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    RIO — Toda criança sabe bem como funciona: depois de um período na escola, com a cabeça focada em livros e provas, vêm as férias. É o que acontece com o Pequeno Nicolau, o protagonista de dois longas-metragens do cineasta Laurent Tirard. O primeiro, lançado em 2009, mostrou as aventuras do personagem com seus amigos de escola num subúrbio francês. Já o segundo, “As férias do Pequeno Nicolau”, em cartaz desde esta quinta-feira no país, leva o garoto sapeca para uma temporada na praia, um merecido descanso para quem fez um sucesso gigante no mundo, inclusive com 15 meses de exibição ininterrupta nos cinemas do Rio.

    — O desempenho do primeiro filme no Brasil foi uma surpresa para mim. Imagino que o personagem não era muito conhecido no seu país antes do lançamento, e mesmo assim ele ficou um tempo enorme em cartaz. Fora da França, onde ele foi a maior bilheteria de 2009, e do Brasil, outros países que receberam muito bem a história foram Polônia, Alemanha, Itália e Rússia. Não sei explicar o que aconteceu. É muito curioso perceber como culturas diferentes podem responder bem a um mesmo filme — diz Tirard, em entrevista por telefone ao GLOBO. — Então, para esta continuação o nosso maior desafio foi não desapontar o público que gostou tanto de “O Pequeno Nicolau”.

    Se no Brasil ele não era tão conhecido antes do filme de Tirard, na França o Pequeno Nicolau já era um fenômeno, uma criação de dois dos maiores artistas de quadrinhos do país: René Goscinny, também conhecido por ser o autor de “Astérix”; e Jean-Jacques Sempé, o mesmo que desenvolveu “Marcelino Pedregulho”. Publicado pela primeira vez em março de 1959, Nicolau é um menino baixinho com um senso de Justiça elevado, que valoriza o amor dos pais e a proximidade dos amigos. Sua relação afetiva com o leitor francês é semelhante à dos brasileiros com Menino Maluquinho, este criado pelo mineiro Ziraldo em 1980.

    — Para mim, o Nicolau é um conto de fadas. É um personagem atemporal que trata da essência da infância e que, por isso, pode tocar qualquer pessoa em qualquer canto do mundo. Eu descobri o Nicolau quando tinha 10 anos (Tirard tem 47) e hoje vejo meus filhos lendo e se divertindo com suas histórias. Ele tem um efeito muito profundo no inconsciente das crianças — afirma o cineasta.

    Em “As férias de Pequeno Nicolau”, as situações vividas pelo garoto são realmente as mesmas por que muitas pequenos passam ao redor do mundo: de férias com os pais numa praia, ele faz novos amigos, descobre uma paixão de verão e no fim precisa se despedir de todos para voltar à velha rotina.

    O diretor teve que encontrar um novo ator para interpretar o protagonista, porque o Nicolau de 2009, Maxime Godart, não tem mais nada de pequeno. O papel da nova aventura ficou, portanto, com o novato Mathéo Boisselier.

    — Passaram-se cinco anos, o Maxime está quase da minha altura — brinca Tirard. — É diferente de uma história como a do Harry Potter, em que o personagem vai crescendo ao longo dos livros. O Pequeno Nicolau tem que ser uma criança, é importante manter a inocência e a imaginação dele, ou então não funcionaria.

    Para o futuro, Tirard, que tem no currículo tramas sobre outros heróis da ficção (“Astérix e Obélix: A serviço de sua majestade”, de 2012) e também sobre personagens reais (“As aventuras de Molière”, de 2007), não descarta a possibilidade de um terceiro Pequeno Nicolau.

    — Eu me sinto muito confortável com o Pequeno Nicolau, sou verdadeiramente envolvido com a história. Agora, eu também sinto a necessidade de desenvolver algum projeto pessoal, fazer algo diferente. Mas, daqui a uns três ou quatro anos, tenho certeza de que seria ótimo fazer um novo Pequeno Nicolau — diz Tirard.

    LONGEVIDADE CINEMATOGRÁFICA

    Nem novela fica tanto tempo no ar: “O pequeno Nicolau” estreou no Rio em 4 de junho de 2010 e se manteve em cartaz até 26 de agosto de 2011 nas salas do Grupo Estação. Em todo o país, o filme atraiu mais de 160 mil espectadores.

    Foram quase 15 meses ininterruptos, um feito raro para uma época em que os filmes são canibalizados por novas estreias e mal passam do primeiro fim de semana de exibição — mas um feito que eventualmente acontece no Rio.

    Ao lado de “Nicolau”, outro que se manteve por quase 15 meses em cartaz foi o francês “A culpa é do Fidel”, de Julie Gavras, entre 21 de dezembro de 2007 e 6 de março de 2009. Sua trama conta a história de uma garotinha emburrada cuja vida é completamente modificada pelo ativismo político de seus pais na década de 1970.

    Mais exemplos dessa longevidade cinematográfica carioca foram o argentino “Elza & Fred” (seis meses e meio, entre 2006 e 2007), o canadense “Incêndios”, de Denis Villeneuve (seis meses, em 2011), o francês “Um lugar na plateia” (cinco meses, em 2007), o alemão “A fita branca” (três meses e meio em 2010) e o israelense “Lemon tree” (três meses, em 2008). O que chama mais atenção é que nenhum desses é uma megaprodução com a máquina de Hollywood por trás para apoiar sua distribuição.

    Em São Paulo, um filme conseguiu ficar um tempo ainda maior. Foi o francês “Medos privados em lugares públicos”, do diretor Alain Resnais, que se manteve em exibição por três anos, de 2007 a 2010. Vencedor do Leão de Prata de melhor direção no Festival de Veneza, o filme foi uma adaptação da peça teatral homônima do inglês Alan Ayckbourn e acompanhou uma série de personagens diferentes em busca do amor numa Paris embranquecida pela neve do inverno.


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    RIO - Valzinho - violonista, compositor, artista criativo para quem Radamés Gnattali reivindicava lugar entre os "precursores da bossa nova" - certamente não foi tão lembrado como merecia, neste Natal em que comemoraria seu centenário de nascimento (sexta-feira). Em sua época, décadas de 1930 e 40, era considerado uma espécie de "músico dos músicos", mais admirado pelos colegas do que conhecido do público. Anos depois, já aposentado, encantou Tom Jobim com as harmonias "repletas de surpresas e sutilezas" de seu "Doce veneno", samba-canção gravado por Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola, Jamelão, Jards Macalé, Maria Creusa, Zezé Gonzaga. Esta, com arranjos do mesmo Radamés.

    De certo modo, o próprio Valzinho contribuiu para que não fosse tão conhecido quanto o irmão mais novo, Newton Teixeira, a quem a música popular deve pelo menos dois clássicos, um de carnaval, "Mal-me-quer", e outro de meio de ano, "Deusa da minha rua". Homem simples, fechado, tímido na hora de mostrar suas composições, deixaria obra valiosa, mas pequena. Segundo o Ecad, não mais que 20 canções.

    - Na verdade, são 35, entre as já gravadas e algumas inéditas - apressa-se em corrigir seu sobrinho Edgard Costa, hoje responsável pela conservação do acervo dos que ele chama de "os Teixeiras", ou seja, Valzinho e Newton.

    Edgar tem tudo devidamente guardado no pequeno arquivo-museu que montou num apartamento da Rua Haddock Lobo, herdado de Newton ("... comprado por ele com o dinheiro da gravação de 'Deusa da minha rua' por Roberto Carlos", conta o sobrinho). O trabalho consiste em levantamento das composições dos dois, disponibilização pela internet, criação de site e até mesmo a gravação da obra de Valzinho "como ele mesmo a criou". Para isso, Edgar conta com a assessoria musical de Delia Fischer, incumbida de passar para o pentagrama as tais "surpresas e sutilezas" harmônicas que tanto impressionaram Tom Jobim.

