Are you the publisher? Claim or contact us about this channel


Embed this content in your HTML

Search

Report adult content:

click to rate:

Account: (login)

More Channels


Showcase


Channel Catalog


older | 1 | .... | 1043 | 1044 | (Page 1045) | 1046 | 1047 | .... | 1056 | newer

    0 0

    “Pinchas, quantos anos você tem?”. Steven Spielberg faz a pergunta para a tela na parede, de onde a imagem em tamanho real de um idoso usando um cardigã pisca e responde, com sotaque polonês, sem perder o ritmo. “Eu nasci em 1932, faça as contas”.

    “Ele me pediu para fazer as contas!”, ri o cineasta. “Como você sobreviveu quando tantos não conseguiram?”

    “Como eu sobrevivi? Eu sobrevivi, acredito, porque a providência cuidava de mim”, responde a tela.

    O bate-papo dura cinco minutos e, mesmo que a inteligência artificial por trás de Pinchas lembre muito filmes antigos de Spielberg, o objetivo não era entretenimento, mas educação. A tela sensível ao som traz uma biografia interativa de Pinchas Gutter, um sobrevivente polonês do Holocausto. A conversa era parte de uma turnê liderada por Spielberg através da sede reformulada da Fundação Shoah, fundada em 1994 para coletar depoimentos de sobreviventes do Holocausto.

    Spielberg expandiu a fundação no campus da Universidade da Califórnia, juntamente com sua missão e foco público: combater o ódio, que para ele se tornou comum em todo o mundo.

    — A presença do ódio tornou-se garantida — diz. —Não estamos fazendo o suficiente para combatê-lo.

    A conversa de vídeo pré-gravada com Pinchas é parte de uma série que convida os visitantes a conhecerem 16 sobreviventes de genocídio. As respostas são dadas com base em padrões de palavras específicos e mais de duas mil perguntas que variam de visões sobre Deus a histórias pessoais.

    A fundação segue arquivando histórias de vítimas do anti-semitismo, e agora também coleta o que Spielberg chama de “testemunho vivo” das vítimas modernas do genocídio.

    — O Holocausto não pode ficar sozinho — diz o cineasta, com convicção. — Enviamos nossas câmeras a Ruanda para obter depoimentos. De lá fomos para o Camboja, Armênia. Estamos fazendo um estudo crítico na República Centro-Africana, na Guatemala, sobre o massacre de Nanjing. Mais recentemente testemunhamos a violência anti-Rohingya em Mianmar e a atual violência anti-semita na Europa. Estamos expandindo nosso escopo para combater muitas formas de ódio.

    SPIELBERG_GENOCIDE_TESTIMONIES_6_1819145.JPGO espaço aberto ao público no mês passado é um grande passo desde os primórdios da organização,criada logo após o lançamento de “A lista de Schindler”, em 1993. O acervo conta com pouco mais de 51 mil depoimentos de sobreviventes do Holocausto, totalizando 115 mil horas de gravações.

    Hoje, o grupo tem 82 funcionários e um orçamento anual de cerca de US$ 15 milhões, incluindo US$ 3 milhões da universidade e muitas doações. A reabertura coincide com o relançamento nos cinemas americanos de “A lista de Schindler”. O filme foi exibido em cerca de mil salas de cinema em meados de dezembro nos EUA. Um quarto de século, continua sendo uma representação complexa dos horrores nazistas.

    Dias antes de seu 72º aniversário, Spielberg concedeu uma entrevista ao “New York Times”. Esses são trechos da conversa.

    Por que expandir a missão da Fundação Shoah?

    Eu acho que há um aumento mensurável no anti-semitismo e, certamente, na xenofobia. A divisão racial é maior do que eu imaginava que pudesse ser nesta era moderna. As pessoas estão expressando mais os seus ódios, pois há muitos canais dando espaço para opiniões e demandas razoáveis ou irracionais.

    Pessoas nos mais altos postos de comando também estão autorizando a expressão pública do ódio. Isso foi uma grande mudança. Há todo tipo de esforço para pegar a verdade e subvertê-la para uma ideologia distorcida. Vimos isso acontecer na Europa. Primeiro na França, depois na Polônia. Nunca pensei que veria isso nos EUA como temos visto nos últimos dois anos.

    Muitos grupos alegam que suas vidas são mais difíceis que as dos outros. Como podemos superar isso?

    Podemos nos lamentar uns com os outros sobre nossas dores, mas nunca transformar isso numa competição. Ser marginalizado, ser discriminado, ouvir insultos racistas e antissemitas é algo que une (a todos). Tudo que é feito contra os negros também está sendo feito contra a comunidade judaica.

    Tudo que é feito contra a comunidade gay e lésbica, também está sendo feito contra as comunidades negra e judaica. Ódio é ódio e o ressurgimento dele nos torna a todos responsáveis uns pelos outros, faz com que tenhamos que defender uns aos outros. Ninguém mais pode ser um espectador.

    Como Hollywood pode combater isso?

    Veja quantos filmes agora estão contando histórias de mulheres. Há uma grande mudança centrada no gênero a partir da queda de Harvey Weinstein. Contar histórias é fundamentalmente humano. Mas a arte de ouvir é o que eu espero que a Fundação Shoah seja capaz de inspirar.

    Você está relançando “A lista de Schindler” após 25 anos. Acredita que o filme ainda pode causar impacto?

    No Festival de Tribeca acompahei pela primeira vez em 25 anos um público assistindo a “Lista de Schindler”. A sala estava cheia e a reação — eu me virei para Kate (Capshaw, sua esposa) e disse “Oh meu Deus, eles ainda ouvem”. Com esse ciclo renovado de ódio, e iniciativas como a Fundação Shoah, achei que poderia abrir uma conversa sobre como o genocídio pode acontecer em qualquer lugar quando uma sociedade comum erra. Charlottesville e o rescaldo tiveram um impacto enorme no desejo de reeditar o filme

    Se fizesse o filme hoje, o que mudaria?

    Não há nada que eu teria mudado, absolutamente nada. Eu defendo esse filme, pois ele passou no teste do tempo.

    O que fica com você 25 anos depois sobre as filmagens na Polônia, onde a carnificina aconteceu?

    Em quatro meses de filmagens em Cracóvia, fiquei arrepiado o tempo inteiro. Era difícil simplesmente sair do carro todas as manhãs e caminhar até o set. Eu queria usar os locais onde Schindler ficou em Cracóvia, incluindo o gueto judeu, mesmo filmando muito perto do campo de trabalho forçado de Płaszów. Nós filmamos na entrada de Auschwitz. Quando o trem (no filme) deixava Auschwitz, era como se estivesse entrando no campo da morte. Essa foi uma das noites mais frias que eu já experimentei. Aquele silêncio triste entre a equipe — você podia ouvir um alfinete cair.

