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    RIO — Com o fim da Mostra Gay, em 2014, os filmes com temática LGBTI+ passaram a se espalhar pelas outras mostras do Festival do Rio, com direito a um prêmio próprio, o Felix. Neste ano, são 39 filmes entre os mais de 200 do festival, incluindo grandes lançamentos como "Colette" e "A quietude". Confira abaixo uma seleção desses títulos.

    Links Fest rio

    Ficção

    'Buddies', de Arthur J. Bressan Jr

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    Quando David, um yuppie gay de 25 anos, se voluntaria a ser um “buddy” para pacientes com AIDS, ele conhece Robert, 32 anos, um jardineiro californiano de verve altamente politizada, que foi abandonado pelos amigos e pela família. Passado quase todo em torno do quarto de hospital, o filme é centrado nos dois personagens (o resto do elenco pode ser apenas ouvido).

    Terça (06/11): 14h50, Estação NET Gávea 5

    Quarta (07/11): 21h15, Estação NET Rio 4

    Domingo (11/11): 13h30, Estação NET Botafogo 1

    'Jéssika', de Galba Gogóia

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    Jéssika é uma travesti. Anos depois de deixar o interior do Nordeste, retorna para sua cidade natal. Nessa viagem, reencontra sua história e a si mesma.

    Segunda (05/11): 18h30, Estação NET Rio 3

    Terça (06/11): 19h, Cine Arte UFF

    'José', de Li Cheng

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    José, 19 anos, vive com sua mãe na Cidade da Guatemala - uma típica vida de baixa renda em um dos países mais pobres, perigosos e religiosos do mundo. José passa seus dias em ônibus lotados, trabalhando como entregador de comida para motoristas. Ele preenche seu tempo livre no celular e com sexo casual, que surge das esquinas e de aplicativos de encontros. Quando conhece Luis, um imigrante da área rural da costa do Caribe, José vai viver paixões e sofrimentos.

    Quinta (08/11): 16h, Estação NET Rio 4

    Sexta (09/11): 13h30, Estação NET Ipanema 1

    'O mau exemplo de Cameron Post', de Desiree Akhavan

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    Cameron Post parece uma aluna perfeita do ensino médio. Mas, depois de ser pega com outra garota no banco de trás de um carro, ela é enviada a um centro de conversão para jovens com “impulsos homossexuais”. Grande Prêmio do Júri, Sundance 2018.

    Sábado (10/11): 17h30, CCLSR - Cine Odeon NET Claro

    'Selvagem', de Camille Vidal-Naquet

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    Leo tem 22 anos e vende seu corpo nas ruas em troca de algum dinheiro. Homens chegam e vão, ele continua no mesmo lugar. Em busca de amor, mas, ao mesmo tempo, sem poder imaginar o que o futuro vai trazer, ele enfrenta as ruas com o coração batendo forte. Exibido na Semana da Crítica em Cannes 2018.

    Quarta (07/11): 13h45, Estação NET Ipanema 1

    Domingo (11/11): 17h15, Estação NET Rio 4

    Documentário

    'Nomes que importam', de Muriel Alves e Angela Donini

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    Diante da câmera, travestis e transexuais revelam como escolheram os nomes que adotaram. Os depoimentos evocam a memória afetiva dos personagens e a importância do reconhecimento de sua identidade.

    Terça (06/11): 13h, CCLSR - Cine Odeon NET Claro

    Quarta (07/11): 19h, Kinoplex São Luiz 1

    'Preciso dizer que te amo', de Ariel Nobre

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    Documentário sobre a resiliência e a luta contra o suicídio entre as pessoas trans, o filme retrata a relação dos personagens com o corpo, com a vida e com o sagrado. Adentra o peito da Aretha, do Yago, do Deniell e do Ariel em uma tentativa de cura interior: pessoal e coletiva. 13 minutos. Não recomendado para menores de 10 anos.

    Terça (06/11): 21h30, Kinoplex São Luiz 1

    'Rogéria, senhor Astolfo Barroso Pinto', de Pedro Gui

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    Rogéria nasceu Astolfo. Começou a carreira como maquiador de grandes estrelas, que o estimularam a cantar e interpretar, sempre como uma figura feminina. O nome Rogéria veio pelo “público”. Assim que “surgiu”, Rogéria tomou as rédeas da situação e escondeu Astolfo da sociedade. Esse docudrama aborda as histórias de Rogéria e de Astolfo, que se conjugam em uma só, mas que têm relações ímpares e complexas entre si. 82 minutos. Não recomendado para menores de 10 anos.

    Quinta (08/11): 17h, Cinemateca do MAM


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    SÃO PAULO — O atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, foi anunciado nesta terça-feira secretário de Cultura de São Paulo, na gestão do governador eleito, João Doria (PSDB). Sá Leitão substituirá o atual secretário, Romildo Campello. Também herdado de Temer, o atual ministro da educação, Rossieli Soares, será secretário da Educação de Doria.

    Sá Leitão disse que uma de suas prioridades à frente da secretaria, que agora ganhará o nome de Cultura e Economia Criativa, será fortalecer as atividades culturais tanto sob o aspecto social quanto em termos econômicos. Destacou também os equipamentos culturais do estado e sua gestão por meio de organizações sociais:

    - É um modelo que eu considero ideal - disse ele à saída do evento, no bairro dos Jardins.

    Outro elemento importante da secretaria ressaltado por Sá Leitão é o fomento por meio do Programa de Ação Cultural (Proac). Segundo o futuro secretário, o programa precisa ser ampliado e desburocratizado: Links fim do Minc

    - É uma ação que eu apliquei no ministério e pretendo trazer para cá - disse ele. - Muitas vezes, os artistas pequenos e mais humildes não têm condições de fazer uso tipo de fomento por causa da burocracia. Vamos mudar isso.

    Sá Leitão disse também que pretende trabalhar para criar eventos para comemorar duas datas importantes durante a gestão de Doria: os 200 anos da Independência e os 100 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo - ambas a serem comemoradas em 2022:

    - Já conversamos, eu e o governador eleito, para revitalizar o Museu do Ipiranga e também pensar em ações para comemorar o centenário da Semana de Arte Moderna, que foi importante tanto para São Paulo quanto para o país - disse ele.

    Jornalista e gestor cultural, Sá Leitão foi nomeado ministro por Michel Temer em julho de 2017, após uma série de contratempos da pasta, que chegou a ser extinta, virou secretaria e depois foi reabilitada. Na semana passada, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), comunicou a extinção do MinC — Educação, Cultura e Esportes ficarão na mesma pasta.

    Ex-diretor da Ancine, Sá Leitão foi chefe de gabinete de Gilberto Gil no Ministério da Cultura entre 2003 e 2006. Foi também secretário de Políticas Culturais da pasta. Em 2007, foi assessor da diretoria do órgão, e, no ano seguinte se tornou diretor, com mandato que valeria até 2010. Mas deixou o cargo em 2008 para presidir a RioFilme, na gestão do prefeito Eduardo Paes, função que exerceu até 2014. Links Sérgio Sá Leitão

    Parte do mandato foi acumulado com o de secretário municipal de Cultura, entre 2012 e 2015.O ministério estava sem titular desde maio, quando o então ministro Roberto Freire (PPS) decidiu deixar o cargo. Na ocasião, Freire justificou sua saída dizendo que a crise política tinha ficado insustentável. Partidos aliados brigavam pelo cargo, sobretudo o PTB, uma das legendas do centrão, que queria no cargo a deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson.

    Leitão era o nome preferido do Palácio do Planalto para presidir a Agência Nacional do Cinema (Ancine). João Batista de Andrade, ministro interino que pediu demissão da Cultura no mês passado, discordava: queria que a presidente fosse Debora Ivanov, ligada à gestão petista da agência, principalmente a nomes do PCdoB.


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    SÃO PAULO — Não se deixe enganar pelo título. “A quietude”, em cartaz no Festival do Rio (com sessão nesta quarta-feira, às 21h15m, no Kinoplex São Luiz), não tem nada de tranquilo. É, na verdade, uma explosão de segredos revelados e sentimentos reprimidos durante muitos anos. Tudo isso na história do reencontro de duas irmãs, após um derrame deixar o pai de ambas em coma e a mãe delas melancólica. Embora seja distribuído pela Sony, o nono longa do argentino Pablo Trapero, que fez sua estreia no Festival de Veneza e passou recentemente pela Mostra de São Paulo, ainda não tem data de estreia definida.

    Na trama, Eugenia (Bérénice Bejo), que mora na França, volta para a fazenda da família, numa área rural da Argentina, ao saber que o pai entrou em coma. Ao chegar, reencontra a única irmã, Mia (Martina Gusman), com quem tinha uma relação próxima antes de partir. Além disso, também retoma os laços com a mãe, dona Esmeralda (Graciela Borges), uma mulher manipuladora e muitas vezes cruel. O que se segue é um mergulho na intimidade dessa família, que se revela cheia de relações escondidas e segredos que remontam à ditadura argentina. Links Fest rio

    De passagem por São Paulo, Trapero disse que o filme nasceu do desejo de trabalhar novamente com Martina, sua mulher, com quem não atuava no cinema desde 2013. E também de aproveitar a semelhança dela com a francesa Bérénice Bejo para fazer um retrato de duas irmãs quase simbióticas.

