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    RIO — O diretor Rogério Sganzerla e seu “Bandido da Luz Vermelha”, a maconha das latas que foram dar na costa fluminense no verão de 1987 e uma banda inquieta, a bordo de um rock brasileiro à deriva: componentes mais e menos importantes para a criação de “Psicoacústica”, cultuado disco da música brasileira que completa 30 anos em 2018.

    Potente, denso, fragmentado, difícil, mas principalmente visionário, o terceiro álbum do grupo paulistano Ira! é tema neste sábado, às 19h, da palestra de Vital Cavalcante (vocalista do Jason e Poindexter, além de professor da rede pública) no projeto Rock on The Roof no terraço do Imperator. No próximo sábado (10/11), é a vez de o próprio Ira! fazer o show do “Psicoacústica” no Circo Voador, ao lado dos contemporâneos do Defalla (cujo tresloucado disco de 1987 também será dissecado hoje por Vital). Links Ira!

    Banda que vinha de um segundo álbum para lá de bem-sucedido (“Vivendo e não aprendendo”, de 1986, dos hits “Envelheço na cidade”, “Dias de luta” e “Flores em você”, que foi tema de abertura da novela “O outro”), o Ira! entrou em 1987 no estúdio Nas Nuvens, no Rio, com apoio irrestrito da gravadora Warner: conseguira o direito de dispensar os produtores estrelados do mercado e dirigir a si mesmo na gravação, junto com o técnico de som português Paulo Junqueiro (então um novato em estúdios brasileiros, hoje presidente da Sony Music Brasil).

    — A gente queria quebrar expectativas, as nossas e as da gravadora, mas não tinha o objetivo de fazer o disco que foi feito. Tudo aconteceu ao longo do processo, e quando a gente viu, lá estava o Frankenstein e a gente gritando “It’s alive!” (“Está vivo!”) — brinca o vocalista Nasi, que toca o Ira! nos dias de hoje com seu grande parceiro, o guitarrista Edgard Scandurra. — “Psicoacústica” foi o nosso erro mais acertado.

    Com a experiência de terem produzido algumas das primeiras faixas do rap brasileiro, do rapper Thaíde, Nasi e o baterista André Jung trouxeram para o Ira! de “Psicoacústica” a novidade do sampler — em faixas como “Rubro zorro”, colaram falas do filme “O Bandido da Luz Vermelha”. Nasi chegou a conversar com Rogério Sganzerla para que ele fizesse um clipe do “Zorro”, com cenas do filme. Apesar de a gravadora ter vetado a ideia, o diretor montou o vídeo, que anos depois apareceu no YouTube. "Rubro Zorro", Ira! (Psicoacústica, 1988)

    A influência do hip hop aparece ainda em “Advogado do diabo”, de Nasi e André: um rap com pandeiro de maracatu, que se tornaria uma das músicas favoritas de Chico Science, artífice do mangue bit nos anos 1990. Por outro lado, Edgard Scandurra e o baixista Ricardo Gaspa puxavam o disco para o rock com inclinações psicodélicas e pesadas, de Jimi Hendrix. A tendência foi exacerbada pelos dois em “Farto do rock’n’roll” — um rock-rap, que ainda tem scratches de Nasi.

    — Eu me sentia injustiçado por causa do rap, que deixava a guitarra meio de lado. Essa nossa música era um desabafo, falando de “novos sons, novas batidas, novas pulsações”. E o engraçado é que depois eu fui fazer música eletrônica — conta Scandurra, saudoso das gravações de “Psicoacústica”, nas quais fez várias experiências com guitarras ao sabor da maconha do verão da lata. — Isso acabou fazendo parte do folclore do disco, mas era um uso recreativo, para relaxar, não foi decisivo para a criação.79655090_SC - O grupo paulistano Ira%21 Foto Divulgação.jpg

    A gravadora reagiu com pânico quando o Ira! apresentou a ela o “Psicoacústica” — ainda mais porque os músicos insistiram em um LP de capa dupla, com efeito 3D que só poderia ser apreciado com o óculos especial encartado. O disco vendeu pouco à época, mas arrebanhou algumas almas, como a de Vital Cavalcante, então com 15 anos:

    — O “Psicoacústica” é um disco que não tem ranço de anos 1980. Dava para ver que o Ira! estava na vanguarda do rock nacional. Psicoacústica - Ira!


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    RIO — Há 50 anos, o mundo era dos Beatles. John, Paul, George e Ringo —em qualquer ordem — mandavam prender e soltar no planeta Entretenimento. O toque de Midas (além do gênio criativo, é claro) do quarteto era tanto que, em 1968, eles criaram e produziram um desenho animado (ainda não se usava o cool “animação” na época) psicodélico baseado em suas músicas e em ideias que Lennon & McCartney, principalmente, tiravam sabe-se lá de onde. 79653364_SC - em primeira mão - capa de Yellow Submarine de Bill Morrison.jpg

    O meio século de nascimento de “Yellow Submarine” está sendo comemorado com o lançamento de uma luxuosa edição em quadrinhos das história, adaptada por Bill Morrison (“Os Simpsons”) e lançada no Brasil pela editora Darkside.

    info - yellow submarine


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    Carlos Drummond de Andrade era arredio a fotos, o que faz com que Rogerio Reis se sinta privilegiado por ter feito vários retratos do poeta mineiro — inclusive aquele que inspirou a escultura de Leo Santana na orla de Copacabana.

