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    RIO - Morreu de câncer, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, na madrugada de sábado, a compositora, pianista e regente carioca Vânia Dantas Leite, uma pioneira no Brasil da música eletroacústica, à qual se dedicava desde 1965. Graduada em composição pela UFRJ, ela teve uma carreira diversificada, como pianista, cravista e regente, mas principalmente, como compositora.

    Em 1974, Vânia foi estudar música eletrônica no Electronic Music Studio, em Londres, onde adquiriu equipamentos específicos para montar seu próprio laboratório no Rio.

    Em 1977, foi presa pelos militares junto com o grupo Ars Contemporanea, durante a segunda Bienal de Musica Contemporânea Brasileira. A obra que apresentavam utilizava o texto “Como Fazer a Revolução” do norueguês Henrik Ibsen, considerado subversivo.

    Em 1981, ela ingressou na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), onde fundou o Estúdio de Música Eletroacústica do Instituto Villa-Lobos e lecionou composição e matérias ligadas à música e tecnologia na graduação.

    No final dos anos 1980, Vânia aprofundou os conhecimentos em tecnologias de som com Leo Kupper no Studio Eletronic Auditive, em Bruxelas. Já no Brasil, nos anos 1990, compôs "Sforzato/Piano" para meios eletrônicos e acústicos.

    Ela ficou responsável pelo Estúdio de Música Eletroacústica até 2012, contribuindo com a formação de jovens compositores. Em maio de 2001, apresentou o concerto multimídia "CaleidoCosmos", no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em espetáculo idealizado com Lica Cecato.

    Como compositora, a carioca conquistou importantes prêmios: 1º lugar no Concurso Nacional de Composição (1972); 3º lugar no Concurso Internacional de Regência (1973), dedicado às obras de Wolfgang Amadeus Mozart, no Rio de Janeiro; Prêmio Programa de Bolsas RioArte (1996); Prêmio da Rockefeller Foundation (2003); e Prêmio Funarte de Composição Musical (2012), para estreia na vigésima Bienal de Música Brasileira Contemporânea.

    Entre 2010 e 2013, Vânia promoveu concertos de alunos no Fórum de Composição, participou da Série Unirio Musical com a obra "Retratos sonoros do Jongo da Serrinha" pelo Projeto Sesc e compôs a peça "Memórias abstratas e abstraídas" (2012/2013)", para a vigésima Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Vania Dantas Leite - Memórias Abstratas e Abstraídas

    Apesar das múltiplas habilidades como compositora de música contemporânea, Vânia Dantas Leite se considerava uma instrumentista. "Eu toco computador”, costumava dizer.

    Também pioneira da música eletroacústica no Brasil, a compositora Jocy de Oliveira, disse que Vânia "era principalmente uma pessoa muito livre, uma cabeça muito criativa".

    — É uma emorme perda para a música contemporânea, especialmente entre as mulheres compositoras. Já somos tão poucas! Ela tinha um imenso talento e grande senibilidade. Dedicou-se principalmente ao magistério, foi uma pioneira da música eletroacústica e iniciou o estúdio da Unirio para esse gênero musical.

    Vânia deixa dois filhos, João Marcelo e Isabela. O sepultamento está marcado para as 15h, no Memorial do Carmo.


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    BELO HORIZONTE - Com prato e faca na mão, Adriana Calcanhotto anuncia: "Vamos comer Caetano/ Vamos desfrutá-lo/ Vamos comer Caetano/ Vamos começá-lo". Em outro verso emenda "Num espetáculo/ Banquete-ê-mo-nos". Ao fim da canção alguém da plateia grita: "Vamos comer Adriana". A artista, no palco, faz um gesto girando os dedos ("depois").

    A canção "Vamos comer Caetano", do álbum "Maritimo" (1998) foi um dos pratos servidos e devorados pela cantora na noite de sexta-feira, no show de estreia da turnê "A Mulher do Pau Brasil" no Palácio das Artes em Belo Horizonte. Misturando ingredientes como Oswald de Andrade, Vinícius de Moraes, Eden Ahbez e Gregório Matos; com pitadas de Chico Buarque e Roberto Carlos, Adriana serviu um banquete antropofágico, leve e intenso, em sua primeira noite na volta ao Brasil, após dois anos morando em Portugal.

    Aperitivo

    As cortinas se abrem e o palco todo iluminado de vermelho tem uma rede balançando ao centro. Os músicos que acompanham a cantora, Bem Gil (guitarra, piano, prato e surdo) e Bruno Di Lullo (baixo, mpc e piano), executam uma introdução instrumental. Enquanto isso, Adriana se levanta lentamente da rede com uma guitarra em punho. E solta uma levada suingada e levemente distorcida. Composta em sua residência artística de dois anos na Universidade de Coimbra, a inédita música-título "A Mulher do Pau Brasil" abre o espetáculo.

    Entrada

    O show é uma atualização da apresentação de mesmo título feita em 1987. Com diversos gestos teatrais — ou melhor, happenings — oswaldianos, Calcanhotto desliza coreograficamente pelo palco durante algumas músicas, toca tambor, e até pratos com uma coroa na cabeça, na canção "Geleia geral" (Gilberto Gil e Torquato Neto). Em outros momentos, como em "Mortal loucura", poema de Gregorio de Matos musicado por José Miguel Wisnik, a poesia e o leve dedilhado do violão preenchem todo o espaço do teatro.

    Sobre um certo nervosismo inicial justifica:

    — Esse show hoje é para meu grande amigo, um dos meus ídolos, Duda Machado. Tudo o que eu acertar aqui hoje é porque ele está na plateia. Tudo o que eu errar também — disse sobre o autor de “Adivinhação da leveza”.

    Prato principal

    Os arranjos privilegiam as cordas e a voz de Adriana com poucas inserções percussivas e alguns efeitos eletrônicos. Assim, a apresentação gera um clima intimista, ao mesmo tempo vigoroso. Como um convite para um jantar à luz de velas ou para ver o mundo "pela janela do quarto/ pela janela do carro" feito na música "Esquadros", sucesso da cantora que levanta a plateia e as telas de celulares.

