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    RIO — Os fãs do Nirvana tiveram um momento de revival numa apresentação na Califórnia. Ao encerrar o show Foo Fighters no Cal Jam Fest, o vocalista Dave Grohl (ex-baterista do Nirvana) chamou ao palco Krist Novoselic (ex-baixista do grupo) e Pat Smear para um set de seis músicas da lendária banda liderada por Kurt Cobain (1967-1994).

    Para o lugar do ex-vocalista, o trio recrutou o cantor do The Deer Tick, John McCauley, e a lenda do punk, Joan Jett. Ambos os cantores já participaram de um show de reunião do Nirvana após a sua entrada no Hall da Fama do Rock em 2014.

    Nirvana

    McCauley cantou liderança em “Serve the Servants”, “Scentless Apprentice”, e “In Bloom”. Em seguida, Jett subiu ao palco para apresentações de “Breed”, “Smells Like Teen Spirit”, e “All Apologies” — música que teve ainda a participação de Brody Dalle, do The Distillers, no baixo.


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    LOS ANGELES — Dois filmes que pretendem atingir públicos totalmente diferentes — exemplos, pelo menos no papel, do que muitos cinéfilos insistem estar errado em Hollywood — tornaram-se sucessos instantâneos no fim de semana, levando os cinemas a um recorde de venda de ingressos em outubro.

    “Venom”, estrelado por Tom Hardy, e o romance agridoce “Nasce uma estrela”, desta vez com Lady Gaga no papel principal, superaram as expectativas de pré-lançamento de analistas de bilheteria em cerca de 30%. Os super-heróis saturaram? Nenhuma evidência. Acha que ninguém quer ver um remake de um remake de um remake? Pense de novo.

    Venom e Lady Gaga links

    Para todos os filmes lançados, as vendas de ingressos nos cinemas americanos totalizaram cerca de US$174,5 milhões (cerca de R$ 652 milhões), um recorde para um fim de semana de outubro, um mês em que a ida ao cinema tende a ser relativamente menor. De acordo com a comScore, empresa que coleta dados de bilheteria, o ponto alto anterior para um fim de semana de outubro foi em 2015, quando "Perdido em marte" ajudou Hollywood a gerar vendas domésticas totais de US$ 163,5 milhões (cerca de R$ 611 milhões), após o ajuste pela inflação.

    “As bilheterias prosperam e expandem quando há diversas opções”, conta Phil Contrino, diretor de mídia e pesquisa da National Association of Theatre Owners, organização comercial americana formada por donos de cinemas. Em 19 de outubro, espera-se que Hollywood faça outro sucesso: analistas dizem que "Halloween", com Jamie Lee Curtis retornando ao papel principal, chegará a pelo menos US$ 60 milhões em vendas de ingressos no fim de semana de estreia.

    Aposta que deu certo

    "Venom", que custou à Sony cerca de US$ 100 milhões, sem incluir as dezenas de milhões de dólares gastos em marketing, atraiu principalmente os fãs do personagem, que ignoraram as avaliações ruins e compraram cerca de US$ 80 milhões em ingressos. O filme arrecadou mais US$ 125,2 milhões (cerca de R$ 467 milhões) no exterior, com os resultados iniciais da Rússia e Coréia do Sul superando outros filmes de super-heróis como "Esquadrão suicida" e "Homem-formiga".

    A Sony precisava urgentemente que “Venom” fizesse sucesso. O estúdio, sofrendo com a escassez de franquias, identificou em personagens de histórias em quadrinhos menos conhecidas uma possível solução. "Venom" foi o primeiro esforço desse tipo — caso que serve de base para uma estratégia cinematográfica mais ambiciosa. Trailer de Venon

    Como parte de um acordo com a Marvel, a Sony controla os direitos de filmagem de personagens da família Homem-Aranha; Venom é um dos maiores inimigos do lançador de teias. (Homem-Aranha não aparece em "Venom").

    Uma questão é como o “Venom”, que flerta com o terror, irá se sair nas próximas semanas. Pode atrair pessoas para assistirem ao filme mais de uma vez? Expandir seu público para além dos fãs de quadrinhos? As críticas não estão dando bons presságios.

    Por outro lado, o público parece discordar dos críticos: “Venom” recebeu nota B nas pesquisas do CinemaScore, empresa de pesquisa de mercado americana especializada em filmes, e dos 16 mil usuários do Rotten Tomatoes que votaram no filme, 89% disseram que gostaram.

    Queridinho da crítica

    O segundo lugar do fim de semana foi para o queridinho dos críticos "Nasce uma estrela", que arrecadou cerca de US$ 41,3 milhões — uma quantia enorme para um romance musical contemporâneo, gênero considerado tão arriscado que os estúdios costumam evitar. (Maldito seja "La la land"). Para comparar, o sucesso de 1992 "O guarda-costas", estrelado por Whitney Houston no auge de sua fama, chegou a cerca de US$ 30 milhões em vendas de ingressos, após o ajuste da inflação.

    "Nasce uma estrela", que marcou a estréia de Bradley Cooper na direção e deu a Lady Gaga seu primeiro papel em um filme, arrecadou mais US$ 14 milhões mesmo com um lançamento limitado no exterior. O filme custou cerca de US$ 36 milhões, sem incluir os custos de marketing, e foi produzido pela Warner Bros em associação com a Live Nation Productions e a Metro-Goldwyn-Mayer.

    Esta versão de “Nasce uma estrela” — a quarta, incluindo a original de 1937 — extraiu seu poder de uma audiência que Hollywood muitas vezes ignora: mulheres mais velhas. A Warner disse que 68% do público tinha mais de 35 anos e 42% tinha mais de 50 anos. Cerca de 66% do público total era do sexo feminino. O filme, que deve figurar fortemente na próxima disputa pelo Oscar, recebeu nota A nas pesquisas do CinemaScore. Trailer de 'Nasce uma estrela' (2018)

    Para gerar interesse em “Nasce uma estrela”, os profissionais de marketing da Warner confiaram muito na Live Nation e em sua divisão, a Ticketmaster. A iHeartRadio, plataforma de rádio online, também contribuiu como parceiro de marketing. No domingo, a trilha sonora do filme ficou em primeiro lugar na parada de álbuns do iTunes e as três melhores músicas na parada de singles eram de "Nasce uma estrela".

    Completando os três primeiros colocados nas bilheterias do fim de semana aparece o musical de animação “Pépequeno” (Warner Bros.), que arrecadou cerca de US$ 14,9 milhões, e acumulou domesticamente um total de US$ 42,8 milhões em duas semanas. A comédia “Operação supletivo - agora vai!” (Universal) ficou em quarto lugar, com US$ 12,3 milhões em ingressos vendidos, para um total de US$ 46,8 milhões em duas semanas. "O mistério do relógio na parede" (Universal) vendeu cerca de US$ 7,3 milhões em ingressos, com um total de US$ 55 milhões em três semanas.


