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    77658634_SC - Machado de Assis em foto descoberta pelo pesquisador Felipe Rissato na Hemeroteca Digi.jpgRIO - Entusiasmado com Dom Pedro II, um jovem Machado de Assis escreveu uma letra para o hino nacional em homenagem ao Imperador. Desconhecidos até aqui, os versos compõem mais uma peça, ainda que pequena, do vasto quebra-cabeças machadiano. Descobertos pelo pesquisador Felipe Rissato, eles foram revelados neste sábado em uma reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" neste sábado.

    O pesquisador, que mora em Belém do Pará, já havia encontrado uma menção à obra em 2016, quando fazia uma pesquisa na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. Ao procurar referências a Machado de Assis no jornal catarinense "O Mercantil", deparou-se com uma nota de 1867 anunciando um espetáculo na cidade de Desterro.

    Machado tinha então 28 anos e não havia ainda escrito as suas principais obras-primas.

    "Na época, Machado ainda não era o grande Machado reconhecido por todos, por isso dificilmente o jornal teria mentido a autoria para valorizar o espetáculo", diz Rissato, que recentemente também descobriu a última foto conhecida de Machado de Assis, tirada poucos meses antes de sua morte.

    machado.jpg

    Marcada para aconter no dia seguinte, a festa iria apresentar o hino nacional com uma letra inédita composta por um certo Machado D'Assis (grafia adotada pelo Bruxo na juventude). Tratava-se de uma homenagem a Dom Pedro II, que fazia aniversário.

    Foi preciso esperar dois anos para que Rissato encontrasse, em outro jornal catarinense do mesmo ano, um relato do espetáculo com a transcrição da letra. "O constitucional" publicou os versos em uma edição de 11 de dezembro de 1867. Eis a integra:

    Das florestas em que habito

    Em honra e glória de Pedro

    O gigante do Brasil.

    Enche o peito brasileiro

    Doce luz, almo fervor

    Ante o dia abençoado

    Do grande Imperador

    Das florestas em que habito

    Solto um canto varoniil:

    Em honra e glória de Pedro

    O gigante do Brasil.

    Em firme o trono sentado

    O colosso Imperial

    Tem por base de grandeza

    O coração nacional.

    Das florestas em que habit

    Solto um canto varonil:

    Em honta e glória de Pedro

    O gigante do Brasil.

    Correm anos, e este dia

    Surge na terra da Cruz:

    Abre-se a alma do povo

    Jorra do Céu nova luz.

    Das florestas em que habito

    Solto um canto varonil:

    Em honra e glória de Pedro

    O gigante do Brasil.


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    Temporada__Thiago Macêdo Correia 1ok.jpgBRASÍLIA — Um ano depois de ser premiada como melhor atriz no Festival do Rio, por "Praça Paris" (2017), de Lúcia Murat, Grace Passô voltou a roubar as atenções. Desta vez, no longa "Temporada", de André Novais Oliveira, exibido nesta sexta-feira na competição do 51º Festival de Brasília. Sua interpretação naturalista foi elogiada com unanimidade.

    LEIA MAIS: Engajado, Festival de Brasília sublinha preocupação do cinema com o futuro

    — Me impus uma regra: não parecer uma atriz profissional. Quis omitir trejeitos e olhares que denunciassem técnicas de atuação — diz a atriz, que também é dramaturga e diretora.

    No longa, ela interpreta Juliana, uma agente do grupo de combate a endemias de Contagem, em Belo Horizonte. Solitária e fechada, ela lida com os efeitos de uma tragédia ocorrida no passado e um relacionamento conturbado com o marido. Aos poucos, porém, Juliana faz novos amigos, encontra afeto, conquista indepedência e liberdade, e finalmente reinventa o olhar sobre a vida. "Temporada" se revela uma comédia dramática solar, na qual o humor é extraído de situações cotidianas e do realismo que também caracteriza as interpretações do resto do elenco. Trailer de 'Temporada'

    A sessão do filme, que teve estreia mundial no Festival de Locarno, em agosto, foi marcada por uma homenagem emocionada do diretor à mãe, a atriz Maria José Novais Oliveira, vencedora de um troféu Candango pelo curta "Quintal" (2015), dirigido pelo próprio filho. Ela morreu recentemente, mas aparece em "Temporada", numa participação que ganhou uma conotação agridoce devido ao contexto real. Muito emocionado, André, que retratou sua relação com os pais no documentário "Ela volta na quinta" (2015), dedicou a sessão a Maria José.

    — Até o fim da vida ela foi uma mulher incrível, forte, admirável e carismática — declarou ele, que ainda pediu por mais protagonismo negro no cinema.

    *Fabiano Ristow viajou a convite do festival


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    Robert Mapplethorpe - E Mail - SC.jpg

    Após receber o pedido de demissão de João Ribas, diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, em Portugal, e curador da exibição “Pictures”, do fotógrafo americano Robert Mapplethorpe, a administração da institutição afirmou que reservar uma sala especial para cerca de 30 obras de conteúdo sexualmente explícito e impedir o acesso a menores eram medidas que já faziam parte dos planos relativos à mostra. Hoje, o museu contrariou a versão de que Ribas foi surpreendido pela censura. A administração divulgou que todas as 159 imagens de Robert Mapplethorpe incluídas na exposição foram escolhidas pelo curador.

    Segundo Ribas, sua proposta era expor 179 obras do transgressor fotógrafo de Nova York, morto em 1989, aos 43 anos, por complicações causadas pela Aids, sem nenhum tipo de censura, sala especial ou veto da administração. Para reposicionar o museu como centro de resistência da arte ao puritanismo, teria que exibir na íntegra e para todas as idades as fotografias da série “X Portfolio”, com cenas sadomasoquistas e órgãos sexuais em close e sendo manipulados. Mas o conjunto de fotografias foi exposto reservadamente e com permissão só maiores de 18 anos.

    O museu teria seguido um Decreto-Lei de Portugal que estabelece a faixa etária para certas exibições. Apesar de a proibição estar associada ao pedido de demissão, outro fato teria deixado Ribas irritado: 20 obras foram retiradas da mostra, entre elas algumas explícitas.

    ROBERT MAPPLETHORPE - AUTO RETRATO 1980 - 1990..jpg

    Antes de todo esse caos, o advogado americano Michael Ward Stout, que preside a Fundação Robert Mapplethorpe e conviveu com o fotógrafo, dizia estar chocado ao saber que a exposição “Queermuseu” fora cancelada em Porto Alegre antes de reabrir no Rio, no Parque Lage. Também ficou impressionado com a informação de que há cerca de um ano, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), a exposição “Histórias da sexualidade” teve a entrada permitida só para maiores de 18 anos.

    — Ter educação artística é tão importante quanto praticar esportes. Odeio ver crianças e adolescentes excluídos de museus por qualquer razão. Vivemos um tempo que está se tornando mais conservador — disse Stout.

    Ontem, Stout ficou do lado do museu, criticou a decisão de Ribas, que considerou “egoísta” e disse estar surpreso com a retirada de 20 obras:

    — Não sei por que o João retirou as fotografias, não faz sentido algum.

    Mapplethorpe usa a nudez e o órgão sexual masculino, que chegou a enquadrar em paralelo a um cano de um revólver, para criticar a violência sofrida pelos negros nos Estados Unidos e retratar a ameaça e o perigo da urgência do desejo. A sua vida com Patti foi contada pela cantora e compositora no premiado livro autobiográfico “Só garotos”. É do fotógrafo a imagem mais famosa de Patti, que foi parar na capa do seu disco de estreia, “Horses”.

    A exposição de Serralves vai até 6 de janeiro.


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    Nada aconteceu como a maioria sempre imaginou. Por trás do (aparente) relacionamento harmônico entre John Lennon e Yoko Ono, uma trama frágil escondia segredos inimagináveis. Na nova edição do livro "Being John Lennon" (ainda sem data de lançamento no Brasil), o jornalista Ray Connolly descontrói o mito de amor perfeito normalmente associado ao casal que se tornou uma marca no fim da década de 1960. De acordo com o autor, episódios de adultério — em algumas vezes, com o consentimento de Yoko — marcaram, com regularidade, a relação conturbada entre as duas figuras do universo pop.

    LEIA MAIS: Yoko Ono anuncia álbum com releituras de 13 canções

    Em relato publicado neste sábado no tabloide britânico "Daily Mail", Connolly repassa uma série de situações acompanhadas de perto ao lado do ícone musical. O repórter esteve pela primeira vez com John Lennon em 1967, para escrever uma reportagem sobre os bastidores do filme "Magical mystery tour". A partir dali, o trabalho pontual se desdobrou em outros momentos importantes diante do músico, com quem passou a cultivar intensa proximidade. Agora, a imagem idealizada do homem que se firmou como ativista da paz adquire novos contornos e passa a ser relativizada.

    CONFIRA: Demo inédita de 'Imagine', de John Lennon, é descoberta

    "Um dia, estava hospedado com Yoko e John no Hotel St. Regis (em Nova York). Quando conversava com John, que usava um paletó, Yoko apareceu vestida num short de estampa floral e numa blusa com os primeiros três botões abertos", relembrou o jornalista: "John explodiu. Com o temperamento fora de qualquer proporção, ele gritou que ela parecia uma vadia safada. Sem pronunciar uma palavra, ou mesmo sem alterar qualquer expressão no rosto, Yoko voltou ao quarto e depois retornou vestida numa longa saia".

