Are you the publisher? Claim or contact us about this channel


Embed this content in your HTML

Search

Report adult content:

click to rate:

Account: (login)

More Channels


Showcase


Channel Catalog


    0 0

    RIO — Sentada em meio a uma infinidade de brinquedos e jogos, uma criança aparece abraçando um boneco de pano, como se fosse o único objeto realmente importante à sua volta. A tela, exposta até este sábado na Galeria Movimento, no Rio, é a primeira da série “Sete mares”, na qual Walter Nomura, o Tinho, aborda referências pessoais e conexões com a cultura pop em sete áreas de interesse: brinquedos, literatura, moda, música, artes visuais, cinema e skate. Representante da geração que levou o grafite das ruas para as galerias de arte, ao lado de nomes como Os Gêmeos e Speto, Tinho se inspirou em sua própria experiência para a criação de “Mar de brinquedos”.

    — O brinquedo geralmente é o primeiro universo que a criança explora, seu contato inicial com o mundo. Na tela, ela deixa de lado os todos os brinquedos industriais e se abraça ao boneco artesanal, que traz uma carga de afeto. Geralmente é feito por um parente ou pessoa próxima, que dedica seu tempo para dar um presente — destaca Tinho. — Fiz uma representação do meu filho, mas aquela criança tem um pouco de mim. Meus pais trabalhavam muito e durante a semana eu ficava com minha avó. No fim de semana, eles sempre traziam um brinquedo, mas o que eu queria mesmo era passar aquele tempo com eles.

    Links grafiteOs admiradores da arte de rua, sobretudo os paulistanos, podem reconhecer nas telas um personagem presente há anos nos muros e paredes da cidade. O boneco de pano, uma das assinaturas de Tinho, aparece em todos os seus “mares” e ganha protagonismo nas telas e objetos da individual na Movimento, que conta com curadoria de Marcus Lontra.

    — O boneco de pano vem desde o início do meu trabalho nas ruas, e aos poucos foi ganhando projeção. Eu andava de skate na Praça Roosevelt, antes da restauração, e convivia de perto com a população de rua dali. Queria chamar atenção para esta realidade no meu trabalho, das crianças que via diariamente sem nada para comer — lembra Tinho. — O boneco veio como uma forma de não individualizar essas questões, ele não tem gênero, nem cor, nem idade. Pode ser o que você quiser.

    Tinho_Quem me navega é o mar_Cred Galeria Movimento.jpgAs sete telas da série — algumas das quais emprestadas por colecionadores para a mostra na Movimento — vão voltar a ser reunidas no segundo semestre, quando Tinho fará uma individual no Paço Imperial, ainda sem data definida. Por ora, o artista ainda não sabe se apenas seus “mares” serão expostos ou se incluirá outras obras. Tinho, que já participou de festivais e mostras em cidades como Havana (2009), Los Angeles (2013) e Roma (2015), celebra a abertura de portas de galerias e instituições para a arte de rua, mas acredita que há um longo caminho pela frente.

    — O preconceito contra o grafite já foi maior, mas continua difícil entrar nestes espaços. Quando a Tate, de Londres, convidou grafiteiros para cobrir sua fachada (em 2008), já era um reflexo dessa mudança, embora tenha levado mais um tempo para esses artistas entrarem na galeria de fato — contextualiza Tinho, que é formado em Artes Plásticas pela faculdade Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo. — Muitas vezes as pessoas têm uma ilusão que viver de arte é fácil, o que não é verdade. Aí quando veem um artista que veio da rua nas galerias acham que estamos “roubando” aquele espaço, mas não percebem os anos de trabalho que estão por trás.

    “Quem me navega é o mar”

    Onde: Galeria Movimento — Av. Atlântica 4.240, Lojas 212 e 213, Copacabana ( 2267-5989). Quando: Ter. a sex., das 10h30m às 19h; sáb., das 12h às 18h. Até 20/1. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.


    0 0

    SÃO PAULO - A Fundação Bienal de São Paulo anunciou nesta quarta-feira o crítico e curador italiano Jacopo Crivelli Visconti como curador da 34ª edição da Bienal de São Paulo, prevista para 2020. Visconti sucede o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, responsável pela exposição do ano passado, "Afinidades afetivas".

    O nome de Visconti foi escolhido pelo presidente da Fundação Bienal, José Olympio da Veiga Pereira, por meio de uma seleção entre cinco curadores inacionais e internacionais. Todos apresentaram projetos a partir da premissa de de que "a arte é, por excelência, uma plataforma para a diversidade de pensamento e um meio ideal para a reunião de diversos segmentos em torno de um projeto comum".