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    NOVA YORK — Todos no mundo das artes plásticas estão falando sobre isso. Como o artista de rua mais famoso do mundo conseguiu destruir — ou melhor triturar pela metade — uma de suas icônicas pinturas de "Menina com balão" logo após ela ter sido vendida por um milhão de libras em um leilão?

    Acoris Andipa, um negociante de arte especializado em Banksy e sediado em Knightsbridge, Londres, está entre os muitos confusos após os surpreendentes acontecimentos de sexta-feira na Sotheby's.

    — Foi espetacularmente encenado — disse Andipa — O que não está claro é se a Sotheby's estava ciente.

    Obra bansky

    A identidade do comprador, último a dar o lance, ainda não foi revelada. A Sotheby's disse em um comunicado no domingo que ele era "um cliente particular, que ficou tão surpreso quanto nós e com quem ainda estamos discutindo".

    "Não tínhamos conhecimento prévio deste evento e não estávamos envolvidos de forma alguma", acrescenta a casa de leilões, em comunicado.

    Arte, crítica, propaganda ou tudo junto?

    O sempre evasivo e inventivo Banksy tripudiou mais um vez do mundo da arte e surpreendeu milhões de pessoas. Mas a piada em si também não se autodestruiu? Agora parcialmente triturado, "Menina com balão” foi feito para zombar dos excessos do mercado de leilões. No entanto, graças à enorme quantidade de publicidade gerada por essa brincadeira engenhosa, seus preços parecem aumentar ainda mais.

    — Foi uma brilhante ação de propaganda — disse Offer Waterman, um comerciante de arte britânica do século XX que participou do leilão, mas saiu antes da venda do Banksy — Isso vai elevar seus preços.

    Waterman está entre os que pensam que o Banksy vendido na Sotheby's aumentou em valor pós-destruição.

    — Vale a pena se tornar um momento conceitual além de uma obra de arte — disse Waterman, que acredita na versão da Sotheby's — Eles não sabiam. Não havia motivo para saberem.

    No entanto, Andipa, que já vendeu cerca de 15 outras versões pintadas de "Menina com balão", disse ter observado várias esquisitices na venda da pintura, o que o fez se perguntar se a Sotheby's tinha um pressentimento. (O negociante disse que pelo menos dois dos seus clientes tinham a intenção de dar lances na pintura).

    Links artes visuais

    Andipa diz ter visto a pintura na exposição pré-leilão e apontou para os funcionários da Sotheby'sa a espessura “desproporcional” da moldura (escondendo o dispositivo de trituração). Como a casa de leilões respondeu a essa observação?

    — Eles não disseram nada — disse — As conversas foram como de costume. As pessoas com quem falei não deram nenhuma evidência de saber alguma coisa. Se a alta gerência sabia, não posso especular.

    Andipa também ficou perplexo com o fato de que essa pintura valiosa, que ele nunca havia visto antes, estava escondida em uma parede perto da entrada dos fundos da Sotheby's durante a exibição pré-leilão.

    — Estava ao lado do bufê — relembra — O acesso era desafiador. Durante o leilão em si, a tela foi pendurada ao lado dos funcionários da Sotheby's que recebem propostas por telefone, local favorito para a publicidade da casa de leilões.

    Além disso, ele ficou surpreso — assim como muitos outros — por um Banksy de 1 milhão de libras ser o 67º e último lote do leilão. Nesse ponto, muitos na plateia teriam saído da sala de vendas para jantar.

    — A ordem de execução da venda foi estranha — avalia.

    Havia também algo suspeito sobre o vídeo que Banksy postou sábado no Instagram. Com 6,3 milhões de visualizações até domingo de manhã, o vídeo pretendia mostrar o artista construindo secretamente um triturador na pintura "há alguns anos".

    Se fosse esse o caso, a bateria do aparelho não precisaria ser substituída em algum momento? Isso, por sua vez, coloca a questão: o próprio Banksy foi o proprietário que inseriu essa pintura, que pode ou não ter sido feita e enquadrada “anos atrás”, na venda? A Sotheby's, como todas as casas de leilões internacionais, não revela a identidade de seus vendedores, a menos que seja especificamente solicitada.

    E a identidade do homem na sala de vendas que ativou remotamente o dispositivo de destruição? Poderia ter sido o próprio "guerreiro dos grafites"?

    Em 2008, o jornal britânico The Mail on Sunday identificou Banksy como Robin Gunningham, morador da área de Bristol, no oeste da Inglaterra. No sábado, o Daily Mail notou a semelhança entre a pessoa identificada como Gunningham há 10 anos e um homem levando um vídeo de celular no salão de vendas da Sotheby's na sexta-feira. Outro homem, que foi visto ativando um mecanismo de controle remoto, foi fotografado em um post na página privada do Instagram de Caroline Lang, executiva da Sotheby's suíça. Ele também foi identificado como Banksy, por Lang.

    Banksy 23-06— Banksy não é um estranho para a Sotheby's da New Bond Street — disse Alex Branczik, diretor de arte contemporânea da casa de leilões na Europa, por e-mail — Ele estampou um 'rato gangsta' na parede da galeria durante a pré-estréia da venda" Pharmacy "de Damien Hirst há 14 anos, quase no mesmo dia.

    Aqueles que testemunharam o incidente disseram que depois a equipe de segurança da Sotheby's escoltou um homem que protestava ruidosamente no local. A Sotheby's se recusou a comentar sobre a discussão entre o indivíduo e sua equipe de segurança, e se a empresa tinha planos para apresentar queixa.

    A brincadeira foi "um comentário brilhante sobre o mercado de arte", disse Andipa, que acrescentou que se ele fosse o comprador, ele deixaria a pintura em condição semi-triturada.

    — É uma parte da história da arte.


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    RIO — Os fãs do Nirvana tiveram um momento de revival numa apresentação na Califórnia. Ao encerrar o show Foo Fighters no Cal Jam Fest, o vocalista Dave Grohl (ex-baterista do Nirvana) chamou ao palco Krist Novoselic (ex-baixista do grupo) e Pat Smear para um set de seis músicas da lendária banda liderada por Kurt Cobain (1967-1994).

    Para o lugar do ex-vocalista, o trio recrutou o cantor do The Deer Tick, John McCauley, e a lenda do punk Joan Jett. Ambos já participaram de um show de reunião do Nirvana após a sua entrada no Hall da Fama do Rock em 2014.