    No meio do show, Adriana sai de cena e volta com um vestido vermelho. Assim, completa a matiz rubra que dá a identidade visual do espetáculo (uma referência a cor de brasa da madeira do pau-brasil). É a deixa para algumas pessoas do público gritarem "Lula livre". Ao que alguns, em menor número, respondem "Lula dentro". Diante do possível clima indigesto, que pode azedar o banquete, a própria plateia pede silêncio, e as manifestações param. Nem todos estômagos são iguais.

    Só a antropofagia une o repertório da apresentação. Adriana recheia o show com clássicos e contemporâneos, deglutições próprias e devorações alheias. Ao lado de sucessos de sua lavra como "Inverno", "Devolva-me" e "Vambora", ela desfila as últimas de Chico ("Caravanas") e João Bosco ("Nenhum futuro"). E bota mais água no feijão com canções tão antigas quanto atuais como "Cu do mundo", de Caetano, e "Geléia geral". Segue, assim, um dos aforismos de Oswald: "Só me interessa o que não é meu".

    Uma parte do show é solo, com o repertório decidido no dia da apresentação. Em BH, "A Mulher do Pau Brasil" protagonizou nesse momento um dos pontos altos da noite. Antes de tocar a música "Nature boy", de Eden Ahbez, em homenagem à Vinícius de Moraes ("Ele adorava essa canção"), ela lembrou alguns causos do poetinha. Adriana, que no período na Europa estudou um tempo em Oxford, tentou pesquisar na instituição algo sobre a vida acadêmica do escritor que também passou por lá. Mas, acabou descobrindo outras realizações do poeta.

    Em sua temporada de estudos na cidade britânica, Vinícius estava perdidamente apaixonado, mas sua namorada (que viria a ser sua primeira mulher) não podia ficar na universidade. Uma das normas do campus era de que todos estudantes estivessem até a meia-noite na estadia, pois o prédio era trancado nessa hora. De madrugada, ele descia escalando pelo canos d’água para encontrar a amada (o que é narrado no poema "A última elegia V"). Vinícius voltava apenas na noite seguinte, para repetir a mesma coisa no outro dia.

    — Quando chegou ao Brasil e perguntaram como era Oxford, ele respondeu "É maravilhoso, eles são revolucionários, não querem nem saber o que o aluno faz de dia" — conta Adriana, emendando em outro causo — Vinicius foi certa vez em um jantar na Inglaterra, e quando estava passando uma bandeja com frutas ele agarrou uma maça e mordeu. Todos na festa pararam, e ficaram olhando para ele em silêncio. Quando perguntaram no Brasil o que ele tinha aprendido na Inglaterra ele respondeu: "Comer maçã de garfo e faca."

    Sobremesa

    Com a experiência de quem foi para voltar, Adriana consegue bater na mesma massa um trecho da carta do descobrimento de Pero Vaz de Caminha com o pensamento selvagem de Oswald em "Escapulário" (“No Pão de Açúcar/ de cada dia/ dai-nos, Senhor/ a poesia / de cada dia", recita). No bis do show, a cantora ataca de Nelson Cavaquinho, prenunciando o fim próximo com "Juízo final"; e chega à fervura derradeira com "Eu sou terrível", de Roberto Carlos.

    A artista mostra que voltou de Portugal com o olhar ainda mais afiado sobre a identidade do país de "Macunaíma". Assume para si o desígnio intelectual tupiniquim das grandes explicações sobre o Brasil. O que já fica claro nos versos de abertura: "Chamai-me/ A Mulher do Pau Brasil (Cham I’m A Mulher do Pau Brasil)".

    Embrulha para viagem

    Quem não se contentou somente com a experiência gustativa do espetáculo pôde levar ainda alguns souvenirs para casa. Na entrada do teatro a Lojinha Mulher do Pau Brasil vendia produtos oficiais da turnê como ecobags, canecas, camisetas, chaveiros e até meias estampadas com temas de Adriana Calcanhotto. Os preço das lembrancinhas iam de R$ 6 à R$ 80.

    No fim, o fato da estreia do espetáculo "A Mulher do Pau Brasil" ter sido em Minas Gerais, lembra uma citação atribuída à Fernanda Montenegro, feita por Caetano no documentário "Milton Nascimento: A sede do peixe": "Eu vou ao Sul do Brasil e me sinto num lugar relativamente estrangeiro. Vou a Salvador, me sinto num lugar bastante estrangeiro. Porque no Sul do Brasil parece que fui pra Europa; na Bahia, parece que fui pra África. Mas quando eu vou pra Minas eu sinto que eu fui pra dentro do Brasil". No Palácio das Artes, em BH, Adriana Calcanhotto foi para dentro do Brasil.


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    RIO - O filme Petra foi o grande vencedor do 28º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que terminou na noite de sexta-feira, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza. A coprodução Espanha-França-Dinamarca ganhou o Troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Longa-metragem, Melhor Direção (Jaime Rosales), Melhor Roteiro (Jaime Rosales, Michel Gaztambide e Clara Roquet) e Melhor Ator (Joan Botey). O filme foi vencedor também do Prêmio da Crítica.

    Traile de 'Petra'

    O longa cearense "O barco", de Petrus Cariry foi agraciado com quatro prêmios: Melhor Fotografia (Petrus Cariry), Melhor Trilha Sonora Original (João Victor Barroso), Melhor Som (Yures Viana, Erico Paiva e Petrus Cariry) e o prêmio Olhar Universitário.

    O chileno "Cabras de merda", de Gonzalo Justiniano, ganhou o Troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Direção de Arte (Carlos Garrido) e Melhor Atriz (Natalia Aragonese). O filme "Diamantino", uma coprodução Portugal-França-Brasil, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, foi vencedor na categoria de Melhor Montagem (Raphaelle Martin-Holger).

    O júri da Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem foi composto por Belisario Franca (Brasil), Stephen Bocskay (Estados Unidos), Belisa Figueiró (Brasil), Gustavo Salmerón (Espanha) e Emilio Bustamante (Peru).

    Na mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem o filme "Nova Iorque", de Leo Tabosa, de Pernambuco, ganhou o Troféu Mucuripe de Melhor Curta eleito pelo júri oficial da mostra. Foi vencedor também do Prêmio da Crítica. O melhor curta-metragem escolhido pelo Júri Oficial recebeu ainda o Prêmio Mistika (R$ 14.000, em serviços) e Prêmio Cia Rio (R$ 27.000,00 em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria).

