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    FOTODH Kopie (2).jpgRIO — O sobrenome, que deu de herança ao marido, o americano Franz Halász, desde o casamento em 1991, não dava indicações de se tratar de uma brasileira. Mas quem olhar com atenção a lista de ganhadores do Grammy Latino deste ano pode perceber as cores verde e amarelo no pódio do melhor álbum de música clássica. A dica estava no nome do disco, “Alma brasileira”. Com ele, Débora Halász, paulista de 50 anos radicada na Alemanha há 26, recebeu um dos dois troféus da categoria pelo CD feito ao lado do marido, em um duo de piano e violão em composições do gaúcho Radamés Gnattali (1906-1988). A pianista, única do país a ganhar o gramofone em uma categoria não voltada a brasileiros, dividiu o prêmio com a venezuelana Gabriela Montero. Em entrevista ao GLOBO por telefone, Débora fala sobre a conquista, a música clássica no Brasil e no exterior e lembra sua trajetória.

    Você começou cedo na música. Aos 15 anos, já tocava com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), certo?

    Comecei a estudar piano aos 6 anos. Minha avó, húngara, tocava o instrumento, assim como minha irmã mais velha. Aos 10 anos, ganhei o primeiro concurso e entrei na Academia Magdalena Tagliaferro. Eu era a aluna mais nova, e isso me abriu horizontes, muita gente boa foi “produzida” ali. Aos 15, participei de um concurso para jovens solistas e fui escolhida para tocar com a Osesp. Algum tempo depois, ganhei a DAAD, bolsa do governo alemão. Terminei minha formação na Musikhochschule de Colônia. Nesse meio tempo me formei também em Direito pela USP. A cultura erudita de forma geral exige apoio da classe política, e no país esse apoio vai para a cultura popular

    Você está na Europa desde 1989. Qual comparação pode fazer entre a música clássica produzida aí e na sua terra natal?

    Minha formação pianística foi muito boa. A escola brasileira tem uma grande tradição, mas acho que a música de câmara ainda é uma deficiência no Brasil. A cultura erudita de forma geral exige apoio da classe política, e no país esse apoio vai para a cultura popular. O problema é que a música erudita continua sendo para um grupo pequeno de pessoas, apesar de tantos jovens terem potencial. Hoje existem trabalhos para mudar isso feitos por pessoas que voltaram para o Brasil, como o Ricardo Castro, na Bahia (ele criou os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis no estado). O Brasil precisa aprender que música clássica é produto de exportação.

    Você sempre esteve ligada de alguma forma à música brasileira, como na série de discos dedicada a Villa-Lobos (1887-1959).

    Minha intenção era fazer um disco de composições dele quando recebi o convite do selo BIS. Quando cheguei à Suécia, o dono da gravadora, Robert von Bahr, disse que eu ia gravar a obra integral, fui quase colocada contra a parede (risos). Acabaram saindo quatro CDs, e recebemos boas críticas (o trabalho foi considerado pela revista americana Fanfare "a melhor interpretação de Villa-Lobos já realizada em disco").

    Débora Halász tocando Villa-Lobos

    Como você conheceu a obra de Radamés Gnattali? Por que a escolha dele para criar “Alma brasileira”?

    Tinha ouvido falar em Gnattali no Brasil, mas só o conheci na Alemanha, ouvindo o canadense Marc-André Hamelin. Ele usa os ritmos brasileiros como o choro e o samba de uma forma muito erudita, é meio que um jazz brasileiro sofisticado, e isso dá um toque próprio à música. E Gnattali era também um grande pianista, tem várias obras mesclando piano e violão. Partimos de um duo dele, a sonata nº 2, e fomos buscando composições que mais interessavam. Foi difícil conseguir as partituras. A viúva de Gnattali administra tudo. Algumas circulam entre pianistas, mas precisamos contatá-la, o que seria mais difícil para quem não é brasileiro. Uma pena as editoras no Brasil não publicarem, e as pessoas não terem tanto acesso à obra. Com o CD, conseguimos ampliar essa divulgação, ele é distribuído para mais de cem países.

    Você foi a única brasileira a ganhar o Grammy Latino fora das categorias nacionais. Qual a importância disso?

    É bem grande, mesmo a indicação, porque é um mar de gravações na disputa. Acho que no meu caso tem uma dobradinha, gravei o Gnattali e sou brasileira, dois latinos. Eu e o Franz estávamos no Rio, no Festival Villa-Lobos e soubemos pela internet, sem acreditar. Também é um prêmio para o Brasil, espero que toque o país. Acho que é isso que me motiva na vida artística. Não conseguiria tocar sempre o mesmo programa

    E o futuro?

    Estou começando a estudar o suíço Frank Martin, de quem pretendo gravar uma obra solo. Ele tem um estilo de composição completamente diferente, uns caminhos harmônicos inconvencionais e polirritmia em alguns trabalhos. Acho que é isso que me motiva na vida artística. Não conseguiria tocar sempre o mesmo programa. Para 2016 ainda quero fazer mais dois álbuns sobre (o compositor português) Carlos Seixas, um solo de cravo. Também formei um quinteto com músicos de Munique, da formação de tango, com violão, piano, violino, contrabaixo e bandoneon. Vamos gravar CDs com obras de Astor Piazzolla.


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    kenleung.jpgALBUQUERQUE - A ligação entre Ken Leung e J.J. Abrams é longa: ator e diretor trabalharam juntos em “Lost”, “Person of interest” e agora reprisam a parceria em “Star Wars: O despertar da Força”. “É um papel pequeno, mas não posso falar nada sobre ele” foi tudo o intérprete de Miles Straume, de “Lost”, se limitou a dizer sobre o seu personagem no sétimo episódio da saga recém-chegada aos cinemas. Pacotão Star Wars 2

    — Filmamos em Londres no verão passado. Fui à cidade duas vezes e fiquei duas semanas em cada uma delas. Filmei apenas alguns dias. E foi super secreto, eu tinha apenas as páginas com as minhas cenas. Não podia sair do estúdio com as roupas do personagem, tinha que me cobrir de preto, porque tinham aviões sobrevoando o set em busca de fotos nossas — conta o ator americano de 45 anos no intervalo das gravações da segunda temporada série “The night shift”, em Albuquerque, nos Estados Unidos.

    Para Leung, rodar “Star Wars: O despertar da Força”, que se passa 30 anos depois do "Episódio VI: O Retorno de Jedi", foi “uma coisa mágica”:

    — Era inacreditável estar lá. Mais do que uma honra, era como um parque de diversões para adultos. Mas era um trabalho e eu estava ganhando para aquilo — comenta Leung.

    Descendente de chineses, o ator diz que a franquia criada pelo cineasta George Lucas, cujo primeiro filme ganhou os cinemas em 25 de maio de 1977, tem um significado importante para ele:

    — “Star Wars” foi lançado no dia que meu irmão nasceu. A gente via os filmes juntos. Eu o perdi há dois anos, mas ele está sempre comigo. Quando fui chamado para fazer o teste depois de muita insistência e me confirmaram no elenco, achei que era o meu irmão respondendo o meu pedido, foi algo muito especial. Nunca imaginei que faria “Star Wars”, ninguém imaginaria.

    O sétimo episódio da saga tem parte do elenco original, o que deixou Leung emocionado:

    — Quando vi que Carrie Fischer, a princesa Leia, estava no set, a contei que meu irmão tinha uma queda por ela. Carrie é muito engraçada, ela disse: “E você não?”


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    20151218-110005.jpgRIO — Uma declaração de Madonna pode ajudar Sean Penn em um processo que ele move contra Lee Daniels, criador de “Empire”, da Fox. Em setembro, Daniels tentou defender Terrence Howard, estrela da série, que admitiu bater na mulher, dizendo à revista “The Hollywood Reporter” que “ele não fez diferente de Marlon Brando ou Sean Penn”. A declaração levou o ator a entrar na Justiça alegando difamação e pedindo uma indenização de US$ 10 milhões. Agora, a cantora afirmou que o ex-marido não bateu nela enquanto eles foram casados nos anos 1980.

    Na última quinta-feira, Penn incluiu no processo o testemunho de Madonna, que chamou o antigo companheiro de “amoroso e misericordioso”. “Estou ciente das alegações que vieram à tona durante os anos acusando Sean de casos de agressão física e abuso contra mim”, ela escreveu. “Especificamente, eu estou ciente das alegaçãos sobre um incidente que ocorreu em junho de 1987, em que (de acordo com o relato de tabloides) Sean supostamente me bateu com ‘um bastão de baisebol’. As alegações nessas e em outras matérias são completamente ultrajantes, maliciosas e falsas”.

    Assim como o caso de 1987, a cantora desmentiu que Penn teria sido preso pouco tempo depois por outra situação. “Embora certamente tenhamos tido discussões acaloradas durante nosso casamento, Sean nunca me atingiu”, enfatizou. O episódio a que ela parece ter se referido é o de 28 de dezembro de 1988. Na data, Madonna foi ao escritório do xerife de Malibu para prestar denúncia de agressão contra o então marido. Ele foi acusado de “lesão corporal e condições traumáticas” contra a rainha do pop. Ela retirou a queixa na semana seguinte e, desde então, raramente comenta o assunto.

    Em março de 1989 ela disse à “Rolling Stone” que a versão dos jornais daquela noite era “extremamente imprecisa, como são geralmente. Estou completamente reconciliada com este fato”. Na época, Penn afirmou que Madonna tinha feito a denúncia por ciúmes, já que ele estava se relacionando sexualmente com outra mulher.

    Sobre a polêmica atual, Daniels tem procurado se defender falando em liberdade de expressão. Ele argumenta que o processo é uma “tentativa de silenciar” sua opinião, considerada por ele como uma “contribuição para o angustiante debate da nação sobre a disparidade racial e a violência doméstica”. Em setembro, Daniels insinuou que Howard estava sendo mais injustiçado do que outros atores envolvidos em agressão por ser negro.


