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    RIO - Apontado por Laéssio Rodrigues de Oliveira como receptador papéis raros roubados de arquivos históricos do Brasil, o colecionador Ruy Souza e Silva escreveu ao GLOBO dizendo-se "indignado" com as acusações "inteiramente mentirosas". Laéssio, conhecido como o maior ladrão do gênero no país, conta que realizou muitos roubos a pedido de Souza e Silva, que afirma ter sido seu maior cliente.

    — Jamais "encomendei" qualquer roubo como Laéssio afirma, e não conheço qualquer colecionador que fosse capaz de fazê-lo — diz Souza e Silva, por e-mail. — Laéssio roubou o que lhe parecia fácil de vender, peças que, por sua raridade ou beleza, facilmente seduziriam qualquer interessado ou museu. Desafio Laéssio a produzir qualquer comunicação minha em que lhe peça qualquer roubo. Só possui de mim os cheques pelas peças que lhe comprei em boa-fé quando ignorava que era um criminoso.

    Nesta segunda-feira, a Polícia Federal anunciou a devolução de quatro peças roubadas da Biblioteca Nacional (BN) por Laéssio, que estavam em posse do Itaú Cultural. O ladrão afirma que Souza e Silva — ex-marido de Maria Alice Setubal, que vem a ser filha de Olavo Setubal, banqueiro do Itaú — comprou as peças dele.

    Em março, Laéssio já havia revelado que oito gravuras do alemão Emil Bauch, de 1852, expostas na instituição paulistana, pertenciam, na verdade, à biblioteca carioca. Peritos foram acionados e confirmaram a informação. Logo a seguir, as obras foram devolvidas à BN. As peças haviam sido adquiridas por Souza e Silva, que alegou tê-las comprado na loja Maggs Bros, em Londres.

    'Não sou e nunca fui receptador'

    Leia a íntegra da resposta de Souza e Silva:

    "Reajo indignado às acusações do ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira que são inteiramente mentirosas e tem como único propósito manter esse réu confesso na mídia. Esse é o principal objetivo de um criminoso que mutilou inúmeras obras preciosas de acervos públicos para arrancar as gravuras e roubou, com sua quadrilha, milhares de peças importantes do nosso patrimônio cultural. A ânsia por fama de Laéssio chega a tal ponto que sugere Daniel de Oliveira e Caio Blat para fazer seu papel num filme sobre sua vida!

    É já lamentável que um documentário recente tenha querido glamurizar um criminoso comum apenas porque ele é articulado. É absurdo que se tolere que, para não ser esquecido, invente tudo que possa chamar a atenção da mídia e envolva pessoas e instituições de boa reputação alegando que praticou seus roubos a meu pedido.

    Pelo que sei, entre 2003 e 2007, Laéssio e seus capangas pilharam mais de 15 importantes instituições brasileiras, sempre subornando guardas, entre as quais: Biblioteca Nacional, Itamaraty, Arquivo Nacional, UFRJ e Museu Nacional no Rio de Janeiro, e o Museu Paulista e a Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo. Já foi condenado a mais de trinta anos de prisão e ao pagamento de danos materiais de R$ 1.455.000 somente em relação a um dos crimes: o roubo da Mapoteca do Palácio Itamarati.

    Há dois anos, após ter cumprido diversas penas de prisão, esse criminoso foi preso ao vivo tentando roubar a biblioteca da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), como gravado em vídeo divulgado pela Globo News em 31 de outubro de 2016, na investigação conduzida pela Policia Civil de São Paulo. O que mostra o mal que este sociopata ainda pode fazer ao nosso patrimônio cultural.

    A ânsia por fama de Laéssio chega a tal ponto que sugere Daniel de Oliveira e Caio Blat para fazer seu papel num filme sobre sua vida!Depois dos roubos, Laéssio e sua quadrilha espalhavam as peças roubadas pelas feirinhas de antiguidades e usavam vários intermediários para vendê-las aos compradores finais.

    Não havia qualquer notícia de roubos nas instituições públicas quando comprei peças de Laéssio Rodrigues no período de 8 meses de outubro de 2003 e maio de 2004 e dei-lhe os cheques em pagamento que agora apresenta.

    Julguei tratar-se de mais um dos inúmeros 'sacoleiros' que fornecem aos leilões e às livrarias antiquárias com as peças antigas que obtém junto a famílias ou espólios. Laéssio fora de fato sacoleiro antes de começar sua carreira de criminoso.

    Jamais 'encomendei' qualquer roubo como Laéssio afirma, e não conheço qualquer colecionador que fosse capaz de fazê-lo. Laéssio roubou o que lhe parecia fácil de vender, peças que, por sua raridade ou beleza, facilmente seduziriam qualquer interessado ou museu.

    Desafio Laéssio a produzir qualquer comunicação minha em que lhe peça qualquer roubo. Só possui de mim os cheques pelas peças que lhe comprei em boa-fé quando ignorava que era um criminoso.

    As oito gravuras de Bauch que comprovadamente foram roubadas por Laéssio da Biblioteca Nacional podem ter passado por diversas mãos até alguém vendê-las à casa londrina Maggs, onde as comprei há 13 anos. Foram posteriormente revendidas à coleção Itaú, e expostas no Itaú Cultural por vários anos.

    Quando desse lamentável episódio das oito gravuras de Bauch, entreguei em 25 de abril de 2018 uma carta à Dra. Helena Severo, Presidência da Biblioteca Nacional colocando-me à disposição dos seus técnicos e especialistas para realizarem uma visita irrestrita as instalações que abrigam toda a minha coleção de livros, gravuras, mapas e fotografias, localizadas em São Paulo. Este convite fica aqui ratificado na sua plenitude.

    Nunca compactuei com qualquer crime. Ao contrário, denunciei junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro, em 2005, que me haviam sido vendidas peças recém-roubadas da Biblioteca Nacional. Colaborei ativamente com o inquérito. Devolvi todas as peças furtadas que porventura tenha chegado às minhas mãos tão logo soube de sua proveniência.

    Não sou e nunca fui receptador como diz Laéssio. No seu afã de aparecer e conseguir algum lucro, o criminoso me chantageia há seis anos com inúmeras cartas pedindo dinheiro e ameaçando 'sujar' meu nome e o do Itaú Cultural. Nunca caí na sua chantagem. Laéssio tenta agora sua última cartada para fugir do anonimato e 'brilhar' na mídia, que às vezes não distingue os que a cortejam a qualquer custo por estrelismo.

    Processei Laéssio por difamação e calunia tão logo começaram suas ameaças e espero que seja punido por mais este crime, e apenas lembrado no futuro como um criminoso deplorável."


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    HAVANA - O Festival de Cinema de Havana terá sua 40ª edição em dezembro, com um programa reduzido, mas tentando manter os preceitos originais. O evento se adaptou à nova realidade: menos filmes, menos cinemas, menos espectadores.

    "Se algo me anima a sentir que o Festival de Havana permanece vivo é justamente porque não é mais o mesmo. Alguns podem sentir nostalgia de tempos passados, mas o importante é marchar em sincronia com os anos", declarou Fernando Pérez, o mais importante cineasta cubano vivo.

    Pérez, que venceu o festival com "Hello Hemingway" (1990), "La vida es silbar" (1998) e "Suite Habana" (2003), participa na edição de 2018 (6 a 16 de dezembro) com "Insumisas".

    "O festival cresceu muito, sobretudo no fim dos anos 1980, com a influência de Fidel Castro, a criação de uma Escola Internacional e a Fundação do Novo Cinema Latino-Americano, que era dirigida por Gabriel García Márquez", explica o diretor do evento, Iván Giroud. Festival Havana 0412

    Na época, quase 500 filmes eram exibidos nos 88 cinemas de Havana. Meio milhão de espectadores lotavam as salas.

    Mas a crise econômica dos anos 1990 e depois a era digital mudaram o panorama. Os cinemas de bairro desapareceram. Hoje, Havana tem 21 cinemas, poucos deles com tecnologia digital.

    Atualmente, o festival dispõe apenas de oito salas de cinema em Havana, além de outras pequenas salas institucionais.