    A fundação decidiu incluir testemunhos modernos sobre genocídio quando já tem mais de 51 mil registrados sobre o antissemitismo. O video é o melhor professor?

    SPIELBERG_GENOCIDE_TESTIMONIES_5_1819146.JPGOlha, somos todos contadores de histórias. Qualquer pessoa viva é um contador de histórias, mesmo sem saber. Todo dia é uma história. Maya Angelou disse: “A história, apesar de sua dor lancinante, não pode ser abandonada, mas se for enfrentada com coragem, não precisa ser vivida novamente.”

    Qual sua memória mais antiga de ser alguém diferente?

    Minha avó ensinou inglês para sobreviventes húngaros do Holocausto, em Cincinnati. Eu tinha dois ou três anos e sentava com eles em volta da mesa. Foi assim que aprendi os números — no braço de um sobrevivente de Auschwitz que me mostrou o número de seu antebraço. Essa foi a minha "Vila Sésamo". Foi assim que aprendi a contar.

    O que mais podemos fazer? O que você pretende fazer?

    Professores e pais precisam assumir a responsabilidade pela aceitação do ódio na sociedade. Estou trabalhando com o Discovery Channel e o cineasta vencedor do Oscar Alex Gibney em um estudo de seis horas chamado "Why we hate" ("Por que odiamos?", em tradução direta). Não planejo mais dramatizações do Holocausto. Estou colocando toda a minha atenção no formato de documentário.


    0 0

    RIO — Há algo no verão carioca, sabemos. A temperatura alta esquenta miolos (que se esfriam com chopp pelos bares) e deixa peles mais morenas e mais expostas. Os estudantes de férias e os turistas lotam praias e calçadas de juventude. Corpo e mente tomam consciência um do outro como em nenhuma outra estação. A cidade ferve — literalmente. Essa alquimia de calor, sensualidade, charmosa subversão e exuberância de cores e cheiros é capaz de estabelecer a marca (efêmera mas essencial) de uma era: o verão da lata, do Piscinão, do apito, das dunas da Gal.

    Sem arriscar exercícios de futurologia sobre qual será o tom do verão que começou (oficialmente, a despeito do recado que os termômetros já vinham dando há dias) na sexta-feira, convidamos dez pessoas que vivem a cidade para apontar suas dicas culturais de verão: uma música, um livro, um espetáculo, uma série, uma exposição, um filme. Não há um veredito, mas como um mosaico, ali se definem formas do que se espera da estação:

    — O verão do Rio é a afirmação da vida, do renascimento, da renovação, da alegria — define a diretora Bia Lessa, que indica dois shows no Circo Voador, “o melhor lugar de se ir no verão”. — Mart’nália é isso, com seu canto que é um sorriso. E “Refavela” traz o “re” no nome que simboliza essa possibilidade de recomeçar, refazer, neste momento tão delicado no qual estamos vivendo.

    Além de Bia Lessa, foram convidados a escritora Ana Paula Lisboa, o artista plástico Cabelo, os produtores Chico Dub e Kassin, a atriz Leandra Leal, a surfista Maya Gabeira, a psicanalista Renata Salgado (Casa Contexto), o livreiro Rodrigo Ferrari (Folha Seca) e o cantor Zé Ricardo. Juntos, eles montaram um panorama rico e de amplo espectro sobre o que há de mais quente no verão do Rio.

    As dicas desafiam o clichê do que é “a cara da estação” — há livros, exposições e filmes ali que mergulham em questões fundamentais pras fervuras do Brasil contemporâneo, como racismo, feminismo e fascismo. Além disso, as fronteiras do verão do Rio são ampliadas em duas sugestões de programa. A exposição “Ai Weiwei — Raiz”, indicada por Leandra Leal, acontece em São Paulo (“Vale muito pegar a ponte aérea”). Já Renata Salgado destacou o show de Gal Costa, também no Circo Voador, nos dias 29 e 30 de março, tecnicamente depois do fim do verão — pouco provável que alguém perceba.

    Espetáculo

    78496226_RS - Cena da peça Favela 2 - A gente não desiste no Teatro João Caetano Foto Divulgação.jpg“Baile da Orquestra Tabajara”. Teatro Rival, 25/1 (Leandra Leal).

    “Encruzilhada”. Evento itinerante organizado por Vincent Moon, sem data definida (Chico Dub).

    “Favela 2 — A gente não desiste”. Teatro Carlos Gomes, de 11/1 a 3/2 (Ana Paula Lisboa).

    Gilberto Gil. Revéillon de Copacabana, 31/12 (Renata Salgado).

    Mart'nália. Circo Voador, 5/1 (Bia Lessa e Zé Ricardo).

    Marina Lima. Circo Voador, 12/1 (Cabelo).

    “A Mulher do Pau Brasil”, de Adriana Calcanhotto. Imperator, 27/1 (Renata Salgado).

    Ney Matogrosso. Vivo Rio, de 11 a 19/1 (Kassin).

    “Outros”, do Galpão. Sesc Ginástico, encerra hoje (Rodrigo Ferrari)

    “A pele do futuro”, de Gal Costa. Circo Voador, 29 e 30/3 (Renata Salgado).

    “Refavela”, tributo ao álbum clássico de Gilberto Gil. Circo Voador, 25 e 26/1 (Bia Lessa).

    Livro

    81cC72EgfvL (1).jpg“O assassinato do comendador — Vol. 1”. Haruki Murakami. Alfaguara (Chico Dub).

    “Arte, censura e liberdade”. Org. por Luísa Duarte. Cobogó(Renata Salgado).

    “Um defeito de cor”. Ana Maria Gonçalves. Record (Leandra Leal).

    “Os direitos da mulher e da cidadã — Por Olímpia de Gouges”. Dalmo de Abreu Dallari. Saraiva (Rodrigo Ferrari).

    “Meio sol amarelo”. Chimamanda Ngozi Adichie. Cia das Letras (Ana Paula Lisboa).

    “Minha história”. Michelle Obama. Objetiva (Maya Gabeira).

    “A odisseia — Memórias e devaneios de Jupiter Apple”. Juli Manzi. Azougue (Kassin).

    “Sapiens — Uma breve história da humanidade”. Yuval Harari. L&PM (Zé Ricardo).

    “A serpente cósmica”. Jeremy Narby. Dantes (Cabelo).

    “Voo da madrugada”. Sergio Sant’anna. Companhia das Letras (Bia Lessa).