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    DiCaprio.jpgRIO — O ator Leonardo DiCaprio foi enfático ao negar que seu personagem no filme “O regresso” teria sido “estuprado por um urso”. Os boatos começaram no início do mês com uma descrição da cena feita pela agência americana “Drudge Report”. O americano foi questionado sobre o assunto durante a pré-estreia do filme em Los Angeles, na noite da última quinta-feira. The Revenant

    Ao telejornal “E!News”, DiCaprio afirmou: “Eu não tenho ideia de onde essas coisas ridículas vem e o que você faz quando ouve coisas assim. É um absurdo”. O portal descreveu no dia 1º de dezembro cena no qual o animal fazia sexo com o personagem. No longa, Hugh Glass é um caçador que é abandonado por seus amigos depois de ser atacado por um urso. O enredo segue a luta de Glass para sobreviver em um inverno brutal em deserto americano.

    A Fox já tinha anteriormente esclarecido os rumores: “Como qualquer um que vê o filme pode atestar, o urso é fêmea e ataca Hugh Glass porque sente que ele poderia estar ameaçando seus filhotes. Claramente não há nenhuma cena de estupro com o urso”.

    No Brasil, “O regresso” estreia dia 21 de janeiro do ano que vem.


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    SÃO PAULO - Investigado em uma operação conjunta deflagrada nesta quarta-feira pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), e a Controladoria-Geral do Município (CGM), o ex-diretor geral da Fundação Theatro Municipal José Luiz Herencia se disse "surpreso" com a busca e apreensão em quatro endereços relacionados a ele e a revelação de que há indícios de sua participação em um esquema de corrupção na Prefeitura de São Paulo.

    -- Eu e os meus advogados estamos nos limitando, pelo menos no momento, a observar como vai evoluir a investigação e não vamos nos pronunciar enquanto não soubermos o que está nos autos. Tão logo soubermos o que está acontecendo vamos nos pronunciar -- disse Herencia, em entrevista ao GLOBO.

    Ele é suspeito de participação em um esquema de desvio de verbas e recebimento de propina na Prefeitura de São Paulo, que estima em cerca de R$ 20 milhões os prejuízos aos cofres públicos. Investigações do Gedec indicaram que, por meio da fundação, ele teria assinado contratos superfaturados para produção de espetáculos musicais e de teatro, tendo recebido propina na conta bancária de sua mãe, assim como em contas próprias e de empresas controladas por ele. Essas empresas teriam movimentado cerca de R$ 3 milhões no período de seis meses, durante o ano de 2014.

    Em 2013, Herencia assumiu a direção geral da fundação e, após quase três anos no cargo, pediu exoneração em novembro, alegando divergências com o diretor artístico da instituição, o maestro John Neschling. De acordo com explicações dadas na época, Herência e Neschling foram surpreendidos, este ano, por um cenário de crise e de muitos cortes de custos. As desavenças entre os dois, portanto, teriam origem no estresse gerado pelo debate sobre onde e como conseguir novos recursos. Após a saída, ele foi substituído pelo advogado Paulo Dallari.


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    Daniel Craig.jpgRIO - Quando começaram a circular os boatos de que Daniel Craig faria uma participação em "Star Wars: O despertar da Força", o astro da franquia 007 negou com veemência.

    "Por que eu me preocuparia em fazer uma coisa dessas? Que inferno! Pffff. 'Fazer uma ponta em outro filme'", disse, à época. Mas ele estava só brincando. Saiba o que o ator, que interpreta o agente James Bond, fez no filme.

    ATENÇÃO: 'SPOILERS' ABAIXO

    Rey (Daisy Ridley) é capturada pela Primeira Ordem e resolve tentar um truque mental para convencer o Stormtrooper a soltá-la. Ela diz: "Você vai remover essas amarras e deixar esta célula com a porta aberta".

    Sabe o Stormtrooper? É Craig, que repete (e segue) as ordens de Rey. A voz do ator acabou sendo alterada para ficar robótica.


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    bowie.jpgRIO - David Bowie lançou mais uma música de seu novo disco, "Blackstar". Com mais de seis minutos de duração, "Lazarus" é a segunda faixa divulgada do álbum, à venda a partir de 8 de janeiro do ano que vem, data do aniversário de 69 anos do músico.

    'Lazarus', David Bowie

    "Lazarus" não é inédita: a faixa fez parte do espetáculo homônimo lançado pelo músico este ano no circuito off-Broadway de Nova York. Coescrito com a dramaturga inglesa Edna Walsh, o musical foi inspirado no filme "o homem que caiu na Terra", de 1976, estrelado pelo próprio Bowie.

    Em entrevista recente, Tony Visconti, produtor encarregado de "Blackstar", contou que mais uma vez o camaleão quis se distanciar de seu estilo habitual, que Bowie anda "ouvindo muito Kendrick Lamar" e que James Murphy, ex-LCD Soundsystem, fez uma participação no disco.

    "Nós acabamos sem nada como isso (o som de Kendrick), mas amamos o fato de Kendrick ser tão mente-aberta por não fazer um disco essencialmente de hip-hop. Ele jogou tudo lá, e isso é exatamente o que queríamos fazer. O objetivo, em muitas, muitas maneiras, era evitar o rock'n'roll", disse Visconti à revista "Rolling Stone".

    Segundo Visconti, James Murphy tocou percussão em duas faixas de "Blackstar". "Em dado momento, nós conversamos sobre ter três produtores no disco: David, James e eu", disse Visconti, sobre a participação do músico. "Murphy esteve lá (no estúdio) por um período curto, mas teve seus próprios projetos e precisou sair".

    Visconti já havia revelado que Bowie se cercou de jovens jazzistas durante as gravações, escolhidos pelo próprio músico durante uma apresentação no West Village, em Nova York. Um deles, o saxofonista Donny McCaslin, também fez revelações sobre o disco. Segundo o músico, o single que dá nome ao álbum, "Blackstar", seria sobre o Estado Islâmico.


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    2015 875127386-boitata1.jpg_20151217.jpgRIO - Em 2015, a Boitempo Editorial completou 20 anos e decidiu encarar uma empreitada diferente. Mais conhecida por editar obras de Filosofia, História e Sociologia, a casa estreia agora o selo infantil Boitatá com a coleção “Livros para o amanhã”. Contudo, os primeiros títulos mostram que a linha editorial foi mantida. As obras apresentam para as crianças assuntos em geral abordados apenas pelos adultos, como a democracia, em “A democracia pode ser assim”, e a ditadura, em “A ditadura é assim”. Ivana Jinkings, diretora editorial da Boitempo, conta que o selo era um sonho antigo, mas que demorou para nascer porque eles queriam livros que tivessem a cara da editora. Ela ressalta que houve uma grande preocupação em escolher trabalhos que provocassem a reflexão dos pequenos e não fossem dogmáticos.

    — Essas obras não são esquemáticas, são para ajudar a criança a pensar. Não é para ficar doutrinando, impondo cartilha. A ideia de democracia, por exemplo, está muito em aberto no livro — diz Ivana. — Queremos mostrar que política é coisa de criança, sim. Elas estão o tempo todo perguntando sobre isso. Esperamos que esses trabalhos também possam ser usados em sala de aula junto com os professores.

    O projeto original da coleção foi desenvolvido pela editora catalã La Gaya Ciencia entre 1977 e 1978, três anos após a queda do ditador espanhol Francisco Franco. Depois de anos fora de catálogo, os livros, escritos por uma equipe multidisciplinar, foram relançados este ano na Espanha pela editora Media Vaca, de Valência, com novas ilustrações de artistas contemporâneos. A edição brasileira traz ainda textos complementares: do filósofo Leandro Konder, sobre a democracia, e do sociólogo Ruy Braga, sobre a ditadura.

    Nas obras, os regimes políticos são apresentados em comparações com o cotidiano dos pequenos. “A democracia é como um recreio onde todos podem brincar de tudo”, aparece logo na primeira página de “A democracia pode ser assim”. Já os governos autoritários são comparados a um ditado. “A ditadura é como um ditado: alguém diz o que é para fazer, e todo mundo faz. Porque tem de ser assim e pronto”. O livro também traz uma galeria de ditadores, incluindo os brasileiros Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, desenhados pelo ilustrador Mikel Casal especialmente para a edição brasileira.

    — Os textos são os mesmos escritos há quase 40 anos e continuam atuais. A percepção é que esse amanhã, do título da coleção, ainda não chegou e temos que preparar as crianças para ele — afirma Ivana.

    Novos livros do Boitatá já estão encaminhados, incluindo mais dois da coleção “Livros para o amanhã”: “O que são as classes sociais?” e “As mulheres e os homens”. No entanto, os leitores podem ter certeza de que não virão por aí histórias de princesas brancas e louras salvas por príncipes brancos de olhos azuis em castelos medievais.

    — Existem mil maneiras de trabalhar temas delicados por meio da ficção. Um dos livros que vamos lançar em breve aborda a questão de gênero; outro vai tratar da questão racial, sempre de forma lúdica — argumenta Ivana.


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    2015 874456841-052fnpi_bggm2015_davidestrada.jpg_20151215.jpgCARTAGENA - Numa tarde de novembro em Cartagena, na Colômbia, um homem de voz suave e gestos largos contava histórias para um público de quatro pessoas em um restaurante no centro histórico, quando dois rappers de rua se aproximaram. Cantaram de improviso algo sobre cada um dos presentes, até chegarem ao senhor, sobre quem fizeram uma rima com o verso “o vovô que se parece com Gabriel García Márquez”. Com a naturalidade de quem já passou por enganos parecidos, Jaime García Márquez, de 75 anos, apenas sorriu e continuou contando suas histórias.