    A redescoberta de Valzinho pela turma mais jovem viveu momento importante quando, em 1979, Hermínio Bello de Carvalho pôs o compositor diante do gravador e pediu que ele interpretasse, acompanhando-se ao violão, "todas as suas canções". Das 28 que Valzinho gravou, foram editadas 20 (as que o Ecad reconhece). Quinze delas estão no LP que o próprio Hermínio produziu com Zezé Gonzaga e o Quinteto de Radamés. Quinze meses depois, em janeiro de 1980, Valzinho, nascido Norival Carlos Teixeira, morreu, aos 65 anos.

    Deve-se ainda a Hermínio a aproximação de Paulinho da Viola com a obra de Valzinho. Paulinho gravou "Doce veneno" em seu primeiro LP e "Óculos escuros" no quarto. Alaíde Costa, acompanhada por Baden Powell, lançou "Gostar de ninguém" em 1960. A música, mais que a letra, é o que impressiona os mais jovens. Muito do que os versos dizem pode ter envelhecido ("A luva é a gema de ovo no copo azul lá do céu..."), mas a melodia que os veste é atual.

    - Tudo o que fazia em casa, longe do trabalho, ele gravava em cassete - conta Edgard. - Foi assim, e também com pesquisa de músicas já gravadas, que cheguei às 35.

    Ele recorda que a principal atividade do tio, em regionais como os de Pereira Filho e entre os músicos da Rádio Nacional, foi mesmo a de violonista, cujas inovações eram admiradas por Garoto (parceiro do letrista Valzinho em "Teu olhar") e outros instrumentistas que, sobretudo nos anos 1940, abriram novos caminhos aos acompanhantes. Quem ouve sua canções observa o mesmo também nas composições.

    - Enquanto Newton era mais conhecido, por fazer música que logo atingia o público, Valzinho caminhava pelo difícil - observa Edgard. - Acho que ele preferia assim, uma coisa mais pessoal, mesmo que menos popular. Acredito, também, que isso era para se diferenciar do irmão mais moço, mais conhecido e mais bonito. Valzinho achava-se muito feio.

    Razão pela qual não ousou levar mais longe sua paixão por mulheres bonitas e famosas como duas das estrelas da emissora: Marion e Emilinha Borba. Valzinho era apaixonado por elas, mas, timidamente, achou melhor não ousar. Sua biografia - para muitos, misteriosa - é marcada por outras paixões e uma queda pela solidão: "Vagabundo sou, ave sem ninho/ Pela vida eu vou, canto sozinho..." dizem os últimos versos registrados por Valzinho no LP de 1979.

    Trabalhando em Portugal, Edgar voltou ao Brasil em 2010, quando o irmão Ary morreu. Este tinha começado a cuidar do acervo dos tios, incluindo bronzes e medalhas, trabalhos do artista Valzinho, funcionário aposentado da Casa da Moeda e escultor com curso no Museu de Belas Artes. Além, é claro, de discos, fitas, partituras impressas e manuscritas. Edgard decidiu substituir o irmão, começando por dois sites que põem a obra dos dois à disposição do público: valzinho.os-teixeiras.com e newton.os-teixeiras.com, já no ar.

    A ideia de gravar ou regravar as canções tal qual foram feitas resultou num projeto quase perfeito. Delia passou para a pauta melodia e harmonia, e ela mesma tocou-as no piano, acompanhada do violão de Antonia Adnet. Numa, "Arrependimento", ainda sem letra, Joana Adnet solou a melodia no clarinete. Outra, "Iluminado", já letrada por Ronaldo Bastos, ainda está inédita. O "quase perfeito" do resultado é porque, se melodia e harmonia são fielmente revividas, a batida do violão, bem bossa nova, não é a de Valzinho, por mais precursor que ele tenha sido.


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    A dupla interpreta ‘Dois rios’, do grupo Skank - Isabella Pinheiro/Gshow

    RIO — A vitória de Danilo Reis e Rafael no “The Voice”, na noite desta quinta-feira, dividiu opiniões. Nas redes sociais, alguns elogiaram o mérito da dupla, outros criticaram a opção do público.

    Veja a repercussão no Twitter:

     

     


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    Fãs fazem fila para assistir à sessão de meia-noite de 'A entrevista', no cinema Silent Movie Theatre, em Los Angeles - JONATHAN ALCORN / REUTERS

    RIO — O polêmico filme "A entrevista", estrelado por Seth Rogen e James Franco, arrecadou US$ 1 milhão no dia de sua estreia, no Natal. A marca é considerada expressiva, uma vez que a comédia da Sony foi exibida apenas em 300 salas

    de cinema do circuito independente americano, aproximadamente. Em algumas delas, a exibição foi limitada à sessão de meia noite.

    A arrecadação do filme nas bilheterias tende a diminuir nos próximos dias por conta da parceria feita pelo Sony com serviços sob demanda, como YouTube Movies, Google Play, Xbox Video e o site Seetheinterview.com, que alugam e comercializam o filme desde quarta-feira. O lançamento on-line de "A entrevista" afastou as grandes redes de cinema americanas, que estão se negando a exibi-lo, segundo informações do portal "Variety".

    O grande destaque nas bilheterias natalinas americanas foi 'Invencível', drama dirigido por Angelina Jolie, que arrecadou US$ 15 milhões e foi exibido em mais de 3 mil salas. A fantasia "Caminhos da floresta" também teve bom desempenho em sua estreia. Estrelado por Meryl Streep, o filme arrecadou cerca de US$ 13 milhões e a expectativa é que chegue a US$ 40 milhões no final de semana.

    Enquanto ainda não há informações oficiais sobre o lançamento de "A entrevista" nos cinemas e na internet brasileira, "Invencível" e "Caminhos da floresta" já têm data de estreia confirmada: 15 e 29 de janeiro, respectivamente.

    RÚSSIA SIMPATIZA COM REAÇÃO NORTE-COREANA

    Na quinta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Lukashevich, disse que a irritação da Coreia do Norte com "A entrevista" é "compreensível". "Desde o início, a ideia do filme é agressivamente escandalosa e a reação norte-coreana é completamente compreensiva", afirmou.

    Lukashevich disse, ainda, que os Estados Unidos não deram nenhuma prova do envolvimento da Coreia do Norte no ataque de hackers aos servidores da Sony: "Nós devemos lembrar vocês de que os americanos não deram qualquer evidência que justifique essas acusações", apontou.

    Na última sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama informou, em entrevista coletiva realizada na Casa Branca, que o país daria uma "resposta à altura" dos ataques à Sony. "Eles causaram muitos danos e nós vamos responder. Nós vamos responder de maneira proporcional e será no lugar, data e da maneira que escolhermos", ameçou Obama.


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    Leifert cai no choro depois de anunciar a dupla campeã para cantar novamente - Gshow

    RIO — Ao anunciar os vencedores Danilo Reis e Rafael, Tiago Leifert não conteve o choro na noite desta quinta-feira na final “The Voice Brasil”. No Facebook, o apresentador, que sai de férias na próxima segunda, explicou a sua emoção.

    “Tô buito gripado, beu! Fiz força pra falar, tô até cansado! Obrigado por todo o carinho nesta temporada. Me emocionei (de novo, putz) porque eu me sinto abençoado de estar ali naquele momento. É tão bom poder dizer 'Danilo Reis e Rafaeeeeeeel!'.

    "Há dezenas de apresentadores e apresentadoras que poderiam estar no The Voice, mas sou eu, entendeu? Eu olho em volta e me sinto muito privilegiado. E choro!

    "E os dois moleques? Eles são PUROS. Não consegui ficar imune à alegria, porque ela é pura como eles. Que duas figuras fantásticas!

    "Vou dormir que já tá tarde. Amanhã volto pro Esporte. Domingo tem reportagem minha com Caio Ribeiro no Esporte Espetacular, entrevista com Dunga. Segunda saio de férias e volto no Carnaval.

    "Obrigado pelas inesquecíveis noites de quinta. Inté”.


