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    NOVA YORK - Kara Danvers, a “Supergirl”, vai ter uma nova aliada — a primeira heroína transgênero da TV — quando a sua série retornar às telas. Na quarta temporada da produção, que estreia no Brasil em 28 de outubro, na Warner (nos EUA a reestreia foi ontem), o público vai conhecer Nia Nal, uma repórter em treinamento que trabalha ao lado da protagonista Kara, a prima de Clark Kent interpretada por Melissa Benoist.

    Conforme a temporada evoluir, será revelado que Nia é a superheroína Dreamer. A personagem é vivida por Nicole Maines, uma atriz e ativista de 21 anos que também é uma mulher trans.

    — É uma época fenomenal para ser um nerd LGBT. — comemora a atriz.

    Maines é ela mesma uma heroína: em 2014, ela venceu uma batalha legal contra a administração escolar após ser proibida de usar o banheiro feminino do seu colégio.

    Qual reação você espera diante da sua entrada em “Supergirl”?

    Por enquanto só tenho recebido amor. Muitas pessoas estão felizes de ver alguém como elas na televisão. Ver a si mesmo como um super-herói é a maior validação que se pode ter. Espero que todas as pessoas, não apenas as trans, se apaixonem por Nia.

    Por que você acha importante que jovens vejam uma personagem como a sua?

    Esta temporada de “Supergirl” reflete muito sobre o clima em que estamos vivendo atualmente. Usa as lentes dos super-heróis para falar sobre questões reais. Os jovens precisam ver Nia porque há cada vez mais pessoas trans se assumindo. É necessário educar as pessoas sobre o assunto e explicar que é algo normal. seriesTV

    Por que você acha fundamental que uma pessoa trans interprete um personagem trans?

    É uma validação. Historicamente, vemos homens cis interpretando mulheres trans. Isso dá a impressão de que o mesmo acontece na vida real, de que somos homens de vestido. Quando nós temos uma mulher trans interpretando uma mulher trans, você pensa, "Ah, espera, isto que é realmente alguém trans". Isso manda uma mensagem para crianças trans de que a identidade delas é válida, que elas podem existir.

    Também envia uma mensagem para pessoas cis, para pais, de que pessoas trans não são perigosas ou sexualmente anormais ou qualquer um desses mitos que foram construídos pelos meios conservadores. É apenas a identidade das pessoas. Como pessoas trans elas têm vidas completamente normais e algumas delas se tornam super-heróis. E tudo bem. Supergirl S04 trailer

    Como foi a sua experiência no set?

    Foi fenomenal. Foi como estar de volta à sétima série, era como ser nova na escola. Todo mundo foi amigável. Para usar um termo popular entre os jovens de hoje, todos estavam "despertos". Eles foram muito sensíveis em relação à minha identidade.

    Você se sentiu confortável o suficiente para sugerir mudanças no roteiro se algo não parecia apropriado em relação a ser trans?

    Com certeza. Os roteiristas falaram: "veja bem, não somos especialistas", e claro que eu também não sou. Eu só posso falar pela minha própria experiência. Mas eles foram bastante proativos em se certificar que estavam abordando a situação da melhor forma possível, e eu também. Então nos unimos para tentar dar a melhor representação possível a Nia. Isso inclui as falhas e os fortes dela.

    Eu acredito que representar de forma precisa uma personagem trans não significa representá-la como perfeita — há uma pressão para fazer isso. Elas não poderiam ter defeitos porque representam a comunidade trans como um todo. Agora que nós já vimos representações mais amplas da identidade trans, acho que é mais seguro explorar as falhas dessas personagens para fazer com que elas sejam completamente humanas e tridimensionais. Nia não é perfeita. Ela tem suas próprias questões, e isso faz com que ela seja interessante e com que sejamos capazes de nos identificar com ela.

    Você já experimentou a sua fantasia de heroína?

    Eu já tirei as medidas e já vi alguma coisa. Não posso falar nada, mas é linda!


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    RIO - A série "Malhação – Viva a diferença" e o reality show "The Voice Kids", da TV Globo, concorrem ao Emmy Internacional Kids 2018. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão, que organiza a premiação. Os vencedores serão anunciados em 9 de abril de 2019 durante uma cerimônia em Cannes, na França.

    É a quarta vez que "Malhação" é indicada ao Emmy Kids. Criada por Cao Hamburger e dirigida por Paulo Silvestrini, a temporada "Viva a diferença" celebrou a diversidade em São Paulo a partir da história de cinco garotas que se conhecem durante uma pane no metrô. "Viva a diferença" concorre na categoria "série" com produções da Alemanha, Austrália e Canadá.

    Já "The Voice Kids" concorre ao prêmio pelo segundo ano consecutivo na categoria "reality". O show de calouros mirins tem direção artística de Creso Eduardo Macedo e direção geral de Flavio Goldemberg e concorre com produções da China, Suécia e Reino Unido.