    Nirvana

    McCauley cantou “Serve the Servants”, “Scentless Apprentice”, e “In Bloom”. Em seguida, Jett subiu ao palco para apresentar “Breed”, “Smells Like Teen Spirit” e “All Apologies” — música que teve ainda a participação de Brody Dalle, do The Distillers, no baixo.


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    RIO — Com cinco décadas de carreira como cartunista, Laerte Coutinho será atriz pela primeira vez na vida. A desenhista de 67 anos vive uma analista em “Feras”, produção nacional da MTV ainda sem data de estreia. Laerte conta que foi convencida a assumir o papel pelo diretor-geral da série, Teodoro Poppovic.

    — Fiquei duplamente insegura, porque não sou atriz e porque o papel que o Teodoro estava propondo não era de uma pessoa trans, era de uma pessoa cis. Mas ele me deixou tranquila e garantiu que tudo ia correr bem — explica.

    Outro apoio foi a atriz Camila Márdila, com quem Laerte contracena. Conhecida por viver Jéssica no filme “Que horas ela volta?” e Alcina na série da TV Globo “Onde nascem os fortes”, Camila vive Mari Maia, uma das protagonistas da trama. Em “Feras”, ela é uma das amigas de Ciro (João Vitor Silva), um jovem que, após terminar um namoro de longa data, tenta se adaptar às novas formas de se relacionar. MTV_Feras (1).png

    — Minha personagem é uma analista que trabalha há dez anos com a Mari, que acompanha a história dela. Nesse tipo de relação, alguns cacoetes entre analista e analisado vão se firmando com o tempo. As cenas ficaram emocionantes por mérito da Camila, que é uma atriz absurdamente boa — elogia.

    Para Laerte, “Feras” é uma oportunidade não só para discutir a dinâmica dos relacionamentos atuais, mas também questões de gênero e de direitos civis.

    — Existe uma necessidade no Brasil de se falar de amor e de direitos civis — defende a cartunista, ao lamentar o avanço do candidato Jair Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais O medo é uma coisa que a gente tem, mas que não deve ser paralisante. Nunca considerei deixar o país, nem na época do governo Médici

    Para a cartunista, o crescente discurso de intolerância contra LGBTs no Brasil não pode ser paralisante para esta população, diante do temor de sofrer agressões.

    — Até agora, sofri algumas formas de ataque relativamente controláveis, pela rede social. Mas já vivi na ditadura em situações de grande perigo, com amigos meus que foram presos e torturados. Então, o medo é uma coisa que a gente tem, mas que não deve ser paralisante. Nunca considerei deixar o país, nem na época do governo Médici.

    Desde que passou a se identificar como uma mulher trans no começo da década, Laerte se tornou uma das principais vozes pelas causas LGBT no país. Em 2017, ela foi o tema do primeiro documentário nacional da Netflix, "Laerte-se", que fala sobre a sua trajetória de autoaceitação como mulher. A visibilidade gerou convites para que ela se candidatasse a cargos públicos, coisa que ela preferiu recusar.

    — Já me convidaram, depois que passei a ter destaque pela questão de gênero. Mas não acho que eu seria uma boa representante nessa função de parlamentar, é um trabalho muito específico. Prefiro ficar nos movimentos que acredito, seguindo minha intuição, em sintonia com o que eu acho que existe de melhor no país — explica.


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    RIO — Em cartaz na Galeria Movimento, em Copacabana, até o dia 20 de outubro, a exposição “Massas”, com a qual Arthur Arnold voltou a expor no Rio após quatro anos, destaca uma nova fase do pintor, que decidiu partir para experiências abstratas após um fato curioso em seu ateliê. A visita de um amigo com uma sobrinha criança o fez ver sua produção de outra forma.

    — Ela começou a contar o número de pessoas que apareciam em cada obra, e percebi que não gostaria que aquilo fosse possível — diverte-se Arnold, que também expôs na ArtRio. — Deixei a figuração para explorar um tipo de abstração relacionada com as massas humanas. Trabalhei essa identidade que se dilui na multidão, seja num jogo de futebol, num protesto de rua ou num culto religioso.

    Além das aglomerações humanas, as “massas” do título também ganharam tradução na própria técnica de Arnold, que deixou de lado o pincel para criar imagens repletas de sobreposições de tinta a óleo.

    — Acabei invertendo a ordem do trabalho, passei a usar prioritariamente a espátula para pintar e deixar o pincel para intervenções pontuais — observa. — As massas de tinta também reforçam esse inconsciente coletivo, descrito por Freud e Jung, que movimenta as multidões através de sentimentos primitivos, que podem ir do ódio ao amor.


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    SÃO PAULO — O escritor argentino Pablo Katchadjian, de 41 anos, ostenta um bigodão preto e sinuoso, que enrola nas pontas, como o do surrealista catalão Salvador Dalí, porém grosso, na linha da do arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando. Ele é aberto a perguntas, mas avesso a afirmações categóricas. As respostas seguem em zigue-zague e às vezes começam ou acabam com um “não sei”. Uma sinuosidade que permeia o seu trabalho literário — e não raro o envolve em polêmicas.

    Como quando, em 2009, ele alterou o conto “O Aleph”, de Jorge Luis Borges, incluindo 5.600 palavras e misturando sua escrita com a do gigante da literatura argentina. Maria Kodama, viúva de Borges, não gostou nada do experimento e processou Katchadjian por plágio. Seguiu-se um tenso debate sobre os limites do experimentalismo e da criação, que mobilizou os escritores do país. O tema da liberdade aparece no primeiro livro do autor lançado no Brasil, “Liberdade total”, que está saindo em versão e-book pela editora e-galaxia. Links livros

    — Não sei se existe liberdade total — disse Katchadjian ao GLOBO, em São Paulo, onde participou do ciclo “Interferências: novas tendências da literatura latino-americana”, no Instituto Cervantes. — Liberdade total é um ideal, um paraíso, a falta de consciência. Não é algo em que penso quando escrevo. É como a felicidade total. Todos sabemos que não vamos alcançá-la, mas não renunciamos a ela.

    Experimentalismos

    “Liberdade total” combina romance e teatro, diálogo filosófico e ficção distópica. Não há narrador ou qualquer descrição de cenário, apenas uma sucessão de diálogos delirantes entre os personagens A, B, C, D, E, e F. O A e o B estão encarcerados e são obrigados a debater se a liberdade total existe. A discussão, no livro, parece uma forma de tortura, não muito diferente das redes sociais em tempos de eleição.

    Apesar de todo experimentalismo, Katchadjian resiste em assumir o rótulo de “escritor experimental”.

