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    TORONTO — Passa longe de “Coração valente”, o arrasa-quarteirão de Mel Gibson sobre William Wallace e a luta pela independência da Escócia no século XIII. Mas “Legítimo rei”, que fez algum barulho no circuito de festivais e chega nesta sexta-feira ao streaming da Netflix, volta ao mesmo período histórico para contar a história de Robert “the Bruce”, ou Robert I, rei da Escócia entre 1306 e 1329, papel de Chris Pine. O diretor David Mackenzie batizou seu longa, pouco apreciado pela crítica americana, de “épico ultrarrealista”. Pense em muitas cenas de batalhas medievais, sangue e a lama escura da sempre chuvosa Grã-Bretanha. Ator e diretor trabalham afinados e estiveram juntos no faroeste modernoso “A qualquer custo”.

    — Tentei fazer agora um híbrido de épico com um drama mais intimista. A intensidade e as dimensões são, de certa maneira, como as de um faroeste clássico — diz o escocês Mackenzie.

    TVO filme começa com os nobres antes liderados por Wallace decidindo o que fazer contra Eduardo I da Inglaterra. E mostra a ascensão política e moral de Robert e a dificuldade de se unir as elites do norte e do sul da Grã-Bretanha. Para os fãs do filme de Gibson, vencedor de cinco estatuetas do Oscar em 1996, incluindo melhor filme e diretor, vale muito prestar atenção em quando e de que maneira Wallace surge em “Legítimo rei”.

    — Costumo chamar o que David faz de “filme-jazz”, porque há uma estrutura, claro, um roteiro, mas parte-se daí para uma improvisação bem livre. Até porque, no meu caso, não existe uma análise psicanalítica ou uma autobiografia escrita por Robert “the Bruce”. Mergulhei em livros e livros de História para entender o homem e o tempo em que ele vive, mas em muitos momentos o instinto é que definia minhas ações e falas, o que David chama de “erros bem-vindos” — diz Pine.

    79755005_SC - fotos da série Legítimo Rei da Netflix.jpgIntrigas de cortes, rixas motivadas por estereótipos mais ou menos críveis, paixões proibidas, figurino luxuoso, armaduras potentes e uma muy falada cena do protagonista-galã saindo de um lago sem roupa dão algum ritmo a uma das apostas este ano da Netflix em uma superprodução com tiques da era de ouro dos estúdios de Hollywood. A crítica americana, no entanto, se irritou com o sabor vintage de Mackenzie. O “Washington Post” escreveu que o longa termina como um libelo pela libertação de duplo sentido. No filme, a dos escoceses. E, na vida real, a do público, finalmente livre de uma história monótona e excessivamente violenta.

    — Por coerência, as cenas de batalha são mesmo o mais realistas possíveis, com as informações que conseguimos sobre a vida medieval. É, obviamente, para mim, um filme para ser visto no cinema. Porém, com a Netflix, tenho algo que jamais tive antes com um filme meu: a oportunidade de lançar o filme simultaneamente em 191 países mundo afora — diz Mackenzie, que conclui: —Entendo que há uma torcida de nariz para o que o streaming pode fazer com o cinema, mas para mim este processo é uma oportunidade de fazer parte de uma vanguarda estética. Não há a menor possibilidade de que um estúdio convencional financiasse, hoje, um filme como este.

    O repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Toronto


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    RIO — No último filme de Olivier Assayas, “Vidas duplas”, os personagens falam muito e compreendem pouco. É que está todo mundo mais ou menos perdido com as mudanças provocadas pela era digital. Em longos diálogos, eles debatem, brigam e se frustram com a perda de suas antigas referências. E dão algumas risadas também — afinal, é uma comédia.

    A trama gira em torno de um editor de livros (Guillaume Canet) e de um escritor de romances semiautobiográficos (Vincent Macaigne), que sofrem com a ameaça dos e-books e dos novos paradigmas do mercado. O primeiro precisa se reinventar à frente de uma editora tradicional, ainda despreparada para as tecnologias atuais. O segundo vê uma polêmica sobre o seu livro ser amplificada pelas redes sociais, e não compreende como as pessoas podem considerar um tweet uma forma de literatura. Enquanto temem ficar ultrapassados, eles ainda tentam conciliar suas rotinas conjugais com seus affairs românticos.

    Links Fest rioO diretor francês esteve no Festival do Rio para apresentar o longa, que ainda terá mais duas exibições: hoje, às 17h10m, no Estação NET Botafogo, e neste domingo, às 17h20m, no Estação NET Ipanema. A estreia em circuito está garantida, mas ainda sem data.

    — Eu queria ver como essas mudanças afetam os indivíduos, como eles se adaptam ou não, como compreendem ou não — diz Assayas. — A revolução digital transformou nossa maneira de pensar, de funcionar, de reagir, de nos ver como cidadãos.

    Em pauta, pós-verdade, fake news, excesso de informação — temas que poderiam aparecer na cadeira de Teoria da Comunicação de qualquer faculdade de Jornalismo, mas que o cineasta decidiu transformar em objeto dramático e cômico. É, também, uma maneira de problematizar nossos vícios por imagens e nossa dependência das telas dos smartphones. O projeto, aliás, começou como um drama, mas foi ganhando um viés cômico à medida que o roteiro avançou; o novo direcionamento levou à escolha dos atores, todos dotados para a comédia. Completam o elenco principal Juliette Binoche e a humorista Nora Hamzawi.

    79769964_FESTIVAL DO RIO 2018 - 05 DE NOVEMBRO DE 2018 - ODEON - FILME VIDAS DUPLAS NA FOTO O DIRETO.jpgAssim como em outros longas do diretor, como “Irma Vep” (1996) e “Clean” (2004), sobram comentários irônicos sobre a indústria cultural. Especialmente no caso da personagem de Juliette Binoche, um dos mais divertidos. A diva francesa faz o papel de uma atriz que, quando não está atuando em alguma montagem de um texto clássico de Jean Racine, trabalha em séries binge-watching — como são chamados os programas que levam os espectadores a assistir a um episódio após o outro.

    — O que acho perturbador na cultura contemporânea é que as imagens, e isso inclui o cinema, estão se constituindo em torno do vício — diz Assayas, que abordou o tema também em seu último longa, “Personal shopper” (2016). — É o que temos com as séries, os videogames, a informação... Mas não nos damos conta disso porque essa sociedade despreza a reflexão e as ideias abstratas, sendo que são elas que têm a força para nos salvar.

    Nesse quesito, o próprio Assayas diz ser “mais ou menos como todo mundo”, ou seja: um “narcodependente” da informação. Ele está, inclusive, perturbado com a mudança de seus hábitos de leitura e de consumo.

    — Sempre li de dois a três jornais todos os dias desde que era adolescente — conta o diretor. — Ainda assino, mas não tenho mais prazer de ler no papel, só no smartphone. É algo que nunca achei que iria acontecer. Também era um comprador compulsivo de vinil e CD; agora, só compro música pelo iTunes.