    A ideia é que, a exemplo do que aconteceu na exposição "Afinidades Afetivas", de Pérez-Barreiro, a Bienal de 2020 também tenha como eixo uma iniciativa colaborativa.

    Links BienalVisconti já montou uma equipe para começar os trabalhos de desenvolvimento da 34ª Bienal. Ela é composta pelo curador-adjunto Paulo Miyada (curador, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo) e pelos curadores convidados Carla Zaccagnini (artista, São Paulo-Malmo); Francesco Stocchi (curador de Arte Moderna e Contemporânea, Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam); Ruth Estévez (curadora geral, Rose Art Museum, Boston; diretora, LIGA DF, Cidade do México).

    Radicado em São Paulo, o napolitano Visconti tem uma longa relação com a Bienal de Artes. Integrante da Fundação Bienal de 2001 a 2009, ele foi curador da participação oficial brasileira na 52ª Bienal de Veneza (2007).


    0 0

    RIO — "Romance cem por cento brasileiro de índole muito maliciosa". É assim que um censor português, durante o regime de Salazar, começou seu parecer em que aprovava a publicação de "Dona Flor e seus dois maridos", de Jorge Amado. O documento chamou atenção de pesquisadores por conta do tom de admiração do leitor-censor Estevão Martins pela obra do escritor baiano. Jorge Amado não era visto com bons olhos em Lisboa devido a sua relação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

    "Porém a beleza da prosa e a delicadeza com que são apresentadas as brejeirices forçam-nos a uma certa condescendência favorável na nossa apreciação. Uma vez ou outra aparece uma palavra obscena, o que aliás está muito em voga nos escritores da actualidade", registrou. Por fim, o censor defendeu a autorização para publicação da obra porque o produto é "volumoso e caro" e, portanto, não é acessível a "todos".

    O documento vem movimentando as redes sociais desde o último dia 10, quando o escritor português Francisco José Viegas a publicou no Twitter. Desde então, o documento está sendo compartilhado e discutido por acadêmicos e fãs da literatura nacional. No entanto, para Joselia Aguiar, autora de "Jorge Amado: uma biografia" (Todavia), lançado no final de 2018, isso não foi uma novidade. Post de Francisco Viegas

    Enquanto realizava sua pesquisa em Portugal, Joselia encontrou uma série de documentos e arquivos, como fotografias e recortes de jornais a respeito do escritor. Ela viu que, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, várias obras de Jorge Amado foram censuradas, como "São Jorge dos Ilhéus", em 1951, considerado um livro que explora as "desigualdades sociais, com vista aos triunfos comunistas". E ainda "Terras do sem-fim", no mesmo ano; "Capitães da Areia", em 1952; "Os subterrâneos da liberdade", em 1956; e "ABC de Castro Alves", em 1957.

    Para Joselia, a censura contra a obra de Jorge Amado foi mais rígida em Portugal do que no Brasil, ainda que durante o Estado Novo de Vargas (1937-1945) praticamente tudo o que ele produziu fosse proibido. Ela contou que na ditadura militar (1964-1985) os livros não chegaram a ser censurados da mesma forma, mas seus leitores eram vistos pelo regime como pessoas "subversivas".

    Links relacionados O parecer do censor surpreendeu o historiador Francisco Martinho, professor da Universidade de São Paulo (USP) e que se dedica à história contemporânea portuguesa.

    — Uma obra como "Dona Flor" ser liberada é curioso. É fato também que os regimes, por mais autoritários e antidemocráticos que fossem, não têm poder de vigilância absoluta sobre o comportamento da sociedade, nem sobre os seus funcionários. Aquele é o parecer de um funcionário que foi favorável, mas outro poderia pensar diferente dele — disse Martinho.

    O especialista ressaltou que, em Portugal, a produção cultural foi acompanhada de perto pelo salazarismo. As obras que não seguissem a ideologia do regime ou que ofendessem "a moral e os bons costumes" tendiam a ser censuradas.

    — A ditadura portuguesa, assim como a brasileira, fazia da censura uma política de estado. Eles tinham medo de que essas obras de "teor subversivo", por exemplo, chegassem às classes populares. Por isso, o controle sobre os órgãos de imprensa era mais duro. O que esse leitor-censor pode ter pensado com relação à "Dona Flor" é que a elite gostaria de ler as "indecências" do livro, mas que a obra não chegaria aos camponeses, às classes trabalhadores, que eram vistas como perigosas ao regime — afirmou.