    Veja a lista dos vencedores:

    MOSTRA COMPETITIVA IBERO-AMERICANA DE LONGA-METRAGEM

    Prêmio da Crítica: "Petra", de Jaime Rosales

    Olhar Universitário: "O Barco", de Petrus Cariry

    Melhor Ator: Joan Botey, por "Petra"

    Melhor Atriz: Natalia Aragonese, por "Cabras de Merda"

    Melhor Direção de Arte: Carlos Garrido, por "Cabras de Merda"

    Melhor Trilha sonora original: João Victor Barroso, por "O Barco"

    Melhor Som: Yures Viana, Erico Paiva e Petrus Cariry, por "O Barco"

    Melhor Montagem: Raphaelle Martin-Holger, por "Diamantino"

    Melhor Fotografia: Petrus Cariry, por "O Barco"

    Melhor Roteiro: Jaime Rosales, Michel Gaztambide, Clara Roquet, por "Petra"

    Melhor Direção: Jaime Rosales, por "Petra"

    Melhor Longa-metragem: "Petra"

    MOSTRA COMPETITIVA BRASILEIRA DE CURTA-METRAGEM

    Troféu Samburá - Melhor diretor de curta-metragem: Gulherme Gehr, por "Plantae"

    Troféu Samburá - Melhor Curta-metragem: "O Vestido de Myriam", de Lucas Rossi

    Olhar Universitário: "O Vestido de Myriam", de Lucas Rossi

    Prêmio da Crítica: "Nova Iorque", de Leo Tabosa

    Melhor Produção Cearense: "A Canção de Alice", de Barbara Cariry

    Melhor Roteiro: Sabrina Garcia, por "Só Por Hoje"

    Melhor Direção: Lucas Rossi, por "O vestido de Myriam"

    Melhor Curta-metragem: "Nova Iorque", de Leo Tabosa


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    No eterno fla-flu da internet, a turma do Quebrando o Tabu sempre fez questão de ser o árbitro. Sem vestir a camisa de um lado ou de outro, a página do Facebook costuma transitar no meio de campo de disputas sangrentas como drogas, aborto e racismo.

    — No mesmo post é capaz de me acusarem de ser bancado pelo PT e pelo FHC — diz Guilherme Melles, coordenador do conteúdo acompanhado por mais 9 milhões de seguidores.

    Depois de documentário para o cinema e plataforma de redes sociais, essa arena de ativismo e mediação de tretas chega à TV por assinatura nesta segunda, às 23h30m, no GNT.

    Antes de virar fenômeno de popularidade virtual, o projeto surgiu como um documentário homônimo sobre legalização da maconha, dirigido por Fernando Grostein Andrade em 2011. Ali, estava plantada a semente que se desdobraria nesses filhotes. Crítico da guerra às drogas, o filme dava voz a um interlocutor inesperado: o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

    LEIA MAIS: O documentário que deu origem à página do Facebook

    LEIA MAIS: FH diz que maconha não é caso de polítcia, mas de tratamento

    — A gente precisa entender que existem pessoas de direita e de esquerda com pensamento lúcido e bons pontos. A realidade é mais complexa — defende o cineasta de 37 anos, que assina a direção geral da série ao lado de Melles.

    A versão que estreia agora na TV é uma mescla da linguagem documental que marcou o longa com a rapidez esperta da internet, com direito a inserção de memes divertidos como os óculos escuros do “turn down for what”. Os temas dos dez episódios, no entanto, são dos mais densos, como privacidade, LGBTfobia, controle de armas e prostituição. Para trazer a multiplicidade de vozes (ou “lugares de fala”, no jargão da contemporaneidade), os criadores convocaram diretores de vários perfis, como a feminista Day Rodrigues (do curta “Mulheres negras”), Paulo Machline (do longa “Trinta”), Judith Belfer, egressa da publicidade, e Patrick Hanser, o caçula, com 21 anos.

    CUTUCANDO OS DOIS LADOS

    Grande parte dos assuntos abordados na série já tinha dado as caras na página do Facebook, que se descolou do documentário e ganhou vida própria a partir de 2013. Nas mãos de Melles, passou a adentrar campos minados como a descriminalização do aborto.

    — Começamos falando de drogas, mas em certo momento percebemos que todo mundo ali concordava. Estava inútil. Aí ampliamos as discussões — lembra.

    A visão dominante sempre foi progressista, em prol dos direitos humanos. Mas, aqui e ali, já despertou a ira dos dois lados do espectro.

    — Também já cutuquei a extrema esquerda. Se você pensar que as maiores páginas da direita e da esquerda têm 2 milhões de seguidores cada uma, e temos 9 milhões, acho que não falamos com um só lado — diz.

    O sucesso nas redes sociais virou um case para o ativismo na web. Quando funcionava apenas para divulgação do filme, a página tinha 30 mil seguidores. Aos poucos alcançou os 2 milhões, no embalo do crescimento dos protestos políticos no país. Foi quando Melles, que produzia conteúdo ali como um hobby independente de seu trabalho como produtor, lançou um crowdfunding para garantir dedicação exclusiva por um ano. A partir daí, as postagens aumentaram, a audiência explodiu, eles fecharam parceiras com ONGs e entidades de direitos humanos, abriram contas no Instagram e no Twitter.

    Na hora de montar uma proposta de série documental para a televisão, Grostein e Melles fizeram uma lista de temas recorrentes na página e acrescentaram outros, como a prostituição.

    — Cada episódio é como um longa, com a contribuição do diretor que estava no comando — diz Fernando.

    THRILLER SOBRE PRIVATIZAÇÕES

    A produção, em várias frentes simultâneas no Brasil e no exterior, durou cerca de um ano. Na lista de entrevistados, aparecem desde Gilberto Gil e a ativista Djamila Ribeiro até o pastor Silas Malafaia, conhecido pela moral conservadora, e psicólogos que defendem a famigerada “cura gay”. Só não puderam falar políticos em campanha, por conta da lei eleitoral.

    Polêmicas no horizonte não faltam. Como no episódio sobre as privatizações, que promete opor espectadores liberais e estatistas. Dirigido por Patrick, será “um thriller”, segundo Grostein.

