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    RIO — "Bandeira da fé", novo disco de Martinho da Vila que chega às plataformas de streaming nesta sexta-feira, traz uma curiosa novidade: é da jornalista e apresentadora Glória Maria a voz da sétima faixa do álbum, batizada de "Ser mulher".

    A composição é, na verdade, uma poesia falada, toda declamada por Glória, praticamente um 'texto em primeira pessoa", como disse Martinho em entrevista ao GLOBO (Leia a entrevista completa sobre "Bandeira da fé" neste link). Segundo o sambista, o fato de a apresentadora ser uma mulher negra e mãe de um filho adotivo pesou na escolha.

    "Dar a luz, filiar ou adotar/ E assim ser verdadeiramente mãe/ Talhar a cria para as lutas e os principais gozos da vida", diz alguns dos versos da composição, que exalta a feminilidade.

    Abaixo, ouça a participação de Glória Maria e leia a letra de "Ser mulher" na íntegra:

    Martinho da Vila com Gloria Maria - Ser mulher

    7 - "SER MULHER"

    (Martinho da Vila)

    É muito bom ser mulher

    Ser amada, cortejada

    Possuir, ser possuída

    O amante pode ser um qualquer

    Se for afável e de interior beleza

    Ser mulher não é ficar na vida qual água

    Inerte, presa

    É tentar a glória escalando as aspirações de um ideal superior

    A liberdade, o labor

    É lutar contra as ilusões dos preceitos

    E os grilhões dos preconceitos gerais

    Calcular o infinito transposto

    Dominar os desejos

    Seguir os ideais

    Dar a luz, filiar ou adotar

    E assim ser verdadeiramente mãe

    Talhar a cria para as lutas e os principais gozos da vida

    A música, a poesia e o amor


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    RIO — A cantora Greeicy Rendón dá os primeiros acenos ao Brasil ao lançar uma parceria com Anitta no reggaeton "Jacuzzi". Pela desenvoltura no clipe com as danças sensuais, roupas molhadas com banhos de chuva e flerte no olhar, dá para ver que a colombiana tem muito em comum com a poderosa. A começar pelos elogios na mídia local: Greeicy é descrita como “artista multifacetada”, “estrela sexy” e “cantora com movimentos sensuais”.

    links músicaCom 25 anos, Greeicy namora o também cantor Mike Bahía. Foi a bonitona que tomou a iniciativa para conquistar o, então, futuro namorado: “Já sei que vou te namorar. Só falta te conhecer por dentro”, disse em entrevistas. Dito e feito, já são quatro anos de relacionamento, e os dois até moram juntos. A parceria se estendeu para a música, com o lançamento de “Amantes”.

    A carreira de Greeicy começou aos 14 anos no reality “Factor Xs”, a versão infantil colombiana do “X factor”, em que terminou na oitava colocação. De lá, começou a fazer novelas e séries, sendo 12 no total, entre papéis de ponta e protagonistas. Queridinha da TV, foi convidada a participar de uma versão do “Dança dos famosos” e venceu a competição.

    Greeicy, Anitta - Jacuzzi


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    RIO — Em seu primeiro álbum em oito anos, o Black Eyed Peas levou para o estúdio em "Masters of the sun, Vol. 1" sua formação original, com will.i.am, apl.de.ap e Taboo — Fergie, que saiu em carreira solo no ano passado, entou no terceiro disco do grupo, “Elephunk”, de 2003.

    Nas 12 faixas do novo disco a falta dos timbres femininos de Fergie é compensada com as participações de Nicole Scherzinger e da sul-coreana CL, marcando a influência do K Pop na música internacional. Além delas, a lista de participações segue com Nas, Phife Dawg e Ali Shaheed Muhammad (A Tribe Called Quest), Posdnuos (De La Soul), e Slick Rick.

    Ouça o disco 'Masters of the Sun, Vol. 1'O sétimo álbum de estúdio do grupo, que sucede "The Beginning", de 2010, chega às lojas nesta sexta-feira. O trio é uma das atrações confirmadas para o Rock in Rio em 2019, e vai se juntar a Anitta e Pink no dia pop do evento, em 5 de outubro.


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    RIO — Um dos gêneros mais populares no universo da séries, os policiais são o tema de hoje. De histórias de fôlego longo a episódios cujas aventuras se encerram a cada capítulo, tem de tudo um pouco. É diversão garantida.

    Nova York é o cenário:

    ice_t.JPGA 20ª temporada de “Law & order: SVU”, uma das séries mais longevas da televisão americana, acaba de estrear no Brasil. Na produção, acompanhamos a rotina de Olivia Benson (Mariska Hargitay) e de seus colegas em um departamento da polícia de Nova York. Os dois primeiros episódios compõem uma história que envolve drama familiar. O terceiro é inspirado nos noticiários e retrata uma situação de imigração ilegal.

    Cotação: Ótimo

    Onde: Universal e Universal Play

    Brasileira:

    74421971_SC TV Cenas da minissérie %27Se eu fechar os olhos agora%27 com Mariana Ximenes Débora Fala.jpg"Se eu fechar os olhos agora", minissérie de Ricardo Linhares baseada no livro homônimo de Edney Silvestre, mostra a história de Eduardo (Xande Valois) e Paulo (João Gabriel D’Aleluia) nos anos 1960. Os meninos, durante um passeio, encontram o corpo de uma mulher jogado numa cachoeira. Eles acabam suspeitos do crime e decidem investigar o caso por conta própria.

    Cotação: Boa

    Onde: Now

    Links Dicas Kogut

    Romance e mistério:

    sharon_stone_mosaic.jpgEm "Mosaic", Sharon Stone interpreta Olivia Lake, uma escritora famosa que se envolve com um rapaz mais jovem, Eric Neill (Frederick Weller). A uma certa altura do romance, ela descobre que as intenções dele não são as melhores. O rompimento do casal coincide com o sumiço de Olivia. Esse mistério faz disparar uma investigação policial.

    Cotação: Boa

    Onde: HBO

    Numa pequena cidade inglesa:

    broadchurch.JPG"Broadchurch" mostra a rotina da dupla de policiais Alec Hardy (David Tennant) e Ellie Miller (Olivia Colman). Na primeira temporada, eles tentam solucionar o assassinato de um garoto de 11 anos. Os dois atores são ótimos e não é à toa que venceram o Bafta Awards por causa da série. Vale acompanhar.

