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    SAN SEBASTIÁN — A veterana atriz britânica Judi Dench criticou a decisão de retirarem Kevin Spacey de um filme já finalizado no ano passado, depois que o ator foi acusado de assédio sexual.

    Os produtores de “Todo o dinheiro do mundo” decidiram regravar as cenas de Spacey e o substituíram pelo ator Christopher Plummer, que assumiu o papel do magnata americano do petróleo Jean Paul Getty no drama sobre o sequestro do neto de Getty em 1973.

    LEIA MAIS: Robin Wright fala em 'segunda chance' para Kevin Spacey

    'House of cards': túmulo de Frank Underwood aparece em novo teaser

    “Não posso aprovar de maneira nenhuma o fato, não importa o que ele fez, de você começar a cortá-lo de filmes”, disse Judi, de 83 anos, em uma coletiva de imprensa no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, onde foi homenageada por sua carreira.

    “Será que deveríamos voltar no tempo agora e qualquer um que tenha se comportado mal de alguma maneira, ou violado a lei, ou cometido algum tipo de delito, será sempre cortado?”, continuou.

    O papel de Spacey também foi cancelado na série “House of cards”, da Netflix, depois que mais de 30 homens o acusaram de fazer propostas indecorosas.

    Judi descreveu Spacey como “um bom amigo” e “um conforto inestimável” depois que eles trabalharam juntos em “Chegadas e partidas”, de 2001, na esteira da morte do marido da atriz:

    “Não conheço nenhuma das condições, mas, mesmo assim, acho que ele é e foi um ator maravilhoso. Nem imagino o que ele está fazendo agora”.

    Spacey se tornou alvo de polêmicas em 2017, quando o ator Anthony Rapp o acusou de tentar seduzi-lo em 1986, quando tinha 14. Spacey pediu desculpas pela conduta inadequada e desde então se afastou da vida pública.

    Neste mês, procuradores de Los Angeles anunciaram que não apresentarão acusações de agressão sexual contra Spacey relativas a uma acusação de 1992 porque ela prescreveu na Califórnia.

    Um segundo caso está sendo analisado pela Procuradoria-Geral de Los Angeles.


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    RIO - Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa são os protagonistas de "O sétimo guardião", nova novela das 21h da Globo, que estreia no dia 12 de novembro. Na trama, escrita por Aguinaldo Silva, Gabriel (papel de Gagliasso) desiste de se casar com Laura (Yanna Lavigne). O jovem deixará São Paulo e partirá rumo a Serro Azul numa tentativa de descobrir o que o atrai para aquele lugar. Mas, quando ele está chegando à pequena cidade, sofre um acidente e é socorrido pela misteriosa Luz (Marina).

    LEIA MAIS: Diretor adianta os dramas da segunda temporada da série ‘Sob pressão’

    “A entrada da Luz na vida do Gabriel é muito forte. Eles vão perceber que, de fato, foram feitos um para o outro”, adianta Bruno Gagliasso.

    Recém-formada professora, Luz foi criada pelo avô, Sóstenes (Marcos Caruso). A jovem costuma ter sonhos enigmáticos, alguns deles reveladores. E é justamente graças a um desses sonhos – quando ela tem a visão do acidente – que Gabriel chega em sua vida, fazendo-a acreditar que algo muito maior uniu seus caminhos.

    Sempre por perto deles está o gato León. O animal pertence a Egídio (Antonio Calloni), o guardião-mor da fonte secreta que existe em Serro Azul. Luz tem uma ligação muito forte com Léon e consegue se entender com ele através do olhar. Apesar de se tratar apenas de um gato – pelo menos por enquanto –, Luz sabe que de alguma forma ele a protege daqueles que tentam fazer mal a ela ou a Gabriel. “ Com sua sensibilidade, Luz entende que precisa ajudar esse homem a descobrir o que existe por trás da história dele”, diz Marina Ruy Barbosa.

    O que o casal não imagina, no entanto, é que, além de Valentina (Lília Cabral), a mãe de Gabriel, que tem outros planos para o filho, eles terão que lidar com um obstáculo ainda maior: após a morte de Egídio, Gabriel precisará escolher entre ficar com Luz ou assumir a missão que o levou a Serro Azul, de ser o novo guardião-mor e ajudar a proteger o segredo da fonte.

    “Como o ocupante desse posto não pode se casar, o jovem se verá diante de um grande conflito”, afirma o autor Aguinaldo Silva.


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    l-r__tom_cullen_as_landry_and_mark_hamill_as_talus_in_season_2_of_historys__knightfall.__photo_credit__larry_horricks_history.jpgRIO — Conhecido pela legião de fãs da franquia "Star Wars" por interpretar o protagonista da trilogia original, Luke Skywalker, o ator Mark Hamill surgiu irreconhecível nas primeiras imagens da série "Knightfall: A guerra do Santo Graal".

    LEIA MAIS: Matt Smith, astro de 'The crown', estará em novo 'Star Wars'

    Mark Hamill se arrepende de expressar 'dúvidas e inseguranças' em relação a 'Os últimos Jedi'

    Na segunda temporada da produção exibida pelo History, Hamill vai ser Talus, um veterano da Ordem dos Templários, que sobreviveu a um cativeiro de dez anos na Terra Santa e agora tem a função de treinar os novatos. Na foto, ele é acompanhado por Tom Cullen, o cavaleiro protagonista da série.

    A continuação de "Knightfall" está sendo filmada em Praga, mas ainda não tem data de estreia confirmada.


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    RIO — Está dada a largada para a temporada de anúncios de atrações do Rock in Rio 2019. Faltando um ano para sua oitava edição brasileira (veja as datas), o festival confirma de uma só vez a escalação completa do Palco Mundo no dia 4 de outubro, dedicado ao rock pesado: Iron Maiden, Scorpions, Megadeth e Sepultura.

    Veterano de Rock in Rio, onde esteve desde a primeira edição, o Iron Maiden retorna com a turnê “Legacy of the beast”, que reúne músicas sobre guerra, religião e inferno, com uma produção cênica inédita.

    LEIA NA ÍNTEGRA: Iron Maiden, Scorpions e Sepultura comemoram retorno ao Rock in Rio

    Cantor dos Scorpions festeja volta ao Rock in Rio depois de 34 anos

    — A turnê está absolutamente brilhante, é o melhor show que já fizemos — diz o vocalista Bruce Dickinson em entrevista ao GLOBO (leia mais aqui).