    “O beijo no asfalto”. De Murilo Benício (Leandra Leal).

    Filme

    79882963.jpg“Bohemian rhapsody”. De Bryan Singer (Renata Salgado).

    “De pernas pro ar 3”. De Júlia Rezende (Zé Ricardo).

    “Eu sou o carnaval”. De Marcio Cavalcante (Chico Dub).

    “Infiltrado na Klan”. De Spike Lee (Cabelo).

    “O leitor”. De Stephen Daldry (Ana Paula Lisboa).

    “Nasce uma estrela”. De Bradley Cooper (Maya Gabeira).

    “O outro lado do vento”. De Orson Welles (Kassin).

    “Rasga coração”. De Jorge Furtado (Rodrigo Ferrari).

    “Terra em transe”. De Glauber Rocha (Bia Lessa).

    Exposições

    79291038_RS - Obra de Basquiat em exposição no CCBB - Tela Red Rabbit de 1982.jpg“Ai Weiwei — Raiz”. Oca, em São Paulo, até 20/1 (Leandra Leal).

    “Arte democracia utopia — Quem não luta tá morto”. MAR, até 16/5 (Chico Dub).

    “100 anos de Athos Bulcão”. CCBB, até 28/1 (Renata Salgado).

    “Correio da Manhã: uma revolução de imagens nos anos 1960”. Caixa Cultural, até 13/1 (Rodrigo Ferrari).

    “Jean-Michel Basquiat”. CCBB, até 7/1 (Ana Paula Lisboa, Maya Gabeira e Zé Ricardo).

    Luiz Zerbini. Carpintaria, até 19/1 (Bia Lessa, Cabelo e Kassin).

    Música

    80374909_Charlie Puth whose second album “Voicenotes” is out in May at home in Beverly Hills Cal.jpg“Attention”. Charlie Puth (Zé Ricardo).

    “Brisa”. Silva (Leandra Leal).

    “Frescurinha”. Saia Rodada (Chico Dub).

    “The golden number”. Charlie Haden (Bia Lessa)

    “História pra ninar gente grande”. Samba da Mangueira em 2019 (Rodrigo Ferrari).

    “Joana Dark”. Ava Rocha (Cabelo).

    “Me solta”. Nego do Borel (Kassin).

    “Osso duro de roer”. Pretinho da Serrinha (Renata Salgado).

    “Shallow”. Lady Gaga e Bradley Cooper (Maya Gabeira).

    “Sublime”. Gal Costa (Ana Paula Lisboa).

    “Suassuna: o Auto do Reino do Sol” (álbum). Barca dos Corações Partidos (Bia Lessa).

    “Tenho medo de ficar só”. Djavan (Kassin).

    Séries

    73616520_This image released by Hulu shows Elisabeth Moss as Offred in a scene from The Handmaid.jpg“A amiga genial”, na HBO(Ana Paula Lisboa).

    “Assédio”, na GloboPlay (Renata Salgado).

    “Designated survivor”, na Netflix (Zé Ricardo).

    “Família Soprano”, na HBO (Bia Lessa).

    “The handmaid's tale”, na Paramount (Leandra Leal).

    “O ministério do tempo”, na Netflix (Rodrigo Ferrari).

    “Sharp objects”, na HBO (Maya Gabeira).

    “The walking dead”, na Fox (Chico Dub).

    “Wanderlust”, na Netflix (Renata Salgado).

    “Wild wild country”, na Netflix (Cabelo e Kassin).


    0 0

    RIO - Fim do ano chegou e os clássicos dessa época já estão por todos os lados: uvas passas, panetone, rabanada... Mas, além dos calóricos quitutes, há também os programas de TV para ver junto com a família ou os amigos, nas animadas reuniões que casam tão bem com o período natalino.

    Há desde comédias temáticas como “Se beber não ceie” e “Papai Noel vigarista” a atrações musicais como as apresentações do violinista André Rieu e o show de Andrea Bocelli em Florença, passando pela retrospectiva anual.

    Confira aqui uma lista de opções de especiais de fim ano para assistir enquanto aquele peru de natal não sai do forno, ou depois, comendo os restos da ceia, nos dias antes do réveillon.

    TV Globo

    24 de dezembro: O especial “Natal perfeito”, logo após “O sétimo guardião”, vai contar a história de Catarina, uma menina que vive em um condomínio de luxo e decide fugir de casa porque seus pais não compraram o presente que ela esperava. A garota acaba conhecendo a realidade de um menino órfão, que mora em um ferro-velho.

    Now

    Todos os dias: A plataforma selecionou mais de 80 filmes natalinos em um especial para todas as idades. Entre os destaques estão produções como “O estranho mundo de Jack”, “O expresso polar” e “Os fantasmas de Scrooge”.

    Canal Bis

    35085672_SC Rio de Janeiro RJ 04-04-2012 - O músico holandês Andre Rieu Crédito Divulgação.jpg24 de dezembro: Às 19h, o canal traz uma apresenção do violinista André Rieu e sua orquestra, com canções natalinas e clássicos . Em seguida, um show de Andrea Bocelli no Palazzo Vecchi, em Florença.

    Lifetime

    24 e 25 de dezembro: O canal traz uma maratona de filmes natalinos durante dois dias, com títulos como “O voo antes do natal”, “Papai Noel vigarista”, “Canção de natal”, “Um natal inesperado”, “Desejo e esperança”e “Quatro natais e um amor”.

    SBT

    25 de dezembro: Um coral com 250 vozes, a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo e grandes nomes da música brasileira vão se reunir para cantar canções especiais de natal. Às 23h15.

    TV Globo

    28 de dezembro: A Retrospectiva 2018 vai relembrar os momentos mais marcantes do ano na política, economia, esporte, cultura, meio ambiente, e muito mais. Também depois da novela das 21h.

    Multishow

    29 de dezembro: Eleita a mulher do ano pela Billboard, Ariana Grande fez grande sucesso em 2018 com seu quarto álbum, “Sweetener”. No show Live in London ela apresenta canções como “No Tears Left To Cry”, “Dangerous Woman”,, “Pete Davidson”, entre outras canções. A partir das 20h30.

    Record

    31 de dezembro: Um show especial de Elton John traz convidados como Shawn Mendes e SZA para animar a festa da virada.

    Netflix

    Todos os dias: Está disponível desde ontem “Se beber não ceie", uma versão da Santa Ceia produzida pelo Porta dos Fundos. No especial de natal, o grupo humorístico faz uma paródia narrando o dia após uma noite no estilo do filme “Se beber, não case”.