    O número de espectadores também caiu: 4,4 milhões de cubanos foram ao cinema em 2012; em 2017, foram 2,3 milhões.

    "O festival tinha uma hiperprogramação para uma infraestrutura que era incapaz de sustentar", explica Giroud.

    Ele destaca um "reajuste" para uma programação "mais coerente com a infraestrutura que temos".

    Pouco mais de 300 filmes serão exibidos este ano.

    Embora menor, o festival terá participantes ilustres: os americanos Matt Dillon, Michael Moore e Geraldine Chaplin; o porto-riquenho Benicio del Toro; e o sérvio Emir Kusturica.

    Kusturica abrirá o evento com "Pepe, uma vida suprema", documentário sobre o político e ex-presidente uruguaio José Mujica.

    Na disputa oficial de longas-metragens de ficção, serão exibidos 20 filmes: cinco da Argentina, dois do Brasil, um do Chile, dois da Colômbia, três de Cuba, quatro do México, dois do Uruguai e um da Venezuela.

    Fora da competição, o evento terá uma exibição especial de "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón, um dos filmes latino-americanos mais importantes do ano, segundo os críticos.

    O festival também terá exibições especiais dos americanos "The sisters brothers" e "Infiltrado na Klan", além das produções francesas "Doubles vies" e "La dernière folie de Claire Darling", entre outros.


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    RIO — Após seis anos, a Petrobras lançou nesta terça-feira a primeira chamada pública em âmbito nacional para o Programa “Petrobras Música em Movimento 2018”, que tem como objetivo selecionar projetos musicais a serem patrocinados pela companhia. O valor do patrocínio é de R$ 10 milhões, e não há um número definido de projetos a serem contemplados. A ênfase será em inovação e formatos contemporâneos de engajamento do público em três categorias: shows, festivais e projetos inovadores.

    — Este chamamento marca uma retomada, já que o último em nível nacional havia sido em 2012. Com a crise que emergiu por conta da Lava-jato, aproveitamos para estudar outras prioridades de atuação e, de lá para cá, fizemos uma série de reestruturações — explica Diego Pila, gerente de Patrocínios e Eventos da Petrobras. — Agora, voltamos a ter a possibilidade de usar a Lei Rouanet. E o programa ficou mais focado em menos áreas de atuação.

    Segundo Pila, foram mantidas três linhas: música, audiovisual e artes cênicas. Ficaram de fora áreas como literatura, restauros e patrimônio imaterial:

    — Fizemos um estudo dos últimos oito anos de patrocínios para avaliar o que tinha dado mais retorno para a companhia e os terrenos onde tínhamos mais propriedade, onde a Petrobras tinha uma participação mais relevante. Percebemos que música era a carteira mais deficitária. Mas, ainda em 2019, vamos lançar chamamentos para audiovisual e artes cênicas, provavelmente na mesma faixa (R$ 10 milhões).

    Lançado em 2003, o Petrobras Cultural é o programa de patrocínio cultural da empresa, que trabalha com escolhas diretas (por histórico de patrocínio ou por propostas recebidas e consideradas interessantes) e por chamamentos. Mesmo sem chamamentos nacionais há tanto tempo (em 2104 houve um regional, para Minas Gerais), portanto, o programa nunca foi interrompido. Entre 2013 e 2018, por exemplo, projetos como os do Grupo Corpo, de Deborah Colker e festivais de música e de cinema continuaram sendo financiados. Mas a quantidade e os valores investidos caíram muito. Em 2013, forma aplicados R$ 203 milhões em 192 projetos contratados. No ano passado, esses números caíram para R$ 61 milhões e 62 projetos.

    Nas categorias desta primeira chamada, voltada para o segmento de música, serão priorizadas propostas que apresentem novas formas de difusão e participação, assim como ideias e tecnologias inovadoras. Os projetos podem ser apresentados até 4 de janeiro de 2019 e devem ser executados a partir de julho.

    A chamada feita nesta terça-feira está dividida em três segmentos: circulação de shows, festivais e projetos inovadores. A categoria “Circulação de shows” terá duas faixas: a “Novos Talentos” contempla projetos até R$ 350 mil, com pelo menos quatro shows em três estados diferentes. A faixa “Grande circuito” é destinada a projetos entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão, com o mínimo de sete shows em quatro estados.

    No caso dos “Festivais”, uma faixa patrocinará projetos de até R$ 600 mil, para realização de duas edições. A outra faixa contempla projetos entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, também para duas edições.

    Já a categoria “Projetos inovadores” tem verba de até R$ 2 milhões. É voltada a iniciativas que apresentem novos formatos e tecnologias: plataformas digitais, experiências de realidade virtual ou aumentada, exposições interativas, cobertura virtual de turnês e canais de música.

    — Não definimos quanto para cada projeto nem quantos projetos por categoria. Buscamos projetos mais contemporâneos, que tragam mais engajamento com o público — diz o coordenador de Patrocínios Culturais da Petrobras, Milton Bittencourt. acrescentando que, no segmento de shows, além das duas faixas previstas, haverá uma faixa bônus. — Após a seleção, vamos realizar um evento para que nossos funcionários votem no melhor entre os selecionados para novos talentos. O mais votado vai ter a circulação extendida a mais três cidades.

    Ainda de acordo com Bittencourt, terceiro segmento é mais aberto, para receber projetos de inovação, coisas "fora da caixinha":

    — Esta é a categoria realmente inovadora. Nas demais, temos participações importantes ao longo dos anos. Um exemplo do que buscamos é um projeto do Lenine, apresentado em dezembro de 2017, que patrocinamos com R$ 1,2 milhão. Ele modificou as coisas como são feitas normalmente, inclusive com sessões de streaming durante o processo criativo e ganhou um Grammy. É um norte para pensarmos.

    As inscrições para o chamamento são gratuitas e deverão ser feitas pelo site www.petrobras.com.br/ppc.


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    RIO — Dois mil e dezoito foi o ano de Drake. O rapper foi o artista mais tocado do ano nas duas principais plataformas de streaming, Spotify e Apple Music. Na primeira, o canadense registrou 8,2 bilhões de reproduções e é o músico mais ouvido de todos os tempos no aplicativo. No Brasil, o sertanejo manteve seu domínio.

    A dupla sertaneja Zé Neto & Cristiano foi a mais ouvida tanto no Spotify quanto no Deezer — em ambas as plataformas, Jorge & Mateus, Anitta e Marília Mendonça aparecem entre os quatro primeiros colocados. Wesley Safadão completa o top 5 do Deezer, e Matheus & Kauan, no Spotify.

    Links mais ouvidas de 2018

    Apesar da liderança no ranking geral, Zé Neto & Cristiano não emplacaram nenhum hit no top 5 de músicas mais tocadas no Brasil. Neste, o primeiro lugar é de Jorge & Mateus, com "Propaganda". O sucesso "Vai malandra", lançado no fim de 2017 por Anitta e com participações de Mc Zaac, Maejor, Tropkillaz e DJ Yuri Martins, ficou em segundo. A cantora divide o terceiro lugar com Matheus & Kauan na música " Ao Vivo e a Cores". Em quarto ficou "Ta Tum Tum", de MC Kevinho e Simone & Simaria. Fecha o ranking "Apelido Carinhoso", de Gusttavo Lima.

    Atrás de Drake na lista mundial, aparecem os rappers americanos Post Malone e XXXTENTACION — assassinado a tiros em junho deste ano —, o cantor colombiano J Balvin e o britânico Ed Sheeran completando o top 5 de músicos mais escutados no Spotify. "Scorpion", o aclamado quinto álbum de Drake, é o mais ouvido da plataforma, seguido por "beerbongs & bentleys", de Post Malone; "?", de XXXTENTACION, "Dua Lipa", de Dua Lipa, e "÷", de Ed Sheeran.

    Drake - God's Plan

    No ranking da Apple Music, os dois primeiros discos da lista do Spotify também lideram, porém "Invasion of Privacy", da rapper Cardi B, tomou o terceiro lugar de "?", que figura em quarto. "ASTROWORLD", do também rapper Travis Scott, é o quinto disco de maior sucesso na plataforma.