    Um dos registros mais curiosos é este acima, feito no apartamento de Drummond na Rua Conselheiro Lafaiete, no Posto 6. “Eu sabia que ele tinha o hábito de se sentar no chão, já tinha imaginado a cena com os quadros ao fundo, os móveis em segundo plano. E ele topou.”

    Sua filha Julieta entrou no apartamento na hora do clique e reclamou da pose do pai . “Daí o sorriso tímido que ele deixa escapar”, revela Reis, que na semana de aniversário de Drummond (nascido em 31/10/1902) revela seus arquivos em homenagem ao poeta.

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    RIO — A produtora musical, compositora e radialista Solage Boeke morreu aos 70 anos na última quinta-feira. Ela estava internada no hospital Adventista Silvestre, no Cosme Velho, Rio de Janeiro. Mineira de nascimento, foi responsável pela descoberta de talentos da música brasileira, como Joanna, Sandra de Sá e Fhernanda Fernandes.

    Teve ainda como parceiros musicais Wania Andrade, o poeta Paulo César Feital e Telma Tavares. Com Joanna compôs seu maior sucesso, a romântica "Cicatrizes", do primeiro álbum da cantora. Já com Wania compôs "Devassa", uma das canções finalistas do famoso festival MPB-80, da Rede Globo, defendida pela cantora Fhernanda Fernandes (na época, apenas Fhernanda). Atuou também na EBC, como produtora da Rádio MEC.

    A cremação de Solange Boeke será às 13 h, no Crematório do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.


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    RIO — Depois de passar por Veneza e pela Mostra de São Paulo — cuja sessão foi dedicada às vítimas do coronel Brilhante Ustra —, "Deslembro" abriu, nesta sexta-feira, a competição da Première Brasil do 20º Festival do Rio com forte carga política. Não à toa: a estreia de Flávia Castro na direção de um longa de ficção explora as sequelas da ditadura brasileira nos filhos de exilados políticos — um drama que espelha a vida da própria cineasta, que deixou o país ainda na infância por causa do regime militar, retornando somente após a Anistia.

    — Quando comecei a escrever o filme, em 2009, era inimaginável estreá-lo num momento de negação da nossa história, ditadura e memória — desabafou Flávia, que havia relatado a trajetória do pai, o ativista Celso Afonso Gay de Castro, no celebrado "Diário de uma busca" (2010), premiado com o troféu Redentor de melhor documentário.

    Dessa vez, Flávia dedicou a sessão ao Grupo Tortura Nunca Mais, movimento de apoio aos direitos humanos que surgiu como instrumento de luta de familiares de vítimas da ditadura.
    "Deslembro" se concentra em Joana (Jeanne Boudier), uma adolescente que passou praticamente a vida inteira em Paris com a mãe brasileira e o padrasto chileno, ambos exilados por causa da turbulência política na América Latina. Links Festival do Rio

    A família volta ao Rio em 1979, graças à Lei da Anistia, mas se depara com a sombra da ditadura. A garota, afinal, quer saber o que de fato aconteceu com o pai Eduardo, um desaparecido político do qual ela se lembra muito vagamente.

    Joana fica obcecada com uma ideia: se o corpo do pai nunca foi encontrado, como ter certeza de que ele morreu? A falta de respostas a leva a um estado de angústia, encontrando conforto apenas no namorado, na música (especialmente em The Doors, do qual é fã) e na avó Lucia (Eliane Giardini), a única integrante da família aparentemente disposta a conversar sobre o doloroso desaparecimento de Eduardo.

    Recebido com aplausos, o filme foi elogiado pelo realismo e sensibilidade com que trata a história e pela atuação de Jeanne Boudier, cuja personagem alterna o idioma dos diálogos entre português, francês e espanhol.

    — Quando esse projeto apareceu na produtora, foi o Eduardo Coutinho (documentarista morto em 2014) quem disse que o filme precisava ser feito — revelou o cineasta Walter Salles, um dos produtores de "Deslembro".

    Mais cedo, foi projetado, também em competição, o documentário "Clementina", de Ana Rieper, que traça um perfil da sambista Clementina de Jesus (1902-1987) a partir de entrevistas com amigos, familiares e especialistas em música — incluindo Hermínio Bello de Carvalho, que descobriu a cantora quando ela tinha 63 anos. "Na verdade, eu não a descobri. Eu só prestei atenção, porque ela já cantava a vida inteira", afirma o produtor e compositor durante o filme.

    — Fazer esse filme foi mergulhar num Brasil nosso, que ninguém tira. Um país da arte e da cultura negra — disse a diretora, antes da sessão.


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    RIO — Raymond Chow, considerado o "padrinho" do cinema de Hong Kong e que lançou as carreiras internacionais de Bruce Lee e Jackie Chan, faleceu aos 91 anos, segundo noticiou a imprensa de Hong Kong. Chow é co-fundador dos estúdios Golden Harvest, em 1971, e produziu mais de 170 filmes ao longo de sua carreira, de acordo com o site especializado em cinema IMDB.