    Produção brasileira

    A passagem no Festival do Rio também serviu ao diretor para estreitar ainda mais os seus laços com o Brasil. Em fevereiro de 2019, ele deve rodar em Cuba um longa baseado no livro-reportagem “Os últimos soldados da Guerra Fria”, do brasileiro Fernando Morais. Produzido por Rodrigo Teixeira, e com Wagner Moura (além de Gael García Bernal, Penélope Cruz e Pedro Pascal) no elenco, é a história real de espiões cubanos infiltrados nos EUA com o objetivo de investigar grupos anticastristas. Assayas conta que não chegou a conversar com Morais, mas elogia a pesquisa “exigente e precisa” do autor para o livro.

    — Estou usando o livro mais como um ponto de partida, uma referência para me assegurar da veracidade da história — diz o cineasta. — É uma trama difícil de extrair em filme, pois tem muitos personagens e desdobramentos. Mas ela oferece questões de geopolítica fascinantes, dá para entendera relação complicada que todos temos com a democracia a partir da relação entre Cuba e os EUA.


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    RIO - O cinema pernambucano reafirmou sua posição de prestígio no audiovisual brasileiro com "Azougue Nazaré", que encerrou a competição da Première Brasil do 20º Festival do Rio, nesta quinta-feira. Possivelmente a ficção mais aplaudida da mostra, este é o longa de estreia de Tiago Melo, que havia trabalhado na produção de "Aquarius" (2016), de Kleber Mendonça Filho, e "Boi neon" (2015), de Gabriel Mascaro.

    A vigorosa narrativa, difícil de ser definida, passeia por elementos de terror, comédia e musical — gêneros que sustentam uma trama sobre intolerância (e liberdade) religiosa. "Azougue Nazaré" não é um filme convencional, mas, ao mesmo tempo, é fácil de ser digerido. Exibido na mostra paralela Bright Future, em Roterdã, poderia respeitosamente estar na mostra principal do festival holandês, afirmou a revista "Hollywood Reporter". Links Festival do Rio

    A trama é dividida, principalmente, em dois núcleos: o do maracatu e o evangélico. No primeiro habita Catita (Valmir do Côco), um homem dotado de um vozeirão capaz de proclamar versos improvisados nas rodas musicais. Ele é grande, mas submisso à mulher Darlene (Joana Gatis), que sofre com a ausência constante do marido. Ela condena o maracatu, uma "obra do diabo", porque acredita no discurso do pastor (interpretado por Mestre Barachinha).

    Para o pastor, os dois grupos não podem coexistir. "É verdade que você não gosta de Jesus?", pergunta o pastor para Catita numa cena. "Não tenho nada contra ele", responde o homem, incerto.

    Ator não profissional, Valmir do Côco atribui espontaneidade cômica aos diálogos, ao mesmo tempo em que carrega fragilidade na postura e no olhar. No fim do filme, ele despeja um monólogo que, de tão catártico, beira a brutalidade.

    Um terceiro núcleo, secundário, é responsável pelas sequências mais surrealistas e misteriosas. Este é frequentado por caboclos que rondam canaviais e que podem estar por trás do sumiço de habitantes locais. Eles surgem (e somem) por correntes elétricas.Movimentando-se com rapidez alucinante, capturam transeuntes desprevenidos. A mídia acredita que no comando desse ritual está um pai de santo, morador de uma casa isolada. Como consequência, cria-se na cidade uma atmosfera de paranoia que rapidamente descamba em perseguição religiosa. Tiago Melo trata a aparição dessas figuras com a gravidade do horror, filmando-os como vultos em pesadelos dos moradores.

    "Azougue Nazaré" fechou a Première Brasil depois de passar por algumas mostras internacionais, incluindo o Festival de Mumbai e o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, de onde saiu com o prêmio de melhor direção. Cientes disso, Valmir do Côco e Mestre Barachinha, que estavam presentes na sessão, brindaram a plateia com uma performance musical privada. Eles cantaram uma música que dizia:

    "Neste filme Azougue tem um elenco de respeito / Humilde, simples, direito / Que trabalhou muito bem / Por sinal o filme vem brilhando nos festivais / E onde vejo um cartaz do Azougue eu fico lendo / E quem assiste sai dizendo / Que o filme é bom demais."

    Mais cedo, foi exibida a ficção "A sombra do pai", de Gabriela Amaral Almeida, sobre uma menina que se vê na temida função de cuidar da casa após a morte da mãe e a depressão do pai. O filme já havia sido projetado no Festival de Brasília, em setembro.

    Os vencedores do troféu Redentor da Première Brasil serão conhecidos no próximo domingo.


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    RIO — Chegou às plataformas de streaming, nesta sexta-feira, o novo single dos Backstreet Boys. "Chances" é uma composição dos astros pop Ryan Tedder (do grupo OneRepublic) e Shawn Mendes.

    A faixa, que ganhou clipe, estará em "DNA", o décimo álbum de estúdio da boyband, com lançamento marcado para o dia 25 de janeiro. Em cerca de 15 horas no ar, o vídeo já acumula mais de 500 mil visualizações no YouTube. Veja abaixo: Backstreet Boys - Chances (Official Video)

    Em texto enviado à imprensa, o cantor Kevin Richardson afirmou que em "DNA" o grupo conseguiu "trazer todas as nossas influências e estilos em um trabalho coerente". "Essas músicas são uma ótima representação de quem somos como indivíduos e quem somos como um grupo. É o nosso DNA. Estamos muito orgulhosos disso", garantiu.

    Ainda segundo o comunicado, os Backstreet Boys "analisaram seus perfis individuais de DNA para ver qual elemento crucial cada membro representa no DNA do grupo". Backstreet Boys DNA World Tour Summer 2019 Announcement

    Além de Tedder e Mendes, nomes como Lauv (colaborador de Charli XCX), Andy Grammer, Stuart Crichton (DNCE) e Mike Sabbath (J Balvin) estão na lista de compositores de "DNA".

    Em maio, os Backstreet Boys iniciam a turnê mundial de promoção do disco, com shows marcados em grandes arenas. Até agora, estão confirmadas apenas datas na América do Norte e na Europa — a última visita da banda ao Brasil foi em 2015.

    Formado por Richardson, Howie D, AJ McLean, Nick Carter e Brian Littrell, o grupo já vendeu mais de 100 milhões de discos numa carreira iniciada em 1993, que teve seus tempos de glória na segunda metade da década de 1990.


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    O romance “Entre as mãos”, de Juliana Leite, não conta só a saga de uma tecelã. Traça a história de uma mulher comum que, após um grave acidente, passa por uma redefinição da própria vida. Além de adotar novas atitudes, Magdalena tem de reaprender a lidar com seu corpo, especialmente as mãos, e sua fala.

    É nesse particular que a história contada por Juliana Leite cresce e ganha contornos de perenidade narrativa, indo além da mera fabulação. Sua destreza no manejo da linguagem conduz o leitor até o fim do livro, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura deste ano.