    A cena, rememorada com minúcias, traça um perfil serenamente conformista para a personalidade tranquila de Yoko. Numa das festas em que Connolly esteve ao lado do casal, também em Nova York, Lennon se trancou com uma mulher num dos quartos da residência depois de beber além da conta. "Infelizmente, os casacos de todos os convidados estavam guardados sobre a cama daquele quarto. As pessoas, portanto, não conseguiam ir embora, e todo mundo ali, inclusive a própria Yoko, percebeu o que estava acontecendo", narrou o jornalista, acrescentando: "Se ela estava com raiva? Impossível saber. Quando sondei uma opinião sobre as infidelidades cometidas por John, tudo o que ela me disse foi: 'Pode ser bem difícil viver com John às vezes'".

    VEJA TAMBÉM: Esposa de Mark Chapman, o assassino de Lennon, diz que marido havia confessado plano de matar o ex-Beatle

    41957671_17 May 1972 --- Former Beatle John Lennon speaks to reporters outside the US Immigratio.jpg

    Amante de John Lennon trabalhava no apartamento onde o músico morava

    Alguns anos mais tarde, o improvável ganharia corpo entre os dois. Com dificuldade de gerenciar o casamento, Yoko sugeriu que Lennon procurasse outra mulher para se relacionar, como conta o escritor. Isso não significaria um divórcio, porém. À época, ambos moravam no prestigado edifício Dakota, em Nova York, mas passavam os dias separados, sem trocar tantas palavras. Segundo a descrição de Connolly, o músico gastava horas dormindo ou assistindo à TV com o som desligado. A artista plástica, por sua vez, demonstrava uma progressiva perda de interesse pelos projetos profissionais que desenvolvia.

    A solução para a crise se materializou em May Pang, "uma bela jovem que trabalhava para o casal em seu apartamento". Com apenas 22 anos, ela costumava vestir jeans e camisetas, além de usar grandes óculos redondos. "Estava sempre ocupada, alegre, eficiente e disposta", recordou o jornalista. Animado com a ideia, John autorizou a mulher a apresentar a proposta para a empregada. A conversa entre as duas, segundo as palavras do autor, poderia fazer parte de uma cena de filme.

    "'Escute May', disse Yoko, 'John e eu não estamos nos dando bem. Ele provavelmente começará a sair com outras pessoas. Quem sabe com quem? Eu só sei que ele gosta muito de você. Então...'", recompôs o repórter.

    Depois de muita persitência, May acabou levando Lennon para a sua casa, com quem logo assumiu um romance às escondidas. Do público. Com afeição, Yoko tinha pleno conhecimento do caso. Ela, aliás, ficou tão feliz com a notícia que, quando precisou viajar para Chicago por alguns adias — para participar de uma convenção sobre feminismo —, sugeriu que May se mudasse para o seu apartamento enquanto estivesse fora. Como ressalta Connolly, para a artista, tudo fazia enorme sentido. "No Japão, o país onde nasceu, algumas mulheres de classe alta recebiam amantes em casa. Yoko podia ser feminista, mas seguia também uma longa tradição", explicou.

    A situação se estendeu por 18 meses, e fez John se sentir novamente um adolescente. Ainda assim, o astro do rock mantinha paralelamente casos esporádicos com outras mulheres, o que deixava May abalada. "De acordo com May, Yoko sugeriu o divórcio, e John teria aceitado. Mas naquele momento ela estava muito ligada à astrologia, e decidiu que as estrelas não estavam certas nesse assunto", afirma.

    A reaproximação gradual entre Yoko e Lennon se deu quando a primeira apresentou ao companheiro uma técnica de hipnose para abandonar o vício em cigarro. A partir de então, ambos voltariam a se apresentar como uma dupla intensamente apaixonada, segundo Connolly. Ainda assim, Lennon manteria visitas esparsas à residência de May.

    Mas por que, afinal, John voltou tão rapidamente para Yoko? "A razão é que ela o fazia se achar inteligente. John também sentia que precisava de alguém com uma postura de ferro, mais linha dura, ao seu lado. Yoko poderia ser difícil, mas, desde que ele não questionasse seu imenso ego e desejo por fama, ela era capaz de cuidar de tudo", responde o autor.


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    RIO - A avó alagoana de Luiz Antonio Simas carregava o imaginário fabular nordestino (“Ela viu as cabeças do bando de Lampião”), aquelas sabedorias e mitologias condensadas no “Lunário perpétuo” — almanaque que foi por dois séculos o livro mais lido no Nordeste. Seu avô era um “guardador de coisas”, entre elas almanaques como o do Biotônico Fontoura. Ele próprio, na infância, era devorador dos almanaques Disney (“Especialmente os manuais, como o ‘Manual do escoteiro mirim’”). Essas referências que dão o chão para o “Almanaque brasilidades: um inventário do Brasil popular”, que o historiador e colunista do GLOBO lança quarta-feira (dia de Cosme e Damião), na Livraria da Travessa de Botafogo, às 19h — e no dia 6, em outro evento na Folha Seca.

    — O almanaque fala de um universo amplo, com textos curtos, para todo tipo de leitor — avalia Simas. — E o livro, esse formato, flerta com o Brasil que é fragmentado, que não conseguiu construir uma identidade nacional fechada. E isso não é ruim, identidade fixa é uma tragédia. O livro reúne fragmentos de contradição. Você sai de uma coisa fabulosa, o encantamento do Círio de Nazaré, e cai no banho de sangue da Cabanagem.

    No livro, essa lógica fragmentada se espalha em quatro partes: “Fé e festa”; “Gentes do Brasil”; “Guerras do Brasil”; e “Mitos, encantos e assombrações”. Tudo pontuado de curiosidades, datas e frases de “gente sabida”, que inclui de Dra. Nise da Silveira a Mano Brown — além das ilustrações de Mateu Velasco. E tudo contado aqui nesta reportagem, feita a partir da entrevista com Simas e inspirada também no formato dos lunários perpétuos e dos manuais dos escoteiros mirins, essas brasilidades.

    16 CADERNOS

    Desde os 20 anos, Simas vem fazendo anotações que foram utilizadas no livro — os textos sobre São Pedro, Santo Antônio e São João estão no primeiro de seus 16 cadernos.

    78924283_SC EXCLUSIVO Rio de Janeiro RJ 18-09-2018 Perfil de Luiz Antonio Simas - Escritor Luiz.jpgIDENTIDADE À DERIVA

    “O almanaque revela sua linha nas páginas finais: um delírio, uma certa visão sobre uma terra em transe. O último texto é sobre um mito que diz que São Brandão buscava Hy Brazil, uma ilha encantada, que quanto mais você se aproximava dela, ela fugia, sumia na bruma. Outro texto estratégico do final é sobre a Nau Catarineta, que a rigor é o barco perdido, à deriva, que vive a epopeia náutica de não chegar a lugar nenhum. E o livro termina com os versos de Joge de Lima: “Mentira pra quem não crê/ Milagre pra quem sofreu”.

    POPULAR X OFICIAL

    Simas defende que o Brasil vive uma briga eterna com ele mesmo, entre a cultura popular e a oficial. O livro se alinha à ideia de questionamento da História oficial, valorizando personagens como a escritora Carolina Maria de Jesus e o capoeirista Nascimento Grande, que impunha respeito nas ruas de Recife com sua bengala de 15Kg, que manejava como arma nas brigas.

    — Tem a ver com uma ideia de Walter Benjamin de que gosto muito: “Escovar a história a contrapelo”. Porque tem uma certa visão oficial da História que sequestra a história de muita gente. Como o índio, que foi completamente invisibilizado, e que aparece com destaque no almanaque, onde procuro colocar o índio no mesmo patamar do negro e do branco no processo civilizatório brasileiro — diz Simas, que vê paralelo entre seu livro e o enredo da Mangueira de 2019, que busca contar o outro lado da História brasileira.

    CIÊNCIA OU FABULAÇÃO?

    “O almanaque quebra essas fronteiras, tem história embasada em documento e ao mesmo tempo fala de assombrações, desde as coloniais até a loura do banheiro. E escrevo sobre as guerras do Brasil porque nossa história tem uma pegada violenta. Tem afeto e porrada no almanaque, eles dialogam o tempo todo.”

    38095714_2909.1982 - Adalberto - SC - Artista Plástico Arthur Bispo do Rosàrio.jpgBRASILIDADE (DICIONÁRIO SIMAS)

    s.f. 1. Tentativa de construção de pertencimento a tudo aquilo que não nos pertence. 2. Modos de vida inventados a partir da experiência trágica do processo colonial. 3. Uma tarefa.

    MISTURAS BRASILEIRAS

    Festa junina: “Uma festa pagã, que é incorporada ao imaginário cristão e que aqui entra em contato sobretudo com as populações indígenas, que traz as iguarias com milho, e vira um exemplo dessa coisa do sagrado lambuzado do profano o tempo todo”.

    Feijão: “O feijão preto era cultivado pelos guaranis. Os africanos o conhecem aqui. Ele dá origem a um prato como a feijoada, que é um modo de preparar feijão como o cassoulet francês ou o cozido português, ao mesmo tempo em que chega às umbandas e candomblés como comida de Ogum.”