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    RIO — A série "Transparent" será encerrada com um musical. A informação foi primeiramente revelada pela criadora da série, Jill Soloway, durante uma longa entrevista ao "New York Times". De acordo com informações adicionais do "Hollywood Reporter", o musical vai fechar a quinta e última temporada da série, que está prevista para chegar ao Amazon Prime no segundo semestre de 2019.

    "Tenho esperança de que será como 'Jesus Cristo superstar' misturado com 'La la land' e (o grupo de comédia) 'Flight of the Conchords', com algo mais judeu no meio, um pouco de 'Yentl' (filme de 1983 sobre uma jovem judia que decide se passar por homem para estudar o Talmude)", afirmou a roteirista. series-diversidade

    A notícia chega após muita incerteza sobre como "Transparent" seria encerrada. Lançada em 2014, a série, inspirada na própria história do pai de Soloway, fala sobre um chefe de família que decide, já na terceira idade, se assumir como uma mulher trans. A dramédia foi um dos primeiros sucessos da Amazon e chegou a ganhar o Globo de Ouro de melhor série.

    As denúncias de assédio sexual envolvendo o ator principal, Jeffrey Tambor, no entanto, deixaram a continuidade da produção em dúvida. Em maio, a última temporada de "Transparent" foi anunciada, sem a participação de Tambor.

    "Essa ideia da música resgatando a nossa família sempre esteve lá. Nós pensamos em seguir em frente. Os Pfeffermans vão continuar, e então Jen Salke (a diretora dos estúdios da Amazon) sentou comigo e disse que tudo ficaria bem", comentou ainda Soloway.


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    SÃO PAULO - Nick Cave e a capital paulista são como dois amantes que tiveram um breve flerte, mas que, por 25 anos, se perderam um do outro. Reencontraram-se no último domingo e, finalmente, entenderam que nasceram um para o outro.

    O concerto de Nick Cave and the Bad Seeds no Espaço das Américas seguiu as regras do cantor australiano, que concentrou quase metade do repertório em seus dois álbuns mais recentes ("Push the sky away" e, mais ainda, "Skeleton tree"), com um bloco de grandes baladas no meio.

    Não era um show acelerado. A maior parte do repertório tinha andamento lento, e suas tintas sombrias eram realçadas pelos telões em preto e branco ao fundo e nas laterais. Não era possível dançar, e estávamos num longo processo de hipnose. "Jesus alone", que abriu o show, lembrava que tínhamos ali um material que lidava com a morte de um filho adolescente. No palco, porém, Nick Cave cortejava a primeira fila com dedos apontados, olhares fixos e mãos estendidas ao toque.

    Nick Cave em São Paulo links

    Ao fundo, aquela coleção de músicos absolutamente focados em seus instrumentos enquanto suavam em ternos impecáveis. Como são belas as bandas numerosas: o barbudíssimo Warren Ellis se multiplicava entre guitarras, sintetizadores e um violino endemoniado; Thomas Wydler e Jim Sclavunos se alternavam entre bateria e percussões, tendo à frente de si o baixista Martyn P. Casey, discretíssimo. George Vjestica, na guitarra/violão e Larry Mullins (teclados) completam o quadro, embora não tão investidos de personagens quanto Ellis e Sclavunos, espetáculos à parte da superbanda.

    O show teve blocos muito claros, nos quais os Bad Seeds e a plateia tentaram se seduzir, entre avanços e hesitações. O primeiro desses blocos, obrigatório, introduzia a atualidade de Cave, nas canções algo lúgubres de seu último disco, mais os graves das texturas de "Push the sky away" (2013).

    NickCave_FabricioVianna-6666.jpgO segundo, mais histórico, revisitava os clássicos "góticos" dos anos 1980 e início dos 1990: tudo isso costurado numa ponte para a estridente "From her to eternity" (1984), que não parecia mais ser tão antiga quando comparada com o som de "Skeleton Tree". Vieram nesse vagão os quase hits "Do You Love me?", "Loverman" e "Red right hand".

    A plateia, ainda morna, foi sendo preparada para catarses maiores. Cave se movia de um lado a outro, vários botões abertos na camisa sob um terno, e regia as ondas sonoras. O público pediu "Foi na cruz", que Cave fracassou ao tentar lembrar ao piano:

    — Não a tocamos há muito tempo, sabe.

    "Louvor" e #elenão

    Era a senha para a fiada de baladas, e aí finalmente tivemos algo para cantar. A plateia se aquecia e, àquela altura, puxava cantos incidentais de #elenão. Até que o australiano tocou "The Ship song" e em seguida pediu uma "oração pelo Brasil", levando o público a entoar lindamente "Into my arms", com um uníssono contido. Era como se o lotado Espaço das Américas se houvesse convertido numa pequena igreja pentecostal, cantando louvores permeados pela dúvida.

    O resultado seduziu Cave, que depois elogiaria os paulistanos ("uma bela cidade, num país excepcional") e emendou "Shoot me down", bela sobra de estúdio de "Nocturama" (2003). Se Cave tinha dúvidas em incluir o Brasil nas próximas turnês, creio que foram dissipadas ali.