    Gabo e Cartagena

    Oitavo dos onze filhos de Gabriel Eligio e Luisa Santiaga Márquez Iguarán, Jaime é hoje a conexão mais forte da família García Márquez com Cartagena. A cidade onde Gabo mantinha sua residência colombiana se prepara para receber as cinzas do escritor, que morreu em abril de 2014, na Cidade do México, onde vivia desde os anos 1960. Prevista para março, na Universidade de Cartagena, a cerimônia marcará o retorno simbólico do autor ao país natal e à cidade onde começou a carreira jornalística e que transformou em cenário de romances como “O amor nos tempos do cólera” e “Do amor e outros demônios”.

    — Gabito era muito amado no México. Mas ele nunca se naturalizou mexicano, e faz todo o sentido que retorne à sua terra — diz Jaime, que, no entanto, se preocupa com a pompa em torno da transferência das cinzas, acertada entre a viúva de seu irmão mais velho, Mercedes Barcha, e o governo local. — O governo está gastando muito com isso. Mas nossa família sempre foi simples. Espero que não façam nada anti-Gabito.

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    Jaime chegou a Cartagena em 1950, quando toda a família García Márquez se mudou para lá vindo da pequena Sucre, a 400 quilômetros de distância, no interior da Colômbia. Nascido em Aracataca, Gabo vivia em Barranquilla na época, mas logo se juntou aos parentes numa casa onde, apesar dos dois andares, os irmãos se amontoavam em quartos compartilhados. “Foi a casa mais viva das várias casas de Cartagena” onde viveram, escreveu Gabo no livro de memórias “Viver para contar”.

    Jaime tinha 10 anos e guarda dessa época memórias e causos de família, que gosta de misturar, como o irmão mais velho também costumava fazer. Por muitos anos, Jaime exibiu essas habilidades aos visitantes que guiava em Cartagena, onde voltou a viver quando Gabo o convidou para ser diretor de Relações Institucionais da Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI), criada pelo escritor e por Jaime Abello em 1995. Em longas caminhadas, Jaime mostrava a Cartagena ‘garciamarquiana’, evocando lugares e episódios que iluminam vida e obra do escritor

    — Cartagena sempre foi um tema de Gabito. Toda sua obra está baseada na realidade. Nada era pura ficção, ele sabia tornar o real poético. O que chamam de “realismo mágico” eu chamo de “coincidência bendita” — diz Jaime, que, segundo quem conheceu Gabo, fala com as mesmas pausas dramáticas e sorrisos irônicos do irmão.

    Naquela tarde de novembro, Jaime voltou a guiar um grupo pela primeira vez depois de oito anos. Animado, conduzia os visitantes pelo cotovelo para mostrar uma esquina ou um prédio antigo, antes de começar com um invariável “Gabito contava que...”.

    ESTREIA NO JORNALISMO

    A Cartagena que Jaime revelou aos visitantes, cheia de memórias e histórias de Gabo, pouco lembra a cidade atual, onde as cinzas do escritor vão se tornar uma atração turística a mais. No lugar da antiga pensão do Parque de Bolívar, no centro histórico, onde Gabo tentou passar a primeira noite em Cartagena, em 1948, está hoje uma boutique. Enxotado pela dona do hotel por não ter dinheiro para o quarto, teve que cochilar em um banco da praça, aponta Jaime, mas o lugar agora está tomado por carruagens e cocheiros engravatados à caça de turistas.

    Gabo chegou a Cartagena vindo de Bogotá, para escapar dos violentos tumultos causados pelo assassinato do líder de esquerda Jorge Eliécer Gaitán, em 1948. Em meio à instabilidade do país, foi preso no banco de praça por violar o toque de recolher, mas acabou no bar com os policiais, que fizeram o favor de deixá-lo dormir na cadeia.

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    A Cartagena de hoje é muito diferente da que foi revelada a Gabo, naquela época, “não como o fóssil de papel machê dos historiadores, mas como uma cidade de carne e osso que não estava sustentada por sua glória marcial, e sim pela dignidade de seus escombros”, escreveu o autor em “Viver para contar”.

    — Escuta essa — diz Jaime, emendando uma história sobre o dia em que seu pai morreu e Gabo levou os irmãos para conversar no único lugar onde não incomodariam o escritor famoso: um bordel. — Mas as prostitutas reconheceram Gabito e fizeram fila para pedir autógrafo. Eram todas leitoras dele.

    Jaime mostra o lugar onde Gabo teve seu primeiro trabalho como repórter, a antiga redação do jornal “El Universal”, hoje em ruínas, na mesma rua da atual sede da FNPI. Lá o escritor manteve uma coluna entre 1948 e 1950, enquanto matava aulas de Direito na Universidade de Cartagena, a mesma que receberá suas cinzas. Nesses textos, descrevia o prazer de varar a madrugada pelas ruas, saudava os acordeonistas da região e pescava no cotidiano da cidade histórias que poderiam estar em seus romances, como o nascimento quase simultâneo de quatro pares de gêmeos no hospital local.

    INSPIRAÇÃO PARA ROMANCES

    Antes das crônicas, Gabo publicou em um jornal de Bogotá, em 1947, seu primeiro conto, “A terceira resignação”. Jaime diz que o protagonista da história fantástica, uma criança que continua a crescer mesmo depois de morta, é inspirado nele.

    — Fui um bebê prematuro, e nossa mãe colocava algodão numa caixa para me acomodar, como fazem com o protagonista do conto. O personagem sou eu. Gabo negava para não me pagar os direitos — brinca Jaime, explicando o nome desse tipo de causo exagerado na Colômbia. — Chamamos isso de mamar gallo.

    O passeio termina no lugar favorito de Jaime relacionado à obra do irmão: o Portal de los Dulces. É o cenário de um trecho decisivo de “O amor nos tempos do cólera”, quando Fermina Daza reencontra Florentino Ariza, mas rejeita o pretendente, com quem só se reencontraria 51 anos, nove meses e quatro dias depois. Florentino decide escrever uma carta de amor desesperada a Fermina, mas esse texto não aparece no romance. Contador de histórias nato que nunca publicou livros, Jaime diz que Gabo pediu conselhos a ele para escrever a carta.

    — Eu disse que era ele o irmão que entendia de estruturas literárias. Mas ele respondeu: “Cartas de amor não têm estrutura literária”. E pediu ajuda. Então eu disse: “Sou o García Márquez que não escreve nem cartas de amor”.

    O repórter viajou a convite da FNPI como participante da Bolsa Gabriel García Márquez de Jornalismo Cultural


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    20151216191248-20582.jpgRIO - O samba “Sapopemba e Maxambomba”, de Nei Lopes e Wilson Moreira (mais conhecido na gravação de Zeca Pagodinho, de 1998), é uma das poucas referências populares ao Rio de Janeiro original, aquele pré-colonial, habitado por guerreiros tupinambás, que hoje pouco resiste nos nomes de alguns bairros: “Tairetá hoje é Paracambi/ e a vizinha Japeri/ um dia já se chamou Belém (final do trem). / E Magé, com a serra lá em riba/ guia de Pacobaíba/ um dia já foi também (tempo do vintém). / Deodoro já foi Sapopemba/ E Nova Iguaçu, Maxambomba”.

    Foi para saber um pouco mais de Tairetá, Sapopemba e Maxambomba que o jornalista Rafael Freitas da Silva reuniu relatos de viajantes estrangeiros, crônicas de jesuítas e diários de colonizadores e escreveu “O Rio antes do Rio”, que chega hoje às livrarias pela Babilônia Editorial. A obra, que tem pesquisa de fôlego acadêmico e texto em tom de crônica, detalha o cotidiano das tribos que habitavam a Guanabara antes da colonização.

    — Nós ignoramos completamente toda a história que havia antes — dispara como uma flecha o autor, ao comentar a atenção exclusiva que se dá ao Rio de Janeiro pós-fundação, em 1565. — Foi justamente pensando nesta efeméride de 450 anos da cidade que resolvi matar essa curiosidade, há uns três anos, quando comecei a pesquisa. Sempre quis entender como era o Rio antes desse Rio que conhecemos, e depois de fazer o livro, percebi que um Rio de Janeiro teve que acabar para que outro pudesse existir.

    “cidade tupinambá”

    A curiosidade virou mote quando o jornalista encontrou numa biblioteca um exemplar de “Viagem à terra do Brasil”, do missionário calvinista francês Jean de Léry, que veio ao país acompanhando a comitiva da França Antártica. No livro, chamou a atenção de Rafael o relato de um diálogo em que um viajante francês e um tupinambá listam, em conjunto, todas as aldeias que existiram por aqui. Instigado, ele fez um levantamento de todas as informações que encontrou sobre as tribos (de maioria tupinambá), e o resultado é uma aula de kariokice, por assim dizer: “Era uma época em que morar na Guanabara significava ser um guerreiro em busca de um lugar no paraíso eterno. Confiar nos desígnios dos karaíbas e dos marakás, remar em busca dos piraîques, lambuzar-se de eirá, criar armadilhas para onças e espreitar as águias”, diz um dos trechos que mais provocam curiosidade pelo desconhecido.

    — Quis reunir os detalhes do dia a dia desse Rio que passou — diz Rafael, que abre o livro narrando como era o parto de um bebê à época e segue esmiuçando a rotina de um menino e uma menina na tribo. — Aos olhos de hoje, o carioca é filho de uma mulher escravizada. Trazer à tona a realidade dessa cidade tupinambá foi o que quis fazer com a minha pesquisa.

    Rafael também detalha curiosidades sobre os kariókas originais (o termo karióka, aliás, designava a primeira tribo que se acessava à entrada da Baía de Guanabara): os homens tinham o costume de achatar o nariz dos recém-nascidos; de comer os inimigos em rituais canibais que tinham a importância de um réveillon; e paravam tudo o que estivessem fazendo quando passava uma arara-canindé, para admirar sua beleza.

