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    RIO - Fotógrafo da agência Magnum em Paris entre 1970 e 1976, Alécio de Andrade (1938-2003) retratou as principais personalidades de seu tempo. Ele mesmo poeta, tinha sensibilidade especial ao clicar artistas e pensadores brasileiros dos quais era próximo — com alguns deles, chegou a manter uma correspondência.

    Com abertura no dia 20, às 17h, no Instituto Moreira Salles, a exposição “Cartas de Almir de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Bulhões, Ismael Cardim, Roberto Alvim Corrêa, Marco Aurélio Matos, Elza Proença, Marques Rebelo, Otto Lara Resende, Fernando Sabino a Alécio de Andrade” traz 45 retratos feitos pelo fotógrafo. A curadoria é de Sergio Burgi e Patrícia Newcomer, ex-mulher de Alécio. Será lançado também o livro homônimo (Editora IMS, 360 páginas, R$ 84,50) com a correspondência entre ele os intelectuais retratados.

    79316015_otto lara resende fotografado por alécio de andrade.jpg

    79316019_marques rebelo fotografado por alécio de andrade.jpg

    8.Lygia Clark_DSC_5897.jpg


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    LONDRES — Aberta no começo de setembro no museu Victoria & Albert (V&A), em Londres, onde permanece até 24 de fevereiro de 2019, a exposição “Videogames: Design/Play/Disrupt” diferencia-se de qualquer outra sobre o tema já em seu recorte temporal. Não espere referências a jogos clássicos, como “Pac-Man”, a consoles como Atari ou explanações sobre a evolução dos pixels para a terceira dimensão nas telas. A mostra foca, sobretudo, o design por trás da criação de jogos do meio da década de 2000 até os dias atuais.

    Com isso, trata como assunto sério uma mídia cuja indústria mobiliza 2,3 bilhões de pessoas no mundo e movimentará, em 2018, US$ 137,9 bilhões, segundo levantamento da empresa de inteligência de mercado Newzoo. Links games

    — A ascensão da banda larga, novas ferramentas, mídias sociais e plataformas de distribuição digital democratizou e facilitou o modo de criar jogos e formar um público para eles. Com isso, houve um crescimento significativo na diversidade de vozes e ideias na indústria — explicou a curadora Marie Foulston, em entrevista ao site especializado “Studio International”.

    Na primeira de suas três seções, “Design”, a mostra joga luz sobre oito games lançados nos últimos 15 anos que, dentro de suas particularidades, podem ser considerados visionários ao quebrar os limites tecnológicos, narrativos, emocionais e estéticos. Com isso, traçam paralelos entre a criação de jogos com técnicas de arquitetura, arte performática, literatura e escultura. “Fazer jogos combina tudo o que é difícil na construção de uma ponte com tudo que é difícil na composição de uma ópera. Jogos são óperas feita de pontes”, grita uma frase do diretor do Centro de Jogos da Universidade de Nova York (NYU), Frank Lantz, destacada logo na entrada.

    Estão ali desde blockbusters que venderam milhões de cópias, como “The last of us”, até produções de estúdios independentes.

    Na seção “Disrupt”, a indústria é analisada através das lentes das discussões políticas e sociais que os jogos evocam. Em um telão, críticos, produtores, jornalistas e executivos debatem como a democratização vem tornando, aos poucos, o meio gamer mais evoluído em termos de representatividade, com subdivisões em títulos provocativos como “por que os videogames são tão brancos?”, “videogame é coisa de menina” e “vamos falar sobre sexo”.

    Por fim, projeções de curtas-metragens sobre campeonatos de e-sports e o universo “Minecraft”, além de uma sala lotada com jogos do tipo arcade contemporâneos, convocam para a seção interativa “Play” — para agradar os aficionados que terminaram o passeio com a mão coçando.

    Alguns dos jogos em destaque na exposição:

    Kentucky Route Zero, Act II, A Forest © Cardboard Computer.jpg

    A aventura da Cardboard Computer chama atenção por suas referências: a arte de Magritte, romances de Faulkner e peças de Arthur Miller.

    Blue Sky Concept, The Last of Us™ ©2013, 2014 Sony Interactive Entertainment LLC. The Last of Us is a trademark of Sony Interactive Entertainment LLC. Created and developed by Naughty Dog LLC..jpg

    Hit que vendeu milhões de cópias traz roteiro hollywoodiano, construção de universos realistas e ênfase na criação dos personagens.

    No Man's Sky - ™© 2016 Hello Games Ltd. Developed by Hello Games Ltd. All rights reserved.jpg

    Equações matemáticas complexas e algoritmos permitem explorar até 18 quintilhões de planetas, com diferentes tipos de fauna e flora.

    Screenshot, Journey™ ©2012, 2014 Sony Interactive Entertainment LLC. Journey is a trademark of Sony Interactive Entertainment LLC. Developed by Thatgamecompany..jpg

    Já um clássico, a produtora indie thatgamecompany criou um jogo que une empatia e admiração, com estilo visual luxuoso e trilha sonora evocativa.

    Phone Story, Molleindustria.jpg

    Banido da Apple Store, critica o modo de produção do iPhone: depois de patrulhar bebês mineradores, você deve tentar salvar suicidas numa fábrica chinesa.

    Minecraft, WesterosCraft, King’s Landing © Minecraft.jpg

    Criado como jogo de peças para crianças, ganhou novos adeptos e tantos recursos que hoje tem quem entre só para ver o que outros montaram.


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    RIO - Um dos maiores clássicos da literatura brasileira quase teve um título bem diferente. Em 1938, já na revisão, Graciliano Ramos (1892-1953) ainda insistia em chamar seu romance sobre uma família de retirantes nordestinos de “O mundo coberto de pennas”. No final, o alagoano riscou o título antigo e mudou para “Vidas secas”, que foi como a obra chegou às livrarias e entrou para a História.