    Os alemães do Scorpions também estiveram por aqui na edição inicial do festival, mas, diferentemente do Maiden, não tinham repetido sua participação no evento até aqui. Eles voltam ao Rio três anos após uma passagem com a turnê comemorativa de 50 anos de estrada.

    — Em 1985, dividimos o palco com Queen, AC/DC, Iron Maiden, Whitesnake, Ozzy Osbourne e Rod Stewart... que escalação! Ano que vem, queremos fazer uma grande celebração de rock — garante o vocalista Klaus Meine .


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    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

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    RIO — Antes de se transformarem nas assemblages que se tornaram umas das marcas mais fortes da obra de Barrão, desde os anos 1980, os objetos de louça adquiridos em feiras de antiguidades são precisamente organizados nas estantes do ateliê do artista, na Fábrica Bhering, no Santo Cristo. Assim como as miniaturas são separadas por tamanhos e “identidades” (cachorros, elefantes, aves, Budas), o método também é visível na forma como são guardados outros trabalhos em produção ou os cabos e pedais usados no Chelpa Ferro (coletivo multimídia criado por Barrão com o pintor Luiz Zerbini e o editor Sergio Mekler). Da ordem, surgiu o caos — ou melhor, “Mufa caos”, título da individual que o artista abre hoje no Jacaranda, na Glória, com trabalhos realizados nos últimos três anos. Além das obras em louça, Barrão apresenta esculturas em resina, aquarelas e obras experimentais, que mesclam materiais como vidro, metal e cerâmica, no primeiro solo realizado no Rio após a mostra “Fora daqui”, na Casa França-Brasil, em 2015.

    — O processo de criação das novas obras tem um lado mais caótico do que quem vê de fora pode perceber. Há uma formalidade no meu trabalho que fico tentando quebrar e expandir, essas obras são tentativas de explorar coisas que não estão totalmente decodificadas ou dominadas para mim — conta Barrão. — Os momentos em que você está menos confortável com sua produção são bons para colocar algumas coisas em questão. Era uma boa oportunidade para mostrar o que estava fazendo também. O “Mufa caos” vem um pouco daí.

    A possibilidade de expor os 34 trabalhos recentes surgiu com o convite do Jacaranda, espaço criado por artistas como Raul Mourão, Carlos Vergara, José Bechara e Daniel Senise, para que Barrão fizesse a primeira individual no local.

    — O fato de o Jacaranda ser um espaço híbrido, que não é uma galeria comercial nem tem a formalidade de uma instituição, propicia uma certa liberdade de mostrar obras que tivessem um caráter experimental — comenta Luiza Mello, curadora da exposição. — A gente não tem ideia do quanto ele realmente faz várias coisas ao mesmo tempo até vê-lo no ateliê, pintando uma aquarela enquanto a cola de uma escultura está secando. A ideia é levar um pouco deste clima para a exposição.

    Barrão - foto Vicente de Mello.VDM_5170.jpgHá cerca de um ano trabalhando sem assistentes fixos no ateliê, Barrão pôde explorar com mais tempo outras expressões artísticas, como as aquarelas que apresenta agora na individual. O diálogo com os trabalhos escultóricos se dá com o uso de antigos carimbos infantis, com formatos de animais, como ponto de partida das telas — assim como nas assemblages, objetos comuns são deslocados de seu uso cotidiano ao se integrarem às obras.

    — Nunca deixei de pintar, mas fazia isso quase sempre fora do ateliê, não era uma coisa integrada à minha rotina diária. Quando se trabalha em equipe, é preciso ter um ritmo para que tudo funcione. Para fazer as aquarelas é preciso calma, é uma coisa mais íntima. Não dá para interromper a cada cinco minutos para resolver um problema ou parar de pintar para continuar no dia seguinte — observa o artista. — Trabalhando sozinho, o clima do ateliê mudou, tive a tranquilidade para desenvolver essa série.

    Já as obras em resina foram desenvolvidas a partir de um processo que Barrão já havia experimentado na época da mostra de 2015, com esculturas em gesso. Agora, o artista faz moldes de objetos como garrafas de plástico, pneus, isopores, miniaturas e pedaços de madeira, para em seguida criar formas em resina a serem recombinadas posteriormente.

    — As obras em louça têm uma construção elaborada, é preciso calcular que parte entra em cada espaço e como reforçar o conjunto. E tem o tempo de secagem da cola, umas duas horas, em média. Às vezes sentia que a cabeça ia mais rápido que o trabalho, queria algo mais ágil — lembra Barrão. — Então comecei a fazer os moldes e recombiná-los. Consegui ampliar o universo das obras em louça, mas no fundo acabei criando uma etapa a mais nesse processo.

    Finalizando as últimas obras, Barrão se divertia ao pensar como explicar ao público processos que ainda tenta decifrar nos trabalhos:

    — Como fazer visita guiada a uma exposição chamada “Mufa caos”? As pessoas têm que sair sem entender nada, para manter uma coerência com a obra (risos).

    “Mufa caos”

    Onde: Jacaranda — Ladeira da Glória, 26 , casa 1, Villa Aymoré (2509-6962). Quando: Qua. a dom., das 13h às 18h. Abertura hoje, às 18h. Até 25/11. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.


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    RIO — Na última segunda-feira, um dia após completar 90 anos, Julio Le Parc chegou ao Rio para uma extensa agenda que inclui a visita a ateliês e instituições, a abertura de uma individual na galeria Nara Roesler, anteontem, e uma mesa redonda na ArtRio com o curador Rodrigo Moura, nesta sexta-feira, às 17h50m.

    LEIA MAIS: ArtRio aposta no mercado nacional para driblar crise econômica e política

    A disposição para tantos compromissos é a mesma com que o mestre argentino, radicado em Paris desde o fim da década de 1950, se lança diariamente ao trabalho, seja criando no ateliê ou cuidando de cada detalhe de suas exposições pelo mundo. Um dos pioneiros da arte cinética e da op art, em trabalhos solo ou em coletivos como o Groupe de Recherche d'Art Visuel (GRAV), Le Parc revê sua produção enquanto prepara novas exposições e diz que o que fez no passado pode servir de inspiração ou mesmo ser retomado: “Nada na minha obra está fechado em um ciclo”.

    Como o senhor vê a influência de sua obra e de sua geração na arte contemporânea?

    Não sei se há influência, pode ser que exista algo em obras de artistas mais jovens, o que, no meu caso, são quase a totalidade dos artistas (risos). Mas não consigo me ver restrito dentro de uma categoria, como a arte cinética. São formas artificiais de agrupar artistas. Dentro do mesmo movimento podem haver diferenças de comportamento, de atitude, do ponto de vista estético. No meu caso, era mais uma busca experimental, queria desvendar questões que o movimento resolvia.