    Cotação: Boa

    Onde: Mais Globosat Play

    Crime local:

    trapped.JPGA islandesa “Trapped” é ambientada numa cidadezinha pacata. A tranquilidade do lugar acaba quando um pescador encontra parte de um corpo em sua rede. O chefe da polícia, Andri (Ólafur Darri Ólafsson), é chamado para investigar esse crime. Merece sua atenção.

    Cotação: Boa

    Onde: Netflix


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    RIO — Em seu primeiro álbum em oito anos, o Black Eyed Peas levou para o estúdio em "Masters of the sun, Vol. 1" sua formação original, com will.i.am, apl.de.ap e Taboo — Fergie, que saiu em carreira solo no ano passado, entou no terceiro disco do grupo, “Elephunk”, de 2003.

    Nas 12 faixas do novo disco a falta dos timbres femininos de Fergie é compensada com as participações de Nicole Scherzinger e da sul-coreana CL, marcando a influência do K Pop na música internacional. Além delas, a lista de participações segue com Nas, Phife Dawg e Ali Shaheed Muhammad (A Tribe Called Quest), Posdnuos (De La Soul), e Slick Rick.

    Ouça o disco 'Masters of the Sun, Vol. 1'O sétimo álbum de estúdio do grupo, que sucede "The Beginning", de 2010, chega às lojas nesta sexta-feira. O trio é uma das atrações confirmadas para o Rock in Rio em 2019, e vai se juntar a Anitta e Pink no dia pop do evento, em 5 de outubro.


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    RIO — O ator e diretor Roberto Benigni, vencedor do Oscar pelo filme "A vida é bela", estará de volta aos cinemas no ano que vem. O italiano vai viver o Geppetto em uma adaptação com atores reais de "Pinóquio", dirigida por Matteo Garrone. As filmagens estão marcadas para ter início no primeiro trimestre de 2019.

    O anúncio da escalação foi feito nesta sexta-feira, dias depois de ter sido revelado que Guillermo del Toro recebeu sinal verde da Netflix para dar início ao projeto de uma animação em stop-motion que também vai contar a história do boneco de madeira que ganha vida.

    Links filmes Benigni

    Após fazer uma ponta em "Para Roma, com amor" do diretor Woody Allen, lançado em 2012, Benigni dedicou os últimos quase sete anos a uma adaptação teatral de "A divina comédia", de Dante Alighieri. O ator, no entanto, se mostrou feliz com o retorno.

    Em comunicado à imprensa, Garrone afirmou que o projeto representa "dois sonhos se tornando realidade": dirigir uma adaptação de "Pinóquio" e trabalhar com Benigni.

    “O fantoche de Collodi [criador do personagem] e eu temos perseguido um ao outro desde que eu era criança e desenhava meus primeiros storyboards. Com o passar dos anos, sempre senti algo familiar na história, como se o Pinóquio tivesse penetrado na minha imaginação de tal forma que muitos já encontraram traços das suas aventuras em meus filmes anteriores", diz o diretor.

    O filme é uma coprodução internacional entre Itália e França, comandada pela Archimede Films, produtora de Garrone. Os animais e criaturas da fábula serão criados pelo maquiador Mark Coulier, que trabalhou nas franquias "Harry Potter" e "X-men", e foi duas vezes vencedor do Oscar de melhor maquiagem com "O Grande Hotel Budapeste" e "A Dama de Ferro".


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    NOVA YORK — Monstros do cinema há muito tempo provaram ser material fértil para os atores. Boris Karloff tornou-se uma das estrelas de cinema mais populares dos anos 1930, quando sua interpretação de Frankenstein provocou simpatia e horror. O tempo cômico de Robert Englund como Freddy Krueger carregou a série "Hora do pesadelo" ao longo de oito filmes. Bill Skarsgard gerou até mesmo rumores de indicação ao Oscar por sua imprevisível interpretação do palhaço Pennywise na refilmagem de "It", no ano passado.

    Comparado a eles, Michael Myers, o assassino mascarado dos filmes de “Halloween”, não é exatamente um papel interessante. Ele fica em silêncio e não passa emoções — apenas espreita e mata. No filme original de 1978, o personagem foi descrito pelo diretor John Carpenter como "a Forma". Como você interpreta algo chamado A Forma? A resposta é inesperadamente complicada.

    Oito atores passaram pelo personagem ao longo de dez filmes — apenas "Halloween III: Temporada da bruxa" não conta com Michael. John Carpenter, que dirigiu e escreveu, com Debra Hill, o original, descreveu o personagem durante uma recente entrevista por telefone: “Ele não era humano e não era sobrenatural. Ele estava em algum lugar no meio do caminho. Ele era a Forma. Poderia estar em qualquer lugar à noite. Poderia estar nas sombras. Ele via você. E mesmo que ele se movesse como um ser humano, havia algo nele... diferente".

    Trailer de 'Halloween'Quando estava escalando a Forma, Carpenter entregou uma máscara — um rosto do capitão Kirk pintado de branco — a Nick Castle, um amigo da Universidade da Califórnia. "Nick tinha uma certa graça no andar, em sua marcha", disse Carpenter. "Eu via seu corpo e a forma como ele se movia e disse: 'Esse é o Michael Myers'".

    Um cineasta aspirante, Castle aceitou o papel ao perceber que estar no set faria com que ele entendesse melhor o processo de produção de filmes. Mas precisou de muita direção quando as filmagens começaram.

    nick-castle.jpg— Eu me lembro claramente da primeira vez à frente da câmera — diz Castle. — Eu andei até John e disse: 'Ei, esta é a primeira vez que vamos ver a Forma. O que você quer que eu faça?' Ele respondeu: 'Apenas vá até lá e ande na minha direção'.

    Ele descreve Carpenter como o homem que o manipulava como uma marionete.

    — Ele dizia: 'Ande mais rápido. Ande mais devagar. Incline a cabeça. A performance é dele, de certa maneira.

    As novas gerações

    Links HalloweenQuando a produção de “Halloween II” (1981) bateu com a estreia na direção de Castle, “Jogo assassino”, o papel foi entregue a uma série de atores e dublês, cada um deles adicionando seus próprios detalhes a Michael Myers.

    Don Shanks, o vilão em "Halloween 5: A vingança de Michael Myers" (1989), tinha experiência com personagens silenciosos. Um veterano do teatro que havia estudado mímica e dança na faculdade, Shanks teve sua grande chance em "A vida e os tempos de Grizzly Adams", quando foi escalado como o amigo nativo americano do lenhador de fronteira.

    — Muitas vezes, eu não tinha diálogo ou falava em um dialeto indígena — disse Shanks. — Eu tinha que ouvir e ver o que estava acontecendo.