    — O termo “experimental” soa como uma etiqueta para uma literatura densa, cinza e pouco atrativa – afirmou o autor. – Parece indicar que a arte precisa ser refinada. E a arte pode ser simples. Mas também não precisa ser sempre acessível.

    No Brasil, “Liberdade total” foi adaptado para o teatro — parte do texto integrou a peça “A Comédia latino-americana”, de Felipe Hirsch. Na Argentina, rendeu uma ópera para quatro vozes, parceria de Katchadjian com o compositor Lucas Fagin.

    — Não vi a peça de Hirsch, mas vi a ópera — contou o escritor, que durante a adolescência fez parte de uma banda punk simpática ao anarquismo. — Tremi ao ouvir as vozes de personagens que não tinham voz. De algumas frases, eu gostava escritas, mas, ao escutá-las, soavam duras e os atores me pediam mudanças. Links crianças SC+

    Não foi a primeira vez que Katchadjian adicionou melodias às suas palavras:

    — Certa vez, compus uma música para um coral contemporâneo. Quando fui assistir ao último ensaio deles, achei um horror! Soava muito solene. Expliquei ao regente que imaginava a música mais alegre. Ele conversou com o pessoal do coral e quando eles retomaram o ensaio estava perfeito! Foi lindo. Para mim, a literatura ideal é aquela que precisa ser completamente alterada para se converter em outras formas de arte.

    Katchadjian gosta mesmo de alterar a literatura. Dois anos antes de Borges, ele já havia se apropriado de outro texto sagrado da Argentina. Em “El Martín Fierro ordenado alfabeticamente”, ele reorganizou os versos de “Martín Fierro”, poema gauchesco do século XIX, e os dispôs em ordem alfabética.

    Quanto à fúria de Maria Kodama, ela resultou em um processo de mais de seis anos, do qual Katchadjian foi inocentado e de que não gosta muito de falar.

    — Para mim, esta é uma notícia velha — desconversa.79204843_SC - São Paulo SP - Capa de Liberdade total e-galaxia do escritor Pablo Katchadjian. Foto D.jpg

    “Liberdade total”

    Autor: Pablo Katchadjian. Editora: e-galaxia. Tradução: Bruno Cobalchini Mattos. Páginas: 128. Preço: R$ 19,90.


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    BOGOTÁ — O silêncio de uma cidade do interior do Caribe colombiano. O microcosmos de Aracataca, o impacto emocional provocado por um lugar ao qual se regressa, essa é a matéria-prima da qual Macondo nasceu. “Aquilo era como voltar a olhar as ilustrações de um livro conhecido na infância”, escreveu Gabriel García Márquez em "Relato de las barritas de menta" ("Conto das barrinhas de menta"). Este é um dos textos inéditos que acabam de vir à tona após serem encontrados por pesquisadores da Biblioteca Luis Ángel Arango do Banco da República da Colômbia.

    “Talvez eu os tivesse conhecido a todos e agora eles me olhavam passar e me reconheciam pensando ‘veja, o morto regressou’. E, de certa forma, eles tinham razão.” Assim narrou o escritor em uma viagem à sua cidade natal, provavelmente na segunda vez que voltava e na primeira que o fazia sozinho. O prêmio Nobel de Literatura relatou suas sensações nessa narração, apresentada no Festival García Márquez de Medellín, onde também vieram a público "Olor antiguo" ("Cheiro antigo"), "El ahogado que nos traía caracoles" ("O afogado que nos trazia conchas") e um conto sem título.

    Finalmente cessou o som agudo dos freios. A roda calçou no trilho abrasado, e o esgotador e poeirento silêncio do povoado penetrou no vagão.

    Tratam-se de textos que serão expostos na Biblioteca Luis Ángel Arango de Bogotá, adquiridos pelo Banco da República da Colômbia e que se somam às 44 caixas doadas à rede de bibliotecas da entidade pela viúva do escritor, Mercedes Marcha, e por seu filho Gonzalo García Barcha.

    Durante o “Bogotazo”, a revolta ocorrida em 1949 na capital colombiana após o magnicídio do líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, foi incendiada a casa onde García Márquez morava. O jovem estudante de Direito, nascido em Aracataca em 1927, subiu então num caminhão dos correios e retornou à costa.

    Em Cartagena, em meio à luta contra a indigência, ele começou a escrever como aprendiz no jornal El Universal. A essa época, até 1952, remontam os textos apresentados por Alberto Abello Vives, diretor da Biblioteca Luis Ángel Arango, pelo pesquisador Sergio Sarmiento e por Jaime Abello Banfi, diretor-geral da Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, na sigla em espanhol), que leu "Relato de las barritas de menta" e salientou a importância desse acervo.

    34210340_PV - Foto de Hernán Díaz - Gabriel García Márquez no escritório de Bogotá da agência cu.jpg

    García Barcha recordou que o romancista rasgava “as folhas de papel que não lhe serviam”. “Acredito que Gabo teria gostado de ser como Vermeer”, disse, em referência ao pintor holandês. “Gostaria que ninguém nunca soubesse quais eram as costuras por trás de seus quadros”.

    No entanto, por seu valor, hoje se conhecem alguns desses rascunhos. O primeiro é um conto sem título, que faria parte de "Relatos de un viajero imaginario' ("Contos de um viajante imaginário") e que finalmente foi eliminado da série. Descreve o que acontece numa pequena cidade durante um eclipse solar. De "El ahogado que nos traía caracoles", conservaram-se os únicos fragmentos que García Márquez escreveu. O romancista se referiu a esse texto num artigo publicado no "El País" em 1982.

    “Durante muitos anos (...), sonhei em escrever um conto do qual só tinha o título: El Ahogado Que Nos Traía Caracoles. Lembro que falei sobre isso com Álvaro Cepeda Samudio [escritor e jornalista colombiano] numa estrepitosa noite de amores de Pilar Ternera, e ele me disse: ‘Esse título é tão bom que nem é preciso escrever o conto’... Quase 40 anos depois, surpreendo-me ao ver quão certeira foi aquela réplica. De fato, a imagem do homem imenso e encharcado que devia chegar de noite com um punhado de conchas para as crianças ficou para sempre no desvão dos contos sem escrever.”

    Em "Olor antiguo", Gabo começa a experimentar com influências novas, deixa o estilo kafkiano e se aproxima de Ernest Hemingway, explica Sergio Sarmiento. “Imagine um casal que comemora 50 anos de casamento. O homem está sentado num quarto contando como a conheceu, e a mulher pensa que o homem tem que deixar de recordar...” Até que “ele percebe que se casou com a gêmea errada, casou-se com a gêmea que odiava, não com a que amava.”