    — Vamos mostrar que economia não é chato nem hermético — antecipa o diretor geral.

    Para Melles, o tema serve de exemplo para a abordagem ponderada da equipe.

    — Algumas vezes a conclusão aponta para um lado, às vezes para o meio do caminho. Fatos e bom senso resolvem grande parte dos problemas do mundo. Temos que fazer um levante dos isentões! — graceja.

    A cada semana, o GNT vai botar no ar em seu canal no YouTube um spin-off, um resumo do episódio exibido. A ideia é ampliar a discussão e conectar o projeto ao palanque original do Quebrando o Tabu na internet.


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    RIO - Com todas as dificuldades de patrocínio de sempre, o Rio International Cello Encounter chega este mês a sua 24ª edição sem perder de vista seu papel de divulgador não só do instrumento, mas da música clássica. E tudo isso com uma forte visão social que, ano após ano, não para de se fortalecer.

    Depois de uma etapa em Volta Redonda, que começou dia 7, o festival desembarca no Rio este domingo com uma homenagem ao maestro venezuelano José Antonio Abreu, falecido em março. Ele foi o criador do El Sistema, vitorioso projeto que desde 1975 oferece educação musical para a crianças carentes. Às 16h, na Igreja da Candelária, a Orquestra de Violoncelos e Contrabaixos de Volta Redonda e diversos solistas interpretam peça composta para Abreu.

    LEIA MAIS: Violoncelista de favela de Niterói busca ajuda para custear viagem

    Criador do Rio Cello, o violoncelista inglês (há 35 anos radicado no Brasil) David Chew é só elogios para o projeto Volta Redonda Cidade da Música, parceiro do festival, tocado pela maestrina Sara Higino e o maestro Nicolau Martins de Oliveira. Da mesma forma que El Sistema, ele mira a juventude desassistida, com resultados expressivos no ensino da música — que puderam ser vistos na primeira fase do Rio Cello, em Volta Redonda.

    — O mundo precisa conhecer esse projeto, o Brasil tem ouro e não sabe — anima-se David. — Não quer dizer que cada uma daquelas crianças vai ser músico, essa é uma discplina para ajudá-las a decidir o que vão fazer da vida. O importante é saber que a música é uma linguagem que vence todas as barreiras.

    Grande estrela do festival (que segue no Rio de Janeiro até o dia 20), o violoncelista alemão Marnix Mohring (que participa da homenagem a José Antonio Abreu e outros concertos do Rio Cello) é aguardado na cidade também por suas master classes, como conta David Chew:

    — Em Volta Redonda, as crianças vibraram, ele saiu revelando segredos do arco, da performance e da afinação.

    Outra estrela do Rio Cello este ano é Kely Pinheiro, de 20 anos. Nascida na comunidade da Grota, em Niterói, ela conseguiu recentemente uma bolsa para estudar na a Berklee College of Music, em Boston, nos EUA. David conta ter conhecido a violoncelista (que participa de vários concertos do festival) quando ela tinha 11 anos de idade:

    — Ela tocou "O canto do cisne negro" de Villa-Lobos na cozinha da minha casa. Ali, já deu para ver que ela ia longe. Hoje eu tenho orgulho de falar que a Kely é a menina mais talentosa que eu conheço. Ela vai voltar ao Brasil como uma grande concertista, eu tenho certeza.

    No domingo dia 19, o Rio Cello se desvia de seu repertório puramente clássico com uma homenagem aos 100 anos de Jacob do Bandolim, um dos grandes mestres do choro. Às 15h, na Sala Baden Powell, Fernanda Canaud (piano), Marco de Pinna (bandolim), Federico Puppi (cello) e o Trio Porã lembram Jacob tocando Pixinguinha e Mendelssohn.

    — Os estrangeiros que vêm para o Rio Cello me pedem para tocar choro. É importante o festival divulgar a boa música, independentemente se é clássica ou popular. Isso é Brasil — defende David Chew.

    Programação carioca do Rio Cello:

    Dia 12, domingo

    11h — Museu do Amanhã (Auditório)

    Cello Cine

    Blas Rivera Quarteto

    Blas Rivera – saxofone, piano

    David Chew – cello

    Otto Hanriot – bandoneon

    David Johnson -violino

    Cecília Gonzales e Luciano Bastos - bailarinos

    Repertório: J.S.Bach / A.Piazzolla / B.Rivera

    12h30m — Museu do Amanhã (Átrio)

    Cello Dance

    Dilo Paulo – Kuduro de Angola

    Sheila Fingier – bailarina

    Improvisos

    Yaniel Matos – cello

    Fabio Cezanne - percussão

    DJ Muralha

    Danilo D’Alma e Pâmela Sobral – bailarinos

    Paula Maracajá – direção de movimento

    Repertório: Frequência Modulada

    16h – Igreja da Candelária

    Homenagem a José Antônio Abreu

    Orquestra de Violoncelos e Contrabaixos de Volta Redonda

    Sarah Higino — regente

    Solistas:

    Blas Rivera Quarteto

    Haroutune Bedelian – violino

    David Johnson – violino

    David Chew – cello

    Otto Hanriot – bandoneon

    Angelica de la Riva – soprano

    Marnix Mohring – cello

    Repertório: Vivaldi / A.Piazzolla / H.Villa-Lobos / D. Ashbridge/ Vaughan Williams/ Blas Rivera/Bizet

    Dia 13, segunda-feira

    12h — Teatro Dulcina

    Transmissão ao vivo do concerto pela Rádio MEC

    London Music Club (Haroutune Bedelian – violino, David Johnson – viola, David Chew – cello, Lorna Griffitt – piano)

    Blas Rivera Quarteto (Blas Rivera – saxofone, Otto Hanriot – bandoneon, David Chew – cello, David Johnson-violino)

    Marnix Mohring – cello

    Repertório: J.S.Bach / A.Piazzolla / B.Rivera

    Dia 14, terça-feira

    13h – Gastrocello

    Colaboração com o projeto “Gastromotiva” (Concerto para moradores de rua)

    Dia 16, quinta-feira

    10h — Museu do Amanhã (Terreiro de Curiosidades)

    Cello Tinta (oficina para crianças da Maré)