    Nos anos 1960, o senhor e outros integrantes do GRAV propunham que o espectador não fosse visto de forma passiva, mas que também tivesse um papel dentro da obra. Essa visão é corriqueira na produção contemporânea. Como vê essa contribuição?

    79038656_SC EXCLUSIVO Rio de Janeiro RJ 25092018 Julio Le Parc no Rio - O artista argentino Julio Le.jpgNa época, trabalhávamos essas ideias em grupo, dentro de propostas, muitas vezes simples, de estabelecer relações do público com as obras. Era algo mais voltado às experiências, como dizíamos, do que uma pretensão de criar uma obra de arte. Muitas obras não funcionam sem o público. Se algo está em movimento, por exemplo, e ninguém participa, esse movimento vira algo vazio.

    Como é sua rotina no ateliê? Trabalha todos os dias?

    Sim, começo depois do café da manhã e sigo até 19h, 20h. Às vezes até 22h. Aos sábados, saio um pouco para tomar um ar (risos). Faço um pouco de tudo: cuido das exposições, trabalho em novos temas, faço croquis. Se não trabalho, fico entediado, gosto de ajustar detalhes, ter a satisfação de ver pequenas coisas darem certo.

    O senhor acompanha de perto todas as montagens de suas obras?

    Vou a todas que consigo, e, as que não posso, acompanho por foto ou vídeo. É importante estabelecer a relação correta das obras com o espaço, às vezes é preciso controlar a luz ou pintar paredes. Tudo o que favoreça a experiência do espectador. Muitas vezes, uma arquitetura imponente ou com muitos detalhes pode interferir nessa experiência.

    O senhor prepara grandes retrospectivas para breve (em dezembro, no MET, de Nova York, e em 2019, no Museo Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires). Mostras assim criam a oportunidade de rever sua obra?

    Julio Le Parc_Alchimie 394_2018__photo Everton Ballardin © courtesy of the artist and Galeria Nara Roesler.jpgCertamente. Devo selecionar trabalhos realizados na Argentina, antes de partir para a França, ou as primeiras experiências em Paris. Cada obra combina com outras, que podem servir como pontos de partida, de continuação ou mesmo de ampliação. Nada na minha obra está fechado em um ciclo, posso retomar os trabalhos, vê-los de outra maneira.

    Mesmo à distância, o senhor acompanha o noticiário da região? Como vê a situação econômica e política da Argentina, do Brasil?

    Temos problemas na Argentina que precisam de solução, mas ela não chega. São questões nacionais, mas agravadas pela pressão da economia mundial, pressões do FMI (Fundo Monetário Internacional). No Brasil vejo uma grande inquietação com a proximidade das eleições, uma situação difícil.

    Os países da região poderiam ter uma maior integração artística?

    Há muitos anos defendi uma proposta de intercâmbio na região, uma espécie de ateliês abertos, onde artistas pudessem se hospedar e criar. Passar 15 dias ou um mês trabalhando e fazendo contato com artistas locais. Isso ajudaria a diminuir o complexo de inferioridade da arte latino-americana em relação à Europa ou aos EUA. Houve uma imposição de Nova York como grande centro da produção mundial e tudo o que pudesse fazer sombra a essa pretensão passou a ser eliminado. Não há nenhum motivo para que alguém diga que eles são melhores.

    "Julio Le Parc: Obras recentes"

    Onde: Nara Roesler – Rua Redentor, 241, Ipanema (3591-0052). Quando: Seg a sex, das 10h às 19h; sáb, das 11h às 15h. Até 14/11. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.


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    RIO — A luz explode no globo de espelhos do arranjo disco de “Sublime”, canção de Dani Black que abre “A pele do futuro” (Biscoito Fino), álbum de Gal Costa que ganha o mundo hoje. Os versos falam de separação — mas tão luminosa e certa quanto o brilho na pista de dança: “Viver comigo vive sim/ Mas também vive sem mim/ (...) Insistir em nós seria um crime/ O amor que a gente sente/ O amor na vida da gente/ Não pode ser menos do que/ Sublime”.

    CRÍTICA: Gal Costa mantém trem firme nos trilhos em mais um lançamento

    'Sublime', Gal Costa

    Em música e letra, a faixa dá o tom do que virá a seguir — em canções inéditas de compositores como Erasmo Carlos (com Emicida), Nando Reis, Moska, Adriana Calcanhotto, Hyldon e Djavan. Com direção artística de Marcus Preto e direção musical de Pupillo, “Pele do futuro” é em muitos momentos influenciado pelo som de pistas e rádios dos anos 1970/ 1980.

    — Sempre tive vontade de fazer um disco mais dance music — conta Gal. — Quando comecei a ver meu filho Gabriel, de 13 anos, e seus amigos ouvindo coisas dos anos 1970, intuí que aquilo estava voltando. Gabriel adora Earth, Wind & Fire, eu também, inclusive pedi que Guilherme Arantes compusesse uma nesse estilo (“Puro sangue”). Mas o disco se refere a diferentes momentos e jeitos de interpretar da minha história, do “Fa-tal” ao canto mais joãogilbertiano.

    Poeticamente, o disco carrega a maturidade de olhar para o amor — e seu fim, e qualquer fim — como uma decorrência natural para quem segue a “viagem passageira” da vida, como Gilberto Gil define na canção de onde foi extraído o nome “A pele do futuro” (“Imune ao corte/ À lâmina do tempo”).

    — O disco tem essa vivência, um certo desapego, uma convicção de quem conhece as coisas — sintetiza Gal, marcando que isso não se traduz em desencanto, pelo contrário. — Com paixão, sempre.

    DUETO COM BETHÂNIA

    Ela (Marília Mendonça) é mais do que sertanejo, é rock’nroll. É a Cássia Eller da sofrência!Vários versos ilustram essa perspectiva: “Fomos felizes/ E felizes somos” (“Palavras no corpo”, com letra de Omar Salomão que Silva musicou com inspiração em Amy Winehouse, a pedido de Gal); “Toda beleza/ Todo amor/ É lindo” (“Realmente lindo”, de Tim Bernardes); “Livre do amor, de vez/ (...) Livre do amor pra amar” (“Livre do amor, de Calcanhotto); “Diga que está feliz/ Que daqui vou me virando” (“Cuidando de longe”, de Marília Mendonça, que canta com a baiana).