    Para os testes de elenco de “Halloween 5”, Shanks escutou com atenção o diretor Dominique Othenin-Girard, que apresentou sua visão de Micahel Myers e pediu que ele "andasse como madeira através da água". Shanks andou a passos largos como se ele fosse "rígido, mas capaz de fluir, onde havia resistência mas você ainda era capaz de se mover." E conseguiu o papel.

    Chris Durand não tinha visto o desempenho de Shanks nem mesmo o “Halloween” original antes de pegar a faca para fazer “Halloween H20”, de 1998. Mas ele sabia que o papel exigia mais do que trabalho de dublê.

    — Se você não trouxer algo a mais, será apenas um cara com uma máscara — avalia. Para Durand, a inspiração veio de um grande felino. — Se você já viu um tigre travar os olhos em sua presa, é muito intenso e ele tem nesse momento um foco total. Eu inclinava um pouco minha cabeça para baixo e prendia minha atenção a quem quer que fosse atacar. Eu até criei um grunhido baixo e gutural que um cara de som pegou.

    tyler-mane.png

    Tyler Mane foi Michael Myers nas duas versões de Rob Zombie para “Halloween”, em 2007 e 2009. Mane tinha mais material para trabalhar do que seus antecessores. Os filmes de Zombie revelaram uma história de origem para o vilão, tornando o personagem menos uma Forma e mais uma pessoa totalmente formada.

    Mane também teve o benefício de poder usar seus olhos para transmitir emoção, porque as máscaras nessas versões revelavam mais de seu rosto. Na preparação para o papel, o ator pesquisou assassinos seriais e usou sua própria experiência como lutador profissional por 11 anos.

    — Todo esse treinamento me ajudou — diz ele sobre seu tempo no ringue. — É o movimento do corpo, a linguagem corporal, o uso dos olhos e o modo como você se comporta.

    Com dois metros de altura e pesando 115 kg, ele também usou o corpo em benefício próprio.

    — Rob queria torná-lo mais agressivo e intenso e foi assim que fui contratado.

    Como Durand em “Halloween H20”, o diretor do último “Halloween”, David Gordon Green, imaginou Michael Myers “Como algum tipo de felino em estado selvagem, sempre observando e consciente e movendo a cabeça a frente de seu corpo”.

    Green não insistiu muito em aspectos de Michael que incomodavam os fãs, como de que forma ele aprendeu a dirigir tendo sido institucionalizado aos 6 anos de idade.

    — Acontece muita coisa fora da câmera que você compra ou não, mas eu simplesmente me rendo à mística de Michael — diz.

    Além de trazer Castle de volta para uma participação especial, Green escolheu James Jude Courtney como Michael Myers.

    — Havia uma sensibilidade bonita nele — afirma o diretor. — Jim também havia estudado muito o filme original e o trabalho de Nick Castle.

    James Jude Courtney halloween.jpgCourtney, um ator e dublê de 61 anos, disse que absorveu o desempenho de Castle após a assistir ao filme original. O momento eureka dele veio quando Michael Myers atravessou um quintal.

    — Naquele momento, capturei a essência da Forma. Foi uma coisa vibrante. — diz o ator, que apostou em uma abordagem zen para entrar no personagem. — Eu aceito que o universo é um grande campo de informações e, portanto, a informação que foi criada quando John Carpenter e Debra Hill escreveram a Forma e quando Nick Castle habitou intuitivamente a Forma existe no universo. Acabei de criar o espaço e baixei as informações.

    Durante os testes de elenco e, depois, no set, ele manteve a mesma atitude.

    — Eu respirava, me abria e o personagem entrava. — Depois, quando a cena terminava ele — Expirava. Deixava sair, então eu não carregava aquilo comigo, porque era muito, muito profundo. Eu era essencialmente um ser diferente quando estava ligado. Entre as tomadas, ficava apenas de pé, imóvel, num canto. Eu não falava com ninguém.

    Halloween.jpgCastle, por outro lado, não mudou sua abordagem nem um pouco.

    — Eu tinha tanto planejamento prévio no novo (filme) quanto tive no antigo — relembra. — Acho que sempre desaponto os fãs quando conto a história porque eles querem pensar que eu fiz algo profundo e misterioso. Mas realmente estava colocando uma máscara e andando.


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    RIO - Um dia depois do show de Roger Waters no Maracanã, Yuri Santana dos Santos, de 14 anos, chegou nesta quinta-feira à escola onde estuda, na Zona Norte do Rio, e recebeu de um de seus professores seu primeiro pedido de autógrafo. Aluno da oficina de canto do projeto Educagente, da Associação Beneficente São Martinho, em Vila Kosmos, que é voltada para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, ele e mais onze colegas viveram uma noite digna de popstar.

    Sem nunca jamais terem estado em um show na vida, nem na plateia, o grupo - de alunos entre 10 e 17 anos - chegou ao estádio às 11h30m de quarta-feira. Todos tiveram um camarim recheado de guloseimas, com direito à banheira de hidromassagem (que serviu de cenário para fotos), e passaram o som com o ídolo, à tarde, depois de um último ensaio com coreógrafos da produção e prova de roupas. Num dos momentos mais aguardados da noite, subiram ao palco para fazer coro na antológica "Another brick in the wall (Part II)", sucesso do Pink Floyd desde 1979, quando nem sonhavam em nascer. No fim da apresentação, ainda ouviram de Waters, entre abraços, beijos e selfies: "tem certeza de que vocês nunca fizeram isso na vida?".79531473_Rio de Janeiro RJ 24102018 Roger Waters - Show - O ex integrante do Pink Floyd Roger Waters (1).jpg

    Antes de entrar em cena, João Vitor Oliveira Magalhães estava tão tenso que passou mal.

    - A Meu corpo tremia. Cai em prantos. Olhei para o lado e estava todo mundo chorando - relembra Marcos Daniel Samuel da Costa.

    Para chegar àqueles cerca de cinco minutos no palco, a preparação foi grande. E começou há quatro meses. Mas, para explicar como os cinco meninos e sete meninas chegaram lá, é preciso voltar um pouco mais no tempo. E falar de um outro roqueiro, o inglês Jim Capaldi, ex-bateirista da banda Traffic, que tocou com artistas como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Goerge Harison (com este, inclusive, gravou uma versão em inglês de "Anna Júlia", do Los Hermanos, um pouco antes de morrer, em 2005). Jim era casado com uma brasileira, Ana Capaldi, e chegou a morar no Brasil. Por anos o casal ajudou financeiramente o Educagente, com quem criou laços. Assim surgiram o Coral Jim Capaldi e oficinas como as de canto, cavaquinho, percussão, violão e prática de conjunto.