    Links Gabo

    "Relato de las barritas de menta" descreve Aracataca muito brevemente de uma forma muito dura, é uma versão muito pessoal de ficção”, prossegue o pesquisador. Fala, por exemplo, de um lugar onde migrantes recém-chegados vendiam alguns produtos. “O armazém escuro dos italianos, onde vendiam botas para as crianças e sardinhas para os adultos e barras de menta para pequenos e grandes e cujo interior cheirava a pão dormido e petróleo cru”, escreveu García Márquez.

    Esse lugar ainda reverbera na memória do povoado. Aqueles italianos – explicou Rafael Darío Jiménez, responsável pela Casa de Gabriel García Márquez, durante uma visita realizada por ocasião do quinquagésimo aniversário de "Cem anos de dolidão" – viajaram até o departamento colombiano de Magdalena e organizaram os primeiros sindicatos da plantação de bananas da United Fruit Company, cujo massacre de trabalhadores fará 90 anos em dezembro. E também eles, como todo o resto, povoaram esse imaginário que deu vida a Macondo.

    Começo do 'Conto das barrinhas de menta'

    O conto intitulado "Relato de las barritas de menta", um dos quatro textos inéditos escritos por Gabriel García Márquez entre 1949 e 1952 que acabam de vir a público, começa da seguinte forma:

    “Finalmente cessou o som agudo dos freios. A roda calçou no trilho abrasado, e o esgotador e poeirento silêncio do povoado penetrou no vagão. Era um silêncio igual ao vilarejo, feito de seus mesmos e desolados ingredientes, de suas ruas retas, largas e vazias, de seus enormes quintais quadrados, frescos sob a penetrante umidade das bananas e de suas velhas casas de madeiras arruinadas sob o pó com antigos mobiliários e mulheres escuras sem idade nem pressentimentos estendidas na letargia da sesta. Não tinha mais de 20 anos esse silêncio, mas sua maturidade, sua devastadora experiência lhe davam um aspecto secular e o faziam parecer um silêncio tão antigo quanto o resplendor da poeira nas ruas ou como a claridade dos espelhos que haviam perdido a memória dos últimos rostos. A sensação da morte estava presente.”


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    RIO - Steven Soderbergh montou um elenco estelar para "The Laundromat", seu filme sobre o escândalo mundial de corrupção "Panama Papers". Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas estão entre os confirmados na produção, que é baseada no livro do jornalista Jake Bernstein sobre o caso. O longa-metragem será financiado e distribuído pela Netflix. As informações são do "Deadline".

    Mais conhecido como o Ross da sitcom "Friends" e, mais recentemente, por interpretar o advogado Rob Kardashian em "American Crime Story", David Schwimmer é outra adição ao elenco. Ele será um advogado, Matthew Quirk, que representa uma companhia de seguros cujo caso levou as autoridades à descoberta do esquema de lavagem de dinheiro operado pelo escritório de advocacia Mossack Fonseca. Entre os líderes citados nos papéis descobertos, estavam o ex-primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente argentino Mauricio Macri. panama-papers

    Antes de se comprometer com a produção de Soderbergh, a Netflix havia comprado os direitos para adapatar outro livro investigativo sobre o Panama Papers. Inicialmente, a ideia era levar para as telas "Panama Papers: Breaking the Story of How the World's Rich and Powerful Hide Their Money" ("Panama Papers: Dando a notícia sobre como os ricos e poderosos do mundo escondem seu dinheiro", em tradução livre), dos jornalistas alemães Frederik Obermaier e Bastian Obermayer, os primeiros a noticiar a quebra de sigilo.

    Com o negócio fechado, a Netflix reforça seu investimento em produções com potencial para conquistar prêmios. Além de "The Laundromat", outras apostas da empresa de streaming com diretores de prestígio incluem "Roma", de Alfonso Cuaron, e "The irishman", drama de Martin Scorsese com Robert De Niro e Joe Pesci.


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    RIO — O mundo das séries acaba de ganhar mais um reforço de peso. Ridley Scott, conhecido por filmes como "Alien - o 8.º passageiro" e "Blade Runner - O caçador de androides", vai dirigir sua primeira produção para TV, a ficção científica "Raised by wolves", ainda sem título em português. Scott vai trabalhar com o criador Aaron Guzikowski, responsável pelo roteiro da refilmagem de "Papillon". A série será transmitida pelo canal TNT e a data de lançamento não foi confirmada.

    Ridley Scott Links

    "Raised by wolves" conta a história de dois andróides com a missão de criar bebês humanos em um planeta inabitado. Com o passar do tempo, diferenças religiosas começam a colocar a colônia em risco, representando um desafio para as máquinas.

    “Estou sempre procurando novas fronteiras na ficção cientítica e encontrei um material realmente original em "Raised by wolves" — um mundo completamente distinto e imaginativo, cheio de personagens lutando com questões existenciais: o que nos faz humanos? O que constitui uma família? E se pudessemos recomeçar e apagar as besteiras que fizemos com nosso planeta? Iríamos sobreviver? Nos sairíamos melhor?", disse o diretor em nota à imprensa.

    Mesmo que o comando de uma produção para TV seja novidade, Scott não é exatamente um novato no segmento. Ele é creditado como produtor executivo na ficção científica "The man in the high castle" e no drama "The good wife".


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    LEIPZIG, Alemanha – Embora seja impossível não pensar em Johann Sebastian Bach ao caminhar pela cidade onde ele passou as últimas décadas de sua vida, o pouco que restou de seu mundo aqui foi quase que totalmente alterado.

    A casa onde viveu com a família foi demolida há um século; logo ao lado, a Igreja St. Thomas, onde regeu o coral de 1723 a 1750, foi reformada na década de 1880; a Igreja de São Nicolau, onde "Paixão Segundo São João" foi apresentada pela primeira vez em 1724, ganhou o atual interior em cor pastel décadas após a morte do compositor.

    E Bach certamente nunca teria ouvido o árabe ser falado, como acontece agora, no movimentado bairro de Neustadt, reduto de imigrantes. Foi aqui, na tarde de um fim de semana recente, que Yo-Yo Ma entrou em uma sala de um centro comunitário, violoncelo Stradivarius na mão, movendo-se rapidamente em torno de um círculo de crianças e adultos sentados.

    — A coisa mais importante é se concentrar ao máximo e dar o melhor de si —disse ele no dia seguinte. — Se perder um segundo para pensar em fazer isso ou aquilo, as pessoas percebem. Conseguem sentir quando o sujeito está ali inteiro ou pela metade.

    Suítes de Bach em 36 cidades

    Ma, de 62 anos, estava pleno. Ficou no centro comunitário por cerca de meia hora, mas, sem parecer apressado, misturou generosidade com uma espécie de trabalho social sutil – emprestou a dois violoncelistas novatos seu instrumento para que o experimentassem na frente do grupo.