    — Queria um drama cantado de um jeito feliz. Perguntei a Marcus Preto: “O que você acha de pedirmos uma à Marília Mendonça?”. Ela é mais do que sertanejo, é rock’n’roll. É a Cássia Eller da sofrência!

    O outro dueto do disco é com Maria Bethânia, em “Minha mãe”, de Jorge Mautner e César Lacerda. Perguntada por que as duas estavam há tanto tempo sem gravar juntas, Gal sorri e diz que são “coisas da vida”.

    — Esta é uma canção sobre Dona Canô e minha mãe, que era muito amiga de Mautner. Depois me dei conta de que o primeiro sucesso que tivemos juntas foi “Oração de Mãe Menininha” (o disco traz outra menção à figura materna em “Mãe de todas as vozes”, de Nando Reis).

    Gal afirma que não lembra de seus 73 anos (completados na última quarta-feira) e que seu caminhar nos últimos discos reflete sua jovialidade:

    — “Recanto” (2011) é radical. Lindo, mas menos palatável. No “Estratosférica” (2015) quis fazer próximo daquilo, mas mais aberto pra todos. E agora quis escancarar!

    FAIXA A FAIXA, POR GAL

    Gal Costa - A pele do futuro

    “Sublime” (Dani Black). “Bálsamo nesses tempos obscuros”

    “Palavras no corpo” (Silva/ Omar Salomão). “História especial, por ter Omar, filho de Waly, e ‘Sua estupidez’ (a gravação de Gal da canção inspirou a letra”

    “Vida que segue” (Hyldon). “Tentei me aproximar dos graves de Tim Maia, mas de um jeito meu”

    “Cuidando de longe” (Marília Mendonça/ Juliano Tchula/ Júnior Gomes/ Vinicius Poeta). “Marília enriquece, dá aquela chorada quando canta”

    “Livre do amor” (Adriana Calcanhotto). “Chegou na época do ‘Estratosférica’, mas entrou só agora”

    “Puro sangue (Libelo do perdão)” (Guilherme Arantes). “Pedi uma música estilo Earth, Wind & Fire”

    “Realmente lindo” (Tim Bernardes). “Afoxé que é uma gracinha”

    “Viagem passageira” (Gilberto Gil). “Linda. Chorei ao ouvir”

    “Cabelos e unhas” (Paulinho Moska/ Breno Góes). “Bacana, mais discursiva do que melódica”

    “Dentro da lei” (Djavan). “Fiz o ‘tchubidu’ imitando Djavan”

    “Minha mãe” (César Lacerda/ Jorge Mautner). “O solo de Mestrinho toca fundo”.

    “Mãe de todas as vozes” (Nando Reis). “Ia entrar no show ‘Trinca de Ases’, show meu com Nando e Gil”

    “Abre-alas do verão” (Erasmo Carlos/ Emicida). “Rock que é a cara do Erasmo”


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    RIO — Mocinha atrevida, essa Maria da Graça. Em estado musical de, com o perdão do trocadilho, graça nos últimos anos, ela mantém o trem firme nos trilhos em mais um lançamento em que mistura compositores de diferentes gerações, inventa parcerias — tudo com os produtores Marcus Preto e Pupillo como bússola — e encharca tudo com a assinatura de Gal Costa.

    Sob as baquetas e batutas de Pupillo (baterista da Nação Zumbi e fera dos estúdios), “A pele do futuro” tem um sacudir de ombrinhos impresso em seu DNA, um aceno de Gal à música disco dos anos 1970, e arranjos ricos em cordas e teclados. O resultado é bom, mas talvez tanto batidas quanto sonoridade pudessem ser, eventualmente, mais econômicas.

    O disco começa com a saborosa “Sublime”, composta por Dani Black e glorificada como um disco-funk, com cordas e sopros na melhor tradição do arranjador Lincoln Olivetti. Para começo de conversa, tudo ótimo, animação, quadris. Mas em alguns momentos a profusão de sons e sabores acaba apontando em direções muito diversas. 'Sublime', Gal Costa

    “Palavra no corpo” (Silva e Omar Salomão) e “Vida que segue”, do soulman Hyldon, por exemplo, são simpáticas, mas falta uma certa sofisticação. Do mesmo mal padece “Cuidando de longe”, encomendada à diva da sofrência Marília Mendonça, que participa da faixa: muitos vibratos e uma letra pobrinha embalada por “uh-uh-uh” nos vocais de apoio.

    O nível é elevado de maneira estratosférica na balada “Livre do amor”, de Adriana Calcanhotto , que trata da solidão com uma pitada de cinismo, com direito a lindo solo de trompete de Paulinho Viveiro; em seguida, vêm os teclados luxuosos de Guilherme Arantes em “Puro sangue (libelo do perdão)”, típica composição do autor de “Brincar de viver” com arranjo dançante no balanço certo.

    A performance de Gal, equilibrada entre técnica e interpretação, é sempre impecável, principalmente em pontos altos como a filosófica “Viagem passageira”, de Gilberto Gil (mais uma vez, o arranjo poderia ter sido mais simples), o dueto histórico com Maria Bethânia em “Minha mãe” (César Lacerda, Jorge Mautner) e o delicioso blues “Mãe de todas as vozes”, de Nando Reis.

    O nome dela é Gal. Gal Costa - A pele do futuro

    COTAÇÃO: BOM.


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    RIO — Roman Polanski passou metade de sua vida como acusado, mas o próximo filme do diretor se chamará "J'accuse" ("Eu acuso", em tradução livre), disseram seus produtores à AFP nesta quinta-feira (27).

    O polonês, que passou quatro décadas como foragido da Justiça americana depois de admitir o estupro estatutário de uma menina de 13 anos em 1977, está fazendo um thriller de espionagem histórico baseado no caso Dreyfus — o mais famoso erro de Justiça na história francesa.

    LEIA TAMBÉM: Roman Polanski diz que movimento #MeToo é 'histeria coletiva' e 'completa hipocrisia'

    Mulher de Polanski, Emmanuelle Seigner recusa convite da Academia de Hollywood

    O roteiro foi escrito pelo romancista britânico Robert Harris, que já trabalhou com Polanski, de 85 anos, no aclamado "O Escritor Fantasma" (2010), que trazia Ewan McGregor Pierce Brosnan e no elenco.

    "J'accuse" será estrelado pelo francês ganhador do Oscar Jean Dujardin, no papel do policial de contra-espionagem que provou que o capitão judeu Alfred Dreyfus havia sido erroneamente acusado de espionar para os alemães. O caso dividiu a França por mais de uma década a partir de 1894, e a amargura e as divisões que criou duraram até a Segunda Guerra Mundial.