    Esses detalhe é recuperado na edição que a Record lança no fim do mês, celebrando os 80 anos da obra. A edição traz também desenhos de Renan Araújo e o manuscrito do conto que originou o livro: “Baleia”. Abaixo, um trecho dessa narrativa, com uma das mortes mais marcantes de nossas letras. info - sc vidas secas capa


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    RIO — Pouco mais de um mês após o lançamento de sua segunda temporada pela Netflix, a série da Marvel "Punho de Ferro" teve sua terceira temporada cancelada. O anúncio oficial da Disney, que pegou de surpresa os fãs da série, foi confirmado na tarde desta sexta (12) ao site de notícias "Deadline", sem muitos detalhes de sua motivação: comics

    "'Punho de Ferro', da Marvel, não irá retornar para uma terceira temporada na Netflix. Todos da Marvel Television e Netflix estão orgulhosos da série e agradecidos pelo trabalho pesado do nosso incrível elenco, equipe e produtores. Nós agradecemos aos fãs por terem assistidos essas duas temporadas, e pela parceria que dividimos nessa série. Conforme a série na Netflix se encerra, o imortal Punho de Ferro irá viver".

    Já no ar pela plataforma de streaming, a segunda temporada da série, que avança no processo de transformação do personagem Danny Rand (que, na ausência de Matt Murdock, promete proteger a cidade), teve o número de episódios reduzido em relação à primeira: nesta são 10, enquanto na primeira, 13. Trailer da segunda temporada de 'Punho de ferro'

    Desde o lançamento de sua primeira temporada, em março de 2017, "Punho de Ferro" precisou lidar com críticas pouco simpáticas, retorno diferente dos vivenciados por outras séries da Marvel, como "Demolidor" e "Jessica Jones". Ainda assim, o estúdio bancou sua continuação. A temporada recém-lançada foi melhor recebida pelos especialistas, mas não o suficiente para segurá-la por mais tempo.

    É a primeira vez que uma série da Marvel para a Netflix é cancelada. Além de "Punho de Ferro", "Demolidor" e "Jessica Jones", as histórias de "Luke Cage", "Justiceiro" e "Os Defensores" (uma reunião de todos os personagens) também estão disponíveis na plataforma. A terceira temporada de "Demolidor" será lançada na próxima sexta-feira, 19.


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    RIO — Um pouco por acaso, um pouco por convicção, os três espetáculos em cartaz de Bruce Gomlevsky estão “na ordem do dia”, como ele próprio define. A ditadura militar no monólogo “Memórias do esquecimento”, adaptação do livro homônimo de Flávio Tavares que estreou na semana passada. Um líder charlatão religioso em “Um tartufo”, peça inspirada no clássico de Molière que ele dirige. E um roqueiro engajado politicamente, Renato Russo, que ele encarna há 12 anos nos palcos. Tudo isso é um pouco do Brasil 2018, acredita o ator, diretor e workaholic autodeclarado, que completa 25 anos de carreira.

    bruce gomlevskyMas, quando Gomlevsky leu pela primeira vez “Memórias do esquecimento”, há quase 20 anos, o momento era outro. Lançado em 1999, o livro traz as lembranças de Tavares, jornalista que narra de forma crua as torturas que sofreu como prisoneiro político na ditadura militar. Durante todo esse tempo, o ator sonhou em levar o doloroso relato para o palco. Calhou de acontecer logo agora, em meio à polarização extrema vivida no país.

    — Banquei sozinho os custos básicos, sem patrocínio algum; vi que podia realizar a peça de maneira simples e contundente, com o texto fantástico do Flávio — conta Gomlevsky, 43 anos, que dirige e interpreta o monólogo no Teatro Poeirinha, em Botafogo. — Percebi que este ano seria um momento preciso, com esses ataques de gente negando que houve tortura, relativizando crimes contra a humanidade. Há um cheiro de fascismo no ar.

    Bruce me levou a um novo retorno, não à brutalidade do meu passado, mas à minha libertação. Na plateia, muita gente chorava.Preso três vezes entre 1964 e 1969, Tavares demorou décadas para escrever o livro. No fim, o texto saiu, com clareza assustadora, e sem omitir nada do que viveu. Se por um lado precisava exorcizar o trauma pela escrita, também não queria reviver estas memórias. Por isso, a presença do autor na estreia da peça, na semana passada, deixou Gomlevsky extremamente nervoso. Ao final, um alívio. Tavares o procurou e agradeceu.

    — Disse a ele que foi como um segunda libertação — conta o jornalista. — A primeira foi escrever o livro, há 20 anos. Agora, Bruce me levou a um novo retorno, não à brutalidade do meu passado, mas à minha libertação. Na plateia, muita gente chorava.

    Gomlevsky vê a peça como um “alerta”, uma denúncia contra o clima de preconceito que ele acredita estar tomando o país. Ao mesmo tempo em que encena “Memórias de esquecimento”, também dirige outro espetáculo que busca abrir os olhos da plateia.

    Renato Russo se posicionou contra a discriminação, declarou-se gay quando isso não era tão fácil. Se estivesse vivo hoje, estaria esperneando contra injustiças.Sua livre adaptação de “Um tartufo”, de Molière, traduz a obra do dramaturgo francês do século XVII para o ar do tempo. Um chefe de família com posses é enganado por um suposto religioso, que na verdade é um charlatão.

    — Tem a ver, claro, com o que vivemos, essa mistura de religião e Estado, que é nociva — diz. — Respeito qualquer religião, mas o problema é quando ela vira instrumento de poder e manipulação.

    renato russo há 12 anos

    Na semana em que Roger Waters foi vaiado no Brasil por se posicionar politicamente em seu show, completaram-se 22 anos da morte de Renato Russo. Há mais de uma década, Gomlevsky roda o país com o musical sobre a vida do líder da Legião Urbana. Para o ator, a figura de Renato faz falta.

    — Por onde passo, vejo que a popularidade dele só aumenta entre os jovens — diz. — Ele se posicionou contra a discriminação, declarou-se gay quando isso não era tão fácil. Se estivesse vivo hoje, estaria esperneando contra injustiças.


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    O Brooklyn Museum, em Nova York, abriu, ontem, uma exposição de arte e artefatos da Síria para recontar a história de refugiados no país. Já o Guggenheim promoverá uma bate-papo com um artista palestino, e o Metropolitan Museum realizará um seminário sobre a arte do Oriente Médio.

    Esses programas, junto com outros semelhantes no Museum of Modern Art (MoMA), no Asia Society and Museum e em outras instituições de Nova York, fazem parte de um esforço conjunto para exibir obras de arte do Oriente Médio e “construir um maior entendimento entre os Estados Unidos e o mundo árabe”. São iniciativas coordenadas por organizações generosamente financiadas pelo governo saudita, que vem sendo acusado do assassinato de um jornalista dissidente.