    Encerrada a doçura, veio o tratamento de choque, com a cacofonia de "Tupelo" e o transe de "Jubilee Street", ambas um pouco prejudicadas pelo som embolado do Espaço das Américas. E sim, houve o #elenão.

    Em meio à "The weeping song" (a canção do pranto), Nick Cave abriu o Mar Vermelho na plateia e escalou as paredes de um quadrilátero que protegia uma câmera, andando sobre elas. A fim de puxar palmas, cedeu o microfone a uma moça, que disse #elenão, e acabou provocando um coro ao qual Cave, um artista raramente político, se rendeu.

    Disse "ele não", rendendo-se à plateia, e depois encerrou a canção com os últimos versos. Não foi um momento de extrema significação política, mas, no flerte entre público e artista, selou a comunhão com a plateia, mais do que qualquer refrão que se seguisse.

    Tão à vontade estava Cave que, ao retornar ao palco, foi seguido por cerca de quarenta fãs, que ocuparam a cena e ali ficaram ao longo de "Stagger Lee" e da hipnótica "Push the sky away", o último momento coral do show. Só saíram quando a banda se retirou do palco.

    O bis veio com a acelerada "City of Refuge", à qual se seguiu o pesadelo de "The Mercy Seat". A surpresa veio com "Jack the Ripper" (composta na Vila Madalena, anunciou Cave) e "Rings of Saturn" nos mandou para casa, tomados pelo espírito santo da canção. O namoro foi reatado, ele certamente voltará.

    Cotação: Bom


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    RIO — Diretor de "Me chame pelo seu nome" e a refilmagem do clássico "Suspiria", Luca Guadagnino revelou que está trabalhando em uma adaptação do álbum "Blood on the tracks" (1975), de Bob Dylan. Escrito por Richard LaGravenese, o longa vai contar uma história passada ao longo dos anos, localizadas nos anos 1970, baseadas nos temas centrais do disco.

    Em entrevista a "New Yorker", LaGravenese falou sobre os personagens: “Quando eles estão se reprimem, dramatizamos essa repressão e o que isso faz com eles. E nós dramatizamos o que acontece quando você deixa suas paixões assumirem o controle".

    Antes que o filme chegue às telas, os fãs de Dylan terão mais motivos para celebrar: no dia 2 de novembro, o cantor e compositor lança um box especial de "Blood on the tracks", chamado "More blood, more tracks".


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    RIO — A memória é um elemento que perpassa a obra de Monica Barki, desde suas primeiras individuais, como as pinturas de “Autorretrato” (1976) ou as litografias de “Álbum de família” (1982). Para a individual “Bagagem”, que será inaugurada hoje no Centro Cultural Midrash, às 19h30m, a a multiartista retoma obras criadas de 1998 a 2004, dentro da série “Colarobjeto”, acrescentando sete colagens produzidas este ano ao conjunto.

    Nas assemblages criadas há duas décadas, Monica usou pedaços de tecidos, fitas, bordados, cacos de cerâmica e pequenos objetos que pertenceram a seus avós. Em meio aos fragmentos de materiais, a carioca de 61 anos cria uma narrativa que parte de sua história pessoal. Dos casos de privações contadas pelos antepassados até a própria vivência da artista com a família em um kibutz em Israel, entre 1982 e 1984, a memória segue como um fio condutor entre diferentes fases e linguagens.

    — Quando recebi o convite do Midrash, comecei a pensar em que tipo de trabalho caberia ali. Como é um centro cultural judaico, relacionado à minha cultura, voltei a estes trabalhos, que carregam parte da história da minha família — conta Monica. — Se, por um lado, as assemblages trazem o lado dos avós maternos e paternos, que vieram da Rússia e da Turquia para o Brasil, por outro, eu uso pedaços de trabalhos escolares de meus filhos nas novas colagens. É uma coisa cíclica.

    Monica Ateliê 3_foto Cleber Cruz.jpgCom curadoria de Frederico Dalton, a exposição também apresenta uma pintura, além das colagens e assemblages, num total de 23 obras. A artista, que trabalha com outras técnicas e formatos, como desenho, fotografia, vídeo e performance, diz que as linguagens se impõem a partir da proposta de cada trabalho.

    — O conteúdo é sempre o que me direciona, e não a técnica. Depois escolho a melhor forma de abordá-lo, podendo até desenvolver uma linguagem específica para uma fase ou mostra — comenta a artista. — Muitas vezes as técnicas se cruzam, sem fronteiras. Tem pinturas que surgem de fotos, colagens que vêm de desenhos.

    Além do acervo familiar, Monica lança mão de visitas a feiras de antiguidades, brechós e viagens para obter o material necessário para suas obras, ainda que não tenha em mente, na hora da compra, a finalidade artística de cada elemento.

    — Nas colagens que fiz este ano, usei pedaços de papel de presente que comprei em Berlim, em 2013. Comprei uma variedade grande, sempre preciso de uma boa quantidade para trabalhar — diz Monica. — Pesquiso muito em revistas e fotos, o que também gera um volume grande de material. Mas sempre consigo mais um pouco de espaço para tudo.