    Rezadeiras: “Você tem as jaculatórias ancestrais que vêm do Portugal medieval, que aqui encontram as plantas indígenas e o uso terapêutico das folhas maceradas pelos africanos. Tudo isso é condensado nas rezadeiras”.

    São Longuinho: “Brasileiro vira amigo íntimo de santo. Na tradição católica, São Longuinho é São Cássio, o lanceiro romano que espetou Cristo. Ele passou a ser chamado de Longinus, que vem de lança. Aqui Longinus, o centurião romano que furou Cristo, vira o simpaticíssimo São Longuinho. E tem gente que acha que São Longuinho nunca existiu, não é um santo católico, mas que não obstante tem uma fé imensa nele”.

    ESCRETE DO ALMANAQUE

    Goleiro: Exu (“Defendendo a porteira”)

    Lateral direito: Nossa Senhora da Penha (“Pra sair jogando ali entre Exu e Ogum, como na Festa da Penha”)

    Zagueiros: Ogum (”Não confundir com o Gum, do Fluminense”) e Nascimento Grande (“Zagueiro zagueiro, que chega e desce a ripa”)

    Lateral esquerdo: Lia de Itamaracá (“Subindo e descendo no movimento de vai e vem da ciranda”)

    Volantes: Cacique Sepé Tiaraju (“Líder da resitência guarani”) e Francisco Carregal (“Jogador do Bangu que foi um negro pioneiro num esporte de almofadinhas”)

    Meia: Chacrinha (“Criador, pra desequilibrar”)

    Ponta direita: Arthur Bispo do Rosário (“Em homenagem a Garrincha e sua construção da sofisticação no aparentemente precário”)

    Centro-avante: São Longuinho (“Pra achar aquele gol perdido”)

    Ponta esquerda: Marujo anônimo (“Aquele que estava dentro da Nau Catarineta e que poderia ser qualquer um de nós”)

    Técnico: Simas

    Formação: 4-3-3 (”Como a seleção de 1970”)


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    TORONTO — Os aspirantes a prêmios da temporada de 2018 incluirão super-heróis, viajantes do espaço e Lady Gaga, mas seus filmes serão populares o suficiente para amenizar os temores de uma academia que quase apresentou um último Oscar apenas para blockbusters? Com três importantes festivais de outono agendados, incluindo o Festival Internacional de Cinema de Toronto, que terminou domingo, e com alguns remanescentes do início do ano ainda fazendo ondas, é hora de dar uma olhada na paisagem que reúne alguns concorrentes ao próximo Oscar. Aqui estão alguns dos filmes e performances que se espera que estejam concorrendo às seis principais categorias do Oscar.

    Melhor filme e melhor diretor

    Respire com calma, executivos da ABC. A lista de melhores filmes deste ano pode ser a categoria mais atingida em muitos anos, e provavelmente incluirá um dos maiores filmes de todos os tempos: “Pantera Negra”, o filme de super-heróis de Ryan Coogler que quebrou recordes de bilheteria quando foi lançado em fevereiro. Espera-se que a Disney monte uma grande campanha de premiações para o filme, o que poderá levar o Marvel Studios a conquistar o seu primeiro Oscar, e incluirá várias categorias de artesania, como figurino e música original. Mas o blockbuster com elenco majoritariamente negro tem bastante ressonância no mundo real para entrar nas corridas de melhor filme e de melhor diretor. Os publicitários de “Pantera Negra” deram um suspiro de alívio quando o Oscar de filme popular foi abandonado na semana passada: agora, este filme pode fazer uma jogada para o negócio real.

    Uma série de novos filmes que estrearam nas últimas semanas nos festivais de Veneza, Telluride e em Toronto também podem se tornar grandes sucessos e com boas chances de ganhar uma indicação de melhor filme. O céu é o limite para o romance musical “A star is born”, que Bradley Cooper dirigiu e contracenou com Lady Gaga. “Green book” entrou em Toronto em meio a baixas expectativas e saiu de lá com tudo para cair nas graças da multidão: trata-se de uma dramédia com questões raciais ao estilo de “Um sonho possível” (2009) e “Estrelas além do tempo” (2016), e é protagonizado por Viggo Mortensen e por Mahershala Ali, que interpretam personalidades desencontradas numa viagem pelo Sul profundo dos Estados Unidos. E embora o filme biográfico “First man” tenha sido atingido por uma inesperada controvérsia sobre se a bandeira dos EUA apareceu com destaque suficiente, os críticos e o público deverão se engajar na história do astronauta Neil Armstrong (interpretado por Ryan Gosling) quando o filme for lançado em outubro, e seu faturamento provavelmente será afetado por uma sequência em IMAX excepcional que acontece na superfície lunar.

    Tanto Cooper quanto Damien Chazelle, o diretor de “First man”, têm uma forte chance de estar na lista de melhor diretor, mas eles serão desafiados por outro grupo de recentes vencedores do Oscar. Em 2017, o filme “Moonlight”, dirigido por Barry Jenkins, ganhou o Oscar de melhor filme em disputa com “La La Land”, de Chazelle, e agora Jenkins está de volta com “If Beale Street could talk”, uma história íntima de amor testada pela injustiça racial. Em 2014, “12 anos de escravidão”, de Steve McQueen, ganhou o Oscar de melhor filme, enquanto Alfonso Cuarón levou para casa o prêmio de melhor diretor por “Gravidade”, e esses dois estão novamente na corrida este ano: McQueen com “Widows”, um thriller policial feminino e eletrizante, e Cuarón com “Roma”, um drama em preto-e-branco da Netflix, inspirado na infância do diretor na Cidade do México.

    Os novatos na categoria de diretor poderiam ser Spike Lee, cujo filme baseado em fatos, “BlacKkKlansman”, recebeu o prêmio máximo em Cannes e se saiu bem nas bilheterias de verão, e o diretor grego Yorgos Lanthimos, o autor de filmes como “The Lobster ”, que traz uma sensibilidade torta à corte real britânica com sua comédia “The favorite”. A história de roubo “Você pode me perdoar?”, de Marielle Heller, pode render indicações para as categorias de atuação para Melissa McCarthy e Richard E. Grant, o que pode aumentar as chances de Heller ser indicada também e quebrar uma categoria tradicionalmente masculina; outras mulheres que poderiam entrar no grupo incluem Mimi Leder (“Com base no sexo”) e Josie Rourke (“Mary Queen of Scots”), embora seus filmes tenham pulado o circuito de festivais de outono.

    E ainda há os candidatos a serem exibidos, incluindo uma comédia de Dick Cheney do diretor Adam McKay (de “The Big Short”), e possivelmente até “The mule”, um drama de Clint Eastwood, cujo filme “American Sniper” foi um sucesso de bilheteria e indicado em 2015.

    Melhor ator e melhor atriz

    Se “A star is born” for um sucesso de premiações, Cooper pode estabelecer um recorde de mais indicações ao Oscar que uma única pessoa já recebeu por um filme: além de dirigir e estrelar, ele também produziu, co-escreveu e teve uma mão nas canções. Dessas possíveis indicações, a mais provável vitória será na categoria de melhor ator. No filme ele interpreta um cantor veterano que vai tendo o seu melhor consumido pela bebida, e Cooper tem sido visto como o atual favorito em uma categoria que ainda não está preenchida com nomes certos.

    Ainda assim, a partir dos filmes já exibidos, espere que Gosling apareça como indicado por “First man”, a mais recente indicação da série de protagonistas estóicos interpretados pela estrela de 37 anos. Também correm por fora Robert Redford em “The old man & the gun” e a aclamada atuação de Ethan Hawke no indie “First reformed”. Performances mais suaves de Hugh Jackman no drama político “The front runner” e de Lucas Hedges como um adolescente enviado para terapia de conversão gay em “Boy erased” podem ter dificuldades de encontrar tração diante dos trabalhos de transformação vividos por Christian Bale, que encarna Dick Cheney no filme de McKay, e por Rami Malek como o cantor e ex-líder do Queen, Freddie Mercury, no longa “Bohemian Rhapsody”.

    Também há curiosidade sobre se Mortensen e Ali irão se inscrever como coprotagonistas de “Green book”, ou se um dos dois se colocará um degrau abaixo, na categoria coadjuvante. Embora seja raro dois atores de um mesmo filme serem selecionados para a mesma categoria, eles têm boas chances em um ano fraco, e Ali merece uma segunda indicação depois de conquistar o Oscar de ator coadjuvante por seu papel em “Moonlight” — agora, o seu trabalho espinhoso e preciso como um pianista que lida com o racismo em “Green Book” oferece nuances que o filme não teria se não fosse ele.

    Uma incerteza semelhante torna o certame de melhor atriz difícil de prever, já que “The Favorite” possui três mulheres, cada uma das quais poderia se posicionar como líder: Olivia Colman brilha como uma rainha Anne manipulada por duas mulheres habilidosas em sua corte, interpretadas com precisão cômica por Emma Stone e po Rachel Weisz. Outras duas personagens da realeza também podem disputar indicações, pelo filme “Mary Queen of Scots”, que é estrelado por Saoirse Ronan no papel-título e Margot Robbie como sua rival, a rainha Elizabeth I — Ronan e Robbie foram indicadas ao Oscar de melhor atriz no ano passado e poderiam voltar a essa categoria este ano.