    Jonatas Silva, cello

    Joana Passi e Carolina Chew, orientadoras

    Dia 18, sábado

    11h - Museu do Amanhã (Auditório)

    Quarteto da UFF (Tomaz Soares – violino, Ubiratã Rodrigues – violino, Jesse Maximo– viola, David Chew – cello)

    Angelica de la Riva - soprano

    Rio Cello Ensemble - Aleska Russo, Ana Milena Macías, David Chew, Elizabeth Bermúdez Diago, Fernando Bru, Gabriel Ordóñez, Glenda Carvalho,Hans Twitchell, Janaína Salles, Kely Pinheiro, Juan David Erazo, Mara Lobo, Marcus Ribeiro, Marxim Mohring, Mateus Ceccato – cellos

    Repertório: Guerra-Peixe /J.S.Bach / Villa-Lobos

    12h30m — Museu do Amanhã (Átrio)

    Quarteto Ad Libitum (Daniela Nupán, Juan Daniel Molina – violino, Harold Bolaños – viola, Gabriel Ordóñez – cello, René Ordóñez - cuatro llanero, Alejandro Chimbaco – percussão) Repertório: J.Haydn/F.Schubert e Folclorica Columbiana

    14h às 17h00 — Cidade das Artes

    Masterclass com Marnix Mohring e Mara Lobo

    17h — Cidade das Artes

    Camerata Laranjeiras

    Marnix Mohring, cello

    Kely Pinheiro, cello

    Repertório: G.Peixe / Folclore Escandinavo

    18h30m — Casa Museu Eva Klabin

    Homenagem ao Fim da Primeira Guerra Mundial

    Haroutune Bedelian – violino

    Lorna Griffitt – piano

    Trio Twitchell - Johnson (David Johnson – violino, Hans Twitchell – cello, Adriana Twitchell – piano)

    Repertório: B.Britten / C.Debussy / D.Shostakovich

    Dia 19, domingo

    11h — Cine Arte UFF (*parte da verba arrecadada neste concerto será revertida para o Rio Cello – R$14 / R$7)

    Quarteto da UFF (Tomaz Soares – violino, Ubiratã Rodrigues – violino, Jesse Maximo– viola, David Chew – cello)

    Quarteto Ad Libitum (Daniela Nupán – violino, Juan Daniel Molina – violino, Harold Bolaños – viola, Gabriel Ordóñez – cello, René Ordóñez - cuatro llanero, Alejandro Chimbaco – percussão)

    Repertório: Guerra Peixe / Música Folclórica Colombiana

    15h — Sala Municipal Baden Powell (*parte da verba arrecadada neste concerto será revertida para o Rio Cello – R$20 / R$10)

    Homenagem a Jacob do Bandolim

    Fernanda Canaud - piano

    Marco de Pinna - bandolim

    Federico Puppi - cello

    Trio Porã (Maressa Carneiro – violino, Glenda Carvalho – cello, Ciro Magnani – piano)

    Repertório: Pixinguinha / Mendelssohn

    16h – Igreja da Candelária

    Camerata Laranjeiras

    Marnix Mohring, cello

    Kely Pinheiro, cello

    Repertório: G.Peixe / Folclore Escandinavo

    Dia 20, segunda-feira

    12h — Teatro Dulcina

    Transmissão ao vivo do concerto pela Rádio MEC

    Fernanda Canaud - piano

    Marco de Pinna - bandolim

    Ramon Cruz - piano

    Juliana Franco - soprano

    David Chew – cello

    Repertório: J.S.Bach / Pixinguinha /H.Villa Lobos/ Bernstein

    20h — Sala Cecília Meireles (*parte da verba arrecadada neste concerto será revertida para o Rio Cello – R$40 / R$20)

    Violonsalada: Concerto de Encerramento (melhores momentos de Rio Cello 2018)

    Homenagens a Debussy, Bernstein, Villa-Lobos e Paulo Russo.


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    O escritor V.S. Naipaul, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2001, morreu em sua casa, em Londres na tarde deste sábado. A família, que divulgou a notícia, não especificou a causa da morte.

    Nascido na ilha caribenha de Trinidad, em 1932, Vidiadhar Surajprasad Naipaul era descendente de imigrantes indianos. Ficou conhecido internacionalmente após best-seller “Uma casa para o Sr. Biswas” (1961), incluído em várias listas de melhores livros do século XX. O romance de traços autobiográficos dá perspectiva da vida em uma ex-colônia britânica, tema que explorou em outras obras, como “Os mímicos” (1967) e “Uma curva no rio” (1979). Os principais de seus 30 livros saíram no Brasil pela editora Companhia das Letras.

    Vivendo em Londres desde os anos 1960, em 1989 o escritor recebeu o título de Sir. Sua esposa, Nadira, declarou à BBC que Naipaul faleceu “cercado por aqueles que amava” e ressaltou sua vida “cheia de criatividade e realizações”.


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    RIO Com o cabelo pintado de louro e bem puxado para trás, como fazia Hebe Camargo, Andréa Beltrão conta que passou um ano estudando a apresentadora, morta em 2012. Escalada para viver a personagem no longa-metragem "Hebe", que estreia em 2019, Andréa diz que uma das principais dificuldades foi com a prosódia e o sotaque de Hebe, que misturava a origem no interior paulista (Taubaté).

    — A Hebe adorava falar, adorava conversar — diz Andréa. — Tinha uma tara por isso. A fala para ela era muito importante. Para o bem e para o mal, ela falava tudo o que vinha à cabeça. Tinha uma ligação muito livre entre o pensamento e o falar. Isso trazia uma espontaneidade imensa para ela".


    Visitamos as filmagens do longa. A preparação incluiu o estudo de reportagens, vídeos no YouTube e livros como a biografia escrita pelo colunista do GLOBO Artur Xexéo. Andréa reconhece que pensou em abandonar tudo, porque não sabia se daria conta. Mas terminou as filmagens da semana passada.

    78249070_Cenas da gravação do Filme sobre a vida de Hebe Camarmo apresentadora de TV de muita.jpg

    O que mais ajudou foi o figurino. Foram 40 “looks”, entre peças originais, cedidas pela família, e outras garimpadas de brechós. Os vestidos cabiam certinhos na atriz.