    Três das cinco músicas mais tocadas do ano na Apple Music são de Drake: "God's Plan", em primeiro lugar; "Nice For What", em segundo; e "In My Feelings", em quarto. Aparece em terceiro "rockstar", de Post Malone, com participação especial de 21 Savage. Também é de Malone "Psycho" (com Ty Dolla $ign), a quinta música mais executada.

    XXXTENTACION furou o domínio de Drake e Post Malone no Spotify: "SAD!" foi a segunda canção mais ouvida, depois de "God's Plan". Em terceiro e quarto lugares ficaram "rockstar" e "Psycho", de Malone. Drake fecha o top 5 com "In My Feelings".

    Ariana Grande, Dua Lipa, Cardi B, Taylor Swift e Camila Cabello foram as mulheres mais ouvidas do Spotify. Dentro os conjuntos musicais, Imagine Dragons, a sensação do K-Pop BTS, Maroon 5, Migos e Coldplay lideraram.


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    RIO — A arrecadação de direitos autorais por cineastas, atores e roteiristas de cinema e TV — a exemplo do que já acontece hoje com os músicos — ficou mais perto de virar realidade.

    O Ministério da Cultura (MinC) autorizou nesta segunda-feira que entidades representativas dessas três classes de profissionais possam realizar a cobrança.

    Na prática, eles poderão receber direitos autorais oriundos da veiculação de filmes, séries e telenovelas em que trabalharam toda vez em que as obras forem exibidas em cinemas, TVs, plataformas de streaming e locais públicos.

    Hoje em dia, isso não ocorre. Somente os músicos, por meio do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), recebem a taxa, conforme previsto na Lei dos Direitos Autorais (Lei nº 9.610), que completa 20 anos em 2018.

    No audiovisual, as entidades responsáveis por recolher os valores são DBCA (Diretores de Cinema e do Audiovisual), Gedar (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) e Inter Artis Brasil (Associação de Gestão Coletiva de Artistas e Intérpretes do Audiovisual do Brasil). Direitos autorais

    Elas representam, respectivamente, os diretores de cinema, televisão e animação; os roteiristas e novelistas; e os atores e atrizes. O cineasta Sylvio Back, presidente da DBCA, diz que a cobrança é um "direito pelo qual lutamos há mais de quatro anos."

    A taxa seria cobrada dos "usuários", isto é, de quem exibe o produto audiovisual.

    — Se um hotel exibir uma novela em sua televisão, por exemplo, deverá pagar a quem tem direito — esclarece o roteirista Marcílio Moraes, presidente da Gedar.

    Moraes explica que detalhes sobre como será feita a cobrança não foram definidos. As entidades ainda farão um estudo internacional para ver como outros países determinam o valor da taxa de direitos autorais.

    Ele lembra ainda que a questão não tem relação com os chamados direitos conexos, pelos quais artistas recebem dinheiro quando uma telenovela é vendida para outro país.

    — Existe essa confusão porque os canais são exibidores e produtores ao mesmo tempo. Nossa luta é por cobrar especificamente dos exibidores — reforça Moraes.

    Os exibidores ainda podem recorrer. Caso aprovado, o pagamento de direitos autorais não será retroativo.

    — Essa história ainda está vaga, na esfera da possibilidade. O que eu posso afirmar é que já somos extremamente onerados, pagamos direitos autorais até ao Ecad por causa da trilha sonora dos filmes. Qualquer tipo de taxa extra provavelmente vai implicar em ingressos mais caros para o consumidor — avalia Gilberto Leal, presidente do Sindicato de Exibidores do Estado do Rio de Janeiro, que representa cinemas pequenos e médios.

    Em nota, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirma que a "habilitação gera impactos positivos na cadeia produtiva do setor, além de seguir um enquadramento legal."

    Sá Leitão reiterou que o papel do ministério será apenas o de fiscalizar as entidades arrecadadoras.

    Em julho, um manifesto em defesa da regulamentação do setor foi entregue ao MinC. Assinaram o texto mais de 350 nomes, entre eles Anna Muylaert, Carolina Ferraz, Cacá Diegues, Fernando Meirelles, Walter Salles e Glória Pires, esta presidente da Inter Artis.

    As negociações devem seguir no próximo governo, no qual o MinC não vai mais existir. Suas funções serão anexadas ao Ministério da Cidadania, comandado pelo deputado Osmar Terra (MDB-RS).


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    AMSTERDÃ - Johannes Vermeer, artista que capturou a beleza tranquila da vida doméstica holandesa, não era um pintor prolífico: apenas 36 telas são reconhecidas como suas. Ainda assim, qualquer um que quisesse ver essas obras precisava fazer uma longa viagem passando por Nova York, Londres, Paris e além. Mas isso mudou.

    O museu Mauritshuis, em Haia, que detém a obra mais conhecida de Vermeer, "Menina com brinco de pérola", fez uma parceria com o Google Arts & Culture para criar uma galeria virtual com todas as obras do artista.

    VERMEER_APP_3_1812433.JPGPara o aplicativo, o Metropolitan Museum of Art contribuiu com imagens de todas as suas cinco obras-primas de Vermeer, enquanto a National Gallery of Art, em Washington, e o Rijksmuseum, em Amsterdã, oferceram quatro cada. Mais dois vieram do Louvre e três da Coleção Frick.

    O Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston, ofereceu uma imagem de "O Concerto", o Vermeer que havia desaparecido após ser roubado em 1990. Agora a tela poderá ser vista no Meet Vermeer, o museu digital. O aplicativo gratuito pode ser acessado por qualquer smartphone equipado com câmera.

    — É um daqueles momentos em que a tecnologia faz algo impossível no mundo real, pois essas telas nunca poderiam ser reunidos — diz Emilie Gordenker, diretora do Mauritshuis.

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    Ela explica que algumas das pinturas do século XVII eram muito frágeis para viajar, enquanto outras estavam em coleções particulares. E mesmo sob circunstâncias diferentes, seria improvável que todos os proprietários estivessem dispostos a compartilhar seus premiados Vermeers ao mesmo tempo.

    As 18 coleções particulares e de museus que possuem as pinturas da Vermeer, no entanto, se mostraram dispostas a fornecer arquivos de imagem digital de alta resolução das telas para o projeto.

    Vermeer, uma figura um tanto misteriosa que viveu e trabalhou em Delft, na Holanda, teria criado cerca de 45 pinturas durante uma carreira de quase duas décadas. Algumas teriam desaparecido.

    Além das 36 obras que a maioria dos acadêmicos consideram autênticas, outras pinturas lhe foram atribuídas. Como o mundo da arte continua a debater a sua autoria, Gordenker disse que o museu virtual não as incluiria.

    VERMEER_APP_2_1812432.JPGEmbora muitas dessas imagens já estejam nos sites dos museus, Gordenker queria dar ao público a sensação do tamanho das pintutas entre si — algo difícil de transmitir em uma imagem plana na tela.

    No aplicativo, a primeira sala é dedicada aos primeiros trabalhos de Vermeer. O resto do museu é organizado tematicamente. Laurent Gaveau, diretor do Laboratório de Artes e Cultura do Google, uma organização sem fins lucrativos desenvolvido para experimentar novas maneiras de fazer arte e cultura acessível ao público, diz que esse foi o primeiro museu virtual criador pela empresa, mas ele certamente imagina que outros virão.

    — Podemos pensar vários tipos de museus que nunca existiram — disse em entrevista por telefone, deixando claro que não há nenhum outro projeto em andamento — Queremos ver como as pessoas vão reagir a esse e saber, do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista do usuário, o que deu certo e o que pode ser melhorado.

    Links artes visuaisAs pinturas da Vermeer são reproduzidas em todos os tipos de formatos, desde cartazes até bolsas e guarda-chuvas. Mas conforme a tecnologia melhora e as pessoas passam a ter a possiblidade de uma experiência virtual de qualidade, Gordenker não se preocupa que os turistas se sintam menos motivados a buscar a experiência real? Não, ela responde.

    — Quanto mais informações compartilhamos, incluindo imagens, mais as pessoas querem ter a experiência autêntica de ver a obra como uma presença física real. — opina. — Um dos motivos pelos quais os museus vem se tornado cada vez mais relevantes, com o público cada vez maior, são as tecnologias digitais. Elas quebram barreiras e tornam tudo muito mais acessível.