    Fora das obras dos tempos da realeza, a categoria de melhor atriz continua robusta: das quatro categorias de atuação, esta tem o maior número de candidatos legítimos. Alguns são vencedores anteriores do Oscar, como Viola Davis, que agora interpreta uma mulher de luto que trama um grande assalto, em “Viúvas”; Nicole Kidman destruindo em “Destroyer”, como uma detetive em queda livre; e Julia Roberts em “Ben is back”, como uma mãe que deve lidar com a interrupção das férias por causa de seu filho, que tenta se recuperar da dependência química. Mas então ainda há Lady Gaga, que mais do que sustenta seu papel diante de Cooper em “A star is born”; McCarthy como uma falsária solitária em “Can you ever forgive me?”; Glenn Close, que interpreta uma cônjuge secreta em “A esposa”, além da recém-chegada Yalitza Aparicio como a empregada que mantém uma família unida em “Roma”. Algumas outras candidatas vêm de filmes de época, como Keira Knightley em “Colette”, Carey Mulligan em “Wildlife”, KiKi Layne em “If Beale Street could talk”, e Felicity Jones como uma jovem Ruth Bader Ginsburg em “On the basis of sex”. Mas há outras que ainda oferecem emoções mais modernas, como Toni Collette no hit de horror “Hereditário”.

    Melhor ator e atriz coadjuvantes

    Três dos indicados ao Oscar do ano passado poderão estar na lista de melhor ator coadjuvante neste ano: Timothée Chalamet (“Me chame pelo seu nome” interpreta agora um jovem lutando contra as drogas em “Beautiful boy”, Daniel Kaluuya (“Corra!”) está aterrorizante como um capanga assassino em “Widows”, e Sam Rockwell, que ganhou o Oscar de ator coadjuvante no ano passado por “Três anúncios para um crime”, pode voltar a campo pelo seu trabalho como George W. Bush no filme sobre Dick Cheney, de McKay, mas até a estreia do filme não teremos uma ideia clara se o destaque será ele ou Steve Carell interpretando Donald Rumsfeld.

    Se “A star is born” e “Pantera Negra” acabarem na disputa de melhor filme, cada um poderia colocar um ator nunca indicado nesta categoria: Sam Elliott traz coração ao primeiro filme, como o irmão mais velho de Bradley Cooper, enquanto Michael B. Jordan é tão feroz em “Black Panther” que seu personagem Killmonger se tornou um dos vilões mais comentados do ano. A corrida do ator coadjuvante provavelmente também abrirá espaço para Richard E. Grant, que está em “Can you ever forgive me?” Lances externos poderiam incluir Russell Crowe, que interpreta um homem religioso em crise com o seu filho gay, em “Boy erased”, além de Adam Driver e Topher Grace que preenchem o elenco de “BlacKkKlansman”.

    Se Colman acabar indo parar na categoria de atriz coadjuvante por “The favorite”, ela provavelmente enfrentará candidatas como Claire Foy, que interpreta a esposa de Neil Armstrong em “First man”; Amy Adams, que vive Lynne Cheney no filme de McKay, além de Nicole Kidman, em “Boy erased”, e Regina King, em “If Beale Street could talk”. Caso “Widows” seja um sucesso, a atriz australiana Elizabeth Debicki poderia se apresentar, mas a candidata mais interessante é Tilda Swinton, que interpreta três papéis distintos em “Suspiria”, um dos quais é um psiquiatra idoso.


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    Bixa travesty_still001 - (crédito_ Nu Abe).jpgBRASÍLIA — O documentário "Bixa travesty" começa com a rapper trans Linn da Quebrada olhando para a câmera e mandando um recado, quase em tom de ameaça, para o patriarcado: "Vamos aprender suas técnicas e aprimorá-las".

    LEIA MAIS: Engajado, Festival de Brasília sublinha preocupação do cinema com o futuro; leia o resumo e veja os destaques

    É uma das várias frases de efeito que levaram a plateia do Cine Brasília a uma explosão de gritos e aplausos durante a sessão de encerramento da mostra competitiva do 51º Festival de Brasília, neste sábado, que contou ainda com um protesto contra a cantora Anitta (leia mais abaixo).

    Vindo do Festival de Berlim, onde venceu o prêmio Teddy, dedicado a obras com temática LGBT+, o longa de Claudia Priscilla e Kiko Goifman revela a intimidade e os pensamento da artista que sacudiu o funk com letras gráficas que celebram o corpo enquanto dispositivo político.

    — Sinto como se o filme não fosse mais sobre mim — diz, ao GLOBO, a cantora de 28 anos. — Partiu do meu corpo, minha experiência e da minha narrativa, mas sou apenas um canal. Não se finaliza em mim. Minha história é capaz de formar pontes e de nos aproximar de corpos com os quais não temos intimidade.

    Linn deixou que a câmera dos cineastas filmasse as partes mais íntimas de seu corpo, que ela define como "uma área a ser explorada". As vozes dos diretores nunca são ouvidas. Na maior parte do tempo, a cantora fala diretamente para a lente, como numa performance solo, ou em entrevistas e conversas com a amiga (também rapper) Jup do Bairro. Trailer de 'Bixa travesty'

    — Não é um filme sobre a Linn, mas com ela — explicou a codiretora Claudia Priscilla. — Nesses tempos difíceis, nosso poder está no afeto, que se torna nosso mecanismo de resistência para existir.

    No documentário, Linn desafia o entendimento tradicional de identidade de gênero: "Antes eu era traveco, agora sou mulher", diz, definindo-se como "bicha", travesti e mulher cisgênero.

    Revela que, antes de ser Linn, foi Luno. E, aos 17 anos, Laura. "Linn da Quebrada vem dos cacos de um espelho que antes refletia um homem", resume, enquanto vê fotos antigas.

    Sobre as dificuldades por que passou no início da jornada, iniciada numa área periférica e pobre de São Paulo, pouco se fala. "Tem que parar com isso de romantizar a pobreza", diz a cantora à mãe, que se revela uma mulher confortável com o corpo da filha — há, inclusive, uma cena em que as duas tomam banho juntas.

    Por um lado, "Bixa travesty" (ainda sem data de estreia) retrata uma artista segura, que decidiu enveredar pelo funk para se apropriar do discurso masculino predominante no gênero. "Eu me amo. Quando estou triste, ouço minhas músicas", dispara Linn, que se mostra uma bela frasista. "Há dois tipos de pessoas: as que me desejam e as que não me conhecem."

    Mas o filme também consegue investigar sua fragilidade. Ela chora em pelo menos dois momentos: quando é perguntada por Jup se deseja se casar um dia e quando relembra o período em que enfrentou um câncer no testículo. Mesmo assim, ela consegue ressignificar a doença a seu favor: "Foi durante a quimioterapia que aprendi mais sobre o meu corpo", diz, vendo certa poesia e um reflexo de sua personalidade no conceito de "células que não param de crescer."

    Após a sessão, Linn foi aplaudida de pé por quem estava perto, no papel da estrela que ocupa no universo da música hoje. Afinal, como ela própria diz no documentário, "se não tinha um lugar para mim, então inventei um."

    — Desde que eu comecei a trabalhar, busquei comunicação e diálogo para me sentir menos sozinha. E não estamos sozinhas. Já que entrei nessa disputa, vou brigar por ela. Estamos numa crise política, mas crises, para mim, sempre foram momentos em que surgiram novas oportunidades — disse Linn aos dezenas de fãs que foram à sessão. — Espero que esse encontro gere afeto, mas um afeto com raiva. Toda criação envolve destruição. Estou aqui para matar, roubar e destruir... o patriarcado.

    VAIAS CONTRA ANITTA

    Pela primeira vez desde o início das sessões competitivas, no dia 15, o público se manifestou contra Anitta, que causou revolta nos fãs pela demora em se posicionar politicamente no período pré-eleição. Ela protagoniza a vinheta de um patrocinador do festival que antecede todas as projeções. Neste sábado, o público reagiu com vaias fortíssimas diante de sua imagem.

    Nos últimos dias, a hashtag de protesto #AnittaIsOverParty foi parar entre os assuntos mais comentados do mundo no Twitter. Os fãs a acusaram de se aproveitar do "pink money" — ou seja, de lucrar com a comunidade LGBT+, que integra grande parte de seu público.

    Sem citar nomes, Anitta se defendeu em um vídeo: "Eu não voto em candidato machista, homofóbico, racista e por aí vai. A gente vive numa democracia, e respeito a escolha de voto de todo mundo. Mas não vou participar de jogo político e, mais uma vez, repito que não gostaria de ter minha imagem atrelada a isso."

    A cerimônia de premiação do 51º Festival de Brasília acontece na noite deste domingo.

    *Fabiano Ristow viajou a convite do festival


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    RIO - Uma protagonista que viaja no tempo e fica dividida entre um amor do presente e outro do passado. Como se não bastasse, ela terá que desvendar um assassinato. Escrita por Elizabeth Jhin, “Espelho da vida”, nova novela do horário das 18h, que estreia nesta terça-feira, 25, na Globo, irá se passar simultaneamente em duas épocas: 2018 e 1932.

    — Achei interessante acompanhar duas histórias acontecendo ao mesmo tempo, trazendo uma curiosidade sobre o destino dos personagens nas duas dimensões. Há também a história do filme que será rodado durante a novela — conta a autora, conhecida por tramas de temáticas espíritas como “Escrito nas estrelas” (2010), “Amor eterno amor” (2012), e “Além do tempo” (2015).