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    A história, dirigido pelo marido de Andéa, o cineasta Maurício Farias, deve dar origem ainda a uma série de TV para a Globo. Gestado desde 2014 pela roteirista Carolina Kotscho, o longa tem como fonte primária de informações a família da apresentadora e cerca de 3 mil recortes de jornais e revistas acumulados ao longo de muitos anos por uma das fãs mais dedicadas dela. O período abordado, no entanto, se concentra nos anos 1980, considerado o auge da apresentadora.


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    RIO — Na última quinta-feira, o deputado federal Paulo Maluf (PP -SP) protagonizou um caso insólito. Em prisão domiciliar, tentou contato com um ministro (não identificado), mas discou o número errado. Acabou ligando — cinco vezes — para o celular da reportagem do jornal “Valor”. “Esse número não é do ministro?”, teria indagado Maluf, segundo o relato. Com isso, o parlamentar infringiu as restrições de sua pena em regime domiciliar.

    De tão absurda, a cena poderia ter saído de um esquete de comédia. Mas, na verdade, é apenas mais uma das muitas notícias reais do nosso dia a dia que superaram a imaginação dos humoristas. E a concorrência com a realidade parece ser um fenômeno mundial. Em seu novo projeto, “Who is America”, que estreou em julho no canal americano Showtime e ainda não tem previsão de exibição no Brasil, o comediante Sacha Baron Cohen deu mais uma prova da força dos fatos.

    A PÓS-PARÓDIA DE SACHA BARON COHEN

    Na série de sete episódios, ele interpreta vários falsos apresentadores que entrevistam figuras da política americana. Ao abordá-los, um de seus personagens divulga o seu site, Truthbrary.org, que reúne artigos com diversas teorias conspiratórias das mais loucas (coisas do tipo “Hillary Clinton é uma satanista iluminati”). Só que, como revelou a revista “Wired” na semana passada, esses textos não foram inventados, mas, sim, retirados de páginas reais da internet, que os promovem de forma séria. O comediante apenas copiou e colou o que já existe — uma espécie de ready made humorístico que a “Wired” definiu como “pós-paródia”.

    Não é acaso que um recente bordão do programa “Zorra” seja “Tá difícil competir com a realidade”. Um ano antes de Baron Cohen, a equipe de roteiristas espalhou manchetes inacreditáveis de notícias reais pelos estúdios da TV Globo como uma ação de marketing. “Se é verdade que Deus existe, precisamos reconhecer que ele é o melhor roteirista de todos os tempos”, disse, na época, a redatora Gabriela Amaral. Desde então, ela acredita que a concorrência com o todo-poderoso se intensificou.

    — Nesse assombro que é o mundo de hoje, em que tudo parece excessivamente real, a sensação é que o humorista está fazendo uma crônica, e não uma piada — diz Gabriela. — Isso é, sim, uma dificuldade. Mas o papel do humorista é se colocar perplexo junto com as pessoas, questionar com elas a veracidade da informação, a qualidade da informação... É chamar a atenção das pessoas sobre o quanto a realidade é absurda.

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    Uma das criadoras do noticiário satírico eletrônico “Sensacionalista” e ex-roteirista do “Zorra”, Martha Mendonça sabe que, muitas vezes, a piada já chega pronta. O site ficou famoso por criar notícias assumidamente falsas, com viés exagerado e cômico. Só que, diante dos acontecimentos cada vez mais bizarros, criou a categoria “pode rir, a piada é essa”, em que só reproduz a notícia como ela é, sem enfeite, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) participando de ato anticorrupção.

    "É O FAMOSO 'NÂO DÁ pARA INVENTAR'"

    — É o famoso “não dá para inventar” — diz Martha. — Uma ministra do trabalho com não sei quantos processos trabalhistas, por exemplo, é algo que nem o humor consegue produzir. O Brasil é o país do humor involuntário, que é um tipo de humor maravilhoso.

    Ela também lembra que, quando o “Sensacionalista” começou, em 2009, ainda não havia o fenômeno das fake news — os sites que inventam notícias falsas não para fazer rir, mas para manipular eleitores desatentos.

    — Na época, não tínhamos problema em ser um site de notícias falsas, agora precisamos nos diferenciar desse tipo de falsidade — nota ela.

    As fake news também são uma preocupação do humorista e cartunista Reinaldo. Em sua série de quadrinhos no GLOBO, “ET de Varginha vs Chupacabra”, o ex-casseta faz questão de incluir o nonsense do noticiário.

    — Gosto de falar sobre seitas de fanáticos, políticos grotescos, o roubo e a venda do sangue do Stan Lee, essa coisa toda... Daqui a dez anos, se alguma criança for ler essa história em quadrinhos, vai pensar: “Esse autor é muito louco! De onde será que ele tira essas ideias malucas?”


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    Quando Marilyn Monroe filmou uma cena de amor com Clark Gable em "The Misfits", ela largou o lençol e mostrou todo o seu corpo naquela que teria sido a primeira cena de nudez de uma atriz americana em um longa-metragem, de acordo com o "Daily Mail". Mas o diretor John Huston cortou a cena. Agora, mais de meio século depois, o autor de uma futura biografia de Monroe descobriu a história.

    Charles Casillo entrevistou Curtice Taylor, filho do produtor do filme, Frank Taylor, e ficou surpreso ao saber que ele manteve a filmagem em um armário trancado desde a morte de seu pai, em 1999. O filho do cineasta disse: “Muitas cenas não usadas foram destruídas. Mas Frank Taylor acreditava que essa era tão importante e tão inovadora que ele a salvou".

    "The Misfits", filmado em 1961 e escrito pelo então marido de Monroe, Arthur Miller, conta a história de três caubóis disputando a atenção de uma mulher bonita. Este foi o último filme completo da atriz, que morreu, aos 36 anos, no ano seguinte.

    A filmagem, com som, dura cerca de 45 segundos. Curtice Taylor, fotógrafo e professor, diz que naquela época, havia censura sobre personagens juntos na cama. O que ele fará com o material de "The Misfits" ainda será decidido. O filme marcou o fim do casamento de Marilyn.


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    Responsável pelo Nobel, este ano a Academia Sueca foi abalada por acusações de assédio sexual, irregularidades financeiras — e, prêmio de literatura, favorecimento de autores ligados a membros da instituição (oito dos 18 saíram). Diante das denúncias, o Nobel das letras foi adiado pela primeira vez desde a Segunda Guerra.