    #MeetVermeer - The Dutch Master behind the Girl With A Pearl Earring


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    RIO — O diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak, e o secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro, decidiram proibir o áudio de uma instalação com a voz do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que seria exibida a partir de hoje na Casa. A obra faria parte da mostra "Literatura Exposta", que reúne dez artistas e coletivos de artes visuais. Batizada de “A voz do ralo é a voz de Deus”, a instalação foi criada pelo coletivo És uma Maluca e é composta de 6 mil baratas de plástico em volta da tampa de um bueiro, do qual saem trechos de discursos do presidente eleito. Não considero censura. Eu só tenho que preservar a imagem de um presidente eleito. Não vou permitir que isso aconteça em um equipamento público do estado

    Cada artista ou coletivo havia sido provocado a criar uma obra a partir da releitura de um texto de um escritor considerado periférico. O trabalho do És uma maluca inspirou-se no conto "Baratária", do escritor Rodrigo Santos, de São Gonçalo. O texto fala de uma mulher torturada com baratas introduzidas em sua vagina na período da ditadura militar.0b829fb2-8fe7-458b-a6db-a742e37c8983.jpg

    — Não nos interessa, no momento, envolver um presidente eleito, que ainda nem tomou posse. O artista é dono de sua obra, mas nós temos responsabilidade pelo espaço, que é público — afirmou Chediak, que é teatrólogo, cineasta e jornalista, acrescentando que vai conversar com os artistas do coletivo para que tirem da obra a referência a Bolsonaro. — Isso eu não vou permitir. O presidente foi eleito pela maioria dos brasileiros e merece respeito.

    Chediak disse, ainda, que se considera traído pela curadoria da mostra, pois não foi informado previamente sobre o conteúdo da instalação.

    Isso eu não vou permitir. O presidente foi eleito pela maioria dos brasileiros e merece respeito

    Leandro Monteiro defendeu a decisão de impedir que o áudio com trechos de discursos de Bolsonaro seja utilizado:

    — Não considero censura. Eu só tenho que preservar a imagem de um presidente eleito. Não vou permitir que isso aconteça em um equipamento público do estado.

    Após uma reunião com Chediak que terminou pouco antes da abertura da exposiçao, às 19h, o curador da mostra, Álvaro Figueiredo, informou que o áudio da instalação seria trocado.

    — Tem toda uma questão jurídica de direitos autorais que não conhecemos bem. Não vale a pena correr este risco. Então, achamos melhor não usar a voz de ninguém — disse Figueiredo, sem, no entanto, saber qual seria o som usado na instalação.

    Procurados pelo GLOBO, antes e depois da reunião entre o curador e o diretor da Casa França-Brasil, os artistas do coletivo És uma Maluca informaram que não dariam entrevista. A princípio, disseram por mensagem que ainda estavam discutindo como proceder. Depois, que se manifestariam pelas redes sociais em outro momento. A exposição está prevista para acontecer até 14 de janeiro.


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    Eu comecei minha biblioteca roubando livros. O que me tira parte da culpa é que nunca roubei de pessoas físicas, só de pessoas jurídicas. Também nunca roubei em livrarias, elas não faziam parte do meu desejo, imagina uma menina preta com blusa de escola pública entrando em livraria nos anos 2000?

    Eu levava livros de bibliotecas e tinha a regra de só levar livros que tivessem mais de um exemplar. Achava desnecessárias cinco edições de um mesmo livro na estante e nenhum na minha casa. Mas como ainda não descriminalizaram o roubo de livros para consumo próprio, me redimi doando livros para bibliotecas comunitárias depois de adulta.

    Talvez meu primeiro livro comprado tenha sido em alguma Bienal, provavelmente algum clássico dessas coleções “para gostar de ler” e que cabia no meu orçamento de R$ 5. O último livro que roubei foi de uma casa que tinha uma pilha de livros no banheiro, porque alguém que guarda livros no banheiro com certeza não merece tê-los. Eu avalio as pessoas pelos livros que elas têm.

    A “crise das editoras” me lembrou do episódio dos livros no banheiro. Eu estava levemente preocupada até ler a carta de amor aos livros do Dênis Rubra: “eu não amo os livros, ok? mas parem de falar em ‘falência do mercado editorial’, porque não tem nada a ver esse verbo ‘falir’ associado a um mercado que nunca deixará de existir. Livrarias podem falir. Editoras podem falir.”

    O Dênis é um trabalhador do livro: revisa livro, edita livro, carrega caixa de livro, escreve livro e então, se ele disse, eu acredito. Dênis me acalmou porque me lembrou que todo mundo pode falir, todo mundo pode falhar, todo mundo vai morrer.

    Desculpe, mas eu não compro livros para salvar livrarias, eu compro livros pra salvar pessoas. Principalmente a minha pessoa! Talvez se o “mercado” tivesse se preocupado com a formação de novos leitores, com o incentivo à leitura, o financiamento de bibliotecas e livrarias nas periferias e outras tantas ações, a crise, que chegou para todos, fosse mais suave.

    Querem vender muito não só no Natal mas o ano inteiro? Deem formação para que seus seguranças e vendedores saibam receber pessoas negras nas lojas. Incentivem a publicação de novos autores, novas vozes, novos corpos, novas perspectivas de mundo. Não é à toa o sucesso da coleção Feminismos Plurais, a estrondosa venda de “Na minha pele”, do Lázaro Ramos, e “O sol na cabeça”, do Geovani Martins. Novos autores trazem junto novos leitores e novos compradores.

    Se a gente só faz autocrítica a cada dois ou quatro anos dá no que deu, taokei? “Ouça mais Racionais e pague melhor os seus funcionários”, como escreveu João Brizzi.

    Eu me lembro do Marcus Faustini e das respostas que dava quando era cobrado sobre sustentabilidade, da pressão sobre os projetos, os pequenos empreendedores e as pessoas físicas para serem sustentáveis, enquanto bancos devem milhões, bilhões. E aliás, quem deu tanto crédito pra essas livrarias, gente?

    Soa muito esquisito na minha cabeça convocar pessoas físicas para “salvar” pessoas jurídicas, ainda que essas empresas trabalhem com um patrimônio que não tem preço, que é o conhecimento. É que, no Brasil, 40% da população estão inadimplentes, isso são mais de 61 milhões de brasileiros. Eu amo os livros, eles me salvaram, mas se pudesse escolher, eu salvaria essas pessoas nesse Natal.

    A boa notícia é que aceitei um convite para publicar, então, no próximo Natal, comprem meu livro!


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    SÃO PAULO — Em 1970, em uma entrevista ao talk show do comediante inglês David Frost, a soprano greco-americana Maria Callas (1923-1977) explicou por que não se defendia das críticas da imprensa, que às vezes censurava seu temperamento “intempestivo”. Callas disse confiar que o tempo lhe faria justiça e que suas réplicas seriam inúteis, porque a última palavra era sempre dos “homens dos jornais”.

    Quatro décadas depois da morte da soprano, o fotógrafo e cineasta francês Tom Volf arrumou um jeito de garantir a Callas o direito à última palavra. Volf dirigiu o documentário “Maria Callas — Em suas próprias palavras”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros e passa em revista a vida e a carreira da soprano: dos primeiros anos entre Nova York e a Grécia ao sucesso nos palcos, sem descuidar de sua conturbada vida pessoal, que às vezes lembrava uma ópera. Links ópera

    O documentário é costurado com imagens de arquivo, entrevistas e filmes caseiros — e é narrado pela própria Callas. Ou melhor: é narrado pela mezzo-soprano americana Joyce DiDonato, que lê as cartas que Callas enviou, ao longo da vida, para parente e amigos, como Elvira de Hidalgo (1891-1980), sua professora no conservatório de Atenas, e Grace Kelly, atriz de Hollywood e princesa de Mônaco.

    — Ninguém nunca tinha contado a história de Callas da perspectiva dela, e não a das fofocas — disse Volf, por telefone, de Paris. — Eu também quis mostrar como ela vivia essa dupla realidade: era Maria e era Callas, a mulher e a artista. Ao longo da vida, uma sempre precisou se sacrificar pela outra. Primeiro, Maria por Callas; depois, Callas por Maria.