    Ele trabalhou com Bruce Lee em "O dragão chinês" (1971), que foi um sucesso mundial e impulsionou ao estrelato o ator rei das artes marciais. Raymond Chow produziu e co-produziu dois dos filmes mais conhecidos de Bruce Lee: "O Retorno do dragão" (1972) e "Operação dragão" (1973).

    "Obrigado Raymond por ter dado uma oportunidade ao jovem Bruce Lee e por tê-lo ajudado a realizar seu sonho. Descanse em paz, Raymond", tuitou a filha do ator, Shannon Lee.

    O produtor, nascido em Hong Kong em 1927, também teve grande sucesso com Jackie Chan, com quem trabalhou no filme "O Jovem Mestre do Kung Fu" (1980), entre outros.


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    RIO — Quem gosta de passear por cidades do mundo através da ferramenta Street View do Google Maps, provavelmente não espera muito mais do que imagens de ruas, casas ou paisagens de cartão-postal. Mas, já imaginou ver brigas, assaltos ou uma "dura" de policiais? Em seu novo clipe, o rapper americano Vince Staples mostra tudo isso, com um viés de crítica social, em um giro pela vizinhança de Long Beach, na Califórnia.

    O vídeo da música "Fun!" imita os efeitos que as câmeras do Google fazem sempre que o mapa do Street View é movido. Durante esse "passeio", onde Staples aparece cantando a música, também pode-se ver cenas de um típico bairro americano de maioria negra, onde a violência social faz parte do dia-a-dia dos moradores.

    Staples é um dos autores da trilha sonora do filme "Pantera Negra". "Fun!" faz parte de seu último álbum, "FM", lançado neste mês.

    Veja o clipe: FUN!


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    TORONTO - No início, “Homecoming” era um podcast de ficção, idealizado pela jovem dupla de roteiristas Eli Horowitz e Micah Bloomberg, que girava em torno de temas caros aos americanos: ganância das corporações, descaso com os veteranos de guerra, segredos nos porões do Pentágono. Logo a história — com vozes de Catherine Keener, David Schwimmer e Oscar Isaac — virou um sucesso e, dois anos depois,com a mutação em uma série de TV passada num futuro próximo, com Julia Roberts à frente do elenco, tornou-se a principal aposta da temporada do Amazon Prime.

    — Achávamos que teríamos alguma possibilidade de atrair ouvintes quando colocamos o podcast na rede, mas não que Hollywood nos abraçaria deste modo. O formato do podcast foi fundamental, para a adaptação para a TV, os personagens já estão ali, é só dar um rosto ao que se ouve — diz Bloomberg.

    São dez episódios do thriller psicológico disponíveis desde sexta-feira. Julia faz sua estreia como protagonista na telinha, na pele da terapeuta e assistente social Heidi Bergman. Em um primeiro momento, o espectador a encontra em ação, na Flórida, às voltas com soldados que acabaram de voltar do Oriente Médio, em processo de readaptação à vida civil. Cenas do futuro, no entanto, mostram Heidi ganhando a vida como garçonete e cuidando da mãe, doente, em algum canto da Costa Leste americana. homecoming-prime.jpg

    Em meio a uma investigação do próprio governo, a personagem se recusa a falar do que aconteceu em “Homecoming” (“voltando para casa”, em tradução livre, e também o nome do local em que ela trabalhava). A direção é de Sam Esmail, e o final é de se perder o fôlego, bem ao estilo do profissional celebrado pela série “Mr. Robot”, cuja temporada final será apresentada ano que vem.

    — Fiz “Homecoming” porque queria trabalhar com o Sam. Mas esta coisa de alquimia e tal, você nunca sabe de fato o que vai rolar, né? Só quando começa a zanzar pelo set. Não tem fórmula, é o resultado da interseção dos desejos dos envolvidos com alguma sorte. Como tivemos sorte! — exalta Julia, em entrevista no Festival de Cinema de Toronto. Homecoming - Trailer

    O plural, aqui, inclui um elenco afinado em que ainda se destacam Sissy Spacek, como mãe de Heidi, um iluminado Bobby Cannavale, que vive o investidor mala sem alça responsável pelo projeto Homecoming, o instrutor afável de Alex Karpovsky (conhecido do público pela série “Girls”), e a intensa dupla de soldados vivida por Stephan James (cotado para o Oscar pelo novo filme de Berry Jenkins, “Se a rua Beale falasse”) e Jeremy Allen White (da série “Shameless”).

    Plataforma é o de menos

    “Homecoming” — já renovada para segunda temporada — foi bem recebida no festival e é quase unanimidade de crítica no Hemisfério Norte, com 98% de aprovação no site agregador de resenhas Rotten Tomatoes. Julia não vê mais diferença em produções de cinema ou produtos menos grandiosos:

    — Vivemos em uma época agnóstica quando pensamos em plataforma. Não faz mais tanta diferença assim. O foco, agora, é cada vez mais na história.