    “Bagagem”

    Onde: Midrash — Rua General Venâncio Flores 184, Leblon (2239-1800). Quando: Seg. a qui., das 15h às 21h. Abertura hoje, às 19h30m. Até 14/12. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.


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    LONDRES — A atriz Nicole Kidman passou por uma transformação dramática para o novo filme "Destroyer", no qual vive uma policial abatida e de aparência cansada com uma história de vida dolorosa.

    A vencedora do Oscar trocou as mechas loiras por um corte na altura do pescoço com estilo desleixado para viver a detetive Erin Bell. A personagem é assombrada pelo seu passado, anos depois de se infiltrar em uma gangue de criminosos em uma operação com consequências devastadoras. Links filmes

    — Eu simplesmente senti sua pele, e senti tristeza e dor por ela — disse Nicole no Festival de Cinema de Londres no domingo. — Há uma inquietação e uma complexidade em sua raiva que acho que nunca vi na tela, particularmente na forma feminina.

    Essa não é a primeira vez que estrela de Hollywood de 51 anos muda o visual para um papel. Em sua famosa interpretação de Virginia Woolf em "As Horas", o papel acabou lhe rendendo um Oscar.920x920.jpg

    Críticos elogiaram sua atuação em "Destroyer" e disseram que a atriz está "quase irreconhecível".

    — A maneira como apareço e me comporto no filme é o resultado de muito trauma — disse Nicole — Essa é a beleza do cinema, você usa a imagem, nem sempre precisa ter as palavras.

    A diretora Karyn Kusama descreveu Erin como um "ser humano realmente complicado" que lida com arrependimento, culpa e vergonha. Uma equipe de cabeleireiros e maquiadores trabalhou na transformação da aparência de Nicole Kidman.

    — Conversamos muito sobre os danos do sol, da falta de sono, do excesso de bebida e da alimentação insuficiente e chegamos a uma versão extrema de toda essa falta de cuidados pessoais — contou Karyn.


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    RIO — O Curta Cinema é um dos mais importantes festivais de curtas-metragens do país. Mas a sua 28ª edição, de 24 a 31 de outubro, vai ocorrer num momento crítico. Quem produz este tipo de filme se sente, já há algum tempo, desvalorizado. Em eventos de cinema pelo Brasil, é cada vez mais comum ouvir a frase “Eu existo” entoada por estes realizadores. Sobretudo desde agosto, quando a Ancine divulgou uma lista de cineastas baseada em seu sistema de pontuação.

    Por ele, os realizadores com notas altas têm mais chance de receber verbas de um edital no valor de R$ 150 milhões. Está em vantagem quem possui no currículo obras de sucesso comercial. E os curtas não são levados em consideração. Curtas-metragens

    — Já produzi mais de dez curtas, todos feitos por meio de editais. Prestei contas e os distribuí em salas de cinema e na TV. Cumpri a cadeia de produção e distribuição. Por que não sou considerado perante a Ancine? — questiona Ailton Franco Jr., diretor do Festival Curta Cinema.

    Em comunicado, a Ancine reforça que os curtas deixaram de ser considerados para pontuação em 2015. Admite, no entanto, que irá reconsiderar a questão devido às demandas do setor. Segundo a agência, “a tentativa é que a revisão da regulamentação ocorra ainda este ano”.

    'Não é um mero portfólio'

    As manifestações de insatisfação ficaram explícitas no Festival de Gramado, em agosto, quando profissionais do audiovisual foram às sessões e à premiação com camisas em que se lia “Ancine, eu existo” — entre eles Nara Normande, diretora de “Guaxuma”, que levou o Kikito da categoria.

    guaxuma3.jpgE seguiram em Brasília, em setembro. Lá, entrou em pauta a defesa do curta-metragem enquanto produto final de expressão artística — em muitos casos, tão importante quanto um longa.

    Segundo Eduardo Valente, diretor artístico do Festival de Brasília, a escolha por abrir o evento com “Imaginário”, de Cristiano Burlan, foi uma forma de valorizar o formato, uma vez que o cineasta continua produzindo curtas mesmo sendo um diretor estabelecido.

    — O curta não é um mero portfólio, um exercício para provar que você é capaz de fazer um longa. Há ideias que são mais bem expressadas dentro desse formato — defende Burlan.

    A produtora Sara Silveira fez um discurso apaixonado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, no mês passado, onde pediu que os curtas não fossem esquecidos. Para ela, o gênero oferece maior liberdade de experimentação e abre as portas para talentos ainda desconhecidos.

    Imaginário 1 - Ana Carolina Marinho Dantasok.jpg— Decido em quem investir a partir de dados preexistentes sobre os cineastas, sendo o maior de todos os curtas feitos por eles — afirma Sara. — São os novos talentos que vão contar a nossa história com respeito e diversidade.