    Prêmio Sesc

    Em determinado trecho, Juliana chega a dizer, referindo-se à saga da sua protagonista, que é “preciso escolher por onde recomeçar”. Esta relação de começo e recomeço marca a confluência de Magdalena com a nossa realidade. Não só por ser uma personagem “do povo”, mas pela situação atual da mulher na sociedade brasileira, sua luta pela sobrevivência e pela postulação do lugar feminino — sem esquecer os demônios a vencer que são o lugar da afetividade, do corpo e da condição de ir e vir.

    Minúcia que humaniza

    Tudo isso diz respeito ao que vamos absorvendo em “Entre as mãos”, escrita de maneira direta e com certa eficiência lógica que nos faz vencer os obstáculos narrativos. Sobretudo na parte inicial, no capítulo “Trama”, o leitor é submetido a um processo de ida e vinda para entender exatamente onde a personagem e a autora querem chegar.

    Costurando cenas do antes e depois do acidente, a voz narrativa detalha o atropelamento, o coma, a operação, a fisioterapia, as dosagens dos remédios, o cuidado da alimentação, a estranha volta para casa, o primeiro banho, a ajuda de uma “tia doida”. Nessa minúcia, aos poucos nos damos conta que estamos diante de uma história envolvente e comovente.

    Nas duas últimas partes do livro — os capítulos “Avesso” e “Linhas soltas” —, o leitor tem mais clareza sobre o estado psicológico da personagem. No pós-acidente, as dificuldades do dia a dia (como pegar um ônibus, pagar aluguel, se não tem como trabalhar?) trazem mais sentido a tudo o que se lê.

    A própria abertura do livro, sobre o cheiro da laranja, demonstra o acerto da escolha do enredo — afinal, é uma operadora que lida com as mãos, onde estabelece toda a parte táctil da sua existência e da afetividade, sensorial e corporal.

    O ato de reaprender a falar, a lidar com as mãos e o corpo mutilado (e, portanto, ressignificar a si própria), é um movimento de ousadia não só da personagem, mas da própria escritora. Juliana trouxe para o cenário coletivo da fabulação uma história de resiliência, que se confunde com a vida de muitas mulheres, no redemoinho que perpassa a questão de gênero e do empreendedorismo feminino.

    Vidas vividas

    A sobrevida da protagonista deste romance, avivada pelo grave acidente que sofre, é a luta vivida por milhares de magdalenas Brasil afora. São mulheres fadadas aos diários acidentes reais e imaginários, sendo vítimas preferenciais, cujas consequências históricas nos fazem reféns de um corolário de grandes batalhas.

    Com este romance, Juliana Leite pisa bem pisado no seleto (falando de qualidade) mundo competitivo da literatura de ficção. Seu “Entre as mãos” marca não só a história da sobrevivência de uma grande personagem, mas da sua própria sobrevivência como escritora.

    Tom Farias é jornalista e escritor.

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    “Entre as mãos”

    Autora: Juliana Leite Editora: Record

    Páginas: 256

    Preço: R$ 42,90 Cotação: Ótimo


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    Isolada em uma área remota entre Acre e Peru, a tribo ashaninka do Rio Amônia quer, justamente, aparecer mais. Suas lideranças veem na produção e difusão de fotos pela própria tribo uma ferramenta de comunicação, defesa de direitos e preservação de sua cultura .

    Com este pensamento, os ashaninka buscaram o fotógrafo Pedro Kuperman para aprender seu ofício. Em parceria com o Instituto-E e a Unesco, ele tem desenvolvido oficinas de fotografia na tribo. A terceira delas, bancada com crowdfundinge participação de Jaqueline Todescato, foi em setembro — e o resultado você vê abaixo.

    — O resultado disso a gente pode ver no futuro — diz Kuperman. — Eles poderão utilizar a fotografia como mais uma forma de expressão artística, entre as várias que possuem, como linguagem para representar sua cosmologia e mesmo como ferramenta de documentação e denúncia.

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    RIO — Euclides da Cunha (1866-1909) será o autor homenageado da próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A nova curadora, Fernanda Diamant, já havia indicado que em 2019 o evento teria foco maior na literatura de não ficção, o que se confirma agora com o anúncio do engenheiro, jornalista, imortal da ABL e autor de "Os sertões" (1902).

    Considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, ele trata da Guerra de Canudos (1896-1897), conflito entre os seguidores de Antônio Conselheiro e o Exército Brasileiro que o escritor presenciou como correspondente do jornal "O Estado de S. Paulo". Para Fernanda, a obra-prima de Euclides tem muito a dizer sobre o momento atual do país: Euclides discute uma série de assuntos muito pertinentes para este momento do Brasil, como o papel do Exército, a questão dos migrantes da seca, a identidade nacional. É um ponto de vista que reverbera hoje no que somos como país hoje.

    — Ele faz grande literatura de não ficção, unindo jornalismo, filosofia e história na narrativa de um conflito. Mas também discute uma série de assuntos muito pertinentes para este momento do Brasil, como o papel do Exército, a questão dos migrantes da seca, a identidade nacional. — diz Fernanda. — É um ponto de vista distanciado, mas que reverbera ainda hoje no que somos como país.

    A nove meses do evento, marcado para 10 a 14 de julho na cidade histórica, ainda é cedo para falar em programação, mas Fernanda sinaliza que, assim como foi feito neste ano com Hilda Hilst, devem ser exploradas várias facetas da obra do homenageado.Flip Euclides 2018

    A série de textos de Euclides sobre a Amazônia, cadernos de desenhos e outras reportagens devem influenciar na formação das mesas de discussão. Obras que tiveram influência do autor carioca, como a prosa de Guimarães Rosa e o filme "Deus e o Diabo na terra do sol" (1964), de Glauber Rocha, também devem ser usadas para aproximar o escritor do século XIX com o público do século XXI.

    — É preciso contextualizar algumas passagens, como as teorias deterministas que Euclides apresenta, hoje totalmente ultrapassadas. Mas também destacar a transformação por que Euclides passa e aparece no livro. Ele foi lá cobrir a guerra achando que a República estava fazendo o bem, aos poucos entende como é difícil a vida dos sertanejos e ao final se dá conta que é testemunha de um massacre.

    Fernanda, uma das editoras da revista de resenhas "Quatro cinco um", trabalhava na produção do Teatro Oficina Uzyna Uzona no início da década passada, quando a companhia de São Paulo encenou uma série de espetáculos baseados em "Os sertões". Links literatura

    — Já tinha essa relação com o autor, que considero um nome fundamental das nossas letras, e fico muito satisfeita que ele seja o homenageado.


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    RIO - Em “As horas vermelhas” (Ed. Planeta), segundo romance da escritora americana Leni Zumas, o aborto foi completamente proibido nos Estados Unidos e um “muro rosa” impede que mulheres atravessem a fronteira do Canadá em busca do procedimento. Além disso, grávidas que perdem bebês de forma espontânea são obrigadas a pagar por funerais para seus fetos, a fertilização in vitro foi abandonada, e pessoas solteiras não podem mais adotar crianças, devido à aprovação de uma lei chamada Toda Criança Precisa de Dois.

    A origem de tanta “criatividade”, a autora revela, é menos dela e mais de parlamentares americanos que já sugeriram diversas propostas de leis similares, com as quais ela tem se deparado desde 2010.