    Em Toronto, a atriz apresentou também “O retorno de Ben”, que chega em fevereiro aos cinemas brasileiros. No filme, vive a mãe de um adolescente (Lucas Hedges) que retorna de surpresa para o Natal em família após passar uma temporada em um centro de reabilitação para dependentes químicos. O drama foi elogiado no festival.

    — É uma bobagem essa história de que os bons papéis acabam quando você fica mais velha. Tive sorte em 30 anos de carreira de encontrar os papéis que queria fazer na hora certa — diz Julia. LINKS SÉRIES

    Eduardo Graça se hospedou a convite do Festival de Toronto


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    O trompetista americano Roy Hargrove, um talento precoce e presença frequente nos festivais de jazz europeus, morreu na sexta-feira aos 49 anos, anunciou neste sábado a página do artista no Facebook. A página citou seu empresário de longa data, Larry Clothier, dizendo que Hargrove morreu em Nova York devido a uma parada cardíaca após complicações de uma doença renal.

    "Um dos músicos mais respeitados e amados da nossa comunidade de Nova York e do mundo, o trompetista pioneiro vencedor do Grammy tão conhecido por sua intensidade e quanto por sua linda balada", dizia a mensagem. "Cada vez mais seu som atestava e santificava seu profundo amor pela música. Seu timbre desinteressado cobria a orla de cada paisagem musical. Possuindo sua música, seu som, Roy inspirou gerações de músicos".

    Nascido no Texas, o músico foi descoberto em seu colégio em Dallas durante uma visita do lendário trompetista Wynton Marsalis e desenvolveu seus talentos rapidamente. Sob a tutela e encorajamento de Marsalis, viajou para a Europa para tocar em festivais de verão após a formatura do Ensino Médio. Aos 25 anos, sua estrela já estava em ascensão no mundo do jazz contemporâneo.

    Hargrove tocou e gravou com Marsalis e outros grandes nomes do jazz, incluindo Herbie Hancock, Joe Henderson, Stanley Turrentine e Joshua Redman. Venceu os prêmios Grammy em duas categorias diferentes: em 1998 como Melhor Performance de Jazz Latino por "Habana", e em 2003 como Melhor Instrumental de Jazz com "Directions in Music".


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    RIO - De uma viajante no tempo apaixonada a uma gangue de motociclistas, a próxima semana na TV oferece estreias de peso para todos os gostos. Há tanto estreias de novas produções, como "Mayans, M.C.", como o retorno de veternas como "Jane the virgin" e "Ray Donovan". Programe a sua semana diante da telinha. Outlander S04

    ‘Outlander’: FOX Premium 1, domingo, 23h

    Adaptação dos livros da americana Diana Gabaldon, “Outlander” chega a sua quarta temporada como um sucesso consolidado ao juntar cenários de época com momentos tórridos de romance. Na trama, Claire (Caitriona Balfe) é uma enfermeira que tenta se reconectar com o marido após o fim da Segunda Guerra Mundial, até viajar no tempo, parar em 1743 e encontrar um novo amor. Jane the virgin S04

    ‘Jane the virgin’: Lifetime, quarta-feira, 21h30

    Após o fim da terceira temporada, que deixou os fãs completamente chocados, “Jane the virgin” retorna mostrando o que aconteceu após a grande reviravolta no roteiro. Para quem nunca assistiu, a série estrelada pela vencedora do Globo de Ouro Gina Rodriguez conta a história de uma moça virgem que é inseminada artificialmente por engano com o sêmen do chefe. Trailer - Ray Donovan S06

    ‘Ray Donovan’: HBO, sexta-feira, 21h

    Estrelada por Liev Schreiber, “Ray Donovan” retorna para uma sexta temporada com uma adição de peso ao elenco: Susan Sarandon. A atriz interpreta a empresária Sam Winslow, para quem o protagonista passa a trabalhar. Para quem nunca viu, a série conta a história de um descendente de irlandeses que é especializado em intermediar subornos e ameaças para os poderosos. Trailer - Mayans MC S01

    ‘Mayans M.C.’: FOX Premium 2, sexta-feira, 22h

    Encerrada em 2014, “Sons of Anarchy” foi um hit ao dar tons shakespearianos à saga de um clube de motociclistas imerso em atividades criminosas na Califórnia. Por isso, não surpreende o surgimento de um spin-off. Dessa vez, o foco está nos Mayans, gangue rival de Jax Teller, formada por mexico-americanos. Nos EUA, a produção teve a melhor audiência para uma série de TV paga deste ano. LINKS SÉRIES


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    Sem “Em busca da felicidade”, talvez o Brasil não tivesse conhecido Roque Santeiro, Odete Roitman, Nazaré Tedesco, Carminha e todas as Helenas do Manoel Carlos. Foi ela, a primeira radionovela brasileira, que, com um sucesso estrondoso na década de 40, mostrou o potencial do formato. Por isso, seis roteiros originais da obra radiofônica acabaram agora entrando para o programa Memória do Mundo da Unesco, que reconhece como patrimônio da humanidade peças de grande valor — como estas preciosidades que estão sob a guarda da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

    — Recebemos esta conquista com alegria e orgulho. Esta certificação se soma aos nossos esforços e luta pela preservação do maior acervo público de radiodifusão brasileiro, tão rico e que se encontra em diferentes formatos — afirma o diretor-presidente substituto da EBC, Luiz Antonio Ferreira.