    — Um ponto de partida foi a ideia de um retrato intimo e extremo dessas duas irmãs, como se fosse um personagem só em dois corpos — diz ele, em entrevista ao GLOBO.

    Trapero e Martina ficaram amigos de Bérenice e do marido, o diretor Michel Hazanavicius (de “O artista” e “O formidável”), durante um Festival de Cannes. A proximidade das famílias, diz o diretor de “A quietude”, facilitou o processo de criação e o mergulho das atrizes em personagens que são dúbios e muitas vezes resvalam até em questões que são tabus, como a sugestão de que a relação entre elas é incestuosa:

    — Propusemos um jogo: duas mulheres que fazem a mesma personagem, mas ao mesmo tempo têm vidas bem diferentes. É como se um personagem, Eugenia, tivesse ficado na França, e a outra, Mia, na Argentina. Gosto das duas opções: a simbiótica, com duas irmãs que se necessitam, e a das duas irmãs que vivem a mesma vida em países diferentes — explica Trapero. "La quietud" International Trailer (English Sub)

    Embora rejeite a ideia de que usou “O clã” (2015) como referência para fazer “A quietude”, Trapero reconhece que os dois filmes têm muito em comum.

    — São como imagens refletidas um do outro. Em “O clã”, trata-se de um patriarcado; em “A quietude”, é um matriarcado. O primeiro tem os irmãos; o novo, tem as irmãs. Em um, o pai é o vilão; em outro, a mãe é a vilã... O contexto político, que tem a ditadura argentina como pano de fundo, está nos dois. O lindo é que fui descobrir isso como espectador.

    À medida que “A quietude” avança, a questão da ditadura argentina, que funciona como um pano de fundo, se faz mais presente. Diz respeito a um esquema em que presos políticos assinavam procurações em troca da promessa de pena menor ou até liberdade. Esses procuradores, muitas vezes advogados ligados ao regime, usavam os documentos para se apossar de bens, como imóveis ou terras.

    Trapero diz, no entanto, que se trata de um filme sobre o passado. Ou melhor, sobre a reconstrução de um passado em que decisões foram tomadas a despeito da vontade dessas duas irmãs que eram muito crianças quando a ditadura aconteceu. O presente, diz ele, se apresenta no fim, quando ambas tomam decisões que definirão os seus futuros:

    — Tenho um filho de 16 anos, Mateo, que sabe da ditadura pelos livros de História — diz ele. — E espero que continue assim. Outras gerações têm essas feridas ainda abertas, e deve levar tempo até que fechem completamente. Sou otimista, acho que isso não volta mais. Não da mesma maneira, pelo menos, tão violenta. Para evitar, é preciso que as novas gerações leiam e revisem o que aconteceu.


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    RIO — No fim do século XIX, Maria Firmina dos Reis sagrou-se a primeira romancista brasileira. Nordestina, filha de escravos e órfã, ela nunca frequentou a universidade. A maranhense buscou a própria formação e publicou, em 1859, seu único livro, “Úrsula”, com críticas à escravidão.

    Cem anos após a morte da mulher que também fundou a primeira escola pública para meninos e meninas e findou a vida pobre, cega e sem reconhecimento, a Festa Literária das Periferias a homenageia. O evento começa hoje, na Biblioteca-Parque do Centro, nos arredores da antiga Praça da Liberdade (Praça da República), evocando as vozes negras à escrita.

    — Firmina é uma referência para todas as mulheres que escrevem, que produzem, e que têm que lutar por um reconhecimento, ainda que tardio — opina Djamila Ribeiro, que fará parte da Flup na mesa “Feminismos plurais”, na quinta-feira. (Confira a programação completa no Rio Show)

    A Flup também homenageia Martinho da Vila, que em 2018 comemora 80 anos. Devagar, devagarinho, a celebração da data querida é levada para além de Vila Isabel e, até o domingo, estará no evento literário, que pela primeira vez não é realizado numa favela carioca.

    — Isso se deve ao reconhecimento da centralidade do debate racial num país cuja população é majoritariamente negra — explica Julio Ludemir, um dos fundadores do projeto, ao lado de Ecio Salles.

    Aos brasileiros, unem-se africanos e europeus em debates sobre possibilidades literárias e sobre movimentos que utilizem as letras pela resistência. Quem se junta ao coro é Gilberto Gil, numa mesa sobre a participação da música brasileira no diálogo com os desejos libertários da juventude:

    — Eu vejo com os melhores olhos a participação do jovem nas conquistas sociais, na construção de uma vida mais sadia, com garantias de liberdade, justiça, igualdade. Tudo isso depende cada vez mais da capacidade de mobilização ampla da sociedade em todos os seus segmentos. A juventude tem um papel importantíssimo; e as ligadas às periferias ainda mais porque, enfim, estes são os espaços mais afetados pelas dificuldades da vida política, social e econômica. A mobilização dessas gentes é fundamental.

    Leia a entrevista na íntegra com Djamila Ribeiro. Saiba mais informações sobre a Flup aqui.


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    RIO — No mês da Consciência Negra, a Festa Literária das Periferias (Flup) homenageia Maria Firmina dos Reis, que publicou seu primeiro livro, "Úrsula", em 1859. Pioneira no romance antiescravagista no Brasil, a mulher que cresceu órfã e se apaixonou pelas Letras na adolescência tornou-se autodidata e passou em primeiro lugar num concurso para ser professora primária. Nordestina do Maranhão, a educadora fundou no estado a primeira escola pública para meninos e meninas do país, no século 19. Mas Maria não foi reconhecida em vida.

    Pela memória passada de Maria Firmina, Djamila Ribeiro — autora do best seller brasileiro "Quem tem medo do feminismo negro" (Companhia das Letras, 2018) — recupera a inspiração na autora e afirma que a invisibilidade da escrita negra ainda se faz presente. A escritora é uma das participantes da mesa "Feminismos Plurais”, que também receberá Carla Akotirene, Joice Berth, Juliana Borges e Silvio Almeida.

    De que forma Maria Firmina te inspira?

    Maria Firmina é uma figura central para o Brasil. É a primeira pessoa, como diz a História, a escrever um romance no Brasil. Foi alguém que durante muito tempo ficou invisibilizada por se tratar de uma mulher negra. Resgatar essa obra dela agora, ela ser republicada, é importantíssimo para as próximas gerações (o livro "Úrsula" teve, este ano, sua sétima edição), sobretudo para as mulheres negras que vêm escrevendo, que vêm produzindo. Ainda numa área em que o sistema literário nos invisibiliza. Então, acho que a Maria Firmina acaba sendo uma referência para todas as mulheres que escrevem, que produzem, ainda ter que lutar por um reconhecimento, às vezes tardio.

    Há outras escritoras negras que tiveram reconhecimento tardio, certo?

    A própria Conceição Evaristo (mineira de 71 anos que disputou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras este ano), que é uma escritora brilhante, importante, não dá para negar que teve um reconhecimento tardio. Ela tem uma frase que acho muito interessante, que é: "O problema não é escrever. O problema é publicar". Eu conto que a gente ainda passa por estas questões mas, ao mesmo tempo, ter referências como estas nos inspira. Foram mulheres que abriram portas e mostraram que era possível.

    Seu pai tem uma participação forte na sua formação, certo?

    Meu primeiro contato com a militância foi na infância porque meu pai era ativista, do movimento negro, militante. Ele foi um dos fundadores do Movimento Comunista em Santos, então eu e meus irmãos — tenho dois irmãos e uma irmã — passamos boa parte da nossa infância indo a atos, participando de reuniões dentro do partido. Ele conversava muito com a gente sobre a questão racial dentro de casa. Então, isso era um tema, desde selecionar o que a gente ia assistir até como ia incentivar a ler. A própria escolha do meu nome ele tirou de um jornal chamado "Jornegro", que era um jornal da militância negra na década de 70. Ele sempre teve muito presente na minha vida desde muito cedo. Conforme eu fui crescendo, fui encontrando meus próprios caminhos, acabei encontrando a Casa de Cultura da Mulher Negra em Santos (SP). Foi ali que me entendi feminista. Acabei encontrando meu próprio caminho, mas sem dúvida tive esta influência desde cedo dentro de casa.

    Você se lembra qual foi seu primeiro livro de uma autora negra?

    Eu já tinha lido escritores homens (na adolescência): Machado de Assis... Quando eu fui trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, no fim da adolescência, conheci a biblioteca da organização. Ela se chamava Carolina Maria de Jesus. Ali eu tive contato com a obra dela, que eu conheci autoras como Toni Morrison, que é uma das minhas favoritas. Fui conhecer o trabalho da Sueli Carneiro, da Jurema Werneck... Foi bem no fim da adolescência por conta da Casa de Cultura.