    - Tabitha, uma das filhas dos dois, é amiga da filha do Roger Waters. E fez o elo entre a produção dele e a gente para a participação no show - conta a coordenadora do projeto, Ana Márcia Souza e Silva, lembrando que o músico contou com grupos de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social em todos os estados onde se apresentou no Brasil.

    Segundo a professora de canto e técnica vocal da instituição, Nai Dias, o trabalho foi como na música: tijolo por tijolo:

    - Era uma turma de 35 alunos. Mostrei a eles a música, com a letra em inglês e sua tradução. Também contei a história de Roger Waters, que eles não conheciam. Eles ficaram enlouquecidos! O passo seguinte foi pedir a uma ex-aluna, filha de uma americana, que gravasse áudios de frase por frase, para que eles aprendessem a pronúncia correta. E começamos a ensaiar, inclusive as coreografias. Todo mês, tínhamos que mandar para os produtores do show vídeos mostrando o desenvolvimento dos alunos, tanto na parte melódica quando na corporal.

    Para chegar aos 12 alunos selecionados, foi feita uma audição.

    - Não era só afinação que contava, mas também assiduidade, responsabilidade e comprometimento - explica a professora, que trabalhou com o maestro Jary Amorim Júnior.79549149_SC - Rio de Janeiro RJ 26-10-2018 O CORO DE JOVENS DA FUNDAÇÃO SÃO MARTINHO QUE PARTICIPOU.jpg

    Do coral, só Roberta Pequeno, de 17 anos, conhecia o grande sucesso do Pink Floyd:

    - Tenho um grupo de amigos com quem escuto grupos de rock mais antigos, como Beatles e Guns and Roses. RogerWaters_2510

    - Eu não conhecia, mas o meu avô é muito fã do Pink Floyd. Quando contei que ia participar ele e minha mãe nem acreditaram - completa Manoela Santana, de 14 anos.

    Todos viraram fãs da música e de Roger Waters.

    - Hoje fiz uma prova difícil, e me lembrei da pressão sobre a qual fala a música - diz Roberta, que está no segundo ano do ensino médio.

    - A música fala sobre política e resistência. Sobre o momento que estamos passando agora. A gente é o futuro. E Roger Waters pregou isso no show dele - acrescenta Yasmin dos Santos Dias, de 16 anos.


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    RIO — No dia seguinte ao show de Roger Waters no Maracanã, Yuri Santana dos Santos, de 14 anos, chegou na quinta-feira à escola onde estuda, na Zona Norte do Rio, e recebeu de um de seus professores um pedido de autógrafo. Aluno da oficina de canto do projeto Educagente, da Associação Beneficente São Martinho, em Vila Kosmos, voltada para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, ele e onze colegas viveram uma noite ídolos do rock.

    Sem nunca terem estado em um show na vida, nem na plateia, o grupo — de alunos entre 10 e 17 anos — chegou ao estádio às 11h30m de quarta-feira. Tiveram um camarim com guloseimas, banheira de hidromassagem (que serviu de cenário para fotos), e passaram o som com o músico inglês, à tarde, depois de um último ensaio com coreógrafos da produção e prova de roupas. Num dos momentos mais aguardados da noite, subiram ao palco para fazer coro na antológica "Another brick in the wall", sucesso do Pink Floyd desde 1979, quando nem sonhavam em nascer. No fim da apresentação, ainda ouviram de Waters, entre abraços, beijos e selfies: "tem certeza de que vocês nunca fizeram isso na vida?".79531473_Rio de Janeiro RJ 24102018 Roger Waters - Show - O ex integrante do Pink Floyd Roger Waters (1).jpg

    Antes de entrar em cena, João Vitor Oliveira Magalhães, de 14 anos, estava tão tenso que passou mal.

    — Meu corpo tremia. Cai em prantos. Olhei para o lado e estava todo mundo chorando — relembra Marcos Daniel Samuel da Costa, 12 anos.

    Preparação chegou a quatro meses

    Para chegar àqueles cinco minutos no palco, a preparação foi grande. E começou há quatro meses. Mas, para explicar como os cinco meninos e sete meninas chegaram lá, é preciso voltar um pouco mais no tempo. E falar de um outro roqueiro, o inglês Jim Capaldi, ex-bateirista da banda Traffic, que tocou com artistas como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Goerge Harison (com este, inclusive, gravou uma versão em inglês de "Anna Júlia", do Los Hermanos, um pouco antes de morrer, em 2005). Eu não conhecia, mas o meu avô é muito fã do Pink Floyd. Quando contei que ia participar, ele e minha mãe nem acreditaram

    Jim foi casado com uma brasileira, Ana Capaldi, e chegou a morar no Brasil. Por anos, o casal ajudou financeiramente o Educagente, com quem criou laços. Assim, surgiram o Coral Jim Capaldi e oficinas de canto, cavaquinho, percussão, violão e prática de conjunto.

    — Tabitha, uma das filhas dos dois, é amiga da filha do Roger Waters. E fez o elo entre a produção dele e a gente para a participação no show — conta a coordenadora do projeto, Ana Márcia Souza e Silva, lembrando que o músico contou com grupos de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social em todos os estados onde se apresentou no Brasil.

    Segundo a professora de canto e técnica vocal da instituição, Nai Dias, o trabalho foi como na música, tijolo por tijolo:

    — Era uma turma de 35 alunos. Mostrei a eles a música, com a letra em inglês, e sua tradução. Também contei a história de Roger Waters, que eles não conheciam. Eles ficaram enlouquecidos! O passo seguinte foi pedir a uma ex-aluna, filha de uma americana, que gravasse áudios de frase por frase, para que eles aprendessem a pronúncia correta. E começamos a ensaiar, inclusive as coreografias. Todo mês, tínhamos que mandar para os produtores do show vídeos mostrando o desenvolvimento dos alunos, tanto na parte melódica quando na corporal. A música fala sobre política e resistência. Sobre o momento que estamos passando agora. A gente é o futuro. E Roger Waters pregou isso no show dele

    Para chegar aos 12 alunos selecionados, foi feita uma audição.