    0 0

    RIO - Uma notícia recebida pelos responsáveis por um projeto musical em homenagem aos 100 anos de Nelson Gonçalves gerou tensão nesta terça-feira: o espetáculo, que tinha estreia marcada para 21 de março no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, foi adiado indefinidamente. A decisão, comunicada por Juliana Panebianchi, assessora empresarial da Divisão de Marketing Cultural do centro cultural, em Brasília, pegou de surpresa a produção.

    - Conseguimos aprovar o projeto no edital do CCBB para as quatro cidades, isso é raro, e ficamos muito felizes - conta o violonista, arranjador e produtor Luís Filipe de Lima, autor do projeto e presença frequente nos palcos dos CCBBs. - Aí, hoje, a nossa produtora, Flávia Souza Lima, recebeu esse e-mail, falando em corte no orçamento e dizendo que os projetos musicais foram transferidos para o segundo semestre, se tiver verba. Ficamos tristes e surpresos.

    Uma olhada nos sites dos quatro CCBBs mostra que não há nada de música programado a partir de fevereiro. No Rio, por exemplo, havia um concerto da série "Música no museu" previsto para esta quarta-feira, e mais a "Madrugada no Centro", tradicional evento multidisciplinar que vara a noite, no próximo sábado, dia 19. Daí em diante, mais nada.

    Algo semelhante acontece em São Paulo: as "Férias musicais" vão de 23 a 26 de janeiro e, daí em diante, o calendário é um grande vazio de melodias e ritmos. Por outro lado, atividades como as artes visuais parecem estar com sua programação normal: no Rio, depois da exposição "100 anos de Athos Bulcão", que se encerra no dia 28 deste mês, em fevereiro será inaugurada a badalada "Dreamworks animation, a exposição - Uma jornada do esboço às telas", que fica por lá até abril. Em Brasília, a mostra de cinema "Cineklap - Dinamarca em foco", começa no dia 29 de janeiro e entra por fevereiro, até o dia 9.

    A assessoria do CCBB garante que o adiamento de "Nelson Gonçalves 100 anos" se deveu a um ajuste pontual, e que a programação é divulgada aos poucos, e por isso os sites ainda não anunciam nada a partir de fevereiro. Em um e-mail, Marco Túlio Vasconcelos, gerente executivo de comunicação, garante que não há grande alterações na programação e nem no orçamento.

    "Em fevereiro, haverá 'Grenze des Gestrig-heutigen - Uma colagem musical com poemas e citações de Paul Klee para voz, bateria, teclado e eletrônica' (CCBB-SP); em março, o “Carnaval Multicultural” (CCBB-DF) e “Célio Balona – 80 anos de vida e 65 anos de música (CCBB BH). Outros projetos seguem em negociação, para acontecer ainda no primeiro semestre, como "Festival Minas canta Marku" (CCBB BH)", diz o comunicado, citando espetáculos que não foram anunciados nos sites. Ele diz ainda que "Nelson Gonçalves 100 anos" está mantido para 2019, e que o orçamento deste ano é do "mesmo patamar" daquele do ano passado. A "Madrugada no Centro" de fevereiro, marcada para o dia 16, também deve acontecer, segundo a produção.

    - O CCBB sempre faz ressalvas quando se comunica com a gente - diz a produtora Flávia Souza Lima, que trabalha com Luís Filipe de Lima em "Nelson Gonçalves 100 anos". - Eles falam em "datas prováveis", mas normalmente tudo é executado. Eu nunca vi nada assim acontecer. O nosso espetáculo tem oito cantores, estávamos trabalhando para liberar as agendas de todos para a temporada de março em Brasília, e agora suspenderam tudo. O e-mail que recebemos fala que, devido a um corte no orçamento, "os projetos de música serão totalmente remanejados para o segundo semestre de 2019, caso tenhamos um incremento orçamentário para o período citado".


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    RIO - Se nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, e não há lógica que faça desandar o que o acaso decidir, quando um certo alguém desperta o sentimento, é melhor não resistir — e se entregar. Lições de vida, pura filosofia pop, que Luiz Maurício Pragana dos Santos tornou conhecidas nas dezenas de hits com os quais vem brindando rádios, TVs e streaming ao longo de quatro décadas de carreira fonográfica. E que agora inspiram “Meu destino é ser star, ao som de Lulu Santos”, musical idealizado, coescrito e dirigido por Renato Rocha, que estreia neste sábado no Teatro Riachuelo, reunindo 10 atores/cantores/dançarinos e quatro músicos.