    A Legend Films confirmou que as filmagens começarão em breve em Paris. O título francês do filme vem da famosa carta aberta escrita pelo romancista Emile Zola em apoio ao capitão, criticando o governo francês por seu antissemitismo.

    "Eu venho querendo há muito tempo fazer um filme sobre Dreyfus, não como um drama de época, mas como um thriller de espionagem", disse Polanski em 2012.

    LEIA MAIS: É possível separar a obra de arte da vida do autor?

    A história, argumentou, era "absolutamente pertinente para o mundo de hoje — uma caça às bruxas contra uma minoria, paranoia sobre segurança, tribunais militares secretos e serviços de Inteligência fora de controle; governos mentirosos e uma imprensa enfurecida".

    O novo filme será em francês, com o ator Louis Garrel interpretando Dreyfus, e também estrelará Mathieu Amalric, vilão em um filme de James Bond, e a esposa de Polanski, Emmanuelle Seigner.


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    RIO — Uma das figuras mais populares da era de ouro da televisão americana, Ryan Murphy levou uma estatueta para casa no último Emmy (pela direção de "American crime story: Gianni Versace"). Antes disso, tinha assinado um contrato milionário com a Netflix. Aqui vai uma seleção de grandes criações que levam a assinatura dele.

    OUTRAS DICAS: Séries curtas e sem erro

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    Séries para fazer maratona no fim de semana

    Um episódio por semana ou para maratonar

    "Pose" estreia hoje no Brasil. A série retrata a cena gay dos anos 1980 em Nova York e é estrelada por cinco atrizes transexuais: MJ Rodriguez, Dominique Jackson, Indya Moore, Hailie Sahar e Angelica Ross. A Fox promete disponibilizar os oito episódios de uma só vez no Fox App. Já na TV, a atração irá ao ar semanalmente, às 22h.

    LEIA TAMBÉM: Criada por Ryan Murphy, 'Pose' recupera cena LGBT da NY dos anos 1980

    Onde: Fox e Fox App

    Cotação: Ótima

    Ação e drama em doses iguais

    911.jpg"9-1-1" mostra a rotina de uma mulher que atende ligações no famoso serviço de emergência americano. Ela e uma equipe do Corpo de Bombeiro de Los Angeles são os heróis desta trama. Acompanhamos ainda a vida pessoal dos personagens e seus dramas.

    Onde: Now e Fox App

    Cotação: Boa

    Para quem tem tempo para oito episódios

    feud.jpgDas produções que levam a assinatura de Murphy, "Feud" é uma das minhas favoritas. A série retrata a lendária rivalidade de Joan Crawford (Jessica Lange) e Bette Davis (Susan Sarandon) e os bastidores das filmagens de “O que terá acontecido a Baby Jane?”, longa que reuniu as duas divas já na meia-idade. Se você perdeu, vale muito acompanhar.

    Onde: Fox App

    Cotação: Ótima

    Histórias reais...

    ojsimpson.jpgNa primeira temporada, "American crime story" mostra o julgamento de O.J. Simpson, ex-jogador de futebol americano acusado de matar sua ex-mulher Nicole Brown. A produção ganhou muitos prêmios, todos eles merecidos. O elenco de estrelas (entre elas, Cuba Gooding Jr., Sarah Paulson e John Travolta) impressiona.

    Onde: Netflix

    Cotação: Ótima

    ...De crimes famosos

    versace.jpgDe todas as séries de Murphy aqui citadas, “American crime story: O assassinato de Gianni Versace” é a mais irregular. Mas a produção, que mostra o assassinato do estilista Gianni Versace, morto em 1997 por Andrew Cunanan, agradou à academia do Emmy.

    Onde: Fox App

    Cotação: Regular

    Novas séries de TV para ficar de olho até o fim do ano


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    RIO - Primeiro, a boa notícia: uma série de LPs que Tim Maia lançou entre 1970 e 1984, e que estava no catálogo da Universal Music, foi posta de volta nas plataformas de streaming nesta sexta-feira, dia em que Tim comemoraria 76 anos de idade (ele morreu em 1998). Assim, agora é possível ouvir músicas que deram os fundamentos para o soul brasileiro, como “Primavera”, “Cristina”, “A festa do Santo Reis”, “Não quero dinheiro, só quero amar”, “Você”, “Idade”, “Réu confesso” e “Gostava tanto de você", além de sucessos posteriores do naipe de "O descobridor dos sete mares", "Você e eu, eu e você (juntinhos)" e "Bons momentos".

    LEIA MAIS: 'Racional' e inéditas de Tim Maia em espanhol serão lançadas no streaming

    A notícia ruim: entre a parte da obra que continua fora do streaming, estão os “Racional” (de 1975, 1976 e o terceiro volume, compilado em 2011 pelo produtor Kassin), gravados enquanto Tim fez parte da seita Universo em Desencanto, e que trazem o lado mais místico do cantor. "Imunização racional (que beleza)", "Bon senso", "O caminho do bem" e outras cultuadas canções só deverão estar disponíveis daqui a um mês, diz Carmelo Maia, filho de Tim Maia e gestor do seu espólio, que prometera para esta sexta a entrada da obra fonográfica completa do pai nas plataformas. Se o Tim Maia faltava aos shows, por que os discos 'Racional' não iriam faltar no aniversário dele?

    "Se o Tim Maia faltava aos shows, por que os discos 'Racional' não iriam faltar no aniversário dele?", brincou Carmelo, alegando dificuldades técnicas com o processo de masterização para o streaming dos discos que eram da Vitória Régia, gravadora de Tim. Outros álbuns de Tim, de gravadoras como a Som Livre e a Warner devem entrar nas próximas semanas nas plataformas. "Da minha parte, está tudo liberado", diz.

    LEIA AINDA: Análise: A parte da discografia de Tim Maia que mais faz falta no streaming

    Abaixo, os discos de Tim Maia que voltaram ao streaming:

    Tim Mais 1970

    Tim Maia 1971

    Tim Maia 1972

    Tim Maia 1973

    Tim Maia 1976

    Tim Maia 1980

    Descobridor

    Sufocante


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    MV5BOTJmZDFmZjYtODg1OC00MDViLWE5OTEtM2MyYjg1YmNkYTM4XkEyXkFqcGdeQXVyNTI5NjIyMw@@._V1_.jpgRIO - Foi divulgada nesta sexta-feira a primeira imagem do ator Taron Egerton caracterizado como Elton John na cinebiografia do cantor, "Rocketman", prevista para o primeiro semestre de 2019. Veja abaixo.