    “Em busca da felicidade”, que estrou em 1941 e ficou no ar na Rádio Nacional até 1943, contava a história de Alice Medina (Isis de Oliveira), que foi criada como filha adotiva pelo seu verdadeiro pai, o engenheiro Alfredo Medina (Rodolfo Mayer), casado com Anita de Mantemar (Zezé Fonseca) e amante de Carlota Morais (Iara Sales), mãe biológica de Alice.

    — Ninguém acreditava que esse formato poderia dar certo no Brasil. Por isso, ela só foi ao ar porque a proposta já chegou com um patrocinador. Mesmo assim, não a colocaram em horário nobre, nem com o elenco principal da Rádio Nacional — conta a pesquisadora em radionovela e presidente da Fundação Casa Rui Barbosa, Lia Calabre.

    A obra é original de Cuba (que, naquele momento, ainda não tinha vivido sua revolução, ocorrida nos anos 1950) e foi adaptada para o Brasil. O sucesso, no entanto, foi tanto que um personagem em dificuldades financeiras na história chegou a receber quantias em dinheiro enviadas do público. Em outra ocasião, uma personagem grávida recebeu enxovais para o bebê.

    As gravações de rádio eram feitas em discos de acetato com base de metal, mas, na época, esse material estava sendo destinado prioritariamente ao uso relacionado à Primeira Guerra Mundial, que os brasileiros foram lutar na Itália. Por isso, a Rádio Nacional passou a gravar em discos com base de vidro, mais frágeis. Assim, não há mais os originais da radionovela — o que aumenta o valor histórico dos roteiros.

    — Agora, eles integram a lista de arquivos que deverão ser preservados pois compõem a memória do Brasil. Assim estão mais protegidos porque o país tem a obrigação de preservá-los — afirmou a gerente de Acervo de TV e Rádio, Maria Carnevale, que, junto com os pesquisadores Indiara Góes e Thiago Guimarães e a arquivista Mirian dos Santos, lutou pelo título conferido pela Unesco no último mês.

    Agora, a EBC prevê a criação de uma página do acervo na internet e a digitalização do conjunto de roteiros de “Em busca da felicidade” para facilitar a divulgação e a preservação da matriz em papel.


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    RIO - Entre as orquestras de câmara que correm o mundo fazendo concertos lotados, a da cidade de Viena é a mais reconhecida pelos amantes da música. Tanto sua versatilidade e a variedade de repertório quanto o som inconfundível que ela consegue extrair dos clássicos vienenses justificam sua fama.

    Verdadeira embaixada musical da Áustria, que já se apresentou em mais de 70 países, a Orquestra de Câmara agora desembarca no Rio de Janeiro para um concerto hoje, às 17h, no Teatro Municipal.

    Oitava e última atração da edição 2018 da Série O GLOBO/Dell’Arte Concertos Internacionais, que começou em março, a orquestra chega com o piano e a regência do austríaco Stefan Vladar, seu diretor desde 2008. No programa, obras do russo Igor Stravinsky (“Concerto para orquestra de cordas em Ré maior”), do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (“Concerto para piano Nº 12 em Lá maior, K. 414” e o “Divertimento em Fá maior, K. 138”) e do tcheco Antonín Dvorák (“Serenata para cordas em Mi maior, op. 22”).

    — Ser solista e regente de um concerto para piano de Mozart remonta à tradição do tempo do próprio Mozart — conta, por e-mail, Stefan Vladar. — Seus concertos eram sempre realizados pelo pianista liderando a orquestra, o que dava aos músicos uma relação muito mais próxima com o solista. É como se fosse um grupo de música de câmara alargado, com mais responsabilidades para os músicos. Para mim, pessoalmente, é a maneira mais natural de realizar esses concertos.

    Fundada em 1946 pelo pianista e maestro italiano Carlo Zecchi, a Orquestra de Câmara de Viena trabalhou, ao longo de sua história, com regentes da estatura de Yehudi Menuhin e Sándor Végh e com estrelas do canto lírico como a italiana Cecilia Bartoli e a neozelandesa Kiri Te Kanawa. Segundo Stefan, foi preparada uma formação especial para esta turnê latino-americana que passa pelo Brasil.

    — Desta vez, somos uma orquestra de cordas com 24 músicos. A Orquestra de Câmara de Viena toca muitos estilos, em tamanhos diferentes, dependendo do repertório e dos locais de apresentação — explica o pianista e regente, que aposta na amplitude do repertório para conquistar a plateia carioca. — O programa do concerto no Rio consiste em obras de vários estilos para a orquestra de cordas, começando com o neoclassicismo de Stravinsky, em conexão com o clássico vienense de Mozart, e uma das mais belas e populares peças de cordas de Dvorák. É um repertório que dá uma visão geral das melhores peças de orquestra de cordas de três séculos.

    Orquestra de Câmara de Viena

    Onde: Teatro Municipal — Praça Floriano, s/nº, Centro (2332-9191).

    Quando: Domingo, às 17h.