    Temos visto um distanciamento de algumas mulheres do feminismo, numa crença na deslegitimação do movimento. Por que isso acontece?

    Tentaram criar, de várias formas, maneiras de desqualificar o feminismo. É importante pensar que os movimentos feministas são diversos. Existem várias correntes de pensamento, várias vertentes, não necessariamente eles concordam entre si sobre os assuntos, mas algo que a gente concorda é que a gente acredita na equidade. A gente acredita que mulheres não devem ganhar menos por serem mulheres, que elas não devem ter uma vida marcada pela violência. A gente vive num país em que a cada cinco minutos uma mulher é agredida; a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada. Por mais que a gente acha que o feminicídio não existe, os dados estão aí para provar que ele existe.

    Qual é o princípio fundamental do feminismo?

    A gente luta por uma sociedade em que as mulheres possam ser consideradas pessoas, que elas não sejam violentadas pelo fato de serem mulheres. Quando as pessoas entendem que a gente está lutando por justiça social, por equiparação e por equidade, não tem motivo para não ser feminista. Se você é uma pessoa inconformada com as injustiças e com as desigualdades, você é uma pessoa feminista e talvez não saiba que seja. Não tem nenhum bicho de sete cabeças. O que a gente quer, na verdade, é uma sociedade livre de desigualdades e violência.

    Foi essa tentativa de desmitificar o feminismo que a levou ao título "Quem tem medo do feminismo negro"?

    Também. Era uma maneira de ser didática, de ser acessível, para as pessoas entenderem que quando a gente está falando de feminismo negro, a gente está marcando que são mulheres negras pensando o mundo e uma sociedade sem opressão, um lugar em que a gente possa lutar contra o racismo, o machismo, a questão de classe. Quando a gente fala de mulheres, tem que entender que há diversas mulheres e, a depender das opressões que elas sofrem, elas acabam ficando num lugar mais vulnerável. A realidade de uma mulher que mora no Complexo do Alemão (comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro) não é a mesma de uma que mora na Barra da Tijuca (bairro da Zona Oeste da cidade). Mostrar essa diferença e mostrar o que a gente quer é uma sociedade livre de opressão.

    Qual é o valor de estar num evento que traz à tona a importância da literatura da periferia?

    É importante a gente desmistificar quem é este sujeito que escreve. Geralmente, o que é mostrado para nós é escrito por homens brancos, ricos ou europeus, como se nós não produzíssemos saber também, como se não tivéssemos escrevendo a História. Poder mostrar isso para as pessoas é fundamental. Escritores de diferentes lugares, as pessoas que vêm da periferia também são sujeitos pensantes, que produzem, sujeitos que escrevem. Isso gera uma identificação em pessoas que nunca foram vistas como produtoras. Há uma identificação com o que está sendo escrito e com o que se escreve. O leitor consegue se ver nestas pessoas.

    Você acompanha o trabalho de algum destes escritores da periferia?

    Tem muitos saraus importantes, como a Cooperifa, em São Paulo; no Rio de Janeiro tem muitos coletivos e escritores também: o Giovani Martins é um grande expoente também e foi descoberto pela Flup, tem a Sil Bahia... Vai ser injusto eu não citar todos (risos). Mas os jovens estão protagonizando estes lugares. Capacidade dos povos negros e da periferia sabemos que tem. O que a gente precisa é de movimentos que possibilitem estas oportunidades.

    Vive-se um momento de muita distração, sobretudo por conta da tecnologia. Há quem acredite que os livros estã sendo deixados de lado. Como acreditar que a educação e a literatura vão resistir?

    O primeiro passo é entender que sem a gente questionar, sem a gente refletir, a gente não sai do lugar e não consegue entender nem a própria realidade que nos cerca. Para resistir, é importante consumir e apoiar as obras destas pessoas, entender que é preciso que o escritor tenha os direitos autorais também. Por isso é tão importante comprar o livro, organizar espaços para que os autores possam divulgar seu trabalho. É sempre um trabalho coletivo. Entender o valor das individualidades como fundamental para que a gente consiga refletir nossa própria realidade. Apoiar a Flup, participar de eventos... Não é fácil escrever um livro, não é fácil publicar um livro, o Brasil não é um país de leitores. A gente ainda precisa avançar muito mais neste sentido. Mas por um lado, temos este momento de crise mas, por outro, tem acontecido coisas interessantes: a Conceição Evaristo vendendo bem, Giovani Martins vendendo bem, eu vendendo bem... Isso mostra que este sistema editorial precisa se reinventar. Talvez as pessoas não estejam se identificando com o jeito antigo de fazer. Temos feito lançamentos em lugares abertos. Não temos feito lançamento em livraria. Levamos DJ, tornamos este um momento de celebração. Na contramão do sistema editorial, temos levado mais de duas mil pessoas num lançamento de livro. Isso é significativo no Brasil.

    Sua presença em diversas plataformas e o seu didatismo sobre conceitos como feminismo e racismo às vezes despertam críticas...

    É fundamental trazer diversas vozes para a discussão, e não falar só para a gente. Há uma consciência de como a gente ocupa estes espaços. Estar na televisão (a escritora participou da bancada do programa "Amor & sexo", da TV Globo, e apresentou "Entrevista", sobre direitos humanos, no Canal Futura) , muitas pessoas já estiveram. E se entende que nem todo mundo tem acesso à internet. Num país em que 100 milhões de pessoas da população brasileira não têm. Quando vamos à TV, atingimos um público C e D, pessoas que não atingiríamos. Estas pessoas depois podem comprar o livro e multiplicar nos seus espaços. É importante estamos em todos os lugares. Estamos contra a maré, no lado da resistência. Precisamos encontrar estratégias e conversar com um número maior de pessoas. Estes são espaços estratégicos de comunicar. Não me interessa guardar para mim a reflexão se acredito na potência da transformação das mentalidades. Independentemente das críticas a isso, há uma crítica também a quem fala muito para si mesmo, para um grupo pequeno, e não consegue cumprir o objetivo, de fato. A ideia não é criar nichos de poder ou manter a fala para uma meia dúzia que tem acesso àquilo. Nosso objetivo é com a transformação e ela se dá de vários meios e formas possíveis.

    Aceitaria um convite para um programa de TV?

    Não é uma meta para mim mas, se vier, é uma coisa a se pensar. No momento, não conseguiria focar. "O que é lugar de fala?" (Letramento, 2017) está concorrêndo ao Prêmio Jabuti na categoria Humanidades. Então, neste momento, agora eu preciso me dedicar a estes projetos e aos selos "Feminismos plurais" e "Sueli Carneiro". Fazer TV pontualmente me interessa mais do que fazer algo mais frequente.

    Como está a divulgação de "Quem tem medo do feminismo negro" fora do Brasil?

    Participei de feiras fora do Brasil, de debates na Alemanha e na Espanha, por exemplo. Há um alcance internacional interessante.

    Há previsão de lançamento de outros livros em 2019?

    Por enquanto, não estou planejando. Como coordeno a coleção "Feminismos plurais", o objetivo é continuar lançando os autores deste projeto coletivo. Já estamos no sexto livro. Lançamos o selo Sueli Carneiro, que é outro produto, com ideia de publicar obras de mulheres negras e mais velhas. Lançamos "Sueli Carneiro: escritos de uma vida", com prefácio da Conceição Evaristo. É um livro que reúne artigos que ela publicou ao longo da vida. Agora, estou na base destes outros autores.


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    RIO — Quem parece ter arrancado mais lágrimas até agora no "PopStar" foi Malu Rodrigues. O cisco já entrou no olho da apresentadora Taís Araújo, dos especialistas da bancada e, nas redes sociais, sempre tem quem assuma que precisou de um lencinho ao vê-la cantar.

    — Gosto de músicas que tocam a alma de verdade — resume a atriz, que já cantou diversos clássicos da MPB: — Fico feliz em poder resgatar muitas canções que hoje tocam pouco nas rádios. Elas não podem ser esquecidas.

    LEIA TAMBÉM: Favorita no 'PopStar', Jeniffer Nascimento vê o noivo como amuleto da sorte

    Com 14 musicais na carreira, a loura, que poderia tirar de letra o nervosismo das apresentações, garante que o reality é uma das coisas mais difíceis que já fez.

    — É diferente porque sempre fiquei escondida atrás dos personagens. Agora estou dando a cara a tapa. xpopstar-malu-artur-meninea.jpg.pagespeed.ic.i2arsXwI2t.jpg

    Arriscar tem valido a pena. Primeira finalista da temporada do “PopStar”, Malu conquistou o público.

    — Entrei sem pretensão nenhuma de ganhar o programa. Estou muito feliz com o reconhecimento.

    Ela credita parte do sucesso também ao maridão, Thomaz, que agita a torcida toda semana com um adereço (já foi de peruca, com o nome de Malu nas bochechas e com óculos que brilham).

    — Ele está mais famoso que a gente que está cantando. Tem que ganhar o prêmio de melhor torcida (risos). É o meu maior incentivador — derrete-se Malu, que escolhe o repertório com ele: — “Se todos fossem iguais a você” é uma das músicas do casal.


