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    RIO - Celebrando 60 anos de profissão, Arlete Salles, uma matriarca amorosa em “Segundo Sol”, avalia a relação com os dois filhos da vida real e diz: “Falhei porque trabalhei muito a vida toda”.

    Mulher de fibra, a personagem Naná desafiou limites entre o bem e o mal para derrapar em suas atitudes em defesa dos filhos na trama das 21h da Globo. Por amor à família, mentiu e omitiu. Mas foi salva pelo afeto aos seus e a quem mais chegou. Para a pernambucana Arlete Salles, de 76 anos, a sua baiana da ficção chegou para coroar o pódio de suas personagens mais queridas — acompanhada por Carmosinha (“Tieta”, 1989) e Copélia (“Toma lá, dá cá”, 2007) — nos 60 anos de carreira.

    — Não tenho a menor dúvida de que eu deveria ser atriz, mas acho que não conduzi bem minha trajetória artística porque empreendi pouco, diferentemente de algumas amigas. Não é da minha personalidade, sabe? Aos trancos e barrancos, cheguei aqui. Mas, de qualquer forma, com sorte e muito trabalho, venci e fiz uma bonita carreira — pondera ela. links atrizes

    Na próxima sexta-feira, sua atual heroína sai do ar, deixando a atriz com uma certa melancolia.

    — Não vivo de tristeza, mas me dói deixar a personagem, apesar de estar feliz com tudo que aconteceu. Naná começou tímida e vai terminar intensa, dona de si. Apesar dos erros, moralmente ela foi corajosa, de uma beleza interior imensa. Colocava o bem-estar da família em primeiro lugar — avalia Arlete, pouco depois de ter gravado a cena em que a matriarca reencontra o filho mais velho, Remy (Vladimir Bichta), dado como morto: — Não sei se a cena ficou boa, mas fiz como senti.

    Estimulada pelas relações familiares do folhetim, a veterana reavalia seus laços pessoais e diz sentir que falhou como mãe, referindo-se à criação dos filhos Alexandre Barbalho, de 58 anos, e Gilberto Salles, de 47, ambos do casamento, entre 1958 e 1970, com o ator Lúcio Mauro, de 91:

    — Falhei porque trabalhei muito a vida toda. Minha mãe (Severina) viveu mais essa função com eles do que eu. Que bom que os meninos se tornaram pessoas de caráter. Temos uma relação ótima, saudável.

    Natural de Paudalho, Zona da Mata de Pernambuco, a atriz teve em Severina o suporte que precisou para poder se dedicar à profissão. A parceria só se encerrou em 2013, quando a mãe morreu, aos 93 anos.

    — Sou mãe e fui filha até pouco tempo atrás. Esse convívio intenso cria ruído, claro, mas vivemos em paz, uma cuidando da outra. A vida toda eu achei que só seria livre quando morasse longe de mamãe. Quando ela morreu, entendi que a minha liberdade era ao lado dela. Sinto muito a sua falta — lamenta Arlete, que hoje mora com o caçula.

    O coração está em paz. Solteira, ela diz que não sente falta de um namorado, mas destaca que não há impedimento algum para que isso mude. Enquanto isso, a atriz afirma que “deixa a vida a levar”, citando a canção de Zeca Pagodinho.

    — Sou feliz porque trabalho no que gosto, me mantenho ativa e saudável. A vida é desafiadora e exige coragem. E isso não me falta.


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    RIO — Na noite em que dois filmes com temática indígena foram exibidos em competição na mostra Première Brasil do 20º Festival do Rio, a equipe de "A terra negra dos Kawa" pediu, neste sábado, a preservação de terras e dos povos indígenas. Mais cedo, foi projetado o longa "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos".

    — É importante que os indígenas tenham representação no cinema. Peço demarcação já, senão seremos apenas lembrança. Queremos sobreviver. Chega de genocídio — declarou o ator Anderson Kary, protagonista de "A terra negra...". Links Fest Rio

    O longa do amazonense Sérgio Andrade -- codiretor de "Antes o tempo não acabava" (2016), ao lado de Fábio Baldo -- recorre a elementos de fantasia e ficção científica para falar de preservação de territórios. Ele abre já com uma inscrição apresentando a premissa: o grupo étnico Kawa tem a missão de proteger uma "terra especial, curativa e mágica, originária dos guardiões da tribo, habitantes do espaço sideral."

    Em outras palavras, essa terra tem o misterioso poder de gerar energia elétrica. Se consumida, tem efeitos semelhantes a drogas, levando o usuário a um estado de êxtase, de "amor à terra" e de compreensão da existência (situações que, aliás, rendem cenas cômicas). Ou seja, um prato cheio para ser estudado por cientistas e explorado por homens brancos.

    É o caso de dois geólogos interpretados por Felipe Rocha e Mariana Lima. Eles identificam propriedades únicas na terra dos Kawa e partem numa jornada para descobrir o que torna aquele terreno diferente de todas as outras. Mas os indígenas estão dispostos a proteger a região a todo custo.

    — A gente estreia esse filme menos de uma semana depois de eleger um homem que falou que não quer deixar um centímetro de terra demarcada. Temos que trabalhar muito ainda — disse o ator Felipe Rocha.

    — Desejo que todos encontrem um sítio como os do Kawa, que é uma área de união — acrescentou o diretor Sérgio Andrade. — A gente não aguenta mais acordar e ter náusea, e esse filme traz esperança. Fala sobre viajar pelo transcendental, algo que só os indígenas sabem fazer. Temos que preservá-los sempre.chuvaecan_f01cor_2018133103.jpg

    "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora, também flerta com o sobrenatural: começa com o protagonista Ihjãc, habitante de uma aldeia no cerrado tocantinense, recebendo um chamado do pai, já morto, para que ele conclua a festa de fim de luto. Quando o ritual acontecer, o espírito do homem finalmente estará livre.

    Ao mesmo tempo, Ihjãc descobre ser um pajé, condição que ele rejeita. O conflito o leva até a cidade, onde o rapaz acha ser possível se curar do que acredita ser uma doença. É taxado de hipocondríaco pelos médicos.

    Apesar da narrativa, o longa tem um pé no gênero documental: várias cenas capturam situações reais do povo Krahô. "Chuva é cantoria..." venceu o prêmio especial do júri na mostra Um Certo Olhar, em Cannes, em maio.

    — Poderia ser uma aldeia de anjos, mas não tem anjos no Brasil. Há muitos mortos — criticou o diretor João Salaviza, que venceu a Palma de Ouro de curta-metragem por "Arena" (2009). — Em Tocantins, onde filmamos por nove meses, encontrei um Brasil completamente diferente do país que construímos desde que invadimos essa terra.

    O Festival do Rio 2018 vai até o dia 11 de novembro.


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    RIO — Previsto para ir ao ar neste domingo, o episódio de "The Walking Dead" com a última aparição do protagonista Rick Grimes (Andrew Lincoln) promete ser um dos mais comentados das nove temporadas da série. Para aumentar ainda mais a ansiedade dos fãs, o ator Jon Bernthal postou em sua conta no Instagram uma foto ao lado de Lincoln, com a frase "Ok, irmão. Vamos nessa mais uma vez".

    Instagram Jon BernthalBernthal interpretou, nas duas temporadas iniciais de "TWD", Shane Walsh, policial amigo de Rick Grimes, que cuida de sua mulher e filho enquanto o personagem procurava sua família após o apocalipse zumbi. Com a chegada de Rick ao grupo de sobreviventes, cria-se um triângulo amoroso, e o protagonista acaba matando o ex-parceiro.

    The walking deadJá se sabia que Bernthal (que protagoiniza a adaptação de "O Justiceiro", da Marvel, realizada pela Netflix) voltaria a gravar no episódio "What comes after", em que Rick Grimes faz sua última aparição. Ainda não se sabe se o personagem também vai morrer ou se sairá da trama de outra forma.

    A foto da dupla teve mais de 250 mil curtidas, e foi comentada por vários fãs da série, incluindo brasileiros.


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    NOVA YORK — Orson Welles estava na linha. “O que você pretende fazer na quinta-feira?” perguntou. Era 1970, e o diretor de “Cidadão Kane” tinha ligado para Peter Bogdanovich, com a intenção de pedir que ele fizesse seu último filme, “O outro lado do vento”. “Basta aparecer no set na quinta-feira”, Welles insistiu. O filme todo deveria levar apenas algumas semanas para ficar pronto.

    Quarenta e oito anos depois, “O outro lado do vento” finalmente foi lançado. A primeira exibição aconteceu no Festival de Telluride, nos EUA, em setembro, quando também foram lançados dois documentários sobre o esforço hercúleo para terminar o filme. Agora, o público em geral também poderá ver a obra, que estreou ontem na Netflix.

    The Other Side of the Wind | Official Trailer

    Os fãs de cinema quase desistiram de "O outro lado do vento", inacabado após a morte de Welles em 1985. Ele se tornou um dos mais famosos "filmes nunca lançados", envolvido em problemas de direitos autorais e dificuldades financeiras em geral.