    Links Lulu Santos— O Lulu é a nossa Madonna, sua música dialoga com todas as tendências e continua atual — analisa Renato, um diretor de teatro com orientação experimental que participou do grupo Nós no Morro, criou em Londres espetáculos para a Royal Shakespeare Company e a Roundhouse, e, na volta para o Brasil, dirigiu em 2017 “Ayrton Senna — O musical”.

    A experiência com “Senna” deu ao diretor um sinal do que fazer em seguida. Em vez de contar uma história conhecida com uma trilha inédita, resolveu apostar em uma história nova com músicas conhecidas.

    — Vi que eu teria que ter uma relação mais afetiva com a trilha sonora ao fazer um musical, tinha que usar músicas nas quais as pessoas se reconhecessem. E as músicas do Lulu todo mundo conhece — argumenta ele. — Nasci em 1975 e acompanhei o sucesso do Lulu desde o início. Foram canções que marcaram vidas, que me lembram de quando não conseguia me declarar para a garota de quem gostava.

    Primeiro era vertigem

    72115941_The Voice 2017 - Lulu Santos.jpgDo mergulho na obra de Lulu, Renato identificou três temas primários: amor, fossa e sonho. E colou na última categoria de canções para escrever a história básica do espetáculo, sobre dramas de jovens artistas que apostam suas fichas no estrelato ao participarem das audições para um musical.

    — Quanto mais escutava Lulu, mais os personagens clareavam na minha cabeça. As letras são sempre profundas. Por mais animadas que sejam as músicas, elas estão falando muito sério — conta o diretor.

    Renato revela ter conseguido, depois de várias tentativas de contato, a permissão do homenageado para a realização do trabalho. Para se ter uma ideia, em 2016, a poucos dias da estreia, Lulu vetou a realização de um musical, “Toda forma de amor”, que tinha 17 canções suas.

    Foram muitas as audições até chegar ao elenco definitivo. Destacam-se Jéssica Ellen, atriz que fez “Malhação” e a série “Justiça”, e nomes conhecidos do teatro musical brasileiro: Myra Ruiz (protagonista de “Wicked”), Mateus Ribeiro (de “Peter Pan”, recém-vencedor do Prêmio Reverência de melhor ator), Gabriel Falcão (“Les Misérables”) e Helga Nemeczyk (de “Chaplin, o musical”, mas que ganhou projeção ao cantar no “Show dos famosos” do “Domingão do Faustão”).

    Outra seleção difícil foi a dos 41 números do espetáculo, que incluem medleys e canções inteiras (“Se não eu saio morto do teatro, o público quer cantar junto!”, brinca Renato).

    Com a proposta de criar um musical com pegada de show, o diretor chamou para a direção musical e concepção dos arranjos o cantor Zé Ricardo, que comanda o palco Sunset do Rock in Rio. Em seu primeiro trabalho em musicais, Zé criou uma trilha executada por músicos com ajuda de bases eletrônicas.

    Renato explica:

    — Queria uma pegada de música contemporânea para apresentar Lulu Santos às novas gerações.

    Como os hits sobem ao palco

    Garota, eu vou pra Califórnia. Dos versos de “De repente, Califórnia” veio o nome e o conceito do musical: “Meu destino é ser star”. Segundo Renato Rocha, a ideia inicial era a de que o sonho da protagonista fosse mesmo o de ser artista de cinema, como na letra. Mas aí se decidiu por fazer dela uma estrela de musicais, em homenagem ao clássico “A chorus line”, metamusical em que os personagens são dançarinos da Broadway que disputam papéis em uma montagem.

    Dessa história ninguém sabe o fim. Renato passou seis meses mergulhado nas cerca de 300 canções da obra de Lulu Santos. Inspirado em grandes sucessos e lados B ele criou, do zero, a dramaturgia do espetáculo. Quando chegou o momento dos ensaios, ele tinha somente o esqueleto do roteiro e contou com o próprios atores para chegar à forma final.

    — Os diálogos são complemento. O texto do espetáculo é, na verdade, a música do Lulu — conta.

    Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia. As questões do amor gay e do poliamor entraram na pauta de “Meu destino é ser star”. Mas nada disso teve a ver com a revelação da homossexualidade do cantor, em julho passado, quando ele escreveu no Instragram que estava namorando o baiano Clebson Teixeira.

    — A música do Lulu é para o ser humano, independentemente de gênero. Suas canções falam de liberdade e de juventude — defende Renato.