    Quanto: De R$ 125 e R$ 600.

    Classificação: Livre.


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    RIO - Quando fundaram a Lote 42, em 2012, João Varella e Cecilia Arbolave queriam uma editora que publicasse os livros que eles gostariam de ler. Dois anos depois, eles abriram a Banca Tatuí pensando em uma livraria que vendesse os livros que eles publicavam. Em setembro, inauguraram a Sala Tatuí, que Varella define como a “a sala de aula que a gente gostaria de ter”.

    A Sala Tatuí ocupa a cobertura de um prédio em Santa Cecília, na região central de São Paulo. Lá, Varela e Cecilia oferecem cursos de editoração, literatura e artes visuais, vendem livros da Lote 42 e de outras editoras independentes, promovem debates, clubes de leitura e lançamentos. E ainda disponibilizam um serviço importado da Argentina: livraria com hora marcada. Pelo site ou por e-mail, os clientes podem agendar um horário para consultar o acervo com calma.

    — Encontramos esse espaço, que é muito mais folgado do que precisávamos, e para compensar o aumento nos custos resolvemos colocar em prática esse projeto que tínhamos faz tempo — explica Varella ao GLOBO.

    Sempre em torno do livro

    Espaços culturais que combinam livraria, sala de aula, cinema, debates e até festas conquistaram o público paulistano. Apesar da diversidade de eventos que promovem, todos se organizam em torno do livro.

    — Tudo isso é parte de um movimento — diz Cecilia. — Cada um com seu estilo, esses centros mostram um interesse vivo pelo livro, por ler, publicar e aprender.

    Em maio, a Casa Plana abriu as portas de sua nova sede, que ocupa dois andares de um prédio na Vila Madalena, na Zona Oeste. Além de oferecer cursos e receber exposições, lançamentos, debates e saraus, a Plana conta com uma livraria especializada em editoras independentes.

    79651624_SC São Paulo SP 31-10-2018 Novos centro culturais que unem cursos lançamento de livro.jpgEla é um desdobramento da Feira Plana, idealizada por Beatriz Bittencourt em 2012 para promover o contato do público com essas editoras.

    — Desde que a Plana surgiu, a cada ano mais editoras se interessavam em participar — conta Beatriz. — Em 2015, desenhamos o projeto de um espaço para tornar pública a biblioteca da Plana e oferecer cursos com foco no mercado editorial e de arte.

    Graças a um financiamento coletivo, a Casa Plana abriu as portas em 2016. No começo, ocupava um andar no prédio Farol, antiga sede do Banespa, no Centro. Depois, passou para o Copan, outro edifício icônico da capital paulista. A Plana se fixou na Vila Madalena quando Beatriz se associou a Jorge Sallum, da editora Hedra.

    — Fazemos ao menos dois eventos semanais, que podem ser lançamentos de livros seguidos por debates ou rodas de conversa sobre política e temas atuais — explica Beatriz. — Há também oficinas e cursos de formatos distintos, exposições que usam o livro como suporte, uma rádio ao vivo, a A-Mig, e clubes de leitura. A biblioteca tem mais de 2 mil livros de artistas de todo o mundo, mas, por enquanto, é apenas para consulta no local.

    A escritora Noemi Jaffe suspeita que os cursos a preços acessíveis sejam responsáveis pelo sucesso dos novos centros culturais paulistanos. Em 2016, Noemi abriu a Escrevedeira, que, no começo, ocupava uma sala alugada em um sobrado na Vila Madalena onde ela dava aulas de escrita criativa.

    Este ano, ela se associou a João Bandeira e Luciana Gerbovic e expandiu os negócios. A Escrevedeira passou a ocupar todo o sobrado e hospedar cursos de outros escritores, como Julián Fuks e Angélica Freitas, além de lançamentos, rodas de conversa e um happy hour toda última sexta-feira do mês.

    Para Noemi, esta é uma forma de resistência “não necessariamente política”.

    — Resistimos porque fazemos arte em um mundo em que a arte não está entre as preocupações principais — diz Noemi, que ainda oferece no espaço aulas de redação para vestibular e algumas bolsas de estudo, ações sociais que pretende ampliar ano que vem.

    Destaques deste mês nas casas

    Escrevedeira:

    Curso: “Roberto Schwarz: Literatura, cultura e política”, com com Juliano Garcia Pessanha e Tiago Ferro.

    12, 19 e 26/11, às 19h30m.

    R$ 300.

    Debate sobre “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, com Manuel da Costa Pinto e Milton Hatoum. 13/11 às 19h30m.

    Grátis

    (inscrições antecipadas)

    Sala Tatuí:

    Curso: “Teoria e Gestão de Cores”, com o editor e designer Vanderley Mendonça.

    14, 21 e 28/11, às 19h30m.

    R$ 180

    Casa Plana:

    Curso: “História dos livros no mundo e no Brasil”, com o antropólogo da arte Nathanael Araujo. 29 e 30/11, às 19h30m. R$ 180 cada aula.

    Oficina: “Poemas de amor”, com a poeta Júlia de Carvalho Hansen.22 e 29/11 e 6 e 13/12.