    — Hoje em dia, só vi uma arara dessas no zoológico, e não parecia tão bonita quanto nos relatos — conta Rafael, que espera que o livro renda frutos em outras cidades que têm uma “pré-história” tão interessante, como São Paulo ou Salvador. — Parece que a gente quer apagar o passado. Acho que toda escola tinha que dar ao menos um semestre de aula de tupi, língua que cruza todo o nosso vocabulário. No México, eles idolatram os astecas, o turismo é voltado para a cultura asteca. As pessoas estão buscando modelos alternativos de civilização e têm curiosidade por esse passado remoto. No Rio, tínhamos uma grande civilização tupi, e não sabemos quase nada desse período. O Museu do Índio não é visitado, a Aldeia Maracanã, quase posta abaixo, e o Museu do Amanhã foi feito no formato de oca, mas será que terá alguma referência sobre o futuro dessa memória?


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    dsc08950.jpgRIO — O que você perguntaria aos cariocas? À sua cidade? Ao seu governo? O que perguntaria à América? E, finalmente, que pergunta faria a instituições culturais? Estas cinco questões foram propostas aos moradores do Rio ao longo da semana pelo coletivo chileno Mil M2, grupo que promove ações de arte política. Em locais variados — Praia do Flamengo, Praça XV, Cinelândia, Candelária e Casa França-Brasil —, as pessoas responderam à provocação do grupo elaborando as próprias perguntas. Algumas delas eram selecionadas para serem reproduzidas, com grandes letras em placas de madeira, numa estrutura metálica, reverberando entre os que transitavam ao redor.

    Desde quinta-feira o Projeto Pergunta está na Casa França-Brasil, onde as frases no painel serão mudadas diariamente. Foi através do diretor da instituição, o mexicano Pablo León de la Barra, que o coletivo nascido em Santiago, em janeiro de 2014, como um grupo de intervenção urbana, ganhou um caráter artístico. O Mil M2 (o nome alude ao tamanho do galpão onde iniciaram suas atividades) havia sido convidado para fazer uma performance na feira de arte Ch.aco, na capital chilena, quando León de la Barra, então curador da coleção de arte da Fundação Fava, quis comprar o trabalho. Num primeiro momento indignados com a oferta (“Não está à venda”, disseram), os integrantes do grupo foram seduzidos pela ideia de transformar o trabalho em arte. E venderam as ferramentas físicas e a metodologia.

    — A fundação tem um trabalho importante de educação, e o projeto está sendo ativado por estudantes socialmente vulneráveis — explica Fernando Portal, diretor de conteúdo do coletivo.

    Ativar é palavra-chave. O objetivo do projeto é despertar a participação cidadã, através da geração, visualização e viralização.

    — Como cidadãos devemos questionar mais, não se trata de buscar o bem ou o mal, mas o questionamento como exercício vital de posicionamento — observa o diretor criativo Pedro Sepúlveda. — O momento que se está vivendo no Brasil é especialmente interessante. A questão indígena, o colonialismo, meio ambiente, há muitos temas fortes que pedem reflexão.

    A América, por exemplo, gerou perguntas como “O que acontece com as línguas perdidas?”, “Você sente saudades da África?” ou ainda o superatual “Na América também parou Whatsapp?”. Em relação aos cariocas, houve frases como “Por que os cariocas são tão preconceituosos?” ou “Quando vamos aprender a votar?”.

    Na última etapa, a Casa França-Brasil, o projeto provocava o próprio espaço que o abrigará até 28 de fevereiro, ao propor perguntas às instituições culturais.

    — É importante termos isso na Casa França-Brasil, que assumamos de maneira crítica a situação, em vez de fingir que as coisas não estão acontecendo — diz León de la Barra.

    Os visitantes da França-Brasil poderão ver ainda uma obra de Cildo Meireles, “Cruzeiro do Sul” (1969-1970), um cubo de 9mm de lado, que repousa sozinho numa sala lateral, fazendo pensar sobre o espaço vazio. E, no cofre, a obra “Tempos difíceis” (2015), de Ivan Grilo, com a expressão homônima fundida numa placa de bronze, como se sintetizasse num monumento histórico a época em que vivemos.


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    youthlagoon2.jpgRIO - Revezes, dificuldades, doenças, tragédias... a vida, nos seus momentos ruins e na superação, se reflete nas canções de dois discos que chegam ao Brasil pelo selo LAB 344: “Savage Hills ballroom”, do Youth Lagoon (projeto do americano Trevor Powers) e “1000 palms”, do grupo Surfer Blood, da Flórida, há alguns anos radicado na Califórnia. Enquanto Powers fez seu disco sob o impacto da morte repentina de um grande amigo, o quarteto passou por maus bocados depois de ser dispensado pela gravadora Warner e ter que voltar a ser independente.

    — Meu amigo morreu quando estava em turnê com “Wondrous bughouse” (seu álbum de 2013) — conta Trevor Powers, por telefone. — Eu estava em Londres quando recebi o telefonema. Então, cancelei a turnê inteira para ficar com a sua família e alguns amigos. Aquilo mexeu muito comigo, foi algo dramático, éramos amigos desde criança, e eu tinha perdido um monte de pessoas bem próximas. Toda vez que isso acontece, isso me faz descobrir coisas dentro de mim e me modifica como pessoa, influenciando o que eu componho.

    Youth Lagoon - "Highway Patrol Stun Gun" (Official Video)

    Com o subtítulo de “A collection of 10 songs” (“uma coleção de 10 canções”), “Savage Hill ballroom” navega pelas ondas do pop eletrônico, com base no piano e nos teclados de Powers, que se apresenta como um intérprete intenso e emotivo.

    — Não tinha a perspectiva de compor um certo número de canções para fazer um álbum. Eu tirei umas férias depois da turnê de “Wondrous bughouse” e fui compondo sem prazo, para ver o que aparecia, sem pressão. Vieram essas dez canções e, mexendo com elas, vi que tinha uma coleção completa — conta ele. — Na ordem que escolhi, elas contam uma história, não necessariamente lógica. As canções fazem mais sentido quando você as reúne.

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    Entre as faixas do álbum, há até instrumentais, como “Doll’s estate” e “X-ray”.

    — Quando fiz “Doll’s estate”, eu estava passando por tantas coisas, que eu não queria falar sobre aquilo ou escrever uma letra. Eram os meus problemas, eu não queria revelá-los. Então, resolvi fazer dela uma instrumental. É uma das minhas preferidas no disco, justamente porque diz o que me estava perturbando naquela época — explica ele, que gravou “Savage Hills ballroom” na cidade inglesa de Bristol (famosa pelo trip-hop de Massive Attack e Tricky), nos meses frios e escuros de janeiro e fevereiro (“o que ficou impresso no disco”), com o produtor Ali Chant. — Conheci Ali na internet, eu gostava do trabalho que ele tinha feito com a PJ Harvey. Logo nos demos bem, temos gostos muito parecidos. E aí ele foi vendo as demos que eu mandava. Caminhando pelas ruas de Bristol, você vê pessoas muito interessantes, todas parecem estar ali para cumprir uma missão. Dá para sentir no ar porque a cidade tem essa história musical toda.sb.jpg

    Em climas americanos bem mais amenos, o Surfer Blood, celebrada banda do indie rock dos anos 2010, gravou “1000 palms”. Depois da dispensa da Warner (onde fizeram “Phytons”, de 2013), eles se reuniram no sótão de um consultório médico e montaram um estúdio improvisado onde foram registradas as bases do novo disco.

    — Não vou mentir, mas ter passado por toda essa pressão louca com a banda em uma grande gravadora foi um pouco demais para um cara de 23 anos. Eu precisava dar um passo atrás e achar uma forma de trabalhar nos meus termos. Esse é o disco de uma banda encontrando o seu passo — conta o guitarrista e cantor John Paul Pitts, que esteve com o Surfer Blood no Brasil em 2013, para uma série de shows. — Acho que esse é definitivamente um disco otimista, que tenta ver o melhor em cada situação, mas é também o trabalho mais pessoal e emocional que já fizemos, fiquei muito mais vulnerável nesse trabalho que nos outros.

    Surfer Blood "Island" (Official Music Video)

    Para Pitts, o período passado na grande gravadora “trouxe um monte de dores de cabeça, mas também coisas maravilhosas”.

    — Pudemos gravar num dos melhores estúdios, com um dos melhores produtores (Gil Norton, de discos clássicos dos Pixies). Mas o lançamento do disco foi adiado três vezes. Não entenderam a banda e o que queríamos fazer. Terminamos a nossa relação de forma bem aberta e iniciamos um período maravilhoso, mas também assustador, porque foi a primeira vez desde 2010 que não tínhamos uma gravadora nos apoiando. Mas tudo deu certo, e hoje temos gravadora nos EUA e aí na América do Sul.surferblood3.jpg

    A triste coincidência é que o disco traz “Point of no return”, música inspirada na batalha que o guitarrista Thomas Fekete teve com um câncer aos 17 anos de idade. Logo após começar os trabalhos do álbum, ele teve que se afastar da banda, pois a doença voltou — e os companheiros fizeram até uma campanha de arrecadação de fundos para o seu tratamento.

