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    RIO - Alguns dias antes do lançamento de seu livro de memórias “In Pieces” (“Em pedaços”, na tradução literal) — marcado para esta terça, dia 18, nos Estados Unidos — Sally Field ainda não tinha certeza se queria publicá-lo. Ela sentiu a mesma indecisão ao longo dos mais de seis anos em que passou trabalhando nele.

    — Eu não sabia que tinha uma voz — disse ela, de modo suave, em uma conversa recente.

    Mas Sally sentiu-se compelida a dizer algo quando, em 2012, fez um discurso na Women and Power, uma conferência voltada para mulheres organizada pelo Omega Institute, em Rhinebeck, no estado de Nova York. Em vez de tecer comentários iniciais, ela compartilhou com a audiência uma reflexão sofisticada sobre o laboratório que fez para encontrar Mary Todd Lincoln, a mulher do presidente americano, que viveu no premiado “Lincoln”, de Steven Spielberg, pela qual foi indicada ao Oscar, e a relação com sua mãe, Margareth, que morreu de câncer em 2011.

    Logo depois de saber que o papel de “Lincoln” seria mesmo dela, a atriz fez um jantar para Margareth. Na ocasião, contou pela primeira vez sobre como havia sido abusada sexualmente por seu padrasto quando criança.

    Foi difícil para a mãe da atriz ouvir da filha que não havia sido um ato isolado, e sim uma série de abusos que atravessara toda a adolescência de Sally. Mas, na manhã seguinte, Margareth, mesmo com a saúde abalada, assegurou à filha que ela não estaria mais sozinha em sua dor.

    Ao recordar a experiência de tratar do tema em um discurso público, a atriz afirmou:

    — Estava tremendo toda. Mas me senti fortalecida por aquela massa sem rosto de pessoas desconhecidas. Quando coloquei tudo para fora, senti que elas me deram algo de volta.

    “In Pieces” dificilmente pode ser considerada uma autobiografia tradicional, apesar de mergulhar em alguns dos mais famosos papéis de Sally, duas vezes premiada com o Oscar de melhor atriz, e em alguns dos seus relacionamentos com celebridades — como o que teve com o ator Burt Reynolds, morto no último dia 6 de setembro. No livro, a atriz também conta como criou três filhos de dois casamentos que terminaram em divórcio.

    A vida que Sally revela ao longo de “In Pieces” foi obscurecida por abusos e crueldades infelizmente comuns entre mulheres, tanto dentro quanto fora da indústria do entretenimento.

    O livro também revela uma trajetória marcada pela vontade da atriz de sondar as profundezas de seus sentimentos. Sally disse que esse desejo se tornou mais agudo após a morte da mãe, que criou a família no sul da Califórnia e atuou em filmes como “O Homem do Planeta X” (1951).

    “ELE PARECIA SER MÁGICO”

    Depois que Margaret Field pediu o divórcio do pai de Sally, Richard, no mesmo 1951, ela se casou novamente, um ano depois, com Jock Mahoney, dublê e ator, mais conhecido pelo apelido de Jocko.

    “(...) teria sido muito mais fácil se Jock não fosse nada além de cruel e assustador. Mas ele não era. Ele conseguia ser mágico, o flautista que nossa família seguia em transe”, escreve Sally no livro.

    O padrasto também frequentemente convocava Sally para ir, sozinha, ao quarto dele. Sally disse que os abusos só pararam depois que ela completou 14 anos. Sua mãe se divorciou de Mahoney em 1968, e ele morreu em 1989.


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    RIO — Apresentada de forma discreta na cena extra de "Vingadores: Guerra Infinita", a Capitã Marvel ganhou o primeiro trailer de seu filme próprio nesta terça-feira. O filme, previsto para 8 março de 2019, Dia Internacional da Mulher, será o primeiro da Marvel com uma protagonista feminina além do primeiro dirigido por uma mulher, Anna Boden.

    Brie Larson interpreta a personagem principal, Carol Danvers, uma piloto de caça que se torna uma superheroína quando seu DNA se une ao de uma alienígena (é um filme da Marvel, lembrem-se).

    samuel-l-jackson.jpgO filme se passa nos anos 1990, como fica claro pela loja da Blockbuster que aparece logo na abertura do trailer. Samuel L.Jackson volta ao papel de Nick Fury, rejuvenescido pelos milagres da computação gráfica. Jude Law, Djimon Hounsou, Ben Mendelsohn completam o elenco.

    A cena final do último filme dos Vingadores indica que a Capitã Marvel deve ter um papel importante em "Guerra Infinita 2" (Entenda a cena pós-créditos de 'Vingadores: Guerra Infinita'). Com lançamento previsto para 2 de maio de 2019, o fillme ainda não tem título oficial. Veja o trailer de "Capitã Marvel".

    Captain Marvel - Official Trailer


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    78913836_FILES This file photo taken on November 26 2002 at the Fondation Cartier in Paris shows Pau.jpg

    RIO - Pensador pioneiro e radical da aceleração do mundo, o urbanista e filósofo Paul Virilio faleceu no dia 10 de setembro, aos 86 anos, vítima de um ataque cardíaco. O anúncio foi feito pela família na manhã desta terça-feira, 18. O funeral aconteceu no dia anterior, em total sigilo - seguindo um desejo do próprio autor.

    Antigo diretor da Escola Especial de Arquitetura de Paris, Virilio se notabilizou nos anos 1970 por suas teorias sobre a rapidez dos acontecimentos contemporâneos. Virilio defendia que compreender a velocidade no cotidiano era essencial para compreender a organização social do mundo. "Não existe a globalização, apenas virtualização. O que está sendo globalizado de fato pela instantaneidade", disse o filósofo "Paul Virilio: Theorist for an Accelerated Culture".

    Com uma abordagem pessimista, o autor pensou de forma crítica as transformações provocadas pela tecnologia. Seu pensamento foi marcado pela guerra, que ele vivenciou na adolescência: nascido em Paris em 1932, teve uma experiência particularmente traumática com o bombardeio da cidade de Nantes, centro da França. "'A guerra foi minha universidade. Tudo partiu dali", disse ele em uma entrevista. Em meio aos escombros, Virilio sentiu pela primeira vez a ideia que inspirou o título de uma de suas maiores obras: "Estética da desaparição".

    Neste livro, publicado originalmente em 1980, Virilio parte dessa vivência de uma sociedade desagregada para antecipar muitas discussões que mais tarde se tornariam centrais, como o compartilhamento compulsório de informações, a virtualização do dia a dia e novas formas de isolamento e dispersão.

    Entre sua vasta biografia, alguns livros tiveram mais repercussão no Brasil a partir dos anos 1990. Em "O espaço crítico", publicado pela Editora 34 em 1993, Virilio analisa mais profundamente o papel da arquitetura na realidade urbana contemporânea. Já em "A máquina de visão" (1994), da José Olympio e "A bomba informática" (1999), da Estação Liberdade, ele discorre sobre como o fluxo crescente e incontrolável de informação permitiu a criação de todo tipo de bomba, da atômica à genética. Em "Guerra e cinema" (1993), cuja última versão brasileira é da Boitempo, de 2005, o autor traça um paralelo tão fascinante quanto revelador sobre a evolução da indústria armamentícia e cinematográfica.