    Mas, fora de festivais, onde assistir a curtas? Até 1991, havia a Lei do Curta, que determinava a inclusão de um filme deste formato antes da exibição de um longa nos cinemas. Com o fim do Conselho Nacional de Cinema (Concine), responsável por regulamentar a medida, a atribuição não foi transferida para outro órgão. Ou seja, a lei entrou num limbo jurídico e “perdeu a sua efetividade, não sendo mais aplicável”, de acordo com a Ancine, que não tem plano para colocá-la em prática novamente.

    — Comercialmente, era uma estratégia que muitas vezes não compensava — ressalta o cineasta e produtor Cavi Borges. — Uma parte da bilheteria ia para o curta-metragista, e tirava do exibidor a possibilidade de passar comerciais, por causa da sessão estendida.

    Cavi lançou no mês passado seu longa “Salto no vazio” (codirigido por Patrícia Niedermeier), precedido do curta “Outono”, de Anna Azevedo. Ele argumenta que a escolha não foi aleatória: ambos os filmes, além de terem duração enxuta, falam de dança e performance. Ele defende sessões duplas, desde que haja curadoria na seleção. E lembra que é possível, sim, lucrar com curtas fora do circuito exibidor.

    — Curtas também são usados na TV para preencher a Cota de Tela (exibição obrigatória de um mínimo de conteúdo nacional), e já vendi muitos curtas meus para canais.


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    "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta." Os versos são de "Motivo", poema de Cecília Meirelles, mas poderiam ser personificados em Fernanda Montenegro. Aniversariante desta terça-feira, a atriz que entoa melodias para se manter sã e tranquila em tempos difíceis, também escreve sua primeira autobiografia.

    — Acordo e canto. Tem que ser assim: acordar e já cantar. Se não, não tem jeito — diz

    Aos 88 anos, Fernandona, que tem participação em mais de 30 obras televisivas e e mais de 40 cinematográficas, ensaia sua primeira produção literária textual — neste ano, ela também lançou uma fotobiografia.Links fernanda

    — Vou escrever coisas do meu sentimento. Falar a palavra "biografia" tem uma ambição enorme. São memórias de uma atriz de quase 90 anos, com 75 anos de vida pública. Aí só serão lembranças. A escrita de lembranças. Está tudo sendo pensado e elaborado — explica.

    No início deste mês, a artista levou a leitura "Nelson Rodrigues por ele mesmo" ao Rio Grande do Sul. Trata-se de uma adaptação, feita por ela mesma, do livro homônimo organizado por Sônia Rodrigues, filha do jornalista.

    — Meu primeiro contato com ele foi em 1959, quando fizemos o grupo Teatro dos Sete. Nelson foi convidado a nos entregar uma peça, e eu fui responsável por arrancar a peça dele, para quem liguei durante quase um ano, duas vezes por semana, para pedir a peça. E, depois, quando ele saiu de um coma, a gente ia visitá-lo, Fernando (Torres, marido de Fernanda, falecido em 2008) e eu pedimos mais uma peça, e ele escreveu "A serpente" — recorda.

    Nas horas vagas, nem passa pela cabeça de Fernandona a palavra "aposentadoria":

    — Enquanto eu falar, andar e concatenar meus pensamentos, estarei trabalhando (risos). Tem uma hora que deverá começar a falhar, entendeu? Não é só uma vontade, pois tem uma realidade que preciso enfrentar. Até chegar lá, enquanto essa realidade me permitir trabalhar... Ah... Vão ter que me aguentar! (risos) Tem muita gente da minha idade trabalhando maravilhosamente bem.


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    RIO — No último domingo, Donald Trump deu uma entrevista ao programa "60 minutes", da CBS. Além dos comentários do presidente americano sobre a possível intervenção russa nas eleições, outro detalhe chamou a atenção do público: um quadro no qual Trump aparece numa descontraída conversa ao lado de grandes nomes do Partido Republicano.

    Pendurado num dos cômodos da Casa Branca, o quadro traz figuras históricas como Abraham Lincoln, Richard Nixon, Ronald Reagan, Teddy Roosevelt e Bush pai e filho. Todos em torno de uma mesa dividindo drinks.

    The-Republican-Club.jpgApós a rápida aparição no programa, a pintura virou assunto nas redes sociais, com muitos memes e comentários criticando a vaidade de Trump — além de muitas comparações com o famoso quadro de cachorros numa mesa jogando poker.

    Links Donald TrumpCriado pelo americano Andy Thomas, o quadro se chama "O Clube Republicano" e está à venda no site do pintor por valores que vão de US$ 155 a US$ 995, dependendo do tamanho da tela.

    Thomas disse, em entrevista ao "TMZ", que acordou na segunda-feira com 25 novos pedidos do quadro, quando normalmente recebia uma média de três por dia. Ainda segundo ele, desde então já foram mais 60 encomendas.

    Para os simpatizantes do outro partido americano, Thomas tem uma versão do quadro chamada "O Clube Democrata", com Barack Obama, Bill Clinton, John Kennedy, Jimmy Carter, entre outros.