    — É muito estranho tocar essa música ao vivo, pensando que ele está passando por tudo isso novamente — lamenta Pitts, que ainda viu este ano a saída do baixista e fundador da banda, Kevin Williams. — Ele está ficando mais velho e quer um pouco mais estabilidade, o que eu entendo. Surfer Blood - I Can't Explain (Official Music Video)


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    2010050448897.jpgRIO — A filha mais velha da união entre Chris Martin, líder do Coldplay, e a atriz Gwyneth Paltrow, Apple, de 11 anos, apresenta os primeiros sinais de que pode seguir os passos do pai. Em um post recente de sua mãe, no Instagram, a menina aparece cantando e tocando violão ao lado de outras crianças em uma apresentação escolar. A música interpretada pelo grupo infantil é "Keegan's Christmas", da banda americana Marcy Playground. Links Coldplay

    Depois de 12 anos juntos, o casal, que também teve outro filho, Moses, de nove anos, se separou em abril. Neste mês, o Coldplay lançou seu sétimo álbum de estúdio, "A headfull of dreams", que alcançou o segundo lugar nas paradas britânicas, perdendo apenas para o arrasa-quarteirão "25", terceiro disco da cantora Adele. Vencedora do Oscar de melhor atriz por "Shakespeare apaixonado" (1998), Paltrow está em "Mordecai: a arte da trapaça", que tem previsão de estreia para março no Brasil.

    Veja o post com a atuação musical de Apple: Instagram Gwyneth Paltrow


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    20151219-123903.jpgRIO — Morreu na manhã deste sábado a cantora e atriz Selma Reis, aos 55 anos. Ela estava internada no Hospital São José, em Teresópolis, onde combatia um câncer diagnosticado há dois anos.

    Selma iniciou sua carreira musical em 1987, quando lançou o disco "Selma Reis", após voltar de uma temporada em Nantes, na França, onde frequentou cursos de música e técnica vocal. Seu último álbum, "Poeta da voz", saiu em 2009.

    Em 1999, Selma fez sua estreia na televisão, com uma aparição na minissérie "Chiquinha Gonzaga". Dois anos mais tarde, ela trabalhou em "Presença de Anita", também na Rede Globo. A participação mais recente da atriz na TV foi na novela "Caminho das índias" (2009), de Glória Perez.

    A data do velório e o local de sepultamento ainda não foram divulgados.


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    20151219-145650.jpgRIO — Ele é uma espécie de patriarca da regência. Aos 83 anos, Kurt Masur acumula todos os títulos e honrarias. Foi regente, anos a fio, da Gewandhaus de Leipzig. Depois, assumiu grandes orquestras como a Filarmônica de Nova York, a Filarmônica de Londres, a Orquestra Nacional da França. Kurt Masur

    Com tanta ocupação, ele sempre achou espaço em sua agenda para vir ao Rio de Janeiro — amanhã e na terça-feira, estará regendo a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Teatro Municipal. A que devemos o privilégio?

    Um dos motivos é a antiga amizade com o maestro Roberto Minczuk, da OSB, que foi trompista sob sua batuta, em Leipzig. Mas ele gosta, mesmo, do Rio; e das estantes da OSB saiu sua atual mulher, Tomoko.

    — O Rio é um dom, uma graça — ele comenta. — Com todos os seus problemas, é uma terra que tem coração.

    UM JOVEM NA GUERRA

    O Masur patriarcal de agora, que fala manso e valoriza o coração, percorreu um caminho duro antes de chegar ao Olimpo da música clássica. Nascido em 1927 na Silésia, território da Alemanha que hoje pertence à Polônia, tinha 17 anos, em 1944, quando a derrota iminente levou o regime nazista a convocar adolescentes para as frentes de batalha.

    Ele lutou na Holanda, foi prisioneiro de guerra. Depois, numa Alemanha destruída, correu atrás do seu sonho musical, que foi construindo tijolo a tijolo — na Alemanha do Leste, comunista.

    Um patamar definitivo parecia ter sido alcançado em 1970, quando ele foi nomeado diretor artístico da Gewandhaus de Leipzig — orquestra famosa desde os tempos de Mendelssohn e Brahms. Mas os dramas não tinham terminado. Em 1972, dirigindo sua Mercedes numa estrada estreita, ele bateu num automóvel que vinha em sentido contrário, matando duas pessoas no outro carro e também sua própria mulher. "Me tiraram de um carro em chamas", ele contou em depoimento ao musicólogo Norman Lebrecht. "Minha mulher jazia num riacho. Eu ouvi o médico dizer: 'Esta mulher está morta.' Nossa filha de 5 anos veio para mim e disse: 'Papai, olhe como minha boneca está suja.'"

    Mas foi essa menina, conforme ele mesmo disse, que lhe deu de novo vontade de viver, superando os males físicos e a depressão.

    TURBULÊNCIA NA ALEMANHA ORIENTAL

    A Alemanha dessa época era um lugar meio esquizofrênico. Desenvolvimento exuberante no lado ocidental e, do outro lado, onde estava Masur, um dos países mais policiados do mundo. Ele nunca foi um "dissidente", mas, nos anos 60, o regime o deixou três anos sem trabalho. Para sobreviver, teve de vender o carro e aceitar trabalhos temporários.

    Depois, começa a ascensão que lhe daria um lugar de destaque nas convulsões que precipitaram a queda do regime. Era outubro de 1989, em Leipzig, quando Masur interveio em manifestações antigoverno que poderiam ter levado a um banho de sangue. Agindo como negociador, ele evitou o pior. Por causa disso, foi indicado até para a Presidência da República, o que recusou.

    O Masur de hoje tem um olhar de filósofo para esses tempos conturbados. Mesmo na Alemanha do Leste, ele diz que havia coisas boas:

    — Você não ficava pensando em dinheiro o tempo todo. Tinha tempo de desenvolver uma carreira. Hoje, o jovem maestro, se tem talento, é logo engolfado pelo sistema.

    Brahms é uma paixão muito antiga.

    — Parece que foi ontem — ele diz, como se estivesse contando um caso de amor. — É música profundamente alemã. Por isso custou um pouco a ser apreciada em outros países.

    BRAHMS, UMA PAIXÃO

    Nos anos 50, isso ainda era um problema. Houve até o famoso livro de Françoise Sagan, "Aimez-vous Brahms?". Para os franceses, Brahms era uma dúvida. Em outros casos, podia ser pior. Conta-se que uma sala de concertos americana colocou, numa porta de saída, o letreiro; "Exit in case of Brahms" ("Saída em caso de Brahms").

    Nos anos 70, o panorama já era outro. Brahms tornou-se a espinha dorsal dos concertos sinfônicos, até entrarmos na nossa era hipermoderna — paradoxalmente dominada por dois arquirromânticos: Mahler e Bruckner.

    O que é importante, em Brahms? Masur se entusiasma:

    — O sentido. As pessoas ficam presas aos aspectos técnicos. Aí, não sai. Veja aquelas pancadas de tímpano no começo da Sinfonia nº 1. Pode ficar duro. Não é para ficar. Tem de ter um sentido! Aquilo abre as cortinas para um grande drama. Até que, no último movimento, faz-se a luz!

    Para Masur, as quatro sinfonias formam um bloco consistente. E completo em si mesmo:

    — A gente sente que ele não escreveria uma Quinta.

    A BUSCA POR SENTIDO

    Masur acredita que as quatro são como capítulos de uma vida. A mensagem estava dada. Não por acaso, a Quarta termina com uma colossal passacaglia, forma arcaica, barroca, simbolizando a paixão de Brahms pela música antiga — como que o resumo de todo um percurso.

    — Mas ele também aplicou a forma sinfônica em outras obras: nos dois concertos para piano, no concerto para violino, no Concerto Duplo (violino e violoncelo) — lembra Masur.

    Ele insiste:

    — Tem de procurar o sentido, o que está por trás das notas. Há alguns anos, fui reger uma orquestra importante e ensaiávamos Brahms. E eu disse a eles: "Beautifully boring". Ou seja: "Bonito e chato". Não tinha sentido.

    Onde procurar esse sentido? Os grandes mestres ajudam. Ele fala de uma admiração por Bruno Walter, o grande regente, que ele manteve por toda a vida:

    — Não era só um regente, era um humanista. Já disseram que a minha linhagem é Furtwangler. Certamente não é a de Toscanini. O fato é que não se pode imitar. Você tem de achar o seu sentido.

    Pergunto pela crise.

    — Crise? Na China, há 30 milhões de estudantes de piano. Quando eles se espalharem pelo mundo, estamos perdidos!

    ALEMANHA CONTEMPORÂNEA

    Mas ele diz que ainda há dor e sofrimento na sua Alemanha natal, 20 anos após a unificação. Sobretudo no lado leste, onde viveu:

    — Há muito desemprego. Curar aquelas feridas, só numa outra geração.

    Como chamar os jovens para a música de concerto?

    — Mostrando as riquezas que temos.

    Ele acha que um caminho interessante é o do coral, começando com as crianças:

    — Atrás delas, vêm o pai, a mãe, a tia.

    E nas orquestras que ele dirige?

    — É preciso quebrar o formalismo. Revelar as pessoas por trás dos instrumentos.

    Talvez por isso ele seja tão querido. Um verdadeiro patriarca da música.

    "Você não ficava pensando em dinheiro o tempo todo. Tinha tempo de desenvolver uma carreira.

    Hoje, o jovem maestro, se tem talento, é logo engolfado pelo sistema

    " As pessoas ficam presas aos aspectos técnicos. Aí, não sai. Veja aquelas pancadas de tímpano no começo da Sinfonia nº 1. Pode ficar duro. Não é para ficar. Tem de ter sentido!

    *Matéria publicada no Segundo Caderno de 22 de julho de 2010.


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    2010071993542.jpgRIO — O regente alemão Kurt Masur, de 88 anos, morreu neste sábado, em Greenwich, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, devido a complicações do Mal de Parkinson, doença que o acometia há anos.