    A própria Callas, na entrevista a Frost, afirmou ser duas mulheres: “La Callas”, a prima-dona, e “Maria”, que só queria ser mãe e cuidar de um homem a quem amasse de verdade. La Callas quase sempre levou a melhor, mas Maria se esforçava para impor sua vontade, como ao se divorciar do marido, Giovanni Battista Meneghini, e embarcar em um turbulento romance com o armador grego Aristóteles Onassis, que a abandonou para se casar com Jacqueline Kennedy, ex-primeira-dama dos Estados Unidos. Maria Callas - Em Suas Próprias Palavras - Trailer HD legendado

    Além das cartas, Volf encontrou na música um eco do que se passava na vida íntima de Callas. Quando narra o tempestuoso romance dela com Onassis, o documentário exibe algumas cenas de “Carmen”, ópera que Callas interpretou no começo dos anos 1960 e que apresenta o amor como “um pássaro rebelde”.

    Volf é um admirador recente de Callas. Até seis anos atrás, ele nunca tinha ouvido falar dela.

    — Eu morava em Nova York e não entendia nada de ópera ou música clássica, mas trabalhava perto da Metropolitan Opera House e, uma noite, entrei e assisti a uma apresentação de “Maria Stuarda”, de Gaetano Donizetti —contou. —Fiquei apaixonado por aquela música e, quando cheguei em casa, comecei a pesquisar sobre ópera e Donizetti, Encontrei uma gravação de Maria Callas, Foi uma revelação para mim. Comecei a ouvi-la e pesquisar sobre ela. Acho que foi o destino.80105351_O cineasta francês Tom Volf de Maria Callas -- Em suas próprias palavras. Crédito Kelly Wil.jpg

    Volf escavou tanto material em suas pesquisas que, antes de estrear o filme, publicou três livros que reúnem cartas, trechos dos diários de Callas, entrevistas e fotografias desconhecidas: “Lettres & mémoires inachevées” (“Cartas e memórias inacabadas”), “Callas confidential” e “Maria by Callas”. No ano passado, ainda organizou uma exposição em Paris para lembrar os 40 anos da morte da soprano. A exposição “Maria by Callas” passou por Mônaco neste ano e desembarcará em Moscou em 2019.

    — O filme, os livros, a exposição, todo o meu trabalho são apenas meios para dar voz a Callas — disse Volf.

    Aliás, Joyce DiDonato, que dá literalmente voz a Callas no filme, foi quem se apresentou naquela noite nova-iorquina quando Volf se encantou pela ópera.

    — Joyce é responsável por minha paixão pela ópera e por minha jornada com Callas. Quando decidi incluir as cartas no filme, não pensei em outra pessoa para interpretar a voz de Maria. Tinha que ser ela.


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    MIAMI BEACH - Uma das maiores vitrines para a arte brasileira no mercado americano, a Art Basel Miami Beach chega à 17ª edição do dia 6, quinta-feira, ao dia 9, domingo (com preview para convidados nesta quarta), levando ao balneário da Flórida 268 galerias de 34 países. Entre elas, estão 14 brasileiras, na seção principal ou em setores como Positions (dedicado a solos), Nova (voltado a trabalhos criados nos últimos três anos, de até três artistas) e Survey (que pode incluir tanto uma pesquisa histórica de um artista ou justaposições de diferentes abordagens).

    Nomes de peso do mercado brasileiro voltam à feira, a maior dos Estados Unidos, a exemplo da Nara Roesler (com sedes em São Paulo, no Rio e em Nova York), a paulistana Luisa Strina, a Mendes Wood DM (que, inaugurada na capital paulista, abriu no ano passado espaços em Nova York e Bruxelas) e a Fortes D’ Aloia & Gabriel (presente em São Paulo e no Rio). Segundo Noah Horowitz, diretor da feira para as Américas, mesmo dentro de um contexto de crise econômica o país consegue manter sua participação de forma eficiente, abrindo espaço para novos negócios nos EUA.

    — O Brasil segue como o país mais bem representado da América Latina na feira, mantendo uma presença que vêm se consolidando nos últimos 15 anos — observa Horowitz. — Além de galerias que participam há várias edições, e que estabeleceram uma boa relação com colecionadores americanos, essa posição é reforçada por empresas mais jovens, que voltam à feira e mudam de setor.

    DIÁLOGO ENTRE AS AMÉRICAS

    Para o diretor, além das vendas, a presença na feira favorece a aproximação com as instituições americanas.

    — O Brasil vem tendo presença cada vez maior nas instituições americanas, e a feira também é uma plataforma para aproximar curadores dos artistas e galerias e favorecer diálogos entre as Américas. Exposições como “Mulheres radicais”, em que brasileiras tiveram bastante destaque, é um exemplo das possibilidades — comenta Horowitz, em relação à coletiva montada no Hammer Museum, em Los Angeles, em 2017, e que esteve em cartaz na Pinacoteca de São Paulo até 19 de novembro.

    Duas das artistas na mostra “Mulheres radicais”, Lenora de Barros e Wanda Pimentel, terão trabalhos exibidos pela carioca Anita Schwartz. A diferença em relação à exposição é que, em vez de obras produzidas entre os anos 1960 e 1980, vai à feira a produção recente das artistas — a galeria estará na seção Nova, incluindo também trabalhos de Estela Sokol.

    — Em 2016 apresentamos um solo da Wanda, agora estamos levando obras da série “Geometria/flor”, que pode surpreender o público pela diferença com as suas obras mais conhecidas, com pegada mais pop. Da Lenora teremos fotos e esculturas, e a Estela, que é de uma geração posterior, terá obras da série “Ibiza”, criando um contraponto interessante — detalha Anita. — Apostamos em três artistas com uma marca muito forte, num momento que propicia este olhar.

    80107457_SC - Miami Basel 2018 - Sem título da série Geometria-flor de Wanda Pimentel. Galeria Anita.jpg

    Dentro da seção principal de galerias, a paulistana Vermelho apresenta um conjunto contemporâneo que vai de Edgard de Souza ao coletivo Chelpa Ferro, passando por Claudia Andujar, Rosângela Rennó, Marcelo Moscheta e Dora Longo Bahia.

    — Prova da qualidade da arte brasileira é que a crise econômica e política não abalou o destaque obtido na década passada, quando o país estava “na moda” — ressalta Jan Fjeld, diretor da galeria Vermelho, em sua 16ª feira internacional este ano. — Não só em Miami, mas existe um grande interesse pela arte brasileira nos grandes centros, há vários núcleos de pesquisa focados em nossos trabalhos. E a produção contemporânea está em sintonia com o que é feito ao redor do mundo.

    Mas não só os contemporâneos brasileiros terão espaço no evento. A curitibana Simões de Assis leva à feira a tradição construtiva nacional, com obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel, Willys de Castro e Ascânio MMM. Estreando na seção principal em sua terceira participação, o marchand Waldir Simões de Assis Filho também leva a Miami a SIM Galeria, administrada por seu filho Guilherme e voltada à produção contemporânea. Com sede em São Paulo desde o ano passado, a SIM participa da seção Positions com um solo de Marcelo Moscheta.

    — A abstração geométrica brasileira mantém a força no mercado internacional, a presença em grandes museus ou em coleções como a Daros e a Cisneros reforça isso — comenta Assis Filho. — Os galeristas também desempenham um papel institucional nas feiras, ao apresentar obras e artistas para os curadores presentes.


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    RIO — Após o surpreendente anúncio do Los Hermanos no Lollapalooza Argentina, a banda finalmente confirmou a notícia que os fãs tanto aguardavam: uma turnê nacional em 2019, passando por nove cidades entre abril e maio. Após o show em Buenos Aires, no fim de março, o quarteto passará por Salvador (05/04), Fortaleza (06/04), Recife (12/04), João Pessoa (13/04), Belo Horizonte (26/04), Brasília (27/04), Rio (04/05), Curitiba (10/05) e São Paulo (18/05).

    A venda de ingressos, no site www.eventim.com.br e pontos de vendas credenciados, começa no dia 10 de dezembro, com pré-venda exclusiva para clientes Elo nos dias 8 e 9.