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    Cartazes do filme 'A entrevista' - STR / AFP

    RIO - O próprio Kim Jong-un explica o problema: “Você sabe o que é mais destrutivo do que uma bomba nuclear? Palavras”. A questão, na verdade, não é posta exatamente pelo líder supremo da Coreia do Norte, mas por sua representação no longa-metragem “A entrevista”. No filme, a frase do fictício Jong-un serve para traçar um imaginativo perfil de um ditador que se sentiria afetado pelo que os outros sempre teriam dito sobre ele, a começar por seu falecido pai, Kim Jong-il. Já a realidade, se é que se pode ter certeza sobre alguma realidade nessa história, é que a trama de “A entrevista”, uma comédia bem ao estilo dos outros filmes de Seth Rogen, cai como uma bomba na já péssima imagem que a Coreia do Norte tem pelo mundo.

    Para quem andou viajando de férias em outro planeta, vale recapitular: no último mês, divulgou-se que os computadores do estúdio Sony Pictures foram invadidos por hackers. Eles roubaram e disponibilizaram dados privados e filmes ainda não lançados na internet, e ainda ameaçaram explodir as salas de cinema que exibissem “A entrevista”, cuja estreia estava marcada para o dia de Natal. A chantagem primeiro levou a Sony a cancelar o lançamento do filme; aí o presidente Barack Obama veio a público dizer que o estúdio errou e que os EUA não devem ceder à censura; e então a Sony acabou voltando atrás e lançou “A entrevista” na tarde do dia 24, em exibições pagas pela web, e no dia 25, num circuito de cinemas independentes dos EUA.

    Para completar, investigações do governo americano apontaram para a Coreia do Norte, nação que já vinha reclamando publicamente do conteúdo do filme há meses, como responsável pela ação dos hackers — uma acusação que o país de Kim Jong-un rechaçou.

    Agora, com o filme enfim em cartaz, é possível analisar se a chiadeira prévia da Coreia do Norte é justificável. “A entrevista” é uma típica história escrita por Seth Rogen (ele próprio assina a direção, em parceria com Evan Goldberg), com direito a piadas repetitivas sobre celebridades, indústria do cinema, uso de drogas e sexualidade. Há também uma dose forte de bromance, a mistura de camaradagem e romance entre meninos que Rogen e a turma do produtor Judd Apatow (“Ligeiramente grávidos”) popularizaram no cinema.

    Os diretores Evan Goldberg e Seth Rogen discursam antes da exibição de 'A entrevista' em sessão especial em Los Angeles - JONATHAN ALCORN / REUTERS

    A história de “A entrevista” gira em torno do produtor de TV Aaron (interpretado por Rogen) e do jornalista Dave Skylark (James Franco), os dois responsáveis por um programa de entrevistas com celebridades — logo no início, há uma cena ótima em que o rapper Eminem assume ser gay e diz que fica “chocado que as pessoas não tenham reparado antes”. Enquanto isso, Kim Jong-un ameaça uma guerra nuclear contra os EUA, fato que leva Aaron e Dave a pedir uma entrevista com o ditador.

    O pedido é aceito, e eles viajam para a Coreia do Norte, mas levam consigo uma missão, dada por agentes da CIA, de assassinar o ditador. A história, então, transcorre a partir das surpresas e descobertas da dupla ao visitar o país e conhecer Jong-un; uma situação muito parecida com a de “Top Secret”, comédia cult de 1984 do trio David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker, em que um roqueiro vivido por Val Kilmer viaja para a Alemanha Oriental.

    O cinema Crest Theater, em Los Angeles, é um dos locais que 'orgulhosamente' (como visto no letreiro) começaram a exibir 'A entrevista' nesta quinta-feira - KEVORK DJANSEZIAN / REUTERS

    MACONHA E BEIJO BROMANCE

    “A entrevista” é totalmente centrado na imagem satírica — e, por que não dizer?, preconceituosa — que a mídia ocidental, EUA à frente, faz da Coreia do Norte e da família Kim. Não que Jong-un não faça por merecer as críticas que recebe: aos 31 anos, no cargo de líder supremo da Coreia do Norte desde dezembro de 2011, quando seu pai morreu, ele já ameaçou ataques nucleares contra os EUA e a vizinha Coreia do Sul. Mas o filme de Seth Rogen sugere que o ditador seria visto por seus conterrâneos como um deus que “não tem ânus porque não precisa”. Ainda de acordo com “A entrevista”, os norte-coreanos passariam fome, e o governo manteria campos de concentração para aprisionar os inimigos do regime.

    Só que, ao mesmo tempo em que é retratado como uma figura belicista, Jong-un também aparece em “A entrevista” como um ditador mimado que sofre por não poder revelar seus gostos pessoais ao mundo. No filme, ele evita assumir que adora Katy Perry (“Firework” toca no rádio de seu tanque de guerra) e bebe margarita por achar que vão tachá-lo de gay. O ditador fictício também é dono de uma coleção de carros importados, Audi e Porsche entre eles, e joga basquete para passar o tempo. Numa das muitas cenas em que aparece ao lado de Dave Skylark, ele dança entre mulheres de biquínis mínimos, enche a cara e fuma maconha. Há até um momento de beijo na boca bromance entre Kim e Skylark.

    Sua representação, portanto, é a de um adolescente histérico que mente e oprime seu povo. E a quem cabe salvar os norte-coreanos de seu ditador? Numa história excessivamente etnocentrista, aos dois patetas americanos, claro.

    De verdade, Kim Jong-un não precisava perder tempo criticando “A entrevista”. O público já faria isso por ele.


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    Avril Lavigne brincou sobre os boatos de que estaria em reabilitação - Reprodução

    RIO — A cantora canadense Avril Lavigne usou sua conta no Twitter para negar os rumores de que estaria passando por um tratamento de reabilitação. "Os

    boatos de reabilitação são hilários. A única coisa em que estou viciada, no momento, é Bing Crosby. Feliz Natal a todos e uma ótima noite", publicou na rede social, se referindo ao lendário cantor americano, morto em 1977.

    Os rumores começaram após a cantora informar, em troca de mensagens com um fã no início do mês, que passava por um problema de saúde, sem especificá-lo. "Eu me sinto mal, pois não pude dizer nada para os fãs, para deixar com que eles soubessem por que eu estou ausente. Estou na dúvida, ao mesmo tempo em que estou bastante fechada... eu não estou me sentindo bem. Estou tendo alguns problemas de saúde. Então, por favor, me mantenham em suas orações", disse.

    A cantora lançou seu quinto e autointitulado álbum em 2013. O disco conta com a faixa "Let me go", um dueto entre a canadense e seu marido, o músico Chad Kroeger, do Nickelback. Em "Bad girl", a dobradinha foi com Marilyn Manson. Avril Lavigne passou pelo Brasil em maio deste ano.

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    Seguranças guardam a entrada de cinema de Los Angeles em que aconteceu a première de 'A entrevista' - KEVORK DJANSEZIAN / REUTERS

    SEUL/XANGAI (Reuters) — Centenas de milhares de pessoas assistiram a cópias ilegais do filme "A Entrevista" na China e na Coreia do Sul, apenas horas depois da controversa comédia sobre o assassinato fictício do líder norte-coreano Kim Jong Un ser lançada nos Estados Unidos.

    Grande parte dos espectadores disse que assistiu ao longa por conta do devastador ataque eletrônico contra a Sony Pictures, estúdio que o produziu, mas que não ficaram impressionados com o que viram. Mesmo na Coreia do Sul, tecnicamente em guerra com o Norte, espectadores criticaram severamente o filme. "Muito disso não é realista e as pessoas nos papéis de norte-coreanos são muito ruins falando coreano", disse um espectador no Naver, um portal online. "Na cena em que Kim Jong Un fica nervoso, não consegui entender direito o que ele estava dizendo", completou.

    Outro blogueiro no Naver opinou: "Não há drama nem muita diversão. É tudo sobre uma comédia forçada que desanima. Eles não podiam ter feito um trabalho melhor criando esse filme?".

    Na China, uma cópia do filme com legendas em mandarim foi visto ao menos 300 mil vezes em uma plataforma de compartilhamento de vídeos. "Não importa se o filme é bom, ele se tornou algo que todos têm que ver", disse um usuário no microblog chinês Weibo.