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    RIO — Quem ouve o repertório de Jeniffer no "PopStar", que inclui músicas de Beyoncé a Whitney Houston, pode ter dificuldade de acreditar na confissão da atriz: “Sou muito insegura”.

    A dedicação durante a semana é pesada para não deixar isso transparecer.

    — Está sendo um desafio. No primeiro ao vivo, fiquei com tanto medo de estar resfriada que minha mente acabou criando uma doença que não existia. Sou muito exigente. Fico a semana toda trabalhando nas minhas performances — explica Jeniffer, que conta com o apoio do noivo (o também ator Jean Amorim) para ensaiar: — Ele é meu amuleto da sorte.

    LEIA TAMBÉM: Finalista do 'PopStar', Malu Rodrigues escolhe o repertório com o marido

    A rigidez consigo mesma também a fez sentir o peso da responsabilidade em cada apresentação, por liderar a competição desde o início.xpopstar-jeniffer-nascimento-namorado.jpg.pagespeed.ic.wgDaAxXVw2.jpg

    — Sinto uma pressão e o desafio é sempre me superar. Eu sempre falei à minha torcida: “Nada está decidido”. Então, não dá para relaxar — avalia, sem deixar de elogiar sua principal concorrente: — Fiquei tão feliz. Malu canta superbem. Era hora de ela ter imunidade.

    O favoritismo de Jeniffer veio, desde o começo, por seu currículo. Ela estourou na TV como Sol, a aspirante a cantora em “Malhação”. Já fez quatro grandes musicais e integrou a banda Girls, após vencer um reality do Multishow. Todas as experiências foram um esquenta para se tornar uma popstar.

    — Nunca achei que o público fosse me abraçar, e o programa veio como uma resposta. Estou me descobrindo e quero cantar cada vez mais.


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    RIO — Acusado em junho de agressão pela então namorada, a atriz Jeniffer Oliveira, que interpreta a Flora de "Malhação: Vidas brasileiras", Douglas Sampaio foi inocentado do caso após a polícia ouvir as testemunhas e avaliar as gravações feita no bar onde a atriz afirma ter sido agredida fisicamente pelo ator na noite do dia 23 de junho, segundo informou ao O GLOBO o advogado Sylvio Guerra, que representa Douglas.

    Guerra ainda contou que Jeniffer responderá um processo judicial por denúncia caluniosa, e que a testemunha da atriz, Ingrid Rodrigues Spada, responderá por falso testemunho.

    Na época da denúncia, Jeniffer registrou queixa na 16ª Delegacia da Barra da Tijuca por lesão corporal com violência doméstica e publicou um texto nas redes sociais relatando que foi agredida por ele durante uma briga causada por ciúmes no bar Coco Mambo, no Recreio, na Zona Oeste do Rio. Ela também havia divulgado imagens de hematomas no braço e no pescoço (veja abaixo).

    "Com sua conduta, Jeniffer Oliveira violou a norma prevista do art. 399 do Código Penal, cometendo o delito de denunciação caluniosa contra Douglas Sampaio", diz o relatório do inquérito, obtido com exclusividade pelo O GLOBO.

    "Com relação à testemunha Ingrid Spada, há indícios que a mesma fez afirmação falsa na qualidade de testemunha no presente inquérito policial, eis que sua versão destoa de todas as demais testemunhas obtidas através das câmeras de segurança. Assim, indico Ingrid como incursa nas penas do crime de falso testemunho na forma majorada previsto no artigo 342 do Código Penal", informa o relatório assinado pelo delegado Felipe Santoro da Silva.

    Sete testemunhas que afirmaram que estavam no bar no momento da confusão foram ouvidos no processo e disseram que não presenciaram qualquer agressão por parte do ator. A polícia também analisou as gravações do dia ocorrido e constatou que não houve "qualquer indício de autoria e materialidade do delito de lesão corporal em face de Jeniffer e deixou de indiciar Douglas".

    'Conclusão equivocada', diz defesa

    Procurado pelo O GLOBO, a defesa de Jeniffer Oliveira disse que a conclusão da polícia é "absolutamente equivocada" e que cabe ao Ministério Público definir agora se houve ou não crime.

    "Acho a conclusão do relatório do delegado um equívoco. Eles fazem menção às testemunhas que prestaram depoimento e que disseram que não viram a agressão. Mas o fato de não terem visto agressão não significa que ela não ocorreu. As testemunhas levadas pelo Douglas não estavam presentes no ambiente em que estavam a Jeniffer e o Douglas. E as duas amigas que estavam no momento em que a Jeniffer foi agredida foram à delegacia e disseram que viram a agressão. É uma conclusão absolutamente equivocada", disse o advogado da atriz, João Bernardo Kappen.

    Segundo ele, há ainda uma queixa crime de injúria contra Douglas no Juizado de Violência Doméstica Familiar por ele ter xingado a Jeniffer. "A definição final de que se houve ou não crime é do Ministério Público. Eu vou conversar com o promotor de Justiça, porque essa sugestão da polícia é um erro".

    'A verdade apareceu', comemora o ator

    Nesta terça-feira, Douglas Sampaio usou as redes sociais para comemorar sua inocência. "Fato concluído. Eu falei o tempo inteiro que eu era inocente e que eu ia provar. Tá bem claro, graças a Deus, que a verdade apareceu. E eu tô feliz demais em tudo se esclarecer", festejou ele, fazendo um alerta:

    "Que isso sirva de exemplo para vocês pararem de acusar sem saber de nada, sem investigar. Um monte de famoso apoiando uma mentira, e não vieram ao mínimo me pedir desculpas!
    Errar é humano, mas tentar consertar o erro é nobre. Minha vida foi devastada por conta dessa mentira, perdi trabalhos, chorei, tinha vergonha de sair nas ruas por causa dessa maldade feita covardemente. As pessoas me olhavam como um criminoso. Minha família sofreu, meus amigos sofreram, me viram me afundar em lágrimas e sem saber o que fazer. Mas mesmo com tudo isso acontecendo, nunca perdi minha fé que um dia ia provar a verdade".

    O ator também agradeceu o apoio do seu advogado, dos amigos e familiares, e disse que pretende retomar sua vida.

    "Agradeço imensamente o meu advogado, que fez um trabalho excepcional comigo me ajudando a provar que tudo isso não passou de uma mentira. Obrigado a todos meus amigos que me apoiaram, que me ajudaram a me fortalecer e levantar minha cabeça! Você não precisa prejudicar ninguém pra se dar bem! faça o seu! Não vejo a hora de retomar a minha vida e voltar a fazer o que eu mais amo, que infelizmente fui prejudicado demais pelo que aconteceu, mas com bastante perseverança continuo minha caminhada. Perseverança nunca foi algo que me faltou! Mãe, tá paga a promessa que eu fiz pra você quando te liguei. Mãe, fica tranquila, isso é uma mentira e eu vou provar tudo. Obrigado a todos que me ajudaram".

    Douglas integrou o elenco de "Malhação" em 2011 e foi o campeão de "A fazenda" em 2015, onde conheceu a ex-noiva, Rayanne Morais. Em 2016, o ator também foi acusado por Rayanne de agressão. O casal, na época, foi parar na polícia, após uma briga.

    Veja na íntegra o desabafo feito por Jeniffer na época da acusação:

    "Comecei a namorar há um mês atrás. Tudo foi muito legal no começo, eu me senti acolhida, me senti amada e, em pouco tempo, comecei a morar com ele praticamente. Ficava direto na casa dele ou ele na minha. Saíamos muito. Conheci todos os seus amigos e eu não tinha do que reclamar. Em seguida começamos a passar por coisas não tão legais assim.

    Começamos a discutir, a ter problemas com mentiras e eu comecei a descobrir quem realmente era a pessoa que estava ao meu lado. Não, eu não sabia de todas as fofocas que envolviam essa pessoa e sim, eu acreditei na versão dele. Por quê? Porque eu estava apaixonada e a pessoa de que todos falavam estava na minha frente, se revelando aos poucos a cada segundo. Fui me decepcionando e mentindo para mim mesma. Por que continuei? Porque ele tinha a maneira certa de me fazer mudar de ideia, de me convencer. Ele era fofo logo após me xingar. Ele sabia como me manipular e eu queria acolher aquela pessoa, já que achava que era acolhida. E assim foi até chegar ao ponto dessas fotos (veja abaixo). Uma discussão boba desencadeou isso aí que vocês estão vendo. As fotos são do dia 22 para o dia 23 de junho.

    Eu fui agredida e demorei para entender o que estava acontecendo. Eu não ia denunciar, eu não ia contar para ninguém. Eu me senti culpada! Infelizmente muita gente passa por isso, por agressões até piores do que essas e que não dão em nada. Eu resolvi lutar pelos meus direitos, eu resolvi me expor e resolvi me abrir aqui para vocês. Acredito que devemos fazer a nossa parte, e a minha parte com tudo isso é mostrar que devemos lutar, sim! Não podemos deixar esse tipo de coisa passar. Independentemente da situação, isso não pode acontecer. Eu me senti culpada porque estava dançando, me senti culpada por achar que, de alguma forma, tinha provocado ciúmes no meu namorado.