    O último álbum do Los Hermanos foi lançado em 2005 e, desde então, a banda se reúne esporadicamente para alguns shows, enquanto seus membros cuidam de suas carreiras solo. A última vez foi em 2015, quando eles fizeram uma série de shows pelo Brasil, esgotando ingressos por onde passaram.

    Vivendo em Portugal, Marcelo Camelo lançou recentemente "Sinfonia nº 1 - Primitiva", sua primeira incursão pela música erudita. A sinfonia foi gravada em Praga com 80 músicos da City of Prague Philharmonic Orchestra sob a regência da maestrina Miriam Nemcova, e teve lançamento exclusivo pelo YouTube. Enquanto isso, Rodrigo Amarante encerrou há pouco uma turnê pela Europa com o repertório de sua carreira solo.

    SERVIÇO

    Salvador (05 de abril)

    Local: Arena Fonte Nova. Horário: 22h. Preço: De R$ 200 a R$ 400. Classificação: 16 anos desacompanhado (6 anos a 15 anos acompanhado de responsável).

    Fortaleza (06 de abril)

    Local: Marina Park. Horário: 22h. Preço: De R$ 200 a R$ 400. Classificação: 16 anos desacompanhado (6 anos a 15 anos acompanhado de responsável).

    Recife (12 de abril)

    Local: Centro de Convenções. Horário: 22h. Preço: De R$ 200 a R$ 400. Classificação: 16 anos desacompanhado (6 anos a 15 anos acompanhado de responsável).

    João Pessoa (13 de abril)

    Local: Espaço Cultural. Horário: 21h30. Preço: De R$ 200 a R$ 400. Classificação: 16 anos desacompanhado (6 anos a 15 anos acompanhado de responsável).

    Belo Horizonte (26 de abril)

    Local: Esplanada do Mineirão. Horário: 22h. Preço: De R$ 240 a R$ 400. Classificação: 18 anos desacompanhado (6 anos a 17 anos acompanhado de responsável).

    Brasília (27 de abril)

    Local: Arena Mané Garrincha. Horário: 22h. Preço: De R$ 240 a R$ 400. Classificação: 18 anos desacompanhado (6 anos a 17 anos acompanhado de responsável).

    Rio de Janeiro (04 de maio)

    Local: Maracanã. Horário: 21h. Preço: De R$ 100 a R$ 400. Classificação: 18 anos desacompanhado (6 anos a 17 anos acompanhado de responsável).

    Curitiba (10 de maio)

    Local: Pedreira Paulo Leminski. Horário: 21h30. Preço: De R$ 240 a R$ 500. Classificação: 8 anos desacompanhado (6 anos a 17 anos acompanhado de responsável).

    São Paulo (18 de maio)

    Local: Allianz Parque. Horário: 21h. Preço: De R$ 160 a R$ 400. Classificação: 8 anos desacompanhado (6 anos a 17 anos acompanhado de responsável).


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    SÃO PAULO — A Comic Con Experience 2018 (CCXP18), maior evento de cultura geek e pop do Brasil, acontece a partir desta quinta-feira e vai até domingo, em São Paulo. Com atrações de peso, como Sandra Bullock, de "Bird Box"; Michael B. Jordan, de "Creed II" e "Pantera Negra"; Brie Larson, a Capitã Marvel, além de membros do elenco da série "Game of Thrones", como Maisie Williams e John Bradley. Os astros da série "Stranger Things" Noah Schnapp, Caleb McLaughlin e Sadie Sink também marcarão presença.

    CCXP

    Quem quiser encontrar com os ídolos e participar dos muitos paineis do evento ainda consegue encontrar ingressos para quinta, sexta e domingo. A modalidade que dá direito aos quatro dias da CCXP18 está esgotada, bem como as entradas para sábado. As vendas são realizadas no site do evento e na bilheteria da São Paulo Expo, onde acontecerá a feira. Mas corra: elas são vão até as 23h59 de hoje.

    O ticket para as atrações da quinta-feira custa R$ R$ 219,98, e a meia-entrada social, R$ 109,99. Para ir ao festival na sexta-feira, é preciso desembolsar R$ R$ 279,98 (meia social: R$ 139,99). O domingo sai por R$ 379,98, sendo R$ 189,99 a meia social. Em todos os dias, basta doar um livro em bom estado para se ter direito à meia-entrada social.

    Confira algumas das principais atrações de cada dia do evento:

    QUINTA-FEIRA

    12h30: Homenagem a Chris Columbus, produtor dos filmes da série "Harry Potter".

    16h30: Cauã Reymond, Maria Casadevall, Klebber Toledo e Sophie Charlotte falam sobre a nova série da Globoplay, "Ilha de Ferro".

    18h30: D. B. Weiss David Benioff, criadores de "Game of Thrones", e os atores Maisie Williams e John Bradley falam da derradeira temporada do maior sucesso da HBO.

    SEXTA-FEIRA

    12h: Debora Falabela, Leandra Leal, Camila Pitanga e Tais Araujo apresentam o mundo de "Aruanas", série da Globoplay.

    14h: Tom Welling fala do legado de "Smallville", série que marcou época no início dos anos 2000.

    16h: Jessica Chastain, Simon Kinberg e Sophie Turner falam do filme "X-Men: Fênix Negra".

    SÁBADO

    15h30: Brie Larson (a Capitã Marvel) e Sebastian Stan (o Soldado Invernal) comemoram os 10 anos dos Estúdios Marvel.

    16h30: Tatá Werneck, Fernanda Young, Patrícia Pedrosa e Eduardo Sterblitch falam dos programas Shipados e Lady Night

    20h30: Gerard Way (ex-líder da banda My Chemical Romance), o ilustrador Gabriel Bá (criadores do quadrinho "The Umbrella Academy"), o produtor Steve Blackman e os atores David Castañeda, Tom Hopper e Emmy Raver-Lampman falam na nova série da Netflix, "The Umbrella Academy".

    DOMINGO

    16h: Sandra Bullock e Trevante Rhodes apresentam Bird Box, um suspense original Netflix.

    19h: Walter Jones, Jason Faunt, Erin Cahill, Ciara Hanna e Yoshi Sudarso celebram os 25 anos da franquia Power Rangers.

    20h: Caleb McLaughlin, Noah Schnapp e Sadie Sink falam do mundo invertido de Stranger Things.

    SERVIÇO

    CCXP18

    Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 - Água Funda, São Paulo). Quando: 6 a 9 de dezembro de 2018. Horários: Quinta e sexta, de 12h às 21h. No sábado, entre 11h e 21h. Domingo, das 11h às 20h. Classificação: 13 anos.


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    RIO - Órgão responsável por pensar e estruturar políticas para o audiovisual brasileiro, o Conselho Superior de Cinema (CSC) reduziu a presença de cineastas e abriu espaço para representantres de streaming e games. A nova composição, que vai atuar por um período de dois anos a partir de 21 de dezembro, foi nomeada em decreto pelo presidente Michel Temer e publicada na segunda-feira, no Diário Oficial da União.

    O novo conselho é composto por nove titulares e nove suplentes, escolhidos após o Ministério da Cultura solicitar formalmente de 49 entidades do setor audiovisual indicações de representantes. Ao todo, 38 apresentaram sugestões. Cinema 051218

    Entre os nomes estão Paula Pinha, diretora de politicas públicas da Netflix na América Latina, indicada pela Associação Latino-Americana de VOD (Vídeo sob demanda); e Sandro Manfredini, presidente da Abragames (Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Games). O único diretor de cinema é Bruno Barreto, de "O que é isso, companheiro?" (1997) e "Dona Flor e seus dois maridos" (1976).

    Entre as competências do CSC estão a formulação da política nacional do cinema e a definição do plano anual de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Também é responsável pelo estímulo à presença do conteúdo brasileiro nos diversos segmentos de mercado, como a cota de tela. Foi o CSC que, em junho, aprovou modelo de cobrança de Condecine para Vídeo Sob Demanda.