    Durante anos, organizações sem fins lucrativos, de museus a grandes universidades, vêm fortalecendo os laços com os reinos petrolíferos do Oriente Médio como forma de ampliar suas ofertas, fomentar o diálogo intercultural e obter acesso às consideráveis riquezas desses países. Agora, eles estão tendo que responder à mesma pergunta feita pelo governo dos Estados Unidos: se o possível assassinato do jornalista Jamal Khashoggi é uma razão para evitar a Arábia Saudita, ou se o país é muito rico e importante para simplesmente ser afastado?

    — Como uma instituição cultural global, a principal atividade do nosso museu é envolver representantes de museus e governos de todo o mundo — disse Daniel Weiss, presidente e diretor-executivo do Metropolitan Museum.

    Na sexta-feira, uma organização envolvida na coordenação das exposições de Nova York, o Instituto do Oriente Médio, um centro de estudos com sede em Washington, disse que não queria mais fazer parte das iniciativas pelos museus.

    — À luz dos acontecimentos recentes, o Instituto do Oriente Médio decidiu que não participará do programa da próxima semana em Nova York — disse Scott Zuke, porta-voz do grupo.

    No entanto, a maioria das organizações pretende continuar com seus planos, ou ainda estavam avaliando suas participações. O MoMA, que participa da iniciativa de arte e educação árabe deste mês, disse que não aceitou dinheiro para o programa, que consiste em uma mostra de trabalhos e uma conversa com um artista de cinema do Kuwait, amanhã. “Nós nos juntamos à iniciativa na esperança de estimular o intercâmbio cultural, a experimentação e o diálogo aberto sobre questões importantes na região”, disse o MoMA em um comunicado.

    Outros museus envolvidos no programa, incluindo o Brooklyn Museum e o Guggenheim, também informaram que não têm a intenção de pular fora da iniciativa.


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    RIO — Grupo americano de origem punk, sucesso em seu país na década passada, o Against Me! baixa no Brasil este mês para a sua primeira turnê — dia 19 em Curitiba, 20 em São Paulo e 21 em Natal. Mas quem perguntar pelo líder, o vocalista e guitarrista Tom Gabel, encontrará em seu lugar Laura Jane Grace. Outra pessoa, mas a mesma: em 2012, Tom anunciou a sua decisão de se tornar mulher. Passou por um tratamento com hormônios e eletrólise e deu fim à angústia que vivia desde criança pelo desconforto persistente com o seu sexo de nascimento. É Laura quem assina (junto com o jornalista Dan Ozzi) o livro “Tranny”, autobiografia que está sendo lançada aqui, também este mês, pela editora Powerline Books.

    — Eu só estou tentando existir e fazer o que eu amo, que é tocar com minha banda — desabafa a cantora (que autografa o livro no Rio, dia 22, na livraria Blooks) em entrevista por telefone. — Na maior parte dos Estados Unidos, no fim do governo Obama, houve um aumento real da visibilidade para as pessoas trans, com mais entendimento e tolerância. Mas embora os amigos nas bandas e a indústria musical tenham me aceitado, eu ainda não me sinto bem-vinda em muitos espaços públicos, ainda mais depois de Donald Trump. Links Laura Jane Grace

    “Tranny” traça a trajetória da artista, filha de militar, criada na Flórida. Seus interesses musicais começaram com Madonna, passaram pelos Guns N’Roses (“Não era claro se os membros da banda eram homens ou mulheres, e gostei disso”, escreve ela) e chegaram aos punks anarquistas ingleses do Crass. “O punk rock foi uma forma catártica de lutar contra a intolerância da cidade — os atletas cuzões da escola que me batiam e me chamavam de bicha, uma igreja e um Deus que me afastaram e condenaram minha alma e os professores que queriam apagar minha individualidade”, relata Laura no livro.

    79302857_SC - Capa do livro Tranny da cantora e compositora Laura Jane Grace.jpgFundado por ela em 1997, o Against Me! seguiu seu caminho pelo circuito punk até que em 2007 foi contratado pela gravadora Sire (a mesma que revelou Madonna para o mundo) para gravar o álbum “New Wave”. O disco receberia muitas críticas positivas e levaria o grupo a abrir shows dos Foo Fighters. Mas, nessa época, Laura tentava afogar nas drogas e nos excessos de rockstar o desejo que a consumia desde pequena, quando experimentava vestidos da mãe. “Tudo o que penso ultimamente quando vejo uma mulher atraente é quanto gostaria de ser igual a ela”, anotou Laura, em 2009, num de seus diários.

    Sua mudança foi anunciada, sem meias palavras, em “Transgender dysphoria blues”, faixa-título do álbum do Against Me! de 2014: “Você quer que eles te vejam / como eles veem todas as outras garotas / eles só veem um viado”, cantou. De lá para cá, o grupo passou dois anos na estrada, lançou mais um disco, e Laura foi protagonista de uma série indicada ao Emmy, “True trans with Laura Jane Grace”. Seu exemplo teve repercussão no meio artístico, mas nada fez para mudar o status dos trans no rock.

    — Tocar rock sempre foi uma coisa de menino, um clubinho — admite ela, ainda fiel às lições do punk. — Uma das mensagens mais clichê e ao mesmo tempo mais verdadeiras, aquela que resiste até os dias de hoje mesmo sem o punk, é a de que você deve questionar tudo e fazer você mesmo, não esperar por ninguém. Against Me! - FUCKMYLIFE666 (Official Lyric Video)

    Além dos shows do Against Me!, a artista chega ao Brasil (onde ela soube, pelo noticiário, “que há muita violência contra a comunidade trans”) com a sua banda paralela. Laura Jane Grace & the Devouring Mothers se apresentam dia 23 no Rio (no Teatro Odisseia) e 25 em São Paulo (no Centro Cultural São Paulo). Serão os primeiros shows fora dos Estados Unidos do trio que a cantora e guitarrista criou com o baterista Atom Willard (do Against Me!) e o baixista (além de produtor e engenheiro de som) Marc Jacob Hudson.

    “Tranny: Confissões da anarquista mais infame e vendida do punk rock”

    Autores: Laura Jane Grace e Dan Ozi

    Tradução: Julia Zuanella Fernandes

    Editora: Powerline Books

    Páginas: 228 Preço: R$ 49,90

    Lançamento: 22/10, às 19h, na Blooks Botafogo — Praia de Botafogo, 316, Botafogo (2237–7974)


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    RIO — Djamila Ribeiro admite: sentiu um certo medo, mas agora já passou. Após atuar nos bastidores do “Amor & sexo” como consultora de conteúdo, a filósofa e ativista feminista recebeu o convite para fazer parte da bancada fixa da atração apresentada por Fernanda Lima — e topou. “Dá frio na barriga, mas fui me acostumando”, conta a autora dos livros “Quem tem medo do feminismo negro?” (Companhia das Letras) e “O que é lugar de fala?” (Letramento), que concorre ao prêmio Jabuti deste ano na categoria Humanidades.