    R$ 240


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    NOVA YORK - Em meados da década de 1970, a era da libertinagem boêmia que uma vez definiu a Factory de Andy Warhol — ateliê e escritório do artista no centro de Manhattan — havia acabado. Enfim chegara o momento de pagar os boletos — de projetos de filmes e vídeos; de sua revista, “Interview”; da compra de imóveis. Tudo isso em meio a queda das vendas de sua própria obra de arte.

    A solução? Um “bico” fazendo retratos encomendados. Seu gerente de negócios, Frederick Hughes, liderou os esforços para atrair clientes ricos e seus cônjuges, celebridades e colegas artistas (com quem Warhol costumava negociar trabalhos).

    79672767_SC - Andy Warhol - Exposição From A to B and Back Again - Truman Capote 1979.jpg— Os retratos encomendados foram muito importantes para financiar tudo, incluindo o pagamento de uma equipe de 10 pessoas— explicou Bob Colacello, então editor da “Interview” e, ao lado de Hughes, o braço-direito de Warhol durante esse período.

    Oitenta e seis desses retratos dos anos 60, 70 e 80 são apresentados na retrospectiva “Andy Warhol — From A to B and Back Again” do Whitney Museum of American Art’s, em Nova York, que abre em 12 de novembro. A intenção é colocar essas “telas de aluguel” no mesmo contexto estético de sua icônica sopa dos anos 60 e das representações de Elvis Presley em serigrafia, entre outras obras.

    — Warhol era um observador social desde o início, e é importante ver esses retratos nesse contexto — disse a curadora Donna De Salvo, vice-diretora do Whitney. — Alguns deles têm uma qualidade em que você realmente se sente como se conhecesse a pessoa, são delicados. Já outros são muito estereotipados.

    Segundo Donna, eles criam um “Facebook pré-digital” ao mapear subculturas que vão de socialites à estrelas do rock.

    — É o desejo deles serem pintados por Warhol, receber seu “imprimatur”, que reúne tudo — disse — Eu não acho que seja diferente de ter seu retrato feito por qualquer um dos grandes pintores do século XIX.

    Em 1979, crítica negativa

    Os retratos certamente não foram vistos dessa maneira no momento em que foram criados. Em novembro de 1979, quando o Whitney organizou uma mostra que incluiu 112 desses trabalhos encomendados, a recepção da mídia foi em grande parte negativa. No entanto, apesar do olhar crítico, Colacello chamou essas obras de o “ganha-pão” do império de Warhol. 79323328_SC - A cantora Debbie Harry do grupo Blondie Obras de arte. Em 1978 no clipe de “Heart of g.jpg

    Durante os anos 70, programas de novos trabalhos como a série “Skulls” na Europa — onde Warhol ainda tinha uma base fiel de colecionadores — geraram cerca de US$ 800 mil cada (hoje, US$ 2,3 milhões), o suficiente para cobrir as crescentes despesas. Os retratos encomendados custavam US$25.000, com um extra de US$15.000 normalmente cobrados para cada painel adicional.

    Primeiro vinha uma sessão de fotografia. Uma foto Polaroid do contratante era então ampliada para uma imagem de 40 x 40 e serigrafada sobre a tela, mas só depois de Warhol ter cortado meticulosamente detalhes que não lhe agradassem. No início dos anos 80, Warhol estava pintando cerca de 50 retratos por ano, arrecadando quase US$ 5 milhões em valores atuais.

    Para gerações que vieram depois da morte de Warhol em 1987, esses retratos costumam ser vistos como seu trabalho de mais forte assinatura. Suas cores alucinantes e pinceladas espalhafatosas sobre as imagens servem de tradução do estilo do artista. Até mesmo o establishment do mundo da arte reconheceu: museus de todo o mundo agora os adotam como exemplos essenciais de retratos modernos.


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    RIO — Ela foi uma feminista que desafiou convenções de gênero e sexualidade. Poderia ser uma mulher dos nossos tempos, mas Colette (1873-1954) é a romancista francesa, autora de “Gigi”, que originou o filme de 1958 vencedor de nove Oscars. Sua vida é retratada agora na cinebiografia “Colette”, em cartaz no Festival do Rio e prevista para estrear em dezembro.

    O longa do britânico Wash Westmoreland — o mesmo de “Para sempre Alice” (2014), que deu o Oscar a Julianne Moore — vem colecionando elogios desde a exibição no Festival de Sundance, em janeiro. Um dos destaques é a atuação de Keira Knightley na pele da escritora, que começou a carreira como ghostwriter do próprio marido, Willy (interpretado por Dominic West). Ela reivindicou a autoria da série literária “Claudine” após as obras se tornarem fenômeno de vendas na França.

    Nesta entrevista, Westmoreland, de 52 anos, celebra o pioneirismo de Colette, chama o próprio filme de revolucionário por colocar atores trans no papel de personagens cis, defende a arte como arma contra regimes autoritários e se emociona ao contar como foram os últimos dias do marido Richard Glatzer, com quem dirigiu “Para sempre Alice” — ele morreu pouco tempo depois da cerimônia do Oscar, vítima de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Trailer de Colette

    O roteiro é seu e do seu marido Richard Glatzer, com quem você também pretendia dirigir “Colette”. O filme mudou muito após a morte dele?