    Veja os nomes dos novos titulares do Conselho Superior de Cinema:

    Hiran Silveira, executivo da Central Record de Comunicação

    Marcelo Bechara, diretor de regulação e novas mídias do Grupo Globo

    Paula Pinha, diretora de politicas públicas da Netflix na América Latina

    Simoni de Mendonça, produtora

    Eduardo Levy, do Sindicato das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel

    Mauro Garcia, presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão

    Ricardo Difini Leite, sócio da GNC Cinemas e presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras (Feneec)

    Márcio Fraccaroli, produtor e diretor da distribuidora Paris Filmes

    Bruno Barreto, cineasta

    Resposta do MinC

    Na tarde desta quarta-feira, a assessoria do MinC enviou uma nota à imprensa afirmando que "há cineastas e produtores independentes indicados por entidades representativas". Afirma ainda que o CSC representa quase todos os elos das cadeiras de valor do audiovisual. Leia o comunicado:

    "Sobre a nova composição do Conselho Superior do Cinema, o Ministério da Cultura (MinC) esclarece que, pela primeira vez, solicitou formalmente a 49 entidades do setor audiovisual brasileiro indicações de representantes para o órgão colegiado. Dessas, 38 fizeram indicações. Todos os escolhidos foram indicados por entidades que atuam no Brasil e representam segmentos importantes da atividade audiovisual. O objetivo foi compor um Conselho Superior do Cinema efetivamente representativo da diversidade do setor, considerando todos os elos de suas cadeias de valor.

    O MinC ressalta que o diretor Bruno Barreto não é o único representante dos realizadores de audiovisual no CSC. Há cineastas e produtores independentes indicados por entidades representativas como BRAVI, CONNE, FAMES, sindicatos das indústrias audiovisuais do Rio de Janeiro e de São Paulo, ABRAGAMES e APRO, entre outras. O suplente de Barreto, Renato Barbieri, também tem filmes dirigidos em seu currículo, assim como Beto Rodrigues.

    Com a nova composição há, de fato, um Conselho Superior do Cinema constituído a partir de uma consulta real ao setor e que representa quase todos os elos das cadeias de valor do audiovisual e boa parte dos segmentos do mercado, incluindo realizadores e produtores independentes, que são nove dos 18 membros, ou seja, 50% do total."


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    RIO — Para driblar a censura que sofreram, artistas do coletivo És uma maluca valeram-se de um artifício comum aos jornais nos tempos na ditadura no Brasil. Proibidos pelo diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak, e pelo secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro, de utilizar um áudio com a voz do presidente eleito, Jair Bolsonaro, na instalação “A voz do ralo é a voz de Deus”, eles substituíram o discurso político por uma receita de bolo.

    A obra, que conta com uma tampa de bueiro cercada por 6 mil baratas de plástico, foi apresentada com esse novo áudio, na terça à noite, na abertura da mostra "Literatura Exposta", que reúne dez artistas e coletivos de artes visuais na Casa França-Brasil.

    Ouça a receita de bolo que substitui áudio de Bolsonaro em exposição

    Cada artista ou coletivo havia sido provocado a criar uma obra a partir da releitura de um texto de um escritor considerado periférico. O trabalho do És uma maluca inspirou-se no conto "Baratária", do escritor Rodrigo Santos, de São Gonçalo.

    Vencedor do primeiro Prêmio Festa Literária das Periferias (Flup), em 2012, Santos escreveu o conto em 2016. É a história de uma mulher que tem traumas de baratas desde que caiu em um túmulo cheio delas, no enterro de sua avó. Nos anos de chumbo, ela é presa, e um torturador introduz os insetos em sua vagina. Anos depois, a personagem o reconhece num bar do Rio e parte para cima dele, também usando uma barata encontrada no banheiro do estabelecimento.

    — Meu conto fala sobre a ditadura. Achei um absurdo a censura que o coletivo sofreu, mas foi uma sacada muito boa usar a receita — diz Santos, que esteve na abertura da exposição. — Só vi o trabalho ontem (terça-feira). Achei genial. A criação tem que ser livre, transgressora. Qualquer tipo de censura é hediondo.

    Procurados pelo Globo, os artistas do coletivo ainda não quiseram dar entrevista.

    Saiba mais sobre o "Literatura Exposta"

    Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela prefeitura do Rio Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto "Literatura exposta" é da agência NBS, que vem desenvolvendo trabalhos para dar visibilidade aos talentos de periferia, como o Favelagrafia.

    — A periferia tem uma produção artística muito potente. Apostamos nisso e comprovamos na produção e realização do Favelagrafia. Agora, estamos usando o mesmo princípio para a literatura, colocando holofotes nos talentos literários das periferias cariocas. As artes plásticas entram no projeto como uma forma de trazer essa visibilidade para literatura da periferia e seus autores. Queremos que sejam reconhecidos pela grandeza que possuem – explica Aline Pimenta, diretora da NBS SoMa, o departamento de Marketing Social da NBS.

    Além de Rodrigo Santos, inspiraram as obras da mostra em cartaz na Casa França-Brasil autores como Jessé Andarilho, Raquel de Oliveira, Márcio Januário, Monique Nix, Ana Paula Lisboa e a rapper MC Martina. Evandro Conceição, José Luís Rocha e Viviane Salles completam a lista. A seleção dos autores para o projeto foi feita pelo escritor, roteirista e produtor cultural Julio Ludemir, criador da Batalha do Passinho e da FLUP (Festa Literária das Periferias).

    Já entre os artistas plásticos estão Daniel Murgel, Gustavo Speridião, Siri, Suzana Queiroga e Arthur Scovino, além de Alexandre Vogler, Douglas Lopes, Thainá Farias, Nadam Guerra e do prórpio coletivo És uma Maluca. Eles foram selecionados pelo publicitário Álvaro Figueiredo, um conhecedor e colecionador de arte, principalmente a contemporânea brasileira.

    Cada artista plástico escolheu uma história dos autores convidados para interpretá-la em pintura, escultura, fotografia, instalação ou mesmo de forma performática. Thainá Farias, por exemplo, faz uma performance interpretativa de “Heroína”, de Ana Paula Lisboa, jogando tarô.

    O projeto tem o patrocínio da Estácio, BMA Advogados, Aliansce Shoppings Centers, Posterscope e NBS, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei do ISS.


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    LONDRES — Charlotte Prodger, uma artista de Glasgow que faz filmes usando seu iPhone, é a mais nova vencedora do Turner Prize — o principal prêmio da arte britânica. Prodger, de 44 anos, foi anunciada como a vencedora do prêmio na noite de terça-feira durante uma cerimônia na Tate Britain, em Londres.

    O trabalho de vídeo de Prodger inclui "BRIDGIT", um filme de 33 minutos com clipes de tudo, desde cisnes se alimentando entre rochas até uma camiseta secando em um radiador. Em meio a essas imagens, a artista aparece com algumas amigas lendo trechos dos diários escritos quando ela era uma adolescente gay na Escócia rural.

    — Ela é uma artista que estamos acompanhando há algum tempo — disse Alex Farquharson, diretor da Tate Britain e presidente do júri, em entrevista por telefone. — Mas "BRIDGIT" foi uma ruptura, usando uma tecnologia familiar para criar algo profundo".

    Para Farquharson o prêmio é oportuno não apenas pelo uso da tecnologia — ela também incorpora clipes do YouTube em seu trabalho —, mas também pelo foco na "estranheza no sentido mais amplo" e como as identidades das pessoas podem mudar com o tempo.

    Os filmes de Prodger são tão multifacetados que parecem romances, acrescenta, comparando o trabalho dela a livros de James Joyce e Marcel Proust.

    — Estou muito impressionada — disse Prodger, logo após receber a notícia, para em seguida pedir apoio aos artistas. — Eu não estaria nesta sala se não fosse pelo financiamento público que recebi da Escócia para meu ensino superior gratuito e, posteriormente, na forma de bolsas de estudo e subsídios para apoiar não apenas a produção de trabalho, mas também meus custos de vida.

    O Turner renderá à Prodger um prêmio em dinheiro de 25 mil libras (cerca de R$ 120 mil) e muita visibilidade. Ela deve representar a Escócia na Bienal de Veneza do ano que vem. Entre os vencedores do prêmio, fundado em 1984, estão Damien Hirst, Grayson Perry e Steve McQueen, o diretor de "As viúvas" e "Doze anos de escravidão". Prodger é a terceira mulher seguida a vencer o Turner, após Lubaina Himid e a artista multimídia Helen Marten.