    — Na época, estava tentando engravidar e tendo problemas com infertilidade. Estava indo a consultas médicas, lidando com a minha ansiedade e ao mesmo tempo pensando em questões maiores, sobre por que as pessoas querem ser mães ou não e até que ponto pressões históricas e culturais interferem nisso — conta a escritora, que, conforme explica na sequência, não imaginava que o assunto fosse ficar tão relevante diante do fortalecimento, de um lado, do conservadorismo na política e, do outro, de movimentos feministas do momento como o #MeToo.

    O timing de ‘As horas vermelhas’

    “Quando eu estava escrevendo o livro, pensava que algo assim poderia acontecer mas ainda soava como marginal. Agora, com Brett Kavanaugh (jurista conservador acusado de assédio sexual por diversas mulheres e apontado por Trump para a Suprema Corte) confirmado para a Suprema Corte, eu acho que Roe vs. Wade (jurisprudência que reconheceu o direito ao aborto nos EUA) pode ser derrubada. O caminho para isso acontecer está livre. E também há muitas mulheres que, por não ter dinheiro ou morarem longe de uma clínica, já não têm acesso ao aborto. Então já está acontecendo. Fico feliz que “As horas vermelhas” possa contribuir para uma conversa maior sobre direitos reprodutivos e controle do corpo feminino, mas ao mesmo tempo odeio o fato de que o livro seja mais relevante porque Donald Trump é presidente. Se eu pudesse escolher entre outra pessoa ser presidente e meu livro ser menos relevante, preferiria. Imagino que muitos brasileiros sintam o mesmo em relação a Jair Bolsonaro agora, porque ele parece ser como Trump.” 79754158_SC - Livro As horas vermelhas de Leni Zumas.jpg

    Trump e mulheres no Congresso

    “Estamos tendo os midterms (votação de meio de mandato, que acontecia no dia da entrevista) e eu sinto muito medo hoje. Meu corpo inteiro está tomado de terror. Dois anos atrás, no dia em que Trump foi eleito, eu estava assistindo à TV e não podia acreditar. Depois dessa experiência, nunca mais vou me sentir muito confiante. Mas realmente acho que ter mais mulheres na política mudaria as coisas quanto aos direitos reprodutivos, mesmo que também tenhamos mulheres que são antiescolha. Se nós tivéssemos mais representantes, elas fariam disso uma prioridade. Políticos homens, mesmo os progressistas, não vão correr riscos por causa disso.”

    Feminismo no ‘mainstream’

    “Uma das coisas que me preocupa sobre esse abraço do feminismo no mainstream é que as pessoas às vezes pensam que nós já derrubamos o patriarcado por causa disso. É ridículo, porque o patriarcado está vivo e respira bem. Recentemente, li uma resenha sobre um livro de Jill Soloway (escritora não-binária e criadora da série de TV ‘Transparent’), que dizia o seguinte: ‘alguns anos atrás Jill Soloway disse que iria derrubar o patriarcado e olha o que aconteceu, o #MeToo!’. Fiquei perplexa. O #MeToo é muito importante e fico feliz que tenha acontecido, mas não resolve tudo. Temos tanto ainda a caminhar até realmente ter equidade. Nós não temos mesmo sequer salários iguais aos dos homens pelo mesmo trabalho. Temo que as pessoas fiquem complacentes e achem que já resolvemos tudo quando falamos de feminismo, quando na verdade é mais um começo do que o fim”.

    O boom das ‘distopias feministas’

    “Há vários livros que estão sendo chamados de distopias feministas, assim como o meu, mas é cedo para saber se isso é um movimento ou não. É da natureza do mercado editorial colocar as coisas numa caixa, mas é melhor que isso seja uma tendência do que algo mais previsível. Porém, quando eu estava escrevendo, não pensei no livro como uma distopia. Meu problema com esse rótulo é que dá às pessoas a impressão de que o que está no romance é algo muito distante e que não vai acontecer, ao invés de algo que possa virar realidade em três meses. Acho que corro o risco de decepcionar fãs de sci-fi, porque o que escrevi é intencionalmente mundano. Por isso, queria personagens que não fossem politicamente engajados. Mesmo a personagem que dá aulas de História não achava que tudo aquilo iria realmente acontecer. Estou interessada em ver como as pessoas estão acordando para a realidade do cenário político. Para isso, é preciso reconhecer que as coisas estão ficando ruins, em vez de achar que os políticos não vão fazer o que prometem.”

    “As horas vermelhas: para que servem as mulheres?"

    Autora: Leni Zumas.

    Tradução: Isa Prospero.

    Editora: Planeta.

    Páginas: 336.

    Preço: R$ 49,90.


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    RIO — Anitta já começa a colher os resultados do lançamento do projeto ‘Solo’, realizado nesta sexta-feira (9). O trio de vídeos formado por “Veneno”, “Não perco meu tempo” e “Goals” já tem cerca de 500 mil visualizações cada um, com apenas quatro horas desde sua chegada ao YouTube, ao meio-dia. A ideias de cada gravação vieram dela, que diz buscar maneiras inovadoras para surpreender o público.

    Anitta se cobriu com dezenas de cobras para a canção em espanhol “Veneno”, a primeira das três que gravou. Outro destaque está em “Não perco meu tempo”, em português, na qual ela beija 24 pessoas de diferentes gêneros, sexualidades, alturas, pesos, cores e estilos. A ideia foi inspirada na exposição performática “A artista está presente” da sérvia Marina Abramovic, apresentada no Museu de Arte Moderna de Nova York em 2010.

    - Eu me encantei desde o primeiro momento em que vi (a exposição). Ela ficava de frente encarando todas as pessoas que entravam no local e deixava a emoção fluir. Eu sempre busco referências em filmes e outras artes, no geral. Tento ao máximo de distanciar de outras produções musicais - conta.

    A ideia de lançar o formato EP veio da demanda do público brasileiro, que sempre pedia música nos três idiomas, de acordo com Anitta. No exterior, a situação é um pouco diferente porque “os empresários ficam encantados com o português, mas isso não se reflete nas pessoas, que preferem inglês e espanhol”, conta. Para não perder as oportunidades, ela já tem um acervo com músicas gravadas nos três idiomas e com videoclipes prontos.

    - Eu sempre espero o resultado do projeto atual, como o público recepciona e todo o alcance que ele tem. Sim, já tenho canções para serem lançadas ano que vem. Ainda não sei quando, mas estão certas, o clipe já tá pronto e foi caro - diz, em tom de brincadeira.

    Ainda de acordo com Anitta, mesmo com idiomas distintos, as faixas buscam trazer empoderamento, amor próprio e valorização. A ideia inicial para compor o trio veio com “Goals”, presenteada pelo produtor e astro pop americano Pharrell Williams. Nesse momento, ela afirmou ter se dado conta da proximidade com “Veneno”: “As duas têm características similares, como a poesia e a melodia forte”, acredita.


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    NOVA YORK — Após meses de expectativa, a Disney anunciou nesta quinta-feira mais detalhes sobre o seu serviço de streaming, além de um nome: o serviço se chamará "Disney+". Segundo Robert Iger, CEO da empresa, o rival da Netflix será lançado no final de 2019.