    A temporada do “Amor & sexo” (TV Globo, às terças, 23h40m) começou semana passada, mas Djamila estreia na bancada depois de amanhã. Estará ao lado de Mariana Santos, José Loreto, Eduardo Sterblitch, Dudu Bertholini e Regina Navarro Lins.

    A seguir, a santista de 38 anos fala sobre a participação no programa, amor e sexo em 2018 e sua atuação nas redes sociais em tempos de ódio. Links Fernanda Lima

    O debate ganhou mais espaço nesta temporada do “Amor & sexo”. Como será sua participação?

    Durante a preparação da temporada, fui consultora de conteúdo, discutindo temas com os roteiristas. Daí surgiu o convite para estar também na bancada. O programa aborda assuntos que dialogam com o que penso e acredito em furar bolhas, me comunicar. Os temas são tratados de forma leve, é entretenimento, mas o tempo das discussões aumentou e tivemos a chance de nos aprofundar. Tivemos liberdade para poder discordar. O importante é debater, não impor.

    Quais são as grandes questões sobre amor e sexo em 2018?

    Existem várias possibilidades de amor. Há desde as pessoas que vivem o poliamor até as que não fazem sexo por opção. No programa, ampliamos discussões sobre LGBTfobia, casamento gay, temas ainda cercados de muito preconceito. O “Amor & sexo” vai levar diferentes formações familiares ao palco para mostrar que nada disso é coisa de outro mundo. Falamos ainda sobre aborto, feminicídio, até a diferença entre amor e um relacionamento abusivo.

    Você abordou mais o feminismo ou preferiu explorar outros temas?

    Feminismo foi do que mais falei. Temos que desmistificar o feminismo negro, por exemplo. Foi uma vitória ter conseguido botar o tema no debate público. Lancei dois livros sobre o assunto, que foram os mais vendidos na Flip deste ano, e estão sendo muito lidos, inclusive por homens. Mas os passos ainda são lentos, existem várias vertentes e necessidades.

    Como avalia o movimento feminista atualmente?

    Uma vitória foi ter conseguido botar o tema no debate público. Lancei dois livros sobre o assunto, que foram os mais vendidos na Flip deste ano, e estão sendo muito lidos, inclusive por homens. Mas os passos ainda são lentos, existem várias vertentes e necessidades do feminismo. O gênero não pode ser usado para oprimir as mulheres, nem para garantir a desigualdade. No programa, ampliamos discussões sobre LGBTfobia, casamento gay, temas ainda cercados de muito preconceito

    Você já está acostumada a falar para públicos variados. Sentiu-se à vontade na TV?

    Ano passado, apresentei uma temporada do “Entrevista”, no Futura, sobre Direitos Humanos, entrevistei 12 pessoas... Mas a TV é um outro lugar. Num primeiro momento dá um pouco de medo, falar em público ou diante de uma câmera não é fácil. Dá frio na barriga, mas fui me acostumando e me senti acolhida.

    Você sempre foi muito ativa nas redes. Como frequentá-las em tempos de tanto ódio?

    Recebo muitos ataques. Percebo que as pessoas não querem debater, entender as razões do outro, e têm muita dificuldade em ouvir crenças que não são as delas. Mas as redes ainda são uma bolha: metade da população brasileira não tem internet. O processo de educação do país é falido. Por isso temos que ser didáticos. O óbvio precisa ser dito. Vivemos um momento em que os direitos mínimos são atacados. É importante mostrar para as pessoas que elas não podem pensar o mundo somente a partir da visão delas. As pessoas devem viver como quiserem, desde que não firam o direito de ninguém.

    Já prepara seu próximo livro?

    Comecei a pensar em alguma coisa para o ano que vem e estou conversando com meu editor. “O que é lugar de fala?” faz parte da coleção Feminismos plurais, coordenada por mim. Vamos lançar dois novos títulos, de outros autores.


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    RIO — Para Simone Spoladore, sua carreira é dividida entre antes e depois de Dora, personagem da série “Magnífica 70”, que estreia sua terceira e última temporada hoje, às 21h, na HBO.

    — Foi um trabalho muito forte, como se fosse um processo de alquimia, que me fez conhecer melhor a mim mesma — define a atriz, de 38 anos.

    Links sériesNa série, que terá 10 novos episódios, Dora é uma atriz de pornochanchada no Brasil dos anos 1970 que encanta o censor Vicente (Marcos Winter). Viver uma mulher que transborda sexualidade, Simone explica, foi uma surpresa bem-vinda sua carreira, que despontou no filme “Lavoura arcaica” (2001).

    — Não tenho uma beleza padrão, de atriz sex symbol, não vou para a academia. Meu corpo é normal. Descobrir que poderia estar nesse personagem mexeu até na minha autoestima.

    Apesar do rótulo de “musa”, a Dora de Spoladore está longe de ser uma personagem simplista. Na temporada final, ela corre em busca de vingança após ser vítima de abuso sexual. Para a atriz, Dora não consegue seguir em frente porque não tem as ferramentas necessárias para lidar com o trauma — uma situação que não é tão incomum assim para as mulheres contemporâneas.

    — É muito fácil se colocar no lugar de alguém que sofreu violência sexual, porque é tão comum e está no inconsciente coletivo — comenta.

    79315890_SC - Simone Spoladore em Magnífica 70 série da HBO.jpgA atriz também encontra paralelos entre as cenas de repressão exibidas em “Magnífica 70”, que se passa durante os anos de chumbo da ditadura militar, e o conturbado momento político.

    — Nós ficamos todos muito assustados em ver como a história ficou atual, como está presente esse autoritarismo e essa violência que representamos. Espero que a série possa ser um espelho para mostrar o que a gente não quer viver de novo, mostrar quanta gente foi morta e torturada naquele período. Talvez, assim, possa contribuir para um debate — opina.

    Apesar de já ter declarado seu voto nas redes sociais, Simone não acredita que artistas devam ser, necessariamente, obrigados a marcar posição na política.