    Faltava abandonar a velha escola. Vindo do teatro experimental e com a experiência da direção de “Ayrton Senna — O musical” (2017), Renato decidiu fazer diferente em “Meu destino é ser star”.

    — O problema do musical brasileiro é que, além de às vezes ficar muito só no filão da biografia, ele não tem tanta experimentação. Não há muito tempo para pesquisar, tem que fazer tudo em dois meses — conta ele, que passou oito meses na concepção e montagem do novo musical.

    Eu tava por aí num estado emocional tão ruim. Amar é sofrer, e a fossa foi componente fundamental para a construção da dramaturgia de “Meu destino é ser star”. Ela está representada, na obra quase sempre otimista de Lulu Santos, em canções como “Tão bem”, “Aviso aos navegantes” (a do “S.O.S. solidão”, na voz de Helga Nemeczyk) e “Assim caminha a Humanidade” (em que Myra Ruiz canta: “Ainda vai levar um tempo pra fechar o que feriu por dentro”).

    Os personagens se revelam atores no aplauso final. Tão importante foi para o resultado do projeto uma adequada escolha do elenco que Renato decidiu dar aos personagens criados para a trama os mesmos nomes dos atores. Isso fez com que as relações entre “Meu destino é ser star” e “Toda forma de amor”, o musical dentro do musical, ficassem intrincadas, ao ponto de Victor Maia, ator que vive o coreógrafo da ficção, ser também o coreógrafo do espetáculo na vida real.

    Serviço: “Meu destino é ser star, ao som de Lulu Santos”

    Onde: Teatro Riachuelo — Rua do Passeio 40, Centro (3554-2934). Quando: De 19/1 (sábado) a 24/2. Sex. e sáb. às 20h, dom. às 18h. Quanto: de R$ 40 a R$ 150. Classificação: 12 anos.


    0 0

    RIO — Tarde de sol no verão do Rio de Janeiro: um convite irresistível para ouvir a música com cheiro de mar de Marcela Vale, a Mahmundi. Um dos grandes nomes do pop brasileiro surgidos nos últimos anos, a cantora e compositora carioca trouxe para o Toca no Telhado uma versão nua, de voz e guitarra, de "Tempo pra amar", canção de romantismo flagrante, lançada como single de seu segundo álbum, "Para dias ruins", que saiu no ano passado.

    Links MahmundiO novo trabalho é um passo adiante em relação a "Mahmundi", sua estreia em 2016, que trouxe os sucessos "Eterno verão" e "Calor do amor" e exprimia os anseios de uma menina da Zona Norte do Rio de Janeiro com "a maior vontade de ser uma artista grande e morar na Zona Sul perto da praia".

    — Aquela Mahmundi abriu caminhos para si própria e expandiu possibilidades. Eu comecei o meu primeiro disco por conta própria, usando a internet como ferramenta. Agora estou numa segunda fase desse jogo enorme — conta a artista, hoje com 32 anos de idade, contratada pela Universal Music, adepta de um verão "que não é mais só sol e mar" e cada vez mais se descobrindo "como indivíduo e como artista". — Estou vendo a história do Brasil acontecendo. De alguma forma isso atravessa a gente. E a gente faz canção.

    Mahmundi Toca no Telhado

    "Tempo pra amar" surgiu de uma das novas parcerias de Mahumundi nesse seu momento de música mais orgânica, colaborativa, com menos computadores e solidão.

    — Foi uma letra que eu recebi de um compositor muito querido, o Carlinhos Rufino, filho de Nelson Rufino (autor de sambas clássicos como "Verdade", sucesso de Zeca Pagodinho) — informa. — Tentei entender a mentalidade daquilo, que poderia ser um samba, mas que eu produzi numa versão de r&b e soul. Foi muito legal construir uma nova narrativa para ela.

    Links Toca noTelhado 2Com um certo sabor de passado, de programa de rádio de flashbacks, "Tempo para amar" é uma das canções favoritas de Mahmundi em "Para dias ruins".

    — No disco, pela sonoridade, ela ficou uma música mais para os anos 1990, com uma bateria eletrônica um pouco mais black, mais negra — analisa. — Mas minha ligação conceitual é com o tipo de composição daquela época. Os anos 1980 e 90 enfatizaram esse formato musical da canção e o que me interessa nele é essa coisa dos vários versos, de serem músicas mais longas. Acho que hoje em dia você tem vários estilos, só que em músicas mais curtas. "Tempo pra amar" é uma história que você vai contando e, a cada verso, ela vai se abrindo.