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    AMSTERDÃ, Holanda — Uma das pinturas mais importantes do mundo, "A ronda noturna", de Rembrandt (1606-1669), será restaurada aos olhos do mundo inteiro no Rijksmuseum em Amsterdã. O projeto inédito começará em julho de 2019 e permitirá que se acompanhe os bastidores do processo geralmente feito de forma reservada.

    Todos os anos, quase dois milhões de visitantes passam pelo museu para admirar a obra-prima datada de 1642. Os trabalhos também poderão ser acompanhados pela internet, em transmissão ao vivo.

    — "A ronda da noite", de Rembrandt, é um dos quadros mais conhecidos do mundo e devemos conservá-lo para as gerações futuras — disse à AFP o diretor-geral do Rijksmuseum, Taco Dibbits.artes-visuais

    A obra, que fica na galeria de honra da instituição, foi restaurada pela última vez em 1975, quando um homem com problemas psiquiátricos a atacou com uma faca.

    Desde então, os especialistas notaram o surgimento de uma mancha branca em algumas partes da pintura, particularmente em torno da área danificada pelo corte, que descoloriu o desenho de um cão.

    Rembrandt Van Rijn recebeu em 1642 a ordem do capitão da milícia burguesa de Amsterdã, Frans Bannick Cocqu, para retratar os oficiais e membros de seu grupo. Segundo Dibbits, é o primeiro registro desse gênero, que mostra um grupo em ação, e não em uma pose estática.

    — O trabalho de conservação é geralmente feito a portas fechadas, mas é uma pintura tão importante que pensamos que o público tinha o direito de vê-lo — disse o diretor do museu. — Queremos compartilhar este momento muito importante.


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    RIO - O jornalista Gil Gomes morreu na madrugada desta terça, dia 16, em São Paulo. Famoso na cobertura de casos de polícia para programas como o "Aqui agora", do SBT, Gil Gomes morreu em decorrência de câncer, de acordo com a assessoria de imprensa do Hospital São Paulo.

    Cândido Gil Gomes Jr. começou a carreira como locutor esportivo em rádio, mas alcançou a fama ao levar a voz grave e a narrativa de suspense para programas policiais. Nos anos 1990 integrou a equipe do "Aqui agora", do SBT, depois colecionou passagens pela TV Gazeta, Record e Rede TV.

    Gil se afastou da TV por mais de dez anos ao ser diagnósticado com Mal de Parkinson, quando foi diagnosticado em 2005. Em 2016, foi convidado a participar com comentários em um programa de TV patrocinado por uma rede de farmácias.

    As informações sobre o velório ainda não foram divulgadas pela família.

    Nas redes sociais, Luciana Oliveira, nora de Gil, agradeceu as mensagens dos amigos e fãs:

    "É com muita tristeza que venho informar o falecimento de Gil Gomes. A família agradece à todos pelo carinho e orações todos esses dias".


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    RIO — A escritora irlandesa Anna Burns venceu, nesta terça-feira, 18, o prêmio Man Booker de 2018. O mais importante prêmio literário de língua inglesa recompensou a autora por "Milkman", seu terceiro romance. Ela recebeu 50 mil libras (cerca de R$ 245 mil). O livro ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

    Situado em uma cidade sem nome durante o sangrento período de turbulência na Irlanda do Norte, "Milkman" é um romance de formação sobre a relação de uma jovem com um homem mais velho.79388309_Britain%27s Camilla the Duchess of Cornwall presents the Man Booker Prize for Fiction 2018 to.jpg

    "Nenhum de nós já leu algo assim antes. A voz completamente original de Anna Burns desafia o pensamento convencional em uma forma de prosa surpreendente e imersiva", disse, em comunicado, o filósofo e romancista Kwame Anthony Appiah, que presidiu o painel de jurados do prêmio.

    "É uma história de brutalidade, invasão sexual e resistência enredada com humor mordaz. Situado numa sociedade dividida contra si mesma, 'Milkman' explora as formas insidiosas que a opressão pode tomar na vida cotidiana", disse ainda.

    Estabelecido em 1969, o prêmio literário anual escolhe o melhor romance escrito em inglês e publicado no Reino Unido. A lista de candidatos deste ano foi composta de escritores do Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

    Além de Anna Burns, estavam entre os finalistas este ano a britânica Daisy Johnson, de 27 anos, que se tornou a autora mais jovem a concorrer ao prêmio com o livro "Everything under", e o também britânico Robin Peterson, concorrendo com "The long take", primeiro romance escrito em versos a disputar a premiação.

    Completaram a lista o canadense Esi Edugyan ("Washington Black"); a americana Rachel Kushner ("The mars room"); e o americano Richard Powers ("The overstory').