    O longa, que foi inicialmente cancelado após o ataque eletrônico contra a Sony, estreou em mais de 300 cinemas do circuito independente dos Estados Unidos no dia do Natal, atraindo muitas sessões lotadas e declarações de espectadores de que estavam defendendo a liberdade de expressão.


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    O vocalista Alex Turner no show realizado no HSBC Arena, na Barra da Tijuca, em novembro. - Lucas Tavares / Agência O Globo

    RIO — Na véspera do Natal, o Arctic Monkeys presentou os fãs sulamericanos com um minidocumentário de quase sete minutos sobre a passagem da banda pela região, que contou com shows no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), Chile, Argentina (Córdoba e Buenos Aires) e Colômbia, em novembro (veja o vídeo abaixo).

    Última cidade da "AM Tour", turnê de divulgação do quinto álbum do quarteto iniciada em maio de 2013, o Rio de Janeiro tem grande destaque no vídeo, com diversos trechos da gravação ao vivo da música "Are you mine?", que fechou o show do dia de 15 de novembro. O minidocumentário mostra, ainda, imagens dos integrantes da banda e membros da equipe dando mergulhos e brincando na areia de uma praia carioca.

    Além da passagem brasileira, que conta ainda com rápido registro do show de São Paulo, o vídeo mostra, entre outros momentos, o vocalista Alex Turner jogando um partida de tênis em Santiago, aprendendo a falar "Bogotá, estou contente em finalmente encontrar vocês" e concedendo entrevista para um jornalista argentino.

    Os shows do Arctic Monkeys no Brasil foram realizados na Arena Anhembi (São Paulo) e no HSBC Arena (Rio de Janeiro) e, somados, levaram um público de cerca de 40 mil pessoas. A abertura ficou a cargo dos suecos do The Hives.


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    O músico Buddy Defranco, em foto de 2006 - Jennifer Szymaszek / AP

    RIO - O clarinetista Buddy DeFranco, que já tocou na Glenn Miller Orchestra e com nomes como Frank Sinatra e Billie Holiday, morreu nesta quarta-feira, aos 91 anos, em Panama City, na Flórida. A causa da morte não foi divulgada.

    O americano foi considerado diversas vezes como um dos melhores clarinetista de jazz do mundo. No começo da carreira, tocou com o septeto de Count Basie, com o pianista Sonny Clark e o guitarrista Tal Farlow.

    DeFranco participou da orquestra de Glenn Miller entre 1966 e 1974. Ele também se apresentou ao lado de Ella Fitzgerald, Tony Bennett, Gene Krupa, Charlie Barnet, Art Tatum e Oscar Peterson.

    Entre as dezenas de discos que gravou está "Cross country suite" (1958), que ganhou um Grammy.

    O músico deixa a mulher Joyce.


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    RIO - Acompanhar a literatura brasileira contemporânea com olhos livres permite identificar o surgimento de projetos inovadores e de grande interesse. É o caso de Evando Nascimento: “Cantos profanos” confirma a importância e singularidade de sua dicção. No fundo, a expressão usada por ele para caracterizar a obra de Clarice Lispector — literatura pensante — é a mais perfeita tradução de sua escrita. Contudo, aqui, todo cuidado é pouco. Não se trata de supor um discurso filosofante, às voltas com um conteúdo pretensamente elevado ou hermético.

    Muito pelo contrário, Evando torna a literatura pensante um exercício específico de imaginação, desdobrado num convite para que o leitor crie seus mundos. Ressalto, então, a pluralidade do gesto, que inclui engenhosas provocações à filosofia, o prazer de narrar situações surpreendentes, além de uma apropriação constante de elementos tanto da tradição quanto da cultura pop.

    A epígrafe do livro, aliás, cifra essa potência múltipla, a marca-d’água da literatura de Evando: “Decerto caberia sempre aos leitores inventarem seu próprio livro (...). Em contrapartida, caberia ao livro, com alguma sorte, inventar seus leitores (...).” A ficção se encontraria entre os dois movimentos de invenção.

    De fato, a estrutura do livro arma um jogo de xadrez. Sobretudo, as peças brancas pertencem ao leitor, pois, numa inversão deliberada, a ele cabe o lance inicial nesse tríptico de palavras.

    A primeira parte se denomina “Cantos” e alinhava uma série de situações-limite, nas quais uma história canônica ou um evento cotidiano são transformados por uma escrita que articula perguntas sem resposta.

    “Babel revisitada” é uma obra-prima. Eis sua premissa: a inusitada tarefa — “Inventaram então de edificar a Torre infinita” — dispensa o desejo de rivalizar com “Deus”, evocando antes uma estrutura puramente humana, como, por exemplo, a malograda torre espiralada de Vladimir Tatlin. Babel volta a ruir, não por punição divina, mas por erro de cálculo de origem malthusiana: dada a multiplicação da espécie, “a parte da torre-mastro já construída não suportou o peso e tanto povo”.

    “Altamente confidencial” é uma pequena joia. Um carteiro com nome de anjo, Gabriel Arcanjo, afinal, trata-se literalmente de um mensageiro, redige um e-mail, descrevendo o paradoxo de sua vocação constrangida: “Leio o que me cai nas mãos, livros, revistas, jornais, panfletos. Tudo menos o conteúdo dos envelopes que entrego, só o sobrescrito. Por isso sou leitor frustrado”. E, como recorre ao correio eletrônico, muito em breve um carteiro desempregado.

    A segunda parte, “Profanações”, reúne um conjunto de transgressões que vira lugares-comuns pelo avesso. “Demo” é um monólogo extraordinário — atenção, encenadores: trata-se de texto pronto para o palco! —, no qual o “Obscuro” esclarece, e o faz com impecável lógica, que “o Mal é, portanto, o verdadeiro Bem”. O leitor termina o conto convencido. Ainda mais: desejoso de habitar essa casa muito engraçada, cuja boa nova encerra o texto: “Proclamo o Novo Evangelho, capítulo nulo, versículo zero”. “Demo” ombreia, em inventividade e linguagem, com seu precursor, “A igreja do diabo”, de Machado de Assis.

    “Noturno (pequena fantasia musical)” ata as pontas da ficção e da ensaística de Evando. O conto tematiza um encontro único: “Faz meia hora que nos miramos, quase indiferentes. Que saberá de mim, que saberei jamais dela?” No longo intervalo, dois olhares se cruzam: em posição de igualdade, ave e homem se medem. Melhor: iguais porque intuem que a diferença presente remete a circunstância própria. Como Guimarães Rosa, Evando reescreve Protágoras: o vivente é a medida de todas as coisas; logo, também dos homens. A ficção de Evando inaugura uma ponte com o perspectivismo, tal como teorizado por Eduardo Viveiros de Castro.

    O autor de “Retrato desnatural” propôs uma hipótese capaz de renovar a antropofagia oswaldiana: em lugar de devorar o outro, por que não comer junto com ele? Ou, pelo menos, adotar a dieta prescrita em “Muito prazer,”; autêntica abertura ao infinito precisamente porque o círculo se fecha: “tal é a lei do universo, engolir e ser engolido, em prol da comilança absoluta”.

    A última seção, “Os vestígios”, apresenta uma série de “estudos” — entenda-se o termo no sentido empregado nas artes plásticas. O terceiro, “Reflexo (reverso)”, sintetiza com engenho o perspectivismo da ficção de Evando, isto é, o desejo de escrever para deixar de ser Evando, inventando-se outros tantos: “Cansei de dizer Espelho meu, agora serei para todo o sempre espelho seu”.

    “Cantos profanos”, portanto, é um convite: espero que o leitor siga a dica, descobrindo-se inumeravelmente trezentos-e-cinquenta. É bem isso: o autor de “Cantos do mundo” afirma sua força através de uma prosa que se desdobra em desconcertantes experiências de pensamento, formuladas numa linguagem cirúrgica, cuja fatura distingue seu autor no universo da literatura brasileira contemporânea.