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    RIO - Em meio à polarizada disputa eleitoral, o rapper Emicida pôs mais lenha na fogueira nesta terça-feira com o lançamento do single "Inácio da Catingueira". "A gente ganha mostrando em campo, correndo, marcando, nosso povo precisa de gol, de virar o jogo, não de polêmica", avisa ele, logo no começo da música, pouco antes de soltar a metralhadora verbal.

    "Minha trajetória é real, a de vocês é cênica / cínica, cômica, qué alvoroço", versa Emicida, mirando a "militância anêmica" que "precisa dos preto fudido com grilhão no pescoço". Mais á frente, ele cita o nome de Lobão, roqueiro hoje identificado com o pensamento de direita: "Mas f*-se, desci pra pista / com um Nike pra cada merda que o Lobão diz / e eles diz que sou comunista / cês num precisa de palco, precisa de analista."

    Emicida - Inácio da Catingueira (Clipe Oficial)

    Alertando para o fato de que "só no Fashion Week nóiz empregou uma preta pra cada textão", o rapper finaliza seu ataque com a pergunta "Qual capitão do mato vai caçar like com meu nome amanhã?". "Inácio da Catingueira", ele diz, é o personagem de um escravo que fazia literatura de cordel, expressão artística cuja estética, de xilogravura, inspirou o clipe da faixa, feito por André Maciel.

    Emicida se apresenta dias 22 e 23 em São Paulo, na Casa Natura Musical. O show de abertura ficará por conta da MC e cantora Drik Barbosa.


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    RIO — Vencedor do Oscar de melhor filme em 2013, com "12 anos de escravidão", o cineasta Steve McQueen anunciou um novo projeto fora do mundo do cinema. Trata-se de um ambicioso plano de expor fotografias de todas as crianças do terceiro ano (o equivalente a segunda série no Brasil) das escolas de Londres.

    As clássicas fotografias de turma, que retratam filas de crianças sentadas e em pé, serão exibidas de novembro de 2019 a maio de 2020 nas Galerias Duveen, na Tate Britain; enquanto a organização de arte pública Artangel irá mostrar as fotos em outros bairros londrinos.

    Até o momento, 120 escolas já se inscreveram. McQueen está convidando cada uma das 2.410 escolas de Londres, incluindo instituições privadas e estaduais, a se registrar. Cerca de 30 fotógrafos foram contratados para concluir o projeto que é co-organizado pela organização sem fins lucrativos de educação A New Direction.

    “Este será um retrato coletivo do futuro de Londres”, diz Maria Balshaw, diretora da Tate.

    No lançamento da iniciativa, ocorrido nesta terça-feira, McQueen disse que “há uma urgência em refletir sobre quem somos e de onde viemos… Em algum momento, tendemos a olhar para trás e perguntar o que aconteceu com eles (os outros alunos). É sobre trajetórias de vida”.

    Perguntado se o projeto é uma declaração política em resposta ao Brexit, ele afirmou que o projeto foi criado antes do referendo de junho de 2016. Os representantes da Tate enfatizam que a iniciativa abordará temas como “inclusão, diferença, identidade e aspiração”.

    E NO CINEMA

    Destino e futuro também são temas que estarão presentes no novo longa-metragem do cineasta, “As viúvas”, que estreia no fim de novembro e foi apresentado em sessão de gala no Festival de Toronto.

    O filme narra a história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada pelas atividades criminosas de seus maridos mortos. A trama é situada em Chicago, em meio a um período de turbulências, e as tensões aumentam quando Verônica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) se unem e conspiram para criar um futuro baseado em seus próprios termos.

    Veja o trailer abaixo:

    Trailer de “Viúvas”


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    BRASÍLIA — Filme com temas delicados e atuais, como cyberbullying, suicídio e empoderamento feminino, o mineiro "Luna", ainda sem previsão de estreia, teve recepção calorosa na noite desta segunda-feira, no 51º Festival de Brasília, onde foi exibido em competição. A obra de Cris Azzi foi considerada sensível, mas isso não impediu que o cineasta fosse questionado sobre uma cena em que a personagem do título, interpretada pela jovem Eduarda Fernandes, tenta tirar a própria vida com uma overdose de remédios.

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    A discussão em torno de como a ficção deve abordar o tema ganhou força nos últimos anos, especialmente após o lançamento da série adolescente "13 reasons why", da Netflix. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a veiculação de sequências de suicídio no audiovisual pode inspirar pessoas propensas ao ato.

    No caso de "Luna", a tentativa de se matar ocorre quando um vídeo íntimo da menina vaza na internet. Ela toma uma grande quantidade de comprimidos, mas sobrevive. No entanto, a protagonista atravessa um delírio, vendo-se numa floresta surrealista, onde lambe uma substância vermelha que escorre de uma árvore. Alguns consideraram o "sonho" de Luna como uma experiência praticamente prazerosa e positiva.

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    O diretor se defende, afirmando que a sequência teve embasamento médico.

    — Na pesquisa, fui informado por médicos de que um dos possíveis efeitos (do excesso de remédio) é o delírio, que no caso da Luna representa também uma conexão com sua essência e espiritualidade. Optei por isso no lugar da ruptura da vida — afirma Azzi, estreante na direção de longa-metragem de ficção.

    Ele também compartilhou sua experiência pessoal com o assunto:

    — Cresci com a ideia de que não se podia falar sobre suicídio. Mas, hoje, milhares de pessoas se matam anualmente. Nunca sofri bullying, mas meus problemas pessoais frequentemente pareciam sem solução. Várias vezes pensava no suicídio como possibilidade. Mas, muitas vezes, as questões adolescentes se dissipam, seja porque elas de fato somem, seja porque você amadurece. E é essa a mensagem do filme.

    Luna_Bruno Magalhães%2FCineart Filmes (1).jpg"Luna" conta a história de uma aluna (Eduarda), moradora de uma região pobre, que conhece, na escola, a novata e rica Emilia (Ana Clara Ligeiro). As duas viram amigas e passam, juntas, pela descoberta da sexualidade. Quando um vídeo íntimo de Luna é compartilhado nas redes sociais, a garota é humilhada e chamada de "puta" na escola. O linchamento também acontece no âmbito virtual — nos moldes dos recentes "Aos teus olhos", de Carolina Jabor, e "Ferrugem", de Aly Muritiba, vencedor do Festival de Gramado, no mês passado.

    Segundo o diretor, "Luna" se descola tematicamente dos outros filmes porque explora o processo de amadurecimento da protagonista, culminando numa cena pós-créditos de empoderamento e de controle sobre o próprio corpo que levou a plateia do Cine Brasília a um estado de catarse.

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    — Ainda tenho dificuldade de definir a sinopse do filme. Para mim, é sobre o rito de passagem da Luna, uma esponja do mundo em sua fase de descoberta e transformação, sem necessariamente se aprofundar em conflitos específicos — explica Azzi, que dirigiu os documentários "Sumidouro" (2008) e "O dia do galo" (2014).