    O "Disney+" contará com produções audiovisuais das principais marcas pertencentes ao grupo americano, com títulos da Disney, Pixar, Marvel e Star Wars. Além disso, terá também em sua lista programas do National Geographic, após a aquisição da 21st Century Fox pela Disney ser consolidada.

    linksEmbora o nome pareça uma escolha previsível, sua escolha foi feita pensando em estratégias de conteúdo, já que a Disney é uma marca global. É uma forma de dar credibilidade ao novo serviço de entretenimento e fazer com que consumidores queiram investir nele mensalmente, como afirma a "Vulture".

    Durante o anúncio feito por Iger, o executivo antecipou uma série prequel do filme "Rogue one: uma história Star Wars", que será conteúdo exclusivo na futura plataforma de streaming. A série mostrará as aventuras do espião rebelde Cassian Andor, interpretado por Diego Luna.

    Com isso, essa será a segunda produção audiovisual baseada no universo de Star Wars criada especialmente para o serviço.

    Anteriormente, havia sido anunciado que o diretor Jon Favreau estaria à frente de "The mandalorian", série live-action envolvendo os personagens Jango e Boba Fett, segundo o site "Deadline", de Hollywood. As séries começarão a ser produzidas pela Lucasfilm, no próximo ano.


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    RIO, SÃO PAULO E SALVADOR — No ano em que a exposição “Queermuseu” mostrou para o grande público que obras de temática LGBTI podem ser dignas de museu, o resultado das urnas trouxe expectativa quanto ao futuro desse tipo de arte no Brasil. Mas o país já tem tradição neste quesito: pode se orgulhar, por exemplo, de ter o primeiro equipamento cultural da América Latina relacionado ao assunto — o Museu da Diversidade Sexual, criado em 2012 em São Paulo — e diversos acervos que abarcam trabalhos sobre o tema.

    Para especialistas e responsáveis por museus, ainda que haja motivo para preocupação com o novo governo, que tem um discurso conservador em relação aos costumes, há pouco risco deste tipo de acervo ter que voltar para o armário. Links Queermuseu

    — Os movimentos LGBTI se fortalecem nos períodos politicamente complicados. Basta lembrar que começaram com a Aids, nos anos 1980. Acho que não haverá muita alteração com as mudanças na política, pois a homofobia é cultural. E a militância está cada vez mais forte — defende o museólogo e mestrando em Antropologia Tony Boita.

    As dificuldades sempre estiveram à mesa. Boita observa que há museus tradicionais interessados em debater a homolesbotransfobia em suas agendas. Mas as reações que resultaram na censura de “Queermuseu” em Porto Alegre, em 2017 (e que, no contragolpe, resultaram na montagem no Rio em setembro deste ano), funcionaram como um alerta:

    — Espaços consagrados e mais eruditos têm receio de trabalhar essa temática porque são historicamente mais conservadores.

    Dono de vasto acervo relacionado a questões de gênero, inclusive ligados à Constituinte de 1988, o tradicional Museu da República, no Rio, foge a essa tendência. De 2008 para cá, já desenvolveu seis eventos voltados para a temática LGBT, entre eles “Clóvis Bornay — 100 anos/Homofobia e Memória LGBTI” (2016). Veja obras da mostra 'Queermuseu'

    — Os museus vêm buscando se consolidar como espaços que contribuam para uma sociedade mais solidária — diz Marcelo Araújo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). — Se a política brasileira vai influenciar nisso a partir de agora, vamos ter que esperar para ver.

    No mundo, já são mais de 100 museus e iniciativas museológicas que abordam a questão LGBTI. As contas são de Boita, que elaborou uma cartografia desses espaços. O primeiro foi o Tucson Gay Museum, nos EUA, de 1968. De lá para cá, surgiram muitos outros, como o El Museu Travesti, no Peru, e o Charlotte Museum Trust, dedicado à cultura lésbica, na Nova Zelândia.

    O Brasil aparece bem no mapa. Inaugurado em 2012, o Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, foi um dos primeiros com essa abordagem no mundo. Na época, só havia o Schwules Museum, em Berlim, com o mesmo recorte.

    A ideia do museu remonta ao início da Parada do Orgulho LGBT, quando muito se falou sobre a necessidade de preservar a memória de uma geração que viveu a fase mais aguda da Aids, nos anos 1980 e 1990. WhatsApp Image 2018-07-28 at 6.18.12 PM.jpeg

    Franco Reinaudo fazia parte do grupo de artistas e jornalistas que se uniu para evitar que o legado de pessoas vitimadas pela doença se perdesse. Mas, ali, a iniciativa não vingou. Em 2009, ele foi convidado pelo então prefeito Gilberto Kassab para assumir a secretaria municipal da Diversidade Sexual. E o sonho do museu se concretizou. Não a toa, o espaço escolhido foi a estação República. Lá aconteceu, em 2000, o assassinato de Edson Néris da Silva, espancado até a morte apenas por andar de mãos dadas com o namorado.

    — Foi o primeiro caso julgado como crime de ódio relacionado à homofobia — diz Reinaudo, gerente da instituição.

    Hoje, o museu faz pelo menos três exposições por ano, e viaja com algumas delas, com um orçamento de R$ 400 mil e cinco funcionários.

    — Fazemos questão que aqui não tenha catraca. Nossa filosofia é: deixar a porta aberta. E aí passa de tudo, quem gosta e quem não gosta da gente. Tem pichação, bateção de bíblia, tem quem entre pra xingar e sai. Mas achamos que é isso aí.

    Mesmo no auge da tensão durante o período das eleições, não houve nenhum incidente mais grave.

    — O que teve foi muita gente preocupada conosco por causa de episódios de violência — observa Reinaudo, para em seguida ponderar: — O preconceito já faz parte do nosso dia a dia. Nas pequenas coisas, nos patrocínios, em todas as relações.

    É a mesma sensação dos responsáveis pelo Museu da Sexualidade, em Salvador.

    — Quando se trata de falar sobre o tema abertamente, ou de fazer uma exposição, ninguém quer associar sua imagem a ele. Os governantes não querem perder votos — diz o curador da iniciativa baiana, Cristiano Santos, sobre a dificuldade de apoios.


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    RIO - Qual a relação entre um mito indígena que explica a essência da vida a partir de uma “serpente dupla” e a molécula do DNA? Para o antropólogo suíço-canadense Jeremy Narby, ambos representam o mesmo princípio: a origem da vida. Porém, enquanto a estrutura de dupla hélice que guarda nossos genes foi descoberta pelos cientistas James Watson e Francis Crick em 1953, as “serpentes cósmicas” já são conhecidas por povos indígenas há milênios.

    A partir de terça-feira (13), o Teatro do Jardim Botânico recebe o ciclo de palestras “Selvagem”, que vai reunir xamãs, índios, pesquisadores e cientistas em conversas abertas ao público. Com mediação de Ailton Krenak, os debatedores vão refletir sobre os diferentes conceitos de vida. Narby participará de uma mesa que terá ainda a presença do xamã ashaninka Moisés Piyãko e do astrofísico Gustavo Porto de Mello. Também participarão do evento que vai até quarta-feira (14) nomes como Sérgio Besserman, Emanuele Coccia e Els Lagrou.