    *João Cezar de Castro Rocha é professor de literatura da Uerj e autor de “Exercícios críticos: Leituras do contemporâneo”


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    O geógrafo Mauricio de Almeida Abreu, morto em 2011 - Leonardo Aversa/07-02-2011

    RIO - O geógrafo Mauricio de Almeida Abreu é lembrado principalmente por dois livros clássicos, “Evolução urbana do Rio de Janeiro” e “Geografia histórica do Rio de Janeiro”, este último uma obra que levou 15 anos de pesquisa e foi concluída em 2011, mesmo ano da morte do autor. Uma grande contribuição ao estudo deste importante intelectual brasileiro é dada agora, com a reunião de nove artigos seus que estavam espalhados em outras publicações, trabalho organizado pelos professores Rogério Haesbaert e Fania Fridman.

    Os artigos são variados, com um amplo espaço dedicado ao desenvolvimento do estudo da geografia no Brasil no século XX. O autor enfatiza a marcante influência da geografia francesa, passando pela criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e do Conselho Nacional de Geografia, nos anos 1930 (década em que foi implantado o curso superior de Geografia), e a consolidação da profissão com as assembleias gerais da AGB, nas quais havia um espaço prioritário para o trabalho de campo, o “motor principal da pesquisa geográfica” e ponto de partida para as primeiras teses importantes da disciplina no Brasil.

    OLHAR SOBRE O PASSADO

    Abreu também esclarece no artigo “Sobre a memória das cidades” o que chamou de “ditadura do presente”, que durante muito tempo estabeleceu de forma arbitrária que à Geografia coubesse apenas analisar o presente, enquanto as dimensões temporais e históricas do espaço seriam função apenas da História. “Não há lei proibindo, e nada impede que a geografia estude o passado”. Para o autor, a busca da identidade dos lugares são, principalmente, uma busca de suas raízes, de seu passado, que pode se dar pelos vestígios materiais (construções da época ou aspectos da natureza) e nas instituições de memória (museus, bibliotecas etc).

    No livro, percebemos como foi árduo o trabalho de diversos teóricos para tornar a Geografia uma disciplina autônoma, já que no início vários aspectos de seu estudo eram conflitantes com ramos da História, das Ciências Sociais e da Ecologia Humana. A influência do neopositivismo e a criação do IBGE deram à Geografia um papel importante nos sistemas de planejamento nacional instalados a partir do golpe militar de 1964, embora, a partir da abertura política, nos fins da década de 1970, o pensamento crítico em relação ao modo de produção capitalista e suas consequentes tensões sociais ganhasse cada vez mais espaço nas universidades. “A luta pela apropriação da terra urbana pelas camadas mais pobres da sociedade também despertou o interesse dos geógrafos críticos, levando-os inclusive a participar, de forma engajada, desse processo”, escreve.

    Um capítulo indispensável a quem estuda a organização fundiária do Brasil desde a colonização é “A apropriação do território no Brasil colonial”, no qual Abreu dá uma aula sobre como se deu a distribuição de terras no Brasil, mostrando a ligação entre Estado e Igreja Católica neste processo, com a Coroa Portuguesa e a Ordem de Cristo exercendo o “domínio temporal e espiritual” das terras conquistadas além mar. Além disso, há uma série de definições bem precisas sobre palavras e expressões presentes na pesquisa como vila, arraial, termo, fogos, sesmarias, correição etc.

    Em outro capítulo, “Pensando a cidade do Brasil no passado”, o autor questiona Sérgio Buarque de Holanda, que, assim como muitos pensadores da formação do Brasil, não viam nenhum método no surgimento das cidades pela administração portuguesa, o oposto do que ocorria na América Espanhola. “Ao contrário do que afirmou Sérgio Buarque de Holanda, muitas cidades brasileiras, dentre elas o Rio de Janeiro, foram decididamente um produto mental dos portugueses”. O Rio de Janeiro, aliás, tema de seu livro mais conhecido, merece destaque em outros capítulos, em temas como o abastecimento de água e a iluminação desde o período colonial, assim como a questão da habitação, sempre com reflexões instigantes e contestatórias. Como a maioria dos artigos foi publicada nos anos 1980 e 1990, fica uma frustração por não podermos discutir com ele a questão das UPPs nas favelas ou o aumento da inclusão social, por exemplo.

    O livro é indicado mesmo para leigos, pois devido ao caráter detalhista dos trabalhos de Abreu, tudo é explicado, sem contar a qualidade e a leveza de seu texto (um erro a ser corrigido numa segunda edição é a repetição de um parágrafo inteiro nas páginas 403 e 405). No final, temos uma bela homenagem ao grande geógrafo Milton Santos, morto em 2001, com quem Mauricio Abreu trabalhou na UFRJ e por quem nutria a mais profunda admiração.

    *André Luis Mansur é jornalista e escritor, autor de “Fragmentos do Rio Antigo”


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    RIO - “Para escrever, você deve se autorizar a ser a pessoa que você não quer ser (de todas as pessoas que você é)”. Encontrada nos diários e apontamentos de Susan Sontag (publicados postumamente em 2009), a frase sintetiza a duplicidade da autora americana, cujas aspirações intelectuais se confundiam com a busca de uma versão ideal de si mesma. Embora ela tenha se notabilizado pelo discurso fluente e pela incrível capacidade de participar dos principais debates de seu tempo, nem tudo foi certeza e segurança em sua trajetória. Camuflada pela imagem de pensadora inabalável, no controle absoluto de suas ideias, escrita e relação com o mundo, há uma intimidade repleta de dúvidas e contradições que permanece desconhecida do público.

    No momento em que se completam dez anos de sua morte (em 28 de dezembro), novos trabalhos buscam o lado mais humano de Susan. Muito além da figura icônica, ela aparece como mulher apaixonante e apaixonada no documentário “Regarding Susan Sontag”, da americana Nancy Kates, que terá a primeira exibição hoje, na HBO americana (ainda não há previsão de lançamento no Brasil). Sua intimidade também está sendo investigada por Benjamin Moser, que prepara uma esperada biografia autorizada da pensadora. Com o objetivo de mudar a imagem “monumental” de Sontag, ele está há quase três anos seguindo seus rastros pelo mundo, entre Budapeste, Havaí e Sarajevo.

    — Susan é vista como uma mulher-monumento, uma pessoa seguríssima de si, que nunca teve dúvidas — explica Moser, em entrevista por e-mail. — Mas ela teve dúvidas, e muitas. Era uma pessoa muito mais humana do que aparentava, uma pessoa que você sente vontade de abraçar quando conhece mais de perto.

    Moser foi escolhido pelo filho, David Rieff, e pelo agente de Susan, Andrew Wylie, admiradores de sua biografia de Clarice Lispector, lançada no Brasil em 2009 pela Cosac Naify. O trabalho sobre a autora de “A hora da estrela” é norteado pela ideia de que ela teria vindo ao mundo para salvar a mãe, que sofria com uma doença sexual produto das violações sofridas na guerra. Essa busca pelo rosebud — o detalhe que passou despercebido na trajetória de um personagem, e que pode esconder alguma face secreta de suas personalidade — também será usada para compreender a vida de Susan. O biógrafo, contudo, prefere ainda não entrar em detalhes.

    — Para entender como uma pessoa se forma, é óbvio que temos que buscar as chaves na infância — sugere Moser. — Não vou adiantar demais, mas digo que, assim como Clarice, também tem a ver com os pais: o pai que morreu na China, antes de ela chegar a conhecê-lo, e a mãe alcoólatra que não estava à altura da filha.

    ATENA SEM ORIGENS

    A infância da autora também é um fator importante em “Regarding Susan Sontag”. Mesmo sem ter estreado oficialmente nos cinemas, o documentário chamou a atenção da mídia por abordar a movimentada vida amorosa e sexual de Susan. A escritora nunca negou sua bissexualidade, mas sempre a tratou como uma questão privada, escrevendo sobre suas relações com homens e mulheres apenas em seus diários (publicados após a sua morte). No filme, a diretora entrevista alguns de seus amantes dos dois sexos, que relembram sua busca por amor em diversos momentos da vida. Mais do que a revelação de parceiros e parceiras, porém, é o mergulho nos primeiros anos de existência que ilumina a dimensão humana da autora, afirma Nancy.