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    RIO — Em setembro de 2017, quando foi realizada a mais recente edição brasileira do Rock in Rio, Anitta já era uma das artistas mais populares do país — e iniciava de forma promissora uma entrada no mercado internacional. Foi, portanto, uma das ausências mais evidentes — e mais cobradas dos organizadores do festival pelos fãs — na escalação. Agora, a cantora enfim chega lá. Depois de uma escala este ano no Rock in Rio Lisboa, ela foi anunciada como uma das atrações do Palco Mundo em 5 de outubro de 2019. A noite terá ainda Black Eyed Peas e P!nk, todos revelados nesta terça-feira.

    — Fiquei honrada por sentirem minha falta e pedirem minha presença em 2017 — diz Anitta, que conta não ter ficado desapontada por ter ficado fora naquela ocasião. — O festival é muito grande, e os organizadores gostam de ter a segurança de darem uma tacada certa. E, por mais que muita coisa tenha acontecido, comecei minha carreira há pouquíssimo tempo. Links Rock in Rio

    Se para muita gente ela já seria “tacada certa” na edição passada do Rock in Rio, Anitta desde então avançou mais um tanto no sentido de dar segurança aos organizadores do festival. Em dezembro daquele ano, ela lançou “Vai malandra”, que mais do que um hit enorme (foi a primeira canção em português a entrar no top 20 mundial do Spotify), causou debates nas redes sociais e mesmo no ambiente acadêmico. Uns defendiam que o clipe — cuja abertura trazia a já clássica cena do caminhar rebolante de sua bunda com celulites — era feminista empoderador. Outros, que era mais um episódio de objetificação do corpo feminino.

    — Já não penso em fazer música só pra galera dançar — explica a cantora. — Faço um trabalho pra que as pessoas discutam, debatam. Fico alegre com o fato de as pessoas divergirem e, mesmo assim, que consigam conversar sobre suas opiniões diferentes. Pessoas que pensam diferente não precisam entrar em guerra nem se odiar.

    A fala de Anitta ecoa o momento eleitoral brasileiro, marcado pelo ódio e por episódios de intolerância explícita, ou até de violência por conta de discussões política. A cantora, que gravou um vídeo em apoio à causa #elenão (de repúdio a Bolsonaro) depois de ser cobrada por seus fãs por seu silêncio sobre o assunto, prefere agora manter a cautela.

    — O que era pra ser dito eu disse. É um momento muito delicado pro Brasil, as pessoas estão muito sensíveis. Fiz a minha parte e prefiro me manter ali (no vídeo).

    Mais provocação na mira

    A fala calculada tem menos ousadia do que os (muito bem-sucedidos) movimentos de sua carreira nos últimos anos. Anitta reconhece que seu avanço sobre novos mercados — as parcerias com artistas nacionais e internacionais de diferentes gêneros, os clipes provocadores — é pensado com responsabilidade, mas sempre com boa dose de risco.

    — Não dá pra avançar sem correr um certo risco — argumenta. — Acho a pesquisa muito importante, mas não costumo recorrer a ela pra criar uma nova ideia ou dar um novo passo na carreira. Sigo muito minha intuição. Porque o trabalho artístico é muito o feeling, a criação. A pesquisa aponta o que as pessoas já viram, já sabem, o que já acontece. Gosto de fazer coisas novas. Depois da parte criativa, entramos com alguns estudos pra entender o que pode ou não dar certo. Mas eles não guiam meu trabalho.

    Anitta já tem algo na mira da sua intuição — e que terá um potencial provocador tão grande, ela acredita, quanto o de “Vai malandra”:

    — Já pensei em algo, e provavelmente logo teremos tudo pronto. Vou lançar até o fim do ano — diz a cantora, sem revelar do que se trata. — Como sempre, quero provocar debates, e acredito que conseguirei.


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    RIO — O dia dedicado à música pop do Rock in Rio 2019 está com sua escalação principal quase definida: além de Anitta, o Palco Mundo receberá o grupo Black Eyed Peas e a cantora e compositora P!nk, no dia 5 de outubro. Com isso, falta apenas uma atração a ser confirmada.

    Aos 39 anos, três Grammys e mais de 60 milhões de álbuns vendidos, P!nk fará sua aguardada estreia na América Latina. A americana está em turnê com seu sétimo disco, “Beautiful trauma”, o terceiro mais vendido do mundo em 2017, e, após quase 150 apresentações, encerrará no Rio seu giro mundial. Links Rock in Rio

    O Black Eyed Peas já esteve no país seis vezes, com direito a show no réveillon de Ipanema, em 2007. Essa, porém, será a primeira em que os rappers will.i.am, apl.de.ap e Taboo se apresentarão por aqui sem a companhia da cantora Fergie, que teve sua saída confirmada em fevereiro. Em carreira solo, ela foi atração da última edição do festival, em 2017.

    O Rock in Rio já tinha anunciado a noite dedicada ao rock pesado (4/10), com Iron Maiden, Scorpions, Megadeth e Sepultura no Palco Mundo, e Canto Cego no Espaço Favela. Os Paralamas do Sucesso também estarão no festival, em dia não confirmado.79384314_SC 16-10-2018 Atrações Rock in Rio - Black Eyed Peas.jpg


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    RIO — A professora de filologia María Dueñas tinha 45 anos quando viu seu romance de estreia, “O tempo entre costuras”, tornar-se um fenômeno editorial na Espanha. Nove anos e três livros depois, a espanhola lança no Brasil “As filhas do capitão” (Planeta), que narra as alegrias e desventuras de imigrantes de seu país na Nova York da década de 1930 por meio da história de três irmãs da família Arenas.