    LEIA MAIS: ‘Espelho da vida’: nova novela das 18h tem temática espírita e cenas em Mariana

    CONFIRA: Vitória Strada assume papel de Isis Valverde na novela ‘Espelho da vida’

    Na nova novela, que mesclará suspense e humor, uma equipe de cinema, liderada pelo diretor Alain Dutra (João Vicente de Castro), se instala em Rosa Branca, fictícia cidade histórica de Minas Gerais, para rodar um filme sobre Julia Castelo. A personagem é uma moradora do local que foi assassinada de forma trágica nos anos 1930.

    Para interpretar a protagonista do filme, Alain escala sua namorada, a atriz Cris Valência (Vitória Strada). Não demora muito para que a atriz descubra ser a reencarnação da própria Julia. Ao visitar o casarão em ruínas onde ela morou, Cris começa a viajar pelo tempo. Em idas e vindas no tempo, descobre que várias pessoas com quem convive no presente também têm ligação com sua vida passada.

    310608.jpgCris ficará dividida entre Alain e Danilo Breton (Rafael Cardoso), grande amor de Julia Castelo, apontado como seu assassino.

    — Pensei nesse triângulo amoroso diferente do usual, gosto da ideia de “brincar” com diferentes possibilidades. Um amor possível, atual e um amor ideal, mas inalcançável por se passar em um outro mundo. Cris vai ter que fazer uma escolha, mas como? — diz a autora.

    Alice na toca do coelho

    “Espelho da vida” marca a transição de Pedro Vasconcelos da direção-geral para a direção artística da Globo. Aos 44 anos de idade e 25 dedicados à direção, ele abriu mão da construção de uma cidade cenográfica nos estúdios da emissora para gravar as cenas externas da trama em cidades mineiras como Mariana, Tiradentes, Ouro Preto e Carrancas. Somente o casarão Julia Castelo foi erguido nos estúdios Globo.

    — Nossa inspiração para a viagem pelo tempo da protagonista é algo como “Alice nos país das maravilhas”. Será como se fosse a queda da menina na toca do coelho. Quando Cris volta ao passado, veremos sua expressão descobrindo tudo aquilo, a reação dela será mais importante que qualquer coisa. Não há necessidade de usar efeito especial — explica Vasconcelos.

    O diretor afirma que o maior gancho de uma história será “a emoção”:

    — É isso que fisga o telespectador. O texto e os atores também são fundamentais. Por mais grandioso que seja o evento, há sempre um personagem e uma cena, para criar um vínculo com o público.

    VEJA TAMBÉM: Júlia Lemmertz fala do novo trabalho em 'Espelho da vida'

    Além do amor do passado de Julia, Cris enfrentará outro obstáculo para ficar com Alain. A vilã Isabel (Alinne Moraes), ex-noiva do diretor de cinema, fará de tudo para reconquistá-lo.

    — Ela é capaz de tudo para conquistar seus objetivos, não tem empatia, é muito sedutora e sabe o que quer — diz Alinne.

    Depois de viver um vilão em “Rock story” (2016), trama que marcou sua estreia nas novelas, João Vicente de Castro volta ao ar na pele de um protagonista complexo.

    — Alain é cheio de defeitos, como todo ser humano. Ele fica muito em cima da Cris, sente ciúmes. E se comporta feito uma criança afetada quando está perto da Isabel — conta o ator.

    Uma dos grandes charmes da novela, dizem a autora e o diretor artístico, será mostrar os bastidores das filmagens do longa sobre a vida de Julia Castelo. O cotidiano da pacata Rosa Branca muda totalmente após a chegada da equipe de cinema e dos atores que irão trabalhar na produção. Além de Cris, o longa terá a participação do galã Mauro César (Rômulo Arantes Neto), de Mariane (Kéfera Buchmann), famosa pelo trabalho na TV e por ter milhares de seguidores nas redes sociais, de Carmo (Vera Fischer), atriz que anda meio afastada dos holofotes, entre outros.

    — A gente quer brincar com isso de mostrar os truques e bastidores de uma filmagem, é o nosso universo. A chegada da equipe de cinema nessa cidade do interior funciona como um circo — compara Vasconcelos.


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    RIO - A fala acelerada de Andrucha Waddington parece querer acompanhar o ritmo de trabalho do diretor, dividido, atualmente, entre diferentes produções para a TV e o cinema. Com os dez episódios da segunda temporada de “Sob pressão” prontos para estrear no dia 9 de outubro, na Globo, ele lança ainda o filme “Chacrinha: O Velho Guerreiro”, no dia 25 de outubro, e já finaliza mais um longa, o suspense sobrenatural “O juízo”, em fase de montagem.

    — Transitar entre vários gêneros e trabalhos é uma característica minha. Sempre quis fazer uma história diferente da outra — observa Waddington, de 48 anos.

    Sucesso no ano passado, a série sobre o caótico cotidiano de um hospital público carioca emplacou a maior audiência das noites de terça-feira da emissora dos últimos seis anos, com média de 27 pontos em São Paulo e 30 no Rio. Coprodução da Globo com Conspiração Filmes, “Sob pressão” é uma derivação do longa homônimo, de 2016, também dirigido por Waddington — na TV, ele divide a direção com Mini Kerti.

    Antes do lançamento, a Globo exibe amanhã, às 22h50m, na “Tela quente”, o telefilme “Sob pressão — Heróis da emergência”. A produção é uma compilação de cenas da primeira temporada, com foco no romance entre os médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano), em meio à rotina do hospital.

    — Nosso casal de ouro estará no centro da ação da segunda temporada. Agora, a questão da corrupção também ganhará espaço na história — diz o diretor.

    310751.jpgEntre as novidades, está a entrada de Renata (Fernanda Torres), nova diretora do hospital, no lugar de Samuel (Stepan Nercessian).

    — Ela será absorvida por um esquema de corrupção e, quando percebe, não terá mais volta — adianta.

    Marcelo Serrado também participa de alguns episódios no papel do assessor da secretaria de saúde. O cirurgião ortopedista Henrique (Humberto Carrão) é outro novo personagem que irá se envolver no esquema corrupto de Renata.

    78924473_SC 18-09-2018 - Andrucha Waddington diretor de cinema . Foto Leo Aversa.jpg— A Nanda (Fernanda Torres, com quem Andrucha é casado) esteve em “Os normais” e “Tapas & beijos” nos últimos anos, mas já fez muito drama.

    O diretor destaca ainda a participação de 194 atores, de diferentes partes do Brasil, ao longo da nova temporada.

    ÔNIBUS CAPOTADO

    O novo ano de “Sob pressão” trará muitas cenas fora do hospital. Em um dos episódios, Carolina estará num ônibus que, após uma tentativa de assalto, capota, despenca de um viaduto e explode. O desabamento de um prédio, a colisão de um caminhão e o içamento de um paciente obeso pela varanda de um prédio também serão mostrados nesta temporada.

    LEIA MAIS: Gravação de 'Sob pressão' usou dois ônibus de 100 litros de querosene

    Com supervisão de texto de Jorge Furtado, redação final de Lucas Paraízo, que escreve com Antonio Prata, Marcio Alemão e André Sirangelo, “Sob pressão” terá uma terceira temporada, já em fase de gravações.

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    Após dirigir, em 2015, um musical sobre Abelardo Barbosa (1917-1988), o Chacrinha, ele leva a história do lendário apresentador de televisão para o cinema. No longa, Stepan Nercessian e Eduardo Sterblitch vivem o personagem em duas fases.

    — O filme tem uma dramaturgia diferente do musical. São duas maneiras de contar a mesma história. Vamos mostrar o Chacrinha jogando bacalhau para a plateia, mas foquei muito em sua conduta nos bastidores.

    O outro novo filme do diretor, “O juízo”, ainda não tem data de lançamento. Com roteiro de Fernanda Torres, ele traz no elenco Fernanda Montenegro, Lima Duarte e o rapper Criolo.


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    O artista plástico pernambucano Paulo Bruscky, de 69 anos, foi agredido após realizar um discurso político no bar Emporio Sertanejo, no bairro Espinheiro, no Recife, na madrugada deste sábado.

    Segundo o Jornal do Commercio, um casal que estava no estabelecimento — e que teria se declarado eleitor de Jair Bolsonaro — não gostou do teor da fala de Bruscky e passou a discutir de maneira brusca com o artista. O entrevero gerou empurrões que culminaram numa agressão do outro cliente, não identificado.

    LEIA MAIS: Marina Abramovic é agredida com uma tela na Itália

    As imagens da briga foram registradas pelas câmeras de segurança do estabelecimento. A confusão, no entanto, foi logo apartada por outros clientes e funcionários do bar. Ainda de acordo com o jornal pernambucano, Bruscky teria sido imobilizado pelo dono do bar num golpe de gravata.

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    Nas redes sociais, uma campanha de boicote ao Emporio Sertanejo ganhou força neste domingo. Em sua conta oficial no Twitter, o jornalista e escritor Xico Sá prestou solidariedade ao artista, compartilhando um post que relatava: "Faz tempo q não vou mais no Empório Sertanejo, no Espinheiro. Agora q seu mais notório e ilustre frequentador, Paulo Brusky, sofreu uma agressão covarde por proferir um discurso contra o facismo, a calçada desse estabelecimento não verá mais nem o pó de minha sandália."