    — Ela era uma pessoa real, não apenas um ícone — diz a cineasta, em entrevista por e-mail. — A maior revelação do documentário não são suas amantes, mas suas fotos aos três anos de idade, porque Susan não queria admitir que havia sido uma criança ou que tinha tido família de origem. Ela queria ser como uma Atena surgida já completamente formada da cabeça de Zeus. Por isso, acredito que a compreensão de sua vida deve ser incluída na compreensão de seus livros, e essa é uma das perspectivas do filme.

    Quando o assunto é Susan Sontag, ir além das ideias pré-estabelecidas pode se revelar uma tarefa árdua, tamanho é o impacto criado por sua personalidade. Exemplo máximo de intelectual-celebridade de seu tempo, ficcionista, crítica literária e autora de ensaios influentes em campos diversos (como “Sobre a fotografia” e “A doença como metáfora”), ela soube trabalhar a própria imagem como poucos. Fotogênica e eloquente, posou para Andy Wharol e foi figurante em filme da Nouvelle Vague, multiplicou aparições na televisão e até protagonizou um comercial de vodca. Não por acaso, ganhou status de ícone pop, ajudando a moldar um estereótipo de intelectual militante e participativo do século XX.

    Para o alemão Daniel Schreiber, autor de “Susan Sontag: a biography”, primeira biografia da intelectual, originalmente publicada na Alemanha em 2007 e recém-lançada nos Estados Unidos, o culto em torno da personalidade da escritora é hoje mais forte do que o de seus livros.

    — A imagem que Susan criou, uma marca que junta pensamento intelectual sério com glamour cosmopolita, foi uma de suas maiores realizações como escritora, e é hoje mais influente do que seus trabalhos — avalia o biógrafo, que entrevistou diversas personalidades próximas à autora. — Na cultura atual, inteligência, seriedade e pensamento intelectual não são mais tão valorizados quanto antes. Por isso, as pessoas anseiam por uma figura inteligente, franca, glamourosa e controversa. Uma figura como Susan. Desde sua morte, houve poucos como ela, já que os tempos são ainda menos favoráveis ao pensamento intelectual.

    SUSAN BOA E SUSAN MÁ

    Os diários de Susan entre 1947 e 1963, que deverão ser relançados pela Companhia das Letras em 2015 (assim como seu livro de ensaios “Sob o signo de Saturno”), dão uma ideia de como essa fachada pública foi arduamente trabalhada. Os textos são atravessados pela necessidade de reinvenção: ultrapassar aquilo que um escritor acredita ser para aceitar intimamente aquilo que ele é de fato. Para Schreiber, embora a imagem que a autora criou para si esteja enraizada na sociedade, ela nem sempre bate com a de sua vida privada, muito mais complexa e contraditória.

    — Salman Rushdie (que foi amigo da escritora e defendido por ela depois de ser ameaçado de morte por causa de seu romance “Os versos satânicos”) dizia que havia a Susan Boa e a Susan Má. Ela podia ser generosa e charmosa, cruel e arrogante. Não era uma santa e acho importante aceitar essa ambivalência.

    O editor Luiz Schwarcz teve uma relação estreita com as duas Susans. Acompanhando-a em viagens no Brasil e nos EUA, conheceu tanto a faceta carismática quanto a controversa. Responsável pela edição de sua obra na Companhia das Letras, ele acredita que a imagem da autora não pode ser dissociada de seus livros.

    — Seu trabalho de intelectual, leitora e ativista está misturado com a imagem pública que ela criou para si — opina. — Este é um de seus legados. Os intelectuais americanos antes dela eram muito mais fechados. Ela pegava as coisas muito mais visceralmente. Divulgando a cultura de outros países nos Estados Unidos, Susan abriu portas e cabeças.


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    O beijo entre Félix e Niko em “Amor à vida” - Reprodução

    RIO - O casal formado pelos personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso em “Amor à vida”, novela das 21h da Globo, entrou para a História e deu o pontapé para uma mudança na abordagem dramatúrgica dos casais homossexuais em 2014. O primeiro, Félix, era um vilão regenerado que encontrou a redenção no amor do segundo, Niko, o rapaz bonzinho que tinha o sonho de ter um filho e formar uma família. Colocar, enfim, o casal homossexual que já aparecia há anos na teledramaturgia num contexto familiar foi o trunfo do autor Walcyr Carrasco, e a trama acabou coroada com a histórica cena do beijo entre os dois personagens. Não foi o primeiro beijo gay em novelas — “Amor e revolução”, do SBT, já dera esse passo em 2011, com o carinho entre duas mulheres —, mas certamente foi o de maior repercussão e, ainda, a primeira vez em que o beijo apareceu num momento do dia a dia de uma família.

    A expectativa pelo beijo foi grande entre os espectadores durante a novela. Nas redes sociais, o público, que torcia pelo casal, pedia que eles se beijassem no fim. Walcyr Carrasco disse, em entrevista à Revista da TV, que três versões da cena foram gravadas: uma conservadora, uma moderada, e uma agressiva. Foi ao ar a moderada. Ativistas homossexuais e artistas comemoraram a exibição. Solano disse que se tratava de “um pequeno passo na dramaturgia, mas um grande passo para a sociedade”. Já Carrasco afirmou que “o beijo gay diz que o mundo é para todos”.

    A iniciativa sugeria uma mudança profunda na forma como as novelas tratariam os relacionamentos homossexuais. Na trama seguinte, “Em família”, o espectador acompanhou outro casal, dessa vez de mulheres. Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) não tiveram tanto apoio popular quanto Félix e Niko, mas também se beijaram em cena, duas vezes. Em “Império”, que segue no ar no horário nobre, no entanto, não ocorreu o esperado beijo entre os amantes Claudio (José Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo).

    O ano da TV Globo também foi marcado por vitórias no exterior. A trama das 18h “Joia rara” levou a estatueta de melhor novela no Emmy internacional, que também premiou Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, como Personalidade Mundial da Televisão, mesma láurea recebida por Roberto Marinho em 1983.

    Já no jornalismo da Globo, o ano foi de mudanças. O “Jornal Nacional” ganhou nova cara com a chegada de Renata Vasconcellos, que saiu do “Fantástico”, assumindo a vaga deixada por Patrícia Poeta. Nos EUA, a dança das cadeiras foi nos talk-shows: saiu Jay Leno, abrindo espaço para jovens como Jimmy Fallon. E David Letterman faz seu último “Late show” em 20 de maio, deixando o lugar para Stephen Colbert. Algumas mudanças não foram bem-sucedidas: o “Vídeo show” passou por uma completa reformulação e viu o público se afastar ao transformar-se num programa de auditório, comandado por Zeca Camargo. Tanto que terá profundas alterações em 2015. Houve perdas enormes também em 2014: atores consagrados como José Wilker e Paulo Goulart abriram uma lacuna na TV, assim como Roberto Bolaños, o criador do Chaves, que deixou de luto toda uma geração. Outra despedida sentida foi a de “A grande família”, depois de 14 anos no ar, com um último episódio emocionante.

    O mico de 2014

    O grupo Porta dos Fundos - Divulgação/Thay Rabello

    Desde que estouraram na internet, com vídeos de seus hilários esquetes vistos por milhões de pessoas toda semana, os integrantes do grupo de humor Porta dos Fundos ouviam uma questão ser martelada, entrevista a entrevista: “Quando vocês vão para a TV?”. A resposta era sempre a mesma (ou uma variação dela): a internet servia muito bem aos propósitos da trupe, que só apresentaria um projeto voltado para a TV quando encontrasse algo que fosse diferente e que valesse o salto.

    Por isso, os numerosos fãs ficaram animados quando foi anunciada a parceria do grupo com a Fox e a estreia do programa, em outubro. Depois de tanta expectativa pela chegada do Porta à TV, e com o belo histórico dos artistas na internet, o resultado só poderia ser incrível, certo? Errado. Em vez de um projeto novíssimo e ousado, o Porta dos Fundos na TV era nada menos do que os mesmos esquetes que já vimos na internet, apenas com uma ou outra apresentação nova entre eles. Ainda se espera algo à altura do grupo, que promete inéditos para 2015.