    — É uma escolha pessoal. Não acho que me posiciono tanto, na verdade. Faço no meu limite, e cada um faz no limite que pode. Mas talvez, agora, a gente possa tentar um pouco mais — acredita.

    Cinema depois da série

    Agora, a atriz diz optar por papéis mais curtos para sua fase pós-Dora. Após encerrar os trabalhos da última temporada de “Magnífica 70”, ela já tem dois novos projetos encaminhados. Um deles é “A história de um crime”, do veterano diretor Ruy Guerra, que começa a ser filmado no próximo mês na cidade mineira de Cataguazes.

    O segundo é uma adaptação para as telas de “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres”, de Clarice Lispector. No primeiro longa-metragem da cineasta Marcela Lordy, Simone vive a protagonista Lóri, uma professora primária que se apaixona por Ulisses, um professor de filosofia.

    — Lóri é uma personagem que passa por uma transformação muito profunda. A gente pega ela no final de uma crise e vemos a personagem reconstruindo o prazer que tem no mundo — adianta.


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    RIO — Um pouco por acaso, um pouco por convicção, os três espetáculos em cartaz de Bruce Gomlevsky estão “na ordem do dia”, como ele próprio define. A ditadura militar no monólogo “Memórias do esquecimento”, adaptação do livro homônimo de Flávio Tavares que estreou na semana passada. Um líder charlatão religioso em “Um tartufo”, peça inspirada no clássico de Molière que ele dirige. E um roqueiro engajado politicamente, Renato Russo, que ele encarna há 12 anos nos palcos. Tudo isso é um pouco do Brasil 2018, acredita o ator, diretor e workaholic autodeclarado, que completa 25 anos de carreira.

    bruce gomlevskyMas, quando Gomlevsky leu pela primeira vez “Memórias do esquecimento”, há quase 20 anos, o momento era outro. Lançado em 1999, o livro traz as lembranças de Tavares, jornalista que narra de forma crua as torturas que sofreu como prisoneiro político na ditadura militar. Durante todo esse tempo, o ator sonhou em levar o doloroso relato para o palco. Calhou de acontecer logo agora, em meio à polarização extrema vivida no país.

    — Banquei sozinho os custos básicos, sem patrocínio algum; vi que podia realizar a peça de maneira simples e contundente, com o texto fantástico do Flávio — conta Gomlevsky, 43 anos, que dirige e interpreta o monólogo no Teatro Poeirinha, em Botafogo. — Percebi que este ano seria um momento preciso, com esses ataques de gente negando que houve tortura, relativizando crimes contra a humanidade. Há um cheiro de fascismo no ar.

    Bruce me levou a um novo retorno, não à brutalidade do meu passado, mas à minha libertação. Na plateia, muita gente chorava.Preso três vezes entre 1964 e 1969, Tavares demorou décadas para escrever o livro. No fim, o texto saiu, com clareza assustadora, e sem omitir nada do que viveu. Se por um lado precisava exorcizar o trauma pela escrita, também não queria reviver estas memórias. Por isso, a presença do autor na estreia da peça, na semana passada, deixou Gomlevsky extremamente nervoso. Ao final, um alívio. Tavares o procurou e agradeceu.

    — Disse a ele que foi como um segunda libertação — conta o jornalista. — A primeira foi escrever o livro, há 20 anos. Agora, Bruce me levou a um novo retorno, não à brutalidade do meu passado, mas à minha libertação. Na plateia, muita gente chorava.

    Gomlevsky vê a peça como um “alerta”, uma denúncia contra o clima de preconceito que ele acredita estar tomando o país. Ao mesmo tempo em que encena “Memórias de esquecimento”, também dirige outro espetáculo que busca abrir os olhos da plateia.

    Renato Russo se posicionou contra a discriminação, declarou-se gay quando isso não era tão fácil. Se estivesse vivo hoje, estaria esperneando contra injustiças.Sua livre adaptação de “Um tartufo”, de Molière, traduz a obra do dramaturgo francês do século XVII para o ar do tempo. Um chefe de família com posses é enganado por um suposto religioso, que na verdade é um charlatão.

    — Tem a ver, claro, com o que vivemos, essa mistura de religião e Estado, que é nociva — diz. — Respeito qualquer religião, mas o problema é quando ela vira instrumento de poder e manipulação.

    renato russo há 12 anos

    Na semana em que Roger Waters foi vaiado no Brasil por se posicionar politicamente em seu show, completaram-se 22 anos da morte de Renato Russo. Há mais de uma década, Gomlevsky roda o país com o musical sobre a vida do líder da Legião Urbana. Para o ator, a figura de Renato faz falta.

    — Por onde passo, vejo que a popularidade dele só aumenta entre os jovens — diz. — Ele se posicionou contra a discriminação, declarou-se gay quando isso não era tão fácil. Se estivesse vivo hoje, estaria esperneando contra injustiças.


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    RIO — O produtor e diretor de TV Guga de Oliveira morreu na madrugada deste domingo aos 77 anos. Ele estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde teve uma parada cardiorrespiratória, segundo familiares.

    Irmão do também diretor Boni, Guga (seu nome de batismo era Carlos Augusto Oliveira) foi um dos pioneiros da produção independente no Brasil. Na década de 1970, criou a produtora Blimp Filmes, que produziu conteúdo para programas como o Fantástico e o Globo Repórter. Realizou também comerciais, filmes e documentários.

    Ingressou pela primeira vez na televisão em 1979, atuando na extinta Rede Tupi. Participou ainda da instalação da Rede Bandeirantes de Televisão.

    Em 1981 saiu da emissora e participou, com Roberto Marinho, da instalação da produtora Globotec, responsável pela criação de aberturas das novelas, especiais e documentários da TV Globo, entre eles o especial de fim de ano de Roberto Carlos.

    Em 1984, dirigiu o seriado independente Joana, estrelado por Regina Duarte, exibido inicialmente pela Rede Manchete, e posteriormente também no exterior.

    Guga produziu também a primeira telenovela independente no Brasil, "Cortina de vidro", que foi exibida pelo SBT e escrita por Walcyr Carrasco.

    O velório ocorrerá neste domingo, entre 15h e 20h no hospital Albert Einstein e na segunda-feira a partir de 9h no Cemitério do Morumbi, em São Paulo, onde também será o enterro ao meio-dia.


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    PARIS - Por dois anos, Jeff Koons procurou um lugar apropriado para seu presente a Paris, a obra “Buquê de tulipas”. Finalmente, ele encontrou um jardim.