    No fim, ninguém menos que Frank Marshall, um dos mais poderosos produtores de Hollywood, liderou o esforço de salvação. Marshall, de 71 anos, fez seu nome na indústria do cinema tornando possível o impossível: fechou a principal avenida de Las Vegas para filmar “Jason Bourne”, manteve a calma quando Steven Spielberg pediu dez mil cobras extras para uma cena em "Caçadores da Arca Perdida", descobriu como Clint Eastwood poderia colidir um jato em "Sully". Se ele não pudesse fazer esse filme acontecer, quem poderia?

    Quando os produtores finalmente garantiram o financiamento — a Netflix entrou na jogada no ano passado —, tiveram que navegar por mais de 100 horas de cenas armazenadas em um armazém em Paris para dar a cara final a um longa-metragem que Welles concebeu como um tipo de colagem, com partes em cores e outras em preto e branco, e cenas gravadas em vários formatos (35 mm, 16 mm, Super 8.)

    FILM_WELLES_WIND_1_1768359.JPG

    Os críticos de Telluride e do Festival de Veneza, onde o filme também foi exibido, responderam com críticas positivas por unanimidade. A reação inicial dos participantes do festival foi mista, com alguns confusos e entediados e outros entusiasmados — algo típico na relação do público com a obra de Welles.

    “O Outro Lado do Vento” reconstrói uma festa debochada (usando imagens supostamente filmadas por convidados) na casa de Jake Hannaford, um diretor de cinema inconformista, pouco antes dele morrer. Cenas de um filme inacabado do personagem— exibido na festa — são intercaladas. John Huston, que morreu em 1987, interpreta Hannaford como um alcoólatra misógino, vestindo um traje de safári. Bogdanovich faz Brooks Otterlake, um jovem diretor chegando ao mundo da riqueza e da fama, num questionamento da Nova e da Velha Hollywood da época. Oja Kodar, que escreveu o roteiro com Welles, atua no filme dentro do filme.

    O resultado é um sonho febril politicamente incorreto que envolve anões, Kodar com o rosto pintado de vermelho como uma mulher indígena, pelo menos uma orgia, um cinema drive-in, a visão dos anos 70 sobre mulheres (descartáveis) e inclusão (inexistente), a mutilação de uma boneca, um acidente de carro, manequins, um cubo de gelo, lanternas, rifles e um falo gigante construído com arame de galinha e empoleirado em uma duna de areia, entre outras imagens.

    “É um filme triste, eu acho”, disse Bogdanovich, hesitante, após a exibição em Telluride. “Não é só o último filme de Orson, mas é como o fim de tudo. Isso me parece o fim do mundo.”

    "Serei amado quando morrer"

    Os dois documentários são "Serei amado quando morrer", dirigido pelo vencedor do Oscar Morgan Neville; e "A Final Cut for Orson: 40 Years in the Makin", de Ryan Suffern. O primeiro também está disponível no Brasil pela Netflix.

    "Serei amado quando morrer" tem atraçõescomo os vislumbres de Welles no trabalho e se divertindo em meio à sua eterna busca por dinheiro. Mas na maior parte serve mesmo como um aquecimento para "O outro lado do vento".

    Quando começou a produzir “O outro lado do vento”Welles já havia entrado para a história há muito tempo, tendo triunfado no teatro, no rádio e no cinema. Sua produção cinematográfica foi relativamente modesta em comparação com alguns de seus colegas, mas o número de clássicos com seu nome é inegável, com "Cidadão Kane", "A marca da maldade" e "Falstaff - O toque da meia noite" entre eles.

    O documentário tirar seu título de uma frase que, segundo Peter Bogdanovich, teria sido dita por Welles alguns anos antes de morrer. Bogdanovich — um admirador que se tornou amigo e aparente rival — há décadas está entre os mais fervorosos defensores da chama de Welles. Ele é um dos participantes mais complexos do documentário e também tem sido fundamental na divulgação de “O outro lado do vento”.

    Sua proeminência aqui é compreensível, embora complique um filme que por vezes parece menos interessado em Welles como artista do que em ideias sobre ele (gênio, fracassado, pai, deus, monstro) formadas na mente dos outros.

    A história sobre a produção de "O outro lado do vento" já foi contada antes, inclusive pelo historiador Joseph McBride, que participa do filme e do documentário. Como acontece com vários dos participantes, McBride não é identificado imediatamente no documentário.

    Links cinema Talvez por causa do grande número de colaboradores ou em um esforço para tornar o filme mais palatável comercialmente, Neville usa identificadores na tela com moderação. Esta abordagem funciona melhor com gente como Dennis Hopper, que aparece pela primeira vez sem nome numa passagem sobre a Nova Hollywood. Só mais tarde, você entende que o trecho é para uma cena de "O outro lado do vento", que é, em parte, a história da Nova e da Velha Hollywood e de dois diretores muito diferentes que representam cada uma.

    Neville se inspirou no livro "O último filme de Orson Welles", de Josh Karp, que traz muito mais detalhes do que se pode mostrar num documentário de 98 minutos. Karp também presta mais atenção ao processo artístico de Welles, que no documentário pode parecer algo próximo do puro caos.

    Ainda assim, um dos melhores trechos do documetário mostra Welles dirigindo Norman Foster numa cena: “Relaxe seu rosto”, diz Welles. "Triste. Esvaziar. Esvaziar. Agora diga 'Muitos retornos felizes', de forma que eu mal te ouça." Foster tenta e Welles corrige: "Você pronunciou isso com muito cuidado." Então Foster, interpretando um alcoólatra, repete a fala, dessa vez com um leve e perfeito insulto.


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    RIO — Ainda jovem, cabeludo e de óculos, nos anos 1980, Herbert Vianna era ídolo da molecada que começava a formar bandas de rock no Rio, em Brasília e no país inteiro. Aos 23 anos, ele já tinha lançado dois discos com os Paralamas do Sucesso (“Cinema mudo” e “O passo do Lui”) e tocado no primeiro Rock in Rio, em 1985. Herbert namorou uma ex-empresária do também nascente Kid Abelha (outra atração do festival), cujo irmão mais novo queria ser músico.

    — Eu incentivei, disse para ele comprar um contrabaixo que eu daria uns toques, mostraria o bê-a-bá do instrumento — lembra Herbert. — Fizemos assim, e um dia ele me disse que tinha lido uma entrevista nossa, na qual contávamos que o nome Paralamas do Sucesso veio de um concurso interno, em que buscávamos o nome mais ridículo, e o Bi (Ribeiro, baixista) ganhou. Ele estava começando uma banda com amigos e me pediu uma sugestão de nome na mesma pegada. Como eram garotos de praia do Rio, eu sugeri Biquíni Enterradaço ou Biquíni Cavadão.

    O projeto de cunhado — que não se concretizou — era André Sheik, que formou o Biquini (que depois perdeu o acento) com Bruno Gouveia, Álvaro Birita e Miguel Flores da Cunha. Quando foram gravar sua primeira demo, os meninos não tinham guitarrista. Quem foi o convocado?

    ilustre guerreiro biquini.jpg— É uma antiga amizade, e muitos encontros ao longo da vida – diz Carlos Coelho, que depois da participação de Herbert acabou formando o Biquini com os outros rapazes (Sheik deixou a banda em 2000). — E os Paralamas são uma banda estradeira como nós, então volta e meia nos encontramos em shows e aeroportos pelo Brasil.

    A amizade de mais de 30 anos rendeu “Ilustre guerreiro”, disco do Biquini apenas com composições de Herbert, que tem um single lançado por semana até o fim deste mês, quando estará nas ruas.

    — Faremos o disco físico - diz o cantor Bruno, sempre antenado com o business e descobridor do significado do nome do homenageado, justamente “Ilustre guerreiro”. — Mas ele só estará à venda nos shows e em um hotsite que vamos criar.

    Surf-rock à la Shadows

    Nos sites de streaming, já podem ser ouvidas as versões de músicas como “Só pra te mostrar” (do disco solo de Herbert “Victoria”, de 2012, e também gravada por Daniela Mercury), “Aonde quer que eu vá” e “Ska”.

    — Cheguei ao estúdio crente que ia tocar na guitarra aquela linha de saxofone de “Ska”, mas não foi nada daquilo — conta Coelho. — As músicas foram tomando outras formas, essa ficou um surf-rock meio na linha dos Shadows, uma onda que o Liminha (produtor e responsável pelo contrabaixo no disco) curte muito.

    Uma ouvida no disco, produzido com o capricho habitual do ex-baixista dos Mutantes, mostra caminhos inusitados para clássicos e músicas menos paralâmicas de Herbert, como a balada “Se eu não te amasse tanto assim”, parceria dele com Paulo Sérgio Valle gravada com sucesso por Ivete Sangalo.

    — Essa, desde o início sabíamos que seria um rockão — diz Bruno.

    Além de guitarras, arranjos e melodias, outro desafio de regravar Herbert é a bateria do monstro João Barone.

    — Não dá nem pra pensar em fazer parecido com ele — diz Birita, piloto das baquetas no Biquini. — O jeito é buscar outras direções, o que acaba sendo legal, porque mantemos a essência das músicas e damos a elas a cara da nossa banda.


