenta em locais como o Joe’s Pub e o Django.

    Houve alguns grandes triunfos também. Em 2015, Salvador se apresentou no Carnegie Hall para celebrar o 50º aniversário do Rio 65 Trio. Uma gravação ao vivo do show foi lançada no Brasil em agosto e o álbum está prevista para sair no próximo ano nos Estados Unidos.O baterista Duduka da Fonseca, que tocou com ele no show de 2015 no Carnegie Hall, lançou um álbum de tributo ao pianista, e um documentário sobre sua vida está atualmente em produção.

    Quanto àqueles que querem vê-lo ao vivo, há sempre o River Café, onde Salvador ainda está tocando para uma casa lotada, todas as noites, exceto aos sábados.

    Perto do final de um set recente, enquanto os clientes saíam do restaurante, um homem parou para agradecer a Salvador por sua atuação, comentando que a primeira vez que o ouvira no River Café fora em 1982. Mas Salvador, de cabeça baixa durante uma canção, não estava ouvindo.

    Sua mente, como sempre, estava na música.


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    RIO - Executivo da indústria fonográfica francesa, Alexandre Deniot participou de um grande projeto de distribuição digital de música em países africanos. Isso aconteceu há dois anos, quando ainda trabalhava na filial local da Universal Music. A experiência, ele diz, foi fundamental para mergulhar na diversidade cultural do continente e para ter “um bom entendimento das complexidades desses mercados emergentes da música”.

    No ano passado, Deniot se tornou presidente do Marché International du Disque et de l’Edition Musicale — ou melhor, o Midem, a grande feira internacional dos profissionais da música, que acontece anualmente, desde 1967, em Cannes, na França, reunindo participantes de 80 países. Agora, entre os dias 26 e 27, é a vez de seu primeiro fórum latino-americano, e em solo carioca, no Crab/Sebrae, na Praça Tiradentes.

    — As gravadoras queriam fazer muitas coisas na África, mas não entendiam os mercados e artistas de lá — conta, por telefone, Deniot, que lançou o Programa de Mercados de Altos Potenciais para incentivar a descoberta de talentos e o desenvolvimento de negócios da música em países emergentes. A novidade foi apresentada no Midem deste ano, num fórum exclusivo para países africanos.

    Agora, ele anuncia, é a vez de apresentar o projeto à América Latina.

    — Este é um grande momento para a indústria musical globalmente porque pode-se ver um grande crescimento. A música vai bem, especialmente na América Latina, onde esse crescimento tem sido celerado — lembra o francês, explicando a escolha do Rio para sediar o fórum. — O Brasil é o maior mercado na América do Sul. Hoje, é o nono mercado musical do mundo, tendo sido verificado um crescimento de 9% nos rendimentos com a indústria musical em 2017.

    Lembrando que “de Celia Cruz, Gilberto Gil, Molotov e Anitta a Visitante, Compay Segundo, Elvis Crespo e Maná, todos já se apresentaram no palco do Midem”, Denoit diz que sua ideia com esse fórum no Rio é “aumentar os laços entre o Brasil e os outros países da América Latina, que não falam a mesma língua”:

    — Estaremos aí para reforçar essa comunidade e descobrir artistas. Queremos criar redes e entender o que ocorre com a indústria musical, mais complexa que nunca, para saber aonde o negócio irá.

    E essa “complexidade” tem tudo a ver com ascensão do streaming dentro do mercado musical mundial:

    — O streaming é o que move a indústria agora, tivemos um aumento de 49% da sua participação nas receitas com a venda de música no mundo ano passado. Pela primeira vez, ele é a principal fonte de rendimentos para gravadoras. E, se olharmos o Brasil, veremos que esse aumento na participação, no mesmo período, foi de 52,4%.

    O 'case' Far From Alaska

    A boa coisa do streaming para o negócio, segundo o executivo, é que hoje é possível ter hits globais de fora dos EUA e Europa, como o “Despacito”, dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee, que chegou a incríveis 7,5 bilhões de execuções nas plataformas, entre áudio e vídeo.

    — O streaming está mudando o jogo e e criando oportunidades — defende ele. — E, com isso, a música da América Latina está evoluindo, mudando e tocando um monte de gente ao redor do mundo. Artistas como (o cantor americano criado em Porto Rico) Nicky Jam estão abrindo muitas portas agora. Além disso, existem bons agregadores que ajudam a estar nos principais serviços de streaming do mundo. O grande desafio agora é ganhar algum destaque nessas plataformas. É muito fácil ter suas música nelas, mas você será um artista no meio de um milhão de outros.

    Uma das iniciativas do Midem a fim de oferecer armas para novos talentos é o Programa de Acelerador de Artistas, que em 2016 teve como beneficiada a banda brasileira Far From Alaska (o caso, aliás, será analisado na mesa “Desenvolvendo uma carreira internacional: aprendizados do Far From Alaska”, dia 26, às 16h).

    — Ano que vem, o Acelerador faz cinco anos — celebra Deniot. — Trata-se de uma competição entre artistas novos que, ao mesmo tempo, é bem mais do que um jogo. Ajudamos os artistas a se projetarem internacionalmente.E contamos com histórias de sucesso, como a do Far From Alaska. No ano passado, tivemos mais de 600 inscrições de 66 países e chegamos a 12 finalistas que tocaram no Midem para altos executivos das grandes gravadoras.


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