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    Luna tem o hábito de exibir seu corpo em bate-papos virtuais para internautas aleatórios — é isso, aliás, que resulta no vazamento das imagens íntimas. Há cenas de nudez no filme, o que também provocou questionamentos no encontro com jornalistas, que demonstraram preocupação com a possibilidade da objetificação dos corpos femininos através de olhares masculinos — a direção de fotografia também é de um homem, Luís Abramo.

    — Houve mulheres fundamentais por trás das câmeras — defende-se Azzi. — Além da produtora-executiva e da figurinista, para citar alguns exemplos, tive duas protagonistas que me colocaram à prova constantemente.

    *O repórter viajou a convite do festival


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    RIO - Não basta perder toda a fortuna e viver de favor na casa onde passou tantos anos na mais absoluta riqueza. Em "Segundo sol", Severo (Odilon Wagner) vai pagar muito caro por ter traído Roberval (Fabricio Boliveira), contando a Laureta (Adriana Esteves) sobre Dominick (Licínio Januário), sócio do filho no negócio com diamantes.

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    Expulso da mansão, o patriarca dos Athayde só tem uma alternativa para não acabar debaixo do viaduto: morar no conjunto habitacional condenado, projeto de sua antiga construtora. Carregando uma mala, Severo entra num ônibus cheio e chega com dificuldade ao local, que está em ruínas, ocupado por invasores.

    Ele se instala no antigo apartamento de Selma (Carol Fazu), com o teto que matou o marido dela ainda caído. Completamente desolado, o ex-milionário senta no chão sujo, sem saber o que fazer.

    As cenas estão previstas para irem ao ar nesta quarta-feira, dia 19.


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    RIO - Não se trata exatamente aqui de uma novidade: há 25 anos o trio americano Low, formado em Duluth, Minnesota, vem fazendo música, com lançamentos que se repetem em intervalos regulares. Seu álbum de estreia, "I could live in hope", de 1994, parece não pertencer a sua época: para tão adiante eles levaram o método Velvet Underground de fazer música — lenta, climática, minimalista, triste e bela, com vocais femininos e masculinos — que poderiam passar hoje em dia por irmãos do xx, trio inglês em voga.

    Pioneiros silenciosos de um estilo denominado de slowcore, o guitarrista/vocalista Alan Sparhawk, a baterista/vocalista Mimi Parker e o baixista John Nichols não abandonam sua essência, mas se apresentam como um grupo totalmente diverso em "Double negative", lançado na última sexta-feira. Prevalece a velha prática de usar o mínimo de elementos para capturar o máximo de sentimento, só que numa nova e radical perspectiva sonora.

    A chave da mudança foi dada por B.J. Burton, produtor e engenheiro de som de álbuns como "The colour in anything" (2016), de James Blake e especialmente do último de Bon Iver, "22, a million", também de 2016: a beleza original de vozes e instrumentos está lá, mas processada em estúdio com vigor e coragem, em busca do som ainda não ouvido, mesmo possa ser interpretado como feio e incômodo.

    Low - Dancing and Blood [OFFICIAL VIDEO]

    Desolação, ruído, o sonho que vira pesadelo — a tudo isso o ouvinte fica sujeito desde que entra em "Double negative" por "Quorum", uma canção desfigurada pelos abusos da eletrônica, mas da qual escapa um pouco de luz. Claustrofóbica e encharcada em sintetizadores, a seguinte "Dancing and blood" aponta para um daqueles balés góticos do Dead Can Dance, ainda mais por causa da voz fantasmagórica de Mimi Parker.

    "Fly", por sua vez, é o primeiro momento mais canção do disco, com uma linha de baixo de deslocada sensualidade, como que a improvisar uma improvável Sade — tudo para mergulhar nas turbulências de "Tempest", na qual a voz atravessa nuvens de chumbo para sair límpida, num céu azul de guitarra. Low - Fly [OFFICIAL VIDEO]

    Momento ambient do disco, "Always up" sugere Everything But The Girl, enquanto a meditativa "The son, the sun" faz a transição para a terna "Dancing and fire", só com guitarra e voz de Alan Sparhawk — é a faixa que mais lembra o antigo Low. Com cara de hino, "Poor sucker" descamba então para a "Rome (always in the dark)", de percussão mais forte e guitarras que gritam.

    low-doublenegative-cover-3000.jpg

    Estranho, mas nunca tedioso, "Double negative" termina com "Disarray", um eletropop de vocais angelicais e um quê de êxtase espiuritual, sempre com a marca do Low, que é a de não repetir o que foi feito — seja abandonando suas obsessões para gravar um disco de encantos convencionais ("C'mon", de 2011), ou mesmo explodindo toda a sua base sonora, como agora.

    Cotação: Ótimo

    Low - Double Negative


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    RIO — A Fundação Teatro Municipal e a Prece Previdência Complementar — fundo de pensão da Cedae que é dono do prédio anexo ao teatro — chegaram a um acordo quanto à quitação dos alugueis atrasados do imóvel, que não são pagos desde 2001 e teriam chegado a R$ 103 milhões: ambas assinarão um instrumento de confissão de dívida, parcelando o débito e estabelecendo um cronograma de pagamento. Será elaborada uma minuta que, após ser submetida à Procuradoria Geral do Estado, seguirá para homologação pelo juiz da causa, que tramita no Tribunal de Justiça do Rio.

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    O acordo foi firmado no fim da tarde desta terça-feira, numa reunião marcada pelo governador Luiz Fernando Pezão, depois que, no último dia 31 de agosto, o presidente da Fundação Teatro Municipal, Fernando Bicudo, recebeu um ofício encaminhado pela Prece dando o próximo dia 30 de setembro como último prazo para que seja exercercida a "opção de compra contratual" do imóvel . O fundo de pensão ameaçava despejar o anexo.

    Do encontro, no Palácio Guanabara, participaram o chefe de gabinete do Municipal, Ciro Pereira, e o presidente da Prece, Sidney do Valle Costa, além do secretário da Casa Civil, Sérgio Pimentel, que é procurador; do secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro; e do presidente da Cedae, Jorge Briard.

    Segundo Monteiro, os recursos para o pagamento da dívida sairão dos tesouro estadual, e a proposta do Governo do Estado é fazer um parcelamento de no mínimo 60 meses.

    — Será feito um novo cálculo, retirando juros e multas do valor apresentado, que está atualizado até agosto passado. Consequentemente, o total cairá bastante — diz Monteiro.

    Em nota, a Prece Previdência Complementar diz acreditar que "os impasses em relação ao prédio anexo do Teatro Municipal terão uma solução favorável à cultura do Rio de Janeiro e aos participantes, assistidos e pensionistas da entidade. O Governo do Estado sinalizou com um acordo para sanar os pagamentos devidos. O próximo passo será a elaboração do Termo de Confissão da Dívida entre as partes".