    Oficiais da prefeitura de Paris afirmaram que Koons concordou em instalar sua colorida escultura — que foi anunciada no passado, com grande fanfarra , como uma homenagem às vítimas dos atentados terroristas de 2015 e 2016 — nos jardins do Petit Palais, edifício histórico próximo da Champs Élysées que abriga um museu de belas artes. artes-visuais

    Koons doou apenas o conceito da escultura. Uma fundação privada levantou 3 milhões de euros para a sua construção e instalação, com doações americanas e francesas.

    — Era urgente encontrar um lugar, após muito vaivém político — afirmou Christophe Girard, representante da prefeitura de Paris para assuntos cultuais, após visitar a locação com Koons na sexta-feira.

    O artista americano ainda precisa de um sinal verde definitivo e da conclusão de estudos logísticos, mas Girard garantiu que a locação vai atender a todos os critérios e que a inauguração provavelmente acontecerá em 2019.

    Koons se inspirou na Estátua da Liberdade para criar uma mão segurando um buquê de balões no formato de tulipas. Em 2016 ele expressou o desejo de que o trabalho “comunicasse um senso de futuro, de otimismo, da felicidade de oferecer”.

    O que deveria ser um presente extravagante, no entanto, se tornou um fardo para a administração de Paris.

    Inicialmente, o artista e a prefeitura concordaram em instalar a obra em frente ao Palais de Tokyo, uma área popular entre turistas com vista para a Torre Eiffel. Porém, conforme o plano se estendia por meses, o descontentamento dos parisienses com a obra de Koons se encaixou com dificuldades técnicas de implementar o projeto.

    Em janeiro deste ano, artistas e políticos franceses pediram, em uma carta publicada no jornal “Libération”, que o plano fosse abandonado. A carta, que incluía a assinatura do ex-ministro da Cultura Frédéric Mitterrand, afirmava que o trabalho de Koons simbolizava “um tipo de arte industrial, espetacular e especulativa”.


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    RIO - Em entrevista ao "Fantástico", Roger Waters comentou o episódio da vaia que sofreu no show que fez em São Paulo no último dia 9. Boa parte da plateia se manifestou contra ele após ele ter projetado a #elenao, contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro — uma das muitas críticas aos líderes que o artista considera alinhados ao fascismo. Waters explicou que houve uma falha técnica e, no palco, ele demorou a entender o que tinha acontecido.

    — A hashtag (#elenao) foi projetada durante a música "Eclipse", quando ela era pra ter aparecido em outro momento, quando eu cantasse "Mother", na parte que diz "Mãe, eu deveria confiar no governo?". Aí faria sentido — disse Waters ao "Fantástico". — Em "Eclipse" era para aparecer pirâmides, laser colorido. Foi inapropriado. Geralmete nessa parte do show todos aplaudem, ficam felizes. Me perguntei o que estava acontecendo.

    Waters disse que a polarização que ele percebeu ali já havia sido percebida em outros países, inclusive nos Estados Unidos, onde ele fez críticas ao presidente Donald Trump.

    — As pessoas não deveriam lutar entre si. Eles são os inimigos, os poderosos, deveríamos lutar contra eles. O que eles querem é isso, que lutemos entre nós — defendeu Waters.

    Ele afirmou, porém, que não há nada errado num artista usar o palco para defender seu posicionamento político.

    — Acredito que todos os artistas têm a responsabilidade de usar a arte para expressar ideias políticas.


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    SÃO PAULO — Não se deixe enganar pelas aparências. Por trás da figura frágil e delicada de Aline Bei, se esconde uma escritora ousada e dona de um estilo único, que ela, aos 30 anos, defende como poucos autores. O seu romance de estreia, “O peso do pássaro morto” (Nós), conta a história de uma mulher dos 8 aos 52 anos, numa trajetória marcada por perdas.

    Escrito em versos, o romance causa uma estranheza inicial ao leitor desavisado. Aline chegou a receber oferta de uma editora para imprimir ao livro uma narrativa convencional, mas ela defendeu seu trabalho e sua opção estilística.

    — Não mudaria meu texto por nada —diz ela, em entrevista ao GLOBO, no café de uma livraria na Vila Madalena, em São Paulo. — Ele é como é, entrecortado, e a potência dele deriva, em parte, disso mesmo.

    Essa persistência rendeu frutos. Aline está entre os quatro finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autores estreantes com menos de 40 anos. Seus concorrentes são: José Almeida Júnior, com “Última hora" (Record); Mauro Paz, com “Entre lembrar e esquecer" (Patuá); e Tiago Feijó, com “Diário da casa arruinada" (Penalux). O vencedor, que ganhará R$ 100 mil, será conhecido em novembro.

    79095342_SC - São Paulo SP - Capa de %27O peso do pássaro morto%27 Nós de Aline Bei. Foto Divulgação.jpgA partir da imagem de um canário que morreu em suas mãos, Aline criou a história da personagem que protagoniza sua obra. O título surgiu depois, em uma caminhada. A escrita se seguiu a esses estímulos, segundo ela, de forma quase natural:

    — Não queria que tivesse nenhuma trégua — diz a escritora, citando entre suas influências "Aos 7 e aos 40", de João Anzanello Carrascoza; e o poema "One art", de Elizabeth Bishop. — Queria que ela perdesse, perdesse e perdesse. E que os poucos ganhos também fossem resultado das perdas.

    “O peso do pássaro morto" deve muito também a Marcelino Freire e suas oficinas literárias. Foi durante um curso, em 2015, que a atriz diletante (ela fez o curso de teatro de Célia Helena) e escritora bissexta (em sites que montou com amigos e sozinha) viu sua carreira como autora se delinear.

    — Eu costumava mostrar a ele um livro de contos. Mas depois de ver o romance, ele me incentivou a investir nisso — relembra.

    Ela participou de um concurso promovido pelo escritor no ano seguinte, quando o livro foi premiado junto com "São Bernardo sitiada", de Paulo Júnior.

    Freire contou ao GLOBO que a escrita de Aline impressionou tanto seus colegas de oficina que alguns passaram a imitá-la, quebrando as frases em versos na busca por um ritmo mais próximo da poesia.