    HBO

    70709348.jpgTodos os dias: O canal apresenta todas as noites, até 1º de janeiro, maratonas com os maiores sucessos do ano, como “Mulher Maravilha”, “Annabelle 2” e “Dunkirk”.


    0 0

    RIO — Meses após a atriz Tori Spelling postar uma foto no Instagram com a legenda "De volta ao trabalho" e a hashtag #90210vibes, o que deixou os fãs da série "Barrados no baile" em polvorosa, o seu revival, com o elenco original, estaria em andamento, de acordo com informações do site "Deadline".

    Segundo o portal, os produtores executivos Mike Chessler e Chris Alberghini (que também trabalharam no reboot da série, exibida entre 2008 e 2013) e Ghen Maynard, da CBS, estão à frente da produção. A atração estaria sendo oferecida em oferecida em pitchings para emissoras e plataformas de streamings, e, segundo a publicação, já existiriam canais interessados em exibi-la.

    Tuite Tori Spelling

    Além de Tori Spelling (Donna Martin), o revival contará com os atores Jason Priestley (Brandon Walsh), Jennie Garth (Kelly Taylor), Ian Ziering (Steve Sanders), Brian Austin Green (David Silver) e Gabrielle Carteris (Andrea Zuckerman).Shannen Doherty, que vivia Brenda, irmã gêmea de Brandon, não confirmou a participação no revival.

    Um dos maiores sucessos da década de 1990, a série abordava o cotidiano, problemas e relações amorosas de um grupo de amigos que frequentava a West Beverly High School, na elitizada vizinhança de Beverly Hills, Califórnia. A atração durou 10 temporadas e deu origem a outras séries, como "Melrose Place" e "Models, Inc" — que, ao contrário das demais, não atingiu o público esperado e foi cancelada ainda na primeira temporada.


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    RIO — Quando criança, as visitas de Javier Cercas à casa de sua avó eram assombradas pelo retrato de um soldado muito jovem, quase um menino, na sala de jantar. Era seu tio-avô Manuel Mena, que, em 1936, aos 17 anos, alistou-se no exército fascista de Francisco Franco para lutar contra os republicanos na guerra civil espanhola. Mena morreu em 1939 e se converteu em herói familiar. Cercas sempre soube que escreveria sobre ele — um de seus romances sem ficção, que revisitam a História da Espanha.

    Em “O rei das sombras”, o autor se esforça para humanizar o rapaz do retrato e pergunta: “será possível ser um jovem nobre e puro e ao mesmo tempo lutar por uma causa errada?” Nesta entrevista ao GLOBO, ele afirma que a literatura pode ensinar aos homens o que eles se recusam a aprender com a História.

    Você diz que “O rei das sombras” foi o primeiro livro que quis escrever. Por quê?

    Porque nele formulo a primeira pergunta complexa que me fiz, ainda adolescente. Escrever um romance é propor uma pergunta complexa da maneira mais complexa possível. E não responder a ela. Ou responder a ela de maneira ambígua, irônica. A resposta é a própria pergunta. Neste caso, a pergunta se refere ao “herói” de minha família. Simplificada ao máximo, a pergunta é: vale a pena morrer pelas coisas em que cremos ainda que elas sejam equivocadas ou que a História as declare equivocadas?

    O populismo de direita cresce. Os anos 1930 se repetem?

    Sim, porque esquecemos como os anos 1930 realmente foram. Esquecemos que o fascismo era um movimento idealista, antissistema, radical, novo, com líderes carismáticos e soluções mágicas. O populismo nacionalista atual não é o fascismo, mas uma máscara pós-moderna dele. A crise de 1929 gerou um terremoto que consolidou os fascismos. A crise de 2008 gerou outro terremoto, que criou os populismos nacionalistas de Trump e Bolsonaro, do Brexit e do separatismo catalão. Não aprendemos nada com a História. Talvez se deva dar razão a Bernard Shaw, que escreveu: “Aprendemos com a experiência que os homens nunca aprendem com a experiência”.

    E com a literatura, aprendemos alguma coisa?

    Quando eu era jovem e queria ser um escritor pós-moderno, pensava que a literatura não era útil, mas só um jogo sofisticado e apartado da realidade. Detestava a literatura política, que me parecia mera propaganda. Hoje sou um escritor pós-pós-moderno e penso que a literatura é um jogo e é útil quando se propõe a entender o que somos, no passado e no presente. Entender significa fornecer os instrumentos necessários para não repetirmos os mesmos erros. Não basta dizer que Hitler era um monstro. Precisamos perguntar por que esse maluco conseguiu fascinar meio mundo. Se houvesse um gênio — um Shakespeare, um Cervantes, um Dostoiévski — capaz de responder a essa pergunta (ou de formulá-la de modo mais complexo ), teríamos um instrumento útil para impedir que Hitler se repita. Se há uma bomba em casa, não basta gritar “bomba!”, preciso entender como ela funciona para desativá-la. A literatura ajuda a entender mecanismos e fornece instrumentos para desativá-los.

    Como fazer isso em tempos de ascensão populista e crise da democracia?

    Falando a verdade. A maioria prefere a mentira, que é agradável, fácil de explicar e digerir, enquanto a verdade costuma ser desagradável, incômoda e difícil de explicar. Quem diz a verdade vira estraga-prazeres. Escritores e jornalistas são mais necessários do que nunca, mas não podem só contar a verdade, precisam desmontar as mentiras com sabor de verdade. A verdade cria pessoas livres. A mentira cria escravos.

    Você escreve a partir do que chama de “pontos cegos” e elogia a ambiguidade de “Dom Quixote” e “Moby Dick”. Um dos romances mais ambíguos da literatura brasileira é “Dom Casmurro”. Você o conhece?

    De Machado de Assis, li “Brás Cubas”, “Quincas Borba”, contos e poemas. Não li “Dom Casmurro”. Pena. Para mim, não há grande literatura sem ambiguidade, porque não há grande literatura sem colaboração do leitor. Ambiguidade é espaço que o autor cria para que o leitor termine o livro que ele começou.


    0 0

    RIO — No texto de divulgação dos EPs “Nada ficou no lugar”, Adriana Calcanhotto diz que ficou “muito satisfeita de saber que o desrespeito é total”. Cantora rara e poeta afiada, a artista gaúcha provou desde o início da carreira ser também uma intérprete destemida e desrespeitosa no que a palavra tem de melhor. Em suas versões, o respeito pela música escolhida é tão grande que ela sempre fez questão de provar o quanto gostaria de ter escrito a canção homenageada, desconstruindo-a até as últimas consequências.