    Foi bem duro, porque trabalhamos juntos por 19 anos. Ele foi um homem brilhante que solidificou minha sensibilidade cinematográfica. Mesmo no fim, não cedeu à depressão e continuou a fazer filmes. Já estava muito doente na época de “Para sempre Alice”, perdendo os movimentos, sem voz, mal podia usar as mãos. No dia do Oscar, estava na UTI. Mesmo assim, abrimos um champanhe e comemoramos. Foi um momento alegre e triste.

    Perguntei o que ele queria fazer a seguir. Com o dedo do pé, ele escreveu: “Colette”. Infelizmente, morreu duas semanas depois. Quando me recuperei da fase mais profunda e chocante do luto, fiz o filme para honrar seu legado. Nas filmagens, conseguia escutar a voz dele na minha cabeça. Hoje, ouvindo os diálogos que ele escreveu saindo da boca dos atores... é uma sensação inexplicável. Vale a pena dar a vida pelo cinema.

    Quando vocês descobriram a história de Colette?

    Em 2001. Ela foi pioneira na forma de pensar sexualidade e gênero no século XX, relacionando-se com mulheres e usando roupas tidas como masculinas. Existe uma narrativa interessante no casamento dela com o Willy: de um lado, uma mulher talentosa; do outro, um marido egocêntrico e abusivo, que a forçava a escrever para ganhar todo o crédito.colette_f02cor_2018110043.jpg

    Mesmo assim, eles ficaram juntos durante anos.

    Tivemos que mostrar a complexidade desse relacionamento. Willy a explorava, mas também era uma espécie de mentor. A própria Colette afirmou que não teria começado a escrever sem ele. O problema é que, com o tempo, Willy passou a se sentir intimidado pelo talento da mulher e se tornou ainda mais controlador. Não a deixava de jeito nenhum assumir a autoria dos livros. Eu o vejo como um tirano, mas é também charmoso e divertido. As armas que ele usava contra Colette não eram apenas financeiras e culturais, mas também emocionais e sexuais.

    O filme recebeu elogios pela forma com que retrata a igualdade de gênero. Enquanto homem, qual a sua intimidade com o tema?

    Aos 13 anos, ouvi no rádio a Yoko Ono dizer que qualquer um que acreditasse na igualdade de gênero era feminista, como o John Lennon. Uma luz se acendeu no meu cérebro. Pensei: “Se John Lenon é feminista, também sou!”. Reivindiquei essa palavra, porque já entendia que o mundo era movido pelo poder masculino e que as injustiças vinham do privilégio dos meninos sobre as meninas. Hoje sou um aliado da emancipação feminina. Aplaudo as mulheres que encontraram suas vozes nos movimentos #MeToo e Time's Up. Estamos num momento empolgante, mas potencialmente perigoso, no qual há mais igualdade para mulheres, negros, gays e transexuais. Ao mesmo tempo, existe a reação do conservadorismo. Os homens brancos não querem entregar o poder. Entendia desde cedo que o mundo era movido pelo poder masculino e que as injustiças vinham do privilégio dos meninos sobre as meninas

    Qual o papel do cinema em meio à onda conservadora no mundo?

    Sabe por que o casamento gay foi aprovado nos EUA? Porque uma geração cresceu vendo séries como “Will & Grace” nos anos 1990. É apenas um exemplo, claro, mas a arte tem a função de abrir a mente das pessoas, o que culmina em mudanças políticas práticas. A elite transforma imigrantes e minorias em alvos, e nossa função é rebater por meio de narrativas sobre a verdade e bravura de pessoas que lutaram contra regimes opressores. A direita está aterrorizada com a indústria do entretenimento porque, vamos combinar, ela não tem muitas mentes criativas ao seu lado. Sinto muito, mas pessoas criativas criam políticas progressistas, é um fato. É por isso que regimes opressores tentam a todo custo censurar expressões artísticas: porque sentem pânico com a ideia de ver histórias que estimulem a consciência política.

    No filme, há atores trans no papel de pessoas cis. No entanto, a atriz Denise Gough, que é cis, interpreta a artista Mathilde de Morny, ou Missy, que era trans e namorou Colette. Qual foi o critério de escalação, afinal?

    Colette quebrou regras e achei que o filme também deveria. Escalei negros para viver gente que na vida real foi branca, lésbicas para interpretar bissexuais, etc. Em relação a Missy, recebi críticas, sim. Acho a discussão bem-vinda. Em minha defesa, Missy tinha o gênero fluído, senti que o teste de elenco podia ser bem aberto, focado apenas em quem atuasse melhor. De qualquer forma, o fato de os atores trans Jake Graf e Rebecca Root estarem no filme interpretado pessoas cis é revolucionário. Os espectadores saem do cinema sem saber disso, e é assim que tem que ser.

    SESSÕES

    Neste domingo, às 14h no Reserva Cultural Niterói. Segunda-feira, às 19h, no Estação Net Ipanema. Sábado 10/11, às 21h, no Estação Net Rio. Domingo 11/11 às 13h45m, no Kinoplex São Luiz. Classificação: 14 anos.


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