    Como surgiu seu interesse pelos saberes dos indígenas amazônicos?

    Fiz meu trabalho de campo inicial de 1984 a 1986 no Vale do Pichis, na Amazônia peruana. Isso consistia principalmente em viver em tempo integral em uma comunidade ashaninka chamada Quirishari. Como um jovem ocidental treinado na universidade, essa experiência mudou minha vida. A Amazônia peruana é um dos lugares biologicamente mais diversos da Terra. Mesmo assim, eles tinham nomes em sua língua para quase todas as espécies de plantas, um conhecimento enciclopédico do mundo ao seu redor. Eles eram como cientistas descalços. Entender isso me levou a ultrapassar preconceitos. Conheci ainda povos diferentes como os awajun, shawi, matsigenka e kukama-kukamiria. É importante observar que existe uma enorme diversidade cultural entre os indígenas amazônicos.

    Que paralelos encontrou entre os saberes dos ashaninka e o ocidental?

    Os ashaninka estavam interessados nas plantas e nos animais na floresta tropical por razões práticas. Usavam como alimentos, remédios, materiais de construção, cosméticos. E eram pragmáticos, queriam coisas que funcionassem — plantas que acelerassem cicatrização, curassem diarreia ou dor nas costas. Eles eram como cientistas empíricos que estavam sempre testando coisas, formulando novas hipóteses e executando pequenos experimentos. Mas, ao contrário dos nossos cientistas, eles não fazem testes cegos, nem trabalharam em laboratórios esterilizados. E usam estados alterados de consciência, trabalhando com o tabaco e a ayahuasca, para estimular sua busca por remédios e resultados.

    Qual a importância dessas plantas psicotrópicas para eles?

    Os ashaninka consideram essas plantas seres poderosos que lhes permitem ver os maninkari (espíritos invisíveis) que animam todos os organismos vivos. Isso lhes dá acesso a importantes conhecimentos sobre a vida, como o parentesco fundamental que compartilhamos com outras espécies vivas, como curar pessoas ou pensar sobre relações humanas. Na visão ashaninka, essas plantas permitem que eles vivam bem. Mas eles também estão certos de que essas plantas mestres têm um lado sombrio e precisam ser usadas com respeito e know-how. Do contrário, podem enganar as pessoas e levá-las a causar danos aos outros.

    O transe alucinógeno é uma espécie de investigação científica para eles?

    Aqui estou respondendo sua pergunta em nome dos ashaninka, ao passo que é claro que seria melhor perguntar diretamente a eles. Há pessoas ashaninka no Brasil, e seria fácil fazê-lo. Ainda assim, a sua pergunta é boa, e eu diria que sim, para eles, o objetivo de consumir plantas alucinógenas é aprender mais sobre o mundo. Eles tomam ayahuasca porque querem enxergar.

    Como foi sua relação com o uso dessas substâncias?

    Minha experiência pessoal com a ayahuasca, sob a orientação de um ashaninka ayahuasquero, em 1985, mudou minha percepção da realidade. Antes, eu era um humanista racionalista materialista. Depois disso, soube que essa era uma perspectiva limitada e antropocêntrica. A ayahuasca mostrou minhas pressuposições sobre o mundo e acabou atuando como um antídoto ao antropocentrismo da antropologia.

    Em seu livro, você cria um paralelo entre o DNA e o mito da serpente cósmica dos ashaninka. Como é isso?

    Serpentes mitológicas podem ser simples e duplas, pequenas e grandes, fontes de vida e mestres de transformação. As moléculas de DNA são precisamente entidades simples e duplas em forma de serpente, que são minúsculas e longas, e que detêm a chave para a vida e suas múltiplas transformações. Embora a molécula de DNA tenha apenas dez átomos de largura, se todos os fios de DNA em seu corpo fossem alinhados, eles se estenderiam por 200 bilhões de quilômetros — o suficiente para envolver o planeta 5 milhões de vezes. Essas são proporções mitológicas.

    E o que os ashaninka pensam sobre a ciência ocidental?

    A maioria dos povos indígenas com quem falei está um pouco perplexa com os cientistas e sua maneira de operar. A ciência se apresenta como um desejo de conhecimento para o bem comum, mas transforma as coisas em produtos comercializáveis e mantém os lucros para si. Os povos indígenas não se opõem ao conhecimento do bem comum ou dos produtos comercializáveis, mas tendem a pensar que os lucros devem ser compartilhados.


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    RIO — Morreu neste sábado o americano John Rogers, presidente da convenção internacional de cultura pop Comic-Con desde 1986. A notícia foi confirmada pelas redes sociais da empresa. Rogers não resistiu a um glioblastoma, tipo mais agressivo de tumor cerebral.

    "Como nosso presidente mais longevo, o mandato de John fez com a Comic-Con crescesse de um grupo seleto de fãs para a maior e mais prestigiada convenção do gênero no mundo", lembrou a conta oficial do evento no Twitter. ohn Rogers

    Rogers Comic Con

    Rogers deixa a mulher Janet Tait. A família pediu para que os fãs façam doações para a Associação Americana de Tumor Cerebral ou para a União Americana pelas liberdades civis. Links Comic Con

    O executivo trabalhava para o evento desde 1978. Nesse intervalo, a Comic-Con deixou de ser um evento local em San Diego, Califórnia, para cerca de 5 mil pessoas, e virou um fenômeno internacional, atraindo cerca de 130 mil fãs anualmente. Rogers trabalhava ainda como engenheiro de software numa empresa local de telecomunicações.

    Nos últimos anos, a Comic-Con passou a ser um evento global, com edições em diversos países. No Brasil, a Comic Con Experience acontece anualmente desde 2014, em São Paulo. Sua quinta edição será realizada entre os dias 6 e 9 de dezembro.


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    RIO — Davi Kopenawale, xamã e líder político dos índios yanomami, estava triste. Ou pelo menos se dizia, para logo emendar com contraditória alegria e elogios rasgados à obra da fotógrafa Claudia Andujar, quando entrevistado por jornalistas em 2015. Acontecia, à época, a inauguração no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, da galeria dedicada aos trabalhos da artista, nascida na Suíça e radicada no Brasil desde a década de 1950, que por 30 anos se dedicou a registrar a vida da tribo indígena brasileira. A “tristeza” vinha dum choque entre culturas: para os yanomami, ter seu registro fotográfico é algo complicado. Quando alguém da tribo morre, todos os objetos relacionados à pessoa em questão são destruídos, incluindo as imagens, associadas a sua própria existência. Imagina lidar com a eternidade das fotos? Andujar conseguiu. Conciliou desejos e culturas. E tal proposta de questões que ultrapassam a arte em sua produção é uma das abordagens da nova série que o canal Curta! estreia em sua grade na próxima terça, dia 13, “Inhotim Arte Presente”.