    De 1970 a 1996, Masur comandou a Gewandhaus de Leipzig, na Alemanha. O maestro também conduziu grandes companhias como a Filarmônica de Londres, a Orquestra Nacional da França e a Filarmônica de Nova York, onde foi diretor musical durante 11 anos. Kurt Masur

    "Os anos de Masur à frente da orquestra representam uma de suas eras de ouro, na qual a composição foi permeada de compromisso e devoção — com a crença de que o poder da música pode aproximar as pessoas. As dimensões morais e éticas que ele trouxe em sua maneira de reger ainda são visíveis no estilo dos músicos, e eu, assim como nosso público, temos muito a agradecer a ele. Eu serei sempre grato pelo apoio que recebi dele quando era apenas um estudante. Sentirei muito a sua falta", escreveu Alan Gilbert, atual diretor musical da Filarmônica de Nova York, em um comunicado divulgado nesta manhã.

    Isaac Karabtchevsky, regente titular da Orquestra Petrobras Sinfônica, conta da relação de Kurt Masur com o Brasil, que remonta à década de 1970.

    — Como diretor musical da Orquestra Sinfônica Brasileira, eu o trouxe pela primeira vez ao país para comemorar o bicentenário de Beethoven. Lembro perfeitamente que ele chegou ao país entusiasmado. Acabou se casando com uma violista da Sinfônica Brasileira (Tomoko Sakurai, sua esposa até a morte). Ele criou um vínculo não só com a orquestra, mas com todo o país, vinha para cá regularmente.

    — Poucos maestros se dedicaram com tanta sinceridade à necessidade de fazer com que a música seja compreendida pelos homens — comenta Sylvio Lago, autor do livro “A arte da regência: História, técnica e maestros”.

    Quem também comentou a morte de Masur foi Roberto Minczuk, maestro emérito da Orquestra Sinfônica Brasileira, que foi aluno e assistente do regente alemão: "Como um pai para mim, meu amigo, mentor e exemplo de homem, foi embora. Um amoroso grande homem, o melhor músico que já conheci, Masur era apaixonado e acreditava na música e nas palavras".

    HISTÓRIA EM LEIPZIG

    Nascido no dia 18 de julho de 1927, em Brieg, na Alemanha (atualmente a cidade Brzeg, na Polônia), Masur ficou conhecido como especialista em compositores como Beethoven, Brahms, Mendelssohn e Bruckner, Masur criou uma respeitável carreira entre as repressões musicais e políticas da Alemanha Oriental.

    Filho de um engenheiro, sua formação musical durante a infância através de instrumentos como piano, órgão e violoncelo. Determinado a seguir carreira na área, Masur ingressou na Escola Nacional de Música, em Breslávia, na região da baixa Silésia, na Polônia. Contudo, aos 16 anos, uma lesão num tendão de sua mão direita o impossibilitou de tocar, e ele resolveu se dedicar à regência. Devido ao ferimento, ele construiu sua carreira conduzindo sem batuta. Depois da guerra, quando serviu na Wehrmacht (o exército do regime nazista), Masur estudou condução e composição no Conservatório de Leipzig. Kurt Masur

    Depois de mais de uma década liderando companhias na recém-formada Alemanha Oriental, Masur se tornou diretor musical da Komische Oper, em Berlim. Depois ele viraria maestro titular da Filarmônica de Dresden, posto onde permaneceu entre 1967 e 1972. Em 1970, ele foi nomeado Kappelmeister da Gewandhaus de Leipzig, uma das orquestras mais respeitadas da Europa. Ele só deixou o posto de diretor musical da filarmônica 26 anos depois, em 1996.

    Em Leipzig, cidade famosa por ter sido lar de Bach, Telemann, Mendelssohn, Schumann e Wagner, Masur logo virou uma das figuras públicas mais eminentes, abordado por admiradores pelas ruas da cidade. Suas gravações das sinfonias de Beethoven foram muito louvadas.

    CHEGADA A NOVA YORK

    O longevo diretor da Orquestra Gewandhaus de Leipzig ficou conhecido como um fiel intérprete que não nutria muito interesse pelas obras fora do repertório tradicional.

    "Em algumas ocasiões, Masur se aventurou pelo século XX através do romântico tardio Richard Strauss ou pelo modernista moderado Prokofiev", escreveu o crítico Donal Henahan, do NYT, quando foi anunciada a escolha do regente para liderar a Filarmônica de Nova York, em 1990. "A não ser que ele tenha alguma ideias surpreendentes escondidas na manga, a orquestra pode se mostrar ainda mais entediante que a Terra de Mehta", afirmou Henahan, em referência ao maestro indiano Zubin Mehta, antecessor de Masur.

    Apesar da desconfiança, o alto e barbudo regente conquistou a crítica por seu vigor e seu conhecimento profundo do repertório germânico, a pedra filosofal do cânone da música sinfônica ocidental. Segundo declarou Masur em uma entrevista ao Scotland on Sunday em 1999, o comitê explicou a decisão de escolhê-lo: "Você não tem medo de orquestras." Kurt Masur 2

    Nos 11 anos em que comandou a companhia, Masur revigorou a Filarmônica de Nova York, ganhando maior exposição em rádios, novos contratos de gravação e um público mais jovem. Ele também trouxe sua convicção ardente de que fazer música é um ato moral que pode curar o mundo. Essa teoria foi posta em prática publicamente pela primeira vez em 1989, durante a "Revolução Pacífica", manifestação com mais de 70 mil pessoas que tinha Mansur como um dos líderes, quando o bloco comunista começava a esfacelar-se. Doze anos mais tarde, ele fez uma aparição tocante e memorável em uma Nova York devastada pelos ataques de 11 de setembro.

    Apenas nove dias depois do maior atentado terrorista em território americano, Masur conduziu a Filarmônica de Nova York em uma performance do "Um réquiem alemão", de Brahms, trasmitida em rede nacional.

    TRAGÉDIA FAMILIAR

    Em 1972, Masur conduzia seu carro quando sofreu um acidente em uma estrada alemã. Sua segunda mulher, Irmgard, e os dois ocupantes do outro carro foram mortos. Nenhuma denúcia foi feita e o caso não foi muito divulgado. O regente, que assumiu publicamente a culpa pela tragédia, negou que tenha havido uma tentativa de protegê-lo por parte do governo. Ele afirmou que não havia bebido antes de dirigir.

    Masur deixa esposa, cinco filhos e nove netos.

    "Eu não quero ser conhecido como 'uma maravilha'", disse o maestro ao NYT, em 1991. "A maravilha é a música."


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    201512142016407286_AP.jpg Pacotão Star WarsNOVA YORK — “Star Wars: O despertar da Força” já ultrapassou a marca de US$ 250 milhões arrecadados em bilheterias de todo o mundo — mais de US$ 100 milhões só na América do Norte —, se preparando para o que promete ser um fim de semana de recordes.

    Neste sábado, a Disney afirmou que o novo filme da franquia criada por George Lucas faturou US$ 120,5 milhões no acumulado de quinta e sexta (o último, o dia da estreia nos principais mercados). O valor supera o recorde de bilheteria em dia de abertura, que antes pertencia a “Harry Potter e as relíquias da morte: Parte 2” — o último filme da saga do bruxinho arrecadou US$ 91,1 milhões.

    O estúdio projeta que o longa alcance, só nos Estados Unidos, cerca de US$ 220 milhões no primeiro fim de semana, o que também seria um recorde — “Jurassic world: O mundo dos dinossauros ” fez US$ 208,8 milhões. Desde que começou a ser exibido ao redor do mundo, na quarta-feira, “Star Wars: O despertar da Força” arrecadou US$ 129,5 milhões no mercado internacional.

    “Jurassic world” também detém o recorde de estreia global, com a incrível marca de US$ 524,9 milhões, outro número que pode ser alcançado pelo longa dirigido por J.J. Abrams, o sétimo capítulo da saga “Star Wars”.


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    2015 874268639-201512141910386189.jpg_20151214 (2).jpgRIO - A história do Brasil também existe em forma de cartas. Nosso documento inaugural, escrito em maio de 1500 por Pero Vaz de Caminha, foi uma missiva. Relatava ao rei Dom Manuel I, de Portugal, as belezas de uma terra fértil e inexplorada, onde as moças, ingênuas, andavam com “as vergonhas tão nuas”. Mais tarde viria a escravidão (e com ela, as cartas de alforria); a chegada da Corte (e com ela, as cartas de amor entre Dom Pedro I e a Marquesa de Santos); a instauração da República (e com ela, a carta-testamento que antecedeu o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954). Desde então, a tradição epistolar ficou algo restrita aos rincões da literatura.

    Até que o vice-presidente da República, Michel Temer, do PMDB, resolveu resgatar a nobre tradição. Duas semanas atrás, descontente com os rumos do país, ele enviou uma missiva à mandatária Dilma Rousseff. Poeta e jurista — com livros publicados em ambas as áreas —, abriu o texto com uma citação em latim: “Verba volant, scripta manent’’ (“As palavras voam, os escritos permanecem’’). Depois, usou mais 879 palavras para queixar-se da falta de protagonismo (“Passei os quatro primeiros anos do governo como vice decorativo”), da falta de cargos (“A senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”) e da falta de prestígio (“A senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o vice-presidente americano Joe Biden — com quem construí boa amizade — sem convidar-me”).

    A carta, que vazou à imprensa no mesmo dia em que entregue, tornou-se um novo marco nacional. Ainda que explicitasse uma notória inabilidade política da presidente — e antecipasse um possível rompimento entre PT e PMDB —, acabou dizendo mais sobre o remetente. Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado, descreveu-a como “uma demonstração de fisiologismo puro”. Ciro Gomes, voltando a flertar com a ideia de concorrer à Presidência, disse nunca ter visto “uma coisa tão ridícula, de tão baixo nível, absolutamente cretina e risível”. Nas 24 horas que se seguiram à divulgação, o documento foi citado na internet ao menos 120 mil vezes (em geral, de forma irônica).