    Isso pode ser visto já em sua estreia discográfica, “Enguiço” (1990), quando fez releituras personalíssimas de “Sonífera ilha”, dos Titãs, e “Caminhoneiro”, de Roberto e Erasmo. No que tange esse apreço pelo risco, o primeiro volume do tributo a Calcanhotto é um acerto, deixando já claro no título que nada ficaria no lugar nessas novas interpretações da obra da cantora.

    Jaloo, Illy, Johnny Hooker e outros artistas criam novas versões para sucessos de Adriana Calcanhotto

    Se a banda baiana OQuadro colhe bons frutos ao resgatar “Negros”, dando ainda mais densidade à contundência de versos como “Os dentes dos negros são brancos/ Os brancos são só brancos/ Os negros são retintos/ Os brancos têm culpa e castigo/ E os negros têm os santos”, a gravação de Priscila Tossan — revelada no programa “The voice” — para “Vambora” peca pelo excesso tanto na interpretação afetada, que deixou a melodia quase irreconhecível, quanto no arranjo, sem norte.

    Artistas da cena conteporânea que estão revirando repertório de Adriana CalcanhottoCaso diferente é o de Rubel, que, produzido por Kassin, escolheu “Por que você faz cinema?”, texto de Joaquim Pedro de Andrade musicado por Calcanhotto em “A fábrica do poema” (1994). Como o próprio artista confessa, os dois entraram “numa pira de fazer um arranjo que mudasse radicalmente a cada dois compassos”. Entre o violão do cantor, sintetizadores e programações, o resultado, caótico e experimental, acaba por combinar com o humor ácido da letra da resposta do cineasta.

    Links Adriana CalcanhottoPor outro lado, Ava Rocha e Johnny Hooker optam por releituras mais pessoais em “Âmbar” e “Mentiras”, respectivamente, e ambas extraem todo o sumo da máxima “mais é menos”. Principalmente Hooker, que usa toda a sua teatralidade para dar tons dramáticos a uma das canções mais celebradas do repertório da homenageada, culminando num final com bateria eletrônica, cordas e um flerte saboroso com o brega. Em terreno mais seguro, cheio de suingue, Mahmundi dá groove a uma versão levemente sacana e dourada como os “Cariocas” de sua faixa.

    Merecidas flores em vida para a cantora, o EP inaugural de “Nada ficou no lugar” é um tributo simpático, porém irregular, mas que joga luz sobre um repertório rico e ainda bastante atual. Se essa for a porta de entrada de jovens fãs dos participantes ao cancioneiro de Adriana Calcanhotto, um novo público descobrirá o trabalho de uma das artistas mais instigantes da MPB nos últimos 30 anos. Desrespeito mais respeitável que esse não pode existir.


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    Tom Hanks ocupa uma posição singular em Hollywood. Ele é reconhecido como um dos principais atores masculinos dos últimos 30 anos — mas também como um dos mais notáveis character actor, o coadjuvante que interpreta um personagem excêntrico, interessante.

    Hanks O que se esquece com facilidade é que, antes de ser Tom Hanks, colaborador de Steven Spielberg e Senhor das Comédias Românticas, ele era Tom Hanks, o engraçado kidult de “Quero ser grande”.

    Mas, então, há 25 anos, Hanks estrelou um filme que bagunçou radicalmente a percepção de quem e o quê ele era como ator.

    Este filme era “Filadélfia”, no qual o ator interpretava um homossexual consumido pela Aids. Foi lançado nos Estados Unidos em 22 de dezembro de 1993, e teve um grande impacto em Hanks, na época com 37 ano. Hoje, ele é O Ator Capaz de Fazer Qualquer Filme — tornando convincente a emoção com que falava com uma bola de vôlei (“Náufrago”), lançando tristes olhares para Meg Ryan (“Sintonia de amor”, “Mensagem para você”) ou esbanjando dignidade descomunal em obras de Spielberg (“O resgate do soldado Ryan”, “Ponte dos espiões”).

    DE PIADA A ATOR SÉRIO

    O status foi duramente conquistado, e por muito tempo pareceu além do alcance do ator. Seus primeiros anos de estrelato foram todos em torno de ele ser uma piada leve em seus próprios filmes.

    Hanks encarou “Filadélfia” como uma oportunidade de provar a si mesmo que era um ator sério. Ele já tinha desperdiçado a primeira chance de abandonar os grilhões da comédia quando estrelou, em 1990, a desastrosa adaptação de Brian de Palma para “A fogueira das vaidades”, de Tom Wolfe.

    “Filadélfia” era a tacada de redenção. Por isso, Hanks instruiu seu agente a perseguir o projeto a todo custo quando, no fim de 1992, começaram os rumores de que a próxima produção de Jonathan Demme depois de “O silêncio dos inocentes” seria o primeiro filme sério de Hollywood sobre a Aids.

    O entusiasmo de Hanks foi uma surpresa para o diretor, que ficou chocado de receber a ligação do representante do ator. Demme estava ciente de que o roteiro era quente, e de que vários atores cacifados estariam interessados no papel. Mas ter alguém do nível de Hanks pedindo para viver o advogado moribundo Andrew Beckett era mais do que ousara sonhar.

    “Em algum momento dos meus 30 anos, quando eu estava fazendo um monte de filmes sobre o cara pateta que não consegue transar, percebi que tinha que começar a dizer uma palavra muito difícil para as pessoas, que era ‘não’”, Hanks lembraria mais tarde.

    “Dizendo sim, você simplesmente trabalha. Mas dizendo não significa que você escolheu o tipo de história que quer contar e o tipo de personagem que quer viver”.

    A ideia de Demme era que Andrew Beckett fosse simpático ao grande público, que poderia nunca ter tido contato próximo com um homossexual e muito menos possuir um entendimento sutil da Aids.

    No filme, o personagem de Hanks é demitido da firma de advocacia onde trabalha depois que um sócio percebe uma lesão em sua testa (indício instantâneo de Aids nos anos 1980 e início dos 90). A versão oficial para a demissão é que se trata de um funcionário negligente. Beckett, mesmo morrendo, processa seus ex-empregadores.

    Para Hanks, “Filadélfia” foi sua introdução ao estilo De Niro de atuação. Ele consultou médicos que eram autoridades em Aids e conversou com doentes, perguntando-lhes como reagiram ao ser informados e como lidavam com o diagnóstico.

    A produção foi filmada em ordem cronológica – o que é raro em Hollywood – para facilitar a dramática perda de peso à medida que a doença de Beckett evolui.

    “No fim, ele só comia alface”, contou Antonio Banderas, que viveu o parceiro de Beckett.