    Ao todo, serão dez episódios de 52 minutos, dirigidos pelo cineasta carioca Pedro Urano, sobre arte contemporânea em suas múltiplas linguagens, tendo como ponto de partida a obra exposta por artistas no centro de arte a céu aberto de Minas Gerais. E Pedro Urano já tem material para três outros episódios, de uma futura série, sobre o jardim botânico, a arte e a natureza de Inhotim.Links Inhotim

    Cada episódio de “Inhotim Arte Presente” dará conta do trabalho de um artista: além de Claudia Andujar, Tunga, Olafur Eliasson, Giuseppe Penone, Cildo Meireles, Matthew Barney, Miguel Rio Branco, Rirkrit Tiravanija, Jorge Macchi e Chris Burden. Todos nomes já consagrados nas artes e, à exceção de Tunga (falecido em 2016, durante o processo de produção da série), ainda vivos.

    — A Claudia é um caso peculiar na arte. Ela se apaixona por seu objeto a ponto de, em determinado momento, parar de fotografar e virar ativista. Os programas ultrapassam o escopo da arte para tratar de temas da atualidade. Como a questão dos índios da Claudia ou a relação muito peculiar da arte com ativismo presente nas obras do dinamarquês Olafur, que investiu em questões de refugiados e efeitos das mudanças climáticas — explica Pedro, que além do “mergulho” em Inhotim, onde acompanhou a instalação de obras e montagem de galerias, visitou os estúdios e casas dos artistas em diferentes países, fazendo entrevistas e garimpando imagens raras de arquivo. Teaser da série ‘Inhotim Arte Presente’

    No ateliê de Tunga (que não quis ter imagens suas, no hospital, gravadas), Pedro descobriu, por exemplo, um vídeo inédito cujas imagens serão exibidas no programa sobre o artista que abrirá a série. Nele, Tunga está em sua casa, nos anos 1980, fazendo “alquimia”, misturando elementos e formas que hoje são reconhecidas em suas obras em Inhotim (lá, o artista pernambucano é homenageado na galeria True Rouge, que expõe uma instalação feita de objetos pendentes com líquidos vermelhos ).

    — Tunga era eloquente, sempre foi muito sedutor, com uma obra que passava pela palavra. No programa, mostramos este lado. Sem tom memorialista, mas com imagens de arquivo de Tunga em diferentes épocas — diz Pedro, que conheceu o artista em 2004, quando fez a fotografia do curta-metragem “Quimera”, e, para o episódio, entrevistou críticos de arte, como Suely Rolnik e Paulo Sergio Duarte, e o artista Arnaldo Antunes.

    “Inhotim Arte Presente” irá ao ar, no Curta!, às terças, às 23h, com reexibições ao longo da semana.


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    RIO — O músico francês Stéphane San Juan pede desculpas por uma possível dificuldade na comunicação. “Meu português está meio enferrujado”, alega, humildemente. A fluência, conquistado na longa temporada em que morou no Rio de Janeiro, segue em dia, assim como a admiração pelo país que o acolheu entre 2002 e 2017, onde acumulou, como baterista ou percussionista, uma lista invejável de parceiros de palco e estúdio — Caetano Veloso, Elza Soares, João Donato, Tulipa Ruiz, Maria Gadú, Erasmo Carlos e Vanessa da Mata, para citar só alguns. Lançado em outubro, “Saved by the drums”, seu segundo disco solo, é, inclusive, um desfecho afetivo dessa vivência.

    — Eu tinha que sair do Rio com um registro. Queria ter mais um disco gravado com amigos, com músicos que gravei muito (Kassin, Zé Manoel, Gustavo Ruiz e Rogê são alguns dos parceiros). Dentro disso, tem todo um contexto espiritual. É dedicado ao meu mestre Wilson das Neves (1936-2017), com quem tive um relacionamento transformador. Ter conhecido Wilson foi descobrir um Brasil de várias gerações — derrete-se San Juan, que fincou residência em Nova York, ao falar do padrinho musical. Links Stéphane San Juan

    Das Neves é influência clara ao longo do álbum de oito faixas. Ele divide o microfone com San Juan na versão franco-brasileira de “O dia em que o morro descer e não for carnaval”, batizada de “Le jour où descendra la favela et que ce ne sera pas le carnaval”, cujos versos em francês ganharam aprovação do letrista Paulo César Pinheiro. Já “Eleguá”, que abre o disco, remete diretamente ao ifá, culto da religião iorubá apresentado a San Juan por Das Neves — a iniciação do francês foi feita pelo também percussionista Zéro Telles, que participa de duas faixas.

    — As religiões afrobrasileiras são muito ligadas à música e ao ritmo. Só tocando, eu senti que estava perdendo metade do papo, então procurei me descobrir nesse universo, praticando-o. Naturalmente, isso entrou na minha música — revela San Juan, que já tinha vivido experiências espirituais parecidas durante o período que morou no Mali, quando tocou com a dupla Amadou & Mariam.

    Além da espiritualidade e das memórias, foram os ritmos estudados ao longo de sua trajetória musical que guiaram o músico em “Saved by the drums”. Estão ali, por exemplo, os cubanos guaguancó e bembé (em “Tranquille”, com Kassin), batuques de influência camaronesa (em “Mon papa etait la”, com o baixista brasileiro Guto Wirtti e o trompetista virtuose americano Michael Leonhart), além, claro, do samba, que volta em “A voz que não se cala”, dobradinha com Rogê. Saved by the drums

    O gênero brasileiríssimo se tornou uma das grandes paixões de San Juan que, por anos, fez parte da bateria da Império Serrano, escola que tinha Wilson das Neves como baluarte. A experiência carregando seu instrumento na avenida, conta o francês, se mostrou fundamental quando ele foi chamado às pressas para integrar, em junho, a banda do talking head David Byrne na celebrada turnê “American utopia”, que conquistou os brasileiros ao estrear por aqui em março (relembre como foi). No show visionário, Byrne e seus 11 músicos (três deles brasileiros) exploram o palco sem posição fixa, em performances coreografadas e instrumentos sem fio.

    — Nunca vi nada igual. Esse show é uma revolução na música e no jeito de se pensar um show. Acho que vai ter um antes e depois de “American utopia”. David está fazendo shows de alto nível desde os anos 1970 e vê-lo sempre buscando algo novo, tendo e realizando ideias geniais, é muito motivador — comemora San Juan, direto de Hong Kong, onde Byrne e companhia se apresentaram neste sábado.


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    RIO - Escondida entre um vale, com uma misteriosa fonte com propriedades curativas e sem sinal de celular. Assim é Serro Azul, cenário de “O sétimo guardião”, novela das 21h que estreia nesta segunda-feira na Globo. A cidadezinha é a mais nova adição ao “condado fictício” de Aguinaldo Silva, termo que o próprio autor usa para se referir ao conjunto de cidades imaginárias em que situou boa parte de suas novelas, como “A indomada” (1997), “Fera ferida” (1993) e “Pedra sobre pedra” (1992). Isoladas em algum lugar entre Minas Gerais e a Bahia, os pequenos municípios sempre operaram como terra fértil para o realismo fantástico na teledramaturgia brasileira, longe das mazelas do país urbano e moderno.