    A mídia britânica vê o prêmio como uma oportunidade anual de avaliar o estado da arte contemporânea. A lista de finalistas deste ano foi chamada de "a melhor e mais exigente da história da exposição" por Adrian Searle do "Guardian". Ele já havia declarado Prodger como sua favorita: "Literária, lírica e confessional, "BRIDGIT" é tanto um trabalho pessoal quanto uma tentativa de analisar o lugar de alguém no mundo".

    Prodger acreditava que o trabalho com imagens em movimento era marginalizado no mundo da arte por "levar muito tempo para assistir, ser difícil de instalar".

    — Fiquei muito satisfeita pois todos os finalistas usaram — disse ela.

    Mas a seleção dos trabalhos não recebeu o mesmo entusiasmo de todos os críticos. Waldemar Januszczak, do "Sunday Times", considerou as escolhas "completamente consistentes". “Do começo ao fim”, escreveu, “esse espetáculo de esmagamento da alma é extraordinariamente horrível”. Para ele, a contribuição de Prodger foi a "menos ruim".

    Ainda assim, a vitória dela foi uma surpresa. A favorita era a Forensic Architecture, uma empresa de pesquisa que usa arquitetura para investigar os abusos dos direitos humanos. Os outros dois artistas finalistas foram Naeem Mohaiemen, indicado por dois longa-metragens (um sobre a política de Bangladesh após a independência e o outro sobre um homem preso em um aeroporto) e Luke Willis Thompson, que faz vídeos de vítimas da brutalidade policial.

    Prodger nasceu em Bournemouth, na costa sul da Inglaterra, mas cresceu na Escócia rural. Ela estudou na Goldsmiths, parte da Universidade de Londres, e na Glasgow School of Art, e teve exposições individuais em galerias, incluindo a Sculpture Center, em Nova York, e o Bergen Kunsthall, na Noruega.

    Embora não seja um nome conhecido, ela tem sido regularmente chamada para falar sobre a queerness na arte pelas revistas britânicas. “Em última análise, a queerness não é uma categoria ou um estilo, mas uma experiência de vida, que acredito estar em perigo de ser colonizada, de ser higienizada”, disse ela à Frieze em 2014.

    "Essa tendência, que tem grande valor no mercado de arte no momento, de artistas que podem não se identificar como gays, mas estão flertando com uma 'estética gay' é divorciada da experiência real vivida", acrescentou. Esses trabalhos perdem a complexidade da vida gay, afirma, que inclui lidar com “violência, vulnerabilidade e opressão histórica”.


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    SÃO PAULO - Depois de se consolidar como uma das maiores convenções de cultura pop do mundo, a Comic Con Experience (CCXP) inicia a sua quinta edição hoje, em São Paulo, com uma das programações mais relevantes de sua curta história. Entre os principais convidados estão Maisie Williams, a Arya Stark de “Game of Thrones”; Michael B. Jordan, do filme “Creed II”, e Sandra Bullock, do suspense “Bird box”, produzido pela Netflix. Os quadrinistas David Michelinie, criador do Venon, e David Lloyd, desenhista de “V de Vingança”, completam a cota nerd.

    Além disso, empresas de referência no setor de entretenimento ampliaram suas participações no evento que vai até domingo, no centro de convenções São Paulo Expo. O Grupo Globo primeira vez vai reunir Globoplay, TV Globo, Globosat, Globo Filmes e Som Livre em um estande de 500 metros quadrados, com desenho inspirado nos cenários da série “Ilha de ferro”, com Cauã Reymond e Maria Casadeval.

    Na programação do grupo estão previstos sete painéis com a participação de elenco, autores e diretores de produções originais e estrangeiras. Entre as principais atrações estão títulos inéditos como “Aruanas” e “Shippados”, séries produzidas com exclusividade para a Globoplay. O filme “Morto não fala”, da Globo Filmes, também terá um painel exclusivo, com presença do diretor Dennison Ramalho e dos atores Daniel de Oliveira, Fabíola Nascimento e Drica Camparato.

    Preços a partir de R$ 90

    Para Pierre Mantovani, CEO da Omelete Company, que promove a CCXP, a escalação e a ampliação da participação de players importantes são provas de que a convenção paulistana está tão ou mais relevante do que suas principais concorrentes internacionais, a San Diego Comic-Con e a New York Comic Con:

    — Nos nossos 5 anos de atividades, indiscutivelmente este é o melhor line-up de conteúdo. A resposta que estamos tendo de estúdios e de alguns veículos internacionais que viram a programação diz que agora somos o evento de conteúdo mais relevante do mundo — diz ele.20181205_160043.jpg

    Desde a primeira edição, em 2014, a CCXP tem crescido, principalmente em termos de público. Nos quatro anos, o número de pagantes foi de 97 mil, depois 142 mil, 196 mil e, no ano passado, 227 mil. Para 2018, a expectativa é ultrapassar 250 mil ingressos vendidos.

    E tudo isso em um cenário de crise, com preços que variam este ano de R$ 90 (meia-entrada válida para hoje) até R$ 430 (pacote para os quatro dias). A meia-entrada é facilmente obtida com a doação de um livro em bom estado. Além desses, há ainda os pacotes Epic (R$ 1.099,99) e Full (R$ 7.499,99). Na média, houve aumento de cerca de 15% nos preços desde o ano passado.

    — São fatores que transcendem o aspecto crise — diz Mantovani. — Nós vivemos uma mudança no consumo de conteúdo. Hoje, as pessoas estão assistindo streaming. Antes, eram quase 100% vendo novela, que é um público que ainda existe aos milhares. Mas a nova geração está muito mais conectada com o conteúdo digital. Isso faz uma diferença incrível.

    Outro ponto importante, segundo o CEO da Omelete Company, é o foco no consumidor ou fã:

    — Se não investir no cara que ama sua marca e seu conteúdo, se não tratá-lo com respeito, se não criar atrações espetaculares e ampliar a experiência dele, você perde o maior divulgador da sua marca e seu conteúdo. Nada melhor para uma série, um filme ou um game, do que começa a construir uma fan base. Essa é a nossa especialidade.


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    RIO — Lançada nesta quarta-feira, a coleção de contos "Identidade" reúne autores brasileiros contemporâneos de destaque, como Aline Bei (lvencedora no Prêmio São Paulo de Literatura), Marcelo Moutinho, Cíntia Moscovich, Sérgio Abranches, Luize Valente, além de nomes como a colunista do GLOBO Míriam Leitão, Edney Silvestre e Vanessa Barbara.

    A iniciativa é da Amazon, através do sistema Kindle Direct Publishing (KDP), em que autores e agentes publicam obras de forma gratuita, podendo ter um retorno de até 70% dos royalties. Para a "Coleção Identidade", foram envolvidos autores das agências Riff, Villas-Boas & Moss e MTS Agência de Autores.

    A empreitada chama atenção por não envolver diretamente as editoras, que costumam repassar entre 10% e 25% dos valores dos livros para autores e agentes. Links Amazon

    — Entendo que a publicação direta em formato digital (seja através de uma editora, seja no modelo da autopublicação) é uma nova tendência, e não tem a ver com a crise do momento. A crise é certamente passageira, mas a leitura de livros via digital tem crescido, e isso é bom para todos — comemorou a agente Lucia Riff, em contato com o GLOBO.

    Os contos são vendidos através da plataforma on-line da Amazon, por R$ 1,99 cada, e também podem ser adquiridos através de três antologias com dez obras cada (a R$ 9,90) — "Histórias para tempos de crise", "Pessoas bacanas" e "Selvageria".

    Eles podem ser lidos em qualquer dispositivo com os apps gratuitos de leitura Kindle para desktop, tablets e smartphones iOS eAndroid, e nos e-readers Kindle.

    Em texto enviado à imprensa, a Amazon afirma que o lançamento busca "permitir que mais pessoas descubram o gosto pela leitura de ficção brasileira e possam conhecer o trabalho desses talentosos escritores".


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