    “Filadélfia” foi criticado por parte da comunidade gay, por ser bastante dessexualizado — uma cena na cama com os personagens de Hanks e Banderas fora inclusive cortada. Demme alegou que ela não havia funcionado dramaticamente. E Hanks disse que cenas como aquela poderiam tirar o foco da empatia que a produção queria promover.

    “Filadélfia” foi indicado a cinco Oscars, vencendo dois — para a música-tema de Bruce Springsteen e a atuação de Hanks.


    0 0
  • 12/24/18--09:50: Um judeu no Natal
  • Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    RIO - Afastado de suas redes sociais desde que surgiram as primeiras acusações de assédio sexual contra ele, Kevin Spacey postou nesta segunda, véspera de Natal, um vídeo controverso. Com um avental estampado de pequenas imagens de Papai Noel, o ator se dirige à câmera — à maneira de seu personagem Frank Underwood, de "House of cards", série da qual foi demitido após as denúncias — e fala um texto ambíguo, que pode se referir tanto a Underwood quanto ao próprio Spacey.

    'Let me be frank', Kevin Spacey

    A ambiguidade aparece já no título do vídeo, "Let me be frank", que tanto pode ser lido como "deixe-me ser franco" quanto "deixe-me ser Frank", em menção a seu personagem — declarado morto na série. No fim do vídeo, enquanto coloca um anel semelhante ao de Underwood, Spacey diz: "Pensando agora: você nunca me viu morrer de fato, viu? Conclusões podem ser tão enganadoras. Sente minha falta?".

    Spacey diz ainda frases como "Te choquei com minha honestidade, mas, principalmente, eu te desafiei e te fiz pensar" e "Eu sei o que você quer: você me quer de volta". E desafia o espectador, no jogo Spacey/ Underwood: "Você não acreditaria no pior sem evidências, acreditaria? Não partiria para o julgamento sem fatos, partiria?".

    A sexta e última temporada de "House of cards" teve seus oito episódios lançados em novembro na Netflix.


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    RIO - Com bilheterias em queda desde o ano passado, o cinema brasileiro ainda espera por um presente (ou milagre) de Natal, que, embora não seja capaz de salvar a temporada, possibilite ao menos uma promessa de prosperidade em 2019. O presente pode vir embalado no carisma de Mônica Martelli e Paulo Gustavo, estrelas de “Minha vida em Marte” (leia crítica), comédia dirigida por Susana Garcia, que estreia nesta terça em 700 salas e chega a mais 100 na quinta.

    LEIA MAIS: 'Achei que eu nunca fosse dar certo', diz Mônica Martelli

    LEIA MAIS: Paulo Gustavo anuncia 'Minha mãe é uma peça 3', previsto para 2019

    LEIA MAIS: Mônica Martelli estreia continuação de comédia que ficou 12 anos em cartaz

    O longa dá sequência à história de “Os homens são de Marte... e é pra lá que eu vou”, que levou mais de 1,7 milhão de pessoas aos cinemas em 2014. Assim como o anterior, o roteiro é baseado nos monólogos homônimos de Mônica Martelli para o teatro. “Minha vida em Marte”, a peça, foi vista por mais de 100 mil espectadores no Rio e em passagens por cidades como Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. Segue em cartaz até janeiro no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Na trama, Fernanda (Mônica) enfrenta uma crise no casamento com Tom (Marcos Palmeira) e conta com o amigo e sócio Aníbal (Paulo) para superar a fase.

    — Quando estreei minha segunda peça no ano passado, depois de 12 anos de sucesso “Os homens são de Marte...”, senti um frio na barriga enorme. Tinha medo de não dar certo, de ficar conhecida com a autora de um sucesso só. A expectativa sempre existe, mas é uma incerteza que faz parte do jogo. — conta Mônica, que também é uma das produtoras do longa e assina o roteiro junto com Paulo e a diretora, Susana Garcia.

    Feminismo e homofobia

    A equipe passou a levar mais fé no filme quando as pré-estreias lotaram em São Paulo e no Rio e o boca a boca começou.

    — Muita gente veio dizer que queria levar a mãe para ver ou combinar uma sessão com amigos. Há potencial para atrair o público — diz Susana, que é irmã de Mônica. — Ao mesmo tempo em que faz rir, para aliviar um pouco estes tempos difíceis, a história também tem momentos de emoção, pela cumplicidade dos dois amigos para superar uma crise.

    Donos de trajetórias profissionais semelhantes — ambos estouraram no teatro a partir de textos próprios, repletos de observações autobiográficas, cuja fórmula foi levada com sucesso para a TV e o cinema —, Mônica e Paulo equilibraram os diferentes timings de humor para afinar as características dos personagens Fernanda e Aníbal.

    — Na tela, parece que a gente improvisa o tempo todo, mas isso foi construído ao longo de muito tempo — diz a autora-atriz . — Para adaptar o texto da peça, eu, Paulo e Susana nos encontramos durante oito meses, três dias por semana. No set, até tivemos momentos de improviso, mas eles foram a cerejinha do bolo. Para ela entrar, já estávamos com o bolo pronto há tempos. Várias vezes mudamos o texto para que o outro desse a fala, porque iria funcionar melhor. E a Fernanda e o Aníbal somos nós, é a nossa amizade que está ali. Cortamos coisas do roteiro por achar que estaria forçado, que não falaríamos um para o outro.

    No filme não levantamos nenhuma bandeira, mas somos seres políticos, que podem transformar as pessoas através do trabalho e das atitudes. Você vê a Fernanda no filme e ela é uma mulher superempoderada, como a Mônica é.A amizade entre os dois coneçou em 2005, ano de estreia da peça “Os homens são de Marte...”, quando Paulo procurou Mônica para falar de um projeto semelhante, um monólogo autoral que ele gostaria de montar. Seis meses mais tarde, ele estreava “Minha mãe é uma peça”, que levaria 2 milhões de espectadores ao teatro nos anos seguintes e venderia outros 13 milhões de ingressos em duas adaptações para o cinema, em 2013 e 2016. Para ele, nem todo ator tem perfil para abrir seu próprio espaço, escrevendo e produzindo os textos. Mas é uma prática que vem se tornando mais comum.

    — São novos tempos, a internet abriu mil possibilidades para os atores — Paulo diz. — Eu não preciso mais esperar um diretor ou uma emissora me convidar para trabalhar, eu posso usar as redes para divulgar meu trabalho, ou mesmo criar um canal online e ganhar dinheiro com isso. Claro, há atores que não querem ou não se adaptam a esse modelo, preferem ter um empresário para gerir a carreira. Mas acredito que vamos ser cada vez mais protagonistas das nossas histórias.