    Menos famosa do que as comunidades irlandesa e italiana, a colônia espanhola chegou a ter 30 mil pessoas. Em entrevista ao GLOBO, a autora fala de xenofobia, feminismo e seu sucesso tardio como escritora.

    Links livros 16/10Qual foi o ponto de partida para este novo livro?

    Na pesquisa para outro romance, notei que todos os testemunhos sobre imigrantes eram do ponto de vista dos homens. Então, fiquei curiosa para saber como essas mulheres enfrentavam a mudança, a procura pelo novo mundo, quais eram seus sentimentos.

    Como foi a pesquisa para “As filhas do capitão”?

    Viajei por Nova York por um ano e estive em contato com os pouquíssimos estudiosos da imigração espanhola na cidade. Tive uma fonte privilegiada de informação, me encontrei com alguns imigrantes sobreviventes. Eles conservam frescas as lembranças daqueles anos, a luta de seus pais, o quanto trabalhavam para construir uma vida melhor. E tudo isso narrado em primeira pessoa.

    Os laços de comunidade estão bastante presentes no romance…

    As redes de solidariedade eram muito ativas. Hoje, temos Skype, WhatsApp, redes sociais, outras maneiras de manter contato, mas estamos fisicamente distantes uns dos outros. Naquela época, não. A gente tinha apenas o contato da colônia, de quem estava ao redor, que te ajudava e compartilhava os momentos bons e ruins. Muitos me contaram que se casaram na própria comunidade, porque cresceram juntos. Estavam juntos para dar apoio uns aos outros nas perdas, nas doenças, nos problemas cotidianos.

    As irmãs Arenas lutam para sobreviver. O que mudou na realidade das mulheres daquela época para hoje?

    Ainda há muito para conquistar e injustiças para superar, mas acredito que as coisas melhoraram. Avançamos muito em perspectiva, em nossa posição na sociedade, na diminuição da desigualdade de gênero. Mas não alcançamos 100% disso. Ainda há muito trabalho pela frente.

    Como você vê a crise da migração dos dias de hoje?

    É triste ver a política de migração truculenta de Donald Trump. É lamentável que um país construído por imigrantes agora os rechace assim.

    E a xenofobia não para de crescer mundo afora...

    Isso me entristece enormemente. É a maior falta de respeito humano, de solidariedade, de consciência de que todos os países, que todos os continentes foram sendo povoados por gente em movimento, as fronteiras sempre se moveram. Colocar esses tipos de barreiras tão duras é bem preocupante.

    Como sua vida mudou desde o lançamento de “O tempo entre costuras”?

    Eu não esperava nenhum êxito. Não sabia nem que encontraria uma editora para publicar meu romance. Só pensava em conseguir publicá-lo, que ele chegasse às livrarias e aos leitores. Depois, foi uma bola de neve, que cresceu de maneira espontânea, sobretudo no boca a boca. E em menos de um ano eu me vi abandonando a academia. Mudei de profissão, de rotina e de perspectiva.

    79316313_SC - Capa do romance As filhas do capitão de María Dueñas. Divulgação.jpg

    Como sua experiência como acadêmica a ajuda como romancista?

    Eu sou da escola de Linguística Aplicada, não sou expert em literatura. Mas o rigor acadêmico é muito útil no processo de escrita, na disciplina, na elaboração do texto. E sigo com a rotina de trabalhar o mesmo número de horas todos os dias.

    Por que a decisão de inserir personagens históricos como o maestro Xavier Cugat e o compositor Carlos Gardel?

    Eles realmente estavam em alta naquele momento. Eram pessoas tão fascinantes que parecia um pecado não colocá-las na trama (risos), um desperdício.

    Qual é o momento atual da literatura espanhola?

    Produzimos uma literatura viva, de diferentes gêneros e pontos de vista, que não para de dar coisas novas. Outra coisa é o mercado editorial, que é muito afetado pela queda da leitura, pela ascensão das séries, dos serviços de streaming. Ficamos enganchados 24 horas por dia com o trabalho e a TV. Acho que esse é o maior perigo para a literatura.

    Um personagem diz que “o público espanhol não busca a arte soberba, mas o puro entretenimento”.

    Muitos consumidores de arte são como aqueles imigrantes, que querem apenas se distrair depois de uma rotina tão dura de trabalho. Talvez o segredo esteja na mescla entre o entretenimento e a erudição, como em “Dom Quixote”.

    SERVIÇO

    “As filhas do capitão”. Autora: María Dueñas. Tradução: Sandra Martha Dolinsky. Editora: Planeta. Páginas: 496. Preço: R$ 59,90.


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