    — Não era só afinação que contava, mas também assiduidade, responsabilidade e comprometimento — explica a professora, que trabalhou com o maestro Jary Amorim Júnior.79549149_SC - Rio de Janeiro RJ 26-10-2018 O CORO DE JOVENS DA FUNDAÇÃO SÃO MARTINHO QUE PARTICIPOU.jpg

    Do coral, só Roberta Pequeno, de 17 anos, conhecia o grande sucesso do Pink Floyd:

    — Tenho um grupo de amigos com quem escuto grupos de rock mais antigos, como Beatles e Guns N' Roses. RogerWaters_2510

    — Eu não conhecia, mas o meu avô é muito fã do Pink Floyd. Quando contei que ia participar ele e minha mãe nem acreditaram — completa Manoela Santana, de 14 anos.

    Todos viraram fãs da música e de Roger Waters.

    — Hoje fiz uma prova difícil, e me lembrei da pressão sobre a qual fala a música — diz Roberta, que está no segundo ano do ensino médio.

    — A música fala sobre política e resistência. Sobre o momento que estamos passando agora. A gente é o futuro. E Roger Waters pregou isso no show dele — acrescenta Yasmin dos Santos Dias, de 16 anos.


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    RIO - Sem mudança alguma no texto, a ópera “Carmen”, de Bizet, sai de seu tradicional cenário na Espanha do século XIX para se concentrar na fronteira entre o México e os Estados Unidos nos dias de hoje. Dirigido pela venezuelana Valentina Carrasco, o espetáculo ganha abordagem contemporânea, tocando em questões como a crise da imigração na América do Norte, a xenofobia e o movimento #MeToo.

    Essa cigana do século XXI é uma das principais atrações do Festival Ópera na Tela, que começa hoje e segue até dia 8 de novembro no Parque Lage. Todos os dias, sempre às 19h30m, filmes de 12 récitas inéditas e recentes serão exibidos numa tenda montada no parque, com espaço para 400 pessoas. “Carmen” está escalada para o dia 4.

    Recital 'ao vivo'

    Outro clássico com nova roupagem é “La Bohème”, de Puccini, que será apresentado no dia 3. A montagem do alemão Claus Guth, com direção musical do venezuelano Gustavo Dudamel, se situa na Lua, onde, num futuro sem esperança, o amor e a arte tornam-se o derradeiro caminho para a transcendência. Já a “Tosca” de Puccini, que abre hoje o festival, ganhou uma releitura meio contemporânea, meio vintage: isso porque a montagem do austríaco Michael Sturminger dá um clima noir para a história. Quem chegar para a projeção será recebido com um recital “ao vivo” da soprano italiana Nathalie Manfrino e da pianista nascida na Geórgia Nino Pavlenichvili.

    — Selecionamos obras que trazem um olhar atual para os clássicos — diz Emmanuelle Boudier, diretora e curadora do festival. — A ópera consegue se reinventar sempre, graças a temáticas universais e também à mistura de várias artes, como encenação, música, poesia, vídeo...

    Depois do festival, os filmes chegarão aos cinemas de mais de 20 cidades brasileiras até outubro de 2019.

    Festival Ópera na Tela

    Onde: Parque Lage — Rua Jardim Botânico 414 (mais informações: 2557-6717).

    Quando: de 27/10 a 8/11 (menos no dia 30).

    Quanto: R$ 24.

    Classificação: variável conforme a ópera.


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    Conteúdo exclusivo para assinantes, acesse no site do globo.

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    RIO — De muitos encontros, um espaço voltado à vivência coletiva começou a tomar forma em um sobrado no número 5 da Rua Abreu Fialho, no Horto. Idealizada pela psicanalista Renata Salgado, a Casa Contexto abre suas portas no próximo dia 7, com um ciclo de palestras e debates em torno de “Rei Lear”, de Shakespeare. Na proposta da casa, a literatura se mescla a outras expressões culturais, como as artes plásticas. Em 2019, aliás, a programação trará os encontros mensais Imagem Escrita, título do livro que Renata organizou em 1999, no qual artistas e escritores foram reunidos em pares para dialogar.

    — Eu queria um espaço para promover encontros, sentia falta do coletivo — conta Renata. — Quando encontrei este lugar, tinha uma noção do que eu queria, e quando fui desenvolver o projeto começou a chegar muita gente com ideias incríveis. Minha vontade era criar um lugar de discussão e interação, quebrando aquela dinâmica de palestras, em que uma pessoa fala e as outras escutam.

    Ciclos vão de Homero a Guimarães Rosa

    Os interesses afins viraram parceria, dando forma à programação e à própria essência da Casa. Responsável por um grupo de estudos que Renata frequenta há mais de dez anos, a professora da Uerj Fernanda Medeiros tornou-se consultora do ciclo “Rei Lear”; a escritora Julia Wähmann assumiu a produção do espaço; e o crítico literário e ex-curador da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) Miguel Conde ficou responsável pela curadoria dos ciclos. Além de “Rei Lear”, haverá obras de Homero (“Odisseia”), Dante Alighieri (“A divina comédia”), Virginia Woolf (“Mrs. Dalloway”), e Guimarães Rosa (“Grande sertão: veredas”).

    A série inicial, realizada em quatro encontros, será aberta pelo escritor e tradutor Rodrigo Lacerda. No dia 14, Fernanda Medeiros e o escritor Pedro Süssekind debatem o trágico em “Rei Lear”. No dia 28, a juíza Andrea Pachá e o advogado José Roberto de Castro Neves abordam temas sobre partilha e família. E, em 5 de dezembro, José Roberto O’Shea, PhD em Literatura Inglesa, encerra o ciclo com foco na teatralidade.

    — A proposta é trazer um novo olhar sobre cânones da literatura e colocá-los em diálogo com questões contemporâneas — explica Conde. — O tema do deslocamento, que está presente nessas obras, serviu como ponto de partida. É uma forma de valorizar a diversidade, o contato com o diferente, num momento forte de acirramento dos conflitos.

    Autor de “Shakespeare — O gênio original”, Pedro Süssekind vai abordar nos ciclos como o conceito de tragédia foi apropriado a partir de clássicos do gênero escritos pelo bardo, como “Hamlet”, “Macbeth” e “Otelo”, além de “Rei Lear”.

    — A forma como nos referimos a algo trágico, geralmente ligado à morte ou a um acidente, tem relação com elementos presentes na obra de Shakespeare — aponta o autor, que finaliza um livro sobre “Hamlet”. — Ele trabalhava a fundo a psicologia dos personagens. O infortúnio vem das emoções humanas e não do destino.

    Quatorze obras em duas semanas

    No ano que vem, a série de encontros “Imagem escrita” deve contar com nomes como Waltercio Caldas, Angelo Venosa, Daniel Senise, Carlito Carvalhosa e Alice Miceli. Renata também planeja convidar artistas para entrevistas registradas, que podem vir a fazer parte de uma publicação. Enquanto os projetos se concretizam, as artes visuais marcam presença desde agora com obras de João Villela, inspiradas em “Rei Lear”.