    Tweet Xico Sá

    Vencedor da Bolsa Guggenheim em 1981, Bruscky tem obras nos acervos do MOMA, do próprio Guggenheim, do Tate e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.


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    A artista performática sérvia Marina Abramovic, de 71 anos, foi agredida na cabeça com uma tela durante uma conversa com alguns fãs no Palazzo Strozzi, na cidade italiana de Florença, onde ela participa na mostra "The cleaner", neste domingo pela manhã.

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    O responsável pelo ataque foi identificado pela autoridades locais como Vaclav Pisvejc, um tcheco de 51 anos que já tinha antecedentes na polícia italiana. O agressor utilizou uma tela com o retrato de Abramovic para atingi-la. Como o material era leve, a artista não sofreu ferimentos.

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    Há seis anos, Pisvejc, que afirma ser um artista, virou notícia ao atirar dólares falsos no Monastério de Santa Úrsula, antigo convento do maior município da região da Toscana. Em 2017, ele tingiu uma escultura de laranja na Piazza Signoria. Dois anos antes, o tcheco fez realizou uma "intervenção" ao se deitar nu na Via Zannetti.

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    Segundo o site italiano Firenze Today, algumas testemunhas pensaram se tratar de uma performance programada pela artista. Ainda de acordo com o veículo local, Abramovic, depois de levada para o bar do Palazzo Strozzi, teria conversado com Pisvejc, imobilizado pela segurança, que teria afirmado para ela: "Queria apenas mostra a minha arte".

    A mostra "The cleaner", que foi inaugurada na sexta-feira e segue em cartaz até o dia 20 de janeiro no Palazzo Strozzi, é uma retrospectiva de performances provocativas da artista, que teve sua primeira exposição individual realizada no Brasil em 2016, no Sesc Pompéia.

    Conhecida por performance instigantes e provocadoras, Abramovic venceu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, em 1997. Ela também foi agraciada como prêmios como The Bessies (2002) e Peabody (2012).


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    RIO - O artista plástico pernambucano Paulo Bruscky, de 69 anos, foi agredido após realizar um discurso político no bar Emporio Sertanejo, no bairro Espinheiro, no Recife, na madrugada deste sábado.

    Segundo o Jornal do Commercio, um casal que estava no estabelecimento — e que teria se declarado eleitor de Jair Bolsonaro — não gostou do teor da fala de Bruscky e passou a discutir de maneira brusca com o artista. O entrevero gerou empurrões que culminaram numa agressão do outro cliente, não identificado.

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    As imagens da briga foram registradas pelas câmeras de segurança do estabelecimento. A confusão, no entanto, foi logo apartada por outros clientes e funcionários do bar. Ainda de acordo com o jornal pernambucano, Bruscky teria sido imobilizado pelo dono do bar num golpe de gravata.

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    Nas redes sociais, uma campanha de boicote ao Emporio Sertanejo ganhou força neste domingo. Em sua conta oficial no Twitter, o jornalista e escritor Xico Sá prestou solidariedade ao artista, compartilhando um post que relatava: "Faz tempo q não vou mais no Empório Sertanejo, no Espinheiro. Agora q seu mais notório e ilustre frequentador, Paulo Brusky, sofreu uma agressão covarde por proferir um discurso contra o facismo, a calçada desse estabelecimento não verá mais nem o pó de minha sandália."

    Tweet Xico Sá

    Vencedor da Bolsa Guggenheim em 1981, Bruscky tem obras nos acervos do MoMA, do próprio Guggenheim, do Tate e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.


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    Temporada__Thiago Macêdo Correia 1ok.jpgBRASÍLIA — Numa edição marcada por temas atuais e urgentes, o 51º Festival de Brasília escolheu a leveza. Deu o prêmio de melhor longa a "Temporada", de André Novais Oliveira, uma simpática comédia dramática elogiada pelas atuações naturalistas. Pelo filme mineiro, previsto para entrar em cartaz em 2019, Grace Passô e Russão levaram o troféu Candango de atriz e ator coadjuvante, respectivamente. O documentário "Bixa travesty", de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, que conta a história da rapper trans Linn da Quebrada, foi eleito o melhor filme pelo júri popular. A cerimônia de premiação aconteceu na noite deste domingo, no Cine Brasília.

    — Esse troféu diz respeito a muita gente, como o (diretor) André Novais Oliveira. É muito bom poder admirar um homem em 2018. Diz respeito aos negros em movimento no país, às militâncias que desentortam e educam o olhar da sociedade para que pessoas como eu possam ser olhadas. Diz respeito à reconstrução de uma esquerda mais sólida no país — discursou a atriz Grace Passô, sob muitos aplausos.

    Com um elenco majoritariamente negro, "Temporada" conta a história de Juliana (Grace), uma agente do grupo de combate a endemias de Contagem, em Belo Horizonte. Solitária e fechada, ela lida com os efeitos de uma tragédia ocorrida no passado e um relacionamento conturbado com o marido. Aos poucos, porém, Juliana faz novos amigos, encontra afeto, conquista indepedência e liberdade, e finalmente reinventa o olhar sobre a vida.

    Aldri Anunciação, melhor ator por "Ilha", também exaltou a diversidade:

    — A imagem de uma negrura segurando o prêmio de melhor ator custou um tempo. Aqui tem toda uma comunidade de artistas negros que continuam articulando suas subjetividades, apesar das narrativas injustas que existem hoje.

    Apesar de "Torre das Donzelas", de Susanna Lira, ter causado muita comoção, o documentário sobre ex-presas políticas ficou com o prêmio especial do júri, espécie de segundo lugar. Já "Bixa travesti" ganhou uma menção honrosa.

    Os resultados eram considerados imprevisíveis por causa da composição diversa do júri de longas, formado pelo ator Humberto Carrão; a atriz Ítala Nandi; as realizadoras Sabrina Fidalgo e Dácia Ibiapina; o cineasta Sylvio Back; o crítico Ismail Xavier; e o pesquisador Hernani Heffner.

    Beatriz Seigner, do poético "Los silencios", exibido em Cannes, levou a estatueta de direção. Luciana Paes ("A sombra do pai") foi considerada melhor atriz coadjuvante.

    Na categoria de curtas-metragens, destacaram-se "Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados" e "Eu, minha mãe e Wallace", laureados pelo júri oficial e popular, respectivamente.

    A cerimônia foi marcada por reivindicações de protagonismo feminino, negro e LGBT no cinema. Houve ainda gritos de "Ele não" e cobranças por políticas de incentivo ao audiovisual.

    Veja os principais vencedores (e a lista completa no site do festival):

    Longa-metragem

    "Temporada", de André Novais Oliveira

    Longa-metragem (júri popular)

    "Bixa travesty", de Claudia Priscilla e Kiko Goifman

    Direção

    Beatriz Seigner ("Los silencios")

    Atriz

    Grace Passô ("Temporada")

    Ator

    Aldri Anunciação ("Ilha")

    Ator coadjuvante

    Russão ("Temporada")

    Atriz coadjuvante

    Luciana Paes ("A sombra do pai")

    Prêmio especial do júri

    "Torre das Donzelas", de Susanna Lira

    Menção honrosa

    "Bixa travesty", de Claudia Priscilla e Kiko Goifman

    Roteiro

    "Ilha" (Ary Rosa e Glenda Nicácio)

    Curta-metragem

    "Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados", de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito

    *Fabiano Ristow viajou a convite do festival


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    RIO — Dono de uma das produções mais longevas da arte brasileira, Flavio-Shiró reúne 44 pinturas, além de desenhos, fotos e objetos, em exposição que chega ao Rio amanhã após passar por São Paulo, entre julho e agosto. O artista — que se mudou com a família do Japão para Tomé-Açu, no Pará, em 1932, e desde 1953 se divide entre Rio e Paris — inclui na mostra suas primeiras pinturas, até trabalhos realizados este ano. Shiró fala da influência dos pais em sua formação artística e como é ver as fronteiras do mundo voltarem a se fechar aos imigrantes.

    Fazer uma panorâmica, que cobre tantos anos de carreira, o possibilita rever sua obra?

    “O ser humano carrega sentimentos obscuros (como a xenofobia), é como se fosse um vírus”.Cada retrospectiva leva a uma seleção diferente. Para esta, trouxe o primeiro quadro que vendi na vida, “A noite” (1950), para um pintor holandês que queria ajudar aquele jovem artista. Anos depois, tive a chance de recuperá-lo. Também selecionei outra das minhas primeiras pinturas, “Autorretrato com chapéu de palha”, que mostrei na primeira Bienal de São Paulo (1951). Essa tela tinha sido vendida para um senhor japonês que morava no interior de São Paulo. Anos depois da sua morte, alguém me disse que havia visto um quadro que “parecia comigo” à venda na internet. Fui ver e era a minha tela. Todo pintor é um pouco saudosista. Alguns trabalhos cumprem sua trajetória e acabam voltando para a gente.

    O senhor também selecionou obras de vários períodos, inclusive trabalhos deste ano.

    Isso, tem obras de 2018, mostrando que continuo ativo e não estou gagá (risos).

    Como é a sua rotina no ateliê?

    É bem livre. Não gosto de me forçar ou ficar só pintando, faço objetos ou me dedico à outra atividade criativa. Sempre faço intervenções onde vivo e trabalho, fiz nas minhas casas no Rio e em Paris. Escavei a parede atrás da minha cama, é como se fosse uma caverna de homens pré-históricos. Eles foram os únicos artistas livres de qualquer referência, aquelas pinturas rupestres foram a origem de tudo.