    Alexandra Pascalidou passou meses acompanhando os escândalos e, quando a Academia Sueca anunciou que adiaria o prêmio de literatura, a jornalista reuniu um grupo de ativistas para garantir a entrega de uma láurea similar.

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    E o “Nobel Alternativo”, como tem sido chamado, está avançando. No site dennyaakademien.com está disponível uma lista com 46 nomes, entre eles best sellers como JK Rowling e Neil Gaiman, e reclusos como Elena Ferrante e Thomas Pynchon. Na entrevista a seguir, Alexandra explica o prêmio e fala sobre a importância de a literatura estar associada à empatia e ao respeito.

    Como tem sido organizar o prêmio?

    É muito difícil. Especialmente quando se trabalha sob pressão de tempo e quando se é um movimento descentralizado, que enfatiza o empoderamento do grupo, com uma hierarquia mais horizontal. Trabalhamos dia e noite, mas sabemos que não podemos mudar nada sem muito trabalho, especialmente quando temos uma grande visão global e tentamos construir algo totalmente novo.

    Quanto será pago ao vencedor?

    Nosso objetivo é arrecadar um milhão de coroas suecas (cerca de R$ 425 mil) para o vencedor ou vencedora. Acreditamos que leitores e escritores de todo o mundo querem ver um prêmio este ano. Um prêmio que defenda transparência, democracia, igualdade e liberdade de expressão. Um prêmio tão necessário em nosso tempo, quando a literatura é um antídoto para a cultura do silêncio.

    Há no Brasil, neste momento, um movimento em favor da eleição da primeira mulher negra (Conceição Evaristo) para a tradicional Academia Brasileira de Letras. Por que é tão importante democratizar a literatura?

    Isso é uma ótima notícia e estamos felizes que você a tenha compartilhado, já que não ouvimos falar sobre isso desse lado do mundo. É surpreendente que vocês ainda não tenham uma mulher negra na Academia Brasileira de Letras, já que estou convencida de que há muitas, em seu imenso e belo país, que mereceriam se sentar lá. Há muita força, inovação e criatividade na diversidade e na inclusão. Exclusão e discriminação de talentos e capacidades pertencem ao passado. A democracia precisa ter como base a meritocracia. e todos nós sabemos que a competência vem em diferentes cores e formas, além daquelas do “macho branco dominante”.

    Como funciona a dinâmica de votação do prêmio?

    Bibliotecários — uma das profissões mais subestimadas no trabalho diário com os livros — foram convidados para indicar os autores. Os mais indicados foram incluídos em uma lista de 46 nomes. Agora o público vota no nosso site. Quando tivermos quatro finalistas, um júri profissional decidirá o vencedor, que será anunciado em outubro. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 10 de dezembro.

    Como surgiu a ideia desse empoderamento dos bibliotecários?

    Bibliotecários são cruciais para muitas pessoas. Para mim, são a razão pela qual escrevo. Cresci no subúrbio mais pobre e multicultural de Estocolmo, Rinkeby, agora chamado de “zona proibida”, como uma favela. Cresci numa família de imigrantes gregos, em um lar caótico, sem livros e sem tradição de leitura. Eu escapava diariamente até a biblioteca local para encontrar paz e fazer minhas lições de casa. Houve então uma bibliotecária, inesquecível, que me apresentou ao mundo dos livros.

    Por que não há autores latino-americanos na lista?

    Amo muitos autores latino-americanos e também senti falta deles. Alguns nomes foram lembrados na fase de indicação. Acho que é um problema estrutural o fato de eles não alcançarem essa parte do mundo. Se organizarmos novamente o prêmio, tentaria convidar bibliotecários de outras partes do mundo para indicarem candidatos.


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    78348495_Vidiadhar Surajprasad Naipaul Credit Ulf Andersen - Aurimages..jpgRIO — No coração de todo livro de V.S. Naipaul, morto anteontem, aos 85 anos, há um observador implacável, forasteiro e fora da curva. Pode ser algum alter ego do autor, ou o próprio, relatando o que viu em viagens pelo mundo. O comerciante de “Uma curva no rio”, que do seu balcão relata o impacto de uma modernização forçada em um vilarejo africano dizimado pela guerra; ou o escritor deslocado de “O enigma da chegada”, que reflete sobre a morte e a decadência do mundo em um país estrangeiro, misturando memória e ficção. Não importa por qual personagem passa a narração: a capacidade de enxergar novos ângulos é sempre a mesma, num tom incômodo e direto. Ao conceder-lhe o Nobel de Literatura, em 2011, a Academia Sueca afirmou que o havia premiado por “ter misturado percepção narrativa e observação incorruptível em suas obras, que nos condenam a ver a presença da história esquecida”.

    LEIA TAMBÉM: Nobel de Literatura: veja os últimos vencedores

    V.S. Naipaul, vencedor do Nobel de Literatura, morre aos 85 anos

    Nada disso seria possível se seu olhar não voasse livremente sem outro compromisso senão com a literatura. Como lembraram os jurados do Nobel, Naipaul era o tipo de sujeito que não presta contas a ninguém, pois sentia-se “cômodo somente em seu interior, no seio de sua expressão inimitável”. Era um autor difícil de igualar até mesmo em seu background — um britânico nascido no Caribe (Trinidad e Tobago), com origem indiana e nepalesa.

    Confira cinco livros essenciais de V.S. Naipaul

    Para esse viajante autônomo, nacionalidade era uma noção fluída. Territórios e suas fronteiras funcionavam como hotéis desconfortáveis, onde ele se hospedava sempre à espera do próximo check out. Em “Num estado livre”, reunião de cinco novelas avulsas, ele acompanha o infortúnio de personagens refugiados, expatriados e imigrantes. Cedo ou tarde, todos são confrontados com os seus conceitos ilusórios de independência.