    Dirigido por Dexter Fletcher ("Voando alto", 2016) e escrito por Lee Hall ("Billy Elliot", 2000), o longa vai contar a história de vida do músico britânico, abordando desde seus anos como aluno prodígio da Royal Academy of Music até a longa parceria com o letrista Bernie Taupin (vivido por Jamie Bell).

    MV5BMTcyOTY0ODI2NV5BMl5BanBnXkFtZTgwOTQ4MDM0NjM@._V1_SY1000_CR0,0,1448,1000_AL_.jpgO título do longa refere-se ao single "Rocket Man", uma das faixas do álbum "Honky Château", lançado em 1972.

    A foto retrata Elton John no que parece ser um avião particular, sentado num sofá listrado e usando uma jaqueta dourada. Segundo o site "Deadline", é muito provável que a cena em questão seja ambientada nos anos 1970.

    Taron Egerton, de 28 anos, é conhecido por atuar na franquia "Kingsman". Bryce Dallas Howard e Richard Madden também estão no elenco de "Rocketman".


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    RIO — O cartunista Ziraldo está em quadro estável, mas permanece internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, informa a assessoria de imprensa. Ele deu entrada no centro médico na última quarta-feira, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, e permanece internado no CTI.

    "O Hospital Pró-Cardíaco informa que o cartunista e escritor Ziraldo Alves Pinto deu entrada na instituição no início da tarde da última quarta-feira (26/9), com quadro de AVC hemorrágico. O paciente permanece internado no CTI da unidade e seu estado de saúde segue estável", informa o boletim médico divulgado pela assessoria de imprensa do centro médico.

    Nesta sexta-feira, alunos de uma escola de Copacabana farão uma homenagem ao escritor antes da exibição do filme "O menino maluquinho", inspirado na obra de Ziraldo.

    Em 2013, o cartunista sofreu um infarto leve em Frankfurt (Alemanha), e foi submetido a um cateterismo. No ano seguinte, foi internado novamente para exames após passar mal.

    Cartunista, chargista, escritor, colunista e jornalista, Ziraldo, de 85 anos, é criador do personagem "O Menino Maluquinho", livro com mais de três milhões de exemplares vendidos, em 116 edições, desde 1980. Ele é considerado um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro em todos os tempos. Também é o autor da "Turma do Pererê".

    Ziraldo também é um dos fundadores do jornal "O Pasquim", tabloide de oposição ao regime militar, e chegou a ser preso político, um dia após a promulgação do AI-5.


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    RIO - De David Bowie a Nirvana, é vasta a galeria de nomes do rock — dos mais ao menos importantes — que sofreram o impacto de "Surfer Rosa", o primeiro álbum da banda americana Pixies. Lançado há 30 anos, em 21 de março de 1988, esse encontro de energia punk, pimenta mexicana e imagens surrealistas está sendo celebrado pela banda com o lançamento esta sexta-feira de "Come on pilgrim… It’s Surfer Rosa", LP/CD triplo com a reedição do álbum e do EP "Come on pilgrim" (de 1987), mais "Live from The Fallout Shelter", gravação de um show que os Pixies fizeram no fim de 1986, ano de sua fundação, para a emissora de rádio WJUL-FM, de Lowell, em Massachusetts.

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    — Se eu achava que o "Surfer Rosa" ainda seria relevante 30 anos depois? Não tinha a menor ideia. Mas me sinto bem com isso! — festeja, em entrevista por telefone, o guitarrista Joey Santiago, de 53 anos, que gravou o LP com Black Francis (vocais, guitarra e canções), David Lovering (bateria) e Kim Deal (baixo e vocais, que deixou os Pixies em 2013 e hoje tem seu posto ocupado pela argentina Paz Lenchantin).

    Lançado pelo selo inglês 4AD (que até então era mais conhecido pelos grupos de música gótica e ambient como Cocteau Twins e Dead Can Dance), "Surfer Rosa" fez, com estardalhaço, a entrada na cena de um grupo americano com características únicas, que pouco tinham a ver mesmo com os grandes nomes do rock alternativo do país na época, como R.E.M., Replacements e Hüsker Dü.

    — Nós éramos motivados, ensaiávamos muito, fizemos algumas canções e acho que conseguimos cunhar um estilo... a questão era que as pessoas nos aceitassem — recorda-se o guitarrista. — Nós só tentávamos ser diferentes. Se os Pixies não dessem certo no primeiro ano, eu teria voltado para a faculdade.

    As insólitas canções de Black Francis, na contramão dos clichês do rock, são sempre louvadas pelos críticos, mas a guitarra de Joey Santiago — de poucas notas, alternando ataques violentos e silêncios — foi tão fundamental quanto para o desenvolvimento do estilo da banda. Kurt Cobain, do Nirvana, disse certa vez ter feito "Smells like teen spirit" quando estava tentando compor "uma canção dos Pixies".

    — Eu tinha lá meus heróis da guitarra, mas não via sentido algum em copiar Jimi Hendrix ou Keith Richards. Se acabei soando um pouco como eles não foi intencional. Acabei encontrando uma fórmula que permaneceu. Mas até hoje não sei dar um nome ao que eu faço! — conta Joey. — O Charles (nome de batismo de Black Francis) chegava com alguma sequência de acordes, às vezes com letras também, e o que eu fazia era muito elementar... só tinha que soar bem. THE PIXIES : WHERE IS MY MIND LIVE 1988 (original & best)

    "Where's my mind" (imortalizada anos mais tarde em cena crucial do filme "Clube da luta"), "Gigantic" e "Bone machine" são algumas das faixas mais célebres de "Surfer Rosa", disco para o qual os Pixies resolveram recrutar os serviços de um produtor acostumado às sonoridades brutais do rock industrial, Steve Albini (que, anos mais tarde, seria chamado pelo Nirvana para produzir o disco "In utero").

    — Aquelas eram canções que já estávamos tocando nos shows e o que Steve fez foi gravá-las muito bem, de uma forma que nos representou. Sem artifícios, traduzindo a essência de como soávamos ao vivo — elogia Joey.

    Um dos efeitos mais surpreendentes e diretos de "Surfer Rosa" pôde ser sentido em David Bowie, que sob a inspiração assumida do álbum dos Pixies montou a banda Tin Machine e lançou com ela um disco logo no ano seguinte.