    Construído com recursos do fundo de pensão e inaugurado em 1998, o anexo do Municipal — onde estão as salas de ensaio, as bilheterias e a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, além da parte administrativa do teatro — é alvo de uma disputa judicial que se arrasta há quase 20 anos: a Prece alega que nunca recebeu nada pelo seu aluguel.


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    BUENOS AIRES - Um dous poucos objetos que recebeu durante os 12 anos em que esteve detido e isolado junto com outros dois companheiros do movimento guerrilheiro Tupamaros foi um penico, presente dado por sua mãe numa das limitadas visitas que o regime militar autorizou. Em meio ao desespero, que por momentos o levou a viver assustadores surtos emocionais, José “Pepe” Mujica conseguiu serenar-se, parar de pensar e fazer coisas com suas mãos que o ajudaram a não enlouquecer. Uma delas foi plantar flores no penico que o acompanhou em seus últimos anos de reclusão e que terminou sendo um dos poucos pertences que o ex-guerrilheiro carregou na hora de abandonar a prisão em 1985, ano em que o Uruguai recuperou sua democracia. A cena, uma das últimas do filme “A noite de 12 anos”, que estreia dia 27 deste mês no Brasil, emociona quem acompanhou a vida deste homem que hoje, aos 83 anos, acaba de renunciar a uma cadeira no Senado. Trailer de 'Uma noite de 12 anos'

    — Agradeço aos que fizeram este filme porque o que vivemos foi vivido por muitas outras pessoas em nosso continente — disse Mujica, na capital argentina.

    Como em todos os lugares por onde passa, o ex-líder guerrilheiro foi recebido como uma estrela de rock e solicitado até o cansaço para tirar selfies com seus admiradores. Em agosto passado, o ex-presidente alegou “motivos pessoais e cansaço, depois de uma longa viagem” para explicar sua saída do Parlamento. E bota longa nisso.

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    Foram muitos anos como integrante dos Tupamaros, 12 anos de prisão e, após a redemocratização do Uruguai, uma ampla trajetória política que o levou a governar seu país durante cinco anos (2010-2005). Fora do Congresso, mas não da política, o ex-presidente tem dedicado seu tempo a viajar e prestigiar filmes sobre sua própria história.

    Mujica.JPGNesta terça-feira, depois de ter brilhado no festival de Veneza, desembarcou em Buenos Aires para acompanhar o diretor hispano-uruguaio Álvaro Brechner na apresentação do filme que estará nos cinemas do Uruguai a partir desta quinta-feira e que conta sua trágica experiência, junto com os também ex-tupamaros Mauricio Rosencof e Eleutério Fernández Huidobro (falecido em 2016). Mujica foi interpretado pelo ator espanhol Antonio de la Torre, Rosencof pelo argentino Chino Darín e Huidobro pelo uruguaio Alfonso Tort, único dos três que esteve no evento em Buenos Aires.

    O filme mostra os tormentos sofridos pelos três guerrilheiros, sua capacidade de resistência que alcança limites inacreditáveis e os vínculos sádicos mas também humanos construídos com alguns dos oficiais militares e outros personagens importantes com os quais conviveram durante tanto tempo. Assim como alguns expressavam o pior rosto da ditadura, outros se atreveram a aproximar-se dos três sobreviventes (muitos tupamaros foram assassinados) e estabelecer relações que surpreendem o espectador. Uma delas é entre Rosencof, conhecido como Russo, e alguns militares que lhe pediam que os ajudasse a escrever cartas de amor. O ex-tupamaro é escritor, poeta e foi Diretor de Cultura da cidade de Montevidéu.

    'AGUENTE FIRME, QUE JÁ FALTA POUCO'

    Outra das cenas comoventes do filme é entre Mujica e uma médica interpretada pela atriz argentina Soledad Villamil ("O segredo de seus olhos"). Atordoado por vozes que não se calavam em sua cabeça, o guerrilheiro é levado para uma consulta e encontra-se com uma médica que se sensibiliza pelo estado emocional do então detento. Após lhe contar uma história pessoal de superação, recomenda que ele leia, tome remédios para dormir e “aguente firme, porque já falta pouco”. Ainda era 1980 e restavam cinco anos atrás das grades.

    — Este filme mostra que o ser humano não sabe o quanto é forte até o momento em que ser forte é sua única alternativa — afirmou o diretor.

    Dos três, o único já falecido (em 2016) é o ex-ministro da Defesa Fernández Huidobro, mais conhecido como “el Ñato”, que durante os 12 anos de reclusão desenvolve um método de comunicação através de batidas na parede com Rosencof. Assim se comunicaram (estavam proibidos de falar-se entre eles) e conseguiram até mesmo manter longas conversas. Numa delas, Rosencof inventa uma história para que Huidobro contasse a sua pequena filha, que o visitaria na prisão.

    O filme atravessa todos os sentimentos que uma experiência trágica como a vivida pelos ex-guerrilheiros pode despertar. Medo, angústia, tristeza, terror, mas, também, admiração e surpresa pela incrível força interior de cada um deles para suportar tanta dor.

    Em paralelo aos lançamentos do filme de Brechner, Mujica, verdadeira celebridade mundial desde que, entre outras iniciativas, legalizou a comercialização de maconha em seu país, tem acompanhado o diretor sérvio Emir Kusturica nas apresentações de seu longa sobre a vida de Mujica, nos moldes do que fez sobre o ex-craque de futebol argentino Diego Maradona.

    O ex-senador insiste em dizer que sua vida política está encerrada. Mas muitos no Uruguai ainda acreditam que vem por aí o lançamento de uma nova candidatura presidencial, em 2019. Por enquanto, Mujica nega e aproveita o sucesso de sua "carreira" cinematográfica.

    — O que gostaria de passar para os jovens é o aprendizado de que na vida é inevitável cair e que o verdadeiro triunfo é levantar-se — concluiu o ex-presidente, despedido com aplausos por seus seguidores portenhos.


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    RIO — Faixa de 'Egypt Station', o 18º álbum solo de Paul McCartney, 'Back in Brazil' ganhou clipe com cenas gravadas em Salvador e durante o show que o ex-beatle fez na capital baiana, no ano passado. Liberado apenas para a rede brasileira em 7 de setembro, Dia da Independência, o vídeo agora pode ser visto por fãs do mundo inteiro. back-in-brazil

    Com imagens do Pelourinho e da Baía de Todos os Santos, o clipe narra a história de uma garota que conhece um rapaz e o convida para ir ao show de Paul McCartney, mas ele não consegue chegar a tempo. Lá, ela segura um cartaz onde se lê "Paul, this brazilian girl wants to dance with you” (“Paul, essa menina brasileira quer dançar com você”) e é levada para o palco.

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    A cena realmente aconteceu no show realizado na Arena Fonte Nova em 20 de outubro do ano passado, quando muitos se surpreenderam com o encontro da soteropolitana identificada como Yasmin com seu ídelo no palco. Na época, já se especulava que a fã era uma atriz e que a cena gravada no show iria aparecer no clipe que o cantor gravaria na Bahia.