    — Eu falei para ela “pelo amor de Deus, publica logo um livro, porque se alguém publicar antes, vão dizer que é você que está imitando” — lembra Freire. — A escrita de Aline tem uma pulsação muito própria. Não é poesia o que ela faz quando quebra frases, isola palavras ou coloca maiúsculas no meio do texto. Ela dá um batimento cardíaco ao texto.

    Escritora e divulgadora

    Distante das grandes editoras, Aline recorreu às redes sociais e ao boca a boca para ajudar “O pássaro morto” a alçar voo.

    — O boom foi no lançamento. Eu não tenho tantos amigos assim, e a minha família também não encheria um evento desses. Então, comecei a convidar pessoalmente outras pessoas. E deu certo — disse. — O livro é do autor, e é importante que o autor trabalhe o próprio livro. Não conheço as editoras por dentro, mas tenho certeza de que numa grande estrutura o número de autores deve ser muito grande. E eles vão cuidar primeiro dos que vendem.

    O livro já vendeu três mil exemplares — número assombroso para uma autora nova e publicada por uma editora pequena. Simone Paulino, editora da Nós, estima que 70% desse volume foi vendido pela própria Aline.

    — Depois do lançamento, ela me pediu 50 exemplares para vender. Na semana seguinte, pediu mais 100. Depois, passou a pedir 300 por vez – conta Simone ao GLOBO, poucas horas depois de receber outro pedido robusto da autora. — Vamos reimprimir o livro e estou pensando que mil exemplares talvez seja pouco. Compensa mais dar o livro para Aline vender do que consignar para as livrarias.

    Links livrosA autora compra os livros com 50% de desconto e os oferece nas redes sociais. Quem curte uma foto ou um post dela, logo recebe uma mensagem. Ela explica que publicou um livro recentemente e se coloca à disposição de quem se interessar. Pelo Facebook, ela contatou a agente literária Lucia Riff.

    — Ela me procurou ao mesmo tempo em que eu a estava procurando. Assisti a uma mesa dela num evento literário e fiquei muito impressionada —diz Lucia. — O livro é um espetáculo. A Aline tem uma voz incrível.

    Quatro editoras estrangeiras se interessaram em avaliar a obra para uma eventual publicação, mas ainda não há nenhuma proposta concreta. “O pássaro morto” promete voar longe.


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    RIO - Não é lugar comum dizer que Dallas Green se sente visivelmente em casa nas faixas de “Guide me back home”, mais novo registro ao vivo que lançou sob seu codinome artístico City and Colour. Nascido na pequena St. Catharines, em Ontario, o cantor e compositor, notável autor de canções de amor nos cinco discos de estúdio da carreira solo, admite que o álbum é uma grande serenata apaixonada para o Canadá.

    O clima de aconchego embala o ouvinte ao longo das 20 faixas, gravadas em diferentes paradas da turnê que Green fez por 25 cidades canadenses em 2017. Para tanto, o músico se propôs a despir ainda mais suas canções folk para o formato acústico, apresentando-se sem banda, acompanhado apenas pelo multi-instrumentista Matt Kelly. O resultado, reforça a poesia refinada de suas letras e a voz carregada de emoção.

    'Casey's Song', City and Colour

    Conversas e comentários entre as músicas foram mantidas no registro, seja por ilustrarem a relação dele com as cidades ou por traduzir o humor autodepreciativo que marca as apresentações — “belo edifício esse, hein? Estou surpreso por eles terem me deixado entrar”, brinca o careca, barbudo e tatuado cantor de músicas de amor antes de entoar os versos do hit “What makes a man?”.

    Minutos depois, naquela mesma canção, ele acertava notas arrepiantes a ponto do calor da plateia ser palpável na gravação. Outro destaque é “Casey’s song”, faixa do primeiro disco do City and Colour, “Sometimes” (2005), que não aparecia nos shows há cinco anos pois Green tinha simplesmente esquecido como tocá-la. A harmonia impressa no registro faz os fãs comemorarem que ele tenha recuperado a memória.

    Revelado como o vocalista da banda de hardcore Alexisonfire, sucesso no meio da década passada, Green se encontrou mesmo ao abraçar o folk na carreira solo. Isso fica claro na coletânea “Guide me back home”, uma introdução certeira para marinheiros de primeira viagem, incluindo seus principais sucessos, como “The girl”, “Lover come back” e “Hello, I’m in Delaware”, e também raridades — além de “Casey’s song”, chama atenção a versão de “Twilight”, de Elliott Smith (1969-2003).

    Em tempos de discussões carregadas de tensão nos Estados Unidos, onde mora, Green fugiu para abraçar sua casa e convidou aqueles que também precisam respirar para acompanhá-lo.

    Cotação: Ótimo


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    SÃO PAULO - Em 2019, o bloco baiano Ilê Aiyê completa 45 anos de resistência ao racismo e luta pela inclusão da cultura africana na educação. O Itaú Cultural antecipou as comemorações e organizou em sua sede, na Avenida Paulista, em São Paulo, uma exposição da série “Ocupação”, contando a história da agremiação de Salvador por meio de fotos, vídeos, textos, figurinos e instalações.

    Tudo começou nos anos 1970, quando os blocos de mortalha se popularizaram no carnaval da capital baiana. Como os moradores da periferia e negros eram regularmente impedidos de participar, um grupo capitaneado por Antonio Carlos dos Santos, o Vovô, e Apolônio Lima resolveu fundar um bloco da comunidade próxima à ladeira do Curuzu, no bairro da Liberdade. Assim nasceu, em 1º de novembro de 1974, o Ilê Aiyê.

    Vovô ganhou o apelido por causa de um terno de criança que o fazia parecer mais velho do que era. Sua mãe, Hilda Dias dos Santos (1923-2009), a Mãe Hilda Jitolu, não só lhe deu a bênção, como batizou o bloco com uma junção de palavras em iorubá: ilê (casa) e aiyê (terra). Por aproximação, contava a líder do terreiro Ilê Axé Jitolu, ficou "a casa de todos".

    A única condição imposta pela mãe de santo foi sair à frente do cortejo:

    — Ela queria garantir que, se houvesse repressão da polícia, como era comum na época, seria presa junto com o filho — explica Carlos Costa, coordenador de Comunicação do Itaú Cultural.

    Depois do Carnaval de 1975, quando o bloco desfilou pela primeira vez, veio a crítica. Um jornal local publicou uma pequena resenha acusando a agremiação de racismo reverso. E ainda dizia que o desfile fazia despertar um preconceito que existia nos Estados Unidos, mas não aqui no Brasil.