    — Aprender uma nova peça é como se mover de um lugar para outro — disse ele em resposta a uma pergunta, conectando a música à vida dos imigrantes, sem transformar isso em um fato central.

    MUSIC_WOOLFE_NSPR_3_1785242.JPGSe Ma pareceu totalmente à vontade é porque a visita, que misturou Bach e responsabilidade social, não foi algo incomum na carreira do músico: ele foi chamado para tocar na missa fúnebre de um senador e na posse de um presidente, no aniversário de um ataque terrorista e na homenagem a vítimas de um atentado.

    E o que Ma toca em momentos como esses, para nos fazer chorar e então nos acalmar, é, na maioria das vezes, uma seleção das suítes para violoncelo de Bach. Essas seis obras são o ápice do repertório de seu instrumento, oferecendo um guia para quase tudo o que um violoncelo pode fazer – além de traçar a anatomia incrivelmente completa da emoção e da aspiração, como muitos acreditam.

    Em agosto, Ma lançou sua terceira – e provavelmente última – gravação das suítes, uma interpretação relaxada, confiante e profundamente humana durante a qual, se prestar atenção, às vezes é possível ouvi-lo respirar enquanto toca. Sua viagem a Leipzig foi parte de um projeto relacionado ao álbum. Ao longo dos próximos dois anos, ele vai visitar 36 cidades – porque cada uma das seis suítes tem seis seções – em seis continentes. A próxima parada é Washington, em 29 de novembro. Além dessa data, por enquanto está confirmada apenas outra apresentação em Montreal, em 7 de dezembro.

    MUSIC_WOOLFE_NSPR_10_1785241.JPGEm cada uma, vai apresentar o ciclo completo – quase 2,5 horas de música labiríntica, tocada com apenas uma pequena pausa – e fará o que chama de "dia de ação", levando Bach para a comunidade, como em sua visita a Neustadt. É uma tentativa pequena, mas também profundamente tocante, de sugerir que essa música, com sua objetividade e empatia, sua energia arrebatadora e sua graça delicada, poderia, se ouvida atentamente por um número suficiente de pessoas, mudar o mundo.

    E, como Ma prontamente reconhece, o mundo está precisando de algumas mudanças. No dia do seu recital em Leipzig, ele disse: "Estou pensando no que aconteceu em Chemnitz", apenas 80 quilômetros a sudeste, onde violentos movimentos anti-imigrantes haviam ocorrido alguns dias antes. Uma semana depois, perguntado pelo jornal "Financial Times" sobre o presidente Donald Trump, Ma disse: "Eu tocaria para ele em seu leito de morte? Não".

    Descoberta tardia

    MUSIC_WOOLFE_NSPR_11_1785243.JPGCompostas por volta de 1720, pouco antes de Bach se mudar para Leipzig, as suítes para violoncelo não eram muito conhecidas até o início do século XX. Acreditava-se, mesmo aqueles que as conheciam, que eram estudos, nada que fosse para ser apresentado em público.

    Elas poderiam ter permanecido uma curiosidade se não fosse pelo grande violoncelista Pablo Casals, que descobriu uma edição usada das partituras em uma loja de Barcelona, quando tinha 13 anos. Anos depois, na década de 1930, fez uma gravação clássica da obra, cujo sucesso colocou as suítes no caminho da fama.

    —É incrivelmente pomposa e sublime, mas também inacreditavelmente elementar — disse Ma sobre a série. As suítes habitam diferentes tons e sensações: a terceira, por exemplo, é ensolarada; a quinta, ensimesmada. Em geral, as três últimas são mais espinhosas e conturbadas que as três primeiras. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: I. Prélude

    Todas seguem uma progressão quase idêntica de movimentos vagamente inspirada em formas de dança, incluindo sarabandas e gigas. Na verdade, um espírito dançante e uma forma rítmica generalizados, mesmo em momentos mais lentos, são a marca de uma boa apresentação.

    Sua magia está em um equilíbrio perfeito de exploração e segurança. Elas se movem através de progressões harmônicas com curiosidade científica e paciência, mas também com uma intensidade de sentimentos que se mantém excruciante e liberadora, sempre. Simultaneamente expansivas e tranquilizadoras, elas são, para muitos, a própria definição de consolo.

    "Elas me ajudaram nos tempos difíceis, com uma morte na família, e me acalmaram na manhã do meu casamento. Eu estava mais do que nervosa, e pedi ao meu marido que as pusesse para tocar para mim", disse Mary Pat Buerkle, agente de longa data de Ma, sobre seu Bach.

    Prodígio

    Quando gravou as suítes pela primeira vez, em 1983, Ma ainda estava em seus 20 e poucos anos, embora já há décadas na carreira, pois fora uma criança prodígio no início dos anos 1960, quando sua família se mudou de Paris para Nova York. É uma leitura assertiva, dramática e robusta da música, com destaques extremos.

    — Essa primeira tentativa teve aquela coisa 'eu sei tudo' da juventude; a segunda é a confusão da meia-idade — disse ele com uma risada.

    A segunda gravação, "Inspired by Bach", foi lançada no final dos anos 1990, acompanhada por filmes engenhosos que retratavam o Ma sempre inquisidor, em colaboração com artistas de outras disciplinas: um paisagista, o coreógrafo Mark Morris, gravuras de Piranesi, dançarinos do gelo. Ele está certo de que há um elemento de perplexidade – ou, pelo menos, a modéstia da maturidade – nessa versão mais meditativa, menos ritmicamente presa. Yo-Yo Ma - Bach: Cello Suite No. 3 in C Major, Bourrée I and II

    Um dos maiores testes de sua habilidade para se comunicar com o público veio com o seu desejo de apresentar as suítes, de modo muito íntimo, em espaços em geral muito maiores do que Bach poderia imaginar. Ma as apresentou em 2015, no BBC Proms no Royal Albert Hall, em Londres, normalmente o local de grandes apresentações sinfônicas.

    Em setembro passado, assumiu o que parecia ser uma loucura: tocar as suítes ao ar livre para mais de 17 mil pessoas em Los Angeles.

    — No fundo, eu o imaginava se apresentando no Hollywood Bowl. E ser capaz de estar lá e testemunhar tudo foi um momento mágico, porque as pessoas disseram que não dava para ser feito — disse Buerkle.

    O crítico Alex Ross, da revista New Yorker, classificou-a como "a mais bela experiência do meu ano musical".