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    RIO — "Bohemian Rhapsody" estreou no topo da bilheteria americana neste fim de semana, com arrecadação superior a US$ 50 milhões. A cinebiografia do Queen tornou-se a segunda melhor estreia de uma biografia musical, atrás de "Straight otta compton: A história do N.W.A.", que faz R$ 60 milhões em seu fim de semana de estreia, em 2015.

    Links cinema O filme superou as espectativas da Fox, que previsa arrecadar US$ 35 milhões na estreia. Com Rami Malek interpretando o vocalista Freddie Mercury, o longa liderou com folga o ranking americano, à frente de "O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos", dos Estúdios Disney, que arrecadou US$ 20 milhões.

    Na terceira posição ficou a comédia "Nobody's fool", que acumulou US$ 14 milhões no fim de semana da estreia, seguido de "Nasce uma estrela" (US$ 11 milhões, em sua quinta semana em cartaz) e de "Halloween" (US$ 11 milhões), que até semana passada liderava a bilheteria americana.


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    RIO — Na noite em que a violência urbana entrou em pauta no 20º Festival do Rio, chamou atenção o forte discurso de sobrevivência feito pelo diretor de um curta-metragem exibido entre os longas "Relatos do front" e "Nóis por "nóis", ambos projetados em competição na mostra Première Brasil.

    Ao apresentar a sua obra "Preciso dizer que te amo", o cineasta Ariel Nobre pediu mais presença de pessoas trans, como ele, em posições de destaque na indústria do audiovisual. E declarou que a sessão deste domingo representava uma segunda transição em sua vida: de personagem trans para documentarista.

    — Chega de filmes sobre nós. Agora precisamos ocupar espaços para produzir e decidir as narrativas. Só assim vamos parar com a matança. Nós não nos suicidamos; somos suicidados. Mais do que objetos de arte, somos artistas. Mais do que tema de campanhas publicitárias, somos publicitários — discursou Nobre, sob muitos aplausos e após pedir que todos os homens trans da plateia se levantassem.festival_511

    Ele aproveitou para defender editais afirmativos para LGBTs.

    "Preciso dizer que te amo" é um documentário autobiográfico sobre a luta contra o suicídio de pessoas trans. Começa com uma narração descrevendo o momento em que um personagem decide tirar a própria vida.

    No mundo real, Nobre flertou com o suicídio em 2015 após sofrer um ataque homofóbico. Decidiu, porém, dizer a algumas pessoas que as amava. Assim, surgiu o projeto "Preciso dizer que te amo", no qual escrevia a frase em paredes, corpos e objetos. A iniciativa virou ensaio fotográfico e, agora, documentário.

    O cineasta Aly Muritiba disse que era uma honra exibir o seu filme "Nóis por nóis" na mesma sessão que Nobre.

    Adaptação da série de TV homônima exibida ano passado na TV Brasil, o longa de Muritiba e Jandir Santin explora a violência na periferia de Curitiba a partir de três jovens que se veem na chance de denunciar o abuso policial na região depois que um amigo deles morre sob condições misteriosas durante um baile.

    Num primeiro momento, Mari, Gui e Japa desconfiam que o assassinato pode ter sido cometido por um traficante que mantém o monopólio de vendas na comunidade. No entanto, um celular deixado pela vítima revela o possível envolvimento de PMs. O trio vai atrás de outras evidências enquanto reflete sobre o risco de levar a público as provas colhidas.

    — É triste, mas especial, exibir esse filme exatamente uma semana após a eleição, porque é uma obra de resistência, construída por um coletivo enorme de gente do movimento negro — disse Aly Murtiba, cujo "Ferrugem" venceu este ano o troféu Kikito de melhor filme no Festival de Gramado.

    Mais cedo, foi exibido o documentário "Relatos do front", de Renato Martins, que busca explicar as razões por trás das milhares de mortes anuais em confrontos no Rio de Janeiro. A partir de entrevistas com policiais, mães de jovens assassinados, sociólogos, jornalistas e ativistas, o filme constrói a tese de que a violência urbana remonta à escravidão, quando teria surgido a noção de "nós contra eles". E conclui: todos —tanto a polícia quanto as favelas — perdem com as falhas de segurança pública. A sessão contou com a presença de vários entrevistados no documentário.

    — Meu encontro com o Renato Martins demonstra o rompimento da barreira que existe entre polícia e sociedade — afirmou Sérgio Barata, policial há 29 anos. — Não podemos simplesmente ver o Estado como inimigo. Somos todos vítimas.

    — Esse é um filme que ouve todos os lados do conflito urbano para propor um debate. Não aponto dedos — explicou o diretor Renato Martins. — As políticas já não funcionam há 30 anos. A pergunta é: queremos mais três décadas de morte, dor e perda?

    O Festival do Rio vai até dia 11 de novembro.


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    RIO — Um brinde ao crowdfunding, que permite a existência de painéis como este, uma reunião de compositores, instrumentistas e uma cantora que ralam pelos palcos do Rio e do Brasil, com poucas chances de mostrar o que sabem — com a possível exceção do diretor musical e violonista Thiago Amud. Aos 20 anos de carreira, Ilessi canta (e bem) nomes como Gonzaga da Silva, Paulo Rocha, Milena e Caio Tibúrcio e outros (por enquanto desconhecidos), em um disco produzido e executado com total profissionalismo — um viva à tecnologia, também, aliás, e à democratização que ela proporciona.

    Previsto para ser a primeira metade de um projeto (o outro sendo “Mundo afora: do caminhar”), o disco deve ser visto como isso mesmo: o começo de uma trajetória. Ainda são necessários ajustes, um lapidar natural em quem passou tanto tempo guardando o que tinha para mostrar. O repertório, se traz à tona nomes pouco falados — e que por certo merecem o holofote —, soa muito como uma carta de intenções, faltando-lhe as nuances, altos e baixos, mudanças na intensidade que permitem uma navegação mais tranquila pelas canções.

    ilessi cd.jpgO disco começa em altíssima voltagem com “Negro sangue” (Diogo Sili e Renato Frazão), uma paulada sobre raça e negritude que mistura guitarras (a cargo de Pedro Carneiro) e uma levada nordestina, com referência ao clássico “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. A levada remete a Alceu Valença e seu velho parceiro Paulo Rafael, fera da guitarra com sotaque pernambucano, e até mesmo aos tempos de Robertinho de Recife.

    A partir de “Marginal da 381”, de Paulo Rocha, no entanto, o disco entra em outra toada, mais MPB-cabeça, em que frequentemente faltam aqueles momentos, quando seria melhor tirar do que acrescentar. Letras e arranjos, na maior parte, não pecam, ousando e batendo onde necessário (na cara, geralmente). As melhores acabam sendo dos conhecidos Thiago Amud, com “Papoula brava” (um Oscar para o arranjo, criativo e contundente) e “A rede social”, um deboche com o mundo tecnológico e as mídias sociais, reforçado pelo sotaque nordestino afetado por Ilessi, e “A culpa é do saci”, de Edu Kneip.

    Sempre segura, a cantora tem boa performance, e valoriza as letras, de uma poesia agressiva e criativa, necessária, até. As melodias, eventualmente, é que soam por demais sinuosas, perdendo-se em prol de palavras e arranjos.

    Cotação: Regular


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    NOVA YORK — Há alguns meses, “The Walking Dead” vem destacando a despedida de seu herói central, Rick Grimes, rompendo a tradição de manter bem guardados os segredos de suas tramas. Desde o início da temporada os fãs já sabiam não só que o ator Andrew Lincoln deixaria a série, como também em que episódio isso aconteceria (ATENÇÃO: O texto traz spoilers do último episódio).

    O momento chegou neste domingo, num episódio retrospectivo e lúgubre combinando com o tom do marketing em torno da saída de Lincoln. O episódio levou Rick através de uma série de encontros febris em sonho com velhos amigos mortos como Shane (Jon Bernthal) e Hershel (Scott Wilson), antes de marchar em direção ao que parecia ser um heróico sacrifício final.

    Links The Walking DeadAté o final, quando ele chegou em uma margem do rio, muito vivo, e foi resgatado por um helicóptero. A história, em seguida, saltou seis anos no tempo para encontrar os companheiros de Rick se virando sem ele, com sua jovem filha, Judith, assumindo o manto (e o chapéu) da família Grimes no combate aos zumbis.

    Embora o futuro de Rick pareça incerto, não será assim por muito tempo: "The Walking Dead" vai retornar como uma trilogia de filmes de longa-metragem a ser exibida na AMC, com a primeira produção prevista para 2019.

    — Todos acham que sou um sociopata por não estar desmoronando em todas as entrevistas — disse Lincoln durante um almoço em Nova York, em outubro. — Mas a verdade é que eu sei que há algo para acontecer no ano que vem.