    As apostas para 2015

    Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro nas gravações de “Babilônia”

    A comemoração dos 50 anos da Globo promete uma programação agitada para 2015, com especiais, séries e projetos como o “Luz, câmera, 50 anos”, que abre a celebração em 6 de janeiro: serão 12 minisséries convertidas em telefilmes. Logo depois, no dia 26, vem a aguardada minissérie “Felizes para sempre”, com direção de Fernando Meirelles.

    Outra novidade é a próxima temporada do “CQC”, que estreia com elenco renovado. Dan Stulbach apresentará a atração, que terá ainda os retornos de Rafinha Bastos e Rafael Cortez.

    Entre as novelas, a expectativa é para a estreia de “Babilônia”, às 21h, em março. A trama, que terá Fernanda Montenegro e Nathália Timberg como um casal (foto) marca o retorno de Gilberto Braga aos folhetins após se recuperar de uma cirurgia no coração, em 2011. Gilberto assina a trama com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Outra novela esperada é “Favela chique”, de João Emanuel Carneiro, em outubro. Após “Avenida Brasil”, todos querem saber o que o autor vai tirar da manga.


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    Retrato da escritora americana feito em 1989 - Francisco Rohan Lima / Acervo pessoal

    RIO - Susan Sontag, a maior intelectual ativista do nosso tempo, além de encantadora podia ser bastante desagradável quando impunha uma espécie de rito de passagem àqueles que a entrevistavam. Segundo seus biógrafos, ela reagia com toda a energia verbal de que era capaz a certas indagações porque era extremamente suscetível a interpretações que pudessem pôr em risco a integridade de seu pensamento. Esta era, no dizer de algumas de suas vítimas, uma experiência “majestosa e assustadora”, como um vulcão em erupção.

    Passei por essa experiência no inesquecível verão de 1989. Eu estava nos Estados Unidos, em temporada de estudos jurídicos. Consegui fazer aquela que seria a primeira entrevista de Sontag para um jornal brasileiro, após uma troca de cartas em que ela me indagara onde eu a publicaria. Eu ainda não sabia, mas disse-lhe que haveria uma corrida pela matéria. Ela topou. A preparação para o encontro não foi difícil para mim, já que havia lido todos os seus livros publicados no Brasil, a começar pelo fascinante “Ensaio sobre a fotografia”.

    Ela me recebeu em sua casa de Manhattan numa tarde quente de sábado. A roupa casual que usava não dissimulava a sua imponência, barreira defensiva de seu intelecto colossal. A residência era um prédio inteiro de quatro andares, todos repletos de livros em estantes que iam do teto ao piso de cada um dos pavimentos. Levei flores, uma Pentax semiprofissional, um gravador e um bloco de notas. Durante duas horas fiquei sozinho com aquela mulher que atacava regularmente o governo de seu país, que elogiara, e mais tarde condenara, a Revolução Cubana e a União Soviética. E que colocaria em xeque os intelectuais de esquerda por sua omissão em defender os escritores perseguidos pelos regimes leninistas. Sem falar nos fundamentalistas e intolerantes de todo gênero, que sentiram também o peso de sua voz.

    Feitas as apresentações, sentada em uma gasta poltrona Charles Eames, disse-me que poderíamos começar. Eu não tinha a menor ideia do que estava prestes a acontecer quando, depois de repetir uma frase sua usada no livro sobre fotografia (“Hoje, tudo existe para terminar numa foto”), perguntei se ela de fato acreditava nessa afirmação ou se estava apenas provocando o leitor para o argumento que desenvolvia. Notem bem: nos anos 1970, quando fora escrita, mesmo parafraseando Mallarmé — que no século XIX dissera a mesma coisa em relação aos livros —, poucos achariam que essa ousada frase ficaria de pé. Apesar do brilho, soava especulativa, sem sustentação, parada no ar. Com os diabos, a mulher estava certa! Hoje, com os celulares, sabemos que foi uma profecia, mas, na hora, pareceu-me que considerá-la apenas provocadora fosse um bom começo para a entrevista.

    Foi como se eu tivesse esbarrado num detonador de alta megatonagem. Sontag explodiu. Começou dizendo que era uma pergunta estúpida e passou 20 minutos respondendo. Disse que escrevia a verdade na qual acreditava e que jamais usaria um truque típico de retórica forense para provocar o intelecto dos leitores. Lembrou-me que eu era um advogado e que o uso desses recursos era um cacoete na minha profissão, esta sim, dada a artifícios do tipo. Em seguida, discorreu sobre a retórica na ensaística, no discurso crítico e na oratória. Mesmo que eu tivesse um intelecto poderoso, com informações organizadas e respostas imediatas, teria igualmente sucumbido. Quando Sontag parou para respirar — soa exagerado, mas tive a impressão de que o ataque à minha conotação foi feito sem que ela respirasse —, expliquei as (frágeis) razões para a pergunta e somente aí a fúria abrandou. Encaixei uma segunda questão, indagando se ela conhecia algum livro sobre fotografia mais provocador do que “Ensaio sobre a fotografia”. Ela pareceu convencer-se de que eu não desistiria desse enquadramento e, seca, disse que não.

    O resto é história. Artur Xexéo, então um dos editores do “Jornal do Brasil”, editou a matéria com direito à foto que tirei, e deu chamada na primeira página. Ao longo da entrevista, Sontag, mais relaxada, defendeu os estudantes que, na época, estavam diante dos tanques em Pequim, distinguiu Marx de Lênin no fracasso do comunismo e da queda do muro de Berlim. Abordou a emergente questão ambiental. Falou sobre o seu livro “A Aids e suas metáforas”, uma sequência de “A doença como metáfora”, do qual se disse que Sontag salvou vidas porque teria destroçado os comportamentos nocivos, mesmo os implícitos, sobre a doença trazidos à luz num texto cintilante, feito para o combate. Sobre literatura, contou coisas engraçadas de Umberto Eco. Mas o melhor estava por vir. Disse que gostava de escritores do século XIX e declarou-se encantada com Machado de Assis, que havia lido quando jovem, na versão de W. Grossman para o inglês. Avisou ainda que estava escrevendo um ensaio em que demonstraria que Machado alinhava-se entre os clássicos universais, pois considerava “Brás Cubas” coisa de gênio. E ganhou o coração dos brasileiros. Xexéo comprou a briga e tascou na manchete: “Provocadora, radical e machadiana”. Já eu perdi o debate (hoje ainda acho que a pergunta era boa, afinal, ela gastou muito tempo respondendo), mas ganhei o dia.

    *Francisco Rohan de Lima, advogado e autor de “A razão societária” (Editora Renovar), fez a primeira entrevista de Susan Sontag para um jornal brasileiro


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    A atriz Jennifer Lawrence numa cena do filme “Jogos vorazes” - Divulgação

    RIO - A atriz Jennifer Lawrence está na lista de maiores atores do ano, de acordo com a revista "Forbes". A atriz, de 24 anos, atuou nos dois filmes de maior bilheteria do ano: "Jogos vorazes: A esperança - parte 1" e "X-men: Dias de um futuro esquecido", que juntos arrecadaram US$ 1,4 bilhão em bilheterias mundiais. As informações são do site Contact Music.

    Em segundo lugar na lista da Forbes está Chris Pratt, com "Guardiões da Galáxia", que arrecadou US$ 1,2 bilhão.

    Scarlet Johanssen ficou em terceiro, com uma arrecadação de US$ 1,18 bilhão vinda de três filmes: "Capitão América: O soldado invernal", "Lucy" e "Sob a pele".


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    O ator Christian Bale em cena de “Êxodo — Deuses e reis” - Divulgação / Divulgação

    RIO - Embora seja filmado no Egito, o filme "Êxodo: Deuses e reis" não poderá ser visto por lá. De acordo com o site Deadline, a adaptação de Ridley Scott da história bíblica de Moisés foi banida pelos censores egípcios por conter 'erros históricos'. Alguns dos equívocos apontados por Abdul Sattar Fathi, chefe do conselho de censura estatal, foi o filme retratar Moisés como um general e não um profeta, e o fato de reivindicar aos judeus a construção das pirâmides.