    Em hipótese nenhuma agressão é uma justificativa para qualquer coisa. No dia seguinte, eu não acreditava ainda, cheguei a procurar por ele, cheguei a conversar. Me senti mal, questionei a minha culpa nessa situação toda e chorei. O que quero com tudo isso? Justiça! Quero também de alguma forma ajudar as mulheres que passam por isso e têm medo de largar o agressor, que sentem medo de ameaças, que acreditam em um amor que não existe! Quem ama cuida, quem ama não agride e manipula. Ninguém merece isso. Não pensem que é uma bobeira. Aceitem a ajuda de pessoas que querem o seu bem, quem vê de fora vê melhor. O agressor muitas vezes consegue nos convencer. Passamos por malucas e eu me questionei diversas vezes se isso era verdade: 'Não, não pode ser. Foi um momento de loucura. Machucou sem querer. Eu errei também'. E por aí vai. Se tudo isso passou pela minha cabeça, imagino que deve passar também pela cabeça das pessoas. Não vamos permitir. Não estamos sozinhas! E, mais uma vez, quem ama cuida, quem ama não agride".


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    RIO — Diante da notícia da incorporação do MinC às pastas de Educação e Esportes, seis parlamentares eleitos para o próximo mandato se reuniram nesta segunda-feira, no Rio, com a Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) para discutir sobre a implementação de uma nova Frente Parlamentar da Cultura a ser articulada a partir da posse dos deputados federais, em fevereiro de 2019.

    O grupo, composto por Alessandro Molon (PSB), Chico d’Angelo (PDT), Jandira Feghali (PCdoB), Marcelo Calero (PPS), Marcelo Freixo (PSOL) e Pedro Paulo (PHS), espera a adesão de deputados e senadores de todo o país para se tornar uma frente nacional mista com proposta suprapartidária.

    Deputado reeleito, Chico d'Angelo é vice-presidente da atual frente da Cultura, presidida pela deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE). Como Luciana foi recém-eleita vice-governadora de Pernambuco, uma nova frente está sendo articulada para 2019.

    O objetivo dela é a preservação do Ministério da Cultura como pasta individual, compreensão da sociedade civil sobre o potencial econômico do setor cultural e a manutenção do Sistema S como forma de fomento à cultura.

    — Todos os setores têm uma frente, uma bancada clara, por que não a cultura? Temos uma desinformação muito grande a respeito do segmento. Estamos tentando fortalecer os laços com o Poder Legislativo, para que não haja retrocessos em meio a tantas novidades no país. Precisamos ter um escopo de parlamentares que já estejam cientes e informados sobre o setor cultural, além da preocupação com a junção ou término do Ministério da Cultura — afirma Eduardo Barata, produtor teatral e presidente da APTR, em referência às conhecidas bancadas ruralista e evangélica, por exemplo. Links fim do Minc

    Até o momento, os parlamentares que se propuseram a criar a nova Frente Parlamentar da Cultura são do Rio do Janeiro. No entanto, o grupo pretende manter reuniões mensais para manter a discussão sobre a iniciativa e, em fevereiro de 2019, um grupo de produtores ficará em Brasília por três dias para terminar de recolher assinaturas.

    Segundo a lei, para que uma Frente Parlamentar seja formada é necessária a adesão de ao menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, que pode conter deputados federais e senadores que queiram compor uma frente mista. Logo, dos 513 deputados federais e 81 senadores, a frente precisa conseguir ao menos 198 assinaturas para ser aprovada.

    — A cultura tem um papel de fomento econômico muito grande para o país, e isso não é valorizado. Em 2016, quando era presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, houve uma grande mobilização em todo o país por conta da medida provisória no governo Temer, que foi revertida — diz Chico d’Angelo, que foi um dos três vice-presidentes da CPI de Lei Rouanet, presidida pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF).

    — Nós estamos muito preocupados com o cenário de restrição orçamentária de recursos, corte de verbas para a cultura, assim como desmonte da estrutura administrativa e o possível fim do Ministério da Cultura. Chegamos à conclusão que, para proteger o setor, ou ao menos reduzir esses danos, é fundamental articular uma frente parlamentar suprapartidária, seja da base do governo ou da oposição, colocando a cultura como força que nos une — ressaltou Alessandro Molon.

    Para d'Angelo, não se trata de uma questão ideológica, mas de "interesse da sociedade brasileira":

    — A cultura precisa ser entendida como um setor que não é só entretenimento, mas tem potencial econômico. Evidente que há um cenário bastante distinto. Na época, o Temer era um presidente fragilizado, e cenário agora é de um presidente que veio das urnas já como presidente, tem um componente diferente. Porém vamos ter que construir isso — conclui d’Angelo.


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    RIO — A espera foi longa. Mas, 46 anos após ter sido gravado, o documentário "Amazing grace" sobre a rainha do soul Aretha Franklin, morta aos 76 anos em agosto deste ano, finalmente vai estrear. O filme é do aclamado diretor Sydney Pollock e foi gravado em 1972, segundo publicou a "Variety".

    O material para o longa foi filmado em duas noites na Igreja Batista Missionária New Temple em Los Angeles, onde Franklin gravou seu álbum ao vivo "Amazing Grace". No entanto, durante as gravações, Pollack cometeu o erro de não usar claquetes para identificar as tomadas e planos. Isso fez com que as 20 horas de gravações ficassem muito difíceis de editar. Links Aretha Franklin

    Assim, o projeto ficou sem andar por quase meio século, já que várias complicações — incluindo longas batalhas judiciais — impediram que ele fosse completado. O filme só foi finalizado em 2011, com o produtor Alan Elliot, que adquiriu os direitos da produção 2007. Ele montou uma equipe de produção que usou tecnologia digital para editar as imagens.

    "Amazing grace" vai estrear no festival DOC NYC no dia 12 de novembro. Já em janeiro de 2019, a produção deve ter sua estreia global.


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    RIO — Diante da notícia da incorporação do MinC às pastas de Educação e Esportes, seis parlamentares eleitos para o próximo mandato se reuniram nesta segunda-feira, no Rio, com a Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) para discutir sobre a implementação de uma nova Frente Parlamentar da Cultura a ser articulada a partir da posse dos deputados federais, em fevereiro de 2019.

    O grupo, composto por Alessandro Molon (PSB), Chico d’Angelo (PDT), Jandira Feghali (PCdoB), Marcelo Calero (PPS), Marcelo Freixo (PSOL) e Pedro Paulo (DEM), espera a adesão de deputados e senadores de todo o país para se tornar uma frente nacional mista com proposta suprapartidária.

    Deputado reeleito, Chico d'Angelo é vice-presidente da atual frente da Cultura, presidida pela deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE). Como Luciana foi recém-eleita vice-governadora de Pernambuco, uma nova frente está sendo articulada para 2019.

    O objetivo dela é a preservação do Ministério da Cultura como pasta individual, compreensão da sociedade civil sobre o potencial econômico do setor cultural e a manutenção do Sistema S como forma de fomento à cultura.

    — Todos os setores têm uma frente, uma bancada clara, por que não a cultura? Temos uma desinformação muito grande a respeito do segmento. Estamos tentando fortalecer os laços com o Poder Legislativo, para que não haja retrocessos em meio a tantas novidades no país. Precisamos ter um escopo de parlamentares que já estejam cientes e informados sobre o setor cultural, além da preocupação com a junção ou término do Ministério da Cultura — afirma Eduardo Barata, produtor teatral e presidente da APTR, em referência às conhecidas bancadas ruralista e evangélica, por exemplo. Links fim do Minc

    Até o momento, os parlamentares que se propuseram a criar a nova Frente Parlamentar da Cultura são do Rio do Janeiro. No entanto, o grupo pretende manter reuniões mensais para manter a discussão sobre a iniciativa e, em fevereiro de 2019, um grupo de produtores ficará em Brasília por três dias para terminar de recolher assinaturas.

    Segundo a lei, para que uma Frente Parlamentar seja formada é necessária a adesão de ao menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, que pode conter deputados federais e senadores que queiram compor uma frente mista. Logo, dos 513 deputados federais e 81 senadores, a frente precisa conseguir ao menos 198 assinaturas para ser aprovada.

    — A cultura tem um papel de fomento econômico muito grande para o país, e isso não é valorizado. Em 2016, quando era presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, houve uma grande mobilização em todo o país por conta da medida provisória no governo Temer, que foi revertida — diz Chico d’Angelo, que foi um dos três vice-presidentes da CPI de Lei Rouanet, presidida pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF).

    — Nós estamos muito preocupados com o cenário de restrição orçamentária de recursos, corte de verbas para a cultura, assim como desmonte da estrutura administrativa e o possível fim do Ministério da Cultura. Chegamos à conclusão que, para proteger o setor, ou ao menos reduzir esses danos, é fundamental articular uma frente parlamentar suprapartidária, seja da base do governo ou da oposição, colocando a cultura como força que nos une — ressaltou Alessandro Molon.