    Ao contrário da série, os longa-metragens não serão adaptações diretas dos quadrinhos de “The Walking Dead”. Eles contarão uma história original de Rick, disse Scott Gimple, diretor de conteúdo do universo de “Walking Dead”, que está escrevendo o primeiro filme. "Eles não serão apenas episódios mais longos", garante. (O autor dos quadrinhos e produtor executivo da série, Robert Kirkman, está muito envolvido, acrescenta.)

    HQs, TV, games, vinhos, cinema

    TV_WALKING_DEAD_Q_A_6_1800959.JPGO salto para o cinema representa a mais recente expansão de plataforma para uma franquia que, desde a sua chegada à TV em 2010, gerou outra série (“Fear the Walking Dead”), um programa complementar de fãs (“Talking Dead”), videogames, conferências, cruzeiros, uma linha de vinhos e um serviço de assinatura, entre outros produtos.

    Ele também representa a última isca de um programa que já irritou os fãs com mortes falsas (Glenn, na 6ª temporada) e um gancho que fez os espectadores esperarem por meses para descobrir quais de seus personagens favoritos tinha, de fato, sido morto.

    A AMC defende a forte campanha de marketing em torno da saída de Rick argumentando que, "se você fosse um fã do programa, queríamos que soubesse que esta era sua oportunidade de ver, ao vivo, a saída dele da série", disse David Madden, diretor de programação. "Queríamos honrar esse momento e, ao mesmo tempo, dizer às pessoas o que viria a seguir."

    Mas, com base na reação aos primeiros truques narrativos do programa, alguns fãs certamente se sentirão manipulados ou enganados.

    — Espero que as pessoas não se sintam assim, mas a internet é um lugar vasto, então imagino que acontecerá com alguns — disse Gimple.

    Lincoln preferia que sua partida fosse mantida em segredo até o momento final. Mas a ampla promoção proporcionou uma despedida épica para o protagonista de um dos programas mais populares da televisão americana. Antes de “The Walking Dead” estrear em 2010, o ator britânico era pouco conhecido. Mas ele trouxe notável resistência física e intensidade emocional para o atormentado herói de ação, por vezes sedento e idealista, e perpetuamente suado combatente de zumbis, que superava perda após perda num inferno pós-apocalíptico.

    Eu lamento a partida de Glenn. Porque Steven Yeun foi uma parte muito importante do ritmo nos meus anos. De certa forma, era como estar numa boy band, você só tem um ao outro como referência. E então eles começaram a tirar as pessoas de você.Pessoalmente, Lincoln lembra mais seu charmoso e doce personagem de "Simplesmente amor" — um sujeito afável e de conversa fácil, que descarta seu status como o centro de uma das maiores franquias da cultura pop do mundo.

    Durante um almoço em uma animada trattoria novaiorquina e em uma entrevista por telefone, Lincoln discutiu seu tempo na série, seus pontos da trama menos favoritos e por que, apesar de todo o sangue, balas e brutalidade, “The Walking Dead” é um história de esperança. Estes são trechos editados das conversas.

    O que você achou da partida de Rick?

    Quando Angela [Kang, a showrunner] lançou a ideia, ela disse que estávamos osciladondo entre anti-herói e herói pelos últimos nove anos, e que deveríamos terminar com um ato heróico. Eu disse: “Parece um ótimo plano. Estou dentro."

    Você vai se sentir aliviado de poder parar de fingir que realmente está abandonando a série em definitivo?

    Foi um compromisso porque eu não queria ser desonesto com os fãs. Mas, é claro, também não queria entregar a história. Mas sim, estou muito aliviado por poder falar sobre isso agora.

    Eu acho que a maioria dos fãs acreditava que você seria morto, como os outros que deixaram o programa. Você está preocupado que alguns possam se sentir enganados?

    72543308_SC - The Walking Dead - Temporada 8 - Norman Reedus como Daryl Dixon e Andrew Lincoln c.jpgFoi uma preocupação porque começamos a falar e as pessoas estavam antecipando uma morte, e nós não entregamos isso a elas. Você não pode agradar a todo mundo o tempo todo. É por isso que eu evito analisar situações como essa. Senão eu não conseguiria levantar da cama de manhã.

    Houve o caso do Glenn e depois a espectativa sobre a vítima de Negan...

    Eu posso dizer com certeza que não vou voltar à série de TV.

    O que pode falar sobre os filmes?

    Nós conversamos sobre "Os imperdoáveis", o filme de Clint Eastwood, que eu admiro muito. Existe algo em Eastwood, como ele é um pistoleiro, uma espécie de herói americano, rolando na lama com porcos no início do filme. Você sabe do que ele é capaz. E eu considerei interessante a ideia de um personagem que o público conhece e com o qual conviveu — e que oscilou entre o psicopata e o pai de família por nove anos — começando em um lugar completamente diferente.

    Eu quero saber por que continuamos vendo helicópteros voando por aí. O que está acontecendo? O que os adultos têm feito enquanto estamos mexendo na terra?

    Por adultos você quer dizer o governo ou algo assim?

    Não vou dizer nada além disso. Não quero entregar nada. Bem, eu não sei a história, na verdade, então nem poderia entregar nada.

    Antes de “The Walking Dead” você era conhecido por personagens mais civilizados. O que te atraiu em interpretar um cáuboi enfrentando zumbis?

    Eu cresci amando filmes americanos, e há um estilo de atuação norte-americano que não consigo identificar precisamente, mas eu admiro. É um naturalismo intensificado. É algo que eu observei em atores muito bons - você não sabe o que eles estão prestes a fazer ou dizer.

    Você sabia no que estava se metendo? Eu não consigo pensar em outro ator de TV que tenha sido tão maltratado fisicamente como você.

    Walking dead.jpgSó de ficar naquele calor por 45 minutos. É loucura. Quer dizer, eu li o que estava no rótulo: um cara em um apocalipse zumbi, perdendo todos os seus amigos e familiares. Você sabe que não vai ser um passeio no parque. Mas acho que o parque poderia ter sido menos hostil.

    Seu colegas falaram como você se aquecia para o personagem antes das cenas, gritando e rolando no chão. O que era isso?

    Eu sei lá. O que você faz antes de escrever um artigo?

    Eu não rolo no chão!

    Bem, você devia tentar! Pode até gostar (risos). Se há 200 pessoas me observando, enquanto eu explodo logo depois da minha esposa ser devorada por um zumbi, eu posso deixar cair uma lágrima, numa cena sexy e lindamente filmada. Ou posso tentar ir a um lugar diferente. E a minha forma de fazer isso, pelo jeito, é com esses sons estranhos. Não importa o que é preciso para você chegar lá. Se eu tiver baba saindo da minha boca, é assim que vai ser.

    Você falou sobre o medo nos primeiros dias. Como superou isso?

    Acho que a própria história ajudou. Você tinha um ator aterrorizado, acordando num apocalipse zumbi. Eu tinha acabado de ter um filho, não conseguia dormir, então era perfeito para isso. Darabont (o showrunner original) foi essencial ao confiar que eu estava fazendo do jeito certo. Tínhamos um relacionamento muito, muito próximo. Eu o admiro profundamente, é um grando amigo. O DNA da série era dele, e continua a ser, na verdade.

    Foi decepcionante quando ele saiu? (Darabont foi demitido antes da segunda temporada e processou a AMC pelos lucros da série)

    Sim, foi a maior dificuldade da minha vida profissional. E fiz uma promessa na época, porque é uma situação que envolve ele, de que nunca comentaria o assunto. Mas foi difícil sim, e você pode imaginar como é o sujeito que te abriu espaço não ser mais o capitão do barco. Foi muito estranho.

    Houve um período de ajuste?

    Acho que ainda estamos nos ajustando. Nove anos. Mas Glen Mazzara chegou e fez um trabalho formidável. E então Scott Gimple chegou e fez um trabalho formidável. E agora temos Angela, e o que ela fez num tempo relativamente limitado é brilhante. Eu deixei tudo melhor do que estava quando chegamos.

    Houve alguma trama ou virada de roteiro com a qual você não concordou?

    Eu lamento a partida de Glenn. Porque Steven Yeun foi uma parte muito importante do ritmo nos meus anos. De certa forma, era como estar numa boy band, você só tem um ao outro como referência. E então eles começaram a tirar as pessoas de você.

    O que você achou da cena da morte de Glenn, com Negan espancando-o com o taco de beisebol até o olho saltar da órbita?

    thumb-1920-730963.jpgEu não gosto da forma como foi feito. Nós conseguimos aterrorizar as pessoas por 100 anos no cinema sem precisar mostrar o olho (saltando). Quando isso acontece, diminui o que estamos tentando fazer, que na minha cabeça é um drama familiar ambientado no inferno. Não é um filme B de terror violento.

    Mas a violência é com frequência é extrema.

    De vez em quando sim, com os zumbis e as sequências de ação. Não diminuo isso. É parte da emoção da série. Mas quando estamos lidando com a perda de alguém — e um tipo de morte muito brutal e humana —, acho que é o gosto de cada um. Pelo meu gosto seria mais perturbador manter a câmera no rosto de Maggie (a esposa de Glenn, interpretada por Lauren Cohan). E talvez seja por isso que quero dirigir, porque quero fazer o que tenho filmado na minha cabeça.