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    RIO — Ozzy Osbourne teve que adiar duas apresentações em San Diego e Los Angeles para se recuperar de uma infecção. O "Príncipe das trevas" postou uma foto nas redes tranquilizando os fãs. Numa cama de hospital com um sorvete na mão ele escreveu "Me sentindo bem após a cirugia. Sorvete ajuda".

    ozzy

    Recentemente Ozzy esteve no Brasil para uma série de shows. Esta é supostamente a última grande turnê do lendário ex-vocalista do Black Sabbath.


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    MEDELLÍN, Colombia — Quatro contos originais, inéditos e datilografados de Gabriel García Márquez, alguns com notas de sua própria caligrafia, foram encontrados pela equipe de pesquisadores da Biblioteca Luis Ángel Arango do Banco da República da Colômbia. O local abriga uma importante coleção do Prêmio Nobel e seus amigos colombianos da juventude.

    Os textos são do período entre 1948 a 1953, quando o escritor ainda era um jovem jornalista. "Relato de las Barritas de Menta" ("Conto das barrinhas de menta"), "Olor Antiguo" ("Cheiro antigo"), "El ahogado que nos traía caracoles" ("O afogado que nos trazia conchas") e um relato sem título serão expostos na biblioteca do instituto.

    Links Gabo

    Os contos encontrados marcam a entrada de Gabo no universo do Caribe colombiano e já apontam para a presença do realismo mágico com a menção de uma mulher forte chamada Úrsula (personagem de "Cem anos de solidão").

    A obra foi reunida em um arquivo de 66 páginas. Além dos quatro inéditos, há textos publicados em jornais de Cartagena e Barranquilla da época, como "El Heraldo" e "El Espectador".


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    RIO — O britânico Roger Waters volta ao Brasil após seis anos com a turnê “Us + them”, uma superprodução audiovisual. No giro, que começa nesta terça-feira em São Paulo, o cofundador do Pink Floyd mistura clássicos da banda com músicas de sua carreira solo.

    Após dois shows na capital paulista (a outra será nesta quarta, Waters passa por Brasília (13), Salvador (17), Belo Horizonte (21), Rio (24), Curitiba (27) e Porto Alegre (30). No Rio, o Maracanã será o palco. Ainda há ingressos para todas as apresentações. Links Roger Waters

    Com a proximidade dos shows, sites de compras coletivas, como o "Peixe Urbano", têm vendidos ingressos a preços promocionais. A própria produtora T4F também fez descontos nos últimos dias em seu site.

    Em "Us + them", Waters traz na bagagem, além da música, toneladas de equipamento que garantem a atenção de olhos e ouvidos nas três horas de espetáculo e muito discurso político em shows que estão sendo chamados de “Turnê Anti-Trump”. Quem quer escapismo, "que vá a um show da Katy Perry“, disse o músico numa entrevista à “CNN”. É de se esperar que ele comente o momento político brasileiro.

    Para recordar: Waters fez seu primeiro show no Brasil em 2002, com uma coletânea dos sucessos do Pink Floyd e de sua carreira solo. Em 2007, voltou com a turnê que apresentava o clássico “Dark side of the moon“ na íntegra. Cinco anos depois foi a vez dos brasileiros assistirem ao impactante “The Wall”, com as impressionantes projeções no gigantesco muro que ia sendo construído conforme o show avançava — para ser derrubado no final — e a homenagem a Jean Charles, o brasileiro morto pela policia de Londres.

    Quem já assistiu a essas apresentações (ou a alguma delas) vai ver alguma novidade nesse show de agora? Vai sim. Apesar de parte das musicas se repetirem (como não poderia ser diferente), Waters costura o espetáculo de forma original, reinterpretando canções de várias épocas de sua carreira para reforçar durante todo o tempo o mote "Sejamos humanos" (”Remain human”, no original em inglês). E, aos 74 anos, não há garantia de que ele volte a se aventurar mundo afora novamente. Us + them

    SERVIÇO

    Roger Waters - "Us + them"

    São Paulo

    Quando: 9 e 10/10, às 21h. Onde: Allianz Parque - Rua Turiassú, 1840 – Perdizes. Quanto: De R$ 152 (com 60% de desconto) a R$ 810. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Brasilia

    Quando: 13/10, às 21h30m. Onde: Estádio Nacional Mané Garrincha - Asa Norte. Quanto: De R$ 120 (com 50% de desconto) a R$ 720. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Salvador

    Quando: 17/10, às 21h. Onde: Itaipava Arena Fonte Nova – Ladeira da Fonte das Pedras, s/n - Nazaré. Quanto: De R$ 72 (com 60% de desconto) a R$ 710. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Belo Horizonte

    Quando: 21/10, às 21h. Onde: Estádio do Mineirão - Av. Antônio Abrahão Caram, 1001 – Pampulha. Quanto: De R$ 300 a R$ 720. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Rio de Janeiro

    Quando: 24/10, às 21h. Onde: Estádio do Maracanã - Rua Professor Eurico Rabelo, Maracanã. Quanto: De R$ 88 (com 60% de desconto) a R$ 720. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Curitiba

    Quando: 27/10, às 21h30m. Onde: Estádio Couto Pereira - R. Ubaldino do Amaral, 37 - Alto da Glória. Quanto: De R$ 220 a R$ 720. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Porto Alegre

    Quando: 30/10, às 21h. Onde: Estádio Beira-Rio - Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas. Quanto: De R$ 250 a R$ 765. Classificação indicativa: 16 anos. Vendas: Tickets for Fun

    Veja o setlist do show de Roma:

    PRIMEIRA PARTE

    “Breathe“

    “One of these days“

    “Time”

    “Breathe (Reprise)”

    “The great gig in the sky“

    “Welcome to the Machine”

    “Deja vu”

    “The last refugee“

    “Picture that“

    “Wish you were here“

    “Another brick in the wall“

    SEGUNDA PARTE

    “Dogs“

    “Pigs (Three different ones)”

    “Money”

    “Us and them“

    “Smell the roses”

    “Brain damage“

    “Eclipse”

    BIS

    “Mother“

    “Confortably numb“


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    SÃO PAULO — James Gunn, afinal, não vai ficar muito tempo desempregado. Depois de ser demitido pela Disney/ Marvel, o diretor dos dois primeiros filmes da trilogia "Guardiões da Galáxia" está negociando com a Warner e DC para assumir a sequência de "Esquadrão Suicida".

    A ideia, de acordo com veículos de imprensa americanos, é que Gunn assuma roteiro e direção do filme. Além disso, terá liberdade para criar uma identidade completamente nova à série protagonizada pelo grupo de anti-heróis.