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    RIO — Com 15 indicações, "Bingo – O rei das manhãs" saiu do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2018 como o grande vencedor da noite. O longa dirigido por Daniel Rezende levou oito troféus Grande Otelo, entre eles o de Longa-metragem de Ficção, Ator Coadjuvante, Direção de Arte, Montagem e Voto Popular.

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    Outra unanimidade da noite não tinha qualquer relação com o universo cinematográfico: a hashtag #EleNão, lançada por grupos de mulheres contra o candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro, esteve presente em quase todos os discursos dos premiados, como a da produtora Sara Silveira, a atriz Sandra Corveloni e o ator Vladimir Brichta.

    WhatsApp Image 2018-09-18 at 11.08.40 PM.jpeg— Bingo, sim. Bozo, sim. "Bozonaro", não — bradou ao fim do seu discurso Brichta, que interpretou o protagonista Bingo, personagem inspirado na vida de Arlindo Barreto, que vestiu por anos a fantasia palhaço Bozo na TV.

    Indicado como representante brasileiro ao Oscar de 2018 a Melhor Filme Estrangeiro, "Bingo" perdeu algumas das principais categorias para "A Glória e a Graça" (Roteiro Original) e "Como nossos pais" (Direção, para Laís Bodanzky, e Atriz, para Maria Ribeiro).

    WhatsApp Image 2018-09-18 at 11.41.19 PM (1).jpegA cerimônia, que destacou os cineastas Roberto Farias e Nelson Pereira dos Santos, mortos este ano, teve seu ponto alto na homenagem a Fernanda Montenegro. Após a exibição da cena final de "Central do Brasil", o ator Vinícius de Oliveira, que contracenou com a atriz ainda criança, leu um poema de Bráulio Bessa antes de chamá-la ao palco. Emocionada, Fernanda lembrou de como ele chegou ao filme (o diretor Walter Salles convidou Oliveira para participar de um teste quando ele engraxava sapatos no aeroporto) e falou da alegria de reencontrá-lo agora no palco.

    Em seguida, os diretores Cacá Diegues, Zelito Vianna e Luiz Carlos Barreto subiram ao palco para entregar o prêmio para a homenageada da noite. Com 90 anos, Barreto ajoelhou-se aos pés da atriz e disse que naquele abraço estavam quase 180 anos de cinema - ela completa 90 anos em 2019.

    — Sou de uma geração cinemeira, no subúrbio onde nasci as mães iam ao cinema com os filhos mamando. Estamos vivendo um momento em que precisamos de confraternização, de nos acalmarmos, raciocinar, ter uma emoção humanizada - declarou Fernanda, que leu os nomes de todos os cineastas com quem trabalhou. — A gente é matéria prima, são os diretores que nos dão vida.

    Confira a lista completa dos premiados:

    Longa-metragem de Ficção
    "Bingo - O rei das manhãs"

    WhatsApp Image 2018-09-18 at 10.59.09 PM.jpegLonga-metragem Documentário
    "Divinas divas"

    Longa-metragem Comédia
    "Divórcio"

    Longa-metragem Animação
    "Historietas assombradas - O filme"

    Longa-metragem Infantil
    "Detetives do Prédio Azul"

    Direção
    Laís Bodanzky ("Como nossos pais")

    Atriz
    Maria Ribeiro ("Como nossos pais")

    Ator
    Vladimir Brichta ("Bingo - O rei das manhãs")

    Atriz Coadjuvante
    Sandra Corveloni ("A Glória e a Graça")

    Ator Coadjuvante
    Augusto Madeira ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Direção de Fotografia
    Lula Carvalho ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Roteiro Original
    Mikael de Albuquerque e Lusa Silvestre ("A Glória e a Graça")

    Roteiro Adaptado
    Mikael de Albuquerque ("Real – O plano por trás da História")

    Direção de Arte
    Cássio Amarante ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Figurino
    Verônica Julian ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Maquiagem
    Anna Van Steen ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Efeito Visuais
    Ricardo Bardal ("Malasartes e o duelo com a morte")

    Montagem Ficção
    Márcio Hashimoto ("Bingo – O Rei das manhãs")

    Montagem Documentário
    Natara Ney ("Divinas divas")

    Som
    George Saldanha, François Wolf e Armando Torres Jr ("João, o maestro")

    Trilha Sonora Original
    Plínio Profeta ("O filme da minha vida")

    Trilha Sonora
    Mauro Lima, Fael Mondego e Fábio Mondego ("João, o maestro")

    Longa-metragem Estrangeiro
    "Uma mulher fantástica"

    Curta-metragem de Animação
    "Vênus-filó, a fadinha lésbica"

    Curta-metragem Documentário
    "Ocupação do Hotel Cambridge"

    Melhor Curta-metragem Ficção
    "A passagem do cometa"

    Voto Popular - Longa Brasileiro
    "Bingo – O Rei das manhãs"

    Voto Popular - Longa Estrangeiro
    "La La Land: cantando estações"

    Voto Popular - Longa Documentário
    "Cora Coralina"


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    DIV04_© Chico Cerchiaro_87A4386.jpg

    RIO - Tudo parece certo com Lourenço Barclay. Herdeiro da aristocracia carioca, o badalado Lô é um designer surfista fãs de ioga e orgânicos, faz sexo tântrico com a esposa nutricionista pop, comanda um escritório moderno e medita em sua ampla sala de frente para o mar do Leblon. Esse templo de boas intenções, porém, desmorona quando Lô se envolve com Ju, namorada do seu filho. A garota faz gato e sapato do recém-cinquentão — e, fundamental, o leva a rever seus conceitos.

    LEIA: Titãs criam ópera-rock sobre assédio

    O autor do desmanche acima é Tony Belloto, que em seu novo romance, “Lô” (Companhia das Letras), diz que fez o oposto do que pregam certos best-sellers:

    — É o contrário de literatura de autoajuda, é autodestruição — brinca o guitarrista da banda Titãs, que aos 58 anos concilia a turnê da ópera-rock “Doze flores amarelas” com a publicação de seu décimo livro. — Entrei nesse moto-contínuo de músico e autor. Uma coisa faz descansar da outra.

    Em tempo: o lançamento de “Lô” no Rio é esta quarta, 19/9, 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema, e inclui bate-papo de Bellotto com Reinaldo Morais, autor de “Pornopopeia”, seguido de sessão de autógrafos.

    Literatura de gêneros

    Bellotto buscou unir vários gêneros neste romance, cujos dois anos de escrita resultaram em capítulos curtos de texto depurado — “minha cartilha é a de Ernest Hemingway”, ele diz.

    Há comédia de costumes, principalmente no desenho do caso entre Lô e Ju, em que a adolescente trata o coroa como homem-objeto.

    LEIA: Confissões de Tony Bellotto e Gilberto Gil

    Bellotto também constrói uma sátira social, alfinetando uma busca contemporânea por “pureza”.