    Você considera “The Walking Dead” uma série otimista?

    Isso é o que eu estava buscando. Se estamos falando sobre a capacidade de processar e superar o luto, ajudar uns aos outros e nos unirmos através de uma experiência traumática compartilhada, então sim, é. E também é uma história sobre pessoas que não têm nada em comum, encontrando algo em comum

    Há uma outra perspectiva, que seria sobre um grupo de pessoas se reunindo para defender seu estilo de vida contra invasores, mortos-vivos e todo o resto.

    Acho que cabe a cada um interpretar como quiser. Na minha visão, pelo mundo em que vivemos (na série), trata-se de um ambiente hostil que as pessoas estão tentando conquistar. O que você acha? Você vê isso como isolacionista? Ou como uma história de família, na qual estamos todos juntos quando superamos as diferenças?

    Sempre admirei a diversidade do elenco e o que isso sugere sobre a conexão com diferentes origens. Ao mesmo tempo, há o facciosismo e as implicações metafóricas dos zumbis. Suspeito que para pessoas que pensam naqueles com quem discordam, ou que vivem em outro lugar, como uma espécie de inimigo desumano, a série transmite a emoção visceral de observar pessoas dizimando o Outro.

    Você quer dizer que os zumbis representam ideias diferentes? É essa a metáfora?

    Ou grupos diferentes.

    Eu nunca vi assim. Eu nunca, nunca pensei nos mortos-vivos assim. Quer dizer, isso pelo fato de que sou um matador de zumbis por profissão. Eu não penso em metáforas quando estou matando zumbis. Mas isso é absolutamente sua prerrogativa.

    Eu vejo tudo de forma otimista. É como o Rick Grimes. Ele tem o sentimento da luta dentro de si e está sempre se levantando do chão. Se não assim, ele não acreditaria que há esperança de um futuro melhor.

    E, no fim, vou fazer o máximo para que seja essa a história que estamos contando. Eu não quero passar 15 anos da minha vida e dizer, putz, a vida é bem ruim. Estamos vivos, cara. E enquanto estamos aqui, temos uma chance. É assim que eu penso. Eu definitivamente sou dessa opinião e gosto de pensar que o Sr. Grimes também é.


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    RIO — O Festival do Rio 2018 exibe cerca de 200 títulos de 60 países. Entre os dias 1º e 11 de novembro, os cinemas cariocas receberão uma ampla variedade de filmes. Uma busca na grade de programação do festival revela alguns temas comuns entre vários filmes deste ano. Um desses temas é a Amazônia, que aparece em dois documentários, um longa de ficção e um curta-metragem. Confira abaixo.

    Links Fest Rio

    'Amazônia Groove', de Bruno Murtinho

    amazoniag_f01cor_2018133047.jpgCruzando a Amazônia paraense, o documentário revela criadores e tradições musicais que pulsam numa região pouco conhecida dos próprios brasileiros. Através dos artistas, de suas vidas extraordinárias e da intangível força da região, fruto de antigas culturas, emana uma sonoridade única. O filme dá voz a essa parte fundamental do planeta, atraindo os olhares para uma quase desconhecida tradição musical.

    Mostra Midnitgh Docs

    Domingo (04/11) -16:30*, no Estação NET Gávea 5

    Quarta (07/11) -16:30, no Kinoplex São Luiz 1

    Sexta (09/11) -21:00, no Cine Arte UFF

    Sábado (10/11) -13:20, no Estação NET Rio 4

    *Sessão com convidado(s)

    'Amazônia, o despertar da florestania', de Christiane Torloni e Miguel Przewodowski

    amazoniao_f01cor_2018132874.jpg Sob a proposta de abordar como o meio ambiente vem sendo tratado desde o início do século XX, a produção resgata personagens históricos e reúne depoimentos de representantes dos mais diversos segmentos ligados ao tema: a lista inclui indígenas, ambientalistas, jornalistas, artistas e intelectuais, entre outras pessoas que vêm lutando para preservar esse legado. A “Florestania”, palavra que sintetiza os conceitos de cidadania e direitos florestais, é o código genético de nossa identidade.

    Première Brasil: Hors Concours longa documentário

    Sexta (09/11) - 21:40*, no Estação NET Gávea 5

    Sexta (09/11) -21:40, no Estação NET Gávea 3

    Sábado (10/11) -17:00, no Cinemateca do MAM

    * Sessão com convidado(s)

    LEIA TAMBÉM: Christiane Torloni: 'Vamos pressionar deputados para que as coisas não passem'

    'Los Silencios', Beatriz Seigner

    lossilenc_f01cor_2018132741.jpg Núria, Fábio e a mãe dos dois, Amparo, chegam a uma pequena ilha no meio da Amazônia, fugindo do conflito armado onde o pai da família desapareceu. Certo dia, ele ressurge na nova casa. A família é assombrada por esse estranho acontecimento e descobre que o lugar é povoado por fantasmas.

    Première Brasil: Hors Concours longa ficção

    Sábado (03/11) - 21:30*, no Estação NET Botafogo 1

    Domingo (04/11) -15:00, no Estação NET Gávea 3

    Segunda (05/11) -21:00, no Cine Arte UFF

    * Sessão com convidado(s)

    'Princesa Morta do Jacuí', Marcela Ilha Bordin

    princesam_f05cor_2018133152.jpg O arqueólogo Margot Moreira retorna ao lugar onde nasceu, a zona de exclusão chamada Depressão Central. Lá, o sol nunca para de brilhar.

    Première Brasil: Competição curta

    Sábado (03/11) -16:30*, no Estação NET Gávea 5

    Sábado (03/11) -16:30, no Estação NET Gávea 3

    Domingo (04/11) -10:00, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro

    Segunda (05/11) -16:30, no Kinoplex São Luiz 1

    * Sessão com convidado(s)


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    RIO — O Festival do Rio 2018 exibe cerca de 200 títulos de 60 países. Entre os dias 1º e 11 de novembro, os cinemas cariocas receberão uma ampla variedade de filmes. Uma busca na grade de programação do festival revela alguns temas comuns entre vários filmes deste ano. Um desses temas é a Amazônia, que aparece em dois documentários, um longa de ficção e um curta-metragem. Confira abaixo.

    Links Fest Rio

    'Amazônia Groove', de Bruno Murtinho

    amazoniag_f01cor_2018133047.jpgCruzando a Amazônia paraense, o documentário revela criadores e tradições musicais que pulsam numa região pouco conhecida dos próprios brasileiros. Através dos artistas, de suas vidas extraordinárias e da intangível força da região, fruto de antigas culturas, emana uma sonoridade única. O filme dá voz a essa parte fundamental do planeta, atraindo os olhares para uma quase desconhecida tradição musical.

    Mostra Midnitgh Docs

    Domingo (04/11) -16:30*, no Estação NET Gávea 5

    Quarta (07/11) -16:30, no Kinoplex São Luiz 1

    Sexta (09/11) -21:00, no Cine Arte UFF

    Sábado (10/11) -13:20, no Estação NET Rio 4

    *Sessão com convidado(s)

    'Amazônia, o despertar da florestania', de Christiane Torloni e Miguel Przewodowski

    amazoniao_f01cor_2018132874.jpg Sob a proposta de abordar como o meio ambiente vem sendo tratado desde o início do século XX, a produção resgata personagens históricos e reúne depoimentos de representantes dos mais diversos segmentos ligados ao tema: a lista inclui indígenas, ambientalistas, jornalistas, artistas e intelectuais, entre outras pessoas que vêm lutando para preservar esse legado. A “Florestania”, palavra que sintetiza os conceitos de cidadania e direitos florestais, é o código genético de nossa identidade.

    Première Brasil: Hors Concours longa documentário

    Sexta (09/11) - 21:40*, no Estação NET Gávea 5

    Sexta (09/11) -21:40, no Estação NET Gávea 3

    Sábado (10/11) -17:00, no Cinemateca do MAM

    * Sessão com convidado(s)

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    'Los Silencios', Beatriz Seigner

    lossilenc_f01cor_2018132741.jpg Núria, Fábio e a mãe dos dois, Amparo, chegam a uma pequena ilha no meio da Amazônia, fugindo do conflito armado onde o pai da família desapareceu. Certo dia, ele ressurge na nova casa. A família é assombrada por esse estranho acontecimento e descobre que o lugar é povoado por fantasmas.

    Première Brasil: Hors Concours longa ficção

    Sábado (03/11) - 21:30*, no Estação NET Botafogo 1

    Domingo (04/11) -15:00, no Estação NET Gávea 3

    Segunda (05/11) -21:00, no Cine Arte UFF

    * Sessão com convidado(s)

    'Princesa Morta do Jacuí', Marcela Ilha Bordin

    princesam_f05cor_2018133152.jpg O arqueólogo Margot Moreira retorna ao lugar onde nasceu, a zona de exclusão chamada Depressão Central. Lá, o sol nunca para de brilhar.