    Mas, para além de rusgas pessoais e políticas, o fato fez surgir uma pergunta mais mundana na cabeça do brasileiro. Quem, num mundo dominado por Gmail, Facebook, Skype, FaceTime e WhatsApp, ainda se dignifica a enviar uma carta em papel?

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    — A carta tem o cheiro, a delicadeza, a cor do selo, o atraso do correio, o oxigênio da expectativa. É uma estética de grande beleza, que vai desde a escolha do papel até o contorno da caligrafia — teoriza o escritor Marco Lucchesi, de 52 anos, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). — Ela segue uma liturgia, como o namoro. Te desnuda, exige que você se ponha no papel. É um confessionário, um divã psicanalítico.

    Lucchesi conta ter se iniciado no métier aos 12 anos, quando enviou uma carta ao programa de rádio “A voz da América’’. No começo da vida adulta, passou a se corresponder com a psiquiatra Nise da Silveira, pioneira no tratamento humanizado em manicômios.

    — Eu tinha ficado atordoado com o que vi após uma visita a um hospital psiquiátrico — relembra Lucchesi. — Passei a ler tudo sobre o assunto até que dei de cara com o livro dela. Eu era um velho de 23 anos, e a doutora Nise, uma jovem de 82. Escrevi dizendo que a amava.

    Como morassem em cidades distintas — ele no Rio, ela em Niterói —, passaram a se corresponder. Trocaram mensagens por 13 anos, até que Nise adoeceu. Lucchesi tentou então animá-la, descrevendo uma suposta viagem dos dois a Florença — que jamais existiu. Em 1999, Nise respondeu: “A b c d não posso escrever mais. Estou muito doente, abandonada e tentando fazer amizade com a morte. Não é tão difícil.” Foi sua última missiva. Lucchesi publicou o conjunto em livro, quatro anos depois:

    — Tinha medo que se perdessem.

    Hoje ele ainda troca cartas com um escritor da Romênia (em romeno) e com um autor da Itália (em italiano). Também se corresponde com o pintor Israel Pedrosa e com um detento do Complexo Penitenciário de Bangu (onde vez por outra dá aulas de Literatura). Está prestes a lançar mais um livro, de cartas trocadas com o padre italiano Paolo Dall Oglio.

    — Conheci Paolo na Síria, em 1996. Ele tentava proporcionar um encontro entre judeus, muçulmanos e cristãos. Foi um dos primeiros a ser raptados pelo Estado Islâmico — diz. — Doei metade das cartas à Biblioteca Nacional, metade à ABL. Ao contrário da carta do Temer, eram muito bem escritas.

    Ele faz uma longa crítica à carta do vice-presidente, que define como “vergonhosa, primária, freudiana e horrivelmente escrita”:

    — Um dos protocolos essenciais da carta é a reserva. Uma carta não pode ser reservada e aberta ao mesmo tempo. Por isso entra no museu das coisas mais deploráveis que atingiram a política brasileira nos últimos dois anos. Torço para que o texto não tenha sido escrito pelo Temer, não só pelo desastre moral, mas pela qualidade, que é péssima.

    A INTIMIDADE DA LETRA E DO PAPEL

    O sentimento é endossado pelo poeta Armando Freitas Filho, de 75 anos:

    — Achei a carta do Temer infantil. Não porque eu seja um homem de esquerda, mas porque é um chororô de um vice-presidente da República. Parece um ginasiano se queixando à mãe.

    Missivista contumaz, Freitas Filho já trocou correspondências com Ana Cristina Cesar e com Carlos Drummond de Andrade. Diz que a carta carrega “a intimidade da letra e do papel”:

    — Eu, por exemplo, tenho papel de carta timbrado com meu nome. Passo um risco em cima do Freitas Filho quando quero que ela ganhe um teor mais íntimo.

    É assim quando escreve a Antonio Candido, maior crítico literário do Brasil, com quem se corresponde há 15 anos:

    — Ele não usa computador, não gosta. Escreve à mão, sem nenhuma rasura, em papel branco, sem pauta. Eu também, para acompanhar aquela letra linda. Até fiz um poema chamado “Família de Letras”, que fala da linhagem ortográfica que vem de Machado de Assis e passa por Graciliano Ramos. O traço dos três é o mesmo.

    Diz ter no crítico um conselheiro não apenas literário:

    — Se tenho alguma dúvida, as soluções estão com ele. Ao dormir, fico pensando na carta. Rememoro o que ele diz, como diz, num estilo perfeito, nada afetado.

    Exemplifica:

    — Quando minha mãe morreu, Antonio Candido me escreveu, dizendo se sentir órfão até hoje. Foi um esclarecimento, clareou aquele estado de luto, trouxe uma luz e uma companhia. Ele é como Carlos Drummond, que não deixava nada sem resposta. Drummond respondia a todos. Nunca perguntei a ele como tinha tempo para tudo: poema, trabalho, falar no telefone e responder cartas.

    A ‘CARTEIRA’ E O POETA

    A professora aposentada Helena Vicari, de 75 anos, também não perguntou. Preferiu exercer o privilégio sem questionar o que levou o cânone da poesia brasileira a se corresponder com alguém que não conhecia ao longo de 26 anos.

    — Minhas cartinhas não eram fenomenais; foi uma coisa que jamais imaginei — lembra. — Eu ficava comovida em saber que o maior poeta do Brasil respondia à professorinha dos confins de Guaporé. Ele era e sempre foi muito querido, terno. Eram três, quatro cartas por ano.

    A troca começou quando Helena ainda estudava Literatura, no interior gaúcho. Indignada com uma professora que reprovava os versos de Drummond, resolveu escrever ao próprio, defendendo-o. Recebeu em troca uma resposta polida, datilografada, e um cartão com um autógrafo. Helena chegou a vir ao Rio duas vezes, mas não teve coragem de visitá-lo. Na terceira, com Drummond já falecido, encontrou seu neto, Pedro Augusto. Abraçou-o e disse: “Esse abraço era para o seu avô.” A correspondência rendeu texto na revista “Piauí” e inspirou a diretora Mirela Kruel a filmar o documentário “O último poema” (2015).

    Helena ainda se corresponde com Maria Esenilde da Costa, professora da Paraíba que conheceu (por carta) há 33 anos.

    — Escrevi para uma revista procurando pessoas para me corresponder — conta. — Várias responderam. Selecionei 19, e acabei me afeiçoando a ela e a uma menina de Belo Horizonte.

    Dois anos atrás, Maria Esenilde resolveu migrar da troca escrita para o encontro pessoal. Tomou um avião da Paraíba para o Rio Grande do Sul; passou 17 dias na casa de Helena. Depois, voltaram à rotina missivista.

    — Meu pai vendia sapatos, tecidos, viajava muito, escrevia cartas às filhas. Eu ficava encantada — conta Helena. — A gente se sente mais próximo quando recebe uma carta. É uma visita. A alma que vai junto com o envelope.

    No caso de Temer, ela não viu alma nem visita:

    — Aquela carta parece uma ciranda. Vai escrever pra dizer isso? Não confio.

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    Embora date de cinco séculos atrás, o acervo epistolar brasileiro só começou a ser estudado a fundo nos anos 1990, quando a USP publicou um livro com as cartas de Mário de Andrade. Hoje, as mais importantes coleções estão com a Fundação Casa de Rui Barbosa e com o Instituto Moreira Salles, ambos no Rio. Eliane Vasconcellos, pesquisadora da Casa de Rui, diz que alguma cartas, como as de Cruz e Sousa, ainda a emocionam.

    — Há cartas de amor, cartas com pedido de emprego, cartas que falam de livros que seriam publicados e não foram — enumera. — Algumas do Manuel Bandeira têm esboços de poemas. Já o Fernando Sabino escreveu a Clarice Lispector sugerindo edições em “Laços de família’’.

    Ela acredita que, no futuro, a instituição passará a receber um acervo cada vez maior de e-mails:

    — Já contamos com uma coleção, do Rodrigo Souza Leão, mas a linguagem é distinta. As cartas chegavam a ter sete páginas. O e-mail é pontual, sucinto.

    Ela mesma só escreve cartas em situações específicas:

    — Outro dia escrevi para a síndica do meu prédio, com uma reclamação. A carta é algo formal, que você entrega em mãos. Fazia sentido.

    Cartas anunciam amores, brigas, cobranças, rompimentos. Idosos enviam cartas de reclamação, adultos enviam cartas de aniversário, nubentes enviam cartas com convite de casamento. Segundo dados dos Correios, das sete bilhões de cartas e correspondências enviadas no Brasil em 2015, 133 milhões eram de pessoas físicas (não comerciais). Ao menos 500 mil eram endereçadas ao Papai Noel (graças ao programa voluntário em que é possível “adotar” uma carta para realizar o pedido de uma criança). Em tempos menos analógicos, o número surpreende: em 2010, foram 66 milhões de cartas na mesma categoria. Mas nada que supere as 6,9 bilhões de missivas comerciais enviadas por pessoas jurídicas este ano. Ou mesmo em 2010: 6,8 bilhões.

    Na música, cartas foram cantadas por Odair José, Waldick Soriano, Erasmo Carlos, Maria Bethânia, João Mineiro e Marciano. Na televisão, Xuxa fermentou o imaginário infantil (e adulto) com a chuva de cartas que lançava ao alto nos anos 1980. No cinema, Fernanda Montenegro recebeu a indicação ao Oscar pelo papel de escrevedora de cartas em “Central do Brasil’’.

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    Seis anos atrás, quando viajou ao Norte e ao Nordeste, o designer Kammal João lançou mão da prática. Enviou uma série de cartas a Amir, o irmão caçula, então com 7 anos.

    — Eu havia achado alguns papéis antigos do nosso avô. Desenhava neles todo dia, durante a viagem, e enviava uma vez por semana, porque alguns lugares não tinham Correios. As cartas eram mais notas, impressões de viagem. Era uma pesquisa sobre o olhar do artista viajante. Escolhi meu irmão como interlocutor para simplificar a linguagem, torná-la mais lúdica.