    Naipaul encarnou o desenraizamento contemporâneo. Não por acaso era comparado a Joseph Conrad, um polonês nascido na Ucrânia que se aventurou pelos mares e também escolheu o exílio na língua inglesa. Como Conrad, Naipaul expôs as cicatrizes do colonialismo (ambos são criticados por sua abordagem ambígua sobre o assunto, aliás). Em seu — subestimado — trabalho de jornalista, diagnosticou os impasses em relação ao futuro da África (“A máscara da África”) e da Índia (“Índia”), o choque entre modernidade e tradição. Também mostrou o impacto da fé em países muçulmanos como a Indonésia e o Irã. O Naipaul-repórter, aliás, só existe graças ao editor-chefe do “New York Review of Books”, Robert Silvers. Sabia que o jornalismo era um meio perfeito para que questionasse as nossas suposições de mundo.

    Temperamento difícil

    Conhecido por seu temperamento difícil e por sua indisfarçada arrogância, o escritor dava trabalho aos entrevistadores. Em uma tensa conversa para as páginas da célebre “Paris Review”, exigiu que os seus dois interlocutores reformulassem várias vezes suas perguntas. “O que você quer dizer com isso?”, “Coloque de outra maneira”, “Não sei se essa é uma pergunta justa”, devolvia. Ao ser indagado sobre sua percepção de “mundo”, no entanto, deu uma resposta que poderia resumir a sua obra: “Acho que o mundo é aquilo em que você entra quando pensa — quando você se educa, quando você questiona — porque você pode estar no grande mundo e ser absolutamente provinciano”.

    Apesar de tudo, Naipaul também tinha um lado doce. Pelo menos, quando estava em Portugal, informou no sábado o jornal luso “Expresso”. Ao passar por Coimbra, gostava de se sentar no hotel e olhar para o mar. Ainda segundo o jornal, fez amizade com o ator Tobias Monteiro, que lhe explicou o significado do fado e daquela palavra que só existe em nossa língua. “Hoje ensinaste-me uma palavra: saudade”, teria lhe dito o escritor, que se revelou uma pessoa “de poucas palavras”, mas de trato “nada difícil”.


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    RIO — A cantora americana Aretha Franklin, vencedora de vários prêmios Grammy, está gravemente doente e ao lado de seus parentes, informou um jornalista que é amigo da família da artista. A "rainha do soul", de 76 anos, famosa por sucessos como "Respect" (1967) ou "I Say a Little Prayer" (1968), se aposentou da música em 2017.

    “A família pede orações e privacidade", escreveu Roger Friedman no site Showbiz 411.

    Aretha Franklin, diagnosticada com câncer em 2010, se apresentou em público pela última vez na Filadélfia, em agosto de 2017.

    "Foi um espetáculo milagroso, pois Aretha já lutava contra a exaustão e a desidratação", escreveu Friedman sobre o show na Filadélfia.

    Ao longo de sua carreira, Aretha Franklin acumula 18 prêmios Grammy, incluindo um pelo conjunto de sua carreira. Entre seus maiores sucessos estão "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" (1968), "Day Dreaming" (1972), "Jump to It" (1982), "Freeway of Love" (1985) e "A Rose Is Still A Rose," (1998).

    Em 1987 se tornou a primeira mulher a entrar no Salão da Fama do Rock and Roll. Em 2005, Aretha Franklin recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade - a maior condecoração para um civil americano — das mãos do então presidente George W. Bush. Franklin também cantou em janeiro de 2009 na posse do presidente Barack Obama.


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    RIO - A Netflix vai exibir "Jinn", sua primeira série original em língua árabe. O drama, sobre amadurecimento, conta com elementos sobrenaturais , como espíritos e demônios. A série de seis episódios - que começou a ser filmada nesta segunda-feira passada, em Amã, na Jordânia - deverá estar disponível para os assinantes da Netflix em todo o mundo em 2019.

    Até agora, o único programa da Netflix de conteúdo original em árabe foi um stand-up com o comediante e ator libanês Adel Karam. Analistas dizem que a falta de conteúdo local impediu o crescimento da gigante do streaming no Oriente Médio.

    Um produto da Kabreet Productions, "Jinn" é dirigido pela produtora executiva Mir-Jean Bou Chaaya (de "Um grande plano", comédia libanesa que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017), produzido por Elan e Rajeev Dassani e tem Elan Dassani como escritor principal. Amin Matalqa ("Capitan Abu Raed") dirige os últimos três episódios.

    "Jinn" é sobre um grupo de adolescentes árabes que vive seus primeiros romances. Inadvertidamente, eles entram em contato com as forças sobrenaturais de Jinn (criaturas mitológicas) em seu mundo, e passam a travar uma batalha do bem contra o mal e uma corrida contra o tempo.

    Ná série, Salma Malhas é Mira, uma adolescente rebelde e revoltada com a perda da mãe. Ela aprende a amar de novo quando ela conhece Keras, interpretado por Hamza Abu Eqab, o Jinn. No elenco estão Sultão Alkhalil, Aysha Shahalthough, Yaser Al Hadi e Ban Halaweh, entre outros.

    "Nosso objetivo é criar um show fantástico sobre jovens no Oriente Médio, em árabe, que seja autêntico e repleto de ação. Este programa da Netflix quer ser cheio de intrigas, aventuras e narrativas incríveis da Jordan e de nossos públicos em todo o mundo", disse Erik Barmack, vice-presidente de séries internacionade originais da Netflix, em nota.


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    RIO - Funcionário do Neflix desde 2004, David Wells anunciou que vai se demitir da empresa, da qual é diretor financeiro desde 2010. A gigante do streaming informou nesta segunda-feira que Wells planeja deixar o cargo depois que seu sucessor for encontrado.

    "Estou há 14 anos na Netflix e sinto muito orgulhoso disso", disse Wells em um comunicado. "Depois de discutir o meu desejo de fazer uma mudança com Reed (Hastings, CEO da Neflix), concordamos que com a sólida posição financeira do Netflix e planos de crescimento empolgantes, este é o momento financeiro certo para nós", ele acrescentou.

    Durante sua carreira no Netflix, Wells aumentou os gastos anuais da empresa - que atualmente giram em torno de US $ 8 bilhões - para adquirir e produzir conteúdo.

    "David tem sido um bom parceiro para o Netflix e para mim. Ele tem gerenciado habilmente nossas finanças durante uma fase de crescimento dramático que nos permitiu criar e entregar valor excepcional a nossos investidores", disse Hastings, em comunicado.


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