    Première Brasil: Competição curta

    Sábado (03/11) -16:30*, no Estação NET Gávea 5

    Sábado (03/11) -16:30, no Estação NET Gávea 3

    Domingo (04/11) -10:00, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro

    Segunda (05/11) -16:30, no Kinoplex São Luiz 1

    * Sessão com convidado(s)


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    RIO - O programa de governo do então candidato Wilson Witzel dedicava cerca de 10 linhas à cultura, em 66 páginas. Nelas, o ex-juiz federal cita metas como a autossutentabilidade de aparelhos culturais estaduais, sem, entretanto, deixar claro como achar este caminho. No fim da semana passada, o governador eleito enviou ao GLOBO respostas para questões sobre suas pretensões para o setor. Os planos concretos, diz ele, vão depender do trabalho da equipe de transição e do nome escolhido para assumir a área.

    Links_witzelAinda assim, ele dá algumas pistas. Sobre o Teatro Villa-Lobos, fechado após um incêndio em 2011, diz que pretende licitá-lo no ano que vem. Já o Municipal vai precisar de um "choque de gestão" — de acordo com o presidente da Fundação Theatro Municipal, Fernando Bicudo, Witzel foi o único candidato ao governo do estado a visitar a instituição durante a campanha.

    Como tornar equipamentos culturais autossutentáveis?

    Por meio de parcerias público-privadas, patrocínios e concessões. As prioridades estarão a cargo do futuro responsável. Cultura - Politicas publicas

    O senhor também fala no programa em "elaborar uma estratégia de desenvolvimento do setor audiovisual e a construção do Programa de Fomento à Produção Audiovisual do Rio. Neste item cita o incentivo à produção filmes, séries e projetos de difusão, como festivais e mostras. Como pretende tornar isso realidade com o estado sem dinheiro?

    A iniciativa privada já possui as condições necessárias para obtenção desses objetivos. Vários empresários do setor já me procuraram, inclusive alguns recordistas de bilheteria. Tudo o que eles pedem é uma organização mínima para transformar a produção audiovisual fluminense, e isso será feito.

    Toda a rede de teatros do estado sofre com a falta de recursos. Mas um está literalmente em ruínas, o Villa-Lobos. O senhor tem planos de ação imediata para devolvê-lo aos fluminenses?

    Já há um projeto de licitar o teatro em curso. Vamos retomar o plano, revisá-lo e lançá-lo provavelmente no primeiro semestre do ano que vem.

    Como pretende solucionar os problemas do Teatro Municipal, que há anos sofre com falta de verbas, a não renovação de seu pessoal e a falta de investimentos em geral?

    Tenho, como todos os cariocas e fluminenses, um enorme carinho pelo Municipal. Vamos dar um choque de gestão e ampliar os investimentos.


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    RIO — Depois de muita especulação, as Spice Girls finalmente confirmaram, nesta segunda-feira, que farão uma turnê de reunião em 2019. O anúncio veio através de um vídeo com participação de Emma Bunton, Geri Halliwell, Mel Chisholm e Mel Brown, em que deram uma palinha do hit "Spice up your life".

    Como ficou claro no anúncio, o time, porém, não estará completo: a quinta integrante da girl band, Victoria Beckham, não participará dos shows. Em suas redes sociais, a artista endossou a reunião: Links música pop

    "Hoje é um dia especial para as garotas, que estão anunciando as primeiras datas de uma turnê desde que nos apresentamos em 2012! Eu não me reunirei com minhas garotas no palco de novo, mas ter sido uma Spice Girl foi uma parte extremamente importante da minha vida e desejo-lhes muito amor e diversão nessa volta".

    A princípio, as Spice Girls farão apenas seis apresentações, entre 1º e 15 de junho, todas elas no Reino Unido. O giro começa em Manchester, passa por Coventry, Sunderland, Edimburgo, Bristol e termina em grande estilo, no tradicional estádio de Wembley, em Londres. Os ingressos começam a ser vendidos no próximo sábado. Tuíte Spice Girls

    Foi em Londres, inclusive, que o grupo se reuniu pela última vez, na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, em 2012. Na ocasião, Victoria participou da apresentação — um medley dos principais sucessos das Spice Girls.

    Um dos grupos mais bem-sucedidos da história da música pop, as Spice Girls venderam mais de 85 milhões de discos no mundo todo, um recorde entre bandas femininas.


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    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

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    RIO - Após ser banido pelo tradicional Colégio Santo Agostinho, o livro "Meninos sem pátria", de Luiz Puntel, voltou a despertar o interesse dos leitores brasileiros. De acordo com a Estante Virtual, empresa especializada na venda de livros usados, o romance infanto-juvenil foi o mais vendido no site em outubro. Em segundo lugar, aparece o clássico "A revolução dos bichos", de George Orwell, seguido por "A sutil arte de ligar o f*da-se", de Mark Manson.

    Lançado em 1981, "Meninos sem pátria" conta a história de uma família que é obrigada a deixar o país durante a ditadura militar quando o pai, jornalista, passa a ser perseguido pelo regime por questões políticas. O livro integra a Série Vaga-lume, coleção de livros para o público infantojuvenil que é referência há gerações em escolas brasileiras. sem patria

    "Meninos sem pátria" era uma das leituras previstas para este ano no Colégio Santo Agostinho, no Leblon, um dos mais tradicionais do Rio. No entanto, a escola resolveu banir o livro da lista de leituras em outubro após pais de estudantes do 6º ano alegarem que o livro “doutrina crianças com ideologia comunista”.

    A decisão gerou protestos entre estudantes e ex-alunos, que realizaram protestos na frente da escola pela liberdade de expressão e contra a censura. Um dos participantes foi o jornalista Ricardo Rabelo, um dos filhos cuja história real inspirou Luiz Puntel.

    "Em vez de promover um debate sobre censura e ditadura, a escola preferiu fazer como era naqueles tempos: 'Não se fala mais nisso, o debate está encerrado, o livro está proibido'. Foi um tiro no pé. O colégio deveria fazer uma autocrítica, reconhecer que errou e abrir um debate sobre isso. E eu estou disposto a vir aqui conversar, contar o que foi o exílio para mim e para a minha família. Nós sofremos, é muita dor ficar longe de casa", afirmou o jornalista ao GLOBO.

    Atualmente na 23ª edição, "Meninos sem pátria" custa cerca de R$ 50 para edições mais recentes. No entanto, versões mais antigas do livro estão sendo vendidas por até R$ 227 na Amazon.


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    RIO - "Ovo", espetáculo do Cirque du Soleil dirigido por Deborah Colker, chega enfim ao Brasil, dez anos depois de sua estreia no Canadá, em 2009, depois de ser visto por 5 milhões de pessoas pelo mundo. Não se trata de uma exceção: os espetáculos da trupe costumam passar anos entre América do Norte, Ásia e Europa antes de passar pela América do Sul. A temporada brasileira começa em março de 2019, em Belo Horizonte (de 7 a 17, no Ginásio Mineirinho), e depois segue para o Rio (de 21 a 31, na Jeunesse Arena), Brasília (5 a 13 de abril, no Ginásio Nilson Nelson) e São Paulo (19 de abril a 12 de maio, no Ginásio do Ibirapuera).

    Deborah ColkerSeria natural que a diretora estivesse ansiosa por saber a reação da plateia brasileira à sua criação — concebida a partir de um olhar brasileiro, não só o dela, mas também o do cenógrafo Gringo Cardia e do compositor Berna Ceppas. E ela está, mas sua ansiedade se relaciona com um público bem específico:

    — Minha mãe e meus irmãos ainda não viram o espetáculo — conta. — E quero saber o que meu irmão, (o fotógrafo) Flávio Colker, acha. Ele tem um olho muito crítico.

    Não que Deborah dê pouca importância para o público em geral. Pelo contrário. Ao longo das últimas décadas, em trabalhos como "Velox" e "Rota", ela e sua companhia desenvolveram uma linguagem para se comunicar com plateias amplas, para além das fronteiras da dança. Para Deborah, "Ovo" é um espetáculo de apelo universal.79715035_SC 05-11-2018 %27Ovo%27 Cirque du Soleil.jpg

    — Adoro o público, já fui inclusive atacada por isso. O próprio Cirque é muito questionado artisticamente — nota Deborah, ressaltando que a trupe nunca teve críticas tão boas em Londres quanto as de "Ovo", que estreou na Inglaterra em janeiro. — Tenho amigos e familiares que disseram que eu estava me vendendo quando aceitei o convite pro "Ovo". Mas sempre fui pop. Isso fica menos claro em trabalhos mais recentes, como "Cão sem plumas", mas que num certo sentido também é pop ao misturar cinema, poesia, dança, música. Tenho um público diversificado, que no Brasil inclui enfermeiras, taxistas, seguranças. Mas é importante dizer que minha companhia é experimental. A roda, a parede (de escalada) se tornaram um sucesso, mas ninguem tinha feito, era experimental. Ninguém sabia que ia dar certo.