    — A elite a que Lô pertence, que desdobro no seu círculo próximo, leva muito a sério esses atalhos para o enobrecimento do espírito, se expondo às vezes ao charlatanismo óbvio de figuras como o Prem Baba — diz Belotto. — É como se budismo, vegetarianismo e colégio bilíngue pros filhos fossem uma garantia de se passar incólume pela perplexidade da vida, inclusive pelas contradições do Brasil.

    Por fim, o criador do detive Remo Bellini, estrela de quatro romances e dois filmes, acrescentou uma trama policial em meio à derrocada existencial de Lô.

    — Só para ele sofrer mais um pouco (risos) — diz Belloto, que afirma simpatizar com seu protagonista. — Eu armo uma sacanagem para cima desse cara, mas é uma sacanagem afetuosa. A ideia é que o leitor sofra seus conflitos, se encare no espelho junto com o personagem.

    O autor inclusive admite que ele próprio tem — ou já teve — um pouco de Lô.

    — Já fui vegetariano, fiz tai chi shuan, acreditei no grande fluxo da existência (risos). Estou descrevendo um pouco das minhas próprias desilusões.

    E Belloto vai continuar se baseando em fatos reais: seu próximo livro contará a história de Pedro Dom, bandido carioca de classe média, famoso por assaltar prédios de luxo, morto pela polícia aos 24 anos.

    — É uma forma inédita para mim. Por isso mesmo, tem sido bastante instigante.

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    "LÔ"

    Autor: Tony Belloto

    Editora: Companhia das Letras

    Páginas: 200

    Preço: R$ 44,90

    Lançamento: hoje, 19h, Livraria da Travessa de Ipanema (R. Visc. de Pirajá, 572, tel. 3205-9002)


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    VIDAS_SECAS_05.jpgSÃO PAULO - Na contramão do ineditismo exigido pelos festivais tradicionais, o Remaster, que acontece, simultaneamente, no Rio e em outras seis capitais brasileiras, tem como missão resgatar clássicos do cinema brasileiro e devolvê-los às telas em cópias digitais tinindo de novas. A sessão inaugural, para convidados, hoje, às 21h, no Espaço Itaú Botafogo, terá a exibição de “Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos. O festival acontece de amanhã até o dia 26 também em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.

    — A nossa ideia é ir além de simplesmente fazer um festival de clássicos — diz Vitor Brasil, um dos idealizadores do evento. — Queremos discutir também preservação, legado e manutenção desse material todo. Falar sobre formação de plateia. Muita gente não viu esses clássicos do jeito que foram concebidos.

    Além da adaptação do romance homônimo de Graciliano Ramos, a primeira edição do Remaster trará ainda “O homem da capa preta” (1986), de Sergio Rezende; “República dos assassinos” (1979), de Miguel Faria Jr; “Luz del Fuego” (1982), de David Neves; “Vai trabalhar, vagabundo” (1973), de Hugo Carvana; “O assalto ao trem pagador” (1962), de Roberto Farias, e os documentários “Os Doces Bárbaros” (1977), de Jom Tob Azulay, e “Carmen Miranda: Banana is my business” (1995), de Helena Solberg.

    Festival Remaster

    Segundo Alexandre Rocha, da produtora Afinal Filmes, envolvida na realização do evento, a ideia do festival é chamar a atenção para o processo de preservação. Os filmes incluídos são apenas remasterizados, com a produção de cópias que corrigem digitalmente “sujeiras” e fazem acerto de cores. A restauração é mais demorada e envolve mais investimento.

    — No Brasil, hoje, não se faz restauração — diz Rocha. — Não tem uma cultura que preserve a história e isso se reflete em tudo. Taí o Museu Nacional que não nos deixa mentir.

    Além de “O assalto ao trem pagador” — drama policial estrelado por Reginaldo Faria — selecionado para o festival, os organizadores já trabalham em dois outros filmes de Roberto Farias: “Rico ri à toa” (1957) e “Selva trágica” (1963).

    — Estamos conversando com a família do diretor. Nossa ideia é fazer um trabalho de restauro nos 13 longas dele — diz Rocha.

    A partir de 8 de outubro, o Canal Brasil exibirá, às segundas e terças, à meia-noite, os longas que fizeram parte do festival.


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    BRASÍLIA — Numa cena de "Bloqueio", documentário exibido em competição nesta terça-feira no 51º Festival de Brasília, um dos caminhoneiros que participaram da greve de maio tenta dialogar com um militar convocado para supervisionar o protesto. O agente o ignora. "É isso o que acontece: você fala e eles lhe dão as costas", reclama o homem para a câmera. "Então por que você reinvindica intervenção militar?", questiona o cineagrafista. A reação do entrevistado é de completa confusão. Ele não sabe responder.

    O longa-metragem de Victória Álvares e Quentin Delaroche se propõe a escancarar justamente as contradições que marcaram a paralisação da classe, que provocou um caos de abastecimento em todo o país.

    Para isso, os cineastas passaram alguns dias num ponto de bloqueio em Seropédica, no Rio, para entender o que pensavam os caminhoneiros. E encontraram reivindicações que julgam legítimas, como melhores condições de trabalho, mas também uma classe frustrada, angustiada e desesperançosa em relação ao futuro. Ou seja, um retrato do Brasil. A tese de "Bloqueio" é a de que boa parte dos caminhoneiros se utilizou da greve para expressar descontentamento com os políticos e pedir intervenção militar — mesmo enfrentados com a ideia da supressão de direitos civis.

    — Não sei se a pauta intervencionista era a maior de todas, mas era grande e os caminhoneiros permaneceram paralisados mesmo após Temer atender a certas reinvindicações — avalia Victória. — O "Fora Temer" que eles gritavam o tempo inteiro virou praticamente sinônimo de intervenção militar. São pessoas excluídas e cansadas.

    Utilizando-se, na maior parte do tempo, da linguagem do cinema direto, aquele em que a câmera observa uma realidade fazer intervenções, "Bloqueio" tenta capturar a profusão de pensamentos entre os grevistas. Eles pedem "ordem e progresso", estendem faixas pró-Exército, cantam o hino nacional e músicas religiosas. Sentem-se também protagonistas de um marco histórico. "Estou aqui para contar aos meus filhos e netos que lutei pelo Brasil", diz um deles.

    Pedem, em vários momentos, a destituição do presidente Michel Temer. Uma pessoa pergunta: "Mas vocês querem tirar o Temer ou a intervenção militar, afinal?". "Tanto faz", responde um caminhoneiro. "Não é melhor reagir por meio do voto consciente?", insiste a interlocutora. "Não, porque a urna é burlada", finaliza o rapaz, simbolizando o amplo sentimento de descrença em relação às instituições brasileiras.

    Confrontado por uma professora que vai à manifestação dialogar com os grevistas, um caminhoneiro reconhece: "A intervenção é o nosso grito de socorro. Uma esperança."

    — São trabalhadores privados de direitos. Temos que ter empatia por eles, por mais que parte do discurso seja perturbador. Para eles, a democracia fracassou. Gritam e não são ouvidos — concluiu a cineasta.

    *O repórter viajou a convite do festival


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    Pesquisadores do Hospital Universitário Mediterrâneo de Marselha (IHU), quatro séculos depois. Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, fugiu de Roma depois de cometer um assassinato em uma briga de rua, e morreu quatro anos depois, em 1610, na Toscana, em condições até então inexplicadas.