    Como em outros projetos da dupla, feminismo e homofobia entram de forma transversal na trama, diluídos nas situações e falas dos personagens, sem demarcar os discursos.

    — No filme não levantamos nenhuma bandeira, mas somos seres políticos, que podem transformar as pessoas através do trabalho e das atitudes. Você vê a Fernanda no filme e ela é uma mulher superempoderada, como a Mônica é. Ou o Aníbal, que tem uma vida normal, faz mil coisas, e é gay. No meu caso, o que levo para meus personagens e meu comportamento público valem mais do que mil discursos — defende o ator, que ano passado rebateu nas redes sociais ataques homofóbicos sofridos por ele e pelo marido, o dermatologista Thales Bretas. — A patrulha está aumentando na rede, mas meu saldo é muito positivo, raramente recebo um ataque desse tipo. E quase nunca respondo, eles ficam realmente perdidos entre as manifestações de carinho. Agora, há dias em que estou sem nada para fazer e tiro um tempo para dar um coió em alguém.

    Com CPF do marido

    Para Mônica, que também defende semanalmente seus posicionamentos no programa “Saia justa”, no GNT,movimentos como o #MeToo e o #MeuPrimeiroAssédio provaram como a conscientização da importância do feminismo cresceu nos últimos anos. A reação a ele na política e na sociedade alarma a atriz, mas ela diz que não acredita em perdas de direito:

    — O contexto no Brasil e no mundo assusta, me preocupa pensar que minha filha de 9 anos terá sua sexualidade formada em um momento mais conservador. Mas acho que não vamos deixar as conquistas regredirem. É só lembrar que minha mãe, quando se casou, tinha o mesmo CPF do meu pai para pensar no quanto avançamos. Mesmo dando três passos para frente e dois para trás, não vamos recuar.


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0

    RIO - Uma acusação de assédio sexual contra Kevin Spacey, tornada pública no ano passado, foi formalmente aceita pelas autoridades em Nantucket, Massachusetts, na segunda-feira. A denúncia, relatada pela primeira vez pelo "Boston Globe", foi feita por uma ex-âncora de televisão, Heather Unruh. Ela alega que Spacey abusou de seu filho, na época com 18 anos, em julho de 2016 em um bar em Nantucket.

    O promotor Michael O'Keefe disse em um comunicado que Spacey será indiciado em 7 de janeiro por abuso sexual e agressão. Essa será a primeira acusação criminal formal contra ele como resultado de denúncias de má conduta sexual. Desde o surgimento das acusações contra ele, Spacey já se desculpou por um incidente e negou pelo menos uma outra denúncia.

    Também na segunda-feira, um vídeo foi publicado nas redes sociais do ator. No clipe de aproximadamente três minutos, chamado “Let me be Frank” ( que tanto pode ser lido como "deixe-me ser franco" quanto "deixe-me ser Frank", em menção ao personagem de Spacey em "House of cards"), o ator faz um monólogo ambíguo, que pode se referir tanto a Underwood quanto a ele próprio.

    'Let me be frank', Kevin Spacey

    "Eu sei o que você quer", diz Spacey. “Ah, claro, eles tentaram nos separar, mas o que temos é muito forte. É muito poderoso. Afinal de contas, nós compartilhamos tudo. Eu te contei meus segredos mais profundos e sombrios. Mostrei do que as pessoas são capazes. Te choquei com a minha honestidade, mas principalmente, te desafiei a pensar. E você confiou em mim, mesmo sabendo que não deveria. Então não terminamos, não importa o que digam".

    Unruh disse em uma coletiva de imprensa no ano passado que Spacey deu a seu filho "bebida após bebida", antes de enfiar a mão dentro de suas calças e tocar seus genitais em um restaurante chamado Club Car. O garoto disse a Spacey que tinha 21 anos, apesar de ter apenas 18, de acordo com a própria mãe. Mas ela alega que “Kevin Spacey não tinha o direito de agredi-lo sexualmente. Não houve consentimento."

    Spacey enfrenta mais de uma dúzia de outras denúncias de assédio sexual. A primeiro veio do ator Anthony Rapp, que acusa Spacey de fazer uma abordagem sexual inadequada em 1986, quando ele tinha apenas 14 anos de idade. Spacey pediu desculpas pelo caso no Twitter e se declarou gay numa declaração que recebeu uma avalanche de críticas.

    Poucos dias depois, ainda em outubro de 2017, o assessor de Spacey publicou uma declaração no "New York Times" afirmando que o ator estava “tomando o tempo necessário para buscar avaliação e tratamento”. Num telefonema ao "Boston Globe", Unruh disse: "Estou satisfeita com o andamento do caso na justiça."

    Em setembro, outra denúncia contra Spacey foi arquivada em Los Angeles. Nesse caso, ele teria assediado um homem em 1992. Spacey também está sendo investigado pelas autoridades de Londres por várias acusações de comportamento inadequado. O vídeo desta segunda-feira foi o primeiro publicado pelo ator desde sua resposta a Rapp em outubro de 2017.


    0 0

    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

    0 0
  • 12/25/18--14:40: Coragem, 2019
  • Ok, já entendi. Privacidade atualmente é um conceito cem por cento obsoleto. Assim como a psicanálise, e, no limite, o silêncio. Por que buscar autoconhecimento se existe toda uma gente no Vale do Silício dando duro pra fazer isso por mim? Pra que conhecer alguém aos poucos se posso dar um Google em seu nome e ler tudo a seu respeito? Qual o sentido de imaginar o passado depois do Instagram? De fantasiar, esperar, receber uma cultura inédita? De conversar, consertar, e até mesmo brigar, se posso dar um block? Um amor é a ideia de um amor, escreveu certa vez Cristovão Tezza, a respeito de seu filho, em “O filho eterno”. Pois bem: um espelho também é a ideia de um espelho.

    A Netflix, por exemplo, parece me conhecer tanto, e me ver tão profundamente, que chegou à conclusão de que eu certamente seria muito feliz assistindo a “Bird box” apenas porque vi as duas temporadas de “Stranger things” em dois dias cada uma. Meu aplicativo do Uber é outro que não fica atrás, e, de tão seguro quanto ao meu subconsciente — e mesmo mais de dois anos depois da minha última visita à Rua Visconde de Ouro Preto —sempre me sugere esse endereço assim que aterrisso em São Paulo. Waze, iFood, Booking, WhatsApp: quem precisa de amigos quando se tem um telefone inteligente te enxergando tanto?