    "Ovo" é mais um capítulo da trajetória de Deborah, combinando sucesso de público com a expansão de limites da linguagem artística. No palco, Deborah põe uma lupa sobre o mundo dos insetos — colorido e rico em formas e movimentos. Os cenários de Gringo estilizam o habitat de formigas, borboletas, cigarras, escaravelhos e outros bichos em escalas monumentais — para se ter uma ideia, a parede no fundo do palco mede 20m de largura por 9m de altura.

    — Trabalhamos com a ideia de ninho. A parede é uma espécie de formigueiro gigante — conta Gringo. — Quis construir o maior cenário que já tinha feito. O conceito é de um cenário enorme que vai descascando ao longo do espetáculo até atingir sua essência. E transformamos os equipamentos circenses (como o monociclo que simula um pedaço de madeira, ou os tamboretes usados no malabarismo que foram vertidos em kiwis).79715031_SC 05-11-2018 %27Ovo%27 Cirque du Soleil.jpg

    O cenógrafo nota uma particularidade do trabalho para o Cirque du Soleil: os cenários têm que ser pensados para durar 15 anos.

    — O ovo tem que ser feito de titânio e só um cara no mundo faz do jeito que tem que ser, essas coisas. Acaba ficando tudo mais caro. Ao mesmo tempo, eles têm uma coisa de trupe de circo, viajam sem parar. O cigano tá lá, mas é um cigano tecnopop. E rico.

    O espetáculo começa com um ovo gigante tomando o palco e causando perplexidade nos insetos — referência clara ao monolito de 2001. A partir daí se desenrola a história do inseto estrangeiro, portador do ovo, que chega à comunidade e provoca reações variadas — em pararalelo, vive uma história de amor com a joaninha.

    — É um espetáculo também sobre o que é o estrangeiro, o que é o ovo, o que é o migrante... Uma reflexão que, vemos no noticiário dos últimos anos, é cada vez mais necessária — aponta Deborah.

    24176040_SC Rio de Janeiro RJ 07-05-2009 CENAS DO ESPETÁCULO %27OVO%27 DE DEBORAH COLKER NO CIRQUE D.jpg

    A ideia de trabalhar com insetos foi da diretora, respondendo ao convite de Guy Laliberté, fundador do Cirque. Ele encomendou a ela um espetáculo sobre biodiversidade.

    — Perguntei se ele queria algo panfletário. Ele me respondeu que não. Só de falarmos do assunto já seria ótimo. Fui aos insetos porque era uma maneira que tinha de corresponder a cada técnica circense usando uma família de insetos: formiga, bicho-pau, grilo, pulga, cigarra — lembra a coreógrafa.

    Deborah conta que o espetáculo sobre diversidade e aceitação nasceu junto com seu neto, Theo:

    — O nascimento do Theo, que sofre de uma doença raríssima, é um marco em minha vida. Ele é minha maior alegria e minha missão — diz Deborah, que faz paralelos entre a trama de "Ovo" e os caminhos políticos que o mundo tem tomado. — Historicamente, sempre existiu essa rejeição ao outro. Mas agora isso vem crescendo de novo, esse nacionalismo ferrenho de Trump e Bolsonaro. Sou judia, sei o que é isso. Homossexuais, negros, essa perseguição existe há muito tempo. E isso ficou mais evidente pra mim com a chegada do Theo. Amo X-Men, a ideia de entender os mutantes, os diferentes, como seres especiais. Cada vez mais quero falar sobre isso. É o que "Ovo" faz, dentro de sua loucura circense pop.

    Trilha inclui de funk, samba, carimbó e bossa nova

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    A trilha sonora de Berna Ceppas sublinha esse conceito, indo da bossa nova ao funk, passando no caminho por gêneros como carimbó e samba. Parceiro artístico de Deborah desde a década de 1990, Berna tentou inicialmente "um negócio camerata". Mas Guy, fã da música brasileira pediu: "mostre a pluralidade de vocês".

    — O Cirque vinha sendo associado a algo datado, a um surrealismo kitsch, com trilhas meio new age. O visual e o movimento de "Ovo" renovam isso. Procurei, com a minha música, sair desse lugar também, dar um refresh nessa concepção — explica Berna, que teve que disputar a vaga de autor da trilha sonora de "Ovo" com Carlinhos Brown e Emilie Simon ("Marcha dos pinguins").

    Em música, visual e movimento, "Ovo" reflete ideias que são desdobramentos da síntese da fala de Deborah:

    — Eu gosto da rua, minha parada é a rua. A rua como encontro, como antropofagia, como o lugar onde se deteriora e se recicla.

    Venda de ingressos

    PRÉ-VENDA PARA CLIENTES BRADESCO

    Clientes dos Cartões Bradesco, BradesCard e next contarão com pré-venda exclusiva nas quatro cidades.

    Confira as datas em que os ingressos poderão ser adquiridos:

    - Belo Horizonte, entre os dias 06 e 27 de novembro;

    - Rio de Janeiro, entre os dias 07 e 28 de novembro;

    - Brasília, entre os dias 08 e 29 de novembro;

    - São Paulo, entre os dias 09 e 30 de novembro.

    Os Clientes dos Cartões Bradesco, BradesCard e next têm benefícios exclusivos de 20% de desconto e parcelamento em até 6X sem juros (limitado a 6 ingressos inteiros por CPF e 50% dos ingressos disponibilizados). O parcelamento não é válido para os cartões de débito e corporativos. As compras on-line podem ser feitas com os Cartões de Crédito Bradesco, Bradescard e next. As compras nas bilheterias oficiais e pontos de vendas podem ser feitas com Cartões de Crédito e Débito Bradesco, Bradescard e next. O desconto não incidirá sobre o valor do serviço Tapis Rouge.

    PRÉ-VENDA PARA MEMBROS CIRQUE CLUB

    O Cirque Club é um clube gratuito e com diversos benefícios, que incluem ingressos antecipados e informações exclusivas de bastidores.

    - Belo Horizonte, no dia 28 de novembro;

    - Rio de Janeiro, entre os dias 29 e 30 de novembro;

    - Brasília, no dia 30 de novembro;

    - São Paulo, entre os dias 01 e 02 de dezembro.

    Para participar do clube, acesse www.cirqueclub.com.

    VENDA PARA O PÚBLICO EM GERAL

    - Belo Horizonte, a partir do dia 29 de novembro;

    - Rio de Janeiro, a partir do dia 01 de dezembro;

    - Brasília, a partir do dia 01 de dezembro;

    - São Paulo, a partir do dia 03 de dezembro.


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    RIO — O evento criado no Facebook tinha um título para lá de sugestivo: "Keep it like a secret" (1999), nome do quarto disco de estúdio do conjunto americano Built to Spill ("Mantenha isso em segredo", em tradução livre). No texto, nenhuma descrição muito elaborada, apenas o preço (R$ 40), o endereço (no Centro, próximo à Praça Tiradentes), a capacidade (50 pessoas) e a máxima "para um bom entendedor apenas uma frase basta".

    A frase bastou para lotar o Escritório (sede do selo Transfusão Noise Records) com fãs de diferentes gerações na noite deste domingo. Por lá, o americano Doug Martsch (49), herói do rock indie que fundou o Built to Spill há 26 anos e embalou trilhas de dezenas de vídeos e filmes sobre skate desde então, fez sua estreia no Brasil numa sala quente e apertada, rodeado pelo público. Links indie

    Ao lado dele, estavam os cariocas João Casaes e Lê Almeida no baixo e na bateria, respectivamente.

    — Foi uma noite incrível, tão divertida quanto possa parecer — avaliou Doug no dia seguinte, horas antes de subir, desta vez sozinho, ao palco do Solar de Botafogo, onde fez um show acústico. — Fiquei apaixonado desde a primeira vez que ouvi o material de Lê e João. Esperava um dia fazer algo com eles, então tive que convidá-los para tocar comigo nesta turnê.

    Lê, que é o fundador da Transfusão e integra diferentes grupos além de sua carreira solo, conta que o show no Escritório já tinha sido conversado, mas o convite para ele e o sócio João integrarem o Built to Spill no giro foi uma novidade. Do Rio, o trio segue para Belo Horizonte (quinta-feira, no Música Quente), São Paulo (sexta, na Fabrique) e Santiago:

    — Ele tinha acabado de ensaiar com dois caras novos nos Estados Unidos e disse que foi muito ruim (desde sua fundação, em 1992, a banda teve um perfil itinerante, tendo apenas Doug como integrante fixo). Por isso, nos chamou. Ficamos meio preocupados, mas logo no primeiro ensaio ele gostou pra caralho e o amigo dele que o acompanha disse que tocamos muito melhor. Isso foi nos deixando mais à vontade.45590117_369990173745544_4679570858463723520_n (1).jpg

    Tanto Lê quanto João, que já tocaram juntos em bandas como Gaax, Treli Reli Repi e Lê Almeida, são fãs de longa data do Built to Spill e foram influenciados pelos discos de Doug, o que só aumentou a responsabilidade.

    — Nós dois ensaiamos nota por nota por mais de uma semana, todos os dias. Tem emoção envolvida, claro, mas a gente sabe que tem que executar bem o negócio — reforça Lê.