    — Participo do grupo de estudos há anos com a Renata, já fazia obras inspiradas nos livros, é um universo familiar. Quando conversamos sobre criar trabalhos a partir de “Rei Lear”, foi tudo muito rápido, foram 14 em duas semanas — conta Villela, que deverá produzir mais imagens para os outros ciclos.

    O nome do espaço foi escolhido tanto pelo jogo de palavras (“com texto”) quanto por seu significado no momento atual.

    — A gente está sendo desafiado a se aprofundar. A literatura e a arte têm uma função de desorganizar o discurso político, que é feito para encantar e não para buscar a reflexão — analisa Renata. — Assim como tantas outras pessoas, sentia falta de um espaço para troca, para pensar a potência transformadora da arte, a sua capacidade de resistência.


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    RIO - Neste primeiro e premiado romance do americano Michael Zadoorian, lançado em 2000, o narrador é o anti-herói Richard, proprietário de uma pequena loja de objetos de segunda mão. Desprezadas e descartadas, essas quinquilharias do século XX possuem valor afetivo inestimável para o esquisito protagonista. Celibatário, autodepreciativo e nostálgico, ele passa seus dias a peregrinar por vendas de espólio na degradada Detroit dos anos 1990. A própria cidade parece um enorme objeto descartado, à espera que redescubram sua antiga grandeza.

    A morte da mãe joga Richard numa casa que precisa ser esvaziada, a casa de sua infância, repleta de coisas que evocam os “momentos brechó”: “Esse objeto, que foi tão importante para você em uma época da sua vida, havia desaparecido tão completamente do seu pensamento consciente, havia ficado tão enterrado, que você sequer pensou nele por décadas”.

    O conflito de alguém com suas memórias, assim como com os segredos familiares que vêm à tona no garimpo do próprio legado, poderia ser suficiente para sustentar uma narrativa. Em “Brechó”, no entanto, uma história de amor encobre esse acerto de contas com o passado: trata-se do envolvimento entre Richard e a excêntrica Theresa. Ela, que também cultua objetos vintage, além de gatos e caveiras mexicanas, trabalha em um abrigo para animais abandonados, onde pratica eutanásia naqueles que não conseguem um novo lar. O custo psíquico de tais atos é, evidentemente, avassalador.

    A importância que a questão moral de Theresa adquire sugere uma aproximação entre o descarte de objetos e o de animais, tantos uns quanto outros vistos subitamente como obsoletos, inadequados para a vida em família, substituídos por novidades que logo terão o mesmo destino.

    Humanidade nos objetos

    Nesse sentido, Richard e Thereza podem ser vistos como aqueles que acolhem o que os os demais jogam fora. É uma reflexão interessante, mas um pouco enfraquecida pelo fato de a personagem feminina ser tão desprovida de nuances, como se depositária de uma única característica — a culpa pela morte de tantos animais.

    Zadoorian consegue criar um personagem interessante — Richard — e um inventário afetivo de objetos que marcaram época. Para o leitor brasileiro, talvez seja um mergulho muito profundo na cultura de massa americana, mas “Brechó” oferece algo mais do que descrições minuciosas de vendas de garagem.

    Os melhores momentos do romance ocorrem quando vemos a humanidade por trás de todos esses velhos pratos, livros de receitas com anotações, aparelhos de ginástica ou isqueiros de formatos inusitados. Os piores momentos são aqueles em que o tom levemente cômico causa ruído em situações que deveriam ser comoventes: “A depressão se instalou em volta da minha cabeça como um daqueles secadores cônicos dos salões de beleza dos anos 1950” (é difícil acreditar que alguém realmente triste possa fazer piadas com secadores de cabelo).

    O romance de estreia de Zadoorian tem ecos de “Alta fidelidade” (1995), best seller de Nick Hornby, e de “Ghost World” (2001), a cultuada graphic novel de Daniel Clowes. As três obras gravitam em torno de personagens que se recusam a aceitar a passagem do tempo, fetichizando objetos que não encontram lugar na nova ordem do mundo. Por trás desse amor material, escondem-se homens inseguros, sensíveis e com sérias dificuldades em lidar com gente de carne e osso.

    “Brechó”

    Autor: Michael Zadoorian. Editora: Rádio Londres. Tradução: Luís Reyes Gil. Páginas: 288. Preço: R$ 54,50. Cotação: Regular

    *Carol Bensimon é escritora


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    RIO — Eram 3h30m de sábado quando Mano Brown subiu ao palco da Fundição Progresso, na Lapa, diante de cerca de três mil pessoas, para iniciar o show de seu disco solo, “Boogie naipe”, lançado em dezembro de 2016.

    Em pouco mais de uma hora de show, Brown evitou fazer qualquer discurso político, na antevéspera do segundo turno da eleição presidencial brasileira. Ele se limitou a cantar — bem brevemente — “Ele não” e “Não passarão”, na metade da apresentação.

    Previsto para 1h30m, o show teve duas horas de atraso causadas pela demora de Jorge Ben Jor a subir ao palco — o lendário cantor fez uma apresentação de duas horas, durante a qual não se manifestou politicamente.

    No show de “Boogie naipe” — em que toca o álbum de 22 faixas na íntegra — Brown faz um tributo à black music brasileira, carregado no soul e no funk e com ecos de Tim Maia e do próprio Ben Jor, acompanhado por 16 artistas entre músicos, backing vocals e dançarinos. O disco por si só não tem uma pegada política, diferentemente de grande parte do repertório dos Racionais MCs, histórico grupo de rap paulista que revelou Brown. mano brow lapa - 27/10/2018

    Na última terça-feira, Mano Brown roubou a cena ao participar de um comício a favor do candidato Fernando Haddad (PT), no Rio. Músicos como Chico Buarque e Caetano Veloso também marcaram presença no ato.

    Na ocasião, o rapper questionou o clima de festa do evento e fez críticas ao partido no palco montado nos Arcos da Lapa.

    — A comunicação é a alma. Se não está conseguindo falar a língua do povo vai perder mesmo. Falar bem do PT para a torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não está aqui que deveria ser conquistada — disse Brown. — Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber.