    Para d'Angelo, não se trata de uma questão ideológica, mas de "interesse da sociedade brasileira":

    — A cultura precisa ser entendida como um setor que não é só entretenimento, mas tem potencial econômico. Evidente que há um cenário bastante distinto. Na época, o Temer era um presidente fragilizado, e cenário agora é de um presidente que veio das urnas já como presidente, tem um componente diferente. Porém vamos ter que construir isso — conclui d’Angelo.

    * Sob supervisão de Flavia Martin.


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    Saul Williams é um dos principais nomes da poesia falada (a “spoken word”). Protagonista do filme “Slam” (1998), o americano de 46 anos participa pela segunda vez da Festa Literária das Periferias (Flup). A sétima edição do evento, que vai até domingo, tem debates, apresentações poéticas e atividades para o público infantil. Williams participa hoje, às 18h, na Biblioteca-Parque do Centro, da mesa “Renascença Sankofa”, com o curador Bonaventure Ndikung, sobre a inserção de artistas africanos e da diáspora no centro da produção cultural mundial.

    Como você começou com a poesia da palavra falada?

    Eu era estudante de Teatro, formado em Filosofia e rapper. Acho que talvez essas três coisas combinadas tenho dado sentido à minha entrada no mundo da poesia. Senti uma urgência para expressar ideias e avançar em minha compreensão do mundo e do nosso lugar nele. A poesia decodifica os sistemas e abre espaço para novos caminhos. Como artista, penso em mim combinando mundos passados com novas visões, criando um espaço seguro para a imaginação. A arte é a arma não violenta que usaremos para mudar a sociedade.

    Como você a atual cena da spoken word?

    A popularidade da poesia falada vem aumentando desde o lançamento do meu primeiro filme, “Slam”, há 20 anos. Eu testemunhei isso em todos os continentes. Eu acho que tem a ver com uma crescente compreensão da democracia e da ampla gama de vozes que são necessárias para refletir a realidade. Nós usamos essa ferramenta para questionar a autoridade e expor as verdades negadas ou veladas.

    A popularidade dessa produção está mais concentrada nas periferias?

    O que é surpreendente sobre os ciclos de poesia e popularidade é que há sempre uma infinidade de vozes através das barreiras linguísticas, faixas etárias, nacionalidades e denominações religiosas. A grande poesia não responde mais à dor do que à fama, ou mais à fome do que aos pratos populares. Onde quer que você esteja, há poetas para serem ouvidos e lidos, que falarão diretamente com você, ocupados decodificando tudo que a vida, o poder, a realidade, a autoridade, emoção, fome e medo trabalham para ofuscar. Os poetas de 15 anos que descobrem o amor, a alienação social, os ativistas e os esnobes experientes da literatura, todos têm algo em comum. Usaremos a linguagem para desprogramar os sistemas que sufocam nossa conexão.

    Você morou no Brasil em sua juventude. Isso influenciou sua produção?

    O que eu testemunhei na época (os anos de 1988 e 89), como um jovem americano de classe média, mudou minha visão de mundo. Na época não havia uma grande classe média brasileira. Racismo, sexismo e pobreza eram visíveis de uma forma que se destacava para mim. Ao mesmo tempo, descobrir música brasileira, capoeira, escolas do samba e passar pelo Rio, São Paulo, Salvador, Manaus e Recife me ensinaram algo sobre as pessoas que continua a me inspirar. Não me surpreendo com os governos e instituições corrompidos, nem fico completamente desanimado com as pessoas que são influenciadas pela política do medo e do autoritarismo. A essência do Brasil é tão rica quanto a cultura negra americana e a cultura indígena que me criou. A cultura brasileira é mais forte que a política que a corrompe.

    Na Flup, as discussões serão principalmente sobre a negritude. Como você trabalha isso em sua obra?

    Minha aparência não só influenciou alguns a me verem de maneiras além do meu controle, mas também a maneira como eu vejo o mundo. Quando morava no Brasil, eu costumava entrar nas lojas e ouvir um “shiu” imediato e alto, com alguém me mandando sair da loja, até que eu abrisse a boca e dissesse com meu sotaque americano: “desculpe”. Assim que percebiam que eu era dos EUA e não um brasileiro negro, as atitudes mudavam. Essas interseções entre raça, cultura, classe e gênero moldam as perspectivas, mas as pessoas negras não se surpreendem com essas histórias. Todos nós vivemos isso, e agora é hora de trocar experiências de sobrevivência, transformação e abundância.


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    SÃO PAULO - Na infância, o espanhol era a língua dos segredos. Quando o avô italiano e a avó e mãe argentinas queriam conversar sobre assuntos que as crianças não podiam ouvir, apelavam para o idioma de Cervantes. Mas o mistério só fazia atiçar a curiosidade. Dos ouvidos atentos cresceu o gosto por aquela língua tão diferente e familiar. Foram assim os primeiros contatos de Livia Deorsola, paulista de Ribeirão Preto, com o espanhol.

    Hoje, Livia desvenda outros segredos, escondidos nas linhas de autores hispano-americanos e em palavras que parecem ser uma coisa, mas são outra. Por resolver os difíceis enigmas do romance “De duas, uma”, do mexicano Daniel Sada, Livia foi indicada ao Prêmio Jabuti de Tradução. Os vencedores serão anunciados nesta quinta-feira (8).

    – Fiquei feliz e espantada com a indicação – contou Livia ao GLOBO. – Uma amiga destacou que eu era a única mulher indicada este ano, não tinha me atentado. É uma pena não ter mais mulheres. O mundo editorial, aliás, é extremamente feminino, do início ao fim da produção de livros.

    Desde 2000, o Jabuti premiou 57 tradutores – mas apenas 10 mulheres. Livia compete com 14 homens, como os premiados Guilherme Gontijo Flores, Maurício Santana Dias e Trajano Vieira. Alguns de seus concorrentes traduzem de línguas exóticas e até mortas, como islandês, grego, latim e acádio, que era falada na antiga Mesopotâmia.Nos últimos anos, o Jabuti preferiu premiar tradutores que se aventuraram por idiomas esdrúxulos ou novas versões de clássicos, como “Ulysses” e “Guerra e paz”.

    A língua espanhola foi premiada pela última vez em 2004, por uma tradução de “Dom Quixote” assinada por Sérgio Molina. Em 2010, porém, houve uma categoria especial para traduções espanhol-português, mas apenas tradutores homens venceram.

    Traduzir o idioma de nossos vizinhos é, às vezes, considerado mais fácil – o que não é verdade, em especial quando se trata de autores como Sada. Nascido em 1953, em Mexicali, no Norte do México, e falecido em 2011, Sada ajudou a renovar o espanhol como língua literária. Admirava os poetas barrocos espanhóis (Lope, Quevedo, Góngora) e Guimarães Rosa. Arrancou elogios de pesos pesados da literatura latino-americana como Roberto Bolaño e Carlos Fuentes.“De duas, uma” é um autêntico dramalhão mexicano que também faz rir. As protagonistas, as gêmeas solteironas Constitución e Gloria Gamal que disputam o mesmo “galã”, são apresentadas com riquezas de detalhes e ironia.

    Expressões desconhecidas

    Sada embaralha neologismos, arcaísmos e expressões idiomáticas próprias do deserto de Coahuila, que ele conhecia tão bem, numa prosa sinuosa que desespera os tradutores mais valentes.Livia planejava traduzir as pouco mais de 100 páginas de “De duas, uma” em apenas um mês. Levou três. Para decifrar a linguagem secreta de Sada, recorreu a uma dezena de mexicanos, inclusive à viúva do autor, Adriana Jiménez.

    – Fiz uma lista de termos e expressões cujo significado não consegui descobrir na internet e em dicionários especializados – contou. – Entrei em pânico quando vi que nem mexicanos conheciam algumas daquelas expressões. Por fim, acionei Adriana, que me dava explicações mais longas e seguras.

    Livia se enroscou com expressões como “tanteo nomás”, que ela pensou que significasse algo como “tentativa” ou “tateante”, mas descobriu que, ali, queria dizer “cálculo”. “Jaloncito de la voz”, depois de muitas voltas, virou “jeitinho da voz”. E a expressão “siempre a medio tren” foi traduzida por “sempre ponderadas”, uma solução que não a agradou de todo.

    Para Livia, a mistura de “literatura barroca com tragicomédia” é o traço mais marcante de Sada – e o mais difícil de traduzir.– Não existe equivalência em tradução. O que existe é correspondência – diz Livia. – Uma tradução nunca mimetiza com perfeição a língua original, será sempre uma tentativa de interpretação. Aí está a graça de traduzir.