    A sua obra foi marcada pela mudança para o Brasil?

    Sim, foi um choque absolutamente incrível chegar ao Brasil ainda criança, poucos pintores tiveram essa chance. Quando se mudou para o Taiti, Gauguin já era maduro. Tenho certeza que, se tivesse ficado no Japão, não teria a mesma trajetória, talvez fosse mais ligado à pintura tradicional japonesa.

    E o ambiente em casa, o influenciou a seguir o caminho da arte?

    Muito, meu pai era um pintor talentoso e tinha esse sonho, mas com seis filhos era difícil. A minha mãe tocava piano e shamisen (instrumento de corda japonês). Cheguei a aprender piano, mas minha antiga professora me contou que, um dia, eu fechei a tampa do instrumento e disse: “A música acabou, quero ser pintor”. Não me recordava disso, mas lembro que foi um contentamento enorme para o meu pai.

    Como é para um artista transnacional como o senhor ver países voltando a fechar suas fronteiras e o retorno de manifestações xenófobas?

    É um problema grave, o ser humano carrega estes sentimentos obscuros, é como se fosse um vírus. A (filósofa alemã) Hannah Arendt falava bem sobre esse mal. O Brasil precisa ter atenção, não estamos numa das situações mais confortáveis.

    O senhor sempre colocou, em seu trabalho,questões que o afligiam. É importante que os artistas se posicionem?

    Não quero ser dogmático, mas temos que participar, sentir as coisas. Quando vi a notícia do acidente de Fukushima, imediatamente desmontei telefone antigo e fiz um objeto, que poderia remeter a uma usina nuclear.

    Ano que vem sua primeira mostra no MAM do Rio completa 60 anos. Acha que representou um ponto de virada na carreira?

    Sim, tenho uma relação forte com o museu, foi o único em que fiz três individuais, em 1959, 1965 e 1993. Em 1965, lembro que estava no museu num domingo e só tinha uma mulher na exposição, olhando as obras com muita atenção. Ela perguntou se eu era o artista e se queria trocar um trabalho com ela. Era a Maria Martins, tenho a obra que ela trocou comigo até hoje, em Paris.

    Serviço — “Flavio-Shiró”

    Onde: Pinakotheke — Rua São Clemente, 300, Botafogo (2537-7566).

    Quando: Seg. à sex., das 10h às 18h; sáb., das 10h às 16h. Abertura em 25/9. Até 17/11.

    Quanto: Grátis.

    Classificação: Livre


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    Lançada recentemente pela Darkside, a graphic novel “Samurai Shirô”, de Danilo Beyruth, nasceu atrelada a um projeto de adaptação para o cinema. O filme, cujo roteiro foi elaborado paralelamente à execução dos quadrinhos, vai se chamar “Princesa da Yakuza”, será dirigido por Vicente Amorim e terá coprodução brasileira e japonesa.

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    Com pequenas diferenças entre a HQ e o longa, a história se divide entre São Paulo, no bairro da Liberdade, e o Japão, berço da temida Yakuza, a máfia local. Os personagens principais da trama são Akemi, uma adolescente de origem japonesa que sofre com a perda recente do avô, e um homem sem memória, o Shirô do título, encontrado carregando consigo apenas uma katana, a lendária espada samurai. Em paralelo, um grupo de yakuzas vêm do oriente para promover um antigo acerto de contas.

    — A cultura japonesa me interessa muito. O projeto dos quadrinhos ficou cozinhando na minha cabeça durante muito tempo. Há quase dez anos vinha pensando nisso. Só que algumas versões de roteiro não funcionavam bem. Quando encontrei a solução, no entanto, foi rápido. Levou de seis a sete meses para desenhar — diz ele, que gosta de diversificar os temas abordados em suas obras autorais, que vão do terror (“Necronauta — O almanaque dos mortos”) ao cangaço (“Bando de dois”), passando pela religião e espiritualidade (“São Jorge”).

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    No papel, “Samurai Shirô” tem todos os elementos estéticos do mangá clássico: desenhos em preto-e-branco, uso de retícula para as sombras e uma narrativa visual bem ágil. Embora reconheça a influência dos quadrinhos japoneses, Beyruth rejeita a sugestão de que seu trabalho seja uma versão ocidentalizada deles.

    — Foi uma opção mercadológica, já que imprimir um gibi de 180 páginas coloridas tem um custo muito alto no Brasil. Optamos por uma solução parecida com a japonesa, imprimir em preto-e-branco para baratear, menos o acabamento com papel de baixa qualidade — diz o artista, que atualmente desenha para a Marvel uma história única do supervilão Carnificina, inimigo do Homem-Aranha e de Venom.

    Beyruth e Vicente Amorim se conheceram durante a produção de “Motorrad”, mais recente longa do cineasta carioca, lançado em março. O quadrinista assinou a criação dos personagens do filme, jovens motociclistas perseguidos por um misterioso grupo de assassinos. Foi o produtor L.G. Tubaldini Jr. que reuniu os dois artistas, no fim das filmagens, para fazer a proposta de trabalharem juntos na adaptação de “Samurai Shirô” para o cinema.

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    Amorim, que já havia trabalhado em coprodução com o Japão em “Corações sujos” — adaptação de 2012 para o romance homônimo de Fernando Morais se prepara para filmar nos dois países: deve ir ao Japão dentro de algumas semanas para definir o elenco estrangeiro.

    — Não vai ser uma adaptação quadro a quadro, como em “Tungstênio”, que o Heitor Dhalia fez a partir do álbum do Marcello Quintanilha — diz o diretor, que atualmente está finalizando o seu próximo longa, “A divisão”, suspense policial sobre a equipe que acabou com os crimes de sequestro no Rio nos anos 1990. — Quero criar um ambiente futurista, para criar uma estranheza. A ideia é fugir do naturalismo.


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    RIO — Legítimos enlatados dos anos 1980, as séries “Magnum P.I.” e “Murphy Brown” estão de volta aos holofotes. E são as mais recentes reencarnações da TV americana. “S.W.A.T.” e “MacGyver” também já deram as caras de novo. Seriam ideias de menos e oportunismo demais? Para Shemar Moore, protagonista do novo “S.W.A.T.”, pode até ser.

    — Hollywood é um lugar onde, quando algo funciona, eles tendem a tentar imitar. Não acho que isso sempre seja uma ideia inteligente. Bem, a verdade é que a primeira coisa com a qual Hollywood se importa é ganhar dinheiro — reconhece o ator, que, no entanto, jura não ser este o caso de “S.W.A.T.”.

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    Já há até uma nomenclatura específica para essas reciclagens. Os remakes acontecem quando uma velha história é recriada com novos autores. O reboot é quando uma premissa de sucesso é reimaginada, com novas narrativas e abordagens. E o revival ganha esse nome sempre que uma série extinta volta tempos depois com o mesmo elenco interpretando os mesmos personagens.

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    Diretor-geral da Universal TV, que transmite o novo “MacGyver” no Brasil, Paulo Barata explica que produções do tipo possuem chances menores de cancelamento. São, portanto, apostas seguras, num mercado cada vez mais concorrido.

    — Tivemos uma resposta muito positiva tanto do público que já conhecia a série quanto daqueles que não a conheciam. Ou seja, remakes e reboots não são só produzidos para falar com o público nostálgico, mas têm o poder de apresentar um personagem marcante a uma nova geração — defende.

    SHE-RA MENOS SENSUAL

    Por isso mesmo, é comum ver nos reboots acenos aos novos tempos. Na adaptação de “Charmed”, que estreia nos EUA em outubro, a diversidade foi uma preocupação: agora, as irmãs são latinas, e uma das personagens principais é lésbica. Já na nova versão do desenho animado “She-Ra”, ícone da infância oitentista, a protagonista ganhou ares mais infantis e roupas menos sensuais.

    Entre os revivals recentes, o caso mais curioso foi o de “Roseanne”. Transmitida originalmente entre 1988 e 1997, a série da ABC centrada em uma família retornou este ano com audiência estrondosa nos EUA. No entanto, não sobreviveu aos comentários racistas da protagonista, a atriz Roseanne Barr, hoje tuiteira frenética e entusiasmada defensora do presidente Donald Trump.

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    'Roseanne' é cancelada após comentários racistas da atriz protagonista

    Roseanne culpa efeito de pílulas para dormir por comentários racistas

    Quem é Roseanne, atriz da série cancelada após comentários racistas

    ‘Roseanne’ terá um spin-off sem a participação de Roseanne Barr

    Sinal de que viver de passado nem sempre é um bom negócio? Mais ou menos: com Barr demitida, a ABC lança em outubro “The Conners”, spin-off — obra derivada da série anterior — com todo o elenco reunido, menos a protagonista, que, na história, será morta.

    Sinal de que, como dizia o pensador, nada se perde, tudo se transforma.playbuzz - séries reboot

    Colaborou Liv Brandão


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    A França vai oferecer incentivos financeiros para convencer sua indústria cinematográfica a recrutar mais talentos femininos. Produções que tiverem entre quatro e oito mulheres em posições-chave poderão receber um subsídio maior do governo, anunciou Françoise Nyssen, ministra da Cultura da França. Segundo ela, menos de um em seis filmes atualmente se qualificariam.