    Em casa, no Escritório, o show serviu como uma espécie de prova de fogo para o restante da semana, quando vão se apresentar em palcos e casas maiores, com melhores estruturas. Ainda assim, os cariocas que se apertaram por lá saíram com a impressão de que participaram de uma experiência única, a mais "indie" possível.

    Enquanto Doug apresentava ao cariocas seu jeito único de tocar guitarra (tão viajante quanto pop, indo do folk ao blues) e cantava músicas como "The plan", "Carry the zero" e "Liar", com o vocal abafado como o clima, Lê e João faziam a cozinha que permitia jams de pura fritação.7ef78729-2787-4e4a-b14d-91db032ac9b3.jpg

    A apresentação durou pouco mais de duas horas, com 22 músicas executadas, passando por diferentes fases de uma banda que, entre outros trunfos, soube manter e expandir sua aprovação entre público e crítica mesmo após assinar com uma gravadora major — a Warner, que lança os discos do Built to Spill desde "Perfect from now on" (1997) até o mais recente, "Untethered moon" (2015). Built to Spill

    — Tocamos literalmente todas as músicas que tínhamos ensaiado. Cogitamos fazer um intervalo, mas, na hora, fluiu direto. Provavelmente, os próximos shows da turnê não serão tão longos. Foi uma noite especial por vários motivos, e esse é um deles — comemorou Lê.

    Para além da troca de calor humano, Doug pouco interagiu com o público ("mesmo numa noite mágica como essa, eu encaro o show como um trabalho, me concentro em fazer tudo certo", justificou) no palco, mas, após encerrar o trabalho, fez questão de tirar fotos, trocar ideias e discotecar para aqueles que optaram por estender a noite. Built to Spill

    Built to Spill


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    SÃO PAULO — A escritora fluminense Ana Paula Maia é a vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria melhor livro de 2017, com “Assim na terra como embaixo da terra” (Editora Record). O anúncio da premiação foi feito na noite desta segunda-feira, em São Paulo, numa cerimônia na Biblioteca Parque Villa-Lobos.

    O romance de Ana Paula acompanha o ocaso de uma colônia penal construída para ser à prova de fugas, a partir das histórias de seus funcionários e de seus presos. A autora leva também R$ 200 mil, a maior fatia do total de R$ 400 mil oferecido pelo concurso literário promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Links literatura

    Na categoria melhor livro do ano de autor estreante com menos de 40 anos, a vencedora foi a autora paulista Aline Bei, com “O peso do pássaro morto” (Editora Nós). Em formato quebrado que se assemelha a versos, o romance conta a história de uma mulher dos 8 aos 52 anos, numa trajetória marcada por perdas. Aline acumula também um prêmio em dinheiro de R$ 100 mil.

    A escritora e jornalista Cristina Judar ficou com o prêmio na categoria melhor livro do ano de autor estreante com mais de 40 anos, com o romance “Oito do sete” (Editora Reformatório). No livro, quatro vozes — duas amantes (Magda e Glória), um anjo (Serafim) e uma cidade (Roma) — se complementam ao dar forma a uma trama em que as mulheres ganham protagonismo. Também Cristina leva R$ 100 mil.79109660_SC São Paulo SP 29-09-2018 Escritora Aline Bei autora do livro O Peso do Passa Morto. Fo.jpg

    Na premiação, só estiveram presentes Aline e Cristina. Ana Paula não pôde comparecer porque estava em viagem. Em seus discursos de agradecimento, as vencedoras fizeram um apelo por mais livros e mais respeito à diversidade entre os autores.

    — Por favor, gente: mais livros e menos armas — disse, emocionada, a autora de "O peso do pássaro morto". — Nós sabemos o valor e o poder transformador que a literatura tem.

    — Não vamos separar os escritores LGBT em uma categoria — falou Cristina. — Vamos respeitar a diversidade, dando visibilidade a eles.

    Os dois prêmios de estreantes confirmam uma tendência de se valorizar a produção independente nessa categoria. Entre os livros de estreantes com menos de 40 anos, apenas um dos quatro finalistas foi publicado por uma grande editora, “Última hora” (Record), de José Almeida Júnior. E nos estreantes com mais de 40 anos, só dois títulos foram editados por grandes casas: “Enquanto os dentes” (Todavia), de Carlos Eduardo Pereira, e “Neve na manhã de São Paulo” (Companhia das Letras), de José Roberto Walker.

    O júri do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 foi formado pelo editor e professor Jiro Takahashi, pelos escritores Julián Fuks e Moacir Amâncio, pela socióloga Neide Aparecida de Almeida, e pelo jornalista Ubiratan Brasil.

    De acordo com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, esta edição do prêmio contou com finalistas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Amazonas.

    Ao todo, 157 livros entraram na competição: 98 na categoria principal, melhor livro do ano de 2017; 36 para estreante com mais de 40 anos, e 23 para estreante com menos de 40 anos.


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    RIO — Se o terror brasileiro ganhou fôlego com os premiados "As boas maneiras" e "O animal cordial", dois destaques do Festival do Rio do ano passado, chegou a vez de o gênero apresentar um exemplar pipocão. Após estrear no Fantasia Film Festival, em Montreal, em julho, "Morto não fala" chegou nesta segunda-feira à Premiére Brasil escancarando sua pegada comercial ao longo de quase toda a sua projeção. É um desses filmes que não economizam em jumpscare e sangue. Nas conversas pós-sessão, a brincadeira entre os espectadores era eleger a cena que deu mais susto. Do olho no potencial, a equipe do filme aproveitou para anunciar o plano de expandir a trama numa série de televisão.

    Primeiro longa de Dennison Ramalho, "Morto não fala" conta a história de Stênio (Daniel de Oliveira), plantonista da madrugada de um necrotério situado numa região violenta de São Paulo. Os corpos normalmente chegam com marcas de tiros e agressão — condição normalizada pelos colegas de trabalho do protagonista.

    Stênio tem o poder de falar com os mortos, habilidade que o roteiro escrito por Ramalho e Claudia Jouvin — com revisão e supervisão dos veteranos George Moura e Jorge Furtado — apresenta nos primeiros minutos, sem alarde. O conflito surge quando Stênio ouve um defunto dizer que sua mulher Odete (Fabiula Nascimento) está tendo um caso com o padeiro Jaime (Marco Ricca). Vingativo, o protagonista encomenda o assassinato do homem a uma facção criminosa. O plano não vai como o esperado e Odete acaba morrendo também. Diretamente do mundo dos mortos, ela faz uma promessa: infernizar a vida de seu marido —agora viúvo, claro — e até dos dois filhos do (ex-)casal. Links Fest rio

    A partir daí, a dica para o espectador é desligar o cérebro e aproveitar as quase duas horas de filme. Diretor de curtas de terror e roteirista de "Encarnação do demônio" (2008), de José Mojica Marins (o Zé do Caixão), Ramalho despeja no público todas influências possíveis do gênero, indo do sobrenatural ao slasher. A proposta funciona graças ao uso eficiente de sonoplastia, fotografia e um jogo de câmera calculado para criar tensão constante. No cerne do horror existe um drama familiar, mas em última instância "Morto não fala" é feito para divertir. Tanto que, conforme explicam os créditos finais, o filme não foi dirigido, e sim "cometido" por Dennison Ramalho — que, antes da sessão, engajou num tom mais sério ao falar de sua "pequena abominação", como ele definiu a própria obra.

    — Quando o jornalista Marco de Castro escreveu o conto que deu origem a "Morto não fala", a gente não imaginava, nem nos nossos piores pesadelos, que a história se aproximaria tanto da realidade do Brasil. Quais são nossos medos? Indefinição econômica, cerceamento da liberdade, sexismo, homofobia, tortura, fanatismo religioso... Que dirá um apagão da economia cultural. Esses medos nos atordoam e prometem um longo inverno à frente. Espero que essa expectativa seja suplantada e nossos governantes, nossos irmãos e irmãs brasileiros, após esse ano de paixões violentas, possam voltar a se guiar pelo bom senso e pela solidariedade. E que o necrotério de Stênio volte a ser um lugar de marasmo para que, em vez de necropsiar jovens baleados, ele volte aos cochilos e às palavras cruzadas. O terror tem que ficar só aqui, no cinema — disse o cineasta.

    Mais cedo, foi exibido o documentário "Meu nome é Daniel", no qual o carioca Daniel Gonçalves mostra a sua jornada para tentar diagnosticar uma doença motora que ele carrega desde o nascimento. Até hoje, nenhum médico ou exame conseguiu identificar a condição. O filme surpreendeu pelo bom humor e leveza com que trata o tema, e o longa foi aplaudido de pé, tornando-se forte candidato ao Redentor — pelo menos por voto popular. Assim como a maior parte dos realizadores desta edição da Première Brasil, Daniel comentou o contexto político do país e exaltou a resistência de minorias.

    — Mas há milhares de pessoas com deficiência, então não somos tão minoria assim — ressaltou. — Num momento em que estão jogando as diferenças para debaixo do tapete, é importante mostrar que, de onde a gente saiu, não vamos mais voltar.

    O 20º Festival do Rio vai até o dia 11 de novembro.


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