    "De duas, uma"
    Daniel Sada
    Tradução: Livia Deorsola
    Todavia
    104 páginas
    R$ 39,90


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    A tarde de ontem no Parque Olímpico estava consagrada ao lançamento do Espaço Favela, menina dos olhos da produção do Rock in Rio 2019. No meio das exibições para convidados, no entanto, o festival acabou anunciando uma atração de peso para sua edição do ano que vem: o cantor inglês Seal, dos sucessos “Crazy” e “Kiss from a rose”, que esteve no evento em 2015, no Palco Mundo, será uma das atrações do Sunset daqui a um ano. Sua apresentação está programada para o dia 27 de setembro.

    Aos 55 anos, Seal tem uma carreira estabelecida no pop-soul mundial. Filho de mãe nigeriana e pai brasileiro, ele começou a chamar a atenção no começo dos anos 1990, quando gravou o sucesso dançante “Killer”, do tecladista e produtor Adamski. Seu primeiro disco, que leva seu nome, foi lançado em 1991 e emplacou “Crazy”, uma de suas canções mais conhecidas até hoje. Ao longo dos anos, Seal ganhou vários prêmios e chegou às rádios e à TV com canções como a balada “Kiss from a rose”. Ele veio pela primeira vez ao Brasil no Hollywood Rock de 1992, e desde então voltou apenas duas vezes, em 2011 e 2015, no Rock in Rio.

    INFOCHPDPICT000054591589— Seal tem um dos timbres de voz mais bonitos da música pop mundial — diz Zé Ricardo, curador do Sunset.

    Apresentado na tarde de ontem, o Espaço Favela já tem várias atrações confirmadas, como a cantora Tuany Zanini, os funkeiros Cidinho e Doca, o pianista Jonathan Ferr e a banda Canto Cego. A ideia é dar visibilidade à arte das comunidades.

    — A gente quer levantar a autoestima da cidade. O problema das favelas está em uma série de questões estruturais que a gente não consegue resolver. Então o que podemos fazer? É expor o talento, a cultura — diz Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio.

    Curador do espaço (além do Sunset), Zé Ricardo reitera:

    — A gente quer mostrar a diversidade da favela nos mais variados gêneros. Tem metal, funk, samba, orquestra, jazz... Olha a quantidade de pessoas talentosas que saem de lá!


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    RIO - Donos do canal 'Diva Depressão' e conhecidos por seus comentários ácidos sobre cultura pop, os youtubers Edu Camargo e Filipe Oliveira preparam-se para lançar o seu próprio reality show. Com o nome de "Corrida das Blogueiras", a atração, que será exibida no canal da dupla no YouTube a partir de 13 de novembro, começou a ser gravada na última segunda-feira no YouTube Space do Rio, espaço da Google na Zona Portuária que oferece ferramentas profissionais a youtubers que queiram incrementar suas produções.

    — Queremos começar 2019 fazendo coisas diferentes, não queremos estagnar o formato. É o maior projeto que já fizemos — antecipa Edu.

    No mesmo formato que os programas de competição da TV, "Corrida das Blogueiras" vai mostrar uma disputa entre "candidatxs" (pessoas de todos os gêneros poderão participar) de todo o país que sonham ser influenciadores de moda nas redes. A produção ainda vai contar com os youtubers Lorelay Fox, Maíra Medeiros e Bruno Matos (mais conhecido pela persona “Blogueirinha de Merda”) como jurados. diva-depressao

    Para Edu e Filipe, o maior desafio da iniciativa vai ser manter o timing do canal em vídeos mais longos, já que cada episódio da atração deve ter de 40 minutos a até uma hora.

    — Por mais que a gente quisesse fazer um reality, não podemos fugir da edição de youtuber, justamente para manter a nossa personalidade. Na internet, o timing é diferente da TV, não temos intervalos comerciais — explica Filipe.

    Além de talento para fazer carão e habilidade nos makes, as candidatas também terão que estar preparadas para lidar com as tiradas dos jurados.

    — A ideia é que a gente seja ácido, mas sempre tem um limite.Todas que foram selecionadas já conhecem o canal e não vamos atingir a integridade de ninguém. Sabemos o que pode ser dito ou não, mesmo na base do improviso. Mas somos bobos, já estamos nos afeiçoando a todas — brinca Edu.


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    SÃO PAULO - Ambientado numa Guatemala pobre, violenta e extremamente religiosa, “José” acompanha o jovem cujo nome dá título ao filme em uma rotina de sobrevivência e de sexualidade reprimida. Aos 19 anos, o protagonista vive com a mãe na Cidade da Guatemala, trabalha como entregador em um restaurante e passa o tempo livre navegando secretamente em aplicativos de relacionamento. Ainda sem distribuição garantida no Brasil, o longa dirigido pelo chinês radicado nos Estados Unidos Li Cheng tem sessões no Festival do Rio na quinta (às 16h, no Estação NET Rio) e na sexta (às 13h30m, no Estação NET Ipanema).

    Premiado no Festival de Veneza com o Leão Queer, dado ao melhor filme da seleção com temática LGBT, “José” é resultado de uma longa pesquisa de Cheng e de seu produtor, o americano George Roberson, por 12 países na América Latina. No périplo, ele identificou no país da América Central, um dos mais violentos do mundo, um meio ideal para contar a história de uma minoria muito afetada pela repressão social e religiosa: Links Festival do Rio

    — Falamos com muitas pessoas e as histórias são assustadoras — disse Cheng, em entrevista ao GLOBO, quando passou pela Mostra de São Paulo. — Mães que ameaçam de morte os filhos que se revelam gays e outras coisas que podem ser tão cruéis quanto.

    Estereótipo falso

    Li Cheng __JOSE__Director YQstudio LLC 1.jpgJosé é interpretado por Enrique Salanic, um rapaz guatemalteco selecionado em testes com centenas de jovens locais com o mesmo perfil médio encontrado nas entrevistas conduzidas por Cheng e Roberson. Ele é, de acordo com os dois cineastas, o oposto do estereótipo do macho latino, movido a testosterona e com uma língua ferina:

    — Esse personagem e sua história fazem repensar até mesmo a imagem que se tem da América Latina, com suas paisagens tropicais e figuras embranquecidas. Não é nada disso, as pessoas vivem em centros urbanos e percorrem longas distâncias para ganhar de US$ 3 a US$ 5 por dia. São, em grande parte, de origem indígena e, muitas vezes mal nutridos — diz Cheng.

    Trailer de 'José'

    Isso explica o fato de José viver com a mãe, uma mulher muito religiosa (Ana Cecilia Mota), e ver no relacionamento que inicia com Luis (Manolo Herrera) uma “escolha de Sofia” entre o amor e a família, em termos de futuro:

    — A cultura familiar latino-americana é muito parecida com a chinesa, na qual os filhos são muito ligados aos pais — explica o diretor. —Há um moralismo embutido nessa configuração, o que explica muito da ênfase no patriarcado. Mas tem também uma questão de calor humano.

    Cheng e Roberson seguem viajando por festivais e escrevendo um novo roteiro. Que, pelo que dizem, deverá ser ambientado também em cidades do Brasil.


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    RIO — A consciência de que é possível estabelecer uma relação de afeto pode salvar vidas. Essa é a mensagem que sobressai de "Tinta bruta", drama exibido nesta terça-feira dentro da competição da Première Brasil do 20º Festival do Rio.

    É o primeiro longa de ficção da dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon desde "Beira-mar" (2015), que tratava da descoberta sexual de dois adolescentes gays. Aquele filme chamou atenção por não inserir na narrativa a temática da homossexualidade como mecanismo de conflito. "Em 'Beira-mar', ser gay não é fácil. Mas ser jovem também não', disse ao GLOBO o codiretor Filipe Matzembacher à época do lançamento.

    Três anos depois, a mesma frase poderia ser dita sobre "Tinta bruta", vencedor, em Berlim, do prêmio Teddy, dedicado a obras LGBT. Para muito além do rótulo, o longa aborda com sutileza (e também de forma feroz, quando necessário) a angústia adolescente, os efeitos do bullying e a solidão. É um estudo de personagem cuja sobrevivência, ou capacidade de sobreviver, está por um fio. Links Fest rio

    "Tinta bruta" abre com o gaúcho Pedro (Shico Menegat) num tribunal sendo julgado por um crime. Por esse motivo, ele foi expulso da faculdade de Química. Também ficamos sabemos desde o começo que sua mãe morreu anos atrás e o pai o abandonou; ele não possui um emprego formal; o aluguel do apartamento em que mora sozinho está atrasado; e a irmã, jornalista, está prestes a se mudar para outro estado. Antes de ir embora, ela pede que ele saia mais de casa, pelo menos para passear.

    Pedro obedece e, diariamente, passa sete minutos cronometrados no banco de uma calçada. Ele observa, calado, transeuntes e moradores parados no parapeito de suas janelas. É o máximo de interação com o mundo real que ele parece ter. Numa cena no início do filme, sua irmã conta como antigamente era possível ter uma ampla vista da cidade; hoje, prédios enfileirados bloqueiam e enclausuram a paisagem.