    No começo do ano, a correspondência foi lançada em livro.

    Já Luiza Helena Rizzo Perez, de 19 anos, começou a se corresponder há um ano, quando inscreveu-se num dos vários sites dedicados a aficionados por cartas (eles existem).

    — Como eu estudo Turismo, quis trocar cartas com pessoas de outros países — conta. — Acabou sendo muito mais interessante do que conversar pela internet. Você vê a letra, recebe fotos, postais. Guardo tudo numa caixinha.

    Dentre as interlocutoras há uma que mora nos Estados Unidos e outra que vive no Japão (são brasileiras; Luiza desistiu de se corresponder com homens após dois episódios em que as missivas estavam mais para Fórum da “Ele e Ela’’).

    — A menina do Japão é a Talita. Tem 27 anos, mora em Tóquio, a família é japonesa — conta. — Ela é dona de uma loja de motos. Mora lá desde os 18 anos.

    As duas trocaram sete cartas. Luiza enviou fotos de amigos e de pontos turísticos. Talita respondeu com desenhos e retratos do gato.

    Ensinou-lhe também a balbuciar o japonês:

    — Quando leio as cartas, vejo como é diferente a religião, a cultura, o modo como as pessoas vivem. Fiquei sabendo que tudo por lá é voltado para a tecnologia, e que todo mundo usa quimono.

    A última carta foi mandada há duas semanas por Luiza. Ela perguntava o que Talita faria no fim do ano, se tinha planos de viagem. Também contava que havia reativado seu aquário e que ganharia um cachorro no próximo ano. Foi mandada de uma agência dos Correios no Grajaú, a alguns quilômetros de sua casa. O envio custou cerca de R$ 4.

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    Tudo começou com Geraldo e Marina. Nos idos de 1950, ele escrevia para ela. Seus textos, lidos hoje, dão a pista de que aquele era um caso mal resolvido. “Ai, não escreve isso, Geraldo, ela vai querer que você suma”, pensava a atriz Keli Freitas, enquanto se aprofundava no material. Aquelas eram apenas as primeiras cartas das quase duas mil que Keli guarda em casa, grande parte delas adquirida em feiras de antiguidade, como a da Praça XV. No começo, ela ficou apenas encantada com todos aqueles escritos. Com o tempo, este conteúdo deu origem a trabalhos acadêmicos, peças de teatro, carimbos...

    — Um dos projetos que desenvolvi foi o Carimbaria. Pinço frases que praticamente saltam das cartas e as transformo em carimbos, todos feitos do jeito antigo — explica.

    São frases como “Estamos tão velhos. Agora é que precisamos um do outro”. Ou “Que aflição que tanta coisa ficará por conhecer, não?”. Hoje a atriz estará no Bazar da Passagem (Rua da Passagem 142), das 15h às 20h, expondo este material.

    Além dos projetos que ela mesma se propõe a fazer a partir das cartas, vários trabalhos dos quais participa têm relação com troca de correspondência. Um acaso sempre bem-vindo. Em janeiro, Keli será Emília, na série “Ligações perigosas”, da Globo, que é baseada em um romance epistolar. Já a peça “Incêndios”, com a qual ficou meses em cartaz, começava com a leitura de duas cartas:

    — Receber uma carta é receber também o papel em que a pessoa escreveu, transportou a algum

    lugar, colocou em um envelope... Uma pessoa que você ama ou

    tem saudades. Este universo é fascinante.


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    RIO - Atriz que fez sua fama em um tipo de teatro mais autoral e atuou numa novela inteira pela primeira vez aos 36 anos, Malu Galli tem sido um rosto constante na TV desde 2008, depois de aparecer na minissérie “Queridos amigos” e em “Três irmãs” — o primeiro folhetim que fez na Globo. Aos 44 anos, ela emplaca sua segunda novela somente em 2015. Após se destacar no elenco de “Sete vidas”, exibida entre março e julho no horário das 18h, Malu pode ser vista agora como Rosângela, mãe guerreira de quatro filhos, em “Totalmente demais”, às 19h.

    — Estava cansada, mas só comecei a gravar em outubro (a novela estreou no começo de novembro). Pude viajar, me reciclar e cuidar de outras coisas. E a Rosângela era o extremo oposto da Irene (de “Sete vidas”).

    O atual papel representa uma virada para a atriz, que cansou de ouvir que sua imagem na televisão é a de uma mulher sofisticada.

    — As pessoas dizem isso, mas não tenho a sensação de ter essa imagem de pessoa elegante tão cristalizada. Eu não me sinto assim. Sou de família italiana, tenho temperamento forte, sou estourada também. Quando disseram que teria que ser mais popular para a novela e vi que a Rosângela era barraqueira, pensei nisso.

    Malu não se preocupou em correr atrás de um visual que ela não tinha (“Teria que nascer de novo”, brinca), mas aproveitou seu sangue italiano para o papel. Na novela, ela mora em um conjunto habitacional de Curicica, briga na rua e vive às voltas com o ex mulherengo.

    — Lembrei das mammas italianas do cinema neorrealista. A gente pensou o visual dela a partir daí. Criamos um híbrido entre Curicica e Anna Magnani — conta a atriz, que encara sequências cômicas e dramáticas na mesma proporção na trama.

    ENROLADA NA TOALHA

    Dizendo-se tímida, Malu admite que cenas como a que gravou enrolada numa toalha, esbravejando e correndo diante de 70 pessoas, são difíceis.

    — Na hora, você respira fundo — diz ela, que fez vários testes na juventude e estreou na TV numa participação na minissérie “Anos rebeldes”, de 1992.

    — Desencanei depois que minha carreira no teatro começou a ficar mais consistente. Penso muito no que teria acontecido se tivesse passado para um teste que fiz para papel de protagonista aos 18 anos. No meu caso, foi tudo mais batalhado, mas pude me realizar no teatro. E também produzi e dirigi — lista ela, que fez uma participação na novela “Prova de amor”, da Record, em 2005, antes dos trabalhos mais recentes na Globo.

    Pelas contas de Malu, ela não ficou mais de seis meses longe do vídeo depois de “Queridos amigos”, o marco da sua carreira na TV. Mas não se afastou do teatro. Com mais de 15 peças na carreira, a atriz esteve mais recentemente em “Nômades”, com Andréa Beltrão e Mariana Lima, que ficou em cartaz entre outubro do ano passado e maio de 2015.

    análise e Instagram

    Ainda hoje, depois de oito novelas, duas minisséries, e seis séries como “Aline” (2009) e “Tapas & beijos” (2013), na Globo, e “Questão de família” (2015), no GNT, Malu afirma que a vida não mudou tanto assim.

    — Eu não me sinto muito conhecida pelas pessoas na rua. Não tenho esse assédio. Esqueço que estou no ar, e o primeiro impulso é achar que querem falar comigo. A primeira vez que isso aconteceu eu estava na padaria e um garoto muito jovem, lindo, me olhava. Pensei: “Estou ótima!”. Mas aí me toquei. As pessoas te olham profundamente, direto nos olhos, mas comigo isso não acontece frequentemente.

    Mãe de Luiz, de 14 anos, casada há 15 com o artista plástico Afonso Tostes, a atriz começou a fazer análise este ano (“Eu me sentia um ET por não fazer”), e criou uma conta no Instagram, também em 2015. No perfil, evita postar fotos muito pessoais, mas compartilhou as imagens da sua recente mudança. Ela trocou um endereço por outro no mesmo bairro, a Barra da Tijuca:

    — Já morei em nove lugares diferentes.


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    obamacombear1.jpgRIO — Talvez, para Bear Grylls, explorar a parte selvagem do Alasca tenha sido até menos difícil do que conduzir o presidente Obama à parte selvagem do Alasca. Para que o político americano pudesse participar da edição especial com uma hora de duração do “Celebridades à prova de tudo”, hoje, às 22h20m, no Discovery, um esquema de guerra foi armado na região: Grylls precisou caminhar e escalar até encontrar o político, já que o espaço aéreo sobre o local foi fechado e monitorado por aeronaves da frota oficial, além de contar com atiradores de elite em pontos estratégicos.

    — Eu achava que no início haveria apenas cinco ou seis homens, mas acabou que foram 50. Tinha até um cara pra aprovar o que ele podia comer ou beber. Quando vi aquele aparato todo, fiquei muito nervoso. Mas depois que estávamos só nós dois foi ótimo, ele estava de boa para comer o que eu propus, para dividir garrafas de água comigo e se aventurar — conta Grylls.

    Foi a própria equipe da Casa Branca que contatou Grylls. A princípio, o apresentador achou até que fosse brincadeira. E se derreteu todo quando ouviu Obama dizer que era fã da atração.obama.jpg

    O encontro acontece no glaciar de Harding IceField, enorme massa de gelo com 40 geleiras, habitadas por ursos-pardos. Por ali, Obama aprende técnicas de como se defender de ataques destes animais. A conversa com Grylls se alterna entre assuntos sérios, como o aquecimento global, e amenidades, como a relação do presidente com suas duas filhas.

    — Uma das razões pelas quais o presidente quis participar do programa foi sua vontade de ver os efeitos das mudanças climáticas. Ele é pai, também quer um mundo melhor para as filhas — relata Grylls.

    No clima da aventura, Obama ainda faz fogo para que os dois comam um salmão grelhado e bebe um chá feito à base de uma erva típica do local, com direito a gelo glacial.

    — Ele é muito humilde, voltado para a família, um cara amável, sabe? Em alguns momentos eu tinha que me beliscar para ter certeza de que estava ali, ao lado do presidente dos Estados Unidos. Ao fim, disse a ele que foi um privilégio — diz Grylls.


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