    Cultura e educação

    Mais de 40 anos depois, o Ilê segue suas atividades, com os desfiles de Carnaval, o tradicional concurso de Beleza Negra para eleger a Deusa do Ébano e um projeto pedagógico de ponta para a comunidade, que inclui cultura afro, noções de música e outras coisas.

    Quatro cores definem os eixos principais da Ocupação. São os tons básicos do Ilê Aiyê: preto (pele), amarelo (riqueza cultural), vermelho (sangue derramado nas lutas pela libertação) e branco (paz). Todos são reproduzidos com diferentes destaques nos tecidos elaborados pela agremiação a cada Carnaval.

    Muito desse material estava espalhado pela comunidade do Curuzu e foi recolhido por moradores e integrantes do bloco, com a ajuda de Vovô, e então organizado pelos curadores do Itaú Cultural. Para se ter ideia, dos 44 tecidos confeccionados até hoje, 11 não eram encontrados nos arquivos da agremiação.

    — Com a ajuda de todos, reunimos os tecidos, digitalizamos as estampas e o visitante vai poder ver cada um deles, com as fantasias e os temas, num terminal localizado na exposição — disse Simoni Barbiellini, produtora do Itaú Cultural.

    Para Vovô, a importância da exposição está em organizar a história do bloco e mostrar que se trata de um trabalho permanente, cultural e educacional, que tem como principal foco combater o preconceito racial e valorizar a participação negra na sociedade:

    — Se estivesse tudo bem, não precisava de nada disso — diz ele, ao ser questionado sobre os níveis de preconceito no país. — Espero que essa mostra leve um pouco do que estamos fazendo para fora da Bahia. As pessoas pensam que a gente atua só durante o Carnaval, mas não é isso. É um trabalho permanente. E é importante que a gente consiga disseminar essas ideias.

    Onde: Itaú Cultural. Av. Paulista 149, Bela Vista, São Paulo.

    Quando: Ter a sex, das 9h às 20h (permanência até 20h30m). Sáb, dom e feriados, das 11h às 20h.

    Quanto: Grátis.

    Classificação: Livre.


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    RIO — Ainda sentindo o gosto da indicação ao Oscar de melhor filme por “Me chame pelo seu nome”, o produtor carioca Rodrigo Teixeira já tem um novo projeto. Mas, no lugar de uma história de afeto, ele agora quer denunciar a brutalidade: os estupros e agressões cometidos em trotes nas universidades brasileiras.

    Com filmagens previstas para o segundo semestre de 2019, “Na mira do trote” (título provisório) tem cineasta e roteirista definidos: Nina Kopko e Daniel Tavares, ambos estreantes no comando de um longa de drama.

    O filme é uma adaptação da reportagem homônima publicada na revista “piauí” em fevereiro de 2015, sobre a violência entre estudantes da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a partir de dezenas de depoimentos à CPI do Trote. A comissão foi instalada na Assembleia Legislativa no fim de 2014 para investigar violações de direitos humanos em universidades paulistas.

    — O mais impressionante é essa agressividade vir de uma faculdade de medicina, de onde sairão os profissionais que vão cuidar da saúde dos nossos filhos — diz Teixeira. — Não deixa de ser um reflexo do Brasil polarizado, em que ataques às mulheres são normalizados. Está na hora de criticar isso, porque o cinema brasileiro precisa se comunicar política e socialmente.

    Links filmesA reportagem foi escrita pela jornalista Malu Delgado, pesquisadora e consultora no filme. No texto, ela desenvolve a tese de que as práticas de humilhação são perpetuadas porque vivemos numa sociedade desigual: quem sofre o trote normalmente o reproduz — como se o calouro se submetesse aos abusos para ascender na escala do poder. A lista de atos perversos é imensa e inclui homofobia, machismo e violência sexual, física e moral.

    “É muito ficcional para parecer real", diz Teixeira. Mas um hábito comum em universidades mundo afora. Por isso (e para evitar problemas na Justiça), o filme será ambientado numa universidade paulista fictícia, sem o nome da USP.

    A trama acompanha a via-crúcis de duas alunas vítimas de estupro, passando pelos procedimentos médicos e legais necessários após a denúncia. Dentro da instituição, setores reacionários se voltam contra a dupla; intimidações viram represálias; e as vítimas são desacreditadas. Mas a voz dessas amigas acaba inspirando outras mulheres, que decidem vir a público com seus próprios relatos. É, assim, uma história de resistência.

    — Integrei um coletivo feminista na universidade em Santa Catarina e recebíamos muitas denúncias de meninas pedindo amparo — diz Nina Kopko. — Eram garotas que acordavam após uma noite de bebedeira e viam que tinham sido abusadas. Ou então tinham que simular sexo oral no trote. Eram objetificadas e depois consideradas histéricas.

    Vários casos de estupro denunciados na CPI ficaram sem punição ou seguem sob investigação.

    — Isso acontece o tempo inteiro e ninguém faz nada. Às vezes o silenciamento vem das próprias instituições, que obviamente não concordam com os abusos, mas tentam a todo custo não ferir a sua imagem. Mas o que está em jogo é o corpo das mulheres e a saúde mental de pessoas. Por meio do filme quero encorajar e inspirar novas denúncias — acrescenta a diretora.

    Formada em Cinema pela Universidade Federal de Santa Catarina, Nina Kopko tem 30 anos e até agora havia trabalhado principalmente como montadora e assistente de direção. Nesta função, fez com Karim Aïnouz “A vida invisível”, previsto para 2019. O cearense, então, recomendou que Teixeira investisse nela.

    — É uma aposta mesmo. A Nina tem sensibilidade cinematográfica e uma grande personalidade, defende bem o seu ponto de vista — define Teixeira.

    O produtor está tocando vários outros projetos ao mesmo tempo. Atualmente, roda em Nova York o drama “Port Authority”, de Danielle Lessovitz, em parceria com Martin Scorsese. Em janeiro, começa a filmar “Wasp Network”, do francês Olivier Assayas, adaptado do livro “Os últimos soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais. O filme une Wagner Moura, Penélope Cruz e Gael Garcia Bernal no elenco.

    E, ano que vem, lança “A sombra do pai”, de Gabriela Amaral Almeida, que será exibido em competição no Festival do Rio. É uma das muitas parcerias entre o produtor e realizadoras mulheres.

    — Os melhores projetos têm vindo de diretoras, e não de homens — conclui .


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