    — Serro Azul já era citada em outras novelas, mas nunca tinha aparecido. Como queria voltar a esse universo, decidi recuperá-la. Só que antes eu passava a impressão de que era uma cidade um pouquinho maior, e a Serro Azul que eu precisei desenvolver para esta novela é pequena — justifica o autor.

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    info - cidades aguinaldo silva

    Graças à “proximidade” de Serro Azul da inesquecível colônia inglesa de “A indomada”, onde se misturava sotaque nordestino com hábitos britânicos, ele resolveu trazer de volta à cena o casal Ypiranga (Paulo Betti) e Scarlet (Luiza Tomé). Aos 75 anos, o autor brinca que foi a idade que lhe fez querer regressar aos personagens do passado. Links Sétimo Guardião

    — A partir de uma certa idade, a gente sempre acha que a próxima novela será a última. Por isso, quis fazer uma espécie de súmula do meu universo ficcional. Há também referências: em Serro Azul há uma escola municipal chamada Altiva Pedreira (vilã interpretada por Eva Wilma também em “A indomada”) — explica o autor.

    Aguinaldo chegou mesmo a pensar em trazer de volta a icônica Nazaré, de “Senhora do destino” (2004), mas acabou sendo dissuadido pela intérprete da vilã, Renata Sorrah.

    — Renata falou para deixar a Nazaré em paz, e ela estava certa. A Nazaré foi uma personagem maior do que a vida. Então ela só podia voltar como farsa, porque a história só se repete como farsa — argumenta, parafraseando a frase imortalizada por Karl Marx.

    Vida off-line

    Outra decisão foi banir a internet do mundo idílico de Serro Azul. Faz parte da estratégia de deixar a cidade deslocada no tempo, coisa que se vê também nos cenários e nos figurinos, que passeiam das roupas contemporâneas da mocinha Luz (Marina Ruy Barbosa) à decoração setentista do bordel de Ondina (Ana Beatriz Nogueira), sem falar nos modelos antigos de carros que circulam pelas ruas. Para Aguinaldo, com a internet seria impossível manter um dos maiores segredos da trama, que diz respeito sobre o que está guardado dentro da tal fonte, uma queda d’água de seis metros dentro de uma gruta.

    — O celular criou um problema sério para o melodrama. Você não tem mais a carta secreta. As pessoas simplesmente mandam WhatsApp e todos os mistérios se resolvem assim — observa o novelista, que acredita que o mundo off-line de Serro Azul pode ajudar a quebrar o feitiço do brasileiro com as mídias sociais.

    — Nossa relação com as redes se tornou intensa e passional demais. Isso limita a capacidade das pessoas de olharem em torno, de verem o seu próximo. Quando você tira isso de uma história de ficção, você mostra que não precisa ser assim — defende ele, que completa:

    — Nós tivemos uma sequência de novelas urbanas, que faziam uma imitação da realidade, que está tão pesada. Isso precisava ser quebrado. A pessoa chega em casa cansada do trabalho e já viu o jornal com notícias terríveis. A novela é o momento em que ela quer se dar o benefício da fantasia. 'O sétimo guardião': conheça o cenário de Serro Azul

    Apesar de pequena, não faltam personagens curiosos em Serro Azul, lugar fictício em que se passa “O sétimo guardião”. O nome da novela, aliás, faz referência ao grupo de pessoas encarregadas de preservar a fonte natural da cidadezinha, cuja água carrega propriedades curativas. São eles o prefeito Eurico (Dan Stulbach), o mendigo Feliciano (Leopoldo Pacheco), o médico José Aranha (Paulo Rocha), o delegado Joubert Machado (Milhem Cortaz), a esotérica Milu (Zezé Polessa), a cafetina Ondina (Ana Beatriz Nogueira) e o solitário Egídio (Antonio Calloni), o guardião-mor. Este último tem como fiel escudeiro o gato Léon, que não deixa de ser um dos astros da trama (e habilmente interpretado por quatro espécimes da raça Bombaim).

    — O gato surgiu porque eu queria um personagem que fosse um mistério na novela. É um gato que tem poderes, que sabe das coisas mais que as pessoas. O gato rouba todas as cenas em que aparece, é impressionante — brinca Aguinaldo Silva.

    Ao pressentir que a morte de Egídio se aproxima, é Léon quem parte em busca de um substituto, indo até São Paulo convocar o mocinho Gabriel (Bruno Gagliasso), que larga a noiva Laura (Yanna Lavigne) no altar para viajar rumo a Serro Azul. Ironicamente, Gabriel é filho da vilã Valentina Marsalla (Lília Cabral), uma empresária do ramo dos cosméticos que foi, no passado, abandonada no altar por Egídio.

    Uma vez na cidadezinha, Gabriel se apaixona por Luz (Marina Ruy Barbosa). O romance, no entanto, tentará ser impedido por Valentina, que deseja casar o filho com Laura de olho da fortuna do pai da moça, o milionário Olavo (Tony Ramos).

    Briga na justiça

    A estreia de “O sétimo guardião” acontece após uma conturbada disputa em relação à autoria da obra, o que causou um atraso entre o desenvolvimento e o lançamento da novela. Isso porque um dos ex-alunos de um curso de roteiro ministrado por Aguinaldo Silva em 2015 reivindica na Justiça sua coautoria.

    — Eram 26 alunos e só um está reivindicando uma participação maior. Na verdade, não posso falar sobre isso porque estou processando o aluno e o caso está na Justiça — defende-se Aguinaldo, que diz não se preocupar que o imbróglio prejudique o desempenho de “O sétimo guardião” na TV.

    — Essa questão será atropelada pela novela. O que as pessoas querem é ver a novela, todo o resto que pode acontecer em torno dela não tem importância para o telespectador. A partir do momento da estreia, é o desenrolar dela que vira notícia — afirma.


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    RIO — Autor de "O sétimo guardião", nova novela das 21h que estreia nesta segunda-feira, Aguinaldo Silva é metódico. Acorda às 5h30m, arruma a cama, toma banho, prepara seu café da manhã, lê o GLOBO e, "rigorosamente", entre 7h e 7h30m, começa a trabalhar.

    É o que mostra o vídeo "Aguinaldo real oficial: O autor como você nunca viu", que pode ser visto em primeira mão abaixo: AGUINALDO REAL OFICIAL: o autor como você nunca viu

    O vídeo, produzido pela TV Globo, aborda, além da rotina do autor, sua paixão por Lisboa, onde escreveu parte de "O sétimo guardião", o fascínio por gatos (um felino será importante na trama, inclusive) e sua forte relação com as redes sociais. Links Sétimo Guardião

    Por fim, Aguinaldo fala um pouco sobre o ofício de autor de novelas e a possibilidade de "O sétimo guardião" ser sua despedida:

    — Tudo o que eu fiz nesses 40 anos de televisão estará nessa novela. É a minha prova final de artista. Pode ser a última. Mas eu acho que, enquanto eu continuar a viver, vou continuar escrevendo.


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