    Os projetos serão classificados de acordo com um sistema de pontos: um ponto por diretora feminina, um ponto por roteirista feminina, e assim por diante. Qualquer filme com oito pontos poderá receber o aumento máximo de 15%.

    "Acredito em incentivos financeiros", disse Nyssen, anunciando o pacote de medidas relacionadas a gênero em uma conferência sobre paridade e diversidade na sede do Conselho Nacional de Cinema Francês. "Quando as coisas não mudam por si mesmas, ou mudam muito devagar, cabe a nós fazer acontecer."

    Nyssen deu prosseguimento a um compromisso assumido no Festival de Cannes, em maio, de tornar os subsídios para o cinema mais dependentes de metas de paridade de gênero.

    O festival deste ano — realizado em meio ao crescimento do #MeToo e às alegações de má conduta sexual contra Harvey Weinstein — foi dominado por questões de desigualdade de gênero. Numa cena espetacular, um grupo de 82 mulheres (uma para cada filme dirigido por mulheres que já esteve na principal competição de Cannes, menos de 5% do total) invadiu o tapete vermelho.

    A marcha foi organizada por um coletivo chamado 5050 até 2020, que está pressionando pela igualdade de gênero na indústria cinematográfica até o final da década. De acordo com os números do coletivo, de um total de 2.066 diretores na França que fizeram um ou mais filmes entre 2006 e 2016, apenas 23% eram mulheres.Entre documentários esse número sobe para 29%, mas foi de apenas 4% em filmes de animação.

    Sandrine Brauer, que faz parte do grupo, reagiu positivamente ao anúncio francês.

    — Estamos coletivamente felizes, porque são medidas muito concretas que serão introduzidas imediatamente — disse Brauer, que é produtora. — Um mundo ideal teria oportunidades iguais. O que estamos vendo agora é que, se uma funcionária do sexo feminino trabalha, digamos, 100 horas em um determinado ano, sua contraparte masculina trabalha muito mais. E se uma diretora faz três filmes em 10 anos, o equivalente masculino faz quatro.

    No entanto, François Ivernel — ex-executivo da gigante de entretenimento francesa Pathé, que acaba de produzir "The White Crow", dirigido por Ralph Fiennes — disse que embora apoiasse igualdade de remuneração e igualdade de gênero, considerou as novas medidas "artificiais".

    — Não conheço muitos produtores ou diretores masculinos que querem se cercar de homens — argumenta — Eles estão procurando as pessoas mais competentes no campo.

    Ivernel afirma que, embora esteja ciente da falta de diretoras de fotografia, praticamente todas as outras disciplinas cinematográficas têm mulheres.

    — Eu não acho que as cotas ou as medidas financeiras vão resolver o problema.

    Ivernel diz ter percebido um crescimento no número de jovens cineastas mulheres estudando em La Fémis, a principal escola de cinema da França.

    — A transição de uma geração para outra resolverá o problema. As mentalidades estão mudando — opina.

    O Canadá já introduziu um sistema de pontos criado no governo do primeiro-ministro Justin Trudeau, que fez da igualdade de gênero uma prioridade. O conselho de financiamento de filmes do governo canadense, Telefilm Canada, anunciou em novembro de 2016 que favoreceria filmes dirigidos ou escritos por mulheres.


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    RIO — Os anos 60 já terminaram há tempos: cronologicamente, culturalmente, ideologicamente. E, um por um, seus principais músicos estão decidindo que já estão na estrada há tempo suficiente. Uma dessas figuras, o cantor folk Paul Simon fez sua despedida dos palcos, aos 76 anos, no Flushing Meadows Corona Park, Nova York.

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    O cantor afirmou que está se aposentando das turnês, mas não de compor e cantar. O local para o show de despedida foi escolhido a dedo: perto do Unisphere, um símbolo do otimismo global dos anos 1960, no maior parque do Queens. Simon invocou seu mundo de influências, ideias e detalhes, justapondo e combinando a introspecção com uma festa dançante.

    Simon nasceu em Nova Jersey, mas cresceu no Queens, e estava eufórico bem antes de cantar “Goodbye to Rosie, the queen of Corona", em "Me and Julio down by the schoolyard", sabendo exatamente a ovação que ele teria do público. Depois que ele cantou "Kodachrome", que menospreza "toda a porcaria que eu aprendi no ensino médio", ele disse: "Tome isso, Forest Hills High", antes de admitir que ele "teve um bom tempo lá".

    Show Paul Simon

    O cantor transitou pela sua última performance com naturalidade, rebendo gritos e aplausos toda vez que uma música mencionava "Nova York" ou um de seus pontos de referência. O parque fica sob uma rota de vôo; Quando um avião rugiu em direção ao pouso, Simon acenou com um alegre “Bem-vindo a Nova York”. Ele terminou o show e sua carreira na estrada com “The sound of silence”, que traz uma advertência enraizada. no cotidiano de Nova York: “As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô e nos cortiços".

    Mas a música de Simon também retratou uma cidade de Nova York além do antigo bairro: internacionalmente conectada e informada, curiosa e acolhedora, culturalmente interligada e inquietamente exploratória e, muitas vezes, um lugar de solidão desconfortável em meio à hiperatividade.

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    As melodias animadas de canções como "You can call me al e "Kodachrome" carregaram notícias de desespero e desilusão. Impulsionado por aplausos de mão em ritmo flamenco, "Wristband", do álbum de 2016 de Simon "Stranger to Stranger", advertiu sobre a crescente revolta de pessoas que se sentem excluídas.

    Simon sempre evitou mensagens políticas diretas, determinado a não ser didático. Ele apresentou "American Tune", lançada em 1973, que versa: "Quando penso na estrada em que estamos viajando / eu me pergunto o que deu errado" - simplesmente dizendo: "Tempos estranhos, hein? Não desista".

    Despedidas no pop tendem a ser finais até que acabam revelando não ser. De qualquer forma, Simon sugere que, mesmo deixando a estrada para trás, o trabalho não terminou.

    SETLIST DA DESPEDIDA DE PAUL SIMON

    1 - "America" (Simon & Garfunkel )

    2 - "50 ways to leave your lover'

    3 - "The boy in the bubble"

    4 - "Dazzling blue"

    5 - "That was your mother"

    6 - "Rewrite'

    7 - "Mother and child reunion"

    8 - "Me and Julio down by the schoolyard"

    9 - "Rene and Georgette Magritte with their dog after the war"

    10 - "Can't run but"

    11 - "Bridge over troubled water" (Simon & Garfunkel )

    12 - "Wristband"

    13 - "Spirit voices"

    14 - "The obvious child"

    15 - "Questions for the Angels"

    16 - "The cool, cool river"

    17 - "Diamonds on the soles of her shoes"

    18 - "You can call me Al"

    19 - "Late in the evening"

    20 - "Still crazy after all these years'

    21 - "Graceland"

    22 - "Homeward bound" (Simon & Garfunkel )

    23 - "Kodachrome"

    24 - "The Bboxer" (Simon & Garfunkel)

    25 - "American tune"

    26 - "The ound of silence"


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    silamria.jpgRIO — Simaria, afastada dos palcos desde a última semana para tratar novamente uma tuberculose ganglionar, contou aos fãs que está com duas novas enfermidades. A cantora foi diagnosticada com gastrite, uma inflamação no estômago, e anemia. Como divulgado anteriormente pelo EXTRA, a baiana já havia anunciado uma pausa nos shows para cuidar da doença ganglionar que a acometeu há um ano.

    "Estou com uma inflamação no estômago causada por uma outra bactéria que eu provavelmente adquiri de comida. De um lado, remédio para tuberculose, de outro a gastrite... Por esses motivos, meu médico Dr. David Uip, em comum acordo com a equipe dele, decidiram me afastar dos shows".

    Simaria afirma ainda que continuará trabalhando na produção do novo DVD ao lado da irmã, Simone. Em sua rede social, a artista comentou que se esforçou para cumprir os compromissos profissionais:

    "Infelizmente, na semana passada, tive mais um mal estar e, após realizar vários exames, ficou definido que devo me afastar novamente dos palcos. Ao longo deste mês, dei o melhor de mim em todos os shows e compromissos, vocês sabem como sou batalhadora e 'dura na queda', mas a rotina na estrada não é fácil, ainda mais para conciliar com o tratamento da tuberculose ganglionar. Infelizmente, por conta da logística de show, horários das apresentações – muitas vezes acontecem muito tarde e desregulam meus horários da medicação, desgaste físico – vocês sabem que não é somente cantar, eu amo pular, brincar e gosto de animar meu publico, isso exige muito de mim".

    Simaria, de 36 anos, ficou de maio a agosto deste ano de repouso e de férias.

    "Depois destes quatro meses de tratamento, achei que já estava forte (...) Achei que estava bem para voltar aos palcos. Enquanto eu estive afastada, consegui comer e dormir na hora certa (...) Mas como os shows são muito tarde, não consegui tomar direito os medicamentos (...) Foi quando resolvi voltar ao médico outra vez porque num destes fins de semana eu passei muito mal e fiz novos exames".

    A cantora voltou a ficar internada, e a equipe médica concluiu que Simaria ainda está com tuberculose ganglionar. A cantora, por fim, foi dignosticada também com gastrite e anemia. O tratamento se estenderá por mais três meses, pelo menos, como informou a irmã de Simone em sua rede social.


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