    Brown foi vaiado por parte do público presente ao comício, e ganhou o apoio de Caetano Veloso, também no palco:

    — Eu acho que a fala de Mano Brown é muito importante porque traz a complexidade do nosso momento. A mera festa pode parecer que temos uma mensagem simples a passar. O Brasil tem sido bombardeado há algumas décadas por uma imbecilização planejada em que filósofos têm dito palavrões para acostumar a mente brasileira à ideia de que o cafajeste é que nos representa. Temos que negar isso dentro de nós. Não só nós que estamos aqui, que já lutamos contra isso, mas encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por isso, em parte como vocês, em parte como Mano Brown.

    O próprio Haddad também apoiou o tom do discurso de Brown ainda no palco. Mais tarde, o candidato do PT reforçaria o apoio através de suas redes sociais.

    — O Mano Brown tem toda razão. Precisamos voltar pra periferia de coração aberto porque a periferia não votou com a gente no primeiro turno. Vamos voltar para a base pra governar o Brasil com a base, como sempre fizemos — prometeu Haddad em sua conta no Twitter.


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    RIO — Carminha (“Avenida Brasil”) e Nazaré Tedesco (“Senhora do destino”), duas das maiores vilãs de novelas dos últimos anos, se desafiam na reta final de “Segundo sol”. Na verdade, essa é só uma brincadeira para falar do encontro entre Adriana Esteves (Laureta) e Renata Sorrah (Dulce), intérpretes das icônicas malvadas, na novela de João Emanuel Carneiro. Mãe e filha pela segunda vez — a primeira foi em “Pedra sobre pedra”, em 1992 —, elas voltaram a se encontrar agora que a veterana chegou para desestruturar os planos da cafetina. Links fernanda

    — Sem dúvida, uma das principais razões para eu ter aceitado fazer essa personagem foi trabalhar novamente com Adriana. Além de já ter sido minha filha, ela viveu Nazaré na primeira fase da trama. E interpreta Laureta divinamente bem. Somos muito amigas — diz Renata, recebida pelos colegas de elenco com festa e flores na gravação do capítulo que foi ao ar nesta sexta.

    Gozando de pouca sanidade desde sempre, Dulce teve seus problemas mentais agravados há anos, após Nestor (Francisco Cuoco) tê-la trocado por Naná (Arlete Salles). No meio das confusões criadas pela filha, a desequilibrada vai colocar fogo nos milhões da única herdeira e ainda revelar para Karola (Deborah Secco) que elas são avó e neta. Escondida a sete chaves de todos na novela, a personagem é, para Renata Sorrah, “mais uma vítima da Laureta”.

    — A vida de Dulce é triste. O sonho dela é que Laureta venha morar de novo em sua casa. Ao mesmo tempo, é uma mulher engraçada, vive cuidando de suas galinhas, que trata como filhas.


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    NOVA YORK — De certa forma, o mundo de Jerry Seinfeld continua o mesmo. Ele ainda é o astro de stand-up comedy mais famoso, foi protagonista e cocriador da série de TV que leva seu nome e apresenta um talk-show da Netflix, “Comedians in cars getting coffee”. Aos 64 anos, ainda faz dezenas de shows ao vivo e anunciou 20 datas no Beacon Theater, NY, em 2019. Mas o mundo da comédia que Seinfeld habita se encontra em um período turbulento.

    Enquanto alguns artistas questionam o que pode ser dito no palco, outros caíram em desgraça após escândalos. Bill Cosby, que já foi um dos heróis de Seinfeld, foi condenado por assédio sexual e teve prisão decretada em setembro. Roseanne Barr fez com que sua série, que havia ressuscitado, fosse cancelada após um tweet racista. Louis CK, que em 2017 confessou má conduta sexual, voltou a se apresentar em clubes, provocando protestos do público e repreensão de seus pares. Jerry Seinfeld 2710

    São questões delicadas que Seinfeld sabe que não pode evitar, dada sua posição na indústria, e sobre as quais ainda está refletindo. A seguir, ele fala sobre este “momento cultural”, que diz ser necessário. “Há algo estimulante e empoderador sobre tudo isso. Não sabemos como são as regras.”

    Há muita tensão na comédia agora, por inúmeras razões.

    Claro. Disse recentemente a uma plateia: “Por que vocês vêm até aqui ? Acho que vocês gostam mesmo é de ver alguém suando”. Chris Rock tem uma teoria de que, antigamente, quando você ia ver Neil Young ou Jimi Hendrix, era artista completo. Agora, para a maioria dos músicos, o talento deles é apenas um componente. Mas, no caso do comediante, você vê o escritor, o diretor e o apresentador, todos em cena em um pacote, e isso é intenso. Por isso o stand-up ainda é tão popular.

    Você sente essa ansiedade?

    Claro. Trabalhar com humor é se acostumar a “nós te odiamos, desça do palco”. Todo comediante lida com isso. Ser vaiado, gritado, odiado. Tem que ter estômago.

    Agora precisa ter cuidado com o que diz no palco?

    Não entro em terrenos que causam problemas. Mas tenho um número que envolve o (movimento) #MeToo e garotas do tempo: “Acho que as garotas do tempo precisam se acalmar um pouco na TV. Estamos tentando nos adaptar às novas diretrizes. Elas podiam fazer a parte delas e evitar vestidinhos no noticiário local às 9h30m da manhã”.

    Sente que o público aprova?

    Completamente. Mas, se você cometer um erro, o que todos fazemos, eles dão o feedback, e você abandona o texto. Ou, se quiser insistir, faz de qualquer maneira. O lance do improviso do stand-up é o que mais senti falta durante a série de TV. Amava os momentos tensos, sem ensaio. Você é tão mimado nesses outros reinos do showbusiness. No stand-up, você é atirado para uma multidão. A novidade nos casos de Roseanne e Cosby é a rapidez e a queda abrupta. Tanto trabalho jogado fora de repente

    Antes os comediantes acreditavam que poderiam fazer o que quisessem?

    Você não pode fazer o que quiser. Você só pode fazer o que funciona — se quiser uma carreira. O que faço no palco é o que as últimas 300 plateias decidiram que era bom. Isso é bom, isso não. Você tem que fazer o público rir, ou eles não voltam. É por isso que uso terno. É um recado: não estou de brincadeira.

    Ainda é cedo para Louis CK se apresentar novamente?

    Não. Foi o jeito que ele fez que desagradou as pessoas, apesar de ter algumas que simplesmente não gostaram do retorno dele. A gente já conhece o enredo: a pessoa faz algo de errado. Ela é humilhada, sofre, nós queremos que ela sofra. Amamos a queda. E amamos quando ela volta rastejando. Você vai rastejar? Por quanto tempo? Vai chorar? Nós, o tribunal da opinião pública, decidimos que, se ele voltar, é melhor que ele mostre muita dor. E ele negou isso a eles.