    "Graças à cooperação com antropólogos italianos e com o microbiologista Giuseppe Cornaglia, as equipes do IHU de Marselha conseguiram extrair dentes do esqueleto de Caravaggio", informou o instituto em um comunicado.

    Os pesquisadores extraíram a polpa dentária, rica em vasos sanguíneos. Combinando três métodos de detecção de DNA, "o assassino foi identificado: um Staphylococcus aureus", acrescentou o comunicado.

    O instituto de pesquisa do IHU, liderado pelo professor Didier Raoult, é um centro de pesquisa, atendimento, treinamento e avaliação especializado na luta contra doenças infecciosas. O resultado da pesquisa será publicado antes do final do ano em um artigo científico da revista "Lancet contagious diseases", conforme detalhado pelo IHU.

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    xviuva-chorao.jpg.pagespeed.ic.Zh46CxxqyG.jpgRIO — Viúva de Chorão, Graziela Gonçalves relata no livro "Se não eu, quem vai fazer você feliz" possíveis motivos que levaram o vocalista do Charlie Brown Jr. à depressão. Lançada este mês, a biografia traça um perfil do cantor pelo olhar da companheira e explicita a relação do artista com a dependência química, e como ele vivia um período de angústia e não conseguia recuperar sua autoestima profissional.

    Em 2012, o estopim para a desestabilização emocional foi a frustração por não poder realizar um antigo sonho: tornar-se bombeiro. Chorão morreu aos 42 anos, em 2013, em decorrência de uma overdose em cocaína.

    "Nos últimos anos, a preocupação com o humor dele já tinha se tornado uma constante na minha vida. Apesar do retorno recente e bem-sucedido da formação antiga do Charlie Brown Jr. (depois de uma briga que se tornou pública), com uma agenda cheia de shows para cumprir, o estado de espírito dele era a insatisfação permanente (...) 'Quero fazer alguma coisa que me preencha, que me faça sentir vivo de novo', ele tinha me dito poucos dias antes (...). Com essa ideia na cabeça, o Alê saiu naquela tarde e foi até o Corpo de Bombeiros, perto do prédio onde moramos em Santos (...) Ele voltou para casa depois de algum tempo, com o rosto molhado das lágrimas que ainda caíam. O Alê descobriu que existe uma série de procedimentos e exigências para ser bombeiro. Uma delas era a idade, que ele já tinha ultrapassado (...) O Alê, que todos conheciam como Chorão, tinha alcançado tudo o que um dia sonhara para a sua vida. No entanto, nunca havia se sentido tão infeliz", diz Graziela em trechos do livro.

    A viúva relembra a história do amor do casal, a trajetória artística de Chorão, e relata que o casal perdeu um bebê no fim da década de 90. Graziela engravidou e sofreu um aborto espontâneo em 1997, semanas depois de contar ao marido que estava grávida e ouvir:

    "Tiri, eu te amo e quero construir um mundo ao seu lado. Mas eu não acho que agora seja a hora de a gente ter um filho. Tô começando a minha carreira e ainda tem muita coisa para acontecer. Mas, se você quiser ter, sei lá, tudo bem".

    xchorao.jpg.pagespeed.ic.YcUo5ViMR0.jpg

    A autora da biografia relata como ela passou mal por todos os dias da gravidez. Um dia, enquanto Chorão fazia shows fora de sua cidade, a companheira sentiu fortes cólicas e teve a notícia de que havia sofrido um aborto espontâneo. Por conta deste episódio, o casal deixou de cogitar aumentar a família. Alexandre Abrãao, único filho do cantor, é fruto do relacionamento de Chorão com Thais Lima, sua primeira companheira.

    Num período brando, o interesse por doutrinas religiosas

    Passada a fase difícil, em 1998, quando o cantor despontava no cenário artístico, o casal ascendeu financeiramente e se mudou para a capital de São Paulo. Eles trocavam declarações de amor e viviam um bom momento da vida a dois. Graziela lembra que, junto com mais um casal de amigos, Chorão estudava livros do espiritismo de Allan Kardec.

    "Alê começou a sentir necessidade de mudar alguns padrões de comportamento para alcançar o que desejava. Ele começou a se interessar cada vez mais pela lei de causa e efeito e passou a acreditar em reencarnação. Em meio a tudo isso, a mudança nas suas letras ficava evidente".

    Breve separação e reconciliação

    Graziela Gonçalves, que é estilista, relata que Chorão demosntrou ciúme quando ela decidiu estudar a profissão. "Lidar com tanto ciúme e a falta de apoio era desgastante. E, diante da minha escolha, a separação acabou se concretizando". Um mês depois, no entanto, o casal voltou a se relacionar e o cantor pediu a namorada em casamento. A união se concretizou em 2003, mesmo ano em que a banda Charlie Brown gravou o "Acústico MTV".

    Primeiro fim do Charlie Brown Jr.

    Graziela relembra que, após um período de brigas com a imprensa, com bandas como Los Hermanos e entre os próprios integrantes do Charlie Brown Jr, o grupo decidiu desfazer a parceria. "O anúncio de que Marcão, Champignon e Pelado estavam deixando o CBJr. veio no início de 2005". No fim do mesmo ano, porém a banda se refez. No ano seguinte, "Te levar" foi para na trilha sonora de "Malhação", e o grupo voltou a ascender.

    A vida de Chorão, do Charlie Brown Jr., em fotos

    Crise com as produções artísticas

    Em 2012, Chorão começou a entrar em crise com o que vinha produzinho musicalmente, drogava-se e tinha variações de humor. "Apesar de não admitir, ele já tinha se tornado um dependente químico há muito tempo".

    Graziela lembra que nas turnês da banda se preocupava, de longe, com o estado de dependência de Alexandre. "O vício trazia à tona seu lado mais sombrio. Ele ficava muito paranoico, tomado por pensamentos ruins o tempo todo (...) As crises eram tão intensas que ele sofria com surtos e mania de perseguição".

    O cantor começou a frequentar tratamentos médicos acompanhado da companheira, mas as visitas não duraram muito tempo e o artista voltou ao vício.

    "Certo dia, ele chegou a nossa casa completamente transtornado (...) Percebi que ali era o fundo do poço, e eu tinha que tomar alguma providência", escreve Graziela.

    A morte

    Dias depois dos surtos mais graves de Chorão, a autora do livro diz que teve um sonho: "Alexandre estava diante de mim e atrás dele havia um vulto bem alto e escuro. Ele me diz que iria viajar, que não aguentava mais e que precisava partir (...) Despertei de repente, com o som da campaiha tocando sem parar (...) Quando abro, dou de cara com minha mãe e Mariela chorando. 'O Alê, filha'."


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    RIO - A literatura de cordel tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil nesta quarta-feira, como adiantou Marina Caruso, em sua coluna no GLOBO. A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - órgão colegiado de decisão máxima do instituto para as questões relativas ao patrimônio material e imaterial do país -, em reunião esta manhã no Forte de Copacabana.