    Só que não, minha gente. Só que nunca. Só que falta. E olha que eu sou digital. Me apaixono através de 140 caracteres, faço amigos no direct, compro presentes do sofá, tento manter minha nota com os motoristas, aceito sugestões de pizzarias novas do meu app de pedir comida, entro em discussão política nos meus grupos de amigos, dou feliz aniversário no Facebook. Sou uma clássica vítima consciente dessa realidade inventada da qual estamos sendo cobaias, acho super cafona gente saudosista, e, se me queixo é porque a conta vem crescendo de forma vertiginosa, isso independentemente da catástrofe das eleições.

    Ei, pessoal de Palo Alto, eu não gosto da Sandra Bullock. Eu não gosto de filme de terror. Eu não frequento aquela rua em São Paulo. Eu não quero ver as fotos do meu ex-namorado. Eu nunca pensei em ir pra Punta Cana. Eu não gosto de risoto. Eu não ouço cantoras que gritam. Eu não votei naquela gente sem coração. Eu sou passional, imparcial, e, por incrível que pareça, gosto do gostar e do desgostar de antigamente.

    Outro dia apareci de surpresa pra visitar uma amiga que não via há tempos. Descobri o endereço de onde ela trabalhava, peguei um avião, mantive a minha pontuação no Uber que me levou até la, interfonei, pedi pra secretária manter segredo, peguei o elevador, passei pela recepção e, depois de tudo isso, tive a sensação de ter subido o Everest, ou de ter desbloqueado várias fases do videogame do meu caçula, tendo como recompensa esse lance analógico de dividir o mesmo ar e o mesmo tempo. Conversamos por duas horas, e, na hora em que nos despedimos, ela disse uma coisa totalmente sem importância, sobre eu estar sempre carregando jornais, o que me fez chorar por uma hora...

    Talvez nada faça sentido nessa época do ano, e a Sandra Bullock de fato não me diz à carne, mas nada fazer sentido com gente que sai do virtual —como o Eduardo Suplicy, protagonista da cena mais bonita da semana —faz tudo valer a pena ainda assim. Coragem pra 2019, leitores. Ninguém solta a mão de ninguém.


    0 0

    RIO — Antes da Lava-jato, com sua enxurrada de delações premiadas, a operação Mãos Limpas, na Itália, marcou a história das investigações criminais ao levar criminosos a dedurarem seus comparsas. E o sucesso da “Mani pulite” (em italiano) ocorreu graças a um informante principal: o mafioso Tommaso Buscetta. Um dos principais líderes da Cosa Nostra, “Don Masino”, como era conhecido, agora terá sua história recontada pelo cineasta Marco Bellocchio no longa “O traidor”.

    Com uma biografia que inclui assassinatos, tráfico de drogas e fugas da justiça italiana, Buscetta, interpretado no filme por Pierfrancesco Favino (de “Crônicas de Nárnia” e “Anjos e demônio”), teve o Brasil como um dos pontos centrais de sua vida. Fugiu para o país pela primeira vez nos anos 70, em meio a uma disputa por poder na máfia siciliana. Pego pela ditadura, foi acusado de tráfico internacional de drogas e extraditado. Conseguiu fugir da cadeia e retornou ao Brasil, de onde foi expulso pela segunda vez em 1983. Foi então que fez o acordo para delatar centenas de criminosos (entre eles, antigos companheiros) e expor as conexões da Cosa Nostra com a política italiana.

    — Ao virar informante Buscetta traiu suas origens, seus princípios e toda sua formação na máfia a qual sempre foi tão fiel. — diz Bellocchio, um dos remanescentes do cinema clássico italiano — O filme é uma busca por entender a complexidade dessa traição. 80405963_SC_O traidor (1).jpg

    O próprio cineasta admite que já traiu muitos de seus princípios (“minha educação católica, por exemplo, o que foi uma traição positiva”). O que Bellocchio nunca renegou, porém, é a paixão pelo cinema — o que fica visível em sua atuação no set. Em uma gravação na praia de Abricó, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o diretor de 79 anos andava descalço de um lado para o outro na areia (com um par de chinelos na mão) para passar instruções para a equipe. Tudo isso sob o sol de 35º do início do verão carioca.

    Cineasta dos detalhes

    Um take de poucos segundo, em que Buscetta atende um telefonema, foi repetido pelo menos uma dezena de vezes até que o diretor se desse por satisfeito. Na mesma tarde, ele recriou cenas do cotidiano de “bon vivant” de Buscetta no Brasil na década de 80. Entre elas: idas à praia, sua torcida na copa de 82 ao ver a Itália vencer o Brasil e seus passeios em clubes da alta elite carioca.

    Nada passa despercebido aos olhos de Bellocchio. Fabiano Gullane, que produz o braço brasileiro do longa ao lado do irmão Caio Gullane, ressalta a preocupação que o diretor italiano possui pelas minúcias da linguagem audiovisual (“seu léxico são as imagens”). É o que também pensa o produtor delegado do longa André Ristum:

    — Ele tem essa preocupação muito grande com o detalhe, com o poder de realidade que a imagem pode passar — afirma. 80405067_SC_O traidor O diretor Marco Bellocchio.jpg

    Ristum, que já trabalhou com Bernardo Bertolucci, morto este ano aos 77 anos, atua também como uma espécie de tradutor cultural, fazendo a ponte entre a produção italiana e brasileira do filme. Assim, atende outra preocupação de Bellocchio: não lançar um olhar estrangeiro sobre outras culturas. O que se reflete, por exemplo, no elenco: se as origens de Buscetta foram filmadas na Itália com atores sicilianos, nas passagens por aqui ele fez questão de trabalhar com figurantes e atores brasileiros.

    Entre eles está Maria Fernanda Cândido, que vive Maria Cristina, última esposa do mafioso, e uma das principais personagens da trama.

    — Ela é de uma família de advogados, muito culta, o que tornou sua a união com Buscetta algo muito inesperado na época. Eles enfrentaram muita coisa para viver um grande amor — conta a atriz sobre sua atuação no longa que entra no circuito de festivais em 2019.

    Coprodução entre Itália, Brasil, Alemanha e França, "O traidor” engrossa o cartel das grandes produções sobre máfia. Gênero que forjou obras-primas como a sequência “O poderoso chefão” ou “Os bons companheiros”, retrata agora um personagem que cometeu o pior dos pecados nos códigos dessas organizações criminosas.

    — Há uma forma ambígua no olhar italiano sobre esse personagem. No começo, muitos sicilianos viam seu gesto como se fosse uma traição à sua civilização. Porém, de forma geral, sua delação passou a ser enxergada positivamente, pois colaborou para elucidar a organização e o poder da máfia em nossa sociedade — analisa Bellocchio.


older | 1 | .... | 1043 | 1044 | (Page 1045) | 1046 | 1047 | .... | 1056 | newer