    Além disso, disse Fathi, o filme mostra "os antigos egípcios com uma máfia que perseguia pacíficos judeus". O conselho, então, vetou o filme em "respeito aos sentimentos dos egípcios", afirmou.

    A censura não acontece apenas no Egito. O filme enfrenta problemas semelhantes no Marrocos e em outros países árabes. Este ano, "Noé", outro filme que retratava personagens bíblicos, passou por dificuldades no Oriente Médio.


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    'Rebel heart': seis canções liberadas - Divulgação

    RIO - Uma semana após sua liberação no iTunes, as seis faixas de “Rebel heart”, novo álbum de Madonna, tiveram uma queda dramática nas parada do site de venda digital e ficaram de fora até do top 100 de 2014. Delas, a que se saiu melhor foi “Bitch, I’m Madonna”, colaboração com a rapper Nicki Minaj, que ficou na 188ª posição. Já no site da Amazon, “Living for love”, que deve ser o single do álbum (a ser lançado em março), foi parar na preocupante 529ª posição.

    As canções tiveram o lançamento apressado por causa de um vazamento na internet. O lançamento previsto de "Rebel heart" era março de 2015, mas a estratégia da Live Nation, Interscope Records e Boy Toy Inc., empresas ligadas ao império de Madonna e responsáveis pelo lançamento comercial do trabalho, precisou mudar. Ouça abaixo "Living for love".

    As faixas liberadas são "Living for love", assinada pelo produtor americano Ariel Rechtshaid. Também estão liberadas "Devil pray", "Ghosttown", "Illuminati", "Bitch I'm Madonna" (feat. Nicky Minaj) e "Unapologetic bitch".

    Madonna definiu como “estupro artístico” e “uma forma de terrorismo” o vazamento das canções.

    “Isto é um estupro artístico! Essas faixas sãos demos vazadas, metade delas não fará parte do meu álbum e a outra metade sofreu mudanças e evoluiu. Esta é uma forma de terrorismo. Por que as pessoas querem destruir o processo artístico? Por que roubar? Por que não me dar a oportunidade de terminar e dar o meu melhor?”, escreveu ela em sua conta no Instagram.

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    Emma Watson e Ethan Hawke em 'Regression' - Divulgação

    RIO - Emma Watson deverá aparecer de topless no filme "Regression", informou o jornal "The sun". A atriz de 24 anos tem escolhido papéis bem diferentes para se afastar de sua personagem em "Harry Potter". Ao lado de Meryl Streep e Ethan Hawke, o novo filme conta a história de um pai preso por abusar sexualmente de sua filha, vivida por Watson.

    A atriz também foi notícia este ano ao discursar sobre o feminismo em uma reunião das Nações Unidas, em setembro. Emma Watson participou dos oito filmes da saga "Harry Potter", desde 2001.


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    Os melhores programas do ano - Editoria de arte

    RIO - Sucessos do passado, as novelas “Meu pedacinho de chão” e “O rebu” ganharam remakes inovadores, enquanto séries nacionais, como “Dupla identidade” e “Plano alto”, mostraram que o formato se consolida no Brasil. Com Marcelo Adnet e Marcius Melhem, “Tá no ar” trouxe de volta o humor anárquico, e “Amores roubados” coroou o grande ano de Cauã Reymond. Veja os dez melhores programas de TV do ano:

    ‘O Rebu’, TV Globo, Novela

    A trama escrita por Bráulio Pedroso nos anos 1970 foi transportada para os dias atuais e manteve a ousadia, por contar, na TV aberta, uma história com diversas linhas temporais e narrativas. Com a ajuda de um elenco excelente, os autores George Moura e Sérgio Goldenberg e o diretor José Luiz Villamarim deram ritmo e agilidade ao folhetim das 23h, exibido entre julho e setembro.

    ‘É campeão’, SporTV, Mesa-redonda

    A atração se destacou na Copa do Mundo colocando quatro capitães campeões mundiais para discutir a competição. O argentino Daniel Passarella, o italiano Fabio Cannavaro, o alemão Lothar Matthäus (foto) e o brasileiro Carlos Alberto Torres trouxeram novidade às tradicionais mesas-redondas, levando diferenças culturais à discussão e misturando rivalidade e bom humor.

    ‘Amores roubados’, TV Globo, Minissérie

    O diretor José Luiz Villamarim e o roteirista George Moura já haviam feito sucesso juntos em 2013 com “O canto da Sereia”. Mais uma vez (em janeiro) levaram ao ar uma obra que aliou qualidade e audiência. Cauã Reymond, o protagonista, brilhou e foi o nome do ano, também na série “O caçador”.

    ‘True detective’, HBO, Série

    Entre os muitos fatores que fizeram a série de Nic Pizzolatto a melhor estreia do ano na TV americana está a experimentação de narrativa promovida por ele e pelo diretor Cary Fukunaga, num enredo com linhas de tempo distintas e história intrincada, que estreou também no Brasil em janeiro. O desempenho exemplar e a química dos protagonistas Woody Harrelson e Matthew McConaughey também ajudaram.

    ‘Tá no ar: A TV na TV’, TV Globo, Humorístico

    Resgatando o formato bem-sucedido de programas como “TV Pirata”, o diretor Mauricio Farias e os comediantes Marcelo Adnet e Marcius Melhem levaram à tela um humor contemporâneo, com direito a brincadeiras com a própria TV Globo. A atração, que estreou em abril, criou bordões e personagens icônicos e marcou o primeiro sucesso de Adnet na televisão desde sua saída da MTV.

    ‘Plano alto’, Record, Série

    Escrita por Marcílio de Moraes, a produção, vista entre em setembro e outubro, capturou um momento recente do país, de efervescência política e manifestações populares, e o transformou em boa dramaturgia, com atores competentes, como Gracindo Jr. e Milhem Cortaz. Vale uma lembrança ainda para “Conselho tutelar”, outra ótima série feita pela emissora em 2014.

    ‘Meu pedacinho de chão’, TV Globo, Novela

    A cada capítulo da novela das 18h, no ar de abril a agosto, uma profusão de cores e texturas invadia a tela. Com elementos lúdicos, cenários que remetiam a uma caixa de brinquedos e apenas 20 personagens, o diretor Luiz Fernando Carvalho saiu do lugar-comum e usou a linguagem da fábula e o olhar infantil para contar a trama rural de Benedito Ruy Barbosa, levada ao ar originalmente em 1971. Um trabalho primoroso.

    ‘The tonight show starring Jimmy Fallon’, GNT, Talk-show

    O apresentador de 40 anos assumiu em fevereiro o lugar de Jay Leno na NBC, no horário nobre dos talk-shows americanos, e já promoveu uma chacoalhada no mercado. Mais jovem e antenado que os concorrentes, trouxe um sopro de ar fresco para o formato já um tanto cansado, com quadros que rapidamente se tornam virais. Seu carisma lhe garantiu o topo folgado de audiência no horário.

    ‘Masterchef’, Band, Reality

    O grande trunfo do reality foi ter escolhido bons jurados: o francês Erick Jacquin (foto), a argentina Paola Carosella e o brasileiro Henrique Fogaça chamaram a atenção pelo jeito nada fofo de tratar os competidores... Consagrado lá fora, o formato foi bem implementado no Brasil. A repercussão se refletiu em ótimos índices de audiência, especialmente na final, no último dia 16.

    ‘Dupla identidade’, TV Globo, Série

    A ideia de Gloria Perez era trazer para a TV brasileira um gênero batido lá fora, mas pouco explorado aqui: as tramas de serial killer. Com Bruno Gagliasso no papel principal e direção-geral de Mauro Mendonça Filho, a série de 13 episódios ambientada num Rio soturno, e exibida entre setembro e o último dia 19, fugiu do óbvio e eletrizou o espectador nas noites de sexta com ritmo dinâmico, bons personagens e suspense até o último momento.


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