    - O reconhecimento pelo Iphan era aguardado com ansiedade, porque a literatura de cordel alcançou um nível muito bom - comemorou o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), o cearense Gonçalo Ferreira da Silva, de 80 anos, com 300 cordéis e 30 livros publicados pela editora Ravelle.

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    Fundada em 1988, por Gonçalo, a ABLC tem 40 acadêmicos e 27 "cordotecas" espalhadas pelo Brasil. Foi da entidade a iniciativa de pedir a proteção deste patrimônio nacional ao Iphan, em 2010. Segundo seu presidente, existem no país cerca de 60 cordelistas, 20 deles no Rio de Janeiro.

    Ainda hoje, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural - que reúne 26 conselheiros, representantes de órgãos como os ministérios da Educação, das Cidades, do Turismo e do Meio Ambiente; do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), entre outros - avalia a proposta de tombamento do Acervo Arthur Bispo do Rosário.

    Na quinta-feira, os conselheiros voltam a se reunir no Forte de Copacabana para discutir os pedidos de proteção de mais quatro novos bens, representantes da diversidade cultural do Brasil: o tombamento dos terreiros de candomblé Ilê Obá Ogunté Sítio Pai Adão, do Recife (PE), e Tumba Junsara, de Salvador (BA), além dos registros como Patrimônio Cultural do Brasil da Procissão do Senhor dos Passos, em Florianópolis (SC), e do Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, no Estado de São Paulo.


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    RIO — Acusado por 60 mulheres de ter cometido diferentes formas de abuso sexual, incluindo estupro, o comediante americano Bill Cosby irá ao tribunal do condado de Montgomery, em Norristown, Pensilvânia, na semana que vem, para ser julgado e descobrir se a prisão será a etapa final da sua derrocada pessoal.

    Em abril deste ano, Cosby foi condenado por drogar e abusar sexualmente da ex-jogadora de basquete Andrea Constand, em 2004, na mansão do ator, nos arredores da Filadélfia, no estado americano da Pensilvânia. O júri de Norristown considerou Cosby culpado por estas três acusações de abuso sexual: penetração com falta de consentimento, penetração da vítima enquanto ela estava inconsciente e penetração após administrar um intoxicante — cada condenação pode resultar em até dez anos de prisão.

    Mas o juiz que terá de tomar essa decisão, Steven T. O’Neill, terá de enfrentar as suas próprias pressões pessoais, grandes expectativas, além de complicados desafios legais. O principal deles: o que fazer com um criminoso sexual de 81 anos que poderia se tornar um dos americanos mais famosos a entrar em uma cela?

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    No momento em que os Estados Unidos está finalmente considerando a realidade de uma cultura de abuso sexual predatória que parte de homens poderosos, o juiz O’Neill estará diante de uma sala de audiência repleta de dezenas de mulheres que afirmam que Cosby drogou e agrediu não apenas Andrea Constand, mas também elas. Um grande número dessas mulheres espera uma sentença com uma longa pena de prisão, numa decisão que colocará um ponto de exclamação na primeira grande condenação da era #MeToo.

    “Minha ferida foi bastante curada pelo veredicto de culpado ocorrido na primavera”, disse Lili Bernard, uma atriz que diz que Cosby a drogou e a estuprou no início dos anos 1990. “Mas vê-lo algemado seria ‘Uau’! Nós, as vítimas, merecemos isso”.

    Os promotores disseram que vão pressionar pelo prazo máximo de 30 anos de prisão: 10 anos em cada uma das três acusações de agressão indecente agravada. Mas os advogados de Cosby certamente lutarão contra isso, descrevendo-o como um homem frágil e idoso, sem visão, incapaz de agredir outra mulher ou de sobreviver a uma longa sentença.

    Uma análise realizada pelo New York Times sobre os dados dos tribunais da Pensilvânia nos últimos cinco anos concluiu que os infratores condenados por crimes semelhantes aos de Cosby frequentemente não recebem a pena máxima, mas recebem sentenças de dois a cinco anos.

    Cada caso, claro, é diferente, e há poucos como o de Cosby, também no que se refere ao modo como a sua equipe dirigiu críticas ao homem que em breve estará decidindo seu destino. A esposa de Cosby, Camille Cosby, já exigiu que o juiz O’Neill renunciasse, acusando-o de ser tendencioso e aliado dos promotores, ou até de não ter isenção e de ser influenciado por sua mulher, que é uma terapeuta que trabalha com vítimas de violência sexual. Os advogados do Sr. Cosby apresentaram várias moções sugerindo que planejam contestar as decisões do juiz e sua integridade pessoal na apelação.

    O porta-voz de Cosby, Andrew Wyatt, confirmou que Cosby recorrerá da sua condenação, mas se recusou a especificar em que bases.

    “Há tantos erros”, disse ele.

    Wyatt diz que Cosby pediria para permanecer sob liberdade sob fiança, após a condenação, enquanto ele persegue sua apelação, em um processo que pode levar anos. Se o juiz O’Neill permitisse isso, ele certamente enfrentaria críticas de muitas acusadoras que tentam chegar à conclusão do caso.

    “Todas nós nos sentiremos muito decepcionadas com isso”, disse Victoria Valentino, ex-modelo da Playboy que diz que Cosby a drogou e a estuprou em Los Angeles, em 1969.

    Cosby, que nega ter abusado sexualmente de qualquer uma das mulheres, está atualmente livre, por uma fiança de US$ 1 milhão, embora esteja confinado em sua casa, na periferia de Filadélfia, e tenha que usar um dispositivo de monitoramento por GPS. Após a condenação de Cosby, os promotores solicitaram imediatamente que sua fiança fosse revogada, mas o juiz O’Neill disse que não considerava risco de fuga no caso de Cosby, um dos critérios ponderados em tal decisão.

    Até o momento, Cosby nunca havia sido condenado por um crime, e sua equipe deve argumentar que suas três acusações devem ser fundidas em uma única, uma decisão que significaria que ele enfrentaria uma pena de prisão de não mais que 10 anos.

    Os promotores pediram que um número indeterminado de mulheres que acusam Cosby de agredi-las sexualmente seja autorizado a testemunhar na audiência de condenação, uma medida que um dos advogados de Cosby, Joseph P. Greene Jr., está tentando bloquear. Mas Andrea Constand certamente terá permissão para falar na audiência, assim como o Cosby, se ele assim o desejar — a pessoa que está sendo condenada geralmente tem a última palavra.

    Brian Jacobs, um ex-promotor federal que estuda o caso, disse que, mesmo que nenhuma das outras mulheres pudesse falar, o número de acusadoras que dizem que Cosby as atacou é um fator importante para o julgamento de O’Neill.

    Um dos propósitos da condenação, em um caso tão importante como esse, pode ser o de enviar uma mensagem à sociedade, a fim de dissuadir outros a fazerem o memso que Cosby.

    “O juiz terá que estar consciente do fato de que esta é uma das primeiras sentenças da era #MeToo”, disse Jacobs.


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