    Em seu quarto, sob o codinome GarotoNeon, o protagonista realiza performances eróticas diante da webcam para um público desconhecido, que paga para Pedro se exibir. É assim que ele ganha dinheiro: cada apresentação rende pouco mais de R$ 100. Nesses "shows", como o rapaz gosta de chamar, ele usa tintas fluorescestes para pintar o próprio corpo. É o que diferencia suas apresentações das milhares que existem na internet.

    No entanto, o bailarino Leo (Bruno Fernandes), usuário do mesmo site, copia a estratégia, e Pedro vê a audiência de seus chats cair. Ele tira satisfação com o rival, e ambos iniciam um relacionamento amoroso. Depois de uma festa, o bailarino diz ter achado Pedro muito calado, que responde: "Acho que nunca falei tanto antes".

    Em outra conversa franca entre o casal, tomamos conhecimento do crime cometido por Pedro: tratou-se de uma reação violenta às ações de um colega que praticava bullying nele. A advogada pede que Pedro demonstre arrependimento para a juíza, mas ele afirma que faria tudo de novo. "E se eu me matasse no lugar?", pergunta.

    Filipe Matzembacher e Marcio Reolon filmam cenas de sexo e erotismo sem medo de explorar o corpo e a intimidade de Pedro, enquanto o ator Shico Menegat, em seu primeiro papel no cinema, dá consistência ao personagem por meio de olhares e poucas palavras.

    Antes da sessão, Matzembacher disse que aquele era "um momento difícil pra gente e pro país":

    — É importante a gente estar junto e cuidar uns dos outros — afirmou o diretor, sob aplausos.

    Mais cedo, foi exibido o documentário "Gilda Brasileiro", que acompanha a personagem do título, uma mulher de 52 anos que pesquisa a história de uma estrada clandestina de transporte ilegal de escravos no século XVIII. Situada em Salesópolis, em São Paulo, a rota não tem o passado sombrio oficialmente registrado, e Gilda vai atrás de relatos informais de moradores locais para corroborar sua tese.

    — O filme não é uma aula de história, mas como a escravidão é lembrada, hoje, em um lugar onde ela foi intensa até o final — definiu Roberto Manhães Reis, codiretor junto com Viola Scheuerer.

    O Festival do Rio vai até dia 11 de novembro.


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    RIO — Quanto vale uma seflie? Bom, no caso de quatro jovens que visitaram no último fim de semana o museu Glavny Prospekt, na cidade de Ecaterimburgo, na Rússia, pode ter custado a integridade de duas obras dos aclamados pintores Salvador Dalí e Francisco Goya.

    Segundo noticiou o "Art Newspaper", enquanto tiravam as fotos, as turistas derrubaram acidentalmente um painel que expunha obras dos dois artistas. De acordo com o site, a primeira análise da polícia é de que o trabalho de Goya está em grande parte intacto — somente sua armação e cobertura de vidro foram danificandas. Já a tela de Dali sofreu um corte de 10 cm de comprimento.

    Os responsáveis pelo museu ainda não divulgaram os nomes dos quadros e nem o valor do prejuízo. O centro descreveu as mulheres como "não muito bem comportadas", mas teria optado por não abrir uma queixa criminal.

    A polícia local abriu uma investigação, e o museu pretende enviar os trabalhos para Moscou ou algum centro na Alemanha para análise de especialista.

    Veja o momento em que o painel é derrubado: Quadros derrubados


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    RIO - Os fãs de"Breaking Bad" já podem comemorar: cinco anos depois de seu final, o criador da série, Vince Gilligan, está trabalhando em um filme que deve trazer de volta Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul). Links Breaking Bad

    Segundo as primeiras informações ddivulgadas pelo Albuquerque Journal, do estado americano do Novo México, e confirmadas pela Variety, Gilligan está trabalhando em um filme de duas horas, embora não esteja claro se ele ele está sendo produzido para ir ao ar nos cinemas ou na televisão. Segundo o Albuquerque Journal, o roteiro "acompanha a fuga de um homem sequestrado e sua busca pela liberdade".

    Ainda de acordo com o jornal americano, o título do filme seria "Greenbriar", nome de um condado da Flórida. E a produção, que será rodada na cidade de Duke (Novo México), está programada para acontecer entre meados de novembro e o começo de fevereiro.


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    NOVA YORK — Se você achou grandes demais os dentes de Rami Malek em “Bohemian Rhapsody”,saiba que eles poderiam ter sido ainda maiores. A prótese gigante que o ator usou para encarnar Freddie Mercury foi feita em tamanhos diferentes, incluindo uma opção do tamanho real do cantor do Queen, que ficou um pouco grande demais para o rosto de Malek.

    Links Bohemian RhapsodyEsse e alguns outros segredos surgem numa conversa com Chris Lyons, o protético da empresa britânica Fangs FX. OA artista, de 55 anos, vem fazendo sucesso em filmes e programas de TV há décadas, acumulando trabalhos com estrelas como Tilda Swinton, Meryl Streep e Johnny Depp em criações memoráveis. Ele até fez presas de ouro para um Doberman em um vídeo de Kanye West.

    Se o trabalho de Lyons geralmente desempenha um papel de apoio nas produções, ele ganhou ares de protagonista no novo filme biográfico do Queen. Em uma cena inicial, os futuros colegas de banda de Mercury são céticos sobre sua capacidade de ser um vocalista por causa dos dentes, mas o cantor sugere que ter quatro dentes extras lhe traz benefícios musicais.

    Na entrevista abaixo, Lyons fala sobre a criação do conjunto de dentes de Freddie Mercury em ouro, sua contribuição nos filmes recentes de "Guerra nas Estrelas", e seu trabalho com Björk.

    Como os dentes moldaram a boca de Rami Malek como aparece no filme?

    remi-malek.pngSão dentes grandes e um pouco saltados, então se inclinam para frente. Na boca de Rami, empurram o lábio, dando aquela aparência que lembra mais a boca de Freddie.

    Freddie tinha muita consciência de seus dentes e muitas vezes tentava escondê-los com o lábio. Rami adorava isso, porque ele tinha que se esforçar para esconder esses dentes como Freddie fazia.

    Do que eles são feitos?

    Acrílico, basicamente. Se a sua avó tem uma dentadura e tira de noite para colocar no copo ao lado da cama, é um material semelhante a esse. Mas cada dente foi feito a mão em camadas para obter as cores e se adequar ao Rami. Nada padrão.

    E como eles encaixavam?

    Não usamos fixadores. Eles simplesmente ficavam entre os dentes dele e o lábio. Era isso. Porque quando você umtrapassa a superfície de mordida dos dentes, isso afeta a maneira como você fala e você não conseguirá fechar a boca. Rami podia fechar a boca completamente porque nenhum dos meus dentes estava na superfície da sua mordida. Eles entravam e saíam em segundos.

    Fizemos vários modelos até o tamanho dos dentes de Freddie. Quando fizemos o primeiro grande teste e o apresentamos ao (diretor) Bryan Singer, percebemos queo tamanho normal seria muito grande em Rami. Então reduzimos tudo para que tudo combinasse com o rosto e as características de Rami.

    Os dentes nesse filme são grandes, mas você fez uma grande variedade ao longo de sua carreira.

    Conseguimos fazer dentes tão finos quanto 0,1 milímetro, ou presas de mais de dois centímetros. Fazemos dentes de ouro. Rami me pediu para criar um modelo dos dentes de Freddie em ouro para ele. Queria ter uma lembrança em casa, pois esse não é um personagem que se interpreta todo dia.

    No que são usados os dentes mais finos?

    tilda-swinton-suspiria.pngSe você estiver interpretando um personagem que vive na selva, um vagabundo ou algo assim, sua higiene bucal é muito ruim. Então, em vez de pintar os dentes, o que afetaria a continuidade, podemos pegar um material fino, pintar isso, prendê-lo e, de repente, os dentes ficam descoloridos. Quando fizemos Tilda Swinton em “Suspiria”, foi o que ela usou. Ela é uma das minhas clientes regulares.

    Que tipo de trabalho você fez que ninguém reparou?

    Eu fiz todos os novos filmes de "Guerra nas estrelas" e ainda não percebi nenhum de nossos dentres em qualquer um desses filmes.

    Fale sobre algum de seus trabalhos mais difíceis.

    tim-roth.pngEu diria Tim Roth em "Velha juventude". Na cena, ele está no hospital e o médico ia colocar o dedo em sua boca. E eles queriam que todos os dentes estivessem soltos, balançando. Demorei dois meses para descobrir como faria isso. Criamos uns quatro ou cinco conjuntos diferentes antes de ficarmos satisfeitos. Foi difícil acreditar que funcionou.

    E qual foi sua tarefa mais criativa?

    Fizemos dentes trinta vezes acima do tamanho real para um clipe da Björk, “Mouth Mantra”. Eles queriam colocar uma câmera na boca como se estivessem filmando de dentro para fora. Então os dentes, as gengivas, o céu e o chão de sua boca precisavam ser trinta vezes o tamanho natural. Recebi um molde da boca dela, que foi ampliado digitalmente. Então tivemos que replicá-lo com as mesmas cores dos dentes e dos lábios dela. björk: mouth mantra


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