    James GunnGunn dirigiu os dois primeiros "Guardiões da Galáxia", mas foi demitido pela Disney/Marvel antes de terminar o terceiro em razão do reaparecimento de antigos tuítes em que ele fazia piada com temas sensíveis como pedofilia e estupro.

    O cineasta chegou a pedir desculpas pelas publicações, feitas entre 2008 e 2012, mas os estúdios se mantiveram firmes em sua decisão, apesar do protesto de vários atores do elenco, como Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista.

    A Warner desenvolveu "Esquadrão Suicida 2" com o diretor Gavin O'Connor, que foi contratado há um ano, mas já abandonou o projeto. O'Connor pediu demissão ao saber que o filme solo de Harley Quinn, uma das integrantes do Esquadrão, teria uma trama parecida com a que estava desenvolvendo para o segundo filme do grupo.


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    RIO — Liminha, assistente de palco do SBT, passou mal nesta terça-feira e foi internado às pressas no hospital São Camilo, em São Paulo. Ailton Alves Sampaio de Lima — nome de batismo do funcionário de Silvio Santos — teve um pico de pressão e, após passar pelo ambulatório médico da emissora, foi levado para o centro médico. As informações foram confirmadas pela assessoria de imprensa do SBT.

    No momento do mal-estar, Liminha estava trabalhando no "Programa Silvio Santos". Nesta terça-feira, o animador passará por exames médicos. Segundo a assessoria do Hospital São Camilo, ele pode ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral.

    "O paciente Ailton Alves Sampaio de Lima deu entrada no Hospital São Camilo Unidade Pompeia por suspeita de AVC. O paciente segue internado para a realização de exames. O quadro clínico é estável sem previsão de alta", informa o comunicado.

    Liminha trabalha com Silvio Santos desde a adolescência. No SBT, ele, que se diz "palhaço nas horas vagas", ajudou o outro assistente Roque na coordenação de auditórios e se consolidou na função. O primeiro programa em que Liminha trabalhou foi "Domingo no parque", nos anos 1980.


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    RIO - O "Conversa com Bial" desta terça-feira, 9, recebe sobreviventes do Holocausto, que assassinou, de forma brutal, seis milhões de homens, mulheres e crianças durante a Segunda Guerra Mundial, no maior genocídio do século XX.

    Um dos convidados do programa de Pedro Bial é Tom Venetianer, de 80 anos, que conta como ele e seus pais sobreviveram ao terrível período histórico.

    O "Conversa com Bial" vai ao ar à 0h45m, na Globo.

    Bial


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    SÃO PAULO — Livro de estreia de Carmen Maria Machado, “O corpo dela e outras farras” (Planeta), reúne oito contos que passeiam por diferentes gêneros para falar da violência contra a mulher em um mundo ainda afetado pelo machismo. O “New York Times" apontou-o este ano como um dos “15 títulos notáveis de mulheres que estão moldando a forma como lemos e escrevemos ficção no século XXI”.

    Fã de ficção especulativa e leitora de autoras como Karen Russell, Shirley Jackson e Angela Carter, Carmen passa da fantasia ao horror, da ficção científica ao humor e ao erotismo com desenvoltura. Em um dos seus contos, as mulheres se tornam invisíveis e ninguém dá a mínima; em outro, fantasmas femininos se escondem em um vestido de baile. E assim por diante.Links Gabo

    Descendente de austríacos e cubanos, a escritora vive na Filadélfia com sua mulher, Val Howlett. Ao mesmo tempo que escreve um livro de memórias, aguarda a produção da adaptação de seus contos para o formato de série.

    O que seu estilo, apontado como “único” pelos críticos americanos, tem de especial?

    Todos os escritores são uma combinação daquilo que leem e do que gostam. Certamente, não sou a única a escrever desse modo. Mas acho que há uma mistura saborosa de gênero, feminismo, sexo, estranheza, corpos de mulher e contos de fadas. E as pessoas estão respondendo a isso.

    As cenas de sexo do livro são narradas de forma diferente do habitual. Por quê?

    Escrever sobre sexo é divertido, gosto muito. Acho importante elaborar cenas de sexo em que a mulher esteja no centro, em que os corpos de mulheres sejam levados em consideração. Porque na maior parte das vezes em que li ficção erótica eram livros escritos por homens brancos heterossexuais, e não eram nada interessantes. Depois de um tempo, fica muito repetitivo. Então, achei interessante reservar um espaço para os corpos das mulheres.

    Como escolhe os gêneros de cada um dos seus contos?

    Não sento para escrever e digo: “Vou escrever um conto de terror” ou “vou escrever um conto de ficção científica”. Não planejo nada. Na verdade, pego todas as minhas referências, as coisas que li, o meu arsenal, faço uma grande mistura e deixo que as coisas surjam de forma orgânica.

    Como descreveria seu processo de escrita?

    Dou aulas e, quando ensino, ao longo do semestre, não escrevo. Quando não estou dando aulas, acordo bem cedo e escrevo durante a manhã. Sempre que tenho alguma ideia, logo registro para não esquecer. E tenho mais ideias do que posso escrevê-las. Por isso, eu mantenho listas. Além disso, gosto do formato dos contos porque posso escrever as minhas ideias mais rapidamente. Links crianças SC+

    O livro tem uma bela dedicatória ao seu avô cubano, Reinaldo Pilar Machado Gorrin. Qual a história por trás dela?

    Quando eu era criança, o meu avô sentava comigo e com meu irmão para contar histórias de sua vida. Eram contadas de uma forma muito natural, davam a sensação de que eram bem estruturadas e bem acabadas. Não eram especialmente sensacionais, mas a maneira como ele se comunicava com a gente era o que nos prendia a atenção. Sempre que me perguntam sobre escrever e como contar histórias lembro do meu avô. Ele foi o primeiro que me fez pensar em histórias dessa maneira e também a razão pela qual me tornei uma escritora. Foi por isso que dediquei o livro a ele.

    Ainda há muito preconceito contra a literatura que tematiza o feminismo e outras questões de gênero?

    Certamente. É difícil ter um livro como esse publicado. Tenho sorte porque o minha editora americana, Graywolf Press, publica trabalhos muito estranhos, que ninguém quer. Esse livro tem sete anos. Parece relevante agora por causa da situação política nos Estados Unidos e no mundo, por causa da forma como falamos das questões de gênero. Não o planejei desse forma, não fiz essa escolha. Foi uma coisa que saiu assim.79289031_SC - São Paulo SP Capa de O corpo dela e outras farras Planeta de Carmen Maria Machado. Fot.jpg

    'O corpo dela e outras farras'

    Editora: Planeta (selo Minotauro). Autora: Carmen Maria Machado. Tradução: Gabriel Oliva Brum. Páginas: 240. Preço: R$ 49,90.


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