    Antes das revelações dos crimes, Bill Cosby era alguém que você admirava?

    Totalmente. Mas quando acontece algo desse tipo, é um cofre muito grande caindo de uma janela para ser ignorado. A novidade — como nos casos de Roseanne e Cosby —é a rapidez e a queda abrupta. Tanto trabalho jogado fora tão de repente. Ficamos chateados com a velocidade, porque é novo. Sobre Roseanne, diria que nunca vi estrago tão grande com apenas um toque na tela.

    Um dos stand-up mais bem recebidos do ano foi “Nanette”, de Hannah Gadsby, que dividiu opiniões. Você viu?

    Sim, amei. Ela fez um belo trabalho, e a maneira como costurou com a História da Arte que estudou na faculdade tornou tudo mais fascinante e fantástico.

    Ficou surpreso que o especial tenha iniciado debate sobre o que constitui o stand-up, e se é ou não comédia?

    Não é ótimo que ela tenha esgarçado o formato para contemplar isso? As pessoas estão animadas com o stand-up agora. Qual o valor disso para pessoas que passaram pelo que ela passou (no especial, Hannah Gadsby revela que foi agredida e estuprada)? Ver uma pessoa bem-sucedida apesar de tudo aquilo. Essa é uma coisa muito poderosa desse momento pelo qual estamos passando. Estamos descobrindo à medida que vivemos. E existe algo muito estimulante e empoderador nisso. Não sabemos realmente quais são as regras. Estamos tentando criá-las.


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    SÃO PAULO — Quando era criança, na Nova York dos anos 90, a escritora sino-americana Jenny Zhang não podia contar a ninguém que seus pais, imigrantes sobrecarregados, trabalhavam até tarde da noite enquanto ela passava o dia todo sozinha em casa. Se alguém os denunciasse por negligência, ela podia acabar num abrigo. Zhang, que nasceu em Xangai em 1983, e migrou para os EUA aos 5 anos de idade, brinca que era quase uma agente secreta infantil:

    — Eu tinha duas identidades e precisava mantê-las vivas e separadas ao mesmo tempo. Devia ser perspicaz para saber quando minha origem chinesa era vista como exótica e charmosa e quando me tornava totalmente estrangeira. Era como um segredo que gerava sofrimento e vergonha, mas também orgulho, porque me fazia parte de um clube especial, que não aceitava novos membros.

    79529382_Capa do livro Coração azedo de Jenny Zhang Companhia das Letras 336 páginas R 6490.jpgZhang, poeta e ensaísta de algum sucesso, transformou essa relação ambígua com suas raízes em ficção. “Coração azedo”, o livro de contos que ela lançou no ano passado, foi recebido com entusiasmo pela crítica. Publicações como as revistas americanas “New Yorker” e “Esquire” e o jornal britânico “Guardian” incluíram o livro entre os melhores de 2017. “Coração azedo” ainda arrematou o Robert W. Bingham Prize, concedido pela PEN, a associação mundial dos poetas, romancistas e ensaístas.

    O livro traz sete contos sobre meninas que vivem numa espécie de limbo cultural: ora são muito chinesas, ora muito americanas. Todas são filhas de trabalhadores imigrantes e pouco veem os pais. Crescem mais ou menos sozinhas e culpam-se por não conseguirem retribuir o esforço dos adultos que se sacrificam por elas.

    Os contos são narrados numa linguagem dura, às vezes agressiva e vulgar. Alguns personagens passeiam por mais de um texto, e todos, em um momento ou outro, moraram no mesmo apartamento decrépito apinhado de imigrantes em Nova York. Como muitos imigrantes, as personagens enfrentam apertos financeiros e racismo, mas a principal causa de sofrimento são as relações familiares.

    — Eu quis explorar histórias de meninas que estão naquela idade de perda da inocência e vivem presas entre dois mundos. A cabeça dos pais segue na China, todas as memórias deles são chinesas, mas elas são meninas americanas — explica Zhang. — Os núcleos familiares são constantemente reconstruídos pela imigração: problemas financeiros separam famílias, crianças são enviadas de volta ao país de origem e só reencontram os pais anos depois, quando muito do afeito já se perdeu.

    De Clarice a 'Macunaíma'

    “Coração azedo” foi o primeiro livro publicado pelo selo Lenny, coordenado pela atriz e escritora Lena Dunham, criadora da série “Girls”, da HBO, que acompanha os apuros de quatro moças em Nova York. Um dia, Dunham tuitou para Zhang, disse que gostava de seus poemas e ensaios e perguntou se tinha um projeto na gaveta.

    No primeiro episódio de “Girls”, a escritora aprendiz Hannah Horvath, personagem de Dunham, diz, um pouco arrogante: “Talvez eu seja a voz da minha geração”. Será que Dunham viu em Zhang a voz de uma geração?

    — Não posso me ungir a voz de nada (risos) — diz a escritora. — Eu só tento escrever da maneira mais livre e desarmada possível sobre um tipo de experiência que nem sempre encontrei nos livros.

    Uma das publicações em que Zhang encontrou uma descrição pungente da experiência migratória foi “A hora da estrela”, de Clarice Lispector.

    — Adoro Clarice. Gosto de livros vindos de mentes borbulhantes de ideais e excentricidade. Outro livro muito importante para mim é “Macunaíma”, de Mário de Andrade. Também é sobre migração, né? Gosto de ler sobre outsiders em busca de um lar. Antes de “Macunaíma”, eu não sabia que uma escrita tão louca e profana era possível. Quero escrever assim.

    Leia trecho de 'Nós te amamos Crispina'

    “Mas não sabia o que meus pais sentiam a respeito daquelas mudanças tão frequentes. Chegamos a morar em quatro ou cinco lugares num intervalo de poucos meses. A mudança consistia naquilo que desse para enfiar no carro e amarrar na lataria, mas mesmo assim eu não conseguia evitar a empolgação que surgia toda vez que saíamos de um lugar, como se fosse o primeiro dia da escola e eu ainda tivesse a chance de não ser uma tonta, e como se essa chance só existisse no curto intervalo entre minha chegada na nova sala e o momento em que a professora se apresentava e passava a primeira tarefa do ano — era assim toda vez que a gente enchia o carro e começava a dirigir para a próxima casa e para a outra e a outra, e de certa forma não era tão ruim, era um lembrete de que não existe aquilo que chamam de fracasso, só existe começar de novo um milhão de vezes e mais um pouco.”


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