    — Eu cresci ouvindo Bowie, e vê-lo fazer um som como aquele foi incrível, uma honra. Era quase irreal e nos fez ver que tínhamos algo especial — conta o guitarrista.

    PIXIES-3LP.jpg

    Para divulgar o lançamento de "Come on pilgrim… It’s Surfer Rosa", os Pixies se apresentarão por cinco noites, entre 30 de outubro e 3 de novembro, no Roundhouse, em Londres, interpretando na íntegra as canções do EP e do álbum.

    — Vai ser fácil, viemos tocando várias dessas canções em nossos shows. A única delas que a gente não toca tem um tempo é aquela que tem "Surfer Rosa" na letra.... ah, é "Oh my golly"! — recorda-se Joey Santiago. — É uma música que tem um certo sabor latino.

    Banda que lançou quatro álbuns, se separou em 1993, voltou em 2004 e desde então gravou "Indie Cindy" (2014) e "Head carrier" (2016), os Pixies sentiram o peso da idade, mas seguem com planos de produzir um disco de inéditas no ano que vem.

    — Naquela primeira fase da carreira, nós estávamos crescendo, éramos babacas e jovens... Hoje conseguimos apreciar o que vem pela frente — conta o guitarrista, que em 2016 se internou num centro de reabilitação para tentar controlar a compulsão por álcool e drogas. — Ainda enfrento desafios todos dias, mas meu pensamento está mais claro, estou mais preocupado com a minha saúde mental. Entrei para a ioga e estou tentando ser mais positivo, ir na direção correta, sem pensar muito.

    Live from The Fallout Shelter

    Surfer Rosa

    Come on pilgrim


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    RIO — O álbum de estreia do grupo africano Songhoy Blues, “Music in exile” (“Música no exílio”, em tradução livre), de 2015, não ganhou esse título por acaso. O quarteto vivia em Timbuktu, no norte do Mali, e fugiu para a capital, Bamako, no sul. Motivo? Radicais islâmicos ameaçavam punir quem fosse flagrado com instrumentos musicais — perseguição que inspirou o filme “Timbuktu”, de 2014, indicado ao Oscar de filme estrangeiro.

    Depois de alguma atenção da mídia europeia e americana e shows ao redor do mundo, o grupo lançou no ano passado o seu segundo disco, “Résistance”, que agora vem mostrar, em sua primeira passagem pelo Brasil. A banda se apresenta na etapa de Paraty do MIMO Festival 2018, na madrugada deste sábado para domingo, à 0h30m, na Praça da Matriz. Songhoy Blues - Bamako

    Trata-se de um disco bem mais festivo do que o primeiro, mas ainda assim fiel à luta do grupo, descoberto em 2013 por Damon Albarn, vocalista do grupo inglês Blur, em uma de suas incursões pelo Mali com o projeto Africa Express.É necessário enfrentar o terrorismo e dizer não a qualquer forma de colonialismo

    — A escolha da “Résistance” como título é simples. É necessário enfrentar o terrorismo e dizer não a qualquer forma de colonialismo — diz o percussionista Nathanael Dembélé, integrante do Songhoy Blues ao lado de Aliou Touré (vocal), Garba Touré (guitarra) e Oumar Touré (baixo), que, apesar do mesmo sobrenome, não têm qualquer parentesco. — A arte deve denunciar a injustiça, na esperança de uma mudança para todos. Mas, se isso não acontecer, temos de continuar a cantar.

    Conheça outros sons do Mali

    PARTICIPAÇÃO DE IGGY POP

    O Mali é um país fértil em talentos musicais: já revelou o blues africano de Ali Farka Touré, os cantores Boubacar Traoré e Oumou Sangaré, a dupla Amadou e Mariam, o tocador de kora (instrumento tradicional, de cordas) Toumani Diabaté e a música do deserto do grupo Tinariwen.

    Nesse cenário, o Songhoy Blues se destaca com uma música muito dançante, de sabor local e apelo global. Em “Résistance”, eles vão do funk setentista de “Bamako” (exaltação da vida noturna da capital do Mali) ao blues acústico de “Hometown”.

    — O segundo álbum foi um momento crucial em nossa carreira, mostrando a diversidade da música do Mali, mas ainda mantendo a originalidade — analisa Dembélé. — Somos blues por natureza, por causa da escala pentatônica da região de Ségou, no norte do país. Mas na tenra idade descobrimos outras músicas, como rock, funk e r&b, de onde vêm essas influências que podem ser ouvidas em nossas canções.

    “Music in exile” foi gravado em Bamako, com produção de Nick Zinner, guitarrista do grupo americano Yeah Yeah Yeahs. Já “Résistance” nasceu em Londres, no Pool Studio, de Neil Comber, produtor de discos de M.I.A. e do grupo Django Django. Songhoy Blues - Sahara (Official Music Video)

    Durante as gravações, eles puderam contar como participações especiais, como as do tecladista Lxury, do MC britânico de grime Elf Kid e de um dos pais do punk rock: o cantor Iggy Pop. Integrante dos míticos Stooges, ele mandou o seu “indo para o Saara, baby!” e alguns vocais mais na música “Sahara”, típico exemplar do rock do deserto feito pelos grupos do norte do Mali.

    — O trabalho com Iggy Pop foi um momento para aprender com a sua experiência e a energia que ele libera no palco — diz o percussionista que, como seus colegas do Songhoy Blues, até ali, conhecia mais o nome de Iggy do que a sua música.

    O Brasil eles também conhecem superficialmente. Mas, desde que começaram a fazer shows fora do Mali, um país ainda cheio de problemas religiosos e de conflitos entre etnias (“muito resta a ser feito no norte e centro do país”), tudo que os integrantes do Songhoy Blues têm feito é circular pelo mundo e aproveitar as possibilidades que a liberdade oferece.

    — Nossas vidas mudaram muito nestes últimos anos, mas pessoalmente somos os mesmos quatro meninos que sempre animaram a cidade de Bamako — diz Dembélé. A música do Mali


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    RIO — Em meio às 87 galerias da oitava ArtRio, com obras que passam dos R$ 20 milhões (caso de “Bumba meu boi”, painel de Di Cavalcanti na Almeida & Dale), tem chamado atenção o trabalho de um jovem baiano que expõe pela primeira vez no Rio. No estande Brasil Contemporâneo, voltado à produção fora do eixo Rio-São Paulo, Antonio Tarsis desconstrói a violência urbana.

    LEIA MAIS: ArtRio aposta no mercado nacional para driblar crise econômica e política

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    Julio le Parc: 'Nada na minha obra está fechado em um ciclo'

    Na série “Trabuco”, peças de vidro soprado em formatos que lembram armas são preenchidas com pólvora, chumbo e cápsulas deflagradas — estas, encontradas em comunidades cariocas como Ladeira dos Tabajaras, na Maré, na Rocinha, em São João de Meriti.

    Já “Genocídio simbólico”, inspirada em números do relatório da CPI da Violência contra Jovens Negros de 2015, desconstrói símbolos de instituições policiais como o Bope e as PMs da Bahia e de São Paulo, em um conjunto de 25 peças bordadas.

    Destaques da ArtRio 2018— Uso símbolos que representam a morte, a violência, e os levo para o campo da abstração — comenta Tarsis, representado na ArtRio pela galeria baiana Luiz Fernando Landeiro Arte Contemporânea. — Essas séries propõem uma outra perspectiva de política de segurança pública, sobretudo no momento que vivemos hoje.

    O que ver nas instituições e galerias cariocasAutodidata, Tarsis começou a recolher seu material de trabalho no espaço urbano e a relacioná-lo com a sua própria realidade. A primeira cápsula usada em “Trabuco” foi encontrada na Ladeira da Conceição da Praia, em Salvador, construída no século XVI por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil.

    79063130_SC EXCLUSIVO Rio de Janeiro RJ 26-09-2018 Art Rio 2018 na Marina da Gloria - Art Rio 2018 c.jpg— Os colonizadores construíram suas moradias na parte alta da cidade , e impediram violentamente que os nativos chegassem até lá. Hoje , muitos moradores pobres sofrem o mesmo tipo de repressão, por conta da gentrificação da região — aponta o artista.

    PRÊMIOS E RESIDÊNCIAS

    O soteropolitano começou a pintar aos 14 anos, após a morte da mãe, que era empregada doméstica, vitimada por um câncer de mama. Aos poucos, conquistou espaço na cena local e ganhou visibilidade fora da Bahia. Participando até dezembro deste ano da residência “Qualquer direção fora do centro”, da Escola de Artes Visuais (EAV) Parque Lage, Tarsis foi um dos vencedores do 5º Prêmio Energias na Arte, do Instituto Tomie Ohtake, que lhe rendeu uma residência no programa Lugar a Dudas, em Cáli, na Colômbia.

    — Eu estudava flauta e sonhava em ser músico, mas passei por um processo difícil com a perda da minha mãe. Isso me levou a outros campos: comecei a pintar, mas tinha dificuldade em conseguir os materiais. Aí passei a pesquisar outras linguagens, relacionadas a elementos que recolhia no espaço público — conta Tarsis.

    Responsável pela seleção do Brasil Contemporâneo, o curador Bernardo Mosqueira destaca tanto a pertinência da proposta quanto a qualidade da obra de Tarsis:

    — Impressiona como ele leva essa cultura da violência para um outro espaço, de forma muito potente. Destaca-se também a maneira como as questões propostas estão resolvidas. É algo raro para um artista da sua idade.


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    RIO — O crítico Carlos Augusto Calil diz que “O imponderável Bento contra o Crioulo Voador”, de Joaquim Pedro de Andrade, é seu filme predileto. É provocação: trata-se de um roteiro de 1986 que o cineasta, falecido precocemente em 1988, não chegou a filmar. Publicado agora pela Todavia, é um texto tão bem escrito e detalhado que o leitor vê “o filme se desenrolando à sua frente”, como escreve Calil no posfácio da edição.

    O livro de Joaquim Pedro — seria possível lê-lo como um romance? — segue a toada satírica e inventiva de seus principais filmes, como “Macunaíma” (1969) e “O homem do pau-brasil” (1981). É uma mistura entre o escracho da chanchada e a crítica política — afinal a história de Bento se passa em Brasília em plena ditadura militar , tendo doses de violência e obscurantismo.

    O personagem de Bento, por exemplo, inicia o livro jogando tênis com seu melhor amigo no clube de militares e termina retratado como uma espécie de santo célebre, assediado pela imprensa sensacionalista, perseguido pelos militares e dotado de uma incrível capacidade de levitação. Em uma das cenas mais engraçadas do livro, uma amiga pede para fazer uma foto com ele e avisa: “Não levita muito alto, tá Bento, senão você sai do quadro. Lá vai”. O resto é surpresa.

    Em artigo recente sobre o cinema de Joaquim Pedro, José Geraldo Couto afirma que o cineasta realiza uma “antropofagia da antropofagia”, ao atualizar “de modo crítico e inventivo a investigação sobre a identidade brasileira empreendida pelos modernistas”. Se o sobrenome do cineasta é uma coincidência, seu interesse por Oswald e Mário de Andrade é genuíno e repleto de reverberações em sua obra — e também, claro, no volume recém-lançado.

    ECOS DE MÁRIO E OSWALD

    Por isso é interessante ler “O imponderável Bento” a partir das sínteses e montagens do romance oswaldiano. Por ser um roteiro, o texto de Joaquim Pedro se apresenta sob a forma de rubricas diretas e diálogos ligeiros, irreverentes — ou das fantasias nacionalistas e mitológicas de Macunaíma. Como o personagem de Mário, Bento é também meio super-herói, meio charlatão, meio sem caráter.

    Seja como for, a relação de Joaquim Pedro com a literatura brasileira extrapola sua leitura e adaptação dos livros de Mário e Oswald. O cineasta fez um curta sobre Manuel Bandeira (“O poeta do castelo”, 1959), além de adaptações livres de um poema de Drummond (“O padre e a moça”, de 1965), dos poetas da Inconfidência Mineira (“Os inconfidentes”, 1972) e de contos de Dalton Trevisan (“Guerra conjugal”, 1975).joaquim.jpg

    Mais do que isso, conforme argumenta Calil, Joaquim Pedro “cozinhou seu roteiro com grande imaginação e habilidade literária, normalmente dispensável num texto que não visa à publicação”, dando ao livro momentos de “pura literatura”.

    O que não apenas justificaria plenamente sua nova edição e leitura como também – diria Raul Bopp – um lugar todo especial na nossa “Bibliotequinha Antropofágica”.

    * Victor da Rosa é crítico literário e doutor em Literatura pela UFSC

    SERVIÇO

    “O imponderável Bento contra o Crioulo Voador”

    Autor: Joaquim Pedro de Andrade. Editora: Todavia Páginas:: 104 Preço: R$ 